DO PARQUE MAYER A SUNSET BOULEVARD T1E10* – com Miguel Gonçalves Mendes, 2 Maio 2026
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AUTORIA E APRESENTAÇÃO: Hugo Tiago e Pedro Parreira. GENÉRICO: Eric Weissberg. PÓS-PRODUÇÃO: Ildeberto Rocha. UMA PARCERIA Rádio Voz dos Açores/Lar Doce Livro.
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Do Parque Mayer a Sunset Boulevard é um programa semanal da autoria de Hugo Tiago e Pedro Parreira. Originalmente dedicado ao cinema e à cinefilia, evoluiu para o modelo da entrevista de vida, com as gentes da Ilha Terceira, dos Açores e do mundo como mote (e a actualidade como pano de fundo). É difundido primeiramente na Rádio Voz dos Açores (RVA), rádio local/online sedeada em Santa Bárbara, freguesia limítrofe de Angra do Heroísmo; e, por via do Diáspora Média Group, de que a RVA faz parte, transmitido um pouco por todo o Mundo, e nomeadamente junto da mítica "décima ilha", que corresponde a onde quer que esteja uma pessoa dos Açores. A parceria com o Lar Doce Livro surge com naturalidade, pois também por aqui passam as gentes e a atualidade.
*contagem de episódios e temporadas considerada desde a integração no universo Lar Doce Livro (Março de 2026)
- Trabalho de Miguel Gonçalves MendesDocumentário sobre Cesarini · Filme sobre o Algarve · José e Pilar · Valter Hugo Mãe · O Labirinto da Saudade
- Filme José e PilarApoio do ICA e de Espanha · Retrato íntimo do autor · Amor, arte e relação com Portugal · Recepção crítica e empatia do público · Cartas de ódio e admiração recebidas por Saramago · Gabriel Garcia Márquez · Gael García Bernal
Do Parque Meir a Sunset Boulevard. Cinema, cinefilia e o que mais ver a propósito. Como o que Tiago, Pedro Parreira e quem mais nos for apetecendo convidar.
Muito bom dia, muito bom dia a todos. Fala-vos o Tiago, novamente em formato solo, apenas uma das garalhas. O Pedro Perreira continua a não se poder juntar a nós e volta a pedir desculpa pela amassada e promete que compensará na primeira oportunidade. Agradeço a vossa companhia nesta manhã de sábado. Eu, como de costume, quero agradecer a hospitalidade da Rádio Voz dos Açores e lançar daqui um grande cumprimento ao nosso auditório do Diáspora Media Group.
seguindo o nosso plano editorial, hoje tenho um convidado, um muito ilustre convidado, que nos visitou à ilha e veio à Rádio Voz do Soares apenas por bondade, porque é respondido ao nosso convite, um realizador notável que está cá no âmbito do festival literário Dois Caminhos.
portanto estou a falar aqui do Miguel Gonçalves Mendes realizador entre outros do José e Pilar Miguel muito obrigado por aqui estar muito obrigado a vocês pelo convite é uma honra e um prazer ter a tua companhia e para mim também, depois que eu moro ao lado do Parque Meir portanto as minhas traseiras de casa dão para o Parque Meir portanto ainda faz mais sentido estar aqui
Percebo. Ok, não estava à espera dessa. Sim. A certa altura tive convidado o argumentista do Parque Meier, do filme Parque Meier, de onde foi o Vasconcelos, o Tiago Santos, e uma das coisas que ele me disse foi precisamente que... Não que tinha sido ele o argumentista do Parque Meier, porque isso era um dos pressupostos do convite, mas que, na verdade, o Sunset Boulevard era um dos filmes preferidos dele. E fiquei também surpreendido. Muito bem.
Ok, então, vamos ao que importa. Eu, portanto, do ponto de vista biográfico, confesso que tinha notas para anunciar, mas não as trouxe comigo, portanto, vou falar um pouco de memória e vou pedir a tua colaboração. Portanto, tu nasces no final dos anos 70, não vou dizer exatamente... 78... Eu sabia que era 78, mas não...
Portanto, na zona da Serra da Estrela, não é? Exatamente. E em termos de formação académica, estiveste em História, em Relações Internacionais, História na opção Arqueologia e depois licenciaste em Cinema na especialidade de Montagem. Sim, exatamente. E, portanto, um realizador especializado na Montagem é logo a partir de uma garantia de qualidade.
Eu, como grande fã do LHB, acredito seguidamente nisto. Espero que sim, não quero ser como é que se diz, pouco humilde. Muito bem. E, portanto, desde alguns anos esta parte tem...
em verdade tens conseguido pôr em prática a carreira de realizador e tens trazido obras absolutamente notáveis sendo que o José Pilar uma das que eu referi talvez aquela que tenha obtido maior notoriedade internacional mas a tua carreira não é nem de pé nem de longe resumida a isso e é sobre isso que vamos falar
Sim, não, não é o que me dá isso. Isto bem, o primeiro trabalho que faço é, quando eu ainda estou na Escola Superior de Teatro e Cinema, que é um documentário sobre o Cesarini e que eu fiz ao longo dos anos de escola, durante o fim de semana, com amigos.
e fomos filmando e depois, eu estava ainda no segundo ano e o filme foi a concurso Odoco Lisboa e ganhou o melhor prémio de documentário português e então aquilo permitiu que eu ainda na escola já tivesse o filme foi para circuito comercial com Atalanta do Paulo Branco e teve três meses em cartaz e portanto acabei por ter o privilégio
de sair da escola já com um trabalho em exibição e tinha tido uma boa recepção crítica. E, portanto, quando eu saio da escola, sou convidado para fazer um outro filme, que era, na altura existia uma coisa que era, que aliás ainda existe agora, que é um...
que são os capitais nacionais de cultura, que era a Far Capital da Cultura, e que me convidaram para fazer um filme sobre o Algarve, tendo em conta que eu cresci lá. Eu cresci em Olhão, que é uma cidade de pescadores, e eu decidi fazer um projeto com atores só da terra, e tentando manter...
os vocábulos também da terra e que versava sobre um conto fantasmagórico que até aos anos 60 as pessoas acreditavam sobre uma mulher encantada que os homens se apaixonavam e não podiam fazer nada quanto a isso e depois acabavam por morrer
e então isso também acabou por correr muito bem sobretudo a nível regional e depois mais tarde faço então o José Pilar que por ser também uma comprodução com o LDS do Almodóvar acaba por ter uma dimensão internacional que eu também não estava à espera agora esse apoio só acontece e isso também é daquelas coisas que tem graça, mas é Portugal
eu o concorri três vezes ao Instituto de Cinema para obter apoio para esse documentário sobre o Ser Amago três vezes perdi e só depois de ter o dinheiro de Espanha de El Desey e do Almodóvar só aí que eu finalmente consegui ter apoio em Portugal para produzir o filme e pronto, foram quatro anos de filmagem são os últimos quatro anos do José ou...
ou pelo menos próximo disso e acho que acaba por ser um filme que é muito intimista e que é muito... que tem várias camadas, que é sobre o amor que é sobre a arte, sobre a relação dele com Portugal, sobre a relação dele com o Pilar e então acho que é por isso que o filme criou tanta empatia e isso tornou-se lá o filme teve cinco meses em cartaz que é uma coisa muito rara para um documentário
Ainda mais um documentário português sobre um escritor, sobre uma personagem que, em geral, também era antipática a algumas pessoas. Ou, pelo menos, polémica, sim. Sim. No mínimo, polémica, antipática, o que quisemos chamar. Aliás, isso era uma das coisas que me fez mover a fazer o documentário, porque eu não entendia como é que aquele homem que escrevia os livros que ele escrevia...
Eu não entendia como é que as pessoas o achavam tão antipático, porque eu achava os livros do humanismo brutal, e não entendia esses anticorpos em relação a ele. E que isto também fez o filme um bocado também por tirateimas. Então quem é este meu herói, e será que ele é mesmo como o pintam? Claro, claro. E a propósito disso, não consigo deixar de pensar que mantiveste, em determinado momento, logo no início do filme, puseste em off uma série de...
leituras de cartas que ele recebia, não é? E havia uma, e foi lido com um sotaque brasileiro, portanto, me imagino que a autora tivesse sido brasileira, a dizer que se... É pena que já não existisse o Terminal de Inquisição porque ele já teria sido queimado e ele estaria num camarote. Exato, a existir, sim. Acho isto absolutamente inominável, como é que alguém... Enfim...
Não sei se ainda era no século XX ou já no século XXI, mas como é que alguém ainda consegue ter o trabalho de escrever uma carta de ódio a este nível? Mas isso para mim foi uma das coisas muito interessantes quando eu comecei a filmar. Foi perceber as levas e as caixas de corregue que chegavam a Anzarote e que eram inúmeras cartas. Mas é que, digamos, milhares de cartas e umas que eram...
elogiar e que eram fãs do Ser Mago e outras que eram simplesmente atacá-lo e aí que eu percebo um pouco que há também ali um trabalho de produção e que a vida do escritor não é só aquela coisa que nós achamos que os escritores estão sentados a ouvir música clássica e que depois escrevem os seus livros e é tudo muito bonito. Não, há um lado de trabalho de viagens de promoção que é necessário fazer ao livro e aí
de relação com os autores. Então há um lado também profilisionalizante que eu de alguma forma queria demonstrar no filme e que eu acho que é clara. Sim, para mim ficou clara. Não deixei de reparar que ter-te às cruzado com o Gabriel Garcia Marques.
Sim, sim, sim, sim. Há uma cena que os dois estão a dormir numa conferência em Guadalajara, no México. Chegaste-te à fala com... Sim, sim, cheguei. Ele era um doce. Sim, imagino que sim. E nessa viagem em Guadalajara também... Um doce, ou seja, quer dizer, isto não é no sentido...
Digo um doce de pessoa No sentido de convivência Obviamente que sim Aliás, tenho ideia De três autores Mais ou menos Dessa geração Que estavam muito bem uns com os outros O Jorge Amado, o Gabriel Garcim Marques e o Graham Greene Sim Havia afinidades E o Jorge Amado também estava muito bem com o Saramago Eles eram muito amigos Ok, interessante
Mas nessa viagem a Guadalajara também notei o Gael Garcia Bernal. Sim, o ator. O ator, que eu admiro muito. E não tinha a noção de que ele tinha participado numa peça a partir das intermitências da morte. Sim, e isso foi interessante porque nós filmamos todo o processo de ensaios.
da peça e depois também a própria temos uma cena que é a cena da peça que entra no filme e tem uma graçola que é boa porque o Gael diz que a coisa que mais irrita quando chega a algum sítio é perguntarem o que é que se sente por estar naquele lugar
E ele fica tipo, o que é que se sente? O que é que se sente? E assim que ele vai dar a entrevista sobre peça-teatro, a primeira coisa que lhe perguntam é e o que é que se sente, Gael? Pois.
Muito bem, então Eu queria continuar A conversa sobre o José Pilar Mas houve um pequeno problema Que faz parte da estrutura do programa E que eu mais ou menos saltei Peço licença a ti e aos ouvintes Para voltar um pouquinho atrás Que é perguntar-te qual o filme da tua vida Sendo que desta vez eu estou a falar com um cineasta Portanto tenho a noção do peso da pergunta que estou a fazer
Para ser honesto, não tenho nenhum. Posso dizer que qualquer filme do Kubrick seria um filme da minha vida, porque eu sou fã. Isto é, ele é um dos realizadores mais versáteis que eu conheço e, no fundo, tem aquilo que eu também gostaria de ter na minha vida ou na minha carreira, se fosse possível, que é, eu não me importaria de fazer um filme sobre futebol.
ou um filme sobre gangsters. Isto é brincar com todas as artes. E, no fundo, foi isso que o Kubrick fez com os seus diferentes filmes. Aliás, ele tem para mim o único filme de terror que ainda hoje me dá medo, que é o Shining, que é um filme extraordinário. E é uma obra-prima como eu nunca vi. E, portanto, para mim, sim, ele ensinou-me muito, mas também...
O Orson Welles me ensinou muito, também o Hitchcock me ensinou muito. Ensinaram de outras formas, com outras técnicas. Agora, no sentido de liberdade criativa, de reinventar aquilo que é narrativa, e sim, o Kubrick é o meu grande... é o meu favorito. Não duvido, e concordo contigo relativamente ao Shining. Sim. Aliás, enfim, um bocadinho à margem do que estamos a dizer, mas no início de carreira, o Stephen King...
foi muito afortunado com as adaptações dos filmes dele. É, mas ele reclamou muito com o Rubrik. Ele reclamou do Shining em particular, eu sei disso, mas considerando que os primeiros filmes do Stephen King foram o Carrie do Byron Palma, o Shining do Stanley Kubrick, o Christine Carrasciino do Carpenter e a Zona Morta do Canadiano. Agora falta-me o... O Der Indivíduo, não é?
Não, não, não, anterior. Já me lembro do nome. Mas, portanto, eram os realizadores notáveis na altura que lançaram mão de obras, de histórias de terror. E não era comum. Sim. Pronto, isto é um pronome. Ok, então está respondido em relação ao filme da tua vida.
Voltando então ao José Pilar, conta-nos a género da obra, ou seja, eu sei, e já vamos falar no assunto, que o Labirinto da Saudade foi uma encomenda, este não foi uma encomenda.
Tu próprio já o disseste que concorrestes ao ICA E só conseguiste ver O projeto viabilizado Quando os espanhóis Deram luz verde Não me querendo repetir Mas efetivamente tenho que me repetir Pronto, eu era um grande fã do Saramago Tinha já lido quase todos os livros dele Comecei a ler aos 12 anos
os livros de Saramago eu era mesmo um fã incondicional e lembro-me de ter sido um documentário e eu ter ido histérica a FUNAC comprar o documentário porque queria ver o documentário sobre o Saramago
e de repente quando cheguei a casa e vejo o filme eu fico aí boquiaberto com mal aquilo era e eu não estava à espera e lembro-me pensar assim não, isto não pode ser um filme sobre o Saramago tenho que assistir um outro filme sobre o Saramago e é a partir daí que nasce a minha ideia de fazer o filme não necessariamente por bancor nem por nada era só porque eu achava que aquilo não era não era digam de sobretudo no sentido em que e aí
Eu nunca me preocupei muito no meu trabalho e nos retratos que faço em fazer grandes dissertações filosóficas sobre a literatura ou a política, ou seja o que for, porque existem pessoas muito mais aptas do que eu para fazerem esse trabalho. Então, em relação a ser amado, muito mais, seja na política, seja na literatura, seja o que for.
A mim o que me interessava era ter um retrato do homem, das pequenas esquizofrenias, daquilo que nos tornam... Humanos? Humanos, exatamente, sim. E no fundo a pessoa... Eu filmei durante quatro anos, concentro a história em duas horas e de alguma forma o que eu pretendo é que o espectador sinta que viveu aquela história junto com eles. Como se tivesse acompanhado aqueles anos de vida, mas em duas horas.
Muito bem. Deixa-me fazer-te uma pergunta que eu não resisto, que é, não é que eu pretenda saber exatamente como é que funciona a concepção de um documentário, mas tenho uma ideia. A escrita, aquilo que ficou, aquilo que passou à imagem...
Não foi a totalidade o que filmaste. Até que publicaste as conversas que não entraram no filme. Classicamente diz-se que a película tinha ficado no chão da sala de montagem. Sim, sim. Mas independentemente disso, as coisas já estavam escritas ou de alguma forma concebidas?
da forma como ficaram, ou foste filmando e depois concebeste aquilo com o material que tinhas? É assim, nós tivemos uma sorte muito grande, que foi quando chegámos, e no início das filmagens, o José estar a escrever o seu livro A Viagem do Elefante. E, portanto, logo isso nos dava uma cronologia no filme.
que foi muito útil para nós não enlouquecermos com tanto material que tínhamos. Agora, portanto, basicamente o que eu fazia era pedir à agenda dos dois, da Pilar e do José, onde é que eles estariam, e eu escolhia mais ou menos aquilo que eu achava que era mais efetivo para mostrar ou como retrato.
da vida deles e era isso que eu ia filmando agora, o que eu acho que eles nunca tiveram à espera é que eu acho que eles estavam à espera que eu filmasse porque é nem sequer complicado quando tu filmes figuras públicas porque eles têm muita consciência do impacto da sua palavra sobre aquilo que estão a dizer e ali o que eu precisava era exatamente quebrar essa barreira e deixá-los à vontade para eles serem quem são
Por exemplo, uma coisa aí bonita e que até demonstra as pessoas de coragem e de caráter que eu sou, é que nunca houve nenhuma regra imposta sobre o filme. Eu sempre pude fazer o filme como quis e como entendi. Agora, há efetivamente essa coisa quase neste é um geográfico em que eu estou a filmar. Imagina uma reunião de trabalho, por exemplo. Uma reunião de trabalho demora três horas.
e se eu filmo durante três horas, mas depois a cena que eu tenho são de três minutos, primeiro isso torna a cena boa com um sumo, com um conteúdo, digamos, mas para eles eles achavam que só o Sound Bites é que iriam ficar, eles achavam que tudo aquilo era lixo, eles ficaram muito...
impressionados com o resultado final do filme. O próprio José disse, eu não sabia o que é que o Miguel estava a fazer, até que agora percebi que isto, de repente, é um filme muito mais do que só sobre mim e sobre Pilar, é um filme sobre a vida e sobre as relações.
E eu acho que é, porque há um grande grau de identificação das pessoas em relação não só àquele humor, mas sobretudo à necessidade de tempo do Saramago, que é uma coisa que é muito interessante no filme, e triste também, e cruel, que é, de repente, ele quer mais tempo, quer mais tempo para poder continuar a intervir politicamente e a defender as suas batalhas ideológicas, e o tempo começa a fugir-lhe.
Sim, aliás, porque colocaste logo no início uma imagem, se eu percebi bem, uma reação dele telefonicamente depois de ter recebido o Nobel, em que anuncia que já não tem medo, a porta de saída já está definida, salvo erro, salvo erro, foi isto, estou a aceitar a memória, já está aí, portanto, como que diz, eu percebo perfeitamente que não vou durar muito mais. Sim. Isso, dito daquela maneira e naquele tom, é absolutamente notável.
Sim. E acho que, digamos, pauta, digamos, tudo o que vamos ver a seguir. Porque isso não terá sido por acaso que eu colocaste logo no início. Sim, não. E vemos todo o resto do filme como base nisso. Sim, porque é uma luta contra o tempo e é isso que o filme é.
E tem também uma, acho que Salvo Berro foi... E é engraçado também, porque eu quando estava a fazer o filme e estava a editar o filme eu às vezes achava eu não era capaz de ter esta vida com tantas viagens, tanto... uma agenda tão sobrecarregada.
mas de repente, quando eu acabei o filme, eu estava tão exausto exatamente como ele provavelmente estaria. A verdade é que nós não sabemos se estamos a fazer bem até termos feito, não é? Isto é, não sabemos se estamos a esticar a corda ou não até termos realmente esticado e rebentado. E essa, na nossa vida individual, digamos-te.
todos, agora não se trata do ser amago, trata-se de toda a gente, precisamos ter muito cuidado porque só vamos perceber depois de já ter acontecido. E pronto, e nós fomos seres finitos e que têm limites. E que... Salud.
humanos, em suma. Sim. Ok, antes de passarmos ao primeiro tema musical, que já está na hora, eu queria só fazer outra citação do filme, salvo o erro, é dito no início da presença dele em Guadalajara, em que alguém diz que...
há dois ser magos, um até ter conhecido a Pilar e outro depois conhecer a Pilar, sim achei essa frase uma das razões que o filme chama-se a Pilar e porque eu quis também filmar o filme e que fosse o casal e não somente o ser a mago era porque o ser a mago em todos os livros os dedicatórios eram a Pilar, o meu Pilar a Pilar que me trouxe vida mesmo em livros que inicialmente eram dedicados a outra senhora
Sim, mas aí... Ele alterou as indicatórias. Mas aí o que é que tu farias? Tu manterias as indicatórias? Não, não, eu acho isso absolutamente legítimo. Só estou a citar isso. Não, mas é uma coisa que é muitas vezes levantada, como se fosse assim uma coisa horrível que ele fez. E eu acho que não. Eu acho que quando a tua vida mudou, eu também já dediquei livros a pessoas.
que na edição seguinte tive que retirar dedicatório porque a relação já não era a mesma. A própria pessoa a quem dedicaste se calhar não seria tanta piada como achou inicialmente. Exatamente, sim. Digo eu. E então é um pouco disso.
Agora, só sobre a música, que não sei se vais já colocar ou não. Vou colocar... Ao contrário do que costumo fazer, vou dizer o que é que vamos ouvir, mas depois conversamos sobre isso. Portanto, vamos ouvir o tema, já não estar, pelo Camané. Sim, pelo Camané. Que é da banda sonora do José Pilar. E que foi feita a partir das entrevistas que eu fiz ao Ser Mago. Com a música do José Mário Branco. Exato. Pelo que vão gostar. Até já.
Se às vezes numa rua, num lugar, eu penso que um dia hei de morrer. Sei que tudo que tenho vou deixar, aqui onde hoje estou deixo de estar.
Tudo quanto sou, deixo de ser. Medo da morte não consigo ter. Mas outros mais humanos e banais. Medos que a gente tem, mesmo sem querer.
Como medo que eu tenho de morrer Só por querer viver um pouco mais Se consigo a meu modo estar no céu Mesmo vivendo neste chão de inferno
Se apenas sou árvore que cresceu Num espaço e num tempo que é o meu Para que havia eu de ser eterno Mas como as minhas cinzas vão ficar
Debaixo de uma pedra do jardim. Meu amor, tu sabes onde me encontrar. E uma flor sobre a pedra vais deixar. De cada vez que te lembrares de mim. De cada vez
Que te lembrares de mim. Estivemos com o tema, já não está, de Camané, que eu já tinha anunciado, mas há muita coisa para dizer sobre este tema. Vou começar pelo talvez o mais importante, que é este tempo esteve na shortlist para o Oscar da melhor canção dos Oscars. Mas isso não é o mais importante, quer dizer, isso é super fixe e deixa-me muito feliz.
e no facto de ter ficado na shortlist de melhor tema original um tema em língua portuguesa é uma coisa que me deixou... Ok, aceita a críndica talvez não seja o mais importante, mas continua. Não, isso tem sido o tema que eu acho que é o mais importante e que é mesmo bonito porque...
Eu neste filme, no G Pilar, eu tomei decisão muito drástica de não usar entrevistas feitas por mim. Eu fiz as entrevistas preparatórias e prévias, queria que o filme mostrasse as perguntas e as respostas que eles tinham dado.
mas não quis usar talking heads nem entrevistas para a câmera da parte deles. E, portanto, o que eu me propus, depois de vários músicos no final, para a banda sonora, foi que eles musicassem entrevistas que eu tinha feito ao Saramago. E este é um caso desse. E, portanto, existir esta música a partir das falas do próprio Saramago é uma coisa que me deixa muito feliz. Acho que contribuiu para o mundo.
Absolutamente, e os nomes envolvidos são absolutamente notáveis. O José Mário Branco, obviamente, dispensa apresentações. E o Camané, talvez a voz mais colina mais relevante na atual música portuguesa, absolutamente eclético, tanto canta-fato clássico como... Eu já assisti no Estádio do Restelo a cantar O Homem do Lento, com os estudos e pontapés.
Ou com os humanos, exatamente E nos humanos ele está incrível Aparentemente ele é capaz de tudo Ele tem uma voz extraordinária E é um assunto de família Na verdade eu conheço Acho que da família só não conheço ele Pessoalmente Quer a mãe, quer os irmãos Que cantam fado são pessoas Que são suficientemente próximas, são amigos dos meus pais E são pessoas Absolutamente notáveis Mas isto voltando atrás O Jéssero O Jéssero Branco
era o gigante que conhecemos e portanto terá sido importante que ele tenha participado mas o pouco que conheço da figura imagino que não tenha sido muito difícil de o convencer
Eu penso que não, tendo em conta a figura que era, tendo em conta que era o Ser Amado, tendo em conta que era a Manuela que ia fazer a adaptação da letra, que era a sua mulher, e portanto acho que foi uma aventura conjunta que toda a gente quis muito partilhar e fazer.
incluindo o próprio Caminé então acho que foi uma coisa muito bonita que ficou o filme Sem dúvida nenhuma que ficou Enfim, já vamos quase a metade do programa e eu queria falar um pouco sobre os outros filmes mas há aqui um pronunciar que eu queria esclarecer confesso que eu próprio não consegui perceber na pesquisa que fiz
O Fernando Meireles participou na produção deste filme? Então, no José Pilar, tanto o Fernando Meireles, que é o realizador da Cidade de Deus e do Fiel Jardineiro, como os irmãos Almodóvar, o Pedro e o Agostinho, foram co-produtores do filme do José Pilar. E agora no filme que eu estou a fazer, que chama O Sentir da Vida, o Fernando Meireles também é meu co-produtor do filme.
E sim, isso aconteceu, e aconteceu de uma forma muito estranha, porque é quando há uma cena no filme em que o Jet está a assistir pela primeira vez ao ensaio sobre a cegueira, do Fernando Meirelles.
E eu, no final da sessão, eu digo ao Fernando que não gostei nada do filme. E foi das poucas pessoas que teve coragem a dizer isso. Então ele diz sempre em todo o lado que ele passou a ser o meu melhor amigo depois de eu ter dito isso e ter dado a minha opinião sobre o assunto.
A minha dúvida é precisamente na cronologia. O Ensaio Sobre a Cegueira é anterior? O Ensaio Sobre a Cegueira acontece durante o J. Pilar. A filmagem. Mas a produção... A decisão de ele participar na produção deste filme foi posterior à execução do J. Pilar. Desculpe, do Ensaio Sobre a Cegueira. Peço desculpa.
A postura é a execução do ensaio sobre a cegueira, sim. Ok. De outra forma, poderíamos dizer que o filme sobre a cegueira poderia ter origem no teu convite, original. Era isso que eu queria confirmar. Sim, só que neste caso foi comigo a falar mal. Portanto, não é bem o padrão normal dessas coisas que acontecem. Sim, mas as origens das obras são o que são, não é? Sim. E eu queria esclarecer isto pequeno por no ar.
que o filme, propriamente de Itensácio Brasqueira, é, obviamente, um portento. Achas? Acho. Ok, eu não acho. Acabaste de dizer, mas na minha modesta opinião, acho que tem... Mas eu não acho, sobretudo, por um defeito de direção de fotografia, isto é, a fotografia é demasiado clean, é demasiado branca, parece um...
um anúncio à Dove e o livro é sujo, o livro é porco o livro tinha que ser porco porque ele é e é isso que lamento um pouco no filme e também a necessidade do cacinho internacional e tão internacional faz com que pareça que aquela história não consegue ter uma...
uma narrativa coletiva comum, porque eles são muito distantes, cada um, uns são coreanos, outros são americanos, outros são mexicanos, e então eu acho que há pequenos problemas no filme que o tornam...
Isto é, ele conta a história de forma insociente. Isso sim, a historinha está lá toda. Agora, se é de uma forma emocional, o que eu lamento no filme é eu nunca ter ficado emocionado com o filme, nunca ter chorado com o filme. Ora, eu li o livro várias vezes e com diferentes traduções. Li em inglês, li em espanhol, li não sei o quê. E chorei sempre com o livro. O livro é uma... Pá, por favor, aliás, aos alunos de português do 12º ano.
Não leiam o Memorial, não leiam o Andamor de Ricardo Reis, leiam o Assai Sobre a Cegueira, porque é a coisa mais atual e mais contemporânea que vocês podem ler e vão adorar. Muito bem. E não resisto a fazer a pergunta. E o Homem Duplicado, o que é que achaste?
Do filme, não vi. Que é um crime. Para mim é um crime. Não quero ir tão longe, mas gostava de saber a tua opinião. Não, mas ele é por cima de Guilherme Nol é um dos meus atores preferidos, portanto... E o realizador...
É conhecido por saber o que faz. Sim, sim, sim, sim. Mas dizem-me que é uma adaptação livre, que correu muito bem, e que é uma das mais adaptações do livro de Saramago. Eu vi o filme e gostei muito. Não li o livro original, portanto, não posso a esse nível de fazer grandes considerações. Mas queria saber a tua opinião, claro.
Muito bem, pronto. Então, passando à frente, queria agora colocar-te a questão a partir de Walter Ugumem. Sim. Walter Ugumem tem intervenção em mais do que um filme dele. Portanto, quando consegui perceber.
Ele não colabora na escrita de mais do que um? Pode-se ter percebido mal. Não, não, não. Existe um projeto que eu estou a fazer agora, que é um projeto megalómano. Agora, se eu já estou a fazer há 10 anos, por isso é que estou a enlouquecer. E que é um projeto que são 10 filmes e tem um filme comum, como se fosse o Magnolia, do Paul Thomas Anderson, em que 8 histórias se misturam. E nós, para alcançarmos esse filme, tivemos que fazer 10 longas-metragens que eram as 10 personagens que participavam.
E há então um filme que foi exibido ontem e que é o De Lugar Nenhum, que é sobre Voltaire Lugman e o filme acompanha a escrita de um romance que se passa na Islândia, que é a desumanização.
e no fundo é sobre a solidão ou sobre a forma como o Walter não consegue lidar com a solidão e como ele acha que está no outro que reside no outro a nossa razão de existir que é uma coisa questionável sei lá, no filme ele diz uma coisa muito bonita que ele diz
que há uma altura que ele está na Madeira, podia ser nos Açores, mas que ele está na Madeira e que de repente está num sítio que é maravilhoso e não tem ninguém para ligar e ele disse que o sítio passou a ser horrível e passou a não ter interesse nenhum e passou a ser uma coisa para ele desprezível porque não tinha quem ligar e com quem partilhar aquele momento de amor. E o mesmo...
Enfim, também se poderia dizer aqui em relação aos Açores que são um lugar tão especial no nosso país. Para mim o mais especial, aliás. Eu acho. Eu também, mas... Eu estou cá por escolha. São milhas abençoadas.
pela natureza e também pelo ser humano e sou muito feliz cada vez que venho aqui aliás eu tenho uma coisa que é meio estúpida que é cada vez que eu faço anos eu passo o meu aniversário sempre nos Açores depois é só uma questão financeira porque enfim já fui sete vezes a São Miguel já vim três vezes à terceira só fui uma vez ao Feial Pico, São Jorge Pico
porque é muito mais caro, e faltam-me as outras ilhas porque é muito mais caro conseguir ir. Sim, e às vezes há questões de mera logística. Eu estou cá há oito anos e ainda falta-me uma. Falta-me o Corvo. E tem uma falta graciosa. Graciosa foi a última que fui e adorei, mas de facto ainda falta o Corvo. Mas concordo, absoluto. Para alguma razão, eu me mantenho por cá. E tem uma que pedala assim tão bonita com mangra?
Não creio que haja muitas capitais assim tão bonitas como Angra. Ok, ok, ok. Nem Ponta Delgada, longe. Com o devido respeito pelos michelenses, não há de qual comparação possível entre Ponta Delgada e Horta. Horta é um bocadinho, é comparável. Ok, Horta talvez seja, mas Ponta Delgada não é seguramente. Sim, isso não. E digo isto quando devido, com todo o respeito pelos michelenses, não é? Não, não, não, Ponta Delgada é uma cidade que não é muito humida, não.
A ilha é Disney das ilhas das nove ilhas mas efetivamente a Pantalegada não é mais bonita Ok, então mas já falamos sobre o filme
do Walter Udkman falamos um pouco dos outros na Lar do Oce Livro foram exibidos na semana passada alguns destes livros e eu tive o privilégio de estar contigo na apresentação do Labirinto da Saudade e do José Pilar estava tudo combinado
e mais ou menos isso vamos falar agora do labirinto da saudade o termo que eu utilizei na nossa conversa e vou repeti-lo agora há só uma coisa que eu gostava de dizer que é o seguinte para as pessoas que nos estão a ouvir e que obviamente e possivelmente não ouviram os meus filmes
Eu, ao fim de dois anos, em geral, depois da estreia comercial do filme, e quando, de alguma forma, a carreira comercial do filme acaba por morrer, eu, apesar de os meus colegas serem grandes opositores ao que eu faço, eu coloco todos os meus filmes no YouTube para que fiquem acessíveis a todos.
e, portanto, para qualquer pessoa de Bragança possa ver o filme, ou qualquer pessoa que esteja nos Estados Unidos, ou qualquer pessoa que esteja na Nova Zelândia. E, portanto, se quiserem, estes filmes que estamos a falar, que para vocês neste momento são uma pura abstração, podem vê-los online, é só procurar pelos nomes e vão encontrar. Aqui está uma chamada de atribuição muito pertinente, que me iria escapar, portanto.
Enquanto testemunha Posso dizer que vale a pena Verdadeiramente São filmes que merecem ser vistos Eu queria agora Abordar o Labirinto da Saudade O termo que eu utilizei Na nossa conversa após a exibição do filme Foi que achava que era No que dizia respeito Ao Eduardo Lourenço Um filme lapidário No sentido em que é de facto Muito Obrigado
significativo relativamente à figura do Eduardo Lourenço. Mas agora vou um pouco mais longe. Fazendo justiça ao próprio livro original, portanto a coleção de ensaios O Labirinto da Saudade, é muito relevante relativamente à...
cultura portuguesa, em geral. Sim, mas aí... Foi ambicioso, da sua parte. Me desculpa também de conviver-te. Mas aí há uma questão que é diferente, que é, portanto, como tu disseste, O Labyrinth da Saudade foi uma encomenda, foi a primeira encomenda que eu recebi, foi o filme que eu fiz a mais curto espaço de tempo, enquanto que o Cesar Ine demorou três anos, o Saramago demorou quatro.
Este há de morar 10, o Labyrinth da Saudade foi filmado em 13 dias de rodagem. Agora, há uma coisa que obviamente é diferente, que era, uma, se eu tivesse feito simplesmente um retrato do Eduardo Lourenço, e com certeza teria levado mais tempo. Outra coisa é uma adaptação de um livro do Eduardo Lourenço, que me permitiu, em termos cronológicos, conseguir cumprir um calendário.
e fazer levantar uma série de questões que, para mim, em termos de portugalidade e da nossa existência enquanto portugueses e, afinal, aquilo que nós somos e os nossos defeitos e qualidades, ser uma coisa que valia a pena abordar. E é daí que nasce o filme e é daí, ainda por cima, porque no livro, eu não sei se as pessoas conhecem o livro, o Labirinto da Saudade,
Mas no Libro da Saudade, o Eduardo tenta elencar quais foram os traumas que nos definiram enquanto nação. Isto é, enquanto nação, enquanto português, o que aconteceu que nos... Aliás, pensando bem, há uma coisa que eu não disse há três dias atrás, naquele nosso encontro.
Também há o outro trauma que não está lá presente, que é o terremoto de Lisboa, que é um trauma que influiu sobre o país inteiro e sobre o Império. Mas, enfim... E Volterro falou sobre ele, mas Eduardo Lourenço não. Exato, mas Eduardo Lourenço não. Mas, pronto, de alguma forma, aquilo pretende ser quase uma cápsula da nossa história...
feita de uma forma que eu espero que o espectador sinta que não é chata e que, basicamente, que o espectador se depare com aquelas questões, pense sobre elas e se questione, afinal, onde é que está e onde é que nós estamos, não é? Como portugueses.
Tenho uma pergunta para te fazer, mas antes vou fazer uma espécie de comentário, uma consideração, que é eu era capaz de apostar que a encomenda não te foi apresentada por acaso. Ou seja, porque é que alguém se lembrou de fazer um filme dedicado ao Eduardo Lourenço e se lembrou de ti? E não, imagino, do Leonardo Vieira ou de outra pessoa qualquer, independentemente da competência. Porque a tua carreira até àquele momento...
apontava para que fosses tua opção indicada. Isto é o meu comentário. Eu concordo. Semem que eu não quero ser considerado retratista da nação. Mas percebo que o convite tenha sido feito, percebo porquê e percebo a escolha.
Certo, sim Eu não estava a pensar em ser o retratista da nação Estava a pensar no tipo de retratos que tens feito Ou dito de outra forma Se fizeram, aliás já fizeram Um documentário sobre o Cristiano Ronaldo Talvez não pensem em ti Sim, mas não importava nada também Certo, pronto, mas...
Quer dizer, por acaso acho que é uma pessoa com alguns defeitos que eu não sei se lidava bem com eles, mas... Tipo, pessoas que violam pessoas é uma coisa que eu não lido bem. Acho que ainda está por provar, mas sim, ok. Não está por provar, houve um acordo.
pago, mas enfim sim, mas não era por aí que eu queria nenhum português quer ir por aí é o que vale, é sempre o que vale em relação ao Cristiano Cristiano Ronaldo à parte a pergunta que eu queria fazer era a seguinte quem viu o filme
Há uma coisa que salta à vista, para além do conteúdo propriamente dito, da obra do Eduardo Lourenço, que é os participantes. Tens uma galeria de pessoas muito, muito notáveis naquele filme. Desde dois ex-presidentes da República, João São Paulo e o Romandianos...
Vários artistas, Adriana Calcanhoto, o Ricardo Unos Pereira, o Duvivier, o Arquidete Cisa Vieira e tantos outros. Portanto, como foi dirigir, se é que posso usar o termo, não tenho certeza que eles estejam passivos de ser dirigidos, mas como foi lidar com estas pessoas? Primeiro é assim, primeiro eram pessoas que eu já conhecia, que já tinha de alguma forma trabalhada anteriormente, ou tinha relações de amizade e pelo qual...
foi permitido, exceto os presidentes, claro, e já é outra escala, mas em relação aos outros, eram pessoas que eu conheci, portanto foi fácil aceder e foi fácil fazer o convite e que eles acitassem.
E aí não é tratar-se de dirigir. Eu não dirigia de uma forma espartana, quase como se fosse um ditador, e dizer agora faz isto, faz isto. Mas eles sabiam que existia um determinado tema, que era preciso trabalhar naquele momento, que era preciso falar sobre aquele tema em concreto, e eu dizia, por favor, não se esqueçam que falta falar disto e disto e disto e disto.
Portanto, basicamente eu conduzi hoje, e ia afunelando a conversa para o tema principal que deveria sair dali, não é? Em relação ao trauma concreto que se estava a falar. Sim, muito bem. Olha, entrando o tempo vai passando, e eu queria passar os três temas, efetivamente, pelo que importa ir para o segundo, que já devia ter sido difundido. Vamos ouvir Márcia, deixa-me ir, e já conversamos sobre isso. Até já.
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Saia-me embora do teu centro Onde souber existir
e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e e
O que ainda não é Não sei pintar Amor Sem ser de cor Quem está
Embora do teu centro Onde eu puder existir Ser mais do que eu sinto Deixa-me ir Se eu não sei andar Sabes O que eu quero dizer Na minha voz Se incendei
O que é uma relantada negro No meu passeio Vi gente andar a pé O que vão primeiro Eu sei O que ainda não é Não sei pintar Sem ser de cor
E estivemos com a Márcia, com o tema Deixa-me Ir. Miguel, conta-nos tudo sobre este tema. Então, foi muito engraçado porque foi inicialmente uma amiga da Márcia que me convidou para eu fazer um tema. E eu queria fazer um tema sobre a crise que na época estávamos a viver. Era a intervenção da Troika, o primeiro governo de Passos Coelho.
O primeiro e único até agora Sim Graças a Deus E em que estávamos a assistir à destruição Não era do país Mas da mente coletiva
Isto é, tu consegues destruir um povo pela forma como lidas com ele. E então, na altura, essa colega disse que... Eu disse que iria fazer um videoclipe baseado nisto.
Ela disse que os artistas não se metiam em política, e eu disse, não, desculpa, para mim, os artistas metem-se em política sempre. E, portanto, decidi aproveitar esta música... Quando tivesse oportunidade de apresentar-lhe Woody Guthrie. Exato. Decidi aproveitar esta música, que era o Deixam-me-Ir, que, na realidade, pode ser uma história de amor, ou pode ser simplesmente um Deixam-me-Ir embora. E que, no meu caso, naquela época, eu estava a ir embora para o Brasil, e foi onde eu vivi sete anos, porque não queria assistir.
à destruição em direto do país. Também mais tarde, assim que no Brasil o Bolsonaro ganhou, também me vi imediatamente embora, porque também não queria assistir em direto à destruição do país. Pronto, e foi assim que nasceu este videoclipe, do qual me orgulho muito, e a música é muito bonita, da Márcia, ela é uma grande poeta.
E pronto, portanto, também se quiserem procurar também É só procurar, deixem-me ir Sim, deixem-me sublinhar Este videoclipe não só é uma belíssima obra de arte Como é realizado precisamente para o Miguel Veja no qual vale a pena Sim, muito obrigado Muito bem Já não temos muito tempo e ainda queria passar o terceiro tema Mas queria fazer-te uma última pergunta Olhando para a tua filmografia Mas já a última Mas já a última
em poucos minutos. Olhando para a tua filografia, dá para perceber que tens trabalhos em registros ligeiramente diferentes. Ou seja, já fizeste ficção, já fizeste documentários, fizeste coisas que não são exatamente nem ficção nem documentário, como também já fizeste videoclipes e também já fizeste uma série de televisão, pelo menos. Sim. Qual o registro em que te sentes mais à vontade?
Em todos eles, lembro-me quando há pouco te falava do Kubrick, por amor de Deus, longe de mim, comparar o meu Kubrick, ninguém acha que eu estou a fazer isso porque não estou. Mas sabes essa coisa do Kubrick, dele poder brincar com todos os géneros, brincar com todas as fórmulas... Sabe que ele não chegou a fazer um musical?
O Barry Linton, enfim... Sim. Mas... Mas também pouco faltou. Faria, eventualmente. O Clint Eastwood fez um musical e falhou arredondamente. O Spielberg fez poucos minutos do Indiana Jones 2 com o musical e aí sim ele esteve à altura. Mas isto sou eu a provar que sou cinéfico. Exato, sim.
E, no fundo, é isso que eu gostaria. Gostaria de passar por todos os géneros, gostaria de brincar com todas as fórmulas, mas a verdade é que também estou tão cansado já de... Porque o processo em Portugal é muito complexo, é muito difícil tu levantares dinheiro para fazer um filme, o cinema é muito caro, é desnecessariamente e estupidamente caro, é uma coisa que não se entende de tão caro que é fazer.
e, portanto, eu próprio já não sei sequer continuar a fazê-lo. Mas eu também dizia, eu mesmo, depois do G. Pilar, disse que nunca mais queria fazer nada, e, na realidade, fiz mais três filmes depois, e ainda, enfim, mais, não, mais dez, onze.
12, 13 filmes depois, e aqui estou eu. Mas talvez não continue, simplesmente porque não... Porque depois também não se traz evidente. Enfim, vou dizer uma coisa que é triste, mas que é também importante para os ouvintes ouvirem e para eles também pensarem sobre o seu próprio comportamento.
e na forma como eles lidam com o consumo de bens culturais. Por exemplo, esta amostra que aconteceu esta semana, não é? Que foi uma amostra que, apesar de tudo, foi bonita e as pessoas estavam presentes, estavam, de facto, muito interessadas naquilo que estavam a ver.
mas a presença foi muito diminuta e eu só fico tipo, mas as pessoas não vêm, não querem saber e de repente tu estás a lutar de uma forma hercúlea para conseguir chegar a um resultado qualquer e depois no final as pessoas não o vão ver e nem querem saber.
E, nesse sentido, eu continuo a lamentar, e acho que esse é um dos principais problemas de Portugal, que é que nós temos uma população que prefere passar uma tarde no shopping do que levar o filho a um museu, ou do que levar o filho a um parque público, não importa. Se quiseres fazer uma adaptação aos dados locais, eu diria que, se fosse uma torada à corda, se calhar tinhas pessoas.
Exato, sim, mas é isso mesmo. E nada contraturado, quer dizer, tenho algumas coisas contraturadas à corda, mas enfim, não importa. Mas o que importa é que, efetivamente, essa curiosidade de saber até onde é que, o que é que as coisas são e o que é que muitos estão querendo transmitir,
ela não existe. E aí também demonstra muito aquilo que nós somos, não é? Quando as pessoas dizem, por exemplo, assim, ah, não, mas Portugal não tem aquelas obras como tem a Inglaterra, como tem a Bélgica, como tem a França, mas não tem porque nunca houve investimento privado em público nessas obras.
e muito menos houve curiosidade artística de assisti-las. Se nós imaginarmos hoje, se tivesse existido um referendo sobre a geoconda em 1500, garanto que provavelmente a geoconda não teria sido pintada. E a geoconda é provavelmente as coisas que fez mais evoluir.
a pintura e a arte na história da arte do ser humano. Enfim, é só isto. Lamento isto. Não quero acabar com esta coisa como é que se diz? Mais pessimista. Mas, sobretudo, é às pessoas que pensam que estão vivas.
As coisas estão aí, as séries da Netflix estão aí, os filmes estão aí, são para ser vistos e que vermos coisas na nossa cultura é uma coisa também muito importante, porque é que nós nos reconhecemos e a nossa cultura é o nosso espelho, portanto é aí que nós nos iremos encontrar.
Muito bem, e acho que ficou muito bem dito. Mas não vamos terminar desta forma, vamos terminar contigo a dizer alguma coisa sobre o próximo tema, que provavelmente já não vamos ouvir na sua totalidade, mas pelo menos um bocadinho, o top do tempo de Noiserv. Ok, então este filme, quando há pouco dizia que o Ser Amago, o filme do Ser Amago era um filme sobre o tempo, sobre a urgência do tempo, sobre o querer lutar por aquilo em que se acredita.
No sentido quase o que é o sentido da vida, é lutar por aquilo em que acreditamos e tentar defender aquilo que acreditamos o máximo possível. E ele já tinha falta desse tempo. E este tempo, este tema é sobre isso. E eu espero que vocês gostem. E também mais uma vez, o videocliptoonline, podem ver, tal como podem ver também, todo o trabalho de Nois Eros, que é um trabalho incrível e que é uma música incrível.
O Nois Nervo é um músico muito interessante Assim como a banda onde ele começou Ainda faz parte E o Can't Win Charlie Brown Ainda faz parte também Muito bem Muito obrigado Muito obrigado a ti Muito obrigado a Sour Muito obrigado a Terceiro Muito obrigado a Angra E quanto ao nosso público Muito obrigado pela vossa companhia Para a semana que há de treinar outra vez Fiquem bem Até à próxima Até à próxima
Noviembre 16, Aciñaga, Presentación de las Pequeñas Memorias. 23, México, Feria del Libro. Em 2017, 11, viagem a Madrid. 23, Brasil.
É o palco do tempo Sem tempo a mais São voltas às voltas Por querer sempre mais É um verso atrás Um degrau
São curvas as retas, no final não dizer
Sobre o tempo, sobre o tempo a mais