Episódios de Magnificat - Podcast Católico

Santa ISABEL de PORTUGAL: a Rainha Santa, o Milagre das Rosas e a História | EP. 25

02 de julho de 202636min
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Quem foi verdadeiramente Santa Isabel de Portugal? Muito para além do famoso Milagre das Rosas, a Rainha Santa foi uma mulher de profunda fé, esposa de D. Dinis, pacificadora entre reis e um dos maiores exemplos de caridade da história de Portugal.

Neste episódio do Podcast Magnificat, percorremos a sua vida desde o nascimento em Aragão até à sua canonização, revelando os principais acontecimentos da sua missão, os milagres que marcaram a sua vida e o legado espiritual que continua a inspirar os cristãos.

Participantes neste episódio2
I

Irmão António

Host
I

Irmão Francisco

Convidado
Assuntos4
  • Santa Isabel como PacificadoraGuerra entre D. Dinis e D. Afonso · D. Afonso IV · Desterro de Santa Isabel · Batalha de Alvalade · Milagre das Rosas
  • Santos e ReliquiasMosteiro de Santa Clara · Canonização pelo Papa Urbano VIII · Corpo incorrupto · Peregrinação a Santiago de Compostela · Aparição de Nossa Senhora
  • Casamentos em PortugalD. Dinis · Infidelidade de D. Dinis · Educação dos filhos bastardos · Fundação da Universidade de Coimbra · Dona Beatriz
  • O nascimento e infância de Ella BennettReconciliação familiar · Dom Pedro III de Aragão · Jaime I de Aragão · Santa Isabel da Hungria · Saragoça
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?Voz A

No dia de hoje vamos ter mais geografia, a história da Rainha Santa Isabel.

?Voz B

Também dedicou toda a sua vida a Portugal, praticamente, porque ela veio para Portugal com 12 anos, já vamos ver, portanto veio bastante nova.

?Voz A

Como Santa Isabel, a importância de como apaziguadora, assim, a favor da paz sempre, então, entre as rixas, brigas, desavenças.

?Voz B

E ela vai se destacar por essas duas coisas: uma, por ser muito inteligente e também por ser muito piedosa desde muito nova. Os dois exércitos frente a frente e ela surge a cavalgar a sua pequena mula e atravessar sem medo aos golpes e às lanças no meio dos contadores surpreendidos. Ela evitou esta guerra civil, esta auge de guerra civil, porque a guerra civil chegou efetivamente a existir 300 anos após a morte dela.

?Voz A

Ela foi canonizada como "Austra" já para aquela época, que era uma santa popular, as pessoas rezavam muito. A vida de Santa Isabel de Portugal, para a qual a festa que vamos comemorar daqui a 2 dias, no dia 4 de julho. Salve Marias! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do podcast Magnificat. No dia de hoje vamos ter mais geografia, a história da Rainha Santa Isabel, a festa que celebramos no dia 4 de julho. E para nos contar esta história maravilhosa temos aqui o Irmão Francisco, como habitual.

?Voz B

Salve Maria, Irmão António.

?Voz A

Salve Maria. Então, Rainha Santa Isabel de Portugal, o que é que nós podemos falar sobre ela? Portuguesa? Não é portuguesa? Os milagres que ela fez? Qual é a história? Que maravilhas? Que tem esta grande santa portuguesa?

?Voz B

Então, como a maior parte das rainhas portuguesas não nasceu em Portugal, mas evidentemente ficou portuguesa por aquisição, digamos assim, e ela também dedicou toda a sua vida a Portugal praticamente, porque ela veio para Portugal com 12 anos, já vamos ver, portanto veio bastante nova, mas ela nasceu em Saragossa, que era na altura o reino de Aragão, não havia ainda a unificação da Espanha, eram vários reinos, e é interessante ver que o nascimento dela já ficou marcado por algo muito bonito e que ao mesmo tempo já resume um pouco qual foi a principal missão dela e qual era a principal vocação dela, porque ela era filha do infante Pedro, que era o filho mais velho do Rei Jaime, o Conquistador, que era Rei de Aragão, mas que o pai e o filho estavam chateados um com o outro porque Dom Pedro tinha-se casado contra a vontade do pai com uma princesa, Dona Constança, que o pai não gostava, etc., e então estavam assim chateados.

Naquela altura evidentemente os casamentos tinham o fator político que era importante, de alianças, etc. Na nobreza, sobretudo, e nos reis ainda mais. Só que quando ela nasceu, ela não foi a filha mais velha, mas foi a primeira menina que o casal teve. E o rei, quando ficou a saber desse nascimento, quis vê-la, e quando a viu, ficou tão encantado por aquela menina que quis tê-la sempre perto de si. E com isso, então, teve que se reconciliar com o pai de Santa Isabel, que mais tarde veio a ser o rei Pedro III de Aragão.

Então, neste momento dela, sem ela fazer nada, mas só a presença dela, já foi um fator de conciliação da família, do pai e do avô.

?Voz A

É interessante. E só para nós nos localizarmos aqui, nós estamos no século XIII, ela nasceu no ano... 1271.

?Voz B

Não sabe exatamente o dia, e mesmo o ano é discutível, mas provavelmente, ao que tudo indica, é que depois os historiadores é que ficam nesses estudos mais profundos, mas 1271, então, nascimento da Rainha Santa Isabel. Em Saragossa, na corte, até hoje podes visitar no palácio, que está muito perto da catedral, a famosa. Aliás, Saragossa tem duas catedrais, é famosa por isso, tem a Basílica do Pilar e a catedral. Mas podes visitar o quarto onde, ao que tudo indica, a tradição afirma que ela nasceu, e tem lá uma placa comemorativa. Por acaso nunca lá estive, mas Onde ela nasceu?

?Voz A

O próprio nome Isabel, eu vi uma vez num livro, que tinha sido atribuído por causa da tiavó dela, era Santa Isabel da Hungria.

?Voz B

Exatamente.

?Voz A

A famosa Santa Isabel da Hungria.

?Voz B

O nome dela é precisamente em honra à Santa Isabel. E aí é interessante ver, associando isto tudo, do nascimento dela, que já vem marcado por este fato de reconciliação da família, e que também tem uma santa patrona no nome, é quem ela vai fazer um bom uso assim do nome, né? Tem um poeta na altura, era o Inês, comenta o nascimento de Santa Isabel e é assim em português antigo, mas espanhol, aquela, mas é interessante ver este poema porque resume um pouco a vocação dela, que é: "Nasceu esta menina com forjos de estrela de alva." pois em nascendo desterrou as trevas da discórdia.

Então, nascimento dela desterrou as trevas da discórdia e introduziu as luzes do carinho. Nascendo Isabel, lograram os aragoneses, na paz, a cifra de todas as felicidades. O favor foi de Deus, mas esta menina foi o meio de que o conseguisse.

?Voz A

Muito bonito. É bonito esta... E em que livro está? Que os nossos seguidores já estão curiosos de saber que livro é esse.

?Voz B

Este livro aqui, isto é uma citação de outro livro que eu estou a ler, mas dentro deste livro que é Vale muito a pena, não sei se hoje em dia é assim fácil de conseguir, mas naquelas alfarrabistas famosas do Porto ou de Lisboa, e de outros sítios certamente, mas é Santos Português do autor João Amial, um historiador português. E tem vários santos, não tem só Santa Isabel, como é óbvio, tem Santo António, São Teotónio, São João de Deus, é muito interessante o livro.

E quase dava para fazer um episódio para cada santo, só baseado aqui neste livro. Portanto, isto foi o nascimento da Santa Isabel. Podemos prosseguir agora então para a infância dela até ao casamento, não sei? Sim, sim.

?Voz A

Então, um certo contexto já foi dado, um bocadinho de contexto, como era a relação com Portugal, assim, políticas, também havia essas desavenças, não?

?Voz B

Havia curiosamente, havia mais entre Aragão e Castela do que propriamente Aragão e Portugal, porque até Castela está no meio, estaria no meio dos dois, não é? Então Portugal e Castela, histórico, sempre volta e meia estavam em guerra e também curiosamente Castela e Aragão também várias alturas estiveram em guerra e uma delas, já vamos ver mais para frente, quem ajudou a resolver vai ser Santa Isabel enquanto Rainha de Portugal, porque foi meio, e D.

Dinis e Santa Isabel foram Até lá, mas já vamos mais à frente. Portanto, entre Aragão e Portugal, a relação era boa, digamos assim, porque também não havia fronteira que os ligasse.

?Voz A

É interessante já ver esta primeira característica, acho que se vai acentuar ao longo do nosso podcast, como Santa Isabel, a importância de como a paziguadora, assim, a favor da paz sempre, então, entre as rixas, brigas, desavenças, ela sempre um elemento de de pacificador, que é um elemento cristão, de caridade, de colocar tudo em ordem.

?Voz B

Sobretudo entre a família, que às vezes a família é muito unida, mas quando existe uma guerra numa família, tende a ser mais violenta do que, sei lá, entre duas pessoas que eram amigos e deixaram de ser porque nunca mais se veem. Família, quando é uma guerra familiar, às vezes é muito pior.

?Voz A

Então já para os nossos seguidores já ficam a começarem, quem precisar de rezar a Santa Isabel pela família, né, se houver alguma desavença, então uma boa intercessora, uma boa patrona, padroeira, será então Santa Isabel. Mas vamos então avançar a história, estamos na infância dela, que é até aos 12 anos, que aí foi, aos 12 anos foi o casamento, não é?

?Voz B

Exatamente, 12 anos.

?Voz A

O que aconteceu entre o nascimento e os 12 anos, algum fato assim de nota?

?Voz B

O que mais é de notar é a educação que ela teve, porque ela teve uma educação assim, o melhor que se podia dar na época, ainda por mais sendo filha do rei, que mais tarde o avô dela vai morrer, o pai dela vai subir ao trono, Dom Pedro III, e quiseram lhe dar uma educação a mais "esmerada" possível para a época. E ela vai se destacar por essas duas coisas: uma, por ser muito inteligente, e também por ser muito piedosa desde muito nova.

?Voz A

Passava longas horas em oração, tinha uma rotina que depois vai manter enquanto rainha, de assistir missa todos os dias, ter momentos de oração de manhã, à tarde, Isso foi antes dos 12 anos, só para ficar bem claro, não estamos a falar de uma pessoa já madura, então, da importância de ter bons exemplos e de incutir piedade nas crianças desde nova.

?Voz B

Ah, e interessante também, esqueci de mencionar, quando ela nasceu, o avô fez uma profecia assim, que ele dizia que esta ia ser a mais ilustre de toda a casa dele, Casa Real Aragonesa, e de facto, de todas as figuras aragonesas, Pelo menos em Portugal, não sei se em Dragão há outra mais famosa, mas foi a que se mais distinguiu, pelo menos foi aquela que alcançou a santidade, que é a maior glória que a pessoa pode alcançar. Então também tem esse lado interessante e mais que ela, a presença dela vai ajudar a converter o avô antes da morte, porque o avô não teve uma vida assim muito católica enquanto os relacionamentos que ele tinha fora do matrimónio, etc., mas perto já do fim da sua vida e graças a, digamos assim, à luz que irradiava Santa Isabel, ele vai se converter e vai entrar para um convento e vai fundar a Ordem dos Mercedários, juntamente com, talvez se encontrava aqui, exatamente, Mercenários com São Pedro Nolasco e São Raimundo de Penafort, então o rei vai se juntar a eles e vai tomar o próprio hábito.

E passou, ele era chamado por Jaime o Conquistador e vai passar a ser por alguns historiadores o Santos. Então é interessante como a presença dela santificava, mesmo sem dizer nada, porque era ainda um bebê, digamos assim, criança.

?Voz A

Pronto. Isso já aconteceu quando era criança, pensava que ela já era crescida, já converteu o avô nela.

?Voz B

Converteu o avô já. Só pela presença dela.

?Voz A

Pela inocência, piedade, impressionante. Esse é o grande papel de um santo, santificar pelo exemplo.

?Voz B

Portanto, só para vermos, ela morreu O avô morreu em 1276 e ela nasceu em 1271, portanto ela tinha 5 anos, 4, 5 anos quando o avô morreu e foi nesses últimos anos de vida do avô que ele se converteu e deixou aquela vida escandalosa que ele tinha, que era público, então ela converteu pela sua presença, ou indiretamente, mas coincidiu o nascimento de Santa Isabel com a conversão do avô e com a união da família, do avô com o pai.

Pronto, e então ela passa esta infância sempre muito bem educada, aprendeu várias línguas, francês, espanhol, castelhano, etc. Depois mais tarde ainda vai aprender o português, latim também, conseguia ler perfeitamente em latim. E então começou, a fama dela começou a chegar às várias cortes da Europa de alguém de uma princesa muito bem educada e começou a ficar muito famosa assim. Então várias pessoas vão se apresentar, vários nobres, a oferecer, várias casas reais a oferecer a mão, a pedir a mão de Santa Isabel.

Ela não queria, ela queria ser religiosa, clarissa, no mosteiro de Santa Clara que havia em Saragossa, mas por obediência ao pai, para cumprir um dever, Antón Casas. E é interessante que o pai escolheu Portugal porque os vários cortes que se ofereceram foi França, Inglaterra, Portugal. E tinha mais outras, mas assim, as principais. Até dizem que até o imperador do Império do Oriente, de Constantinopla, Bizantino, na altura não sei se era Bizantino, mas enfim.

Dessa zona, ofereceu a mão dele, que não, o Correio escolheu Portugal porque também era não muito longe.

?Voz A

Sim, bom deixar a filha mais pertinho.

?Voz B

Ele ainda tinha a esperança de um dia conseguir rever a filha, e depois há outro historiador português que diz de uma maneira mais poética que Correio só quis confiar a sua filha ao carinho português, não confiava em mais ninguém. É mais bonita, mais, há bem crença portuguesa. Pronto, mas é o lado mais poeta assim. Um poeta português depois escreveu sobre a vida dela. E também, outro lado assim mais político, que todos os que ofereceram para se casar com Santa Isabel não eram reis ainda, eram príncipes.

Então, e Dom Dinis já era rei na altura, quando ofereceu para se casar com ela. Tinha 20 e poucos anos. E então, Ele pensou assim, ela não vai sair daqui de princesa para permanecer princesa, ao menos que saia daqui princesa para ficar rainha. Ela merece mais. Então tem esse lado também. Então ela com 12 anos apenas vai fazer a viagem desde Aragão até Portugal, entra por Bragança. Primeiro há um casamento por procuração, etc. São maus-tratos típicos da época. E começa então a sua vida em Portugal.

?Voz A

Dom Dinis, que idade tinha nessa altura?

?Voz B

Era mais velho? Era mais velho, tinha 20 e poucos anos, 21, 22, se não me engano.

?Voz A

E já era Rei de Portugal.

?Voz B

Já era Rei, sim. E então, claro, ela era ainda bastante nova, só mais tarde é que vão ter os primeiros filhos, mas era normal naquela época casar-se assim, haver essa diferença de idades nos casamentos. E ela vai manter aquela vida de oração e de piedade que tinha, aquela rotina, e pronto. E é interessante porque vai ser nesta época que o reino de Portugal, com Dinis, aquele famoso ditado, né, Don Dinis fez tudo quanto quis, que ele apesar de infelizmente não ser fiel à rainha Santa Isabel, já vamos ver que isso vai ser uma cruz muito grande que ela vai ter que carregar.

Durante um período da vida que ele não lhe vai ser fiel e vai ter vários filhos bastardos, mas ela vai fazer uma coisa que na altura impressionou todas as pessoas na corte e o reino inteiro, que ela— tentaram provocá-la até a contar as coisas que o rei fazia, etc., mas ela por fidelidade ao rei e por virtude sobretudo, porque naturalmente falando é muito difícil aguentar uma coisa dessas, Ela não só vai tentar pouco a pouco ir demovendo o rei disso, como para além disso vai educar os filhos bastardos do rei no palácio também, dizendo que as crianças não tinham culpa dos pecados dos pais, digamos assim.

Então, essa bem-querença, essa virtude para com aquelas crianças que são filhos bastardos, não são filhos dela, e então já foi algo muito bonito, e que pouco a pouco o próprio rei vai ficando impressionado por essa atitude dela. E pronto, e também é nesta altura que é fundada a Universidade de Coimbra, por D. Dinis, mas com ela também na altura. Primeiro foi pedido um colégio de estudos gerais para Lisboa, mas depois foi estabelecido que a cidade universitária, digamos assim, seria Coimbra.

Então coincide É que a fundação da Universidade de Coimbra e um ano depois o nascimento do primeiro filho dela com o rei, que é o príncipe Dom Afonso, o filho primogénito enquanto homem, já tinha tido a filha Dona Constança. E então ela continua essa grande obra de caridade que ela começou a fazer, que dava as mãos aos pobres, ajudava os próprios filhos bastardos do rei, filhas de outros senhores pobres que ela ajudava para que não caíssem na miséria, arranjava-lhes casamentos para elas terem uma vida digna e não caírem em maus caminhos.

Então estas duas figuras começaram a brilhar muito no reino. Dom Dinis, enquanto famoso povoador e organizador, desenvolveu muito, não é? Ele visitou o país de norte a sul, foi visitando todos os sítios, ele quis visitar com os próprios olhos, Foi dando as famosas furagens.

?Voz A

As imensas furagens.

?Voz B

Até hoje se lembra os furagens que ele deu. As cidades sabem perfeitamente, as vilas, etc. E Santa Isabel, esse lado de caridade. E então, esta altura em que nascem os primeiros filhos dela, em que o rei já tem uma relação mais próxima com ela, é, digamos assim, um período mais, com menos provações para Santa Isabel, em que tudo, digamos assim, está a florescer. No entanto, começa a haver uma guerra em Portugal entre dois irmãos, entre Dom Dinis e o príncipe, o infante Dom Afonso, não era príncipe, era infante.

O que é que o infante Dom Afonso dizia? Eles eram, portanto, os dois filhos do rei, não é? Mas o casamento do rei com Dona Beatriz, de Dom Afonso com Dona Beatriz não tinha sido imediatamente aprovado pelo Papa, porque Portugal estava numa guerra com a Santa Sé, etc., uma guerra diplomática, não física. Dom Dinis é que vai conseguir uma concordata com Roma. E esse príncipe, esse infante Dom Afonso, diz o quê? Que Dom Dinis não é o filho legítimo que ela quer, porque a aprovação do Papa do casamento só veio depois do nascimento de Dom Dinis e que ele é que nasceu depois dessa bula em que o Papa aprovou esse casamento.

Só que isto legalmente também não tem valor, é uma— Porquê? Porque se o Papa legalizou o casamento, legaliza os frutos mesmo anteriores, posteriores, não é? Então começa aqui uma guerra entre os dois e ela é que vai servir também de elementos para reconciliar os dois, vai fazer tudo o possível. Então até há um acordo, porque ela quando vai para Portugal, um dos dotes que ela recebeu foi várias vilas, Sintra, Ourém, várias cidades.

Então há uma troca que ela faz com o príncipe Dom Afonso, só que até essa troca já entrou algo de política, porque as terras que ele tinha eram muito perto da fronteira com Castela, e isso fazia com que sempre ele pedisse ajuda a Castela para formar o exército contra Dom Dinis e ao trocar essas terras, que ele ficou a ganhar mais rendimentos porque tinha mais rendimentos nessas terras, mas ficava mais longe da fronteira. Então Santa Isabel fez essa cedência, digamos assim, mas conseguiu a paz no reino.

Pronto, e depois O que é que se podia mais dizer aqui sem ficar muito pesado assim em termos de falar?

?Voz A

Sim, sim, estou a perceber. Temos assim, ou seja, essa foi a única vez que ela evitou a guerra? Não, pois futuramente ainda vai ter outros fatos.

?Voz B

Não, vai ter outra que é a mais famosa e é que lhe vai causar a maior dor porque era entre Dom Dinis e o filho dela, Dom Afonso.

?Voz A

Também é Dom Afonso, não é?

?Voz B

Também é Dom Afonso. Afonso de Jesus Afonso, não é? Tem o Dom Afonso, o infante Dom Afonso, que era irmão de Dom Dinis, D. Dinis e tem o D. Afonso, filho de D. Dinis e de Santa Isabel, que vai ser o futuro D. Afonso IV.

?Voz A

E como é que foi esta aprovação então de Santa Isabel?

?Voz B

Então D. Afonso começou a querer ser rei mais cedo do que seria o natural e começa-se a revoltar contra D. Dinis e sobretudo porque, entre outras razões, porque D. Dinis começa a favorecer muito um filho bastardo dele e colocam na corte, dar vários cargos e títulos e D. Afonso fica com com inveja, começa a ficar com inveja e começa a dizer, começa a inventar que Dom Dinis ia legitimar esse filho bastardo e que Dom Afonso ia perder os direitos ao trono.

Era mentira, Dom Dinis não ia fazer aquilo e várias vezes Dom Dinis tenta evitar esse confronto, mas Dom Afonso não se convence e começa então uma guerra física mesmo. Dom Afonso começa a conquistar várias cidades, há umas cidades que lhe abrem interamente a ele, mas a mais famosa foi que às tantas, depois de várias idas e vindas, ou seja, tem guerra, depois há um acordo, depois tem guerra, etc., seria difícil agora descrever isso tudo, mas o fato mais famoso e onde entra Santa Isabel, que é Dom Afonso às tantas consegue, entra por leiria dentro, que pertencia a Santa Isabel, era um castelo que pertencia a Santa Isabel, entra lá e depois tenta ir a conquistar outras cidades de Portugal.

Dom Dinis vai até lá, Dom Afonso foge, mas depois cria-se uma suspeita de como é que o infante, o príncipe Dom Afonso conseguiu entrar tão facilmente em Leiria, porque abriram-lhe as portas praticamente. Então começam a acusar Santa Isabel de estar de acordo, de estar a apoiar, e começam a dizer que ela estava a dar dinheiro, até a financiar. Quando não foi nada disso, Santa Isabel sempre tenta que o filho volte à obediência a Dom Dinis, mas de tal maneira as calúnias que fazem diante dela a Dom Dinis, que ela é desterrada, perde todas as suas terras e vai para— estava a ver se encontrava aqui o nome da aldeia, que estou-me a esquecer— onde ela foi colocada assim isolada, perde todo o poder que tinha que tinha.

Então o rei próprio passa a desconfiar dela. Então perde toda a influência que ela tinha no rei. Então fica o rei em luta com o filho, o filho também não quer saber, assim, Santa Isabel ouve os conselhos dela, mas ela também não lhe dá apoio, então também não, digamos assim, não mantém-se uma grande relação com ela. O rei desconfiado que ela estava a favorecer o filho Então fica isolada, sem poder fazer nada, isolada de tudo. Então imaginemos a provação, e ela inclusive escreve uma carta para o irmão dela, que entretanto tinha ficado rei de Aragão, a dizer que ela só tinha amargores e desgostos, e que era a maior provação assim, digamos, da vida dela, pelo menos até aquele momento.

?Voz A

Que é normal que os santos passem por grandes provações, então. Se ela é santa, também passou.

?Voz B

Exatamente. E então chega, a guerra continua, várias cidades são pilhadas, etc., mas os historiadores comentam que cada um começou a rasgar o próprio pano, o rei e o filho. Porquê? Porque o rei estava a destruir o próprio reino com aquela guerra com o filho, e o filho estava a destruir a própria herança. Pois o sítio onde eles queimavam, destruíam, então estavam a destruir os dois a mesma É a mesma coisa, não é?

?Voz A

A loucura do orgulho humano.

?Voz B

Embora aqui a culpa principal tenha sido, provavelmente, se é que se pode dizer assim, mas nós não estávamos lá para ver tudo, mas ao que tudo indica teria sido o orgulho do filho, embora a Dona Inês também esteve muito mal ao desconfiar de Santa Isabel, que era precisamente a solução para—

?Voz A

Ao favorecer tanto o filho bastardo, podia ser mais diplomata, mais assim.

?Voz B

E então isto vai chegar a um auge em que os dois estão com um exército perto de, nos arredores, na altura nos arredores de Lisboa, na região de Alvalade, o bairro famoso.

?Voz A

No campo.

?Voz B

E então os dois exércitos estão prestes a entrar em batalha e de repente surge, ela saiu do sítio onde estava, do desterro, quando Santa Isabel soube o que é que ia acontecer dessa batalha. Ela monta então uma mula e vai até ao campo, de iniciativa dela, ela estava desterrada. E no meio daqueles dois exércitos que estavam prestes a se enfrentar, surge então Santa Isabel montada numa mula e mediante a aparição dela os dois exércitos como que ficam suspensos, não é?

E então é muito interessante aqui também, aqui no livro, a descrição que faz, eu vou ler porque está escrito de tal maneira de uma maneira tão bonita que mais do que dizer pelas próprias palavras é interessante lermos aqui. Ele diz assim, então, estavam os dois exércitos frente a frente e ela surge a cavalgar a sua pequena mula e atravessar sem medo aos golpes e às lanças no meio dos contendores surpreendidos. Então, na longa clareira que deixa atrás de si, em que à sua frente espontaneamente se abre, ou seja, imagine ela a entrar Vai-se abrindo espontaneamente.

A frágil mulher avança cercada de luz, avança com a certeza de ser afinal a mais forte.

?Voz A

Interessante.

?Voz B

E de facto a vitória que obtém é total. Então ela conseguiu ali no auge daquela batalha conciliar os ânimos, não é? E então ela evitou esta guerra civil, este auge de guerra civil, porque a guerra civil chegou efetivamente a existir. E pronto, isto foi o episódio auge, até que em 7 de janeiro de 1325, D. Dinis morre. E ela foi fiel a ele até ao fim, ajudou até ao fim. E ela vai dizer uma frase famosa também, que vira-se para os senhores da corte, e diz: hoje não morreu apenas o vosso rei, morreu também a vossa rainha.

E a partir daqui ela passa a se vestir com o hábito de Santa Clara, Clarissa, e depois vai finalmente viver até onde ficou o resto da vida como Clarissa.

?Voz A

Mosteiro de Santa Clara.

?Voz B

Santa Clara, embora não tenha professado, tenha professado. Ela fica nesse mosteiro, chega a fazer até uma peregrinação até Santiago de Compostela e vai mais uma vez intervir a favor da paz que o rei dela, o filho dela, Dom Afonso IV, e o seu neto, que era rei de Castela, estavam prestes a fazer, a começar uma guerra. Então ela viaja até Estremouche, no Alentejo, para novamente impedir esta guerra entre estes dois. Só que já lhe tinham desaconselhado essa viagem, ela estava absolutamente frágil, e é lá então que ela vai morrer neste caminho que ela fazia para reconciliar.

?Voz A

E reconciliou, será?

?Voz B

Sim, com isto parou o próprio Dom Afonso.

?Voz A

Com a própria morte dela parou a guerra.

?Voz B

Acabou por parar, não é? Então, na manhã de 1 de julho, já não poderá à missa, ela ficou nesse quarto. Quinta-feira, 4, confessa-se e à volta dela está a nora, Dona Beatriz, e os netos e o bravil D. Afonso, segundo aqui o cronista, comovido e abatido do mal sem fim, a beijar contra a nora surpreendentemente as cinzas mãos que devagar arrefecem. E ainda tem uma parte mais bonita na hora da morte dela. Que ela estava, portanto, rodeada destas personagens que já dissemos aqui, e às tantas ela debruça-se, assim levanta-se ligeiramente da cama e diz para Dona Beatriz, a nora, diz: "Filha, dai lugar a essa senhora que aí vem." E toda a gente olha no quarto: "Mas que senhora é que vem?" "Então essa que por aí vai com essas vestiduras brancas." Então ela viu uma senhora vestida de branca aproximar-se e então toda a gente viu E ninguém viu nenhuma senhora vestida de branco, certamente uma aparição de Nossa Senhora. E então ela nesse instante falece.

?Voz A

Muito bonita a morte. Então já vimos assim um pouco a vida de Santa Isabel assim por alto, mas depois tem alguns fatos assim, já falamos um pouquinho da questão enquanto pacificador, mas temos o comentário talvez que o milagre das rosas, Que é muito conhecido também, e como foi essa alquimia lágrima que Santa Isabel fez durante a vida. Depois chegou a ser canonizada pelo Papa Urbano VIII em 1625, ou seja, 300 anos após a morte dela.

Ela foi canonizada como outra já para aquela época, que era uma santa popular, as pessoas rezavam muito para ser canonizada logo assim.

?Voz B

Porque logo ficou conhecida como a Rainha Santa. É mesmo, antes de ser canonizada, toda a gente acha mal.

?Voz A

Até hoje em dia é Rainha Santa, se vai a Coimbra sempre é Rainha Santa. Mas 5 milagres podemos dizer assim de Santa Isabel?

?Voz B

Então, acho que temos o milagre das rosas, que é evidentemente menos conhecido, não é? Que ela estava a levar pão aos pobres, ou dependendo da versão do milagre, estava a levar outras coisas, mas já alimentou aos pobres, aos mozos, o que seja, escondido para que a dona Inês não visse o que ela estava a levar. E quando Dona Inês viu-a a levar algo escondido, perguntou o que era aquilo, e ela então diz o famoso "São rosas, senhor", e quando abre o manto, de facto aparecem rosas numa altura em que não nasciam rosas.

Então esse é o milagre mais famoso. Existem aquelas eternas discussões dos historiadores que metem em causa, em dúvida, etc. Pronto, quem quiser.

?Voz A

Eu procurei Santa Isabel da Hungria, né, a tiavó dela tem um milagre semelhante. Pode haver uma certa confusão entre qual das santas, Isabel, né, dentro da legenda, né, que é que passa para a história.

?Voz B

Agora existe um milagre que de facto é muito mais impressionante do que esse e que vemos várias vezes ao longo da vida dela, que é reconciliar famílias que estão— reconciliar a família que está desunida. Então esse talvez seja o maior milagre dela, é conseguir essas reconciliações. Mas existem outros milagres que aconteceram. Primeiro, relativamente ao seu corpo, porque ela morreu em Estremouche e ela teve que, portanto, em julho, uma altura em que já— calor, já está calor.

E ela queria ser sepultada em Coimbra, no Mosteiro de Santa Clara. Até tinha preparado a tumba, até hoje existe o primeiro túmulo dela lá no Mosteiro de Santa Clara. Mas já estavam na dúvida se levavam o corpo dela ou não, porque tinham medo que com a viagem Aquele calor que fosse impossível que o corpo comece a se deteriorar, e aquilo demorava vários dias até chegar de Estremoz até Coimbra. Não sei quantos dias daria na altura, mas é longe, digamos, não é perto.

No entanto, fizeram a mesma e não aconteceu nada, ou seja, o corpo não se deteriorou e ainda exalava um aroma muito agradável. Anos mais tarde, quando foram abrir o— fazer a exumação, talvez se encontrava aqui a data. Talvez se encontrava, mas não. Pronto, anos mais tarde, o corpo é de facto, como até hoje está, embora não seja visível, incorrupto. Para além disso, várias pessoas iam ao túmulo rezar e pedir. Então existe, me parece, um inumerável lista de milagres que se deram, que pessoas foram lá pedir a intercessão dela e que obtiveram.

Para além disso, e este é mais interessante ainda, que várias vezes em que Portugal passava por épocas de crise, o túmulo dela espalhava outra vez aquele aroma muito agradável, talvez o cheiro, o perfume, o cheiro a rosas, Não sei se é rosas ou não, mas é um perfume agradável. E no fundo tranquilizando, Santa Isabel tranquilizando, as pessoas vão lá rezar, no fundo ela está ali a proteger e a abençoar Portugal. E certamente ela, aqui o escritor João Amial, no fundo acaba com esta conclusão, que é a santa da paz portuguesa.

A voz dela é a voz da santa da paz. Português. Então, principalmente este colocar em paz, vemos deste colocar em paz moralmente, principalmente, por exemplo, o avô, não é, que mudou de vida, ou paz entre pai e filho, esposo e mulher, etc. Então, talvez seja os maiores milagres.

?Voz A

Então ficamos aqui com uma ideia assim geral de da vida de Santa Isabel de Portugal, pela qual a festa que vamos comemorar daqui a 2 dias, no dia 4 de julho, e até em Coimbra tem uma procissão lindíssima, e o próprio corpo dela, acho que em alguns jubileus assim, é mostrado ao público, mas habitualmente no dia dela, nesses dias, podem pesquisar, ele fica à mão, à mão tem aquela urna de Cristo de prata e a mão incorrupta dela fica visível para as pessoas rezarem.

Muito interessante até para os nossos seguidores visitarem o Mosteiro de Santa Clara, a nova, se não me engano, porque tem a Santa Clara velha e a Santa Clara nova. Até há uns anos fizeram lá o concerto de Natal e tudo também. É um sítio muito abençoado, um mosteiro muito abençoado mesmo e sentes muita presença da Rainha Santa Isabel. Por isso terminamos este podcast e vamos rezar Santa Isabel de Portugal também por Portugal, por todas as famílias portuguesas e por cada um de nós, para que ela nos conceda muitas graças.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Virgem Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. Santa Isabel de Portugal, rogai por nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Salve Maria!

Santa ISABEL de PORTUGAL: a Rainha Santa, o Milagre das Rosas e a História | EP. 25 | Castnews Index — Castnews Index