Hungria encerra 16 anos de ultradireita com derrota de Orbán
Negociação fracassa, Trump volta a ameaçar Irã e fala em bloqueio de Hormuz pelos EUA; e Datafolha indica cenário de primeiro turno mais apertado pra Lula.
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Gustavo Simon
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Oi, eu sou o Gustavo Simon e esse é o Boletim Folha. Hoje é segunda-feira, dia 13 de abril de 2026. Orbán perde e Hungria encerra 16 anos de ultradireita no poder. Negociação fracassa, Trump volta a ameaçar o Irã e fala em bloqueio de Hormuz pelos Estados Unidos. E Datafolha indica cenário de primeiro turno mais apertado para Lula.
Em uma votação histórica, a Hungria decretou o fim da era de Vitor Orbán no poder. O primeiro-ministro, que se tornou um ícone da ultradireita global, estava no cargo desde 2010. É o nome que ocupou por mais tempo a liderança de um país da União Europeia. Antes mesmo do fim...
da apuração dos votos, Orbán disse que o resultado era claro e doloroso. Ele reconheceu a derrota e deu os parabéns para o vencedor Peter Magyar. Com quase 100% das urnas apuradas, o cenário apontava 138 das 199 cadeiras do parlamento húngaro para o partido de Magyar, de direita. O grupo de Orbán deve ficar com 55 assentos. O comparecimento recorde dos eleitores, que ficou próximo a 80%, indica que Peter Magyar conseguiu mobilizar a população. Advogado de 45 anos,
ele já foi apoiador de Orbán, mas rompeu com o Premier e lançou acusações de corrupção contra ele. Maguiar fez uma campanha de tom patriótico e explorou temas ligados à economia. A Hungria está com o PIB estagnado e tem uma inflação acumulada desde a pandemia de 58%, mais que o dobro da média da União Europeia. Apesar de falar em manter as políticas de combate à imigração ilegal,
Maguiar prometeu uma reaproximação com a OTAN e o bloco europeu depois de anos de atritos de Orbán. Bruxelas chegou a suspender repasses à Hungria por causa de violações de padrões democráticos, ligadas às ofensivas do premier contra a imprensa, o judiciário e os direitos de minorias. Na prática, Orbán usou o conservadorismo populista para transformar a Hungria numa autocracia. A derrota dele é também dos aliados Donald Trump e Vladimir Putin.
O presidente dos Estados Unidos prometeu ajudar na recuperação econômica da Hungria se Orbán vencesse. O russo tinha no Premier uma das únicas pontes com a União Europeia. Maguiar disse que a vitória dele liberta a Hungria, é um sim para a Europa e falou em uma transição tranquila. A maioria que ele conquistou no parlamento é suficiente para promover mudanças na Constituição.
Depois de rodadas de negociações com o Irã fracassarem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que ordenou um bloqueio naval no Estreito de Hormuz, no Oriente Médio. A medida começaria a valer na manhã de hoje. Por semanas, Trump exigiu que o Irã reabrisse a passagem e manteve ataques aos persas, citando o bloqueio feito pelo regime. Agora, disse que a marinha americana vai interceptar embarcações que tentem passar pelo estreito ou que tenham pago pedágio até Irã.
A guarda revolucionária do Irã, que sustenta o regime, disse que o tráfego em Ormuz está sob controle. Trump retomou ameaças que configurariam crimes de guerra, como acabar com o Irã em um dia e destruir todas as usinas e centrais elétricas. O líder americano acusou o Irã de promover uma extorsão global ilegal ao ameaçar a segurança no estreito, que é uma importante rota para o transporte de petróleo.
As ameaças foram feitas horas depois de os dois lados confirmarem o fracasso no diálogo promovido pelo Paquistão. Segundo os Estados Unidos, que enviaram o vice-presidente J.D. Vance para as negociações, o Irã optou por não aceitar os termos americanos, que incluem restrições ao programa nuclear persa e a proibição de construir armas nucleares. A delegação iraniana afirmou que Washington foi incapaz.
de construir uma relação confiável. O impasse aumentou a incerteza em relação ao cessar fogo anunciado na semana passada. Ataques de Israel ao Líbano e ameaças de todos os lados têm evidenciado a fragilidade dessa trégua.
A nova pesquisa do Datafolha indica para o presidente Lula o cenário de primeiro turno mais apertado de todas as eleições em que ele foi o vencedor. No sábado, o Datafolha divulgou um levantamento em que Lula, do PT, tem 39% das intenções de voto no primeiro turno.
35% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. Ronaldo Caiado, do PSD, é o terceiro com 5%. A margem de erro é de dois pontos. A pesquisa registrada no TSE ouviu 2.004 eleitores em 137 cidades de 7 a 9 de abril. Nos cenários de segundo turno, Flávio Bolsonaro apareceu pela primeira vez numericamente à frente de Lula.
46% a 45%, um empate dentro da margem de erro. Na comparação com pesquisas do Datafolha feitas há cerca de seis meses da votação, nos anos de 2002, 2006 e 2022, a diferença de Lula em relação ao principal opositor nos cenários de primeiro turno nunca foi tão estreita. Ela variava de 10 a 21 pontos. Hoje é de 4.
Cientistas políticos ouvidos pela Folha destacam que a polarização consolidada contribui para esse quadro e deve tornar a disputa de outubro mais intensa e imprevisível. Ontem, o Datafolha divulgou números de uma pergunta sobre a situação de Jair Bolsonaro, pai de Flávio e que cumpre pena de 27 anos de prisão pela trama golpista. 59% das pessoas acreditam que o ex-presidente deve ficar em prisão domiciliar, onde está agora para se recuperar de uma cirurgia. 37% dos entrevistados defendem o retorno ao complexo da Papudinha.
por cento não souberam responder. A margem de erro também é de dois pontos. Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta-feira. A edição de som é de Tomé Graneman. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Boa semana e até mais!