Pernambuco e Paraíba decretam estado de emergência depois de chuvas com mortes
Pesquisa mostra que mais pobres se endividam por causa de gastos essenciais. Alemanha reconhece diferenças, mas tenta minimizar atrito com Trump.
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Gustavo Simon
- Chuvas em PernambucoEstado de emergência e calamidade pública · Mortes e desabrigados · Ações emergenciais e apoio federal · Previsão de chuva e risco de inundações · Retomada de serviços e distribuição de itens
- Desigualdade SocialGastos essenciais como principal fator · Saúde e desemprego como motivos · Diferenças de perfil de dívida por faixa de renda · Pesquisa do Instituto Nexus para BTG Pactual
- Enchentes Rio Grande do SulPessoas desalojadas e alertas de deslizamento · Investigação de mortes pela Defesa Civil
- Negociações EUA-IrãResposta à oferta de negociações · Possível rejeição da proposta iraniana por Trump
Oi, eu sou o Gustavo Simon e esse é o Boletim Folha. Hoje é segunda-feira, dia 4 de maio de 2026. Pernambuco e Paraíba decretam o estado de emergência depois de chuvas com mortes. Pesquisa mostra que mais pobres se endividam por causa de gastos essenciais. E a Alemanha reconhece diferenças e tenta minimizar atrito com Trump.
Chegou a oito o número de mortes causadas pelas chuvas que atingiram Pernambuco e Paraíba no feriado. Mais de 10 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. O governo de Pernambuco decretou estado de emergência em 27 cidades. A lista inclui Recife, Olinda e São Lourenço da Mata, na região metropolitana, onde foram registradas seis mortes, cinco em deslizamentos e uma em uma enxurrada.
A medida do governo agiliza ações emergenciais e facilita o pedido de apoio e recursos do governo federal. A Paraíba decretou calamidade pública no sábado. O Estado estima que 16 mil pessoas tenham sido afetadas. Foram registradas duas mortes em Guarabira, a cerca de 100 quilômetros de João Pessoa.
Os bombeiros resgataram 807 pessoas em Pernambuco e 306 na Paraíba. A previsão para os próximos dias é de chuva nas áreas atingidas. O CEMADEM, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, fala em risco moderado nos dois estados e risco alto para enxurradas e inundações em Fortaleza, no Ceará, por causa da previsão de pancadas de chuva na região metropolitana.
Aos poucos, serviços como o fornecimento de água têm sido retomados em Pernambuco e na Paraíba. Os governos locais dizem ter intensificado ações com remoção de resíduos, limpeza de canais e distribuição de colchões, lençóis e kits de higiene e limpeza.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional disse ter enviado equipes de apoio. Chuvas entre a tarde de sexta e a madrugada de sábado deixaram mais de 500 pessoas desalojadas também no Rio Grande do Sul e causaram alertas de risco de deslizamentos em diferentes regiões do estado. A Defesa Civil investiga duas mortes.
Uma pesquisa do Instituto Nexus, encomendada pelo banco BTG Pactual, indica que o endividamento entre brasileiros de menor renda está diretamente ligado a despesas essenciais e a choques de renda, como desemprego e gastos com saúde, e não ao consumo considerado supérfluo. Entre quem ganha até um salário mínimo, 41% apontam despesas com saúde como motivo para se endividar, percentual acima da média nacional de 32%. Obrigado.
O peso desse fator diminui conforme a renda aumenta. A perda de emprego também aparece com mais força na base da pirâmide. Para 22% dos entrevistados com renda de até um salário mínimo, o desemprego próprio ou de alguém da família levou ao endividamento. A média geral é de 13%. Gastos cotidianos, como alimentação e contas fixas, seguem como principal fator de endividamento.
Em todas as faixas de renda, são citados por 50% dos brasileiros. Entre os mais ricos, o perfil da dívida muda. Depois das despesas do dia a dia, o principal motivo é o consumo financiado. 35% dos entrevistados com renda acima de 5 salários mínimos
mencionam compras parceladas ou financiamentos como origem das dívidas. A pesquisa do Nexus ouviu 2.028 pessoas por telefone entre os dias 24 e 26 de abril. Os dados vêm em um momento de maior comprometimento da renda dos brasileiros com débitos e da tentativa do governo, com o Desenrola 2.0, de minimizar o problema.
O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Mertz, reconheceu divergências recentes que teve com Donald Trump, mas minimizou o peso desses atritos. Segundo Mertz, isso não teria relação com o anúncio de que os Estados Unidos pretendem reduzir a presença militar em países europeus nos próximos meses.
Na sexta-feira, Trump disse que deve tirar 5 mil soldados de unidades americanas na Alemanha, país que abriga a maior base dos Estados Unidos na Europa. A fala veio depois de Mertz dizer que a Casa Branca estava sendo humilhada nas negociações com o IRA. Trump respondeu, chamando o líder alemão de ineficaz.
Numa entrevista ontem, Mertz disse que tem que aceitar que o presidente dos Estados Unidos tem uma visão diferente da dele, mas ele tentou contemporizar reafirmando que os americanos são parceiros importantes, inclusive na OTAN. O ministro da Defesa de Mertz disse no fim de semana que a postura de Trump deve servir de impulso para que a Europa reforce a própria capacidade de defesa. Ainda sobre a guerra no Irã, ontem a liderança de Teherã disse que recebeu uma resposta da Casa Branca à oferta mais recente de negociações.
Trump tinha dito que provavelmente rejeitaria a proposta iraniana e que poderia retomar ataques em breve. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta-feira. A produção é de Majer Flores e a edição de som de Rafael Conkle. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Boa semana. Até mais.
BTG Pactual
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