Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 1º e 2º turnos
Governo anuncia reajuste de 15 % no Bolsa Família às vésperas da eleição. Gestão Trump exigiu participação de dissidentes políticos no pleito brasileiro durante negociação de tarifaço. E Fachin suspende sessão do STF que analisaria alegações contra Mendonça.
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Júlia Peruso
- Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados em primeiro e segundo turnospesquisa Datafolha divulgada ontem·Lula e Flávio Bolsonaro empatados no primeiro turno·margem de erro de 2 pontos percentuais·Lula e Flávio Bolsonaro empatados no segundo turno·outros candidatos e suas porcentagens
- Governo anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família às vésperas da eleiçãoreajuste de 15,04% nos benefícios·medida divulgada a 17 dias do primeiro turno·piso sobe de R$600 para R$691·benefício médio de R$675 para R$777·novo valor pago antes do segundo turno·comparação com Auxílio Brasil de Bolsonaro
- Gestão Trump exigiu participação de dissidentes políticos no pleito brasileiroexigência durante negociações de tarifação·mensagem revelada pelo jornal Estado de São Paulo·exigências sobre temas políticos e eleitorais·minuta devolvida por ordem de Mauro Vieira·governo Lula considerou conteúdo inaceitável·críticas de Trump ao processo contra Bolsonaro
- Fachin suspende sessão do STF que analisaria alegações contra Mendonçaanálise de abuso de autoridade contra André Mendonça suspensa·adiamento após pedido de vista de Flávio Dino·questão de ordem sobre análise conjunta·documento sobre Moraes determinado por Mendonça·relatório sobre Mendonça feito por Moraes·clima de tensão no tribunal
Oi, eu sou Júlia Peruso e este é o Boletim Folha. Hoje é sexta-feira, dia 18 de setembro de 2026. Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados em primeiro e segundo turnos. Governo anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família às vésperas da eleição. Gestão Trump exigiu participação de dissidentes políticos no pleito brasileiro durante negociação de tarifação. E Fachin suspende sessão do STF e canalizaria alegações contra Mendonça.
Nova pesquisa Datafolha, divulgada ontem, mostrou que Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, estão empatados no primeiro turno e na simulação do segundo turno, considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais. No primeiro turno, a pesquisa traz o presidente com 39% das intenções de voto, ante 36% do senador. Na pesquisa anterior, o petista marcava os mesmos 39% e o filho de Jair Bolsonaro, 35%. Atrás deles vem Augusto Cury, do Avante, com 6%, Ronaldo Caiada, do PSD, com 4%, Renan Santos, do Missão, com 3% e Romeu Zema, do Novo, com 2%.
Samara Martins, da UP, e Rui Costa Pimenta, do PCO, marcam 1%. Aqueles que declaram votar em branco ou nulo são 6% e os indecisos, 3%. No cenário mais provável de segundo turno, pela terceira rodada seguida da pesquisa, Lula segue com 46% e Flávio Bolsonaro continua com 44%. O cenário configura empate técnico. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 125 municípios de terça a quinta-feira. O presidente Lula anunciou ontem um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família.
A medida foi divulgada a 17 dias do primeiro turno das eleições. O piso vai subir de R$600 para R$691 por família e o benefício médio de R$675 para R$777. O novo valor começa a ser pago no dia 19 de outubro, menos de uma semana antes do segundo turno, marcado para o dia 25. O Bolsa Família atende cerca de 19 milhões e 300 mil famílias. Podem ser beneficiadas famílias inscritas no CadÚnico e que tenham renda familiar por pessoa igual ou inferior a R$218 por mês.
Segundo o governo, o aumento recompõe a inflação desde a reformulação do programa em março de 2023. O reajuste vai custar quase R$6 bilhões este ano e cerca de R$23 bilhões em 2027. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que haverá remanejamento de despesas dentro dos limites atuais, sem elevar os gastos totais neste ano. Moretti negou motivação eleitoral e disse que a medida respeita as regras fiscais. O aumento tem sido comparado ao que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez no programa, então batizado de Auxílio Brasil, há poucos meses da eleição de 2022.
Na época, Lula criticou a medida e acusou Bolsonaro de manobra eleitoral. O deputado federal Zé Trovão, do PL, acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra o reajuste e acusou Lula de abuso de poder político. O ministro André Mendonça, sorteado relator, rejeitou a ação. O governo de Donald Trump exigiu, durante as negociações do primeiro tarifácio de 50% sobre produtos brasileiros em que o Brasil permitisse a participação do que chamou de dissidentes políticos na eleição presidencial.
A mensagem, revelada pelo jornal Estado de São Paulo e confirmada pela Folha, tinha exigências sobre temas políticos e eleitorais, sem relação com o comércio. A minuta circulou no Itamaraty, mas foi devolvida por ordem do ministro Mauro Vieira, que afirmou que não há dissidentes ou presos políticos no Brasil. Segundo integrantes da diplomacia brasileira, o governo Lula considerou o conteúdo inaceitável e informou aos Estados Unidos que não negociaria sob aqueles termos.
Jair Bolsonaro não era citado nominalmente e o texto não dizia se os Estados Unidos o consideravam um dissidente político. Mas Trump tinha justificado as tarifas com críticas ao processo contra o ex-presidente, que na época era réu por tentativa de golpe de Estado. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, suspendeu a análise das alegações de abuso de autoridade contra o ministro André Mendonça. A sessão estava marcada para a próxima quarta-feira e ainda não há nova data.
O adiamento ocorreu depois de o ministro Flávio Dino pedir vista durante a discussão de uma questão de ordem na última terça-feira, na sessão que deveria analisar outro relatório da Polícia Federal sobre o ministro Alexandre de Moraes. A questão de ordem ia definir se as duas análises deveriam ser feitas na mesma sessão, o que não ficou decidido. Nos bastidores, pessoas próximas a Fachin avaliaram que o pedido de vista de Dino inviabilizou tecnicamente que o caso de Mendonça fosse a plenário na próxima semana.
O documento sobre Moraes, determinado por Mendonça, aponta o magistrado como interlocutor de Daniel Volcaro, dono do Banco Master, acusado de uma série de fraudes financeiras. Já o relatório sobre Mendonça foi feito por determinação de Moraes em razão de um pedido de investigação por abuso de autoridade e crime de responsabilidade na condução do caso Master. Os ministros precisam terminar de decidir sobre a questão de ordem antes de avaliar as condutas de Moraes e Mendonça.
A corte também cancelou a sessão extraordinária prevista para ontem. O clima de tensão no tribunal aumentou depois da sessão de terça, marcada por embates e trocas de ofensas. Ontem, o ministro Gilmar Mendes publicou nas redes sociais um texto que chama Mendonça de pichuleco eleitoral. Mendonça respondeu com uma nota em que diz que o decano da corte transformou a sessão de terça em um picadeiro. Este foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta.
A produção é minha e de Daniel Castro. A edição de som é da Pamela Queiroz. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!