Mendonça autoriza PF a investigar repasses a filme sobre Jair Bolsonaro
EUA anunciam nova tarifa de 12,5% contra Brasil e outros países por suposto uso de trabalho forçado. E Brasil registra queda de mortes violentas, mas feminicídio ainda cresce.
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Gustavo Luiz
- Pedro Páramo: Análise do FilmeAndré Mendonça · Polícia Federal · Impacto do caso Dark Horse · Investigação de Jair Renan Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Flávio Bolsonaro e Vorcaro · Eduardo Bolsonaro e STF
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Oi, eu sou Gustavo Luiz e esse é o Boletim em Folha. Hoje é sexta-feira, dia 24 de julho de 2026. Mendonça autoriza a Polícia Federal a investigar repasses a filmes sobre Jair Bolsonaro. Estados Unidos anunciam nova tarifa de 12,5% contra Brasil e outros países por suposto uso de trabalho forçado. E Brasil registra queda de mortes violentas. Mas feminicídio ainda cresce. O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou ontem a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar os recursos do financiamento do filme Dark Horse sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As principais suspeitas da PF estão no destino dos repasses feitos por Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master. A decisão de Mendonça vem depois do parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonê, que apontou elementos suficientes para abrir o inquérito. Em maio, o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, do PL, cobra Daniel Vorcaro por um pagamento para supostamente financiar o filme Dark Horse.
O pré-candidato não se manifestou sobre a abertura do inquérito até a conclusão desse boletim. Ele já admitiu que pediu dinheiro a Vorcaro e afirmou que a verba seria exclusivamente para a produção do longa. Porém, a Polícia Federal suspeita que os recursos teriam bancado as despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão dele, nos Estados Unidos, onde ele está vivendo desde o início do ano passado. A PF também quer saber se esse dinheiro foi usado para outras ações de bolsonaristas com o governo Donald Trump.
Também ontem, Flávio publicou um vídeo que se desculpa novamente com Michele Bolsonaro, e pede o apoio da ex-primeira-dama na campanha dele, quase um mês depois de um desentendimento público entre os dois. Michelle respondeu com um vídeo dizendo que aceita desculpas e que quer conversar com o enteado. O governo Donald Trump decidiu aplicar uma nova tarifa ao Brasil e a outras 59 economias com base na Seção 301 da Lei de Comércio deles, desta vez com a justificativa de uso de trabalho forçado.
A sobretaxa de 12,5% foi anunciada ontem e, no caso brasileiro, deve se somar aos 25% já impostos na semana passada em outra investigação sobre práticas comerciais que os Estados Unidos consideram prejudiciais ao país. O escritório do representante de comércio norte-americano, o USTR, na sigla em inglês, contestou o argumento brasileiro de que proíbe importações produzidas com trabalho forçado por meio de compromissos assumidos, em acordos de investimento e livre comércio.
Para o órgão, essas disposições não eliminam legalmente a importação brasileira de produtos fabricados com trabalho forçado em outros países, como a China. Com base nessa avaliação, o escritório do representante de comércio norte-americano concluiu que a política brasileira em relação ao trabalho forçado é injustificável e impõe obstáculos ao comércio norte-americano. Especialistas afirmam que a nova rodada de tarifas, que começa a valer hoje, pode funcionar como uma forma de substituir as tarifas globais de 10%, que foram consideradas ilegais pela justiça norte-americana e devem ser encerradas no fim de julho.
O Brasil teve 40.775 mortes violentas intencionais registradas no ano passado. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública e foram divulgados ontem. A taxa de assassinatos ficou abaixo dos 20 mortos por 100 mil habitantes pela primeira vez na série histórica iniciada em 2012. Foram 3.445 mortes a menos do que em 2024, número que representa uma queda de 8,2%. O anuário considera mortes violentas intencionais como a soma de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes violentas de policiais e mortes decorrentes de intervenções policiais.
Dessas categorias que eu acabei de falar, a única que não teve queda foram as mortes causadas pelas forças de segurança. A letalidade policial aumentou mais de 5% e atingiu o patamar mais alto no anuário. Outro crime que também aumentou e também atingiu o maior patamar da série histórica foi o feminicídio. 1.571 mulheres foram mortas por razões de gênero em 2025, de acordo com o Fórum de Segurança Pública, um aumento de 4%. Por outro lado, a quantidade de registros de mulheres assassinadas fora da definição de feminicídio caiu 5,5%.
Foram 3.539 vítimas. Especialistas dizem que a diferença dos dois indicadores pode ser explicada pela combinação de 3 fatores: melhora gradual na identificação dos crimes pelas polícias civis, a persistência da violência de gênero e a redução na violência letal associada à criminalidade urbana. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Daniel Castro e Jéssica Cruz. A edição de som também é da Jéssica. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais.