Governo Lula convoca embaixador depois de Milei atacar Alexandre de Moraes
Metade dos eleitores acha que Trump aplicou tarifaço pra ajudar Flávio Bolsonaro. E Incêndios tiram mais de 300 mil pessoas de casa na Europa.
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Gustavo Simon
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Oi, eu sou Gustavo Simon e esse é o Boletim Folha. Hoje é segunda-feira, dia 27 de julho de 2026. Governo Lula convoca embaixador depois de Milei atacar Alexandre de Moraes. Metade dos eleitores acha que Trump aplicou tarifaço para ajudar Flávio Bolsonaro. E incêndios tiram mais de 300 mil pessoas de casa na Europa. O governo Lula convocou ao Brasil o embaixador do país na Argentina depois de uma série de ataques a autoridades feitos pelo presidente Javier Milei na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.
Na diplomacia, a convocação de um embaixador evidencia tensões e é um instrumento para indicar descontentamentos na relação bilateral. Mas não necessariamente o rompimento formal de laços. No caso da Argentina, o gesto é considerado sem precedentes, pelo menos desde a retomada da democracia nos dois países na década de 80. O embaixador Giulio Bittelli deve chegar ao Brasil hoje. A medida foi decidida depois da longa fala de Milei na convenção do PL no sábado em São Paulo.
Para indicar apoio a Flávio Bolsonaro, o político falou palavrões, atacou a esquerda e Lula, e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de lixo careca. Moraes barrou a visita de Milei a Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe e teve as medidas cautelares apertadas depois de Flávio Bolsonaro divulgar uma carta do pai nas redes, o que foi considerado uma violação das regras da domiciliar.
As falas de Milei foram criticadas pelo presidente do STF, Edson Fachin, que apontou a postura incompatível com a civilidade da diplomacia, e por políticos governistas e do Centrão, Inclusive na convenção do PSD, feita ontem, para oficializar a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado. Caiado usou o discurso para se vender como terceira via, ainda que seja de direita, e criticou Lula e Flávio Bolsonaro. Disse que o petista provoca Donald Trump e que o bolsonarista ataca autoridades.
Segundo ele, as agressões de todo o nível servem para desviar o foco. A convenção do PL no sábado foi marcada por associações de Flávio ao pai e por ausências. Líderes de outros partidos não compareceram e figuras como Nicolas Ferreira e Eduardo Carlos e Michele Bolsonaro só mandaram vídeos. Metade do eleitorado, 52%, acredita que os novos tarifaços impostos por Donald Trump ao Brasil têm como objetivo ajudar a campanha de Flávio Bolsonaro. 37% descartam essa tese e 11% dizem não saber.
O Datafolha divulgou ontem esses números, que são parte da nova rodada de pesquisas do instituto. Foram ouvidos 2.004 eleitores nos dias 22 e 23. A margem de erro é de 2 pontos. Na divulgação de sexta-feira, a pesquisa mostrou que Lula manteve a liderança sobre Flávio nas intenções de voto. No primeiro turno, com 40% a 32%. No segundo, com 48% a 43%. Sobre o tarifaço, a pesquisa atesta a associação entre as relações da família Bolsonaro com Trump E as sobretaxas americanas?
A primeira versão delas, no ano passado, foi costurada pelo deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Segundo o Datafolha, 34% das pessoas concordam com Lula, que diz que Flávio incentivou os Estados Unidos a agir contra o Brasil, e 26% concordam com o senador, que afirma que o governo não soube negociar. Mas, ao apontar o principal culpado pelas tarifas, 35% das pessoas citaram Lula. 28% Trump e 23% os irmãos Bolsonaro. 3 em cada 4 pessoas preferem que o Brasil continue a negociar em vez de retaliar os americanos.
No fim de semana, as tensões nas relações com os Estados Unidos tiveram outro desdobramento importante. O Itamaraty negou o visto a 2 funcionários do Departamento de Estado norte-americano que viriam ao Brasil. Segundo o jornal The Washington Post, Trump planejava mandar os assessores, semanas antes do primeiro turno, lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro. O Itamaraty detectou uma possível associação entre as mentiras contadas recentemente por Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas e ações do governo Trump.
O Departamento de Estado não deu detalhes do motivo da visita dos secretários. O Tribunal Superior Eleitoral informou que a área internacional da corte foi procurada pela embaixada americana, mas que o tema de uma possível reunião não foi informado. O TSE não marcou a agenda por causa do recesso do Judiciário. Incêndios florestais de grandes proporções consumiram centenas de milhares de hectares na França e na Espanha nos últimos dias.
Mais de 325 mil pessoas tiveram que sair de casa. Em Bordeaux, cidade cercada pela produção vinícola, o fogo fechou o serviço ferroviário e uma rodovia importante. O prefeito disse que os 270 mil habitantes devem estar preparados para tudo. Milhares de bombeiros trabalham para tentar conter colunas de fogo. 1.500 militares e 1.200 policiais foram deslocados para ajudar nas operações, além de agricultores locais voluntários. Na Espanha, o governo declarou emergência nacional e uma morte foi registrada na região de Valência.
A capital, Madrid, ficou coberta por fumaça no sábado e autoridades locais falaram no pior incêndio da história. Cientistas atribuem o cenário a uma tempestade perfeita, de temperaturas extremamente altas e ventos incessantes, além do fato de a vegetação e o solo nas florestas estarem muito secos há meses, por causa do calor e de poucas chuvas. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta-feira. A edição de som é de Pamela Queiroz. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Boa semana e até mais!