Pagamentos declarados pelo Master a escritório de Viviane Barci somaram R$ 80 milhões
Governo Lula prepara linha de crédito para ajudar empresas endividadas de médio porte. Receita mira esquema de venda ilegal no Mercado Livre, Magalu e Shoppee.
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Laura Lever
- Banco MasterViviane Barsi · Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes
- Mercado de Crédito
- Operação Platinum
Oi, eu sou a Laura Lever e esse é o Boletim Folha. Hoje é quinta-feira, dia 9 de abril de 2026. Pagamentos declarados pelo Master a escritório de Viviane Bassi somaram 80 milhões de reais. Governo Lula prepara linha de crédito para ajudar empresas endividadas de médio porte. E Receita mira esquema de venda ilegal no Mercado Livre, Magalu e Shopee.
Documentos da Receita Federal indicam que os pagamentos declarados pelo Banco Master ao Barsi de Moraes Sociedade de Advogados chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos. O escritório é de Viviane Barsi, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Dados enviados à CPI do Senado que investiga o crime organizado mostram que o banco declarou 11 pagamentos de cerca de R$ 3,6 milhões cada um ao escritório ao longo de 2024. Eles somam R$ 40 milhões. Em 2025, os registros não aparecem divididos por meses. Só existe uma declaração de pagamento de R$ 40 milhões naquele ano.
O Barsi de Moraes disse que não confirma as informações, que chamou de incorretas e vazadas ilicitamente, mas não quis informar o valor desses pagamentos. O ministro Alexandre de Moraes não se manifestou até a noite de ontem e a defesa de Daniel Vocaro, dono do Master, disse que ele não se manifestaria.
Em março, o escritório de Viviane Bassi admitiu ter mantido um contrato com o Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando houve a liquidação do banco. Na época, a firma disse que prestou serviços de consultoria e atuação jurídica ao Master.
Ontem, a Folha mostrou que, nos documentos enviados à CPI, o Master declarou pagamentos a empresas ligadas a, entre outros, o ex-presidente Michel Temer, o presidente do União Brasil Antônio Rueda, os ex-ministros Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e Fábio Van Garten e o ex-prefeito de Salvador, Acem Neto, também do União Brasil. Os políticos foram procurados e disseram ter prestado serviços à instituição, mas não confirmaram os valores. Guido Mantega não respondeu à reportagem.
O governo federal prepara uma linha de crédito para ajudar empresas endividadas de médio porte. A medida vai atender empresas com faturamento anual até 300 milhões de reais e tenta evitar uma onda de quebra de empresas em ano eleitoral. O endividamento das empresas tem a ver principalmente com o ambiente de juros elevados por um longo período.
A taxa de juros de crédito atual está em 14,75% ao ano. A linha de crédito que deve ser proposta pelo governo vai ser via fundo garantidor de crédito gerido pelo BNDES. O fundo oferece uma garantia de pagamento até determinado valor em caso de não pagamento da dívida e isso reduz o custo do financiamento para as empresas.
Para esse ano, o fundo já tinha previsto R$ 60 bilhões em crédito. O governo ainda não anunciou quanto vai ser investido nesse pacote, mas a cada R$ 1 bilhão de aporte, o fundo garante de R$ 10 a R$ 12 bilhões de crédito. Segundo o levantamento da Serasa Experian, 2025 bateu um recorde com 8,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil. O setor de serviços lidera esse ranking de endividamento.
A Polícia Federal e a Receita Federal realizaram uma operação ontem que mirou uma organização criminosa suspeita de contrabandear produtos de origem ilegal pela internet. A Operação Platinum cumpriu 32 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em seis estados, Paraná, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
O grupo criminoso usava plataformas como Magazine Luiza, Mercado Livre e Shopee para concluir os negócios e dar uma aparência de legalidade As investigações apontaram que o esquema movimentou cerca de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2024 Segundo a Receita Federal, os itens vendidos pelos suspeitos eram principalmente eletrônicos, como celulares, discos rígidos, robôs aspiradores e aparelhos de ar-condicionado portáteis
Também foram identificados perfumes e tintas para impressoras A investigação apontou que o grupo trazia os produtos do Paraguai de forma irregular Depois, utilizava empresas de fachadas e laranjas na logística e nas vendas online Em nota, o Magalu disse que não foi notificado sobre a operação Falou que exige que os vendedores emitam nota fiscal em todas as transações realizadas na plataforma Também disse que tem instrumentos de controle e revisão das operações E a janela da janela
O Mercado Livre afirmou que está em contato com a Polícia Federal para apoiar a operação. A empresa também disse que investe em tecnologias para garantir que as políticas de vendas sejam respeitadas. A Shopee disse em nota que cumpre com todas as leis e colabora de forma contínua com a Receita e outras autoridades para combater práticas ilícitas.
Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. A produção é de Beatriz Izumino, Gustavo Luiz e Jéssica Cruz, e a edição de som é do Rafael Conkle. Essas e outras notícias se encontram em folha.com. Até mais!