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Atirador em jantar com Donald Trump pode ser condenado a prisão perpétua

28 de abril de 20266min
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Grupos fazem ataques coordenados ao ECA Digital na internet, mostra levantamento. TCE mira emendas Pix em São Paulo e aponta irregularidades.

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Gustavo Luiz

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Assuntos3
  • Medidas contra TrumpCole Thomas Allen · tentativa de assassinato · segurança do evento
  • ECA Digital e regulação de plataformasLei de Proteção de Crianças e Adolescentes · desinformação organizada · AI Digital
  • CPMI do INSS e emendas parlamentaresTribunal de Contas do Estado de São Paulo · Guto Zacarias · Dani Alonso
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Oi, eu sou o Gustavo Luiz e esse é o Boletim Folha. Hoje é terça-feira, dia 28 de abril de 2026. Atirador em jantar com Donald Trump pode ser condenado à prisão perpétua. Grupos fazem ataques coordenados ao ECA Digital na internet, mostra levantamento. E TCE mira emendas PIX em São Paulo e aponta irregularidades.

O americano Cole Thomas Allen, de 31 anos, foi acusado ontem de três crimes. Tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos, transporte de arma para cometer crime e disparo de arma de fogo durante prática de crime violento. Se for considerado culpado, ele pode pegar até a prisão perpétua. Allen foi preso na noite do último sábado, depois de disparar uma arma durante o jantar dos correspondentes da Casa Branca, do qual o presidente Donald Trump participava.

Um agente do serviço secreto foi atingido, mas usava colete à prova de balas e não se feriu. Não houve nenhuma outra vítima. O atirador compareceu a uma audiência em um tribunal federal em Washington e não se declarou culpado. Uma nova audiência foi marcada para quinta-feira, dia 30. O juiz federal, Matthew Charbot, determinou que ele continue preso enquanto o caso é investigado. Segundo o procurador-geral interino Todd Blanche, Allen viajou da Califórnia ao Washington de trem.

com uma parada em Chicago. Ele fez o check-in no hotel, onde ocorreria o jantar na tarde de sábado. Às 20 horas e 40 minutos, Allen se aproximou da segurança correndo com uma arma, quando foi possível ouvir os disparos. Depois da audiência, Blanche afirmou que agentes federais não falharam durante o ataque.

A segurança do evento tem sido criticada. Segundo relatos de jornalistas, os convidados não passaram por raio-x ou detectores de metais para entrar no salão do Hotel Washington Hilton, que era onde acontecia o evento. Trump aproveitou o ataque para defender a construção do salão de festas na Casa Branca. A obra, que demoliu uma das alas da residência oficial da presidência dos Estados Unidos, tem sido travada por ações da justiça.

O primeiro mês do ECA Digital foi marcado por uma avalanche de mensagens coordenadas de desinformação sobre a lei. É isso que mostra o levantamento do Observatório Lupa. De 17 de março, quando a lei passou a valer, até o dia 17 de abril, o Observatório analisou 33 mil postagens em seis redes sociais e dois aplicativos de mensagens.

O levantamento encontrou grupos difusos que usavam informações falsas para moldar a percepção dos usuários em relação à nova lei. Ao longo das semanas, esses grupos foram se organizando, a ponto de usar a ferramenta de automação de mensagens em massa e até organizar um abaixo-assinado contra o ECA Digital. O ECA Digital regulamenta a Lei de Proteção de Crianças e Adolescentes no Ambiente Online. Sua principal ferramenta... ECA Digital regulamenta a Lei de Proteção de Crianças e Adolescentes no Ambiente Online.

É a exigência de que as plataformas verifiquem a idade dos usuários que substitui a autodeclaração. O levantamento do lupa verificou um padrão das críticas à nova lei. Uma delas foi a comparação do ECA digital com o AI-5, o Ato Institucional nº 5.

o que os usuários chamaram de AI Digital. O AI-5 cortou os direitos civis e políticos durante o período mais duro da ditadura militar no Brasil, entre os anos de 60 e 80. Esses grupos de desinformação usaram fatos como a saída do Brasil de empresas de jogos como a Rockstar Games e da Art Linux como um argumento de que haveria uma censura por parte do governo.

Na verdade, as duas empresas alegaram que, por falta de infraestrutura, não poderiam atender aos requisitos de proteção exigidos pela lei. O que eram no início comentários soltos, logo se tornou uma ação política organizada contra a lei, reunindo 33 mil assinaturas e um abaixo-assinado pedindo a sua revogação, que já está tramitando no Senado. A fiscalização vai passar a ser feita pela Agência Nacional de Proteção de Dados só em 2027, mas redes sociais e jogos já são obrigados a receber notificações.

a ter os mecanismos de confirmação da faixa etária. A maioria das emendas PIX de deputados e vereadores do Estado de São Paulo vão para serviços feitos sem plano de trabalho, o que torna impossível saber se o dinheiro foi gasto como prometido. Foi o que mostrou uma auditoria inédita do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

As emendas PIX são repasses à prefeitura sem a necessidade de que elas assinem convênios específicos com o governo estadual. Elas ficam na classe das emendas impositivas, que são aqueles gastos que o executivo tem a obrigação de fazer. A fiscalização do Tribunal de Contas analisou emendas de 2023 a 2025, a partir de uma análise de riscos, entre quase 2 mil emendas pagas. Foram selecionadas 66 emendas para 59 prefeituras.

Dessa amostra, 58 repasses foram para atividades sem plano de trabalho. Os repasses totalizaram 52 milhões de reais. O corpo técnico do TCE encontrou emendas pagas a entidades controladas por parentes dos parlamentares que as indicaram e suspeitas de superfaturamento. Alguns casos chamaram mais a atenção dos auditores.

Um deles foi uma emenda de 300 mil reais, indicada pelo deputado estadual Guto Zacarias do Missão, para comprar coletes balísticos e capas para a Guarda Civil de São Caetano do Sul. Mas as capas não foram entregues, o que resultou em um superfaturamento de 42 mil reais.

Em outro caso, a emenda foi da deputada estadual Dani Alonso, do PL, também de 300 mil, para a reforma da quadra de uma escola em Mineiros do Tietê. Os auditores viram que a obra estava parada. Teve ainda o deputado Jorge do Carmo, do PT.

Ele enviou 350 mil reais para Santa Isabel construir uma ponte. A estrutura foi feita sem projeto básico, por meio de um pregão e fora do orçamento da cidade. Os deputados estaduais autores das emendas afirmaram desconhecer os resultados da fiscalização e prometeram tomar providências. As prefeituras que retornaram o contato da Folha de São Paulo afirmaram que não foram notificadas pelo órgão de controle ou negaram as irregularidades.

Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Beatriz Izumino e Jéssica Cruz. A edição de som é de Rafael Conca. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!