Episódios de Parentalidade Positiva

Autonomia

05 de maio de 202617min
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Participantes neste episódio2
S

Sara

HostCartomante e professora de tarot
C

Carla Escada

ConvidadoOrientadora parental
Assuntos3
  • Autonomia dos FilhosAutonomia por idade · Gerenciamento de ansiedade · Comunicação familiar · Responsabilidade e confiança · Prática de tarefas diárias
  • Autonomia PessoalOrganização na véspera · Evitar pressão excessiva · Tempo para prática · Tarefas familiares
  • Adolescentes como Solução e FuturoResistência e compreensão · Percepção da vida · Sentimento de pertença familiar
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Ser mãe é um desafio. Eu estou mesmo a dar o meu melhor? Como é que eu posso ajudar o meu filho a gerir a ansiedade? Quais são as atividades que podíamos fazer em família? Eu falo e ele não me ouve. Como é que eu posso melhorar a nossa comunicação? Vamos aprender e crescer juntos. Parentalidade Positiva. Com a orientadora parental Carla Escada.

Olá, estamos de volta para mais um Parentalidade Positiva, este espaço para abraçar toda a família. Hoje vamos falar sobre como incentivar a autonomia de acordo com a idade, ou seja, não estarmos eternamente a tratar os nossos filhos como se fossem bebés e a pouco e pouco dando-lhes cada vez mais autonomia. Bem-vinda então à professora Carla Escada por estar hoje connosco para abordar este tema. Bem-vinda!

Olá, Sara, bom dia. Bom dia aos senhores ouvintes. Obrigada mais uma vez por me receberem. Carla, como é que podemos então a pouco e pouco incentivar a autonomia de acordo com a idade de cada criança ou adolescente? É isso mesmo, Sara. Temos vindo aqui a falar, ainda na rubrica da semana passada, falámos sobre como é que nós podemos ser autoridade na vida dos nossos filhos e trabalhar aqui várias competências, a autonomia, a responsabilidade, a confiança que eles precisam sentir.

para irem cada vez mais sabendo que são capazes de fazer coisas sozinhos e que estejam sempre os pais a ajudar e orientar, mas isso é um caminho, não é? É um caminho que os nossos filhos precisam fazer com a nossa orientação, com o nosso apoio, para que ao longo do tempo eles se vão sentindo cada vez mais capazes.

E então é importante, dentro desta nossa posição de pais orientadores, termos a consciência de que os nossos filhos só ganham autonomia se nós os ajudarmos a isso. Então é importante construirmos um espaço que permita que os nossos filhos vão ganhando cada vez mais capacidades e competências e vão sendo cada vez mais autónomos. E isso faz-se...

fazendo cada vez menos coisas por eles. Bom, mas há situações em que, enfim, estamos tão atrasados, tão atrasados que das duas uma, ou fazemos nós por ele ou deixamos que sejam eles a fazer e ainda nos atrasamos mais. Como resolver este dilema? Pois é, Sara, muitas vezes nós estamos atrasados de manhã e há aquela situação...

Ok, o meu filho está a aprender a apertar os atacadores, mas nós já estamos ali muito no limite das horas. E agora, o que é que eu faço? Faço por ele? Deixo fazer? É uma questão que surge nas manhãs de muitas famílias. E então...

Não há uma receita que eu possa trazer que seja infalível, porque de facto há horários a cumprir, há crianças que precisam chegar até determinada hora na escola, há pais que precisam chegar até determinada hora ao seu trabalho, mas então é preciso vermos aqui o que é que podemos fazer na nossa dinâmica familiar, de maneira a permitir que o nosso filho tenha tempo para praticar ou apertar os atacadores.

para que ao longo da prática vá sendo cada vez mais rápido ao realizá-lo, não é? Quanto mais praticarem, menos tempo vão precisar disso. E então, muitas vezes, com esta pressa das manhãs, acabamos por atropelar um bocadinho da autonomia dos nossos filhos. Começamos a fazer coisas que eles já sabem, começamos a fazer por eles, ou não lhes damos tempo, o tempo que eles precisam.

porque são capazes de fazer, mas por vezes precisam de mais tempo do que se fôssemos nós a fazer e por vezes não encaixamos na nossa rotina o tempo necessário para que eles possam fazer as coisas. Então depois há aqui um bocadinho um atropelo desta autonomia. Nós queremos que os nossos filhos vão aprendendo cada vez a fazer mais coisas sozinhos, queremos que eles ao longo do tempo vão ganhando responsabilidade e sendo cada vez mais autónomos.

mas nem sempre criamos o tempo necessário para que eles consigam efetivamente colocar isso em prática. E então, é importante que nós mães e pais olhemos para a nossa rotina, para os nossos dias, e perceber onde é que há momentos em que os nossos filhos já seriam capazes de fazer sozinhos, mas que por falta de tempo ou por falta de disponibilidade da nossa parte,

não estamos a permitir que isso aconteça. São, sem dúvida, boas dicas. Agora, vamos passar à prática. No dia-a-dia, como é que o podemos fazer? Exatamente, Sara. Então, é necessário encontrarmos, nos nossos dias, estratégias que permitam que a criança vá ganhando esta autonomia. E, então, é importante encontrarmos este tempo para que a criança vá tentando, os nossos filhos vão tentando fazer, vão praticando.

E quando nós estamos com os horários muito apertados, temos muita tendência a pressionar. E ao pressionarmos que eles façam mais rápido, que se despachem, que peguem nas coisas, que não se esqueçam de nada, esta pressão por vezes leva a que os nossos filhos...

errem ou que fiquem mais atrapalhados, por exemplo, no que eu estava a dizer há pouco enquanto exemplo, fiquem mais atrapalhados a apertar os atacadores e que não estejam a conseguir, ou quando nós pressionamos muito para, não te esqueças do casaco, não te esqueças da mochila, não te esqueças da lancheira, não te esqueças do saco do desporto. Esta forma como nós fazemos quase uma checklist,

pode conferir algum tipo de pressão nos nossos filhos e que por vezes acaba por levar a que eles se esqueçam, por mais que nós estejamos a lembrá-los, porque na verdade na cabeça deles eles não estão a ser lembrados, eles estão a ser pressionados. E uma criança, especialmente as mais pequenas, até aos 8, 9, 10 anos,

Quanto mais pressionadas se sentem, menos funcionais são. Então é importante que vamos adotando estratégias em que ao longo do dia provoquem menos pressão possível nos nossos filhos. Termos as coisas organizadas, termos as coisas definidas, o que é que é para fazer, o que é que é para organizar, estar tudo preparados, por exemplo, na véspera.

Facilita muito esta nossa dinâmica da manhã. Na véspera preparam, por exemplo, mochilas, lancheiras, deixam tudo num sítio sempre à entrada de casa ou à porta do quarto, sempre no mesmo sítio em que está tudo junto para que os nossos filhos vão ganhando mecanismos não só de organização, de saber que aquele é o sítio onde deixam a mochila que já está preparada, com o casaco por cima, por exemplo.

como também o mecanismo de, quando é hora de ir embora, eles sabem que o único sítio onde precisam ir buscar coisas é ali. E não têm que andar às voltas, à procura, e o casaco está num sítio e a mochila está no outro. Então, há toda esta base de competências e de organização.

que é importante irmos criando nas nossas casas para ajudar efetivamente os nossos filhos a serem cada vez mais autónomos. Carla, muito obrigada. Antes de fecharmos, deixamos aqui o nosso trabalho de casa, não é? Para que durante esta semana possamos então incentivar os nossos filhos a terem, a adotarem cada vez mais as suas práticas autónomas. Qual é então o desafio desta semana?

Sim, e então aqui por idades, que é importante percebermos também e transmitir aos pais que nos estão a ouvir o que fazer em cada idade, então as crianças mais pequeninas, até aos 5 anos, naturalmente que precisam começar com tarefas simples.

Eu há pouco dei o exemplo de preparar mochilas, preparar lancheiras e eles podem começar a ser treinados na véspera a escolher a roupa que querem vestir, deixar a roupa já no sítio sempre o mesmo, escolher qual é o brinquedo que querem levar e então colocarem o brinquedo.

logo dentro da mochila e deixar a mochila sempre no mesmo sítio, que é sinal de que já está preparada e portanto ir treinando os nossos filhos desde pequeninos a participarem, a serem eles a escolher, a serem eles uma parte ativa nas escolhas que depois têm impacto na vida deles. A partir do momento em que eles são treinados a fazer isto desde pequenos, para nós vai se tornando também mais fácil quando eles chegam a uma fase ali entre os 6 e os 10 anos, normalmente mais para os 8, 9,

em que eles começam a querer fazer coisas sozinhos e que já sabem e que não precisam de ajuda. Se eles estiverem sido treinados, por exemplo, a deixar a mochila que já foi preparada sempre no mesmo sítio, é mais fácil para nós pais...

irmos ao quarto deles, se for esse o caso, e ver onde é que está a mochila. Então se a mochila ainda estiver onde eles habitualmente deixam quando chegam da escola, é porque ainda não foi preparada. Mas se já estiver no cantinho pré-definido das coisas que estão preparadas para o dia seguinte, quer dizer que o nosso filho ou a nossa filha já teve a autonomia e a responsabilidade de preparar a mochila. E então...

Encontrar estes sinais e estes locais onde as coisas são deixadas ajuda os nossos filhos a organizarem-se, a saberem o que é que têm que fazer e nós também podermos cada vez mais ir dando esta autonomia de vamos verificando, vamos tendo aqui algum controle para garantir que as coisas estão a ser feitas, mas sem termos que intervir tanto.

A ideia é que nós pais, ao longo do tempo, tínhamos cada vez menos a necessidade de intervir, mas precisamos estar atentos, porque uma criança que aos 6 anos está muito entusiasmada com a escola e chega à casa e vai correr fazer os trabalhos de casa e deixa logo tudo preparado para o dia seguinte, pode acontecer nos 8, 9, 10 anos,

não estar tão entusiasmada, começar a ter outros interesses, que faz parte da mudança daqui da fase de desenvolvimento, e começar a descurar um pouco estas responsabilidades, porque começa a ver que há coisas mais interessantes para fazer ou para estar a utilizar o seu tempo. Então é muito importante nós continuarmos atentos, nós continuarmos a orientar, e então sempre que vamos treinando, que vamos treinando.

Quando é que se faz, como é que se faz, onde é que as coisas ficam, vai facilitando a nossa vida também nesta verificação de que tudo está a funcionar. Dei aqui exemplos de crianças até aos 10 anos, preciso falar também dos pré-adolescentes e dos adolescentes.

Há uma mudança muito grande quando as nossas crianças começam a entrar na pré-adolescência e depois na adolescência. Mudanças na forma de estar, na forma de ver, a nível cognitivo, a nível emocional. E então é possível que nestas fases comece a haver um pouco mais de resistência da parte deles em fazer as coisas. Mas também acontece...

um grande desenvolvimento na perceção deles do que é a vida. E então é importante que, havendo alguma resistência, não criemos momentos de choque, mas sim de compreensão. Os pais e as mães, sabendo que é uma fase exigente para eles, perceberem isso e estarem conscientes disso.

e depois utilizar então ferramentas um bocadinho diferentes para continuarem a fomentar a autonomia e a responsabilidade dos filhos. Falar com eles é importante, dizer que a organização, o fazerem as coisas antecipadamente, que é importante para garantir que as coisas continuam a fluir, que eles levam para a escola o que é preciso, que não se esquecem dos trabalhos de casa que têm para fazer, por exemplo.

ir sensibilizando os nossos filhos para a importância de todo este esquema que fomos montando ao longo do crescimento deles, mas que depois, na pré-adolescência e na adolescência, eles por vezes têm tendência a desviar-se um pouquinho. Então, vamos trazer isto, vamos conversar com eles, vamos convidá-los cada vez mais a participar.

E aqui há uma sugestão que eu vou deixar, aqui em termos de TPC, que é muito específica para esta faixa etária, da pré-adolescência e adolescência, mas que também pode ser aplicada na véspera. Seja de que idade for...

os nossos filhos precisam saber que têm um papel importante na dinâmica familiar. Então o trabalho de casa para esta semana é convidarem os vossos filhos a começar a fazer uma tarefa que vocês sintam que eles já sabem fazer sozinhos.

Pode ser escolher a roupa para os mais pequeninos, a roupa do dia seguinte, para os mais crescidos ali na fase do primeiro ciclo, começar a preparar a mochila sozinhos e depois vocês vão lá só verificar se está tudo com autorização deles, não é às escondidas. Vão dizer, ok, já preparaste, então quando preparares chama-me para eu ir verificar se está tudo certinho.

Nos pré-adolescentes e adolescentes, vamos começar a encutir-lhes o hábito cada vez mais, que deve ser construído também desde mais pequeninos, mas aqui é extremamente importante que esteja mesmo a acontecer, é eles terem tarefas em casa, que não sejam só coisas que impactem diretamente a vida deles, mas tarefas que impactem a dinâmica familiar.

É muito fácil que os nossos adolescentes comecem a conhecer tanto o mundo lá fora, comecem a conhecer tanto outras pessoas, outras dinâmicas, outros ambientes, que se comecem a desligar um bocadinho do ambiente familiar. Então é uma forma de desenvolvermos a autonomia deles, a responsabilidade, mas também de mantermos muito presente.

a ideia e a sensação de que fazem parte deste núcleo familiar, que o núcleo familiar é a sua base, podem explorar tudo o que quiserem lá fora, podem conhecer todas as pessoas, todos os ambientes, mas aqui em casa é a base, é onde eles se sentem bem, é onde eles participam, é onde eles fazem parte. Então é importante que vão tendo tarefas que lhes permitam também desenvolver.

este sentimento de pertença em relação à família. Então a tarefa para esta semana é encontrarem uma tarefa para os vossos filhos começarem a partir de hoje a fazerem sozinhos. Os mais pequeninos, tarefas simples, naturalmente, depois progressivamente vamos aumentando a dificuldade e a responsabilidade inerente à tarefa.

e pensando aqui nos nossos adolescentes, é mesmo muito importante que eles tenham este sentimento de pertença e então façam parte não só de vir a casa fazer as suas coisas, as suas tarefas, mas que também tenham tarefas da família.

Obrigada, Carla. Entretanto, os nossos ouvintes que quiserem podem deixar aqui as suas perguntas, sugestões até de outros tópicos para abordarmos futuramente. Podem entrar diretamente em contacto connosco aqui na RCS ou através das redes sociais da professora Carla Escada. Claro que sim, Sara, é isso mesmo. Estou sempre disponível nas minhas redes sociais, Carla Escada underscore parentalidade e hoje quero deixar um convite aos nossos ouvintes.

Se ainda não me estão a seguir nas redes sociais, sigam. Eu vou lançar muito em breve algo que estou a criar, na verdade que inclui 20 anos da minha carreira.

de professora, de orientadora parental, de coach infantil juvenil. Então eu vou lançar algo que acredito que vai verdadeiramente mudar a vida de muitas famílias. Portanto, o meu convite hoje é, se ainda não seguem as minhas redes, sigam carlaskada underscore parentalidade.

Vou partilhando muitos conteúdos que vos poderão ajudar no vosso dia-a-dia e fiquem atentos porque vou lançar algo que acredito mesmo que vos vai ajudar e muito. E portanto, fiquem atentos e eu com muito gosto vos vou receber no meu cantinho da educação e parentalidade nas redes sociais. Obrigada mais uma vez Sara, obrigada aos nossos ouvintes e até para a semana!

Carla, muito obrigada. Para a semana estamos de regresso com este ou outros temas, também, entretanto, sugeridos pelos nossos ouvintes. Até lá, se Deus quiser. Foi mais um tema da parentalidade positiva. Ser mãe é um desafio. Eu estou mesmo a dar o meu melhor? Como é que eu posso ajudar o meu filho a gerir a ansiedade? Quais são as atividades que podíamos fazer em família? Eu falo e ele não me ouve. Como é que eu posso melhorar a nossa comunicação?

Vamos aprender e crescer juntos. Parentalidade Positiva. Com orientadora parental Carla Escada.

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