Governo lança pacote de R$ 11 bilhões contra o crime organizado
União Europeia proíbe importação de carne bovina do Brasil. E Lula anuncia fim da 'taxa das blusinhas' a 5 meses da eleição.
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Laura Lever
Gustavo Luiz
Jéssica Cruz
Tiago Betônico
Davi Alcolumbre
Guilherme Boulos
Hugo Mota
José Guimarães
Lula
- Crime OrganizadoBrasil contra o Crime Organizado · Combate ao tráfico de armas · Asfixia financeira das facções · Melhoria na qualidade das investigações · Fortalecimento do sistema prisional · Lula · João Barradas · Investigações sobre Davi Alcolumbre
- Exportação de carne para UEUnião Europeia · Brasil · Uso excessivo de antibióticos na pecuária · Regras sanitárias do bloco · Acordo de Livre Comércio com o Mercosul · França
- Fim da taxa das blusinhasImposto de importação · Pressão de setores da indústria · Concorrência desleal · Plataformas chinesas · Lula · Guilherme Boulos · José Guimarães
Oi, eu sou a Laura Lever e esse é o Boletim Folha. Hoje é quarta-feira, dia 13 de maio de 2026. Governo lança pacote de 11 bilhões de reais contra o crime organizado. União Europeia proíbe importação de carne bovina do Brasil. E Lula anuncia fim da taxa das blusinhas, há cinco meses da eleição.
O presidente Lula lançou ontem o programa Brasil contra o Crime Organizado, que reúne medidas voltadas à segurança pública.
O pacote prevê R$ 11 bilhões para a área, sendo R$ 10 bilhões em empréstimo para os estados e R$ 1 bilhão em investimentos que vão sair do orçamento federal. O programa é parte da estratégia do governo Lula para reagir à crítica sobre a atuação contra facções criminosas e tentar imprimir uma marca num tema que tem gerado desgaste em ano eleitoral.
O Brasil contra o Crime Organizado é focado em quatro pontos. O combate ao tráfico de armas, a asfixia financeira das facções, a melhoria na qualidade das investigações sobre crimes graves, como homicídios, e o fortalecimento do sistema prisional.
Durante a cerimônia de lançamento do programa, Lula criticou a soltura rápida de pessoas presas depois de detidas pela polícia. O presidente também afirmou que o crime organizado tem ligações em meios como o futebol, o empresariado, o judiciário e o Congresso Nacional, destacando que as organizações não estão só em favelas.
Lula voltou a dizer que só vai criar o Ministério da Segurança Pública, que é uma promessa de campanha, depois da aprovação da PEC que muda a divisão de responsabilidades dos entes federados sobre o tema. Esse texto está parado na casa. A cerimônia de lançamento do programa teve a presença de ministros, governadores e do presidente da Câmara, Hugo Mota. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não participou do evento.
A União Europeia tirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco. A decisão anunciada ontem foi motivada pelo uso excessivo de antibióticos na pecuária brasileira, o que descumpre regras sanitárias do bloco.
Com o veto, o Brasil não vai poder vender carne bovina para os países europeus a partir de setembro. A restrição vale também para exportações de frango, peixes, embutidos, cavalos vivos e mel. Somadas, essas exportações representam hoje mais de 2 bilhões de dólares por ano. A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos para promover o crescimento de animais ou aumentar o rendimento na pecuária. Medicamentos reservados para infecções humanas também são vetados.
A regra tenta evitar um uso exagerado que gere bactérias resistentes e afete as pessoas. Mas a exclusão do Brasil da lista também reflete um desejo de parte do bloco de sinalizar mais vigilância depois da assinatura do Acordo de Livre Comércio com o Mercosul.
O tratado, que entrou em vigor em 1º de maio, teve resistência de países como a França e é visto como prejudicial pelo setor agrícola europeu. A União Europeia foi o terceiro maior destino de exportações de carne brasileira em 2025. Ficou atrás só da China e dos Estados Unidos. Para voltar a negociar com o bloco, o Brasil vai precisar comprovar que cumpre as regras sanitárias e de qualidade.
O governo Lula disse ter recebido a exclusão com surpresa e afirmou que pretende adotar prontamente todas as medidas necessárias para reverter a decisão. Em nota conjunta, o Ministério de Agricultura e Pecuária e o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços destacaram que o Brasil tem um sistema sanitário robusto e de qualidade reconhecida internacionalmente.
O governo federal assinou ontem uma medida provisória para zerar o imposto federal, conhecido como taxa das blusinhas. A decisão foi tomada de última hora no Palácio do Planalto e já passa a valer a partir de hoje. A taxa das blusinhas foi criada em agosto de 2024, quando compras internacionais de até US$ 50 passaram a ser tributadas com imposto de importação de 20%. A medida foi tomada pelo governo depois da pressão de setores da indústria.
Empresas brasileiras diziam sofrer com a concorrência desleal frente a produtos importados de sites como Shen, Shopee e AliExpress. Desde 2024, o tema virou um dos pontos de crise do governo e foi alvo de críticas, inclusive entre apoiadores. Consumidores reprovaram a medida por encarecer produtos e reduzir a atratividade de plataformas chinesas. O anúncio da revogação vem há cinco meses do começo da campanha eleitoral.
O tema também vinha sendo fruto de racha dentro do próprio governo. Ministros como Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, e José Guimarães, das relações institucionais, vinham se manifestando a favor da revogação da taxa. Do outro lado, o Ministério da Indústria e Comércio resistia.
Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Gustavo Luiz, João Pedro, Adania e Tiago Betônico. A edição de som é da Jéssica Cruz. Essas e outras notícias se encontram em folha.com. Até mais!