Episódios de Boletim Folha

PGR vai manter negociação de delação premiada com Daniel Vorcaro

22 de maio de 20265min
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Congresso derruba vetos de Lula e libera verba para municípios antes da eleição. Deolane Bezerra é presa sob suspeita de ligação com o PCC.

 

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Participantes neste episódio1
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Jéssica Cruz

HostJornalista
Assuntos3
  • Delação Premiada Daniel VorcaroDaniel Vorcaro · Procuradoria-Geral da República · Polícia Federal · Banco Master · André Mendonça · Supremo Tribunal Federal · Ciro Nogueira · Flávio Bolsonaro · CPI do Master · Investigações sobre Davi Alcolumbre
  • Prisão de Deolane BezerraDeolane Bezerra · PCC · lavagem de dinheiro · Operação Wernix · Everton de Souza · Player
  • Congresso derruba vetos de LulaLula · Congresso Nacional · verbas para municípios · eleição · Investigações sobre Davi Alcolumbre · fundo partidário
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Oi, eu sou Jéssica Cruz e este é o Boletim Folha. Hoje é sexta-feira, dia 22 de maio de 2026. PGR vai manter negociação de delação premiada com Daniel Vorcaro. Congresso derruba vetos de Lula e libera verba para municípios antes da eleição. Ideolane Bezerra é presa sob suspeita de ligação com o PCC.

A Procuradoria-Geral da República deve manter negociações com Daniel Vorcaro para uma delação premiada, mesmo depois de a Polícia Federal ter rejeitado um acordo com o dono do Banco Master. Na noite de quarta-feira veio a público a notícia de que, na avaliação da PF, o que foi apresentado pela defesa de Vorcaro na proposta de colaboração foi insuficiente.

O documento não incluía nem informações encontradas no celular do banqueiro. A visão da PGR, no entanto, é de que negociações de delações dessa magnitude não devem se esgotar depois da primeira proposta. Ainda assim, termos que pesaram para a rejeição da PF também encontram resistência na PGR. Por exemplo, a proposta de Vorcaro devolver R$ 40 bilhões em 10 anos.

APF e APGR esperam a devolução de R$ 60 bilhões em prazo mais curto. Qualquer acordo que venha a ser fechado ainda teria que passar pelo crivo do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Nas últimas semanas, as dúvidas sobre a proposta de delação do banqueiro cresceram também com o avanço das investigações.

A PF chegou a figuras como o senador Ciro Nogueira e, em outra frente, o site The Intercept Brasil revelou a proximidade entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. Ontem, o pré-candidato do PELI usou uma sessão conjunta do Congresso para cobrar a instalação de uma CPI do Master. Ele disse não ter nada a temer ou esconder. Nomes governistas também cobraram o presidente do Senado, mas Davi Alcolumbre ignorou as questões de ordem e disse que tem prerrogativa para escolher quando instalar a comissão.

A Folha mostrou que parlamentares admitem nos bastidores que isso é um jogo de cena. Na prática, ninguém tem interesse na CPI.

O Congresso derrubou ontem quatro vetos do presidente Lula à lei de diretrizes orçamentárias, mexendo em regras e abrindo brechas para o período da eleição. Com a derrubada dos vetos, ficam liberados, por exemplo, o acesso de municípios inadimplentes a transferências da União e a doação de valores e benefícios pela administração pública no período eleitoral. A regra para verbas da União vale para cidades de até 65 mil habitantes, 92% do total do Brasil.

Mesmo inadimplentes, as prefeituras vão poder assinar convênios para receber recursos federais. A liberação de doações de bens, valores ou benefícios vale para municípios no geral. E, segundo especialistas, abre brechas para o pagamento de emendas parlamentares não impositivas, que são alvos de restrições no período de campanha. Isso porque, como apontam os críticos, o texto é genérico e não define os tipos de doações permitidas.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que a derrubada de vetos foi um aceno a gestores municipais e que mais de 3 mil cidades estão inadimplentes hoje. Na prática, o dispositivo permite que prefeitos tenham contrapartidas para atuar como cabos eleitorais. Ainda há 40 vetos à LDO pendentes de análise pelo Congresso. Um deles impede o aumento do fundo partidário. Alcolumbre diz que vai convocar nova sessão para isso daqui a 20 ou 30 dias.

A influenciadora Deolane Bezerra foi presa ontem em São Paulo por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. A quebra dos sigilos bancários teria demonstrado que ela movimentou milhões em nome da facção e atuaria como caixa do crime organizado. A polícia paulista destacou que a Operação Wernix começou a partir de bilhetes desachados na Penitenciária 2, de presidente Wenceslau, há quase sete anos.

Agentes encontraram os papéis em revistas, nas celas e na caixa de esgoto da penitenciária. Eles indicavam negociações do tráfico dentro do presídio, relações da cúpula do PCC e um plano de atentado. Segundo a polícia, um bilhete que cobrava a execução de um ataque contra um ex-diretor da unidade dizia que aquela mulher da transportadora tinha entregue tudo certinho.

A transportadora seria lado a lado, que teria feito repasses diretos na conta de Deolane. Segundo os investigadores, a atuação dela dificulta o rastreio do dinheiro, porque recursos lícitos do trabalho como influenciadora e advogada se misturam aos do crime organizado. Deolane também teria ligação com Everton de Souza, o Player. Ele é apontado como gestor indireto da transportadora lado a lado, que seria do PCC por meio de laranjas. Player também foi preso ontem.

A defesa de Deolane disse que só se manifestaria quando tivesse acesso às informações da operação. Até ontem à noite não houve posicionamento. Nas redes sociais, a irmã da influenciadora chamou o caso de perseguição. Deolane já tinha sido presa em 2024 no Recife, investigação sobre jogos ilegais e lavagem de dinheiro.

Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Gustavo Simão e a edição de som de Rafael Conkle. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!