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CPI do Crime Organizado rejeita relatório que pedia indiciamento de ministros do STF

15 de abril de 20265min
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Beto Louco pode pagar R$ 1 bi de imposto pra fazer delação premiada em SP. Líbano e Israel fazem reunião histórica nos EUA e vão abrir negociações diretas

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Jéssica Cruz

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  • Crime Organizadoindiciamento de ministros do STF · Alessandro Vieira · crimes de responsabilidade · impeachment · Beto Louco · delação premiada · Operação Contenção · mega-operação Carbono Oculto · negociações entre Líbano e Israel · Marco Rubio · Hezbollah
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Oi, eu sou Jéssica Cruz e este é o Boletim Folha. Hoje é quarta-feira, dia 15 de abril de 2026. CPI do crime organizado rejeita relatório que pedia indiciamento de ministros do STF. Beto Louco pode pagar um bilhão de reais de imposto para fazer delação premiada em São Paulo. E Líbano e Israel fazem reunião histórica nos Estados Unidos e vão abrir negociações diretas.

A CPI do Crime Organizado rejeitou na noite de ontem o relatório que pediu indiciamento dos ministros do STF, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Foram seis votos contra o texto e quatro a favor. O relatório de Alessandro Vieira, do MDB, tinha proposto o indiciamento dos ministros com base no caso do Banco Master. A articulação para barrar o texto envolveu o Supremo Tribunal Federal, o governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Integrantes da CPI alinhados à oposição e ao bolsonarismo, como Sérgio Moro e Marcos Duval, foram trocados momentos antes da votação. Senadores do PT, Tereza Leitão e Beto Faro, foram indicados no lugar deles. O relatório atribuía aos três ministros crimes de responsabilidade que poderiam basear pedidos de impeachment. Vieira acusou Moraes e Toffoli de terem agido de modo incompatível com o decoro da função, por causa de relações com figuras envolvidas no caso Master.

e acusou Gilmar de ter suspendido quebras de sigilo da CPI para proteger os colegas. O senador também propôs o indiciamento do procurador-geral da República, Paulo Gonê, que, segundo ele, deixou de investigar autoridades. O STF e a PGR não tinham comentado o relatório até a noite de ontem.

Alessandro Vieira deixou de fora o indiciamento de facções, congressistas, empresários e suspeitos de crimes comuns. Segundo ele, essa foi uma escolha técnica. A CPI foi criada originalmente para investigar o crime organizado e a atuação de facções, depois da Operação Contenção, que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro.

Vieira propôs no relatório a recriação do Ministério de Segurança Pública em uma intervenção no Rio. No governo Lula e entre ministros do STF, a avaliação foi de que o senador agiu com motivação eleitoral.

O empresário Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, concordou em pagar um bilhão de reais em impostos que ele deve ao Estado de São Paulo para fazer uma delação premiada. Beto propôs ao Ministério Público de São Paulo revelar a participação de servidores e magistrados no esquema bilionário que inclui fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro. Os crimes foram descobertos pela mega-operação Carbono Oculto no ano passado.

A operação investiga a infiltração do crime organizado em negócios regulares da economia formal, como postos de gasolina, padarias e fintechs. De acordo com a colunista da Folha, Mônica Bergamo, a proposta de delação do Beto Louco dividiu o Ministério Público. As apurações da coluna indicam que promotores do interior paulista são contra o acordo.

A defesa de Beto disse na semana passada que entregou documentos e celulares dos quais os investigadores poderão extrair informações para comprovar os crimes que ele relata. Mas os advogados não se manifestaram sobre o valor a ser devolvido ao Estado até a publicação desse boletim. A expectativa é que o atual procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, decida se aceita ou não a delação.

Beto já tentou negociar a delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, mas não conseguiu. Ele está foragido desde que teve a prisão decretada no final do ano passado.

Representantes de Líbano e Israel se reuniram ontem em Washington, num encontro considerado histórico. A proposta era começar uma negociação para interromper ataques e a ocupação israelense no território libanês. O encontro terminou sem o anúncio de um cessar-fogo, mas com o compromisso de que Beirute e Tel Aviv conversem no futuro sem mediação americana.

Antes da reunião, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, reconheceu que era pouco provável que ela tivesse grandes avanços para solucionar o conflito entre Israel e o Hezbollah. O grupo chiita, que atua no Líbano e é aliado do Irã, criticou a negociação e fez ataques ao norte de Israel durante o encontro.

Tel Aviv bombardeou locais ao sul de Beirute. O encontro acontece uma semana depois de Estados Unidos e Irã anunciarem um cessar-fogo, cuja fragilidade ficou evidente com a continuidade das tensões e de ataques no Líbano. Terã diz que uma trégua ali é crucial para negociar, e Tel Aviv defende que a guerra contra o Hezbollah precisa continuar.

Israel e Líbano estão formalmente em guerra desde a criação de Israel, em 1948, por isso o caráter histórico do encontro. Desarticular o Hezbollah é um interesse comum dos dois países. O governo libanês afirma que ataques recentes da facção mataram pelo menos duas mil pessoas.

Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Beatriz Izumino e Guilherme Almeida. A edição de som é de Rafael Conkle. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Até mais!