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EUA concluem investigação contra práticas comerciais do Brasil e propõem novo tarifaço

03 de junho de 20265min
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Lula culpa Flávio Bolsonaro por proposta de Washington e chama senador de “imbecil”. E Senado aprova projeto que dificulta aborto legal em menores de 14 anos.

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Participantes neste episódio2
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Jéssica Cruz

HostJornalista
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Flávio Bolsonaro

ConvidadoPolítico
Assuntos3
  • Tarifas Americanas BrasilInvestigação sobre práticas comerciais · Proposta de novo tarifaço de 25% · Seção 301 da Lei de Comércio Americana · Donald Trump · PIX · Banco Central Brasileiro · Desmatamento ilegal no Brasil · Combate à corrupção e pirataria
  • Polêmica sobre clínicas de abortoDificulta aborto legal em menores de 14 anos · Resolução de 2024 do CONANDA · Damares Alves · Comissão de Direitos Humanos · Direito ao aborto em casos de estupro, risco de vida e anencefalia
  • Flavio Bolsonaro vs LulaAcusação de trair a pátria · Flávio Bolsonaro · Marco Rubio
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JCJéssica Cruz

Oi, eu sou Jessica Cruz e este é o Boletim Folha. Hoje é quarta-feira, dia 3 de junho de 2026. Estados Unidos conclui investigação contra práticas comerciais do Brasil e propõe novo tarifaço. Lula culpa Flávio Bolsonaro por proposta de Washington e chama senador de imbecil. E Senado aprova projeto que dificulta aborto legal em menores de 14 anos. O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação sobre as práticas comerciais do Brasil e propôs um novo tarifácio de 25% sobre as exportações brasileiras.

O processo foi feito com base na Seção 301, ligada à Lei de Comércio Americana, que autoriza os Estados Unidos a investigar políticas comerciais de outros países e adotar medidas para se defender. A decisão sobre a aplicação ou não cabe ao presidente americano Donald Trump. Antes, o relatório vai ser submetido a empresas privadas americanas. E o Brasil tem um período de negociação que vai até 15 de julho. Se entrarem em vigor, as tarifas devem afetar 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, segundo estimativas do governo.

O setor mais afetado deve ser a indústria. Assim como o tarifácio do ano passado, a proposta traz uma longa lista de produtos isentos. São itens considerados estratégicos para a economia americana, como a carne bovina, suco de laranja e o café. O setor aeronáutico brasileiro também ficou de fora. A proposta de um novo tarifácio é resultado de uma investigação comercial que os Estados Unidos abriram em julho do ano passado. Na época, Trump tomou a medida em reação ao que classificou como uma caça às bruxas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na investigação contra o Brasil, o USTR, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, citou o PIX como uma das práticas desleais de comércio. De acordo com o relatório, o Banco Central Brasileiro discriminaria as empresas de cartão de crédito americanas, dando vantagens ao sistema nacional. O documento também menciona o desmatamento ilegal no Brasil e falhas no combate à corrupção e à pirataria. O presidente Lula lamentou a proposta do governo Trump de impor um novo tarifácio ao Brasil e acusou o senador Flávio Bolsonaro de trair a pátria.

Durante evento em Goiás, Lula associou o pré-candidato à presidência e a família dele à possibilidade de uma nova taxação. A proposta de Washington veio dias depois de uma viagem de Flávio aos Estados Unidos, onde se encontrou com Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio. Lula, que apareceu no evento segurando um cartaz escrito "O PIX é do Brasil", disse que a proposta de Washington foi baseada numa mentira e que espera um telefonema de Trump para explicar o que aconteceu.

Flávio também falou sobre o caso ontem. Durante uma entrevista à rádio Itatiaia, ele disse que não pediu tarifaz para Trump.

FBFlávio Bolsonaro

Eu pedi expressamente nas 3 reuniões que nós tivemos com o presidente Trump, o vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras.

JCJéssica Cruz

A postura do senador agora é diferente da que ele teve na época do primeiro tarifazo contra o Brasil, quando apoiou a medida para acusar Lula de se afastar dos interesses americanos. Também ontem, Trump publicou nas redes sociais fotos do encontro com Flávio e escreveu que o senador ama muito o Brasil. O Senado aprovou ontem, numa votação a jato e sem discussão, um projeto que dificulta o aborto legal. Aquele garantido por lei, em menores de 14 anos.

Na prática, o projeto de decreto legislativo derruba uma resolução de 2024 que estabelece as diretrizes para o aborto legal em crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. O texto agora vai ser promulgado pelo Congresso. A votação durou 1 minuto e 40 segundos e foi feita de forma simbólica, sem o registro individual de votos. O plenário estava quase vazio, já que por causa do feriado de Corpus Christi, a Casa adotou um regime semipresencial.

O projeto foi relatado por Damares Alves, do Republicanos. Antes, o texto tinha sido aprovado também às pressas na Comissão de Direitos Humanos, presidida por ela. A resolução que é objeto do texto era do CONANDA, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. As diretrizes organizam o fluxo entre saúde, assistência social, segurança pública, órgãos de proteção e justiça, estabelecem protocolos como o de que crianças e adolescentes tenham prioridade nos serviços de aborto legal, sem barreiras.

O direito ao aborto é previsto em lei no Brasil em casos de estupro, risco de vida da gestante e anencefalia fetal. Damares Alves argumentou que a resolução extrapola o poder de atuação do Conanda e invade as competências do Legislativo. Segundo ela, uma nova resolução poderia ser feita, desde que solucionasse os problemas apontados. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Gustavo Luiz, Laura Lever e Thiago Betônico.

A edição de som é minha. Esse boletim usou áudios de Canal Gov e Rádio Itatiaia. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Amanhã é feriado e o Boletim volta na sexta-feira. Eu só na segunda. Até!

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