O TEMPO NÃO PARA (Versão: O Cemitério dos Cientistas — revisada) | à la Cazuza
Disparo contra o mito
Sou dúvida, sou processo
Minha ciência em conflito
Com o medo do retrocesso
Eu sou um pesquisador
Cansado de remar contra a maré
Sem verba, sem voz na bancada
Tentando explicar o que é
Eu sou mais um cientista
Mas se você achar
Que a dúvida foi derrotada
Os dados insistem em falar
Porque a razão, a razão não para
Dias sim, dias não
Vou sobrevivendo à pressão
Da “neutralidade” que escolhe um lado
Currículo oculto, silêncio ensinado
Quando a evidência incomoda o legado
A ciência não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um cemitério de grandes novidades
A escola não forma, só adapta
Não para, não para
Eu não tenho data pra comemorar
A evolução tentam suavizar
Pra não ferir certezas herdadas
Nas salas de aula, perguntas são podadas
Se você insiste, aprende a calar
E assim enterramos futuros possíveis
Entre crenças intocáveis e dados invisíveis
Chamam de excesso, de radicalismo
Mas é só método contra o dogmatismo
A tua escola evita o confronto
Prefere o conforto ao ponto
Onde os fatos exigem revisão
É, a razão não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um cemitério de grandes novidades
Mas a razão não para
Não para, não para
=
Inspiração Cazuza, O Tempo não para
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