TTT#42 | O poder do LEXICAL APPROACH
Neste episódio, a gente explora o Lexical Approach a partir de uma dinâmica de jigsaw reading, em que cada um lê um artigo diferente sobre o tema e compartilha seus principais insights. Nossa conversa passa pelas origens da abordagem, o papel dos chunks e collocations, a relação entre léxico e gramática e como a tecnologia e a linguística de corpus transformaram nossa forma de entender o ensino de línguas.
Ao longo do episódio, nós discutimos como o Lexical Approach pode tornar a aprendizagem mais natural, fluente e significativa, conectando-o a conceitos como language awareness, discurso e desenvolvimento profissional docente.
Além disso, a gente dá sugestões práticas de atividades para levar essa abordagem à sala de aula e indicações de leituras para quem deseja se aprofundar no tema.
The Guardian - Why has the lexical approach been so long in coming?
British Council - What does the lexical approach look like?
Charles
Juan
- Expressões Idiomáticas e Gírias· CulturaEnsino de chunks · Fluência na comunicação · Cognitive load · Adjacency pairs
- Linguagem e Comunicação· SociedadeDiscurso · Humor e sarcasmo · Níveis de proficiência
- Natureza da Linguagem· EducacaoGrammaticalized lexes · Lexicalized grammar · Unidade central de significado
- Lexical Approach: Origens e ConceitosLexical Approach · Michael · Chunks · Collocations · Corpus Linguistics
- Desenvolvimento Pessoal e Profissional· EducacaoLanguage Awareness · Johari Window · Desenvolvimento profissional · Autoconsciência docente
- Educação e Leitura como FerramentasJigsaw Reading · Aprendizagem colaborativa · Objetivos de leitura
Oi, meu nome é Juan e eu sou o Charles, e você está escutando o TTT, o Teacher Trainer Talks, um podcast com dois teacher trainers tagarelas. E nesse episódio a gente tá na biblioteca de novo e a gente vai falar sobre lexical approach, que é um approach que é super popular com muitos professores, mas a gente acha que falta às vezes um entendimento mais profundo sobre essa abordagem. E a gente decidiu fazer um exercício muito interessante.
A gente fez um exercício que inclusive vocês podem fazer com os alunos de vocês em aulas em grupo, que a gente chama de Jigsaw Reading, em que cada um de nós leu um artigo diferente sobre o mesmo assunto, E a gente vai compartilhar um com o outro o que que a gente aprendeu lendo esse artigo e aí conversar sobre os pontos em comum e destrinchar um pouco aqui o lexical approach em light desses dois artigos. Então vamos lá, você começa resumindo o seu artigo ou eu começo resumindo o meu?
Posso falar assim sobre o que é o meu artigo, inclusive queria mandar um beijo A gente sempre, eu sempre menciono ela, mas quem me mandou o link desse artigo inicialmente foi Catarina Pontes, Miss Catarina Pontes.
Maravilhosa.
Inspiradora. E foi, a gente leu na verdade esse artigo para o curso dela de Language Awareness, com um outro foco. E foi interessante porque a primeira vez que eu li o artigo, eu li o artigo não para ler sobre Lexical Approach, o tema é Lexical Approach, mas eu li ele com uma lupa de Language Awareness. Então eu tava olhando para quais eram as construções que estavam ali, quais eram as palavras que estavam ali, não necessariamente por conta do conteúdo, né?
E daí, agora que eu reli para o podcast, é interessante, assim, tipo, é engraçado esse negócio. A gente tá fazendo uma atividade de reading aqui que faz muito sentido fazer esse tipo de atividade na sala de aula, porque dependendo do objetivo que você tá lendo o texto, você olha para o texto completamente diferente. Assim, eu já tinha vivido isso na pele quando eu era learner, Mas fazia tempo que eu não sentia isso acontecendo de verdade, sinceramente.
Que legal!
Interessante. Sim, queria fazer uma menção honrosa aqui.
Não, mas é muito, muito, muito importante. E um beijo, Catarina. Eu me sinto, às vezes quando a gente manda beijo para as pessoas, eu sinto, me sinto um pouco assim a Xuxa, sabe? Mandando beijo para as pessoas. Beijo para o meu pai, para minha mãe e para Catarina Pontes. Beijo! Mas é... brincadeiras à parte, eu acho uma dica muito legal mesmo, assim. Às vezes a gente traz uma atividade de leitura para os nossos alunos e aí fica tentando fazer reading junto com language, junto com me dá sua opinião no meio do caminho e tipo, calma, pequeno gafanhoto, a gente consegue fazer um de cada vez e na realidade vai tirar muito mais proveito se fizer um de cada vez, né?
Sim, e não tem como a gente esperar que a gente vai ler um texto e já aprender tudo, né?
De jeito nenhum. Vamos fazer um exercício assim que eu acho que pode ser também interessante para dar uma estrutura para o pessoal. Vamos começar cada um resumindo o próprio artigo, e aí depois a gente senta para discutir o assunto do artigo, tá bom?
O meu artigo, esse pode ser, eu vou começar então mencionando o meu. O meu, ele é um artigo que mostra, fala mais assim do nascimento do Lexical Approach, da onde que ele apareceu, como é que ele nasceu, que ele foi adotado muito cedo pelos professores por ser escrito numa linguagem mais amigável. Ele mostra exemplos de chunks, né, porque o Lexical Approach no final das contas tá ligado com chunking e que essa ideia de corpus linguistics sendo aplicado dentro da sala de aula.
Então, o que que é, né, basicamente? Acho que você também vai contribuir com isso, assim, é um tipo, uma abordagem que traz a ideia de que a gente vai trabalhar com pedaços de língua, chunks, e isso é o que é muito interessante no meu artigo e o que é surpreendente para os professores quando a gente menciona o lexical approach é que ele é um approach muito novo, né? Né, dos anos 90 para cá. E ele só é possível por conta dessa modernidade, porque a gente conseguiu de fato listar corpos e olhar para aquelas, para aquelas vezes que aquelas construções são usadas e definir: isso aqui é uma collocation, isso aqui acontece na língua e a gente tem que ensinar isso aqui.
Tem não, né? O approach propõe que a gente ensine aquilo como uma prefabricated chunk, né? E daí o meu artigo ele fala muito sobre isso assim, esse método e essa abordagem só pode acontecer agora, de fato, porque depende da tecnologia. Acontece e pelo jeito que o Michael Lewis escreveu foi tão aderido porque ele é acessível para as pessoas, ele é fácil de entender e ele traz exemplos das colocações para a gente ver assim de como que acontece isso em alguns exemplos.
Tem uma definição do que é o lexical approach?
Não, ele não traz uma definição aqui.
Ele é um artigo mais para quem já conhece o léxico do Project Commons.
Ele mostra que é, tipo assim, acho que não exatamente, sabe, Juan? Porque ele mostra o que é sem definir. Ele mostra, ele fala, isso, tá vendo? Isso aqui é um chunk. E a gente sabe que isso aqui é um chunk por conta do corpus. E ele mostra isso acontecendo assim.
Um contexto importante aqui para quem tá ouvindo a gente. Não sei se ficou claro, mas cada um, cada um de nós aqui leu um artigo e a gente não leu o artigo um do outro. Do outro, o Charles vai falar de um artigo e realmente eu não li esse artigo que ele leu, mas o artigo do Charles é um artigo que tá no The Guardian, que é um jornal britânico. E eu perguntei se tinha definição, se era para quem já conhecia, porque Tô aqui pensando que por ser um artigo de jornal, talvez ele seja feito para um público mais, mais, menos nichado, né?
Do que o da onde veio o seu, né?
Exato, porque eu li um artigo, dois artigos, que ele tá dividido em duas partes, mas é um, né? É um artigo que tá publicado no site do British Council, que é um site, um blog especificamente para professores. Então acho que talvez tenha uma diferença na abordagem aí nesse sentido, né? Que mais que tem no seu artigo? O que que você resumiria aí para o pessoal saber?
Ele faz bons paralelos também e ele trata como, o autor começa a tratar como uma dicotomia grammar e lexis, ou grammar e vocabulary, e ele fala que tipo a gente tá muito acostumado a trabalhar com grammar e grammaticalized things, e daí depois mais para frente ele fala sobre lexicalized grammar e grammaticalized lexes, que também são dois conceitos interessantes, né, quando você faz um virar o outro e estuda dessa maneira. E ele wraps it up, dá até para eu vou até achar aqui para quote.
Ele fala lexical approach, ele termina o começo do último parágrafo é: if anything, the lexical approach for me is more about grammar. E é assim com esse tom que ele fecha, ele amarra o lexical approach com grammar, que eu acho que me dá a impressão que ele, que o autor, olha eu fazendo inferring do autor aqui, me dá a impressão que o autor acha que as pessoas que forem ler, tem, é Léo Sullivan que escreveu, ele me dá a impressão que ele presume que os leitores desse artigo pendem mais a avoid grammar.
Então ele faz uma parte assim de tipo, você não precisa deixar grammar tão de lado quando você vai usar o lexical approach. Me parece que é esse tom que ele tá trazendo assim um pouquinho. E que eu acho que é uma coisa que eu também acho, dá pra gente trabalhar com lexical approach, chunking, blá blá blá. E pode ser que eu esteja um pouco guiado aqui com o que eu tava lendo anteriormente, porque eu tava preparando uma aula sobre gramática aqui.
Mas essa ideia de gramática ser o sistema que a gente sabe o que vem depois, né? Então, tipo, é previsível. Essa característica de sistema de gramática com lexical approach é de fato mesmo, tipo, você consegue meio que prever o que vem depois, né? Tipo, é um sentido, tem esse link assim. Uma coisa interessante que eu acho que vale a pena a gente mencionar é que, apesar de tudo, apesar de ser um approach meio moderno, acabei de falar o quão moderno ele é e o quão contemporâneo ele é, o artigo tem 13 anos de idade, é mais velho que meus alunos, o artigo.
O artigo é antigo, é mais velho que os meus alunos.
Então sim, tipo, é interessante olhar para um artigo que é moderno ainda tendo 13 anos de idade, e that's to say o quanto eu acho que a gente anda tão devagar em metodologia e abordagens às vezes. Né, parece que a gente tá sempre um passo atrás assim da tecnologia de ensino.
Não sei, enfim, interessante.
Ler as coisas deixa a gente reflexivo, né?
Então, sim, sim, é engraçado porque o meu artigo ele é mais antigo do que o seu, ele foi publicado em 2003, então faz 23 anos que ele foi publicado.
Mais velho que meus alunos professor, mais velho que os meus student teachers mesmo.
É interessante. Eu posso fazer o resumo do meu aqui?
Vai lá.
Legal. Acho que o meu artigo, ele parece ser um pouquinho mais acadêmico. Acho que porque o foco é para professores diretamente assim, né? Então ele se propõe a ensinar mesmo o que é o lexical approach, como ele funciona. Acho que principalmente o artigo foca bastante em como o Lexical Approach funciona. Então ele começa com uma introdução dizendo que foi o Michael Lewis que publicou, né, em 93 e tal. Mas ele já começa dizendo: não tem muitos professores e pesquisadores que têm uma ideia muito clara do que é o Lexical Approach.
E aí nesse artigo que a gente vai publicar em duas partes a gente vai destrinchar o que ele é. Então, acho que ele entra mais em detalhes nesse sentido, assim, sabe? Eu gostei muito do artigo porque ele divide o Lexical Approach de um jeito que eu gosto de dividir o Lexical Approach no Essential Teaching Skills, na aula sobre Lexical Approach do Essential Teaching Skills, em todas as aulas, né, de Approaches e Methods, eu divido em teoria de língua e teoria de aprendizagem.
E o artigo dividiu desse jeito também, então eu achei isso bem legal. Primeiro porque eu acho que eu tô mais acostumado com essa divisão já, e segundo porque eu pessoalmente acho que didaticamente, para quem tá lendo, é uma boa divisão. Então ele começa na primeira parte do artigo, ele fala sobre a teoria de língua que permeia o Lexicolo Approach. Então ele, a teoria de língua, para quem não sabe o que é, é basicamente uma teoria de como uma língua funciona, como línguas funcionam, e tem diversas teorias diferentes.
E aí eles estão explorando qual é a teoria na qual o lexical approach está baseado, né? E aí, no caso, a teoria de língua que ele traz para o lexical approach é: a língua, ela é dividida em o que a gente chama de lexical chunks. Então a gente aprende uma língua e a gente se torna mais proficiente em uma língua porque a gente aprende um número maior de combinações comuns que existem naquela língua, que tem diversos nomes, um dos quais você citou, que é esses prefabricated phrases.
Então, quando a gente pensa em frases, ele também dá até alguns exemplos aqui, né? Então, quando a gente pensa em frases como have a clear idea of something, been around, Looks like, in practice, essas são todas, todos exemplos do que a gente chamaria de lexical chunks, né? E aí o artigo faz uma diferença entre o que é lexical chunk e o que é um tipo específico de lexical chunk que ele chama de collocation. Então lexical chunk é um termo guarda-chuva para definir quaisquer qualquer par ou grupo de palavras.
Então, by the way, up to now, if I were you, é tudo lexical chunk. E collocations são pares ou grupos de palavras, mas exclusivamente palavras que sejam content words. Então, palavras que têm significado, né, por si só. Então, nouns, verbs, pronouns, perdão, nouns, verbs, adjectives, adverbs, essas são content words. E aí ele fala assim, se tem uma combinação ali que tem uma preposição, uma combinação que tem um pronome, então aquilo não é uma collocation, aquilo é um só, é um lexical chunk. Uma collocation precisa ser content words. Achei bem interessante.
Nossa, eu não tinha me dado conta dessa definição de collocation.
Interessante também, né? Interessante, eu não tinha parado para pensar nessa definição. Eu acho que intuitivamente eu não olharia para by the way como uma collocation, mas eu olharia como um chunk. E terrible accident eu olharia como collocation.
Sim, é. Mas é ótima essa definição, eu amei, porque agora a gente tem uma definição na manga para usar, né? Tipo, o que é uma collocation? It's a combination of words.
É, exato. E aí ele fala sobre dois princípios do lexical approach. Então, um princípio é o que você citou também de grammaticalized lexes, e o outro princípio é de como funcionam collocations, como é collocation in action numa língua.
Então, Ele fala sobre— vou interromper você um pouquinho, mas ele fala sobre esse grammaticalized lexes nesse sentido de previsibilidade também que eu tava falando do grammar as a system ou não? É isso que ele traz?
Não exatamente. O que ele propõe é o princípio, da maneira como ele tá sendo descrito aqui, é um dos princípios do lexical approach é que, ou o princípio básico do lexical approach é que a unidade central de significado numa língua é o léxico. Então, tudo na produção de sentido numa língua vai girar em torno do vocabulário, e que a gramática nada mais é do que subserviente, ela tem um papel meio de fazer uma colinha entre itens lexicais.
Então, e aí é daí que vem essa ideia de que a língua é grammaticalized lexes, né? Então é léxico gramaticalizado e não uma gramática lexicalizada. Então eu achei isso muito interessante, que é a gente tem a organização da língua a partir da organização do vocabulário na sua produção, e que a gramática ela só é o jeito como o vocabulário vai estar organizado. Ela é uma colinha apenas. É muito interessante porque aí o que isso significa é que a gente deveria ensinar os nossos alunos a aprender frases e a gente deveria gastar mais tempo ajudando os alunos a adquirir frases do que estruturas gramaticais.
Então importa mais o aluno aprender alguma coisa como— vou pegar um exemplo do próprio artigo aqui, deixa eu pegar aqui. Importa mais o aluno aprender uma expressão como a figment of your imagination do que uma estrutura como o simple present. Tipo, faz mais sentido eu aprender o chunk go for a run do que a gramática I mais go. Mais goals, porque o chunk go for a run é mais útil do que a gramática em si. Eu achei muito interessante, eu amo esse conceito assim, é uma revolução mesmo.
Não me diga que você achou interessante, você vive pulando nesse tipo de coisa.
Exato, exato, sou muito biased nesse sentido.
É, você é mesmo. Quando a gente resolveu fazer a biblioteca assim do lexical approach, eu falei, lá vai o Juan falar. Que é melhor a gente ensinar como é que fala o passado com um grupo de palavras do que ensinar que o passado é ED.
Tô errado?
Não tô errado, gente.
Não estou errado.
Exato. Eu acho assim que depois que a gente se leva a sério essa ideia do lexical approach e que a vida acontece, e eu acho que é muito, eu gosto desse aspecto do lexical approach porque ele é muito Não sei se eu tô criando uma palavra aqui, eu acho que essa palavra existe, é muito observational. Depois que você se dá conta que no inglês, né, como professor de inglês você tá olhando para a língua inglesa, que existem esses chunks e que a vida acontece, a gente se comunica na vida por meio desses chunks, você começa a ver isso até no português.
E daí você fala assim, putz, eu faço isso, eu me comunico dessa maneira, então não tem por que eu não ensinar dessa maneira. Eu acho que eu não consigo me desprender de grammar 100%. Eu gosto daquelas aulas tradicionalzonas de grammar que a gente faz umas tables. Eu acho que ajuda a gente organizar, mas eu vejo também que com mais naturalidade você precisa desses chunks. Eles são como você se comunica, né? Eu acho que é libertador, tipo, você perceber isso tanto em inglês quanto em português, porque em inglês, para eu te ensinar na sala de— para te ensinar não, para te ajudar na sala de aula a ensinar, né? É muito útil, útil, para dizer o mínimo.
E é útil para ensinar e eu acho que é muito útil para os nossos alunos também, porque a ideia aqui é que se a gente aprende um grupo de palavras como uma unidade de sentido, o nosso cérebro vai guardar esse grupo de palavras como esta unidade, ao invés da gente ficar tentando o aluno, fazer o aluno aprender de cada palavra individualmente. Então, a expressão a figment of your imagination é um chunk que eu consigo recuperar da minha memória e usar com muita facilidade, porque é sempre tudo junto, mesmo que eu não saiba a definição de figment.
Então, eu posso saber, eu posso entender o significado de a figment of your imagination Mesmo que eu não saiba a definição de figment sozinho. Eu acho isso muito importante de dizer aqui sobre isso, que é um— tem muitos impactos nisso, né? Um dos impactos disso é, primeiro, a gente aprende frases e lembra, portanto, de frases, tudo junto, e isso melhora o nosso o nosso uso de língua natural, porque tipo assim, it's just a figment of your imagination, é a expressão que vai soar mais natural pra um usuário proficiente, que é completamente diferente de I'm just a creation of your imagination, que vai soar esquisito pra um usuário proficiente.
O que eu acho legal também é esse poder Essa motivation que o lexical approach traz de quando o learner se pega usando esse tipo de construção de uma maneira muito mais natural e o poder de impacto na comunicação com um usuário. Não é usuário que você falou, você usou outra palavra.
Usuário proficiente, é isso mesmo.
Usuário proficiente, é. O impacto disso, especialmente para lower levels, é muito legal. Você vê uma pessoa que é assim A2, A1, B2, assim que tá no lower level. B2 não é tão lower level, né? Mas enfim, o lower level usando essas construções e o impacto que isso tem no usuário mais proficiente da língua é muito legal. E é surpreendente até quando a gente tá como na posição de professor, né? O aluno produzindo isso naturalmente depois de algumas aulas, you have to pat on your back, like, ai, funcionou!
Funcionou o que eu tava fazendo! Exato! Mas tem uma coisa também interessante, o impacto de ensinar chunks pros alunos e de encorajá-los a usarem a língua em chunks é que eles vão também produzir língua de um jeito mais fluente. Porque eles não estão mais lembrando palavra por palavra, mas sim chunk por chunk.
É menos cognitive load, né?
Exatamente. E é mais, isso melhora a fluência dos alunos, né? Enfim, mas acho que esse é o primeiro princípio assim que o artigo traz. O segundo princípio é o princípio da das collocations, que é a ideia de que a gente vai ter collocations que funcionam melhor— perdão, combinações de palavras que funcionam melhor do que outras combinações, e que as combinações que não são muito comuns, elas vão soar esquisitas, e que, portanto, a gente precisa trazer para os nossos alunos exercícios que vão ajudar eles a se se tornarem mais cientes dessas colocações que são aceitáveis numa língua.
Então, tipo assim, redondamente enganado é o exemplo que eu sempre adoro dar. Redondamente enganado é uma colocação aceitável em português. Redondamente equivocado, não. Totalmente enganado é um pouquinho melhor. Mas não é tão bom quanto redondamente enganado. Então tem colocações que funcionam melhor e porque, e que soam até mais, soam melhor mesmo, né? Soam mais bonitas.
Eu vou voltar nesse exemplo do poder, que daí você tá usando coisa em português. E só porque eu lembrei, ontem a gente tava, eu tava conversando com uma aluna, ela tava super brava assim, uma young learner super brava. E a gente, eu acho engraçado E acho que todo mundo acha engraçado quando a gente tem uma criança que tá agindo como um adulto. Isso é muito cômico no geral, né? Tipo, isso fica muito engraçado. E essa menina, ela tava muito brava assim, ela tava assim muito, muito brava conversando comigo.
E daí a gente falou, eu tava falando assim, fica calma, todo mundo daqui gosta de você, a gente vai lidar com essa situação. A gente tava cuidando de uma situação dela e ela falou assim, muito pelo contrário. Daí eu falei assim, gente, olha, olha isso, olha esse chunk, olha esse chunk. Quase que eu aplaudi a menina. Muito pelo contrário. Tipo, gente, é lexical approach em português acontecendo com uma criança de 5 anos de idade, sabe?
Tipo, uma menina brava, eu falando, todo mundo gosta de você. Muito pelo contrário, vocês não gostam de mim. Tipo, esse muito pelo contrário, aquela soltou. Eu falei, gente, não, não dá. Quem que tá ensinando esses chunks para essas crianças?
Então, e É muito doido, porque eu acho que é uma coisa que as crianças realmente aprendem. E eu acho que a gente também, quando adulto, a gente aprende por exposição a esse, essa combinação, né? Tipo assim, não existe outra combinação de bastante pelo contrário. Sim, não tem essa combinação, não acontece, né? E aí eu acho que tem um outro ponto no artigo que ele traz que é interessante, que ele fala que Na aprendizagem, a teoria de aprendizagem é que a gente precisa passar por um processo de nourishing para aprender essas colocações.
A gente tem que colocar os alunos para constantemente passar por um processo de perceber como é que o significado e a forma de uma estrutura de uma frase funcionam e meio que acho que desenvolver essa compreensão mais profunda ali de o que que faz sentido, o que que não faz sentido e tal, para que os alunos desenvolvam uma language awareness, né, que é o que você falou do curso da Cata, né, assim, o aluno desenvolver uma awareness maior do seu, de como a língua funciona, acho que é transformar os alunos em investigadores da língua. É isso, investigadores da língua.
Eu ia falar que eu, assim, desviando um pouquinho, o meu artigo não fala disso, talvez o seu artigo fale um pouco, mas é um pouco de classroom implications assim. Eu acho que esse aspecto do lexical approach de transformar o aluno, de trazer o aluno para essa noção como investigador da língua e tal, É um dos pontos mais desafiadores. A gente tem que estar muito afiado para conseguir fazer isso, a gente como investigador da língua.
Tipo assim, por exemplo, redondamente enganado, muito pelo contrário, na nossa própria língua-mãe só começou a acontecer comigo depois de estudar o Lexical Approach e me tornar uma pessoa investigadora, mais investigativa, investigador da língua, por conta do Lexical Approach. E essa habilidade a gente não desenvolve como falante de uma língua nativo, como nativo. Né?
A gente pega essa construção naturalmente, né?
Naturalmente não acontece, né? Então a gente usa esse tipo de construção. Os chunks, eles existem na língua mãe ou na segunda língua. Na segunda língua, eu ouso dizer, não sei você, Juan, mas eu aprendi chunks sem aprender chunks. A gente usa chunks em inglês sem ter. Quando eu aprendi, a gente não aprendia dessa maneira. Então é, dá para fazer, acontece. Só que deixar o aluno aware nesse nível de achar essas unidades de meaning, de significado dentro do discurso, é uma das habilidades mais difíceis de desenvolver, que naturalmente não acontece naturalmente, né? E daí isso o tempo todo na sala de aula você tem que estar trazendo isso.
Exato, tem que ter um trabalho intencional ali. Tem uma coisa interessante também, você falou do discurso, Tem uma vantagem também da gente trabalhar com a língua através de chunks que o artigo traz, que é o fato de que o aluno tá mais preocupado em trabalhar com chunks do que com palavras, palavras separadas para produzir uma frase, permite também que o aluno foque mais no discurso da interação, no que que faz sentido trazer em termos do contexto, da mensagem, Porque o aluno vai estar menos preocupado com as palavras individuais que ele teria que buscar uma por uma, e ele tá mais livre, tipo, o cérebro dele tem mais espaço para poder trabalhar com coisas, aspectos discursivos da interação.
E aí eu tô pensando assim, que é interessante pensar que uma pessoa que é mais proficiente na língua, ela é uma pessoa que consegue mais facilmente produzir humor, produzir sarcasmo, acho que notar ironias. E eu acho que talvez tenha uma conexão ali nesse sentido, né, que a pessoa consegue, ela tem, ela tá devoting, ela tá devoting, se apoiando, é isso que você quer dizer? Não, devotando, devotando. Tá dedicando, a pessoa tá dedicando menos atenção para a parte linguística e ela consegue, para a parte lexical, gramatical, enfim, e ela consegue chegar nessa, nesse nível mais profundo de comunicação por causa disso.
Eu achei isso muito interessante assim de pensar, falar, nossa, realmente, né, um aluno de básico ele não consegue prestar atenção em aspectos discursivos de uma interação, tipo assim, ser engraçado, porque ele tá preocupado em falar a palavra certa, entende?
Mas aí, não sei, pode ser que eu tenha, que eu vá para um lugar que a gente não vai achar a resposta. Você acha que por si só a gente consegue de repente ensinar chunks que sejam, sei lá, engraçados, sarcásticos, que eles tenham Eles constroem por si só essa, esse aspecto, essa mensagem.
Eu não sei se o chunk em si, mas por exemplo, eu tô pensando numa piada aqui que eu adoro, eu amo essa piada, eu acho ela idiota e engraçadíssima, que é toda vez que tem uma palavra que termina com som de er, da gente brincar, sei lá, tipo assim, alguém falar algo como teacher. A pessoa usa a palavra teacher e a resposta do outro ser assim: teacher? I barely know her! Eu amo essa piada, só que ela só é possível porque eu não estou preso na palavra teacher.
Eu consigo entender a palavra teacher e eu consigo também ter na minha cabeça o chunk teach her, que é pronunciado como teacher, para eu conseguir acessar esse humor de que engraçado, teacher sounds like teach her. E eu posso falar assim, teach her? I barely know her. Então tem uma piada que eu acho que é assim, você só consegue fazer esse humor se você for além do que tá sendo dito. Então se você tá preso no que tá sendo dito, tipo, eu tô processando aquilo, não dá para chegar nessa piada, entendeu? Não dá para entender a piada, não dá para fazer a piada.
Então assim, mas eu tô pensando, quebrando essa piada, nossa, que engraçado um podcast de duas gays quebrando piada, explicando piada. Gente, dê risada, pelo amor de Deus!
É engraçado porque é isso aqui, ó, que é isso, dois trouxa. É que eu amo essa piada, para mim ela é É muito boa, é ótima mesmo. Mas eu tô pensando, isso, e That's What He Said, que originalmente é That's What She Said. Você nunca ouviu essa piada? Não, essa aí eu nunca ouvi. Quando alguém fala uma frase que poderia ser interpretada com um segundo significado, com um significado mais sacana, sei lá, A pessoa responde assim: ah, that's what she said.
Tipo assim, você tá tentando abrir um negócio e tá muito apertado, aí você fala assim: oh my goodness, this is tight. Aí você pode responder assim: that's what she said.
Isso.
Que eu, homem gay viadismo que sou, não uso. Eu uso that's what he said.
Exato.
Que, de novo, só é possível se vocês forem além da palavra.
Por conta do background. Entendi. É que você solta that's what he said meio solto, daí eu não entendi nada mesmo.
Meu cérebro foi para esses lugares.
Não, mas eu ia falar justamente isso assim, olha, o teach her, I barely know her, você tem que saber para essa piada acontecer, você tem que saber inglês nesse nível que você tá falando aí, você tem que saber que o her pode vir atrás de um verbo, e daí que essa não é qualquer palavra, porque você falou eu gosto de palavras que terminam com her, mas nem todas as palavras vão dar certo porque é uma palavra que precisa de um de uma root word que seja comum entre verbos, por exemplo.
Então, tipo, tem tanta coisa que você tá pensando e que essa piada só funciona que quando a gente tá no— quando a gente é beginner numa língua, não vai acontecer. Não vai acontecer mesmo, tipo. Mas daí a minha pergunta, acho que a resposta na verdade é não. Não tem como a gente trazer alguma coisa que ela por si só é engraçada. Essa coisa sempre vai depender de proficiência em uma grande parte, mas não só disso, porque por mais que você solte uma piada com essas palavras simples, por exemplo, that's what she said, ou that's what he said, em termos de vocabulário assim, a pessoa não vai, maior parte das pessoas no básico entenderia, mas depende desse outro contexto, né? Tipo, que foi o que você acabou de explicar.
É, discursivo, contexto discursivo.
Sem o contexto, mesmo como uma pessoa proficiente, não dá para entender, né? Não sei, mas daí a gente tá mudando também o caminho que a gente começou com lexical approach e eu vou trazer discurso. That's why it's so hard to teach discourse in a lower level, né? Por isso que é tão difícil de ensinar discurso.
Exatamente. Acho que a gente precisa, pensando na coisa de teaching discourse assim, a gente precisa desenvolver uma consciência. É isso que eu prego, né, na aula de teaching discourse do Essential Teaching Skills. Foi agora, semana passada.
Minha favorita.
Eu bato na porta. É a favorita de tantas pessoas, é muito queridinha porque eu acho que é muito nova, né? Tem um negócio, é tão refreshing falar disso, eu acho.
E eu não, mas eu acho que é contagiante do quanto você gosta também.
Ah, eu também acho. É, eu falei isso essa sexta-feira passada, eu falei, gente, eu tô tão animado, eu amo esse assunto, eu tô animado para contar isso para vocês e para ensinar vocês isso aqui.
Então acho que acontece com os meus trainees acontece geralmente com fonologia. Quando eu vou falar de fonologia, fica todo mundo: nossa, eu quero estudar isso, que não sei o quê, é mó legal. E daí, tipo, a gente tem, né, um favorite system, talvez.
A gente tem, a gente tem, a gente tem, total. O que que eu tava dizendo? Ah, então, que acho que para ensinar desse curso a gente precisaria, desde para níveis básicos, acho que a gente precisa de um currículo, né? Precisa ter um O que que é um aspecto discursivo que é apropriado para um nível mais básico? E eu acho que a gente ignora alguns desses aspectos discursivos, como ensinar o aluno a fazer pergunta e responder pergunta.
Aí, voltando para chunks, tem um aspecto discursivo que é ensinar para os alunos adjacency pairs. Para quem não sabe o que é adjacency pairs, são pares de expressões, geralmente perguntas e respostas, ou expressões e respostas apropriadas que sempre acontecem juntas. Então, tipo assim, hi, hello, bye-bye, see you. Esses são adjacent pairs. Ou how are you? I'm good, thanks. Sei lá, né? Tô falando para os ouvintes, não para você, porque eu sei que você sabe. Mas aí cai dentro de chunks.
Será que eu fiz Essential Teaching Skills? Eu sei.
Será assim? Que seriam chunks. E é isso, ensinar que um chunk pede outro chunk como resposta. Acho que voltamos, hein? Chutamos longe a bola, mas a gente voltou.
Eu vou chutar de novo. Você acha que o lexical approach e esse discourse teaching, eles— eu tô tentando fechar o casamento deles, talvez. Mas acho que eles têm tudo para andar hand in hand assim, né? Tipo, talvez um syllabus baseado em lexical approach, um syllabus que seja meio lexical para esse tipo de teaching, né? Teaching discourse faz muito sentido, né? Esse tipo de collocations, adjacency pairs, esse tipo de coisa assim.
Eu acho também, é porque eu acho que como isso pode vender, né?
Você podia escrever isso.
Nossa, mas quem tem tempo? Eu adoraria, eu adoraria, mas quem tem tempo?
Deixa que o Michael Luiz escreve ele mesmo, né?
Michael Luiz escreve, já escreveu, Michael Luiz já escreveu. Vão atrás, gente, do Michael Luiz, que ele escreveu lá o Lexi Color Coach. Ele tem várias ideias de como organizar um selo. Mas uma das propostas do Michael Luiz no livro dele, sem falar aqui dos artigos agora, Mas é que a gente organize um syllabus a partir de notions e tópicos. Então a gente vai aprender a falar sobre o tempo, a gente vai aprender a falar sobre o clima, a gente vai aprender a falar sobre família e que a gente vai ter ali chunks específicos que são apropriados para falar sobre aquele assunto, que tem tudo a ver com discourse, porque é isso, é contexto.
Como é que eu ensino um aluno a navegar um contexto naquele, um contexto comunicativo naquela língua, né? Então, nesse contexto é apropriado usar sarcasmo, ou esse é o Jason Sipé que se espera, o Jason Sipé, sei lá, sei lá, sei lá, acho que, ou esse é o nível de formalidade que você vai usar, e esses são chunks formais para usar no trabalho, sabe? Você acha que tem uma crise hoje em dia entre professores que, sei lá, não sabem muito bem?
Porque eu acho que, para mim, eu acho que tem assim, que se o professor não sabe dessa história, que existem collocations, que tem esses chunks que são mais naturalmente, naturally occurring, né, o professor acho que acaba ensinando coisas para os alunos que fazem com que os alunos soem esquisitos, porque o professor sou esquisito. Como é que se resolve isso, você acha assim?
Tipo, tem, não sei, eu acho que padrão para tudo que eu dou em termos de como é que resolve as coisas para professor é language awareness. Eu acho que é uma das primeiras coisas, não tem como fugir muito assim. Mas eu acho que isso não é só para lexical approach, e daí teaching lexes ou teaching discourse que a gente tá falando aqui. Phonology é a mesma coisa, grammar é a mesma coisa. Tipo assim, o professor ensina que a gente vai usar o present perfect de uma maneira e o aluno sai falando present perfect para tudo.
E daí, tipo, sim, a gente produz falante. E eu tô fazendo uma meia-culpa aqui, galera, porque todo mundo fez isso.
Todos nós falantes não matizamos.
As coisas grotescas que eu ensinei para os meus alunos, coitado. Tem aluno que eu tenho vontade de voltar no tempo. E fala assim, Mico, acho que eu te ensinei uma coisa errada. E eu garanto que daqui uns 5 anos, dare say less, vou olhar para as minhas aulas de hoje, vou falar, putz, que cagada, cara, preciso voltar naquela aula ali para arrumar coisa que eu fiz. Porque isso acontece, claro. Mas a melhor maneira de você resolver isso é vai estudar a língua, subject matter. Você fala isso todo episódio quase, né? Tipo, vai estudar inglês.
É isso, vai estudar inglês. Se tem uma lição que eu queria que as pessoas entendessem é Vai estudar inglês, cara. Vai estudar inglês. E não só estudar inglês, aprender a falar. Acho que tipo, vai entender profundamente a língua.
A língua, é isso.
É isso.
Vai te falar uma língua de alguém. Você nunca vai terminar esse processo como professor. Você não pode. Se você chegar num ponto que você acha que você terminou de estudar a língua, você aposenta e para de dar aula, pelo amor de Deus. Porque não pode isso, não pode acontecer, né? Então acho que é assim que a gente resolve. Por outro lado, e daí eu tô falando do ponto de vista de teacher trainer assim, acho que humildade tem uma grande ajuda bastante a resolver esse problema.
Que é tipo assim, tudo bem be called out, assim, tipo, vai acontecer, a gente não é perfeito, se arruma, levanta a cabeça senão a coroa cai e vai para frente, entendeu?
Então assim, se a coroa cair Pega a coroa do chão, passa um paninho, põe na cabeça de novo, tá tudo bem.
Exato, exato. Acho que é assim. E eu não sei, eu não sei se é uma— você começou a pergunta falando, você acha que é uma crise? Eu acho que é uma crise para quem tá aware de que isso tá acontecendo, mas eu acho que nas escolas, na realidade, na galera que tá ali na sala de aula Essa crise é uma crise muito invisível, porque it lacks awareness mesmo. Então às vezes a gente vê uma pessoa cego assim, né?
As pessoas não estão nem cientes de que existe aquele problema. É isso mesmo.
E por isso que dói tanto quando a gente faz essas sessões de feedback trazendo esse problema, porque é um problema que pega as pessoas totalmente desprevenidas, né? Tipo, nossa, sério que eu preciso voltar para aula de inglês? Caramba, nossa, mas eu dou aula há 5, 6 anos, 10 anos, 15 anos, não sei.
Exato, exato. Me lembrou aqui de um— nossa, fugindo total de Lexical Approach— me lembrou aqui de uma, uma, um exercício de awareness development, não de language awareness, mas de professional development, assim. É um exercício muito interessante que chama The Johari Window, J-O-H-A-R-I. Tá inclusive no livro da Cata, foi lá que eu aprendi sobre isso, aquele livro que é Getting into Teacher Education, da Catarina Pontes e do Vinícius Nobre.
É, a Johari Win é basicamente uma framework, né?
Ah, isso, uma framework. Gente, eu esquecendo que era um framework. Parabéns, olha só, tempos mudaram, não é verdade? Os tempos mudaram, os tempos mudaram. Que é muito interessante porque é uma janela, são 4 quadrantes. Imaginem 4 quadrantes aí na frente de vocês, gente. E aí nesses 4 quadrantes, eu tô dividindo aqui na minha mão, vocês não vão estar vendo, mas tá tudo bem, tem 4 quadrantes. Aí cada um desses quadrantes são coisas que eu sei, coisas que eu sei e outros sabem.
Então tem coisas sobre as minhas técnicas e habilidades e atitude que eu sei e os outros sabem. Aí tem coisas que eu sei e os outros não sabem, esse é outro quadrante.
Isso.
Aí tem coisas que eu não sei e os outros sabem, e tem coisas que eu não sei e os outros não sabem.
Não sabem.
E a proposta do framework é que tipo de— acho que uma extensão da proposta do framework é que tipo de ações eu posso fazer para mover as coisas de quadrante. Então, se eu não sei e os outros não sabem, o que que eu posso fazer? Eu posso marcar lesson observations, eu posso assistir minhas próprias aulas, eu posso conversar, debater ideias com professores. Eu sei— perdão, eu não sei, mas os outros sabem. Eu posso marcar uma sessão de feedback, eu posso pedir um conselho com base no que o professor sabe sobre mim, ou eu posso pedir para alguém criticar uma coisa que eu fiz, que uma atividade que eu criei.
Então é muito interessante esse framework assim para pensar em o que que eu vou, como eu vou me desenvolver, porque é isso, é admitir que tem coisas que eu não sei e que eu não sei que eu não sei, sabe?
É, enfim, devia, falta uma bolinha, um campo, um campo na Johari Window que é tipo coisas que eu não sei e ninguém me conta.
Eu acho que não, eu acho que tem um quadradinho que não está no framework original, que é coisas que eu não sei e não quero saber, que eu me recuso também a abrir. Que é o, quando eu falo para os professores do Essential Teaching Skills, gravem suas aulas, compartilha aqui para a gente conversar, e ninguém grava. Só você gravou na sua turma, né? É assim. Ninguém nem gravou a própria aula, que dirá disponibilizar a gravação para outras pessoas.
É, mas é que é o spotlight, né? Tipo, as pessoas não querem estar nesse lugar de— eu entendo também. A gente, quando a gente tá falando de se pedir, mexe com a carreira das pessoas, mexe com a vida das pessoas. Imagina você descobrir alguma coisa que você não sabe da sua própria prática, né? Tipo, não é confortável. Acho que a gente tem que estar muito, a gente primeiro não confiante na nossa prática para deixar isso acontecer, mas confiante de que você tá fazendo a coisa certa.
Assim, tipo, eu quero ser o melhor professor possível, então eu não me importo de alguém vir aqui me falar de uma coisa que eu não sei, por mais que isso vá me dar mais trabalho e que vá ter que mexer com algumas crenças que tá enraizada em mim, assim. E não sei, o nosso trabalho, eu acho que isso é meio desafiador do nosso trabalho, porque tem professor que não quer. E no ambiente que eu tô hoje, eu faço isso, né? Tipo, a gente ganha para fazer isso, literalmente.
Eu tô sendo pago para falar, fazer isso, tá cagado. Então tipo, ou está muito bom também, né?
Mas enfim, dá para a gente geralmente melhorar assim, amigo. Mas enfim, olha esse feedback aqui que você deu, aqueles lá. E daí a gente não quer ficar no spotlight. Eu, eu, eu, eu não é confortável, 100% confortável para mim também. Acho que nunca vai ser, né, tipo 100% confortável para gente. Mas eu entendo, pelo menos, pelo menos na minha cabeça eu olho e falo, pelo menos eu tô fazendo isso aqui, ó, da janela Eu tô mexendo nas coisas, tipo, pelo menos tem esse acalento assim, sei, né? Acho que a gente chutou a bola longe demais dessa vez.
Quero só ver onde que vai botar o feature training para Lexicolo Approach.
Eu quero ver, eu quero ver como é que vai acontecer.
Para quem está escutando esse episódio, eu espero que esse episódio esteja ajudando você aí a mover o conhecimento sobre Lexicolo Approach para outro quadrante na janela de Johari, entendeu? Pronto, eu acho que eu voltei. Acho que eu coloquei um durex nesse, na ponte que a gente fez.
É, eu, mas eu acho que assim, para a gente ir para um finalzinho, Juan, eu acho que é legal a gente trazer e pensar em classroom implications do lexical approach e coisa que dá para fazer na sala de aula mesmo, que a galera, isso faz tempo que a gente não faz, e acho que o Biblioteca de novo O biblioteca é um lugar legal de fazer isso de novo, que a galera vai desligar e começar a preparar aula e pensar, ah, eu vou colocar essa atividade na minha aula de hoje.
Posso usar isso, dá pra... Concordo, concordo, boa.
O que que você acha que é uma coisa que teaching collocations ou teaching chunks que dá pra usar assim on the spot? Ou discourse, porque acho que a gente falou bastante de discourse, dá pra gente colocar junto um pouquinho.
Verdade, verdade. Acho que eu tô com coisas mais sobre lexical approach em mente assim.
Em mente, tá.
Acho que a primeira coisa que me vem em mente é: a gente precisa aprender, a gente precisa, acho que, expandir o nosso repertório de atividades para trabalhar com chunks, que é uma coisa que vai ajudar muito em, acho que, dar esses primeiros passos de começar a lexicalizar um pouquinho mais, sabe, as coisas. Então, por exemplo, uma atividade que é muito muito boa para trabalhar com chunks é você trazer uma lista de colocações em que algumas com a mesma palavra, em que algumas colocações são colocações apropriadas e comuns e uma ou duas colocações não são.
Então, sei lá, então algo como muito pelo contrário, não, muito pelo contrário só tem essa, né?
Não, completamente pelo contrário também dá.
Ah, é isso, completamente. É, exato. Então, então eu tô pensando em outros exemplos, como assim: e esse livro teve um tararã enorme na minha vida. Então, um impacto enorme, uma influência enorme, um— eu não poderia dizer um efeito enorme. Entende? Então eu poderia ter as 3 colocações: impacto enorme, influência enorme, efeito enorme. E o aluno tem que escolher quais colocações fazem sentido, quais colocações são apropriadas. Então, por exemplo, gap fill, em que a gente tem opções de colocações ao invés de opções de palavras isoladas.
Ou exercícios em que os alunos têm que, por exemplo, um exercício de noticing muito bom é um exercício de reconstruction de um texto. Então a gente acabou de ler um texto e aí tem collocations desse texto que eu quero trabalhar com o meu aluno. Então eu vou falar para ele assim, ok, um texto curto, hein, gente, pelo amor de Deus, não pode ser um texto longo. A gente vai fechar a janela do texto Agora eu quero que você reescreva esse texto usando a sua memória.
E aí o aluno reescreve aquele texto, porque ele tem as ideias, mas talvez ele não tenha as palavras e as colocações. E aí depois ele compara o que ele escreveu do texto com o que é o texto original. E isso é um exercício muito potente de noticing, porque aí ele vai falar, nossa, é isso, eu strugglei para pensar em como me expressar com isso. E agora eu tô vendo que no texto esta é a expressão que eu estava buscando. Então é muito um exercício muito impactante assim para ajudar com o note assim.
Então acho que essas três ideias, vai: uma lista de collocations para escolher qual é e qual não é collocation, exercícios de gap fill com collocations, com chunks ao invés de palavras isoladas, e exercícios com leitura de reconstrução. Lê um parágrafo, reconstrói o parágrafo, compara o que você escreveu com o parágrafo original, e aí vê quais chunks te faltaram e que você olha e fala, ah, essa palavra teria encaixado melhor, esse chunk teria encaixado melhor.
Essa última que você tá falando assim, eu costumo olhar para isso para create the need of language, né? Tipo, você, acho que isso é uma habilidade para professor interessante de você desenvolver não só para lexical approach, mas você criar necessidade de uma língua para que na hora que você ensina tá ali, bum, acho que grava melhor assim, a pessoa aprende melhor. Não sei se foi com você que eu falei disso na época da cultura, mas foi alguém ali na cultura que a gente falava muito sobre create the need of language items assim para que isso funcione.
Acho que a gente, exato, eu acho que a gente falava muito quando a gente fala sobre inductive approaches, né, interactive e deductive approaches. Então você criar a necessidade de uma estrutura ou de uma palavra, de uma coloquiação, enfim. E aí, a partir da necessidade, o aluno vai gravar melhor quando ele aprender aquilo, né?
Supre uma necessidade, ele acaba lembrando, memorizando. Necessidade comunicativa, de ideias, de atividade, você roubou várias, né? Assim, Eu não fiquei com tantas opções assim, mas tá tudo bem. Acho que uma das que eu gosto de fazer, que eu acho que funciona, é de Sentence Transformation com Collocation. Então você pedir para pessoa usar algum tipo de chunk ou collocation, não precisa necessariamente ser uma collocation, né, pode ser só um chunk que vai entrar ali.
Então tem uma frase, você vai ter que reescrever aquela frase sem mudar o sentido original usando este chunk aqui ou esta colocation aqui, ou então o contrário, mas daí fica muito parecido com o que você disse, que é você ter a frase e um gap que tem que entrar um chunk ali. Você não transforma, né? Você só deixa uma gap na frase assim. E daí isso fica ali gravado, materializado para pessoa olhar sempre assim. Mas acho que pelo menos temos algumas, temos 4.
É muito bom para chunks mesmo, né?
E serve para tudo. Center of Transformation é um coringa, né? Serve para qualquer coisa. Vamos ser bem— eu meio que roubei aqui porque serve para qualquer coisa, mas eu acho que a gente tem ideia de 4 atividades e uma técnica, né? Esse create the need for the language vai funcionar para qualquer coisa também, né? Tipo, não só para chunks. Acho que temos um episódio, visitamos a biblioteca.
Visitamos a biblioteca. The library is officially closed agora. Espero que vocês tenham curtido, gente. E quem quiser ler mais sobre o Lexical Approach, a gente recomenda demais um livro do Michael Lewis, que foi publicado em 93, que é The Lexical Approach. E aí ele publicou depois um outro livro que se chama Implementing the Lexical Approach. São livros fenomenais, basais para entender o Lexical Approach. E a gente leu os artigos, a gente pode deixar os links, né, na descrição dos artigos, para as referências para quem quiser ler.
Eu vou tentar colocar o link, eu não sei se eu consigo colocar o link, mas o título definitivamente eu consigo colocar. O meu é do The Guardian e o nome é Why Has the Lexical Approach Been So Long in Coming? Esse é o título e ele é by Leo Sullivan. Como é o nome do senhor?
O meu artigo é no site do British Council. Então se você jogar no Google British Council e junto com British Council jogar lexical approach, você vai achar provavelmente. O nome do artigo é Lexical Approach: What Does the Lexical Approach Look Like? Aí tem o 1 e o 2, é bem legal, é mesmo, recomendo demais.
É isso, temos um episódio ruim, temos muito um episódio, fechamos. Até semana que vem, galera, bye bye!