Episódios de Magnificat - Podcast Católico

O Combate Espiritual: o livro que ensina a vencer o pecado | Podcast Magnificat | EP. 28

29 de julho de 202646min
0:00 / 46:22

Há uma batalha invisível que todos travamos diariamente: o combate pela nossa alma.Neste episódio do Podcast Magnificat, mergulhamos na obra clássica O Combate Espiritual, escrita pelo padre Lorenzo Scupoli, um dos maiores mestres da espiritualidade católica. Publicado pela primeira vez em 1589, este livro influenciou profundamente santos como São Francisco de Sales e continua a ser um dos mais importantes guias para quem deseja crescer na vida espiritual. Neste episódio falamos sobre:⚜️ O verdadeiro significado do combate espiritual.⚜️ As quatro armas indispensáveis para vencer as tentações.⚜️ Como lutar contra o orgulho, a tibieza e o amor-próprio.⚜️ O papel da oração, da vigilância e da confiança em Deus.⚜️ Conselhos práticos para viver a santidade no dia a dia.

Participantes neste episódio1
S

São Francisco de Sales

Host
Assuntos6
  • Luta EspiritualO Combate Espiritual · Concessão Galeão · Vida espiritual
  • Vencendo as batalhasConhecer a si mesmo · Conhecer o exército inimigo · Conhecer o campo de batalha · Preparação prévia
  • Santidade e FidelidadeConhecimento de Deus · Conhecimento de si mesmo · Oração · Exercícios espirituais
  • O Demônio como Pai da MentiraTruques do demônio · Categorias de pecadores · Escravos do pecado · Adiamento da conversão
  • O amor de Deus e a autovalorizaçãoDesconfiança de si mesmo · Confiança em Deus · Graça de Deus
  • Oracao EspiritualOração mental · Oração por intercessão · Rosário · Exercícios espirituais · Sacramento da Eucaristia
Transcrição103 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

No episódio de hoje vamos abordar uma questão fulcral para a nossa vida espiritual.

SFSão Francisco de Sales

É algo que a doutrina católica sempre ensinou ao longo da sua história.

?Voz A

Como é que deve ser esse combate? Como é que se deve preparar? Como é que se deve atacar? Como é que se deve defender?

SFSão Francisco de Sales

A primeira coisa que devemos saber é conhecer, portanto, a mim mesmo, conhecer o meu exército.

?Voz A

Se nós queremos ir para o céu, que essa é a nossa grande batalha que nós temos que ganhar, Mas é importantíssimo, se a pessoa está em estado de graça, a graça de Deus vai— quanto mais a pessoa rezar, mais se aprofundar nessas questões todas, a pessoa vai conhecendo mais a Deus. É o dom de sabedoria, não é?

SFSão Francisco de Sales

Quando acordar de manhã, a primeira coisa que deve fazer quando acordar é ter os olhos postos na batalha que vou ter que travar, que o meu dia vai ser uma batalha espiritual.

?Voz A

Salve Maria! Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do podcast Magnificat. No episódio de hoje vamos abordar uma questão fulcral para a nossa vida espiritual. E para isso, antes de dizermos qual é o tema, estamos aqui com o Irmão Francisco. Salve Maria! E vamos abordar uma questão importantíssima que, baseado num livro que já vamos sugerir, chamado O Combate espiritual. A nossa vida, a vida espiritual, é um combate, é uma guerra. É isso, irmão Francisco?

SFSão Francisco de Sales

Exatamente. Muitas vezes nós esquecemos dessa realidade, que vivemos em guerra, vivemos num combate. E podemos basear isto na Sagrada Escritura, não é só uma opinião pessoal. É algo que a doutrina católica sempre ensinou ao longo da sua história. Começa já no Génese 3:15, para quem quiser consultar, que é a famosa frase de: porém inimizades entre ti e a mulher, entre a tua raça e a tua descendência, e esta te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.

A famosa frase depois que Eva cometeu o pecado e foi expulsada, juntamente com Adão foram expulsos do paraíso, que Nosso Senhor, Deus diz então esta frase e que se aplicava àquela serpente que tentou Eva, no fundo ao demónio, e os descendentes de Eva, mas sobretudo aqui a descida espiritual de Nossa Senhora, como mais tarde São Luís Maria Grignion de Montfort principalmente vai aplicar a raça da Virgem, a raça de eleitos. Exatamente. Então começa com este combate entre a serpente e a mulher.

?Voz A

Essa inimizade, é impossível reconciliar esses dois lados que hoje em dia também diz muito, os filhos da luz e os filhos das trevas, né? Aqueles que andam nas trevas, os que andam na luz.

SFSão Francisco de Sales

Também é famosa aquela meditação dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, das duas bandeiras, né? Os dois exércitos, um comandado por Nosso Senhor Jesus Cristo, outro por Satanás e os seus quases.

?Voz A

Também tem uma frase famosa no livro de Jónas, se não me engano, que a vida do homem nesta terra é uma constante luta. E inclusive essa frase também nos baseia e ajuda a dizer que realmente a vida de um cristão é um combate, é um combate. Então no dia de hoje vamos ver como é que deve ser esse combate, como é que se deve preparar, como é que se deve atacar, como é que se deve defender, não é? Então por onde é que podemos começar essa preparação, essa luta, dessa batalha?

SFSão Francisco de Sales

Então nós pensamos analisar uma batalha, uma guerra normal, digamos, física, que é o homem como é corpial, mas às vezes precisa de exemplos mais concretos que nos ajudem a entender realidades espirituais. Então, antes de entrarmos provavelmente no livro do Combate Espiritual, sim, que é para mostrar já para nossos seguidores, o Combate Espiritual escrito por Lorenzo Scapoli, é um padre de Veneza, ou pelo menos o livro foi publicado em Veneza a primeira vez.

?Voz A

Sim, sim, mostra para a câmera que é o Combate Espiritual, está quase pouco focado assim. Combate Espiritual, Lorenzo Scapoli, é um livro, já aconselhamos para ler, já que vale a leitura obrigatória para quem quiser ter todas as armas necessárias para ganhar este combate.

SFSão Francisco de Sales

Para termos ideia, era conhecido por ser o livro de cabeceira de São Francisco de Sales, anterior a São Francisco de Sales, que foi escrito. Pronto, e então, mas Antes de entrarmos no livro, como estava a dizer, vamos falar sobre a guerra.

?Voz A

Sim, sim.

SFSão Francisco de Sales

E Arte da Guerra. Arte da Guerra, exatamente.

?Voz A

Sun Tzu, como é que é aqueles japoneses?

SFSão Francisco de Sales

Clausewitz e Sun Tzu, os dois famosos. E isto tudo, uma parte vamos basear também, para além dos próprios livros da Arte da Guerra, mas num artigo que foi escrito na revista Autos do Evangelho. Quem quiser depois pode consultar o artigo. Que é de março, e o título é Primeiro Vencer, Depois Combater. Isso aqui já é meio intrigante, que a pessoa tem ideia que a vitória vem só depois de combater, mas aqui no caso nós temos primeiro vencer e depois combater, e já vamos perceber o que é que isto quer dizer.

Agora, numa batalha, o que é que é preciso para numa batalha eu ganhar a batalha? Eu tenho primeiro conhecer-me a mim mesmo, tem que ser o meu exército, não é?

?Voz A

Se eu não tiver exército, as capacidades que tem, ou as falhas também, não é?

SFSão Francisco de Sales

Exatamente. Sei lá, se tenho um exército principalmente composto por unidades de cavalaria, digamos assim, eu sei que tem que ter enfrentar o inimigo não em coisas muito estreitas, em ruas, porque o cavalo não consegue fazer uma carga de cavalaria no meio de um beco ou numa montanha, até atrapalha, digamos assim. Ou o inverso, se eu tenho soldados, sei lá, são camponeses que se revoltaram contra um exército. Então não adianta enfrentar em campo de batalha limpo, porque os camponeses não vão conseguir, não estão habituados, não fizeram treino militar.

Combatem muito melhor se for uma coisa de guerrilha, e aí sim, ruas estreitas, emboscadas, armadilhas. Então, primeira coisa, tenho que conhecer-me a mim mesmo, conhecer o meu exército, e depois tenho que conhecer o exército inimigo também. Então a primeira coisa que devemos saber é conhecer, portanto, a mim mesmo, conhecer o meu exército e conhecer o inimigo. E depois também o terreno em que se vai dar a batalha, né?

?Voz A

O campo de batalha.

SFSão Francisco de Sales

Porque acontece muitas vezes, e esquecemos muitas vezes quando estamos na nossa luta espiritual, para alcançar alguma virtude, que fala-se muito do exame de consciência. Evidentemente que o exame de consciência é algo muito bom, que deve ser feito com a frequência adequada. No entanto, só o exame de consciência não chega. Seria mais ou menos, e exemplo que estão aqui no artigo, seria mais ou menos como numa batalha. No fim da batalha eu vou ver, vou fazer o cálculo de quantos soldados é que eu perdi naquela batalha, para ver quantos soldados inimigos é que foram é que conseguimos eliminar.

Portanto, o exame de consciência é mais ou menos ver o que é que correu mal depois da batalha. Mas ninguém ganha uma batalha só a pensar o que é que aconteceu mal. Aquilo serve para quê? Para depois fazer um exame de como é que eu na próxima batalha vou conseguir vencer. E antes de cada batalha, a pessoa deve fazer então este, podíamos chamar assim, exame de previsão, para ver que batalha é que eu vou enfrentar, qual é que é o inimigo que eu vou enfrentar, se já conhecia, se não é, pode ser que já tenha já os trunfos para vencer esse inimigo.

?Voz A

Interessante. E qual é que o quarto ponto? Pois, cara, daqui a pouco vamos começar a aplicar então para a vida espiritual, não é? Mas é conhecer-se a si mesmo, conhecer o exército adversário, o campo de batalha, e pronto.

SFSão Francisco de Sales

E a preparação prévia, ou seja, não adianta ir para a batalha sem estar preparado para ela. Então imaginemos que nos foram, foi já dado um exército para a mão. Olha, está aqui este exército, você tem que levar a cabo tal batalha assim, tem que ganhar. O que é que a pessoa ia fazer? Ia estudar isto tudo com o máximo afinco, estes pontos todos. E quando fosse para a batalha, ninguém ia pensar assim: bem, já tenho aqui o exército, é onde calhar a batalha vai ser, onde calhar não, porque a própria vida está em risco, a vida dos outros soldados está em risco.

A pessoa prepara-se enormemente. Ora bem, no campo espiritual, o que está em jogo não é a minha vida material, pelo menos não é só vida ou morte ou uma vitória humana. O que está em risco é a minha própria alma. A eternidade toda vai estar dependente de alcançar esta vitória ou não. Então é algo muito mais importante. Então evidentemente que exige muito mais sabedoria para conduzir esta batalha espiritual do que para conduzir esta batalha imaginária física, mas para combater uma batalha física.

Então, quanto maior a preparação, vemos que mais provável é sairmos vencedores. O exército que se preparar melhor, bem, preparar melhor para a batalha, tem mais probabilidades de vencer. E por isso é que existem dois ditados famosos em latim, que é o civis pacem para bellum, ou se queres a paz prepara-te para a guerra. E o famoso então, que foi o título desta dica, é: é preciso primeiro vencer e depois combater. O que é que é esta vitória anterior que aqui falava? É, no fundo, é fazer este cálculo todo de como é que vai ser a batalha.

?Voz A

É um planeamento.

SFSão Francisco de Sales

Planeamento, exatamente. Se a pessoa não venceu primeiro este passo, não adianta ir para a batalha despreparado, que não vai vencer. A vitória foi preparada muito antes, ou seja, a vitória é uma consequência, o combate vitorioso é uma consequência dessa vitória posterior, dessa preparação anterior.

?Voz A

Prévia, né? Prévia, exatamente. Interessante, então já estamos a ver, queridíssimos seguidores, esta matéria importantíssima do combate espiritual. Então, se nós queremos ir para o céu, que essa é a nossa grande batalha que nós temos que ganhar, ir para o céu, vencer todas as concupiscências, demónio, mundo, a carne, todas as tentações, provações, se chegar à santidade. Então nós temos que saber lutar, saber fazer este combate espiritual.

E agora podemos, ou seja, é uma aplicação prática destes princípios ou tem algum desenvolvimento maior?

SFSão Francisco de Sales

Então podemos ainda desenvolver um pouco mais. Este exemplo até não está aqui no artigo, mas o senhor Dr. Plínio Correia de Oliveira, que costumava dar este exemplo. Todos nós, pelo menos em Portugal, na Europa, já vimos castelos. Sei lá, nós aqui temos muito perto o Castelo de Guimarães, mas cada cidade aqui tem o seu castelo, ou muito perto de um castelo. E todos nós já vimos os castelos e são bonitos, mas eles foram preparados para um fim muito específico, que era proteger aquela cidade.

Mas fomos analisar, os castelos foram preparados para a guerra, mas não foram preparados em tempo de guerra. Ninguém prepara um castelo durante a guerra, só prepara o castelo— foram preparados em tempo de paz. Porque eram pessoas previdentes na altura e sabiam que daqui a algum tempo podia haver uma guerra. Então, e durante a paz, cada um estava a preparar-se e a construir o seu castelo. Então isto é o que acontece também todos os dias connosco, que é nós vamos ter que enfrentar lutas ao longo do dia, mas se não prepararmos o castelo anteriormente, antes de irmos para essa luta, não adianta.

Pronto, isto é outra forma de dizer um pouco o que foi dito anteriormente, mas preparar as defesas antes. E então agora vermos aqui, já entrar talvez aqui no livro. Então, como é que se aplica isto concretamente? Qual é que é o nosso inimigo e qual é que é, quais são as armas que nós temos, o que é que não?

?Voz A

O campo de batalha.

SFSão Francisco de Sales

Sim, a primeira coisa é, evidentemente, que em 30 minutos ou um pouco mais não dá para descrevermos o inimigo todo, até porque cada um vai ter os seus inimigos e cada um vai ter que conhecer. Isto é apenas uma introdução, digamos assim, para ajudar a pessoa depois a desenvolver. Mas aqui no combate espiritual É muito interessante vermos o seguinte: qual é que é o objetivo do combate espiritual? O que é que nós queremos conquistar?

É muito simples. Nós queremos conquistar nesta terra a santidade, a virtude, o mais que seja possível, e a salvação da nossa alma. Ponto. Uma pessoa consiga viver, lutar, lutar, lutar, e salva sua alma, venceu a batalha. Então qual é que é o assim, o principal inimigo somos nós mesmos. Ou seja, cada um tem que se vencer a si mesmo, e essa é uma vitória muito mais difícil do que contra outro qualquer inimigo exterior. A pessoa vencer-se a si mesmo.

Então, para alcançar a perfeição, o Padre Lourenço vai dizer que existem 4 coisas que é preciso para conquistá-la. Então, o capítulo 1 começa assim, o título do capítulo: o que é perfeição cristã, o combate para conquistá-la, e as 4 coisas necessárias para esse combate. Então ele vai primeiro dizer, então qual é que é o nosso objetivo? A vitória é alcançar a perfeição. Agora, o que é que é isso? O que é que é ser santo, digamos assim?

Temos até aquele outro episódio que talvez explique um bocadinho mais o que é que é ser santo ou não ser santo.

?Voz A

Essa questão está colocada na descrição do—

SFSão Francisco de Sales

exatamente, para ver e desenvolver mais este tema. Mas às vezes pode acontecer um erro, e ele vai dizer aqui, se alguém acha que se eu rezo muitos terços, se eu vou a muitas missas, se eu sou religioso, cumpro a regra toda a 100%, se eu faço muitos jejuns, muitas vigílias, se eu faço isso, então já alcancei a perfeição, estou justificado, já sou santo, não faço mal a ninguém, rezo muito, Pronto. E não é isso. A perfeição evangélica pode-se alcançar através destes meios, mas eu não posso fazer deste meio um fim.

Porque a primeira coisa que a pessoa, uma das coisas que a pessoa deve conseguir é a humildade, né? Deixar o orgulho e a humildade. E uma pessoa que faça essas coisas todas, mas no fundo por orgulho, pá, então já está a manchar aquelas obras que de si seriam boas, não é?

?Voz A

Sim, isso talvez seja até dos pontos mais importantes que existem na questão desse paradoxo entre a humildade e o orgulho. No fundo, assim como o primeiro pecado de Adão e Eva foi de orgulho, também na nossa alma, vai haver esse paralelo. Ou a pessoa vai pelas vias da humildade ou vai pelas vias do orgulho. E quanto mais a pessoa for mais humilde, mais vai depender de Deus, vai confiar em Deus, vai ser mais santa. E quanto mais a pessoa for orgulhosa, vai depender de si mesmo, confiar em si mesmo e ficar mais longe de Deus.

E ainda os 4 pontos, quais são os 4 pontos que o Padre Lourenço Scappoli diz aí?

SFSão Francisco de Sales

Portanto, nós temos de crescer no conhecimento de Deus para alcançar a perfeição. Conhecimento de Deus, conhecimento de si mesmo, e alcançamos isso através da oração e de exercícios.

?Voz A

Portanto, são estes 4 pontos: conhecimento de Deus, conhecimento de si mesmo, Oração e exercícios espirituais.

SFSão Francisco de Sales

Toda a seta depois vai desenvolver-se.

?Voz A

Então podemos ver um, ou seja, comentar a cada ponto, não é? O primeiro, como é que podemos aumentar no conhecimento de Deus?

SFSão Francisco de Sales

De Deus. Então, para aumentar no conhecimento de Deus, nós temos que começar por desconfiar de nós mesmos.

?Voz A

É isso.

SFSão Francisco de Sales

Interessante isso. E é de tal maneira, ele diz assim, logo no capítulo 2, logo assim, a desconfiança de si mesmo. Isto foi escrito por uma senhora, e ele diz assim, a desconfiança de si mesmo, filhinha, é tão necessária neste combate que sem ela podes ter por certo que não só a vitória almejada será perdida, mas também será perdida a batalha contra a menor das paixões. Então não vou conseguir conhecer a Deus se eu confiar em mim mesmo.

Eu tenho que primeiro desconfiar de mim. Nós somos naturalmente fracos e inclinados a uma falsa estima de nós mesmos. Então este ponto é interessante.

?Voz A

Santo Agostinho dizia que só existem dois amores na atividade de Deus, ou o amor de Deus até ao completo esquecimento de nós mesmos, ou o amor de nós mesmos até ao completo esquecimento de Deus. Não existe, é um meio termo ali. Então é bom sempre desconfiar de si mesmo.

SFSão Francisco de Sales

Pois ele agora vai subdividir isto, não vamos conseguir ver, mas quais é que são os meios que eu tenho para desconfiar de mim mesmo? Mas pronto, vamos só ler aqui o título assim, porque interessante é que a pessoa depois vá ler o livro. Mas é, o primeiro meio é considerar o quão vil e limitado é o teu ser, ou seja, não ser ilimitado, só Deus é que é ilimitado, digamos assim. Então a primeira coisa é ver o quão ilimitado nós somos.

Mesmo a pessoa mais inteligente do mundo é limitada. Há coisas que ele não entende, que vai ser incapaz de fazer. Às vezes existem pessoas muito inteligentes, mas depois são incapazes de fazer uma coisa prática simples. Não são espertas.

?Voz A

São inteligentes, mas não são espertas. São práticas, não é? Às vezes uma pessoa mais simples consegue fazer uma coisa prática que uma inteligente não consegue.

SFSão Francisco de Sales

Depois a segunda diz assim: com fervor e humildade peças ao Senhor essa virtude, que é por dom dele. Então desconfiar de si mesmo é um por dom de Nosso Senhor, porque sem essa graça nós não confiamos em nós mesmos.

?Voz A

É uma graça, sim. E é interessante que estávamos a dizer há pouco, a pessoa quando é humildade faz com que nós passamos a depender de Deus, não somos seres autossuficientes que nos bastamos a mim. Automaticamente começa a rezar mais, porque quem é humilde em princípio reza, não é? Quem é humilde vai pedir ajuda, quem é orgulhoso não vai pedir ajuda a Deus.

SFSão Francisco de Sales

Ele diz então que o terceiro meio é cultivar o hábito de confiar de ti mesmo e dos juízos e ter consciência da tua forte inclinação ao pecado. Etc. Este é o terceiro meio, já é pouco consequência dos outros. E o quarto meio, este também é interessante, que é aproveitar as próprias quedas no pecado para aprofundar a consciência da tua fraqueza. E aqui é interessante ver porquê, porque às vezes acontece que a pessoa cai e a tendência logo é desanimar.

Sim, fica muito surpreendido. Quando a pessoa devia ficar surpreendida era ao contrário, não é? Quando pratica uma coisa bem, ó, impressionante, consegui praticar uma coisa bem, milagre, digamos.

?Voz A

Sim, sim, sim. Então até existe aquela metáfora também há pouco, perdão muito, da questão da guerra. Ou seja, ele perdeu aquela guerra, aquela batalha, né? Não perdeu a guerra ainda, mas perdeu aquela batalha. Mas ele vai aprender com aqueles erros, como não cair no mesmo erro, né? E às vezes a pessoa fica só realmente na lamentação. Lamentar-se não vai resolver nada, né? Então tem que Mas ele ia dar algum exemplo, o irmão Francisco?

SFSão Francisco de Sales

Diz que tu tens aquele livro também que era interessante, mas é A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas.

?Voz A

Ah, sim, de Jean Tissot? Não, não é Jean Tissot.

SFSão Francisco de Sales

Mas isso já é um pouco, mas relaciona-se aqui com isto.

?Voz A

Sim, sim, também é uma matéria bem interessante. A arte fica para um próximo podcast sobre essa arte de aproveitar as próprias faltas.

SFSão Francisco de Sales

Exatamente. E agora então, já que desta desconfiança de si mesmo, que vai nos ajudar não só no conhecimento de Deus, mas também no conhecimento de si mesmo, evidentemente. Mas nós estamos a ver ainda o conhecimento de Deus, que é então passar a ter confiança em Deus. Então ele também vai dizer 4 modos da pessoa obter a confiança em Deus. E também vamos ler assim muito, ler traspas, não é? Vamos citá-los aqui. Então é pedi-la com humildade ao Senhor.

Novamente, temos que ter confiança em Deus. A segunda é considerar e ver com os olhos da fé a onipotência e sabedoria infinitas daquele Ser Soberano. Pronto, então, e que Deus está disposto a dar-nos estas vitórias, estas vitórias contra si mesmo, Deus está disposto a dar-nos, mas temos de ter esta confiança em Deus, mas temos de estar constantemente a nos relembrarmos disto. Se nós não estivermos a considerar, como ele diz aqui, considerar no fundo é olhar para esse aspecto, não vamos obter essa confiança em Deus.

Depois, o terceiro meio é recorrer às verdades e oráculos infalíveis da Sagrada Escritura. E é interessante aqui também a pessoa ler de vez em quando a Sagrada Escritura, não só no domingo quando vai à missa, mas também ler habitualmente, sem dúvida, meditar nas Sagradas Escrituras. Até citando outro também, outra vez outro podcast, aquelas coisas para treinar. Se a pessoa tiver a Bíblia em casa, é mais fácil de consultar e cumprir este ponto.

E depois, e o quarto e último meio, que permite ao mesmo tempo, ele diz aqui, teres confiança em ti mesmo e confiança em Deus, é ter em mente a própria fraqueza e invocar o poder, a sabedoria e bondade infinita de Deus. Pronto, aqui foi então assim a relação à pessoa ter O primeiro, uma coisa prévia para alcançar o conhecimento de Deus e por consequência também o conhecimento de si mesmo.

?Voz A

São dois pontos bem importantes. Claro, além disso também se podia acrescentar estudar a doutrina católica para conhecer mais a Deus, mas acima também não sei se depois já vai citar, mas a questão da vida da graça em nossa alma, que nós temos falado também noutros podcasts sobre isso. Mas é importantíssimo, se a pessoa está em estado de graça, a graça de Deus vai, e quanto mais a pessoa rezar, mais se aprofundar nessas questões todas, a pessoa vai conhecendo mais a Deus, né?

É o dom de sabedoria, né? Um dom do Espírito Santo, na qual a pessoa através dos olhos de Deus consegue perceber todas as criaturas também. É muito interessante.

SFSão Francisco de Sales

Isto é fundamental, ou seja, sem a graça nós não podemos fazer nada, né?

?Voz A

Vamos perder mesmo, vamos ser uma desgraça, né? Nosso combate vai ser uma desgraça. Sem a graça de Deus. Então, principalmente para ganhar este combate espiritual através da graça. E que mais poderíamos falar sobre? Já tem mais alguma coisa sobre conhecimento de si mesmo, alguma coisa específica?

SFSão Francisco de Sales

Sim, desenvolve bastante aqui a questão do conhecimento de si mesmo. E depois até tem aqui, mas é que seria mais longo para desenvolver, fica aqui um conselho para quem quiser ler, mas é como é que podemos saber se quando agimos, agimos com confiança em Deus e desconfiança de nós mesmos. Ou seja, tá bem, eu já sei que tenho que ter confiança em Deus e tenho que ter desconfiança de mim mesmo, mas agora como é que eu sei se quando agir estou a agir?

Ele até vai dizer assim: muitas vezes a alma presunçosa acredita ter adquirido a desconfiança de si mesmo e a confiança em Deus, mas este é um erro que só se conhece bem no momento em que se cai no pecado, porque então a alma se inquieta. Então muitas vezes a pessoa, não, já desconfio de mim mesmo e caio em Deus. E depois vai, cai, cai num pecado, tem um susto. Como é que isto aconteceu?

?Voz A

Foi preciso comigo fazer isto.

SFSão Francisco de Sales

Então essa pessoa caiu nesse pecado, é muito simples, é porque agiu confiante em si mesmo, teve a presunção de que já confiava em Deus quando na prática confiava em si mesmo. Ele diz assim, estas coisas deveriam ser bem consideradas por certas pessoas que se imaginam muito cristãs.

?Voz A

Às vezes a pessoa acha que é um colosso, E não há.

SFSão Francisco de Sales

E portanto, às vezes certas faltas Deus permite que aconteçam porque ela cometeria uma falta muito maior, que de orgulho, se não caísse naquela falta. E depois diz assim: devem recorrer principalmente para salvarem-nos dos pecados ao sacramento da penitência e fortalecerem-se contra as recaídas pelo sacramento da Eucaristia. Então voltamos sempre aqui aos sacramentos, à importância da graça, da graça.

?Voz A

Então rezar, confessar, para deixar de confiar em si mesmo. Também há uns tempos tratava de um livro, também um livro bem interessante. Agora tenho medo de me trocar com o nome, mas o Padre Miguel Vilafuentes, acho que é assim, um padre espanhol, tem vários livros assim famosos, um que é Revestidos de Misericórdia, etc., mas tem um que é sobre, ele fala sobre o exame de consciência particular e também sobre o vício capital e sobre os vícios capitais e sobre os temperamentos.

Ele misturou os 3 temas nesse livro. É um livro bem assim, não é muito grande, mas é muito interessante e que também acho que essa obrigação é nesta parte, não é? O conhecimento de nós mesmos, quando a pessoa tem o hábito de fazer um bom exame de consciência, como que estávamos a falar há pouco, não só ver também os lados negativos, mas ver os progressos que fez, preparar as próximas batalhas, né? E mas também é importante a pessoa saber qual é o seu vício capital, vício dominante, saber aquele defeito que normalmente caímos com mais frequência e tudo, para não voltar a cair nos mesmos, ter esse conhecimento de si mesmo.

SFSão Francisco de Sales

Sim, porque Às vezes a pessoa comete, sei lá, um pecado que não é diretamente contra o vício capital, mas a causa, a fonte foi o vício capital. Então a pessoa fica só a combater aquele vício, mas na realidade aquele vício é fruto desse vício capital que a pessoa nem se deu conta que tem, digamos assim.

?Voz A

Sim, sim, sim, não vai à fonte, fica só a atacar o que acontece, né?

SFSão Francisco de Sales

E pronto, agora depois vem aqui com Coisas muito interessantes que ele vai passando, tipo de faltas. Vamos ver aqui algum exemplo, sei lá, por exemplo, como combater a negligência ou o modo de governar a língua.

?Voz A

Isso é interessante, o modo de governar a língua.

SFSão Francisco de Sales

Então vamos ver aqui a língua, já vendo que, claro, não vamos conseguir passar todos, mas vamos ver aqui o modo. Tem o modo de combater a negligência e o modo de governar a língua.

?Voz A

Já temos que marcar um podcast sobre o silêncio. Ficámos aqui uma hora em silêncio, vamos ver como vamos aprender muitas coisas, Nata. Mas como é, o silêncio é importante. Quem pouco fala, muito acerta, diz a sabedoria popular. Ao contrário, quem muito fala, pouco acerta, não é? Mas quem pouco fala também acerta muito. Imagina o modo de moderar a língua então.

SFSão Francisco de Sales

Então vamos ver assim. A língua do homem tem grande necessidade de ser controlada e refreada. Porque somos muito inclinados a deixá-la correr solta e descorrer sobre o que mais agrada aos nossos sentidos. E depois assim, o falar demais geralmente tem a sua raiz na soberba, ou seja, no orgulho, não é?

?Voz A

Quem fala muito é orgulhoso, diz aí.

SFSão Francisco de Sales

E diz assim, com o qual convencidos de saber muito e da superioridade de nossas opiniões, procuramos impô-las aos outros, querendo ter sempre a última palavra.

?Voz A

Interessante esses sintomas.

SFSão Francisco de Sales

É interessante, diz assim: a lucrosidade é mãe da preguiça, sinal de ignorância e imaturidade, porta da distração, provedora da mentira e inibidora da devoção e do fervor.

?Voz A

Estamos a ver as vantagens de guardar o silêncio nas horas certas.

SFSão Francisco de Sales

Exatamente. Então vemos aqui, ele começa pelas consequências e ele vai dizer assim então que uma das Uma das formas de moderar a língua. Então vamos começar pelo silêncio. Ele diz assim, realmente isto que já estamos a comentar, que o silêncio é uma grande fortaleza no combate espiritual e uma garantia segura de vitória. É amigo de quem desconfia de si mesmo e confia em Deus. Então não sei como aplicar isto assim mais para os dias atuais.

Para nós que vivemos numa comunidade religiosa é fácil, porque tem sempre períodos de silêncio a partir de uma certa hora do dia. De manhã também tem o período de recolhimento, de silêncio. Mas mesmo uma pessoa que tem uma vida de família, etc., também devia, e tem este problema de falar demais, falar coisas que não deve, criticar quem não deve, etc., talvez comece por tentar ao longo do dia arranjar um período para ter momentos de silêncio.

?Voz A

Inclusive hoje em dia, agora não estou a lembrar do termo, mas não é lixo auditivo, tem um nome assim, Que é sempre ruído, acho que é ruído. Então às vezes, porque a gente que tem, já não consegue viver sem ter, por exemplo, uma televisão ligada em casa, mesmo que não esteja a assistir a televisão ou um rádio, tem que ter sempre alguma coisa de fundo, tem que ter algum ruído. E às vezes a pessoa só desligar, hoje em dia não sei se ainda existe o problema das rádios, mas desligar a televisão e ficar em silêncio.

No século 21 a gente já não consegue, precisa de bordo dos carros, precisa então recolher-se, ter um período de silêncio. Por exemplo, vai para o trabalho, em vez de estar a ouvir, a saber alguma coisa de fundo, reza um terço, por exemplo, na viagem. É um período de recolhimento, pensar, fazer um exame.

SFSão Francisco de Sales

Nem que seja agora entrar numa capela, por exemplo, que tenha, ou que nem tem, pode mesmo não ter, mas entrar numa capela durante o dia, num período tenha livre de intervalo, de trabalho, ainda melhor. Entra, para, fica, experimenta 5 minutos em silêncio.

?Voz A

Esse é importantíssimo. Estamos num século de ruído, de agitação, do imediato, né? Tudo tem que ser instantâneo, descartável, tudo tem que ser rápido. E às vezes precisamos de um pouquinho de parar, né?

SFSão Francisco de Sales

Silêncio. Então, e depois ele também diz assim, isso foi, volta a dizer, foi escrito para uma senhora, não é? Para uma senhora. Então, para te acostumares a ficar calada, considera os danos e perigos da loquacidade e as grandes vantagens do silêncio. Então não basta eu, primeiro tenho que reconhecer que tenho este defeito de falar demais, por exemplo. Então primeira arma, silêncio, fazer períodos de silêncio. A segunda arma é pensar primeiro no, nas No dano que eu posso causar às outras pessoas e a mim mesmo por falar o que não devo ou falar demais.

?Voz A

Aliás, tem uma frase de São Francisco de Sales que diz o seguinte, outro dia alguém me enviou, mas quando pela fofoca, pela murmuração dos pecados dos outros, então são 3 os que são lesados nisso: quem fala mal, quem ouve e a pessoa de quem eles estão a falar mal. São sempre 3 os prejudicados. Agora acontece isso quando a pessoa fala mal dos outros, acontece isso.

SFSão Francisco de Sales

Também havia aquele exemplo, não sei se foi só Francisco de Sales, ou só, olha, deve ser, António deve se lembrar, que ele mandou comprar uma galinha na feira, a pessoa, e disse para ir desde a feira até à igreja, de volta depois de ter de comprar, a tirar as penas todas da galinha, a tirar uma por uma. Então ia andando e ia tirando as penas todas. Então imaginemos, do caminho da feira até à igreja, despenuou a galinha toda. E quando chegou à igreja, então já está aqui a galinha sem penas, já despenhei toda.

E o padre, pronto, então agora apanha as penas todas. Impossível, porque já o vento já foi. Não, ele, pois é, exatamente com as suas palavras que a senhora atirou ao vento. Agora como é que vai apanhar todos os boatos que lançou?

?Voz A

Fofocas, tudo isso. Matemática, até claro, não é tema de agora disso, mas é questão do 8º mandamento, de não mentir. Às vezes não é só não mentir, mas é não murmurar, não caluniar, não difamar. Os outros são dos mandamentos muito esquecidos e pouco conhecidos. E que mais podemos então avançar com o nosso combate espiritual? Temos essas questões, os conselhos que ele dá práticos, do conhecer a si mesmo, os pecados, né, conhecer os vícios também, né.

SFSão Francisco de Sales

Vamos ver aqui, ele tem aqui depois os truques, porque claro, um dos nossos inimigos que mais nos tenta é o demónio. Então ele começa agora, já tivemos nesta parte conhecermos a nós mesmos, não é? Vemos os nossos defeitos. Agora ele também começa a desenvolver quê? Quais são as táticas que o demónio usa para nos tentar? Também interessante, também é um matemático, interessante ver isto. Então, os truques usados pelo demónio contra aqueles que reconhecem a servidão e em que ele se encontra e dela querem livrar-se.

Porque ele depois vai dividir isto em várias categorias de pessoas. Nós podemos estar numa destas e ele vai utilizar uma tática diferente, o demónio, para cada categoria de pessoa conforme seja o seu estado na vida espiritual. Então, há os que são escravos do pecado e não têm intenção de se livrarem dele.

?Voz A

Então, pecado e não querem ser.

SFSão Francisco de Sales

Outro, primeiro, primeira parte, primeira categoria, mais baixa, digamos assim. Segunda, há outros que querem libertar-se, mas nunca dão o primeiro passo. Não são aquelas pessoas que notem que têm vícios, sentem que têm que que deixar, mas nunca dão aquele primeiro passo de sequer tentar.

?Voz A

Eu estava a ler um livro ontem, contava uma fada assim bem puxada de Santo Agostinho antes da conversão. Como era? Mas no fundo, mas já estava a rezar, rezava de alguma maneira.

SFSão Francisco de Sales

Nas Confissões?

?Voz A

Nas Confissões. E ele tinha um relacionamento lá mau, etc., pecaminoso. E às tantas ele diz assim, meu Deus, dai-me a castidade, mas não agora. Era um início dessa, mas ele dava-se conta que também não queria. Ele estava em pecado, queria a castidade, mas não queria agora. Tem essa frase, não é? Dá-me a castidade, mas não agora.

SFSão Francisco de Sales

Ele ainda estava nesta segunda categoria. E depois tem a terceira, que é talvez também por um lado é mais difícil, que diz assim: outros ainda imaginam andar nos caminhos da virtude, mas na verdade se afastam dela. Então são os que imaginam que estão bem, mas na realidade não estão.

?Voz A

Isso é pior ainda do que saber que está mal. É disto que se trata mesmo.

SFSão Francisco de Sales

E depois tem este, tem outra categoria que é já por fim alguns que depois de terem alcançado a virtude caem numa ruína ainda maior. Então são aqueles que decidiram fazer um caminho bom, um caminho bom, tiveram uma certa mudança de vida, mas depois fraquejaram e voltaram a cair num pecado mais grave. Até conta como aquela passagem no Evangelho, não é, que expulsou vários demónios, depois voltou a pecar. Santa Maria Madalena, se não me engano.

Então, que ela tinha, expulsaram vários demónios, depois ela volta para Magdala e volta outra vez à vida de pecado dela. Então, mais 7 demónios ainda que voltam para ela. Pronto, então estas são as várias categorias. Então vamos, não sei se vamos ter tempo para todas, mas vamos ver aqui os os truques que o demónio usa para cada uma dessas categorias. Então, a primeira era aqueles que já estão escravos do pecado e que não querem sair dela.

Então, o que é que o demónio faz com estas pessoas? Ele vai fazer assim: quando o demónio mantém alguém na escravidão do pecado, cuida de cegá-lo cada vez mais, afastando dele qualquer pensamento que possa fazê-lo compreender a infelicidade da sua vida. Então, claro, daí o barulho de hoje em dia. Porque uma pessoa já esteja em pecado, a última coisa que o demónio vai querer que ela pense é que ela está em pecado. Então vai tentar ocupá-lo com tudo e mais alguma coisa, com tudo que faça barulho, que seja interessante, que lhe faça pensar em Deus.

Tem que estar exatamente. Então isto é um lado. Portanto, ele nunca vai querer que a pessoa pare para pensar, analisar. Mas como é que é o meu relacionamento com Deus? Será que Deus existe? Não quer sequer que pense nisto. Pronto, ele desenvolve muito mais, mas conseguimos falar um bocadinho dos outros também. E diz assim, então esta já é outra categoria, que era portanto os que querem os truques usados pelo demónio contra aqueles que reconhecem a servidão em questão e querem livrar-se dela, mas aqueles nunca dão então o primeiro passo.

Eles muitas vezes são enganados pelo demónio por pensamentos como este: Depois, depois, amanhã, amanhã quero um pouco aquilo de Santo Agostinho. Primeiro eu vou resolver este assunto para então poder dedicar-me com mais calma à vida espiritual. Isto às vezes vê-se, não sei se o irmão está a concordar, mas sei lá, pessoas têm muito trabalho durante a sua vida e pensam: não, quando eu for mais velho eu dedico mais coisas a Deus.

Então quando eu já estiver mais perto da morte, aí vou passar mais religioso, aí vou passar. Agora tenho que trabalhar, tenho que ganhar a vida, tenho que sustentar a família. Como se isso fosse um impedimento para levar uma vida, uma vida santa. Então ficam sempre a adiar aquela decisão de mudar. E ele volta aqui a dizer: agora, agora, porque depois? Hoje, hoje, porque amanhã? Então, logo, o que importa é a prontidão, não os propósitos, porque estes muitas vezes falham, levam a enganos por diversas razões.

Então, mais do que a pessoa estar preocupada em fazer os propósitos, Não, eu vou fazer assim, eu vou fazer assim, resolver tal situação, tal outra, e depois disso eu vou ser santo.

?Voz A

Mas não, tem que ser logo. Temos mais a terceira categoria, né?

SFSão Francisco de Sales

Terceira então é aqueles que imaginam caminhar para a perfeição. Então, vencido no primeiro e no segundo ataque, o inimigo recorre ao terceiro. Então imagina alguém que já passou estas duas fases, já mudou. Então o que é que ele vai tentar fazer com a pessoa que já teve algum tipo de mudança? É achar que já ganhou.

?Voz A

Que às vezes, se calhar, até é pior, assim, mais sutil, não é? A tática do demónio, que no fundo não é colgado no pecado, mas é desviá-lo, não é? Desviá-lo da meta. Ele achar que está certo e não está certo.

SFSão Francisco de Sales

Sim, ele vai dizer assim, com estas pessoas, ele vai querer que essa pessoa se esqueça dos inimigos e vai dar como tudo vencido. Essas tentações, já fiz muitos bons propósitos, E pronto, então tudo acaba bem, não há tentações. E a consequência disso, ele vai dizer aqui que é de repente a pessoa tem, está sempre constantemente a voltar, de repente vai ter uma queda assim que depois vai levá-lo a desanimar, etc.

?Voz A

Então agora nós podemos passar para, já vimos o conhecimento de si mesmo, conhecimento de Deus, as tentações, mas para a parte que nos falta de verdade, que era a oração, não é? Ou seja, da oração e dos exercícios espirituais. Então, sobre a oração, o que é que nós podemos ver?

SFSão Francisco de Sales

Então, ele vai falar muito da oração mental. E outro ponto muito importante também é a oração por intercessão de Nosso Senhor. Fazer essa oração. E pronto, a oração mental, existe uma oração que nos ajuda muito que é o Rosário. Ele não vai falar aqui especificamente, mas quando nós rezamos o Rosário já sabemos que tem a parte vocal, da pessoa estar a dizer o Pai Nosso, a Ave Maria, mas também tem a parte mental de estar a meditar nos mistérios.

Então não esquecer nunca isso, que é nós podemos rezar, mas temos que ter essa parte da oração, meditação mental. Depois ele vai desenvolver muito também a questão da meditação, várias formas de meditação.

?Voz A

Pronto, mas isso também podemos fazer um episódio. Nada mais, estava aqui a prometer episódios para o futuro, mas eles vão aparecer. Os nossos seguidores têm que ter confiança. Mas sobre os graus de oração, são 7 graus de oração muito interessantes e fala exatamente sobre isso, a oração, então da importância da oração, nós também já temos um podcast sobre a oração com o Padre Leonardo Barrasa. E além então da oração temos os exercícios, o que é que são esses exercícios, por assim dizer?

SFSão Francisco de Sales

Então os exercícios, e também concluindo aqui a questão da oração, também tem a questão do Sacramento da Eucaristia, que vai falar muito, como aproximar-se da Eucaristia, etc. Mas também estes oferecimentos que nós devemos fazer a Deus, sacrifícios, e podem ser de coisas muito simples. E aqui também é interessante falar um pouco, talvez aplique mais para os dias atuais, que é a questão da pequena via, da pessoa fazer tudo, desde as coisas mais simples, mas por amor a Deus e não por amor a si próprio.

E voltamos outra vez ao tema inicial, é desconfiar de si mesmo e confiar em Deus. Mas sei lá, se eu tenho o vício da preguiça, eu vou estar a combatê-lo e vou tentar ser o mais diligente possível a fazer as coisas. Isso, parecendo que não, é um exercício difícil para quem tem tendência a ser preguiçoso.

?Voz A

Então é de rezar, tem então começado desde cedo, logo acordar, começa a arrumar tudo, cumprir as suas obrigações. Então esses exercícios, exatamente, é exercitar mais ou menos como se fosse um músculo. Hoje em dia que se fala tanto de ginástica, de ginásio, também esse exercício tem uma teia também, que é haver esse exercício espiritual próprio, exército, eles faziam exercícios que era fazer essas movimentações militares para preparar a guerra.

Então esses exercícios são, nunca mais, eu não sei se ele dá algum exemplo concreto, mas claro, tem a ver com a oração, mas exercícios de levar constantemente a mente até a Deus, de oferecer tudo a Deus, de acordar de manhã.

SFSão Francisco de Sales

Ele dá o exemplo e volta no exemplo da batalha, que quando acordar de manhã, a primeira coisa que deve fazer quando acordar é ter os olhos postos na batalha que vou ter que travar, que o meu dia vai ser uma batalha espiritual, e imaginar que à minha direita tenho o Deus, Nossa Senhora, São José, e os anjos da guarda, os bem-entrados do meu lado a proteger-me, e que do outro lado tem um exército assim de inimigos que querem perder.

Então, e mesmo ele para as tentações, um dos modos de combater certos defeitos é a pessoa depois analisar o que é que surgiu, o que é que deu origem àquela tentação. Ele recomenda que se faça isto, exceto para os pecados contra a castidade, que esses não Não se deve ficar a pensar por como é que aquilo surgiu, deve fugir dessas. Mas relativamente a outras faltas, se a pessoa é preguiçosa ou teve uma dificuldade em fazer tal coisa, é pensar o que é que deu origem àquilo, o que é que eu estava a fazer, etc., para a pessoa analisar e conseguir também identificar as ocasiões próximas, etc.

As ocasiões próximas evidentemente pode-se aplicar para a parte dos pecados contra a castidade, mas relativamente aos outros pecados também fazer essa análise. E pronto, evidentemente que isto foi um resumo de tudo assim, passar muito por alto. Depois, se quiser aprofundar isto, o ideal é que leia o livro, que também não é assim tão grande.

?Voz A

É fácil de ler, capítulos curtos, não é? Aconselhamos vivamente a leitura então desse livro, O Combate Espiritual, mas acima de tudo este podcast é importante para nós nos darmos conta que estamos Estamos em guerra, né? Estamos em luta, estamos nesse combate espiritual, que é o combate mais importante. Como dissemos no início deste podcast, que a pessoa se vencer a si mesmo, que é, agradeço, grande combate, e conquista a santidade, conquistar o céu.

E para isso temos que fazer. Não sei se tem alguma coisa a acrescentar mais, o Irmão Francisco, senão Coisa a acrescentar, abririam infinitos. Fica para os próximos episódios. Então terminamos este podcast com esse conselho de ler esse livro do combate espiritual, do Padre Lourenço Scapoli. Nossos seguidores não se esqueçam de compartilhar, comentar, dar o like, também subscrever o canal. Muitos dos que assistem a este podcast não são subscritores e ajudariam-nos muito se passassem a subscrever o canal e que ficámos muito agradecidos por isso.

E então rezamos uma Ave Maria para pedir a Nossa Senhora a graça de vencermos este combate espiritual no dia a dia. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.

SFSão Francisco de Sales

Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, os pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

?Voz A

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós. São Miguel, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Salve Maria!

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