Brasil bate novo recorde de feminicídios no primeiro trimestre
Ataque a tiros em escola no Acre deixa duas pessoas mortas. E governo aumenta classificação indicativa do Youtube para 16 anos.
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Laura Lever
- Feminicídios no BrasilRecorde no primeiro trimestre · Ministério da Justiça e Segurança Pública · São Paulo · Violência doméstica · Misoginia
- Ataque a tiros em escola no AcreRio Branco · Instituto São José · Adolescente agressor · Bullying · Suspensão de aulas
- Classificação Indicativa YouTubeMinistério da Justiça · ECA Digital · Novela das frutas · Conteúdo inadequado · Proteção nas plataformas online
Oi, eu sou a Laura Lever e esse é o Boletim Folha. Hoje é quarta-feira, dia 6 de maio de 2026. Brasil bate novo recorde de feminicídios no primeiro trimestre. Ataque a tiros em escola no Acre deixa duas pessoas mortas. E governo aumenta a classificação indicativa do YouTube para 16 anos.
O Brasil bateu um novo recorde de feminicídio no primeiro trimestre deste ano. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registrou uma alta de 7,5% entre janeiro e março de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 399 vítimas, 28 a mais que o registrado em 2025.
Os números representam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica ou envolvendo desprezo ou discriminação à condição feminina. A maior quantidade de feminicídios foi registrada em São Paulo, com 86 vítimas, também um recorde.
Nas cidades paulistas, o aumento foi de 41% na comparação com o mesmo período do ano passado. Parte da alta nos indicadores de feminicídio é atribuída por especialistas e membros dos governos a um aumento nas notificações. Mortes que antes eram registradas como homicídios comuns passaram a ser computadas como crimes de gênero, fazendo o dado crescer.
Mas pesquisadores também destacam o peso da misoginia na motivação dos crimes. Na maioria das ocorrências, o agressor tinha relação direta com a vítima. Quase 60% das mulheres foram mortas pelo parceiro íntimo e 21% pelo ex-parceiro.
Um ataque a tiros numa escola em Rio Branco, capital do Acre, deixou duas mulheres mortas e outras duas pessoas feridas ontem. Segundo a Polícia Militar do Estado, o autor dos disparos é um adolescente de 13 anos que se entregou depois do ataque. Ele entrou armado com uma pistola no Instituto São José, de onde é aluno, e fez vários disparos. As duas mulheres mortas pelo adolescente eram funcionárias da escola.
De acordo com a PM, a arma usada era do padrasto do adolescente. Ele teria conseguido a chave do cofre e levado a arma para a escola sem conhecimento da família. O aluno descarregou um pente completo de munição e estava com outros dois municiados. Sem saber recarregar, largou a arma numa escadaria da unidade e saiu. A suspeita é de que o rapaz tem agido após ser vítima de bullying. O padrasto dele, que é advogado, também foi detido.
A polícia militar acercou a área e a Polícia Civil abriu investigações para esclarecer a motivação, a dinâmica do ataque e eventuais responsabilidades. As aulas na rede estadual de ensino do Acre foram suspensas por três dias.
O Ministério da Justiça aumentou de 14 para 16 anos a classificação indicativa do YouTube. A mudança foi feita depois que uma nota técnica do governo apontou a presença de conteúdos considerados inadequados. De acordo com a pasta, a reclassificação leva em conta a presença de vídeos com sexo, drogas, linguagem própria e violência extrema na plataforma.
O governo também considerou que o site apresenta publicidades, faz recomendações de conteúdo e permite que usuários interajam entre si. O YouTube ainda pode recorrer da decisão. A nova faixa etária funciona como um alerta para pais e responsáveis, mas não impede o acesso à plataforma. O modelo é o mesmo que vale para filmes e programas de TV. O documento que mudou a classificação indicativa do YouTube citou a novela das frutas como um dos motivadores da revisão.
Segundo a nota técnica, esse tipo de conteúdo com frutas e vegetais falantes, apesar de ser atraente ao público infanto-juvenil, é inadequado para os mais jovens, já que alguns têm apelo sexual e outros reproduzem situações de violência doméstica e preconceito. A reclassificação foi feita com base no ECA Digital, que atualizou o Estatuto da Criança e do Adolescente com regras de proteção nas plataformas online.
Em março, o governo já havia alterado a classificação indicativa de oito redes sociais no Brasil, incluindo o TikTok, o Instagram e o WhatsApp. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é do Tiago Betônico e a edição de som é da Jéssica Cruz. Essas e outras notícias se encontram em folha.com. Até mais!