Lula se lança à reeleição, critica emendas e fala em investir em defesa
Sobe para 72 o número de mortos em crise migratória em Ceuta. E Infantino sofre pressão depois de recuar de plano de investimento privado para a Fifa.
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Daniel Castro
Janja da Silva
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Oi, eu sou Daniel Castro e esse é o Boletim Folha. Hoje é segunda-feira, dia 3 de agosto de 2026. Lula se lança à reeleição, critica emendas e fala em investir em defesa. Sobe para 72 o número de mortos em crise migratória em Ceuta. Infantino sofre pressão depois de recuar de plano de investimento privado para FIFA. O presidente Lula se lançou oficialmente ontem como candidato à reeleição durante a convenção do PT em São Paulo.
Aos 80 anos, o petista vai disputar a 7ª eleição presidencial. No discurso de 1 hora e 10 minutos, Lula disse que não quer ser lembrado apenas como o presidente do Bolsa Família. O petista também voltou a criticar as emendas parlamentares, que permitem a deputados e senadores definir o destino de partes do orçamento, e prometeu disputar esses recursos com o Congresso num eventual quarto mandato. Ele disse que pretende ser um Lulinha porreta, em vez de Lulinha paz e amor, que foi o mote da primeira eleição presidencial vitoriosa dele, em 2002.
O petista defendeu mais investimentos em defesa e disse que a esquerda precisa superar a resistência ao tema, que segundo ele é provocada pelo trauma da ditadura militar. Também afirmou que o Brasil deve proteger a soberania nacional e as reservas de minerais críticos. Lula fez acenos ao eleitorado feminino e criticou o fato de só homens terem sido escolhidos para discursar na convenção do partido. Ele então chamou a primeira-dama, Janja da Silva, para falar e ela falou brevemente sobre mulheres precisarem sempre se afirmar.
Segundo a última pesquisa Datafolha, Lula tem 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais. Subiu para 72 o número de imigrantes mortos na tentativa de entrada em massa em Ceuta, enclave espanhol que fica no norte da África. O novo balanço foi divulgado ontem pelo governo local. Grande parte das vítimas, que tinham saído do Marrocos, morreu por afogamento.
Os pisoteamentos também provocaram mortes. Quase 60 mil pessoas entraram em Ceuta na semana passada, abrindo uma crise migratória sem precedentes no território. A maior parte dos migrantes já voltou ao Marrocos e poucos ainda estão na cidade. Uma nova barreira marítima flutuante, que avança pelo Mar Mediterrâneo e tem cerca de 500 metros, foi instalada anteontem. A Espanha atribuiu a crise a grupos criminosos que teriam espalhado boatos de que uma decisão recente do Supremo Tribunal Espanhol facilitaria a entrada de migrantes.
A União Europeia marcou uma videoconferência para amanhã, depois que 22 países pediram uma resposta rápida e coordenada. A Itália suspendeu por um mês o acordo de livre circulação com a Espanha. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chamou de egoísta a reação de alguns integrantes do bloco. O futuro de Gianni Infantino na presidência da FIFA virou alvo de dúvidas depois de ele ter recuado do plano de criar uma empresa para administrar atividades comerciais da entidade.
Entidade, incluindo a Copa do Mundo, e vender uma participação a investidores privados. Infantino anunciou o recuo na sexta-feira e reconheceu que o projeto tinha criado divisões. A proposta enfrentou críticas e 55 federações europeias anunciaram boicote às competições da FIFA. Também havia questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses entre os investidores. A UEFA afirmou no sábado que perdeu a confiança na atual liderança da FIFA, e pediu a responsabilização dos envolvidos.
A entidade europeia chamou o fim do projeto de vitória para o futebol, mas disse que a reconstrução da confiança está só começando. A Federação Inglesa defendeu uma revisão completa da liderança e da governança da FIFA. A CONCACAF também classificou o plano como um ato unilateral de má governança e pediu uma revisão integral da direção. Infantino afirma que pretende continuar no cargo. Ele é, por enquanto, o único candidato na eleição de março de 2027.
A base de apoio do suíço inclui a maioria das federações menores, que foram beneficiadas pelo aumento das receitas da FIFA e dos repasses durante os 10 anos de gestão dele. O plano, agora abandonado, previa ampliar pagamentos e dar US$20 milhões a cada associação membro. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A edição de som é da Jéssica Cruz. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais e uma boa semana!