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Petrobras estuda cancelar leilão de gás de cozinha depois de críticas de Lula

03 de abril de 20264min
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Governo decide enviar ao Congresso projeto para acabar com a escala 6x1. E Trump demite secretária de Justiça dos Estados Unidos.

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Maurício Meireles

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  • Cancelamento de leilão de gásCríticas de Lula · Aumento de preços do gás · Estratégia da Petrobras
  • Jornada de TrabalhoEscala 6x1 · Proposta de Lula · Reação de empresários
  • Demissão de Pam BondiDonald Trump e a NASA · Departamento de Justiça dos EUA
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Oi, eu sou Maurício Meireles e esse é o Boletim Folha. Hoje é sexta-feira, dia 3 de abril de 2026. Petrobras estuda cancelar leilão de gás de cozinha depois de críticas de Lula. Governo decide enviar ao Congresso o projeto para acabar com a escala 6x1. E Trump demite secretário de Justiça dos Estados Unidos.

Depois de críticas do presidente Lula, a Petrobras estuda cancelar um leilão de gás de cozinha que teve ágio de até 117%, ou seja, mais que dobrou o preço inicial do produto. O leilão aconteceu na terça-feira, em meio à discussão de medidas para tentar suavizar a alta no preço do gás por causa da guerra no Irã. Em entrevista à TV Record na quinta-feira, Lula classificou o leilão como bandidagem e disse que a operação desrespeitou orientações do governo e da direção da Petrobras.

Segundo ele, o aumento não pode chegar ao consumidor, especialmente à população de baixa renda. Ao todo, o leilão negociou 11% do consumo de gás previsto para abril. Os lances iniciais tinham ágio de 30%, mas os valores subiram rapidamente até ultrapassar 100%.

o que tende a pressionar ainda mais os preços. A Folha mostrou que a cúpula da Petrobras disse ao governo que a venda teria acontecido sem autorização. Uma das justificativas em estudo para anular o leilão seria o risco de multas por aumentos considerados abusivos. Essa punição foi estabelecida em uma medida provisória que o governo editou no mês passado para conter a alta de derivados do petróleo.

A Petrobras não mexe nos preços do gás de cozinha desde julho de 2024 e vem usando os leilões como estratégia para conseguir repassar, pelo menos em parte, as variações da cotação internacional. O gás é considerado um tema sensível para Lula, porque o governo tem um programa de distribuição de botijões para famílias de baixa renda e ainda valia conceder subsídios para segurar os preços.

o presidente Lula decidiu enviar ao Congresso um projeto próprio para acabar com a escala de trabalho 6x1, aquela em que o trabalhador tem só um dia de folga na semana. O tema é uma das apostas do governo neste ano eleitoral. A estratégia do Planalto é tentar acelerar a tramitação no Congresso, apresentando um projeto de lei com urgência constitucional. Esse texto teria que ser votado em até 45 dias e travaria outras votações na Câmara. A ideia é enviar o projeto na semana que vem.

O presidente da Câmara, Hugo Mota, deu início em fevereiro à tramitação de uma PEC sobre o tema, que é um processo mais longo. A proposta de Lula ainda não está fechada, mas o governo diz que não abre mão de três pontos. Dois dias de folga por semana, jornada máxima de 40 horas semanais e manutenção dos salários. Hoje a jornada no Brasil é de até 44 horas.

Empresários e entidades da indústria, do comércio e de serviços têm sinalizado preocupação com os impactos da mudança e feito lobby contra ela. Eles chegaram a discutir possíveis compensações como desonerações, algo que o governo por enquanto descarta. Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 71% dos brasileiros defendem a redução da jornada semanal.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu ontem a secretária de Justiça, Pam Bond, depois de meses de insatisfação com o trabalho dela. O próprio republicano confirmou a saída da chefe do Departamento de Justiça em um post em seu perfil numa rede social, dizendo que ela vai trabalhar na iniciativa privada.

Bondi será substituída de forma interina por Todd Blanch, o número 2 dela. Em pouco mais de um ano no cargo, Bondi foi uma aliada fiel de Trump e promoveu mudanças que reduziram a tradição de independência do Departamento de Justiça. Ainda assim, ela enfrentou desgaste crescente dentro do governo e no Congresso.

Segundo o jornal The New York Times, a principal crítica de Trump ao trabalho da secretária de Justiça envolvia a condução do caso Jeffrey Epstein, o criminoso sexual com conexões nas altas rodas, que morreu em 2019, e também uma suposta incapacidade dela de avançar em investigações contra adversários do presidente. No caso Epstein, ela foi criticada pelo atraso na divulgação dos arquivos do inquérito contra o financista.

e por reter documentos com menções a Trump. Essa conduta se tornou um problema político para o republicano, já que ele tinha prometido a seus apoiadores nas eleições que teria transparência sobre esse assunto. Nos bastidores, a avaliação é de que a saída de Bond pode abrir caminho para um departamento de justiça ainda mais alinhado aos interesses políticos de Trump.

Esse foi o Boletim Folha, que é publicado de segunda a sexta. Essa sexta é feriado, então o Boletim Folha está em edição única e volta na segunda bem cedinho. A edição de som é de Rafael Conkle. Essas e outras notícias você encontra em folha.com. Boa Páscoa e até mais!