Governo diz que novo Desenrola já renegociou quase R$ 1 bilhão de dívidas
Ministro da Saúde defende interdição técnica na Ypê e crítica disputa partidária na crise. E alunos da USP paralisam atendimentos no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário após ação da PM.
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Tiago Betônico
Gustavo Luiz
Jéssica Cruz
Laura Lever
Alexandre Padilha
Dario Durigam
- Coração novoRenegociação de dívidas · Descontos de até 90% · Lula · Desenrola FIES · Dario Durigam
- Interdição de FHCDisputa política · Alexandre Padilha · Anvisa · Tarcísio de Freitas · Saúde de Jair Bolsonaro
- Paralisação de alunos da USPHospital das Clínicas · Hospital Universitário · Ação da PM · Greve nas universidades estaduais paulistas · Precarização dos serviços de saúde
Oi, eu sou o Tiago Betônico e esse é o Boletim Folha. Hoje é terça-feira, dia 12 de maio de 2026. O governo diz que Novo Desenrola já renegociou quase um bilhão de reais de dívidas. O ministro da Saúde defende interdição técnica na IP e critica disputa partidária na crise. E alunos da USP paralisam atendimentos no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário após a ação da PM.
O novo Desenrola já renegociou quase R$ 1 bilhão em dívidas e teve 200 mil pedidos registrados em menos de uma semana. A expectativa do governo é chegar a R$ 20 bilhões. A primeira etapa do programa, lançada em 2023, foi encerrada com a marca de R$ 50 bilhões em dívidas renegociadas. O Desenrola 2.0 tem como público-alvo pessoas que ganham até cinco salários mínimos e oferece descontos de até 90% na dívida com os bancos.
O programa busca reduzir a inadimplência e melhorar a popularidade do presidente Lula em ano eleitoral. Em entrevista às jornalistas ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigam, disse que o desenrola FIES para dívidas estudantis deve estar totalmente disponível até sexta-feira.
Nessa fase, será possível pagar o débito à vista, sem os juros e as multas, com um desconto de 12%. O ministro acrescentou que outra fase do desenrola, voltada a pessoas que estão em dia com as dívidas mais apertadas financeiramente por elas, deve ser discutida nos próximos dias. A medida foi encomendada pelo próprio presidente Lula para o novo desenrola, mas o governo decidiu anunciar o programa em etapas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse ontem que vídeos irresponsáveis tentam transformar a suspensão de lotes de produtos de limpeza da IP em disputa política. De acordo com o ministro, a Anvisa não tem lado partidário e a interdição na empresa envolveu análise do setor de vigilância sanitária de São Paulo, que é governado por Tarsísio de Freitas, opositor do presidente Lula.
O recolhimento de produtos da IP tem repercutido nas redes sociais. A Anvisa determinou na semana passada a suspensão da fabricação da venda e do uso de produtos como detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante por falhas no processo de produção. A medida vale para lotes que terminam com a numeração 1, fabricados em Amparo, no interior de São Paulo. Imagens da inspeção sanitária na fábrica mostram equipamentos com marcas de corrosão.
Os fiscais teriam flagrado os restos de produtos sendo reaproveitados no envase. Os detalhes do relatório foram revelados pela TV Globo. Bolsonaristas têm feito uma campanha nas redes a favor da IP e acusando a Anvisa de perseguição política. Os donos da empresa são apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
e doaram para a campanha dele em 2022. Padilha, que é do PT, disse que a decisão de interdição foi tomada a partir de avaliação de risco sanitário e lembrou que o atual diretor da Anvisa, responsável pelo setor que suspendeu os produtos, foi indicado pela gestão Bolsonaro.
Em nota, a IP diz que vai deixar parada a linha de produção de detergentes, lavar roupas líquidos e desinfetantes que fazem parte do lote com o final 1. Segundo a empresa, a inspeção não encontrou contaminação nos produtos e as fotos que aparecem no relatório mostram áreas em que não há nenhum tipo de contato com os itens.
Alunos do Internato de Medicina da Universidade de São Paulo paralisaram os atendimentos médicos e atividades práticas no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário ontem. A decisão foi tomada em apoio à greve nas universidades estaduais paulistas e vem depois da ação da Polícia Militar, que desocupou à força a reitoria da USP no domingo. Estudantes acusam a PM de truculência durante a operação, que começou por volta das 4 horas da manhã e durou cerca de 15 minutos.
De acordo com os alunos, policiais usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cacetetes. Cinco pessoas teriam ficado feridas. A Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo disse que denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas. O prédio estava ocupado desde quinta por estudantes que demandam mais investimentos, melhorias nos restaurantes universitários e ajustes nas bolsas.
Além dessas reivindicações, os alunos de medicina também protestam contra a precarização dos serviços de saúde da universidade. Segundo eles, o hospital universitário tem hoje uma defasagem de 500 profissionais como enfermeiros, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Em nota, o Hospital das Clínicas disse que a paralisação não impactou os atendimentos.
Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Gustavo Luiz e Laura Leve. A edição de som é de Jéssica Cruz. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!
Ypê