Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos
Dino autoriza terceiro inquérito contra Lulinha e abre apuração sobre vazamentos. E PF mira parentes de senador Weverton Rocha e advogado em investigação sobre fraudes no INSS.
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Jéssica Cruz
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Oi, eu sou Jéssica Cruz e este é o Boletim Folha. Hoje é quarta-feira, dia 5 de agosto de 2026. Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos. Dino autoriza terceiro inquérito contra Lulinha e abre apuração sobre vazamentos. IPF mira parentes de senador Weverton Rocha e advogado em investigação sobre fraudes no INSS. O governo Donald Trump anunciou ontem a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luísa Viotti.
Um porta-voz da diplomacia americana disse que ela não vai ser expulsa e não deu detalhes. Mas sem um visto válido, a diplomata fica impedida de cumprir as funções dela no país. O mesmo porta-voz disse que o visto pode ser restabelecido se o Brasil der o aval para Daniel Pérez assumir o cargo de embaixador americano em Brasília. O governo Lula vinha dizendo que não tinha pressa para fazer isso porque Washington tornou pública a indicação antes de fazer uma consulta prévia, o que contraria a prática tradicional.
Aliados de Lula já manifestaram receio de que Pérez tenha atuação política nas eleições. No fim de julho, o Planalto também identificou uma tentativa de interferência eleitoral no planejamento de uma visita de dois funcionários do Departamento de Estado americano ao país, e o Itamaraty negou o visto para eles. O jornal The Washington Post revelou que Trump planejava enviar os auxiliares para lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro.
A revogação do visto da embaixadora é mais um capítulo da tensão diplomática entre os países, depois da Casa Branca anunciar duas novas tarifas sobre produtos brasileiros nas últimas semanas e de ataques trocados entre Lula e o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro não comentou até a conclusão deste boletim. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Ele é o filho mais velho do presidente Lula. A investigação atende a um pedido da Polícia Federal e apura suspeitas de tráfico de influência. Dino também autorizou uma apuração sobre vazamentos ilegais de informações sigilosas, solicitada pela defesa de Lulinha. Existem outras duas investigações sobre suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luiz em andamento. Elas estão com o ministro André Mendonça e também correm em sigilo.
A defesa afirmou que o empresário não tem relação com irregularidades e diz confiar na condução do ministro Flávio Dino. Assim como as duas primeiras, a terceira investigação também envolve a suspeita de atuação da empresária Roberta Luxinger, amiga de Lulinha, em favor de uma empresa junto a um órgão público. Ela também nega irregularidades. As suspeitas sobre Luxinger levaram o presidente Lula a determinar que o ex-chefe de gabinete dele, Marco Aurélio Ribeiro, explique o empréstimo obtido com a empresária.
Marco Aurélio saiu da chefia de gabinete há duas semanas para atuar na equipe de campanha do petista. Ele disse que foi um empréstimo pessoal, já quitado, e negou qualquer ilegalidade. A Polícia Federal deflagrou ontem uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em aposentadorias e pensões no INSS. Os principais alvos são o advogado Willer Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, entre eles a mulher, uma irmã e uma filha.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. Segundo a Polícia Federal, Willer atuava como um centro financeiro, patrimonial e logístico de Weverton. Uma empresa ligada ao advogado teria comprado por R$6 milhões uma mansão usada pelo senador. A PF também aponta que Samia Rocha, mulher de Weverton, teria recebido mais de R$11 milhões de empresas relacionadas a Willer.
Os investigadores suspeitam de diferentes maneiras de ocultar os recursos, como empresas, contas de terceiros, postos de combustíveis, dinheiro em espécie, imóveis, veículos e aeronaves. Mendonça autorizou as buscas por considerar que existia risco concreto de destruição de provas. Segundo o ministro, o material reunido inclui movimentações atípicas e uma relação temporal entre comunicações, aportes e cobranças. Willer afirmou que a busca ocorreu exclusivamente porque ele é dono de uma aeronave usada de forma particular por Weverton.
Diz que o empréstimo foi pessoal e amistoso, sem relação com os fatos investigados, e que não integra o esquema de fraudes em descontos previdenciários. O senador, que já tinha sido alvo de busca em dezembro, diz que todas as movimentações têm origem em atividades profissionais regulares, declaradas à Receita. Ele também atribuiu a operação à candidatura da reeleição dele ao Senado. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta.
A produção é de Daniel Castro e Gustavo Luiz. E a edição de som é minha. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!