Episódios de Boletim Folha

Defesa de Vorcaro entrega anexos de delação, e processo entra em fase decisiva

07 de maio de 20265min
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Ministros do STF aumentam cerco a criação de novos penduricalhos. E Cinemark exibe filme infantil mais de cem vezes por dia para cumprir Cota de Tela.

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Participantes neste episódio6
J

Jéssica Cruz

HostJornalista
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Gabriela Maier

Co-hostJornalista
G

Gustavo Luiz

Co-host
G

Gustavo Simon

Co-host
L

Laura Lever

Co-host
M

Maurício Meireles

Co-host
Assuntos3
  • Delação de Daniel VorcaroEntrega de anexos à PGR e PF · Banco Master · Ministro André Mendonça
  • Poder JudiciárioAlerta de ministros do STF · Responsabilização penal, civil e administrativa · Iniciativas em tribunais e MPs · Flávio Dino · Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes · Gilmar Mendes · Cristiano Zanin
  • Cota de Tela da CinemarkExibição excessiva de filme infantil · Zuzu Balândia · Projeto Escola · Ancine
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Oi, eu sou Jéssica Cruz e este é o Boletim Folha. Hoje é quinta-feira, dia 7 de maio de 2026. Defesa de Vorcaro entrega nexos de delação e processo entra em fase decisiva. Ministros do STF aumentam o cerco à criação de novos penduricalhos. E Cinemark exibe filme infantil mais de 100 vezes por dia para cumprir cota de tela.

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entregou ontem à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal os anexos de uma proposta de delação premiada. O material apresentado detalha os crimes que Vorcaro teria cometido e as condutas ilícitas que envolvem terceiros. Também elenca provas que ele deve apresentar caso o acordo de colaboração seja aprovado pelas autoridades.

O acordo só avança se a PGR e a Polícia Federal avaliarem que Vorcaro apresentou provas inéditas e indicou a possibilidade de recuperação de valores obtidos de forma fraudulenta. Depois dessa fase, que vai tramitar sob sigilo, a defesa e os investigadores vão discutir condições como redução e o tipo de regime de pena. O entendimento das autoridades até o momento é de que ele não deve receber perdão judicial.

A apresentação da proposta de delação acontece quase dois meses depois da transferência do ex-banqueiro para a superintendência da Polícia Federal em Brasília. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que é relator do inquérito sobre irregularidades relacionadas ao máster.

Caso a proposta de delação seja aceita pela PF e pela PGR, o ministro vai precisar dar o aval para que o acordo seja concluído. A expectativa no momento é de que o processo não avance tão rapidamente, já que casos complexos costumam levar meses.

Decisões do Supremo Tribunal Federal fizeram com que quatro ministros se unissem em uma espécie de alerta sobre a criação de novos penduricalhos a juízes e integrantes do Ministério Público. Elas vieram de Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Nos despachos publicados ontem, os ministros disseram que a implantação ou pagamento de benefícios não autorizados pela tese sobre supersalários pode acarretar em responsabilização penal, civil e administrativa.

Órgãos do Judiciário e da promotoria vêm se articulando para criar adicionais salariais, mesmo depois do jogamento no STF, que barrou parte das verbas extras. Como mostrou a Folha, há hoje pelo menos 14 iniciativas em tribunais e ministérios públicos de oito estados, que criam ou discutem novos penduricalhos. Eles incluem gratificações de incentivo para vagas de difícil preenchimento, retroativos por tempo de serviço,

e benefícios à primeira infância. Em decisão de março, o Supremo autorizou o pagamento de valores acima do teto constitucional até que o Congresso aprove uma legislação sobre o tema, mas estabeleceu um limite que até então não existia.

Verbas indenizatórias ficaram limitadas a 70% do salário dos servidores. Só alguns tipos de recurso poderiam ultrapassar esse teto, como diárias em caso de viagens e adicionais por atuar em comarcas de difícil provimento.

A Cinemark está exibindo um filme infantil mais de 100 vezes por dia como atalho para cumprir mais rapidamente a cota de tela obrigatória no Brasil. A animação Zuzu Balândia, produção nacional de 2024, voltou à programação da rede em outubro do ano passado.

A cota de tela é uma exigência legal que obriga os cinemas a reservar uma porcentagem da programação anual para longa-metragens brasileiros. Só neste ano, a Cinemark já programou 17 mil sessões de Zuzu Balândia em todo o Brasil, que foram assistidas por apenas 1.882 pessoas, o que dá uma média de 0,1 espectador por sessão.

Procurada pela Folha, a empresa diz que não comenta a cota de tela e que exibe a animação dezenas de vezes por dia por causa do programa Projeto Escola, no qual colégios reservam salas inteiras para estudantes. Funcionários da rede disseram que a orientação interna exibir o filme no começo do dia, para cumprir a cota de produção nacional. A Folha visitou uma unidade do Cinemark na semana passada em São Paulo.

O filme estava passando em quatro salas ao mesmo tempo, mas nenhuma delas tinha público. Uma das salas, inclusive, estava com as luzes acesas, apesar de o projetor estar ligado. A brecha da Cinemark não viola a legislação. A norma, em vigor desde 2024, estabelece um número mínimo de sessões, mas não proíbe a repetição de um mesmo título. A Ancine, responsável pela fiscalização, diz que está ciente da estratégia, mas não prevê punições.

Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Laura Lever, Samara Almeida e Thiago Betônico. A edição de som é minha. Essa e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!

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