Episódios de Lar Doce Livro

O NOVO NORMAL T1E7 – o fim da Caranguejola, o novo Hospital Central dos Açores e o triunfo do FC Porto

05 de maio de 20261h12min
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O NOVO NORMAL T1E7 – o fim da Caranguejola, o novo Hospital Central dos Açores e o triunfo do FC Porto by Joel Neto, Marta Cruz & parceiros
Participantes neste episódio4
F

Francisco

Host
J

Joel Neto

Host
M

Marta Cruz

Host
P

Pedro

HostJornalista
Assuntos8
  • Fim da coligação PSD AçoresPSD concorre sozinho em 2028 · PSD quer abrir espaço a outras coligações à direita · Governo dos Açores · José Manuel Bolheiro · CDS e PPM · Dissolução do governo · Chega · Artur Lima
  • Gestão e estabilidade no Hospital de Ponta DelgadaDivórcio em curso entre os cônjuges · Concentração de serviços em Ponta Delgada · Esvaziamento dos hospitais de Angra e Horta · Macrocefalia assumida · Reforma do sistema regional de saúde · Unidades de saúde familiar · Centro académico clínico · Hospital de Ponta Delgada
  • Futebol Clube do Porto conquista Liga PortuguesaCampeonato Nacional de Futebol · Arbitragem · Corrupção no futebol · FC Porto · Sporting CP · SL Benfica · André Villas-Boas · Frederico Varandas
  • Contexto histórico da polarizaçãoPolarização entre ilhas · Centralização de poder na União Europeia e Lisboa · Desagregação da ideia de arquipélago · Recursos na região · Ilhas de cima e ilhas de baixo
  • O papel da literatura e da música na reflexãoLivros do Velho Testamento · O Livro do Amor (podcast) · Diálogo ecuménico · Miles Davis · Forn (banda) · Doom Sludge Metal
  • Relação Israel-EUASanções à Eurovisão · Sanções no futebol · Grande Israel · Democracia no Médio Oriente · Israel
  • Participação políticaCoerência vs. Incoerência · Leitura da sociedade · Adaptação de posições · Valor da democracia
  • Questões Eleitorais e ConstitucionaisNomeações para a administração americana · Reconhecimento da Constituição · Joe Biden · Donald Trump
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Boa tarde a todos, bem-vindos ao Novo Normal, gravado na livraria Lar Doce Livro e que é uma parceria com a Rádio Voz dos Açores. Joel, vamos começar com uma notícia que abalou esta semana a atualidade regional. José Manuel Guglieiro anunciou que em 2028, se não houver eleições antes,

O PSD vai concorrer sozinho às eleições, pondo fim assim à coligação. Isto era esperado, aparentemente não tem nada de novo, porque é que agitou de tal forma os opinion makers do mainstream.

Porque isto, desde logo, pode significar que o PSD quer abrir espaço a outras coligações à direita. Isso é extremamente perigoso. Nós já percebemos, desde 2020, que José Manuel Bolheiro pode dar a mão a qualquer um. Desde que isso lhe permita garantir a manutenção do poder.

Francamente o que me preocupa é o futuro, porque por este governo especificamente eu acho que já não há nada a fazer, é o 14º e acho que o pior governo da história da região autónoma dos Açores, lamento diz-o, tenho lá.

alguns amigos, mas realmente os resultados são desastrosos. Nós a seguir vamos falar do Putativo Hospital Central Universitário de Ponta Delgada. Eu hei de desenvolver essa minha opinião. Agora, nos próximos dois anos, se efetivamente houver governo até lá,

Vamos viver um divórcio em curso com os dois cônjuges a viver na mesma casa. É uma imagem que já foi usada por várias pessoas, mas é realmente muito desconfortável, sobretudo quem já teve amigos nessa situação, porque na contemporaneidade há muitos casais que se separam e têm de viver na mesma casa, por razões de sobrevivência.

É realmente um grande incómodo. O CDS e o PPM entendem que isto é uma traição, uma ingratidão, que isto acontece apenas para proteger José Manuel do Lieiro em ano de Congresso. Talvez seja a explicação, é a explicação mais óbvia. Agora vamos a ver, nós podemos excluir o PPM, que é um partido que está na coligação porque tem 50 votos no Corvo.

São 50 pessoas que votam naquele partido e lhe dão um quinhão do poder. Mas o que é que vai acontecer com o CDS? É curioso, eu fico expectante desde logo porque a coligação pode dissolver-se já. Já há dentro dos dois partidos pequenos vozes a pedir a dissolução da coligação já. O que significará, creio eu,

inevitavelmente, porque o PSD ainda não consegue formar governo, hoje chega a dissolução do governo. Ainda há um mês nós fizemos essa pergunta nesta livraria a Francisco César, se os Açores podiam ser os protagonistas da primeira dissolução do consulado de António José Segura, e fomos insultados em virtualmente todo o espaço online.

Vai ser consoante convier a Jérô Malabier. Eu acho que é preciso esperar que Artur Lima se pronuncie. Ele vem aqui dar uma entrevista ainda este mês. E tem a expectativa de ele se pronunciar. Bom, ele vai ter de se pronunciar, nem que seja para dizer que não se pronuncia, mas vai ser confrontado com a opinião. Agora...

que quando nós comparamos os resultados da primeira eleição de Bolière com a segunda, ele tem conveniência em não haver uma coligação pré-eleitoral, porque a coligação pré-eleitoral tirou um deputado ao CDS e um deputado ao PPM e enfraqueceu a coligação, embora ela tenha ganho as eleições, coisa que não tinha acontecido em 2020. Agora, entra ou não o chega nas contas do CDS, isso é muito interessante,

E entra ou não chega nas contas do PSD? Leia-se os jornais e parece que sim. Eu pessoalmente acho que as bases do PSD são absolutamente diferentes à entrada do chega ou não, desde que o PSD conserve o poder, e isso diz muito do nosso ecossistema político.

Francisco, os analistas do mainstream responsabilizam ou culpam Arturo Lima e até Paulo Estevam por tudo o que de mal aconteceu neste governo. E ainda hoje li um analista, o Oswaldo Cabral, que dizia o que é que aconteceu.

de mal neste governo. Foi não terem resolvido o problema da SATA, foi não terem resolvido o problema do hospital de Ponte Delgado, foi terem deixado de fugir a Ryanair. Ora bem, isso não é bem culpa de Arturo Lima nem de Paulo Estevam, isso é culpa de quem não tomou decisões que são difíceis de tomar, porque a questão da SATA, por exemplo, se calhar implica despedir pessoas.

Sim, e quando se tem que assumir responsabilidade por áreas que são evidentemente difíceis, como a segurança social, num segundo governo passa-se para o PSD porque eles vão de assumir as culpas. Assim também eu. Empresta-se a área... Isto é a publicidade do continente, não é? Pois, provavelmente, nem sei. Mas o PPM fez o contrário, Francisco. Portanto, o PPM então está a elevar.

Certo, mas há quem seja mais, talvez mais habilidoso do ponto de vista político e perceba os perigos, mas depois também queira recuperar os méritos, porque quando há bons resultados, como aconteceram no final do ano passado, quando houve o anúncio das taxas de redução, da redução das taxas de pobreza, aí já se querem assumir os louros. Mas... Isso é político, não é? É tudo político. É tudo político.

Mas o João falava do divórcio. Eu, de facto, acabei por escrever um artigo no Jornal do Nacional do Itália hoje, precisamente sobre isso. É a analogia fácil, admito, mas também eu não tenho inspiração para muito mais. E a questão não é tanto, enfim, conjunto de semelhanças que uma ruptura conjugal e uma ruptura política das tenenturas abitai.

Mas há um elemento que vai corroer absolutamente o ambiente político e social nos próximos meses, não sei se chega a ser anos, nos Açores, que tem a ver, e precisamente com isso que tu colocas, que é quem é que tem os méritos ou os deméritos da governação.

E o Joel dizia assim, mas o Arturo Lima, ou até agora, não assumiu a posição, ou pelo menos assumiu a posição de não assumir posição. Sim, mas ele não assume posições pessoalmente, ele manda os outros falar. Aliás, o que mais serviu foi a gente do CDSPP a começar a fazer a lista dos méritos e dos louros que o CDSPP tem na governação, de maneira informal, como é habitual, nas redes.

E lembrando que há outros pactos que têm que ser preservados, nomeadamente ao nível das autarquias. Portanto, há nitidamente também alguma preocupação com a manutenção do poder. Agora, é preciso não esquecer, evidentemente, o contexto em que isto está a acontecer, que cruza duas coisas. Cruza.

No fundo, é a grande polarização entre ilhas a que estamos a assistir, nitidamente por falta de recursos, e aí dividir a Reinar. E uma outra camada, e nós não temos tanta consciência disto, uma outra camada de decisão política que vai afetar absolutamente a existência de recursos na região, que é toda a narrativa que se está a construir de centralização de poder à volta dos recursos na União Europeia e em Lisboa.

O que significa que menos dinheiro vai chegar à região. Portanto, num contexto em que há a desagregação da ideia de arquipélago, em que para manter o poder é preciso dividir, e em que os recursos vão chegar muito menos aos Açores, se calhar começa-se a agir por antecipação, e eu acho que é isso que está a acontecer, daí que me parece que estamos a falar de meses, não é de um ciclo de meses.

E só acrescentaria mais um aspecto, podemos falar de geringonças como elas existiram, podemos falar destes, nem sei que nome popular é que se deu a este caranguejola, se calhar pouca gente valoriza a possibilidade de haver uma gericoisa.

A uma traquitana? A uma traquitana? Mas eu gosto de gericoizo. Ou gericoizo? Porque é que não poderá acontecer, por exemplo, um acordo entre o CDS-PP e o PS?

Isto não seria nada contra a natura. Pois não, até porque já há alguns pontos. Esta é mais contra a natura do que esta. Sim, que no Parlamento algumas vezes já aconteceu. Em determinadas reformas, ou reformas, ou políticas regionais, ou decisões de política regional e sectorial. Portanto, também não vamos excluir a hipótese de dividirmos.

para reinar e no fim ficarmos na mesma, também como a coligação. Mas nesse caso provavelmente com o CDS de Luís Silveira e não de Artur Lima, penso que é impraticável ser com o Artur Lima. Sim, com o Artur Lima. O CDS tem de se reinventar. E se diz no Brasil, me aguarda. Com o Artur Lima era um bocado cara de pau, não é? Mas da política? Nunca se sabe, não é? Cara de pau é uma virtude.

Pedro, quando eu era um jornalista, íamos àquelas conferências de imprensa muito chatas, em que nós não queríamos ir, mas tínhamos que ir. Começava a ficar emotivo, quando éramos jovens. Havia, por exemplo, conferências de imprensa da UDP.

Pá, havia mais ou menos um pacto que era não fazer perguntas. Portanto, os senhores liam os documentos e nós depois fazíamos assim. Mas havia um repórter, que era o Sr. Fernando Pereira, que era do jornal O Direto, que resumia aquilo de forma muito simples. Dizia sempre, bom, isto é uma questão entre a Terceira e São Miguel. Acabava sempre assim. Aquilo às vezes metia croquetes, antes de chegar aos croquetes ele tinha que vender essa teoria. O que é que te parece? É uma questão entre a Terceira e São Miguel.

Dizia-se o jornalista, é isso? Sim, sim. Não, não, ele era jornalista. Eu não sei se será bem assim. É possível o CDS, na figura da Tulima, está muito ligado à terceira. E, portanto, é possível até que haja alguma pressão por parte do PSD de ponta delegada.

Sem dúvida nenhuma. Como uma força mais autónoma. Mas eu acho que isto foi um caso de descoligação precoce, sinceramente. Porque o Boligueiro quis a pau para terreno e descuidou-se. Cuidado com a linguagem, não é? Porque...

Nós falávamos até no antigo Novo Donald sobre isso, sobre o facto de o PSD com a coligação ter provavelmente perdido se calhar alguma força e manifestamente os outros dois partidos também terem perdido deputados. Portanto, a coligação serviu como salvação de emergência, como bote de salvação, mas não propriamente como um aumento da eficiência do governo.

Mas neste momento, o PSD ir sozinho vai, já começou esse trabalho, vai arcar com o desgaste do governo. Já se percebeu que é o PSD. Falaste desse, eu não li o artigo do Oswaldo Cabral, mas ele já começou.

então a tentar inverter o ONU, ou seja, que a culpa será dos partidos mais pequenos da coligação. Pelo que eu percebi, é o que ele tenta fazer. Sim, porque supostamente o Arturo Linho puxa para a terceira, o Paulo Estevam leva uns dois, o Museu Carlos Machado para o Corvo. Vocês lembram-se a história dos bois, não se lembram? Boi anão, não é? Boi anão, exatamente.

Acho que, neste caso, o PSD vai arcar, sem dúvida, muito mais com o peso do governo desgastado do que propriamente o CDS ou o PPM. O PPM custa 50 pessoas, portanto não faz muita diferença. Então, Francisco, esta figura do vice-presidente...

É uma figura que está sempre tramada, porque os da terceira dizem que ele puxa pouco para a terceira. Os de São Miguel dizem que ele leva tudo para a terceira. Nós tivemos três, Costa Neves, Sérgio Ávila e Arturo Lima. Arturo Lima foi o que mais se expôs nessa matéria.

Pois, é a maneira de haver alguma forma de presidência fora de São Miguel, provavelmente, mas eu ainda estou à espera do vice-rei do Corvo, ou qualquer coisa assim do género, que é porque a monarquia parece que começa a ganhar escala, ou dimensão outra vez, agora com a visita do rei Carlos aos Estados Unidos, não é? Parece que foi uma visita. Isto também é muito uma narrativa, porque depois tem efeitos práticos, não sei se é de facto real. Cercou ou não, quer dizer...

Alciano, francamente, arcou ou quis arcar? É porque eu não consigo perceber que outra forma de desprezão política que o CDS-PP pode ter, considerando o apoio geográfico que tem, tem votos em São Jorge e aqui na Terceira.

Tem uma clientela, quer dizer, vai falar para quem? Aliás, eu acho que vai ter muito a ganhar com isto, não só pelo desgaste do PSD, mas porque a construção política do PP sempre foi feita dessa forma e só veio a crescer nos últimos anos desse modo. Com a vantagem de agora, de conseguir falar do púlpito como se fosse uma espécie de oposição quando faz parte do governo.

Portanto, consegue fazer tudo, faz o Max Nisman, faz a linha, não é? Faz tudo, quer dizer, faz a oposição, faz o governo, divide, reina e também a República, pronto. Então, consegue assumir todos os papéis. Dizer que arca com as consequências. Quer dizer, eu vejo, o que eu mais vejo nos últimos dias, são pessoas do PP, vou pensar que pela sua cabeça, a reclamarem quem comprou a máquina de café.

Quem é que compra os eletromestros lá de casa? Quem é que no fundo tem os mestres da governação? Arcar. Não arcam com as responsabilidades. O CDS existe em três sítios de Portugal. Terceira São Jorge e Madeira. Não existem mais sítios nenhum. Houve uns tempos em Aveiro, mas agora já nem. Sim, mas morreu a nível nacional. Está no governo por razões de esvaziamento daquele espaço político. Por parte do PSA, porque tornou-se um partido tampão, apenas isso.

Quer dizer, o que é que Arturo Lima há de fazer se não advogar em defesa da terceira, ou em nome da terceira? E com o Alcrestin, que na verdade o político mais preparado da região é Arturo Lima. É o político mais preparado, não há... É o mais preparado, pelo menos. Mas é o mais preparado. Também falta ao CDS um rumo ideológico, um partido que vive de ter uma ideia... Sim, por oposição ao PSC que está cheio de ideologia.

Mas pelo menos, olha, ainda bem que diz isso porque vais dizer daqui a um bocado de certeza. A ideologia direita neoliberal. O CDS acabava por ser um contraponto à direita das políticas mais liberais do PSD, do ponto de vista social também. E neste momento o CDS, tirando uma ou outra voz que tentam chegar-se à frente, lembremos da frente de Adolfo Mesquita Nunes, que tentou fazer do CDS, que agora é a iniciativa liberal.

Não conseguiu e porque o CDS tem uma base conservadora que é importante. Já existia a iniciativa liberal quando ele se chegou à frente. Sim, já existia, mas não tinha esta projeção que tem hoje. O que ele tentou foi que fosse o CDS a ter esses votos. É o que eu queria dizer. É o que parece espaço. E acho que o CDS pode neste momento...

também ocupar o espaço da direita trauliteira, tentando ser até mais civilizado. Se é esse o caminho que o CDS pode ter, ou então desaparecer. Já vamos ao Hospital Central, mas Joel, tu achas que a unidade regional pode implodir e chegarmos a uma situação...

Eu por acaso gostava de referir bem isso no contexto do putativo Hospital Central de Ponta Delgada, porque é aí que ela está em jogo mais do que em qualquer outro assunto.

Então vamos ao Hospital Central. Quer dizer, a relação ao Hospital Central, aquilo de que estamos a falar é da concentração de muito mais serviços em Ponta Delgado e, portanto, inevitavelmente do esvaziamento dos hospitais de Angra e da Horta e, porventura, dos centros de alguns, aos serviços dos centros de saúde espalhados pelas ilhas.

Eu olho para esta notícia e eu penso, então experimente-se. Porque o desenvolvimento harmónico...

já desapareceu, já não existe. A ideia de locomotiva também não é bem isto. Locomotiva é um desenvolvimento coerente, integrado, em que existe um vagão da frente a puxar pelos outros. Isto aqui é uma coisa completamente diferente. É a macrocefalia assumida, exatamente. A grande nave onde vão aterrando as outras pequenas naves.

Bom, eu diria, tentem, então tentem, porque o resto falhou tudo. Falhou tudo, estes 50 anos. Ainda bem que não estamos a celebrar com grande pompa e circunstâncias. Os 50 anos de autonomia, praticamente esquecemos disso. Eu já fiz aqui um debate sobre isso. Porque realmente não há muito para celebrar. Não há muito para celebrar. Vamos a ver.

Nós temos os piores indicadores na saúde, na educação e nas violências. Em Portugal, em alguns casos na Europa. As finanças já têm novamente um déficit estrutural de 300 milhões de euros.

Que Montenegro atentou. Mas quando o secretário das Finanças aparece a dizer que o maior servidor de dinheiro dos Açores é o hospital de Ponte Delgado, o maior centro... Vamos torná-lo ainda maior. Calho Carmo e a Trindade e vamos. Torná-lo ainda maior. A economia colapsou. Porquê? Porque temos uma monocultura. Primeiro erro.

Mas além de termos uma monocultura, ainda expusemos essa monocultura. Deixámos de promover o destino Açores há 3 ou 4 anos. Deixámos ir embora a Ryanair por 2 ou 3 milhões de euros. Quando a SATA dá, repito, a SATA dá 80 milhões de euros. E vamos a ver uma coisa. Estamos a dizer, é preciso haver despedimentos. Não é só preciso haver despedimentos, meus amigos.

É preciso pensar em que despedimentos são. São muitos despedimentos desconfortáveis entre a elite de Ponta Delgada. Não se trata só de despedir pessoas. Trata-se de despedir o filho de X e o filho de Y que vai jantar connosco nas festas da elite de Ponta Delgada. Portanto, isto está em causa nos Açores. Os Açores falharam sempre. Falharam sempre.

Quer dizer, é evidente que os Açores deram um salto colossal no pós-autonomia, no pós-25 de Abril, porque era o que faltava não darem, não é? Só de dinheiros externos já sorveram 30 mil milhões de euros, é um orçamento.

com que muitos Estados africanos não podem sequer sonhar, estamos a caminho de lado nenhum, mas vale tentar num sentido diferente. Vamos tentar a macrocefalia.

Francisco, já gastamos 30 milhões de euros a construir um barracão do lado fora do hospital de Ponte Delgado e agora quer-se um hospital novo, um hospital sem calma, um barracão maior.

a um armazém de gente. Eu nisto, por acaso, discordo do Joel, não é por até agora. Porque nós até agora, o que andamos a fazer, sobretudo na saúde, parece que desde 2004, 2005, o que andamos a fazer é pagar dívidas. Não andamos a fazer mais nada. E a questão de fundo, há duas questões de fundo. Isso porque em 96 ou 97, António Guterres pagou as dívidas todas da saúde que a gente tinha.

Se não estávamos a pagá-las desde essa altura. Isso é o dito tudo, não é? Mas as duas questões de fundo aqui, uma, eu já partilhei algumas ideias sobre isso, os nomes interessam.

Há, claro, uma resistência natural a qualquer designação centralista nos Açores, percebe-se, e esta discussão foi plantada com essa designação e com a designação dupla de central e universitária, quando não existe na arquitetura do Sistema Nacional de Saúde nenhuma estrutura desse tipo, não quer dizer que a região não possa vir a criar uma...

Mas a verdade é que nunca ninguém me explicou, porque não explicaram efetivamente, o que é que quer dizer central e o que é que quer dizer universitário. O que mais se aproxima, e a Universidade dos Açores vai fazendo o seu caminho, porque publicou agora um plano estratégico, fala num centro académico clínico.

que é, no fundo, a estrutura que mais está próxima da ideia que existe para o Hospital de Ponta Delgada, e que é uma estrutura que existe, por exemplo, na região centro. Coimbra tem um centro académico clínico. Agora, um centro académico clínico é o quê? É, como o próprio nome indica, uma conjugação de estruturas. Porque o centro académico clínico de Coimbra agrega o antigo Hospital da Universidade de Coimbra

O Hospital dos Covões, a Maternidade de Bissaia Barreto, ou seja, uma série de estruturas da região centro que presta cuidados de saúde diferenciados. Um hospital pode dizer que há continuidade geográfica, pois com certeza, mas não deixa de ser uma estrutura agregadora. Para mim não é claro.

ainda há... eu consigo perceber, quer dizer, não sou tolinho, eu percebo qual é a ideia de base que foi plantada na discussão pública, mas eu não percebo efetivamente o que é que o NUM quer dizer, e isso é importante. Segundo ponto, a discussão é plantada, primeiro porque quem de direito não tem controle sobre a narrativa, não lidera a discussão, nomeadamente o Governo, e segundo porque não há interesse de fazer a discussão verdadeira, que é a reforma do sistema regional de saúde.

Por exemplo, desde 2005, penso eu, ou mais recentemente, existem as chamadas unidades de saúde familiar. Foram criadas no âmbito do Sistema Nacional de Saúde. E mais uma vez, não é que tenhamos que adotar exatamente como elas existem. Mas houve uma reforma muito, muito significativa do sistema de saúde de cuidados primários.

coisa que não se fez na região. Nós continuamos a ter as unidades de ilha e os centros de saúde, tal como existiam há 20 anos atrás, há 25 anos atrás, com poucas reformas feitas. O que esta discussão implica é efetivamente discutir qual é o sistema que queremos trair.

E qual é a relação que queremos ter entre estes três hospitais? E se o centro académico de clínico, não nos podemos esquecer que continuamos a ter, por exemplo, aqui uma escola de informagem, porque ainda existe uma escola de informagem aqui, qual o papel que essas outras duas estruturas podem desempenhar no centro académico de clínico? Portanto, enquanto não se responder às questões vitais, nós não estamos a discutir absolutamente nada, estamos a discutir alguma coisa, só o Miguel contra a terceira e terceira contra o São Miguel. Porque é isso que tem sido essa discussão. Quem é que plantou essa discussão?

Olha, por exemplo, as pessoas, eu lembro-me de ver, por exemplo, pessoas que fizeram acompanhamento ao rescaldo do hospital, que plantaram essa discussão. E depois os outros foram atrás.

nomeadamente o presidente da Câmara de Ponta Delgado. Sim, aliás, que agora é o grande defensor do hospital central universitário, tem por uma razão, é que ele tem que limpar a imagem da Lenção Miguel, quer dizer, o resultado das trouxas que ele teve em Ponta Delgado, ou bem que ele começa a fazer caminho, ou então nem presidente da Câmara de Ponta Delgado é daqui a quatro anos. Muito menos, Pedro, como é que tratamos da saúde?

Eu concordo essencialmente com esta parte de reformar o sistema de saúde. Havia há tempos os números do Sistema Nacional de Saúde são conhecidos, são desastrosos. O servidor dinheiro não é só o hospital de Conta Delgada.

é tudo o que tem a ver com saúde, gasta imenso dinheiro. E estava a olhar para o serviço social de saúde, para o gráfico dos gastos do serviço social de saúde inglês, que está também constantemente a ser debatido, e o dinheiro que tem sido injetado. Porque a discussão é, há um subinvestimento no serviço, e não há subinvestimento, há sobreinvestimento. Não há muitos resultados. Há muito dinheiro investido.

E eu acho que não há vontade, não deve haver tempo técnico ou vontade política para avaliar. Mas se calhar muito desse, desculpa interromper, porque eu sou uma pessoa que sempre peço desculpa quando interrompo os outros. Mas até há razões bastante viáveis e justificações para efetivamente estarmos a investir mais. Há uma mudança demográfica no país.

que independentemente, melhor ou pior gestão, tu terias que investir mais. E por outro lado, quando tu tens, acho que são, ainda agora, saiu esse estudo, 3 mil camas. São 3 mil camas sociais no Sistema Nacional de Saúde. São pessoas que deviam estar a beneficiar de outro tipo de cuidado na comunidade. Esse é um bom... São 3 mil camas. Sim.

Mas esta questão do investimento que é feito tem a ver com a comunidade, com a sociedade que queremos. Se queremos uma sociedade com o sistema nacional, jornal de saúde, isso vai custar dinheiro.

Assim como custa dinheiro, e esse é o meu ponto, sempre que discutimos a dívida pública dos Açores e coisas desse tipo, que é a República tem que investir também na inteira região que lhe aumenta a zona económica exclusiva, de uma forma como os Açores fazem.

A República tem que assumir esse custo. E aí todo o lado das pessoas que acham que a economia, nós não podemos fazer uma Singapura em cada ilha. Ok, vamos a isso. Mas eu acho que é muito difícil. Se a gente fizer melhorias ou a parte. Uma parte é isso.

Agora gostava de uma coisa sobre esta questão do investimento, deixas um Pedro só reforçar o que o Pedro está a dizer. Nós temos 3 anos menos de esperança média de vida. Isso não se combate reduzindo os exames complementares de diagnóstico e as outras técnicas de redução da despesa na saúde. Embora o Hospital Central reduz a idade de reforma.

O hospital central pode ter um engano aqui, que é como a maior parte, não sei, 50 e tal por cento da população açoriana, está em São Miguel, certo? Estou a dizer alguma coisa?

A nível estatístico, ter lá excelentes cuidados de saúde pode aumentar a expansão média de vida, ainda que nas outras ilhas se mantenham ou até pioram um bocadinho. Até ao ponto em que depois todos os outros doentes vão para lá e ocupem as camas de São Miguel e eles não possam internar os doentes lá. O que acontece é que em Lisboa, como grande centro que é, acumula todos os serviços e depois vêm as pessoas das outras zonas do país e os locais também não podem fazer internamento. E depois temos que perceber a questão da casuística que é um...

que é um ponto muito apontado sempre por quem percebe o assunto. Nós não podemos ter hospitais especializados em todas as ilhas, simplesmente porque o médico precisa de prática. No entanto, agora, graças à tecnologia... Mas também não é com 100 mil putativos clientes que se tem uma grande... Realmente é muita casuística. Mas o plano, um plano de saúde regional, deve ter isso em conta. Até as tecnologias permitem fazer cirurgias à distância, esse tipo de coisas.

Mas aquilo que se vê, tanto a nível nacional, seja o governo for como aqui, é ir empurrando com a barriga. Isso da telemocina. Vai-se gastando dinheiro sem pensar bem a longo prazo. E está na altura de se pensar a longo prazo. E aqui é um conto do que o Joel disse.

também do ponto de vista da autonomia, não é aprofundar ou pensar, é tipo modelo mesmo, é que queremos para os Açores. Vamos só fazer uma passagem rápida pela unidade regional. Ela pode implodir? É a pergunta igual para todos. Ela teve colada com o betão, não é?

Sim, a questão é a unidade regional foi forjada nos anos 70, em grande parte, quer dizer, não havia Açores, nós lemos as Ilhas Desconhecidas e o Rulo Brandão não vem aos Açores, vem às Ilhas, a que se chamam Açores, quer dizer, não há uma unidade entre as Ilhas. Nós tínhamos navegação de cabotagem em interilhas, nós tínhamos proximidades regionais e depois um absoluto desconhecimento entre Santa Maria e o Feial e entre São Miguel e as Flores, etc.

Os Açores são um ideal em construção desse ponto de vista. E além disso, quando falta como alimentar os nossos filhos, todos nós estamos disponíveis para cortar a solidariedade, seja com quem for. Francisco.

O Jó tem toda a razão, quer dizer, esta ideia, até há não muitos anos atrás falávamos de ilhas de cima e ilhas de baixo, e havia uma fronteira, não era uma fronteira física, mas era uma fronteira mental, psicológica, que existia entre as ilhas e que se não estou em erro ainda vem dos tempos de ocupação dos castelhanos aqui na terceira. Há aqui historiadores, mas é uma história bem engraçada.

Era mais ou menos um concurso de quem é que queria ser espanhol, acho eu, mas um dia havíamos de falar melhor sobre isso. Mas em todo o caso, é uma construção, o próprio Equipel não existia como realidade assumida, estávamos divididos em distritos, havia todo um conjunto de barreiras. Se pode haver uma impulsão, olha o Luciano, acho que já está a acontecer, quer dizer, é mais do que visível, quando não há pão, o que acontece?

E o pior é que nós chegamos a esta circunstância em que não podemos ter partidos regionais, mas temos partidos que são partidos nacionais de ilha. Porque é o que está a acontecer. Sim. Portanto, se não há todos os sinais de que já está em impulsão... Bom dia e obrigado.

Pedro, já disseste ou queres dizer mais alguma coisa? Já disseste. Bom, vamos às vossas descobertas. Como os amigos não me mandaram as vossas descobertas, eu leio. Tu mandaste. Eu não mandei a minha descoberta. Foi. Então fui eu que não li. Estava na Vinha. É uma altura de muito trabalho na Vinha. Há muita monda. Aí está só.

portanto Joel faz favor a minha descoberta são três livros do Velho Testamento os livros de Isaías, Ozeias e Amós que eu na verdade nunca tinha lido apesar de ser protestante os protestantes têm de origem os protestantes têm mais relação com a Bíblia mas li algumas passagens de Isaías ao longo da infância mas não me lembro de ler Ozeias e Amós nenhuma passagem especial não gosto de Isaías mas não me lembro de ler

Mas o facto é que nós vamos lançar aqui na livraria o nosso sétimo podcast, vai-se chamar O Livro do Amor, e vai juntar um pastor protestante, o Rubén Couto, pastor Batista, ao padre Julio Rocha, padre católico, evidentemente, e vai ser moderado por mim, que sou...

que sou ateu, e vamos ter todos os meses uma conversa sobre, a partir de uma passagem, de uma história ou de uma personagem da Bíblia, do livro dos livros. E a ideia é termos um diálogo ecuménico a pretexto da urgência de se ler a Bíblia como uma mensagem de compaixão.

Mensagem essa que está sob assalto da extrema direita. Enfim, e também de recuperarmos a compaixão em geral. Velho testamento para trabalhar com compaixão. Essa é que é verdadeiramente a observação que o Pedro não esperava precisamente. Porque os livros de Isaías, Oseias e Amós não são os únicos.

Mas são realmente livros marcados pela compaixão. Extraordinariamente. Isaías é o profeta maior e é o primeiro dos profetas maiores. E além de ser o profeta mais citado no Novo Testamento, o que já diz alguma coisa dele, é um livro de profecias que passa...

Passou o tempo todo a condenar as atividades bélicas, expansionistas dos egípcios e dos caldeus, mas em particular a condenar as injustiças dentro da própria sociedade judaica. Isto devia envergonhar Netanyahu, porque é sobre estas, por um lado, tendências expansionistas e, por outro lado, as injustiças sociais que ele se insurge.

E é contra uma religião que funciona só para mascarar essas injustiças do dia a dia. Depois, o livro de Ozeias, que é o primeiro dos doze perfetas menores,

praticamente na íntegra é uma denúncia da corrupção moral, da idolatria e mais uma vez da falta de justiça social, da exploração dos pobres pelas elites e a denúncia da falsidade de um culto que é desprovido de amor e compaixão. E depois a morte.

É o supremo poeta, eu francamente não sabia, o supremo perfeta da justiça social, todo o seu texto é contra a opressão dos pobres, a corrupção do sistema judicial e a falsa religiosidade. Porquê é que eu estou a chamar a atenção para isto? Precisamente para aquilo que o Pedro diz. Nós entendemos o Deus do Velho Testamento como...

um Deus exclusivamente castigador, e é evidente que existe o dilúvio, e é evidente que existe a destruição do templo por sanção, etc. Mas a mensagem também pode ser de compaixão. E desse ponto de vista o Novo Testamento... Há outras histórias, eu descaro que tenho que ler mais o Isaías, eu gosto mais de ver os golos dele, mas há outras histórias do Velho Testamento que não são só essas, são terríveis, são obstruzes. E o Afra?

Acho que o Joel já tinha acabado. Francisco, o que é que descobriu?

Olha, prazer e pecado para fazer o contraponto aqui com o Joel, que veio falar da compaixão. É um pequeno prazer. E é uma redescoberta, é um álbum do Miles Davis, da fase psicadélica, que é a melhor. Embora, enfim, eu digo a melhor e depois fico sempre com dúvidas, não é? Porque ele tem muitas fases diferentes. É um álbum ao vivo gravado na Ilha de White, no festival da Ilha de White, no início dos anos 70. Então...

É conhecido que desde que mais vezes viu a Jimi Hendrix nunca mais foi o mesmo e a partir daí cria toda uma nova sonoridade, reinventa o jazz e dá origem é ele que está na origem do Free Jazz e este álbum que está disponível no YouTube mas também está remasterizado e disponível nas plataformas

Para mim, de facto, é o melhor álbum dessa altura. Esse é um concerto, óbvio, que ele dá, isto é curioso, em Zagreb, em 73. O título era o único que abria a cortina de ferro aos grandes artistas internacionais do bloco oeste, ocidental.

E, portanto, esta redescoberta tem-me trazido alguma capacidade de entrar outra vez na discografia dele. E ele realmente, se não é o músico mais importante do século XX, é certamente a segunda metade do século XX. Não só por todas as sonoridades que criou, mas também por ter sido mentor de inúmeros músicos, especialmente no género jazz, mas noutros, que tocaram com ele e com ele viram novas possibilidades. Vamos então à descoberta do Pedro.

Dizem que os Doors também têm, nesse mesmo festival, um registro muito fixe. A minha descoberta é uma banda de Doom Sludge Metal, é os Forn. Forn quer dizer sacrifício em islandês. São americanos, eu sei o que é que eles vão buscar. Estas bandas de som pesado americanas, confesso, eu cheguei há relativamente pouco tempo. Estes são os mais...

mais agressivos, eu acho que eles conseguem limar um pouco aquilo que as bandas do Norte da Europa fazem e tornam-nas um bocadinho mais palatáveis para quem chegou lá e depois abre as portas para as outras. Embora seja preciso ter cuidado a ouvir estas bandas do Norte da Europa, porque algumas têm, por trás, umas ideologias menos simpáticas.

Mas esta banda, então como disse, este álbum, e o álbum que eu devia ter escrito aqui o nome, é um álbum que lançado em 2014. Eu descobri-o em 2025 e hoje em 2026 estou aqui a falar sobre ele. Então a temática...

Tem mais a ver com o Velho Testamento do que o Joel pensa. Tem a ver com a temática de desespero, angústia, isolamento, meditação obscura e o ambiente é todo sempre muito glacial. Portanto, é um deleite. Não pede com as playlists do Pedro Pereira aqui na livraria uma vez por mês. Eu, quando venho aqui, não ponho estas bandas.

Não quero afastar. Não vem para fechar o estaminho. Não, isso não é verdade. Podemos fazer um... Vais-me deixar por aí. Fazer uma playlist desse tipo de coisas. Mas avisas antes. Com uma semana antes. É isso. Iniquidação de tal.

Muito bem. Desde o nosso último podcast tivemos as conversações do 25 de Abril, do 1º de Maio. Aviso-vos desde já que no 1º de Maio estive a plantar batatas. No 25 de Abril tivemos um discurso do Sr. Presidente da Assembleia da República.

que irritou o socialista Pedro Delgado Alves, que virou as costas ao discurso do Sr. Presidente da Assembleia. Aparentemente o Sr. disse uma coisa óbvia, que ninguém no seu prefeito juízo e competente quer ir para político, porque não está para ser vilipendiado pelo povo. Francisco, porquê que o Sr. virou as costas? Foi mal educado?

Não, usou da sua liberdade no dia certo. Está tudo bem. Não tenho qualquer tipo de comentário moralista a fazer sobre a decisão que ele tomou. Ele achou que era a melhor maneira de se manifestar. Posso concordar ou discordar. Mas essa discussão, eu acho que essa discussão está efetivamente a confundir dois planos.

porque vem na mesma altura, não sei se é reboco, muito provavelmente talvez, da discussão que foi feita sobre o financiamento dos partidos. O elemento comum é a transparência, mas o nível de análise é completamente diferente. Aquilo que o Aguerben que vem dizer é que o nível de escrutínio a que se chegou

em relação a cada uma das pessoas que pensa em dedicar-se à política, tornou-se intolerável. É assim, muito genérica. E não se tornou? Eu acho que em certa medida se tornou, e as medidas que têm sido tomadas para responsabilizar também não são propriamente brilhantes. Por exemplo, eu não sei se vocês se lembram nos governos de António Costa quando a certa altura se criou um código de conduta.

Desenvolve-se disso, não é? Está-se bem a ver que resolve o problema com as empresas de Montenegro. Nós estamos a... Uma coisa bem distinta é a responsabilidade e a consciência individual. Pela qual cada um e cada uma devem mesmo ser responsáveis. E, portanto, tem que assumir o ONU das decisões que tomam de declarar ou deixar declarar aquilo que têm e aquilo que não têm quando vão para a política.

Tornar isso, e atenção, isso não é antintransparência na minha opinião. Enfim, há de haver coisas que são absolutamente necessárias, mas eu acho que o nível de escrutínio já chegou a um ponto em que necessariamente a maior parte das pessoas não está disponível para isso. Esse é um ponto. Isso é muito diferente da responsabilidade partidária.

de divulgar quem são os financiadores. Porquê? Porque se é verdade que há conflitos de interesse e esses conflitos de interesse podem e devem ser manifestados e resolvidos,

Um partido está ao nível das organizações, não está ao nível individual. Tem um impacto na sociedade muito maior. As suas decisões são decisões coletivas. Ora, aí, obviamente que os partidos que estão a fazer força para que não se divulguem os financiadores, estão aí no sentido errado. Quando são eles que, na verdade, deviam ocupar o espaço e dizer, ou decidir, que a transparência deveria prevalecer. Até porque sabemos quem é que normalmente beneficia com essa ideia de falta de transparência. Portanto, resumindo.

Eu acho que confundir a responsabilidade individual com a responsabilidade dos partidos é um erro. Eu acho que pensar que as pessoas, na verdade, devem ser infatilizadas em relação à sua responsabilidade é completamente errado. Elas devem ser responsáveis e responsabilizadas pelas decisões que tomam quando assumem funções políticas.

E eu também gostaria que quando existem essas suspeitas, também os tribunais agissem. E que não tivéssemos por lá do Tribunal da Comunicação Social, que no fim... E as redes sociais, que é bem pior.

não, da comunicação social não se pode dizer nada sobre a comunicação social que eles põem-se logo em vez não, a comunicação social também tem uma responsabilidade porque julga quantas situações neste país estão decididas e julgadas pela comunicação social e várias, todas aquelas que não foram julgadas porque não são julgadas

E também quantas não se saberiam se não fosse a comunicação de fato? São os dois lados, são os dois lados. Mas eu gostaria que isso também fosse discutido no domínio público. Isso por um lado. E por outro, há também a questão de os tribunais agirem, não é? Porque quantas e quantas investigações do Ministério Público depois são consideradas improcedentes.

que é mato, quer dizer, chega-se ao fim e há erros procedimentais, há documentos que não deviam ser apresos aos processos, de propósito, se não sabe, quer dizer, é tudo muito estranho. Pedro, qual é a tua... Pois, eu acho que chegámos a um ponto em que há tanta gente mal intencionada, eu acho que a política é uma área nobre da vida social da comunidade.

Chegámos a um ponto em que está tanta gente que não interessa na política, que fica toda a gente com medo do escrutínio. Porque toda a gente sente que de alguma forma tem alguma coisa para onde pegar. Eu sei que isto que eu estou a dizer tem um lado injusto.

Mas, quer dizer, o presente da Assembleia, falar disto no 25 de Abril, eu acho que é sintomático, quer dizer, não é o momento para se pôr ali a defender a propriedade dos Portanto, também lhe viravas as costas, é isso? Nem pensar, ainda por cima acho que ele está metido também numa muscambilha qualquer, não é o Pedro Delgado Alves?

Assim, um estudo de um carro, de um acidente. Não, não virava às costas, mas não parece que fosse o momento certo. E quanto ao escrutínio...

É isso, há tanta gente, percebe-se que há tanta gente metida em tanta tramoia que se calhar se vai com demasiada cedo ao pote e acabam por se tomar demasiadas medidas que depois vão ser ineficazes, porque até que ponto, e nós sabemos que isso acontece, é que não estão grandes cabeças do direito a criar medidas que aparentemente são altamente eficazes, mas deixam sempre aquela saída específica.

para aquele caso de corrupção e só para acrescentar é o caso claro de quanto mais regras tu, é a ilusão de controle é uma situação de ilusão de controle quanto mais regras tu crias mais espaço tu vais criar também para chegar à conclusão que efetivamente há uma coisa que é incompatível

Agora, além disto, que é verdade que deixou de ser apelativo ir para a política? Sim, não só porque a política não é vista como uma coisa nobre, mas que é vista como uma coisa suja. E depois porque pelos vistos os rendimentos não são assim tão bons.

Porque desde que eu me lembro, desde há muito tempo que a malta está sempre deserta para fugir para a Europa. Não foi só agora o António Costa, foi também o Durão Barroso. Malta que está a esperar ganhar um bocadinho melhor, ganhar para a sua vidinha, não é? Portanto, se calhar, e isto contra a corrente mais populista direita, acho eu, é preciso olhar também para a questão dos vencimentos dos políticos.

Para não haver dúvidas, a pessoa quer ir os melhores, quer ir para ali porque se ganha melhor. Era uma maneira de resolver o assunto, Joel? Ou seja, de levar os bons a irem para a política, era pagar mais?

Eu acho que é um assunto que merece reflexão. Mas reparem uma coisa, tipos melhores do que aqueles que são ministros são tipos que ganham ordenados e rendimentos de tal maneira estratosféricos que nenhum Estado seria capaz de pagar isso. Nós não estamos aqui a falar da diferença entre 4 ou 5 mil euros e 12 ou 13 mil euros. Nós estamos aqui a falar de diferenças estratosféricas. Portanto...

Para pagar o suficiente, para trazer os melhores, o Estado teria de ter uma estrutura financeira completamente diferente. Eu, francamente, não acredito nada nesta... Também já advoguei esta ideia, mas hoje em dia não acredito nada... Primeiro que a política não seja nada apelativa. A política é profundamente apelativa para muita gente. E os tipos que não estão na política nunca viriam para a política em nenhuma circunstância.

Porque os seus horizontes são completamente diferentes. Portanto, é claro que há uma série de cidadãos para quem ela não tem apelo.

Alguns desses cidadãos são extraordinários, tecnicamente, intelectualmente, etc. Mas eles nunca estariam nas cogitações da política. Portanto, isto é coisa de que não é apelativo. Eu acho que é extremamente apelativo. Segunda coisa. Por causa do poder. Não paga bem. Por causa do poder. E o poder é um poderosíssimo. A Fruz dizia que, segundo fator, os contactos, esta ideia de que a política paga mal, não é bem assim.

Há em vista Miguel Relvas. Sim, porque a política também abre horizontes do ponto de vista do networking e sobretudo do reposicionamento do cidadão depois da política, que é uma garantia de sobrevivência extraordinária. Isto não tem nada a ver com o Pedro Delgado de Alves. O Pedro Delgado de Alves, concordo a 100% com o Francisco, fez um processo, um protesto absolutamente pacífico.

Pode estar certo, pode estar errado, mas é absolutamente pacífico. Não apenas dentro das margens da lei, mas inclusive dentro das margens do decoro. Acontece naquela Câmara, todos os dias, a violação dos mais básicos princípios do decoro e da sanidade. E, portanto, foi a coisa menos grave que aconteceu naquela Assembleia, foi aquilo que fez o Pedro Delgado Alves.

Quanto ao escrutínio, eu tenho uma sugestão. Mais ainda. Mais ainda. Porque o problema não é o escrutínio. O problema são os casos. O problema são os casos. Não é... As pessoas não estão preocupadas com o escrutínio. Não. Há muitos casos. Há muitos casos. E, portanto, eu aqui... Há cada vez mais escrutínio, não é? Está a resolver alguma coisa.

Mas também há muitos casos. É que se melhorar o escrutínio também. Mas é o quê? Reduzir o escrutínio que vai melhorar, sanear o escrutínio. Não é só... Não é só aumentar o escrutínio. Aumentar o escrutínio significa o quê? Mais regras, mais protocolos, mais notícias sensacionalistas. Certo.

Quero conseguir-se contar. Com notícias sensacionalistas. Quero é condenações, Joel. Tu me dizes que há casos. Mas há condenações. Há condenações também. Há muitas condenações. Há aquela condenação típica que é sem, efetivamente, cumprir pena. Vamos falar de futebol que vai ser bem visível. Agora, o que eu queria dizer é isto. Estou de acordo. Mais escrutínio.

e menos casos, é isso que nós precisamos e é lamentável que deixemos todos que seja a extrema direita a cavalgar essa onda porque isso é o mais elemento mas eu queria só complementar porque eu concordo com aquela visão que o Joel deu, realmente há muita gente que não

Que não iria para a política porque não é por aí. Portanto, isso faz muito sentido. Mas não deixa de também fazer algum sentido. Deixa de ser tabu que um político ganha bem. Ganha bem. Ganha um bom ordenado. E isso às vezes aparece como má. Tudo bem, não ganhar melhores ordenados. Mas, repara uma coisa. Os tipos bons ganham tanto dinheiro que nunca seria o dinheiro a trazê-los. Sim, além disso também é um bom.

Muito bem, por falar em ganhar o Futebol Clube do Porto, conquistou o Campeonato Nacional de Júlio de Futebol, os parabéns ao Francisco. Joel, foi uma... Tu que és um concorrente, não é? E que estavas ali à beira de ganhar o campeonato, foi uma vitória justa.

Sem dúvida. Foi um trabalho técnico absolutamente excepcional, com fórmulas muito simples, com uma estratégia de execução implacável e impecável. Agora, a minha mas... Não, não é mas.

Eu tenho pena, eu tenho pena. Agora a discussão, mas aqui... Eu tenho pena. É que... É que a reboque desta situação, nós estejamos na iminência de destruir por completo o que restava de sanidade no São de Baito Fó português em resultado desta vitória do Fóculo Porto. Eu vou tentar explicar porquê.

Isto pode demorar um bocadinho. Gortem-me uma palavra se for. Quem me explicou melhor, no âmbito desta guerra, futebol, clube, deporte, suporting, quem me explicou melhor a situação, foi um benfiquista, chamado João Gabriel. João Gabriel, que foi diretor de comunicação do Benfica nos tempos de Luís Filipe Vieira.

escreveu esta semana, num texto que aliás tem vindo a escrever repetidamente, a dizer, dizia o seguinte, o Benfica perdeu, mais uma vez, perdeu porque foi prejudicado pela arbitragem, porque é sempre o que acontece, e isso acontece porque institucionalmente o Benfica desapareceu, estou a citar, dos centros de poder, onde antes se via influência, hoje vê-se a ausência. Isto diz-se às claras em Portugal.

O que é que isto quer dizer? Já não é a primeira vez a direção. Isto quer dizer que alguém ganhou esse poder, conquistou esse poder. Não, o que isto quer dizer é que o Benfica perde e os árbitros roubam. E os árbitros roubam porque o Benfica já não está a saber manipulá-los como deve ser, como os manipulava antes. Isto diz-se e escreve-se nos jornais.

Isto de um clube que teve um assessor condenado a dois anos e meio de prisão por corrupção ativa, o Sr. Paulo Gonçalves, que fez ofertas a um funcionário judicial para aceder a informação privilegiada em vários processos judiciais nos quais o Benfica estava envolvido. O Sr. Tua despedida. Na meada do Benfica. Vou-te explicar. Não, não. Nem o Benfica, nem o Porto.

Nem o Benfica nem o Porto, e é isto que eu quero deixar claro. É o Sporting. Entre os quais o caso Futebolics, o caso dos vouchers e o caso dos e-mails. E o que é que aconteceu ao Benfica? O Benfica foi alivado porque o assessor obteve a informação para defender o Benfica em proveito próprio, de seu próprio proveito. Mas atenção.

O que é que vem o Futebol Clube do Porto fazer? Vem impedir que o Futebol Clube do Porto... O que é que veio André Vilas Boas fazer? Veio devolver o Futebol Clube do Porto aos centros de poder. Onde? Havia, em primeiro lugar, neste poder extraordinário que o Francisco acaba, no tema anterior, de identificar, que é a comunicação social.

Quando o futebol, o futebol clube do Porto, a meio desta época, quando havia uma luta acesa entre o futebol clube do Porto e o Sporting, pela liderança do campeonato,

André Vilas Boas iniciou uma campanha de denúncia de uma proteção sistemática planeada ao suporting por parte das arbitragens, fazendo exatamente aquilo que João Gabriel sugere que o Benfica não devia ter deixado de fazer. Não foi o único que o fez, Rui Costa veio a reboque, Mourinho veio a reboque e no fim do ano...

Frederico Varandas e Rui Borges, para minha infinita vergonha, fizeram parecido. Fizeram parecido. O que é absolutamente parecido. O que é absolutamente... Mas André Vilas Boas, fê-lo diariamente e Farioli também. Como dois bullies todas as semanas. E o problema é que ganharam.

Ganharam. Não ganharam por causa desta pressão mediática. Mas André Vilas Boas está convencido que ganhou por causa desta pressão mediática. É claro que houve benefícios ao Sporting. Eu tenho vergonha do facto do Sporting ir à final da Taça de Portugal. O Sporting ganhou...

injusto e vergonhosamente em São Miguel ao Santa Clara, deixa-me só dizer isto mas é preciso não nos lembrarmos por exemplo do futebol clube de Porto Aroca para não sabermos que o Porto também foi beneficiado e outros jogos do Benfica que também foram beneficiados porque os grandes são sempre beneficiados na relação com os mais pequenos

Ainda esta semana, Gabri Veiga, jogador do Porto, disse numa entrevista em Espanha, aquilo em Portugal é que é rivalidade. Em Espanha, a rivalidade é muito menor. Em Espanha, o país do Real Madrid e do Atlético de Madrid e da raça espanhola, a rivalidade é menor. Porquê? Porque tudo isto é ódio.

Ódio gerado e gerido pelas figuras do futebol em favor dos interesses dos seus clubes. E no caso, em desfavor do único clube, o Sporting, que não tem condenações por corrupção na justiça. O único clube que não tem corrupções por corrupção. Aquele senhor que pôs dinheiro na conta de um árbitro. A história do cashball foram todos a perceber.

foram todos absolvidos. Muito bem, mas no apitorado houve condenações e no caso dos vouchers... Pronuncio-se o réu. O réu. Pois é. Mas é exatamente nessa posição que eu quero estar.

então primeiro só só reforçar que o Porto ganhou o campeonato para quem esteja distraído depois de tudo o que o João disse e ganhou o campeonato não não apenas porque tinha um plano técnico no fundo foi o que tu disseste um plano

que se pode pensar que é técnico no sentido de futebolístico. Nós andamos todo o tempo, desde os anos 80, a dizer que alguém chegou e veio introduzir o futebol moderno. Aliás, isto vem se calhar até desde o Cruyff, desde os anos 70. E eu até nem gosto muito dessa expressão, porque lembro-me sempre do Gabriel Alves, e ele via futebol moderno em todo o lado, quer dizer, havia um jogador que fazia uma coisa diferente, e era futebol moderno.

Mas eu acho que houve um elemento de facto novo, não sei se é moderno, na gestão desta época,

Porque a palavra exata é mesmo gestão. Eu acho que o que o Porto fez foi aplicar os conceitos de gestão desde o mais alto nível das contratações.

até à definição tática da equipa. Foi tudo gestão. E é interessante como... Eu não gosto necessariamente disto, porque torna o futebol... Sim, torna mais previsível, torna menos atrativo do ponto de vista estético, mas é tremendamente eficaz. E, portanto, percebem-se quais são as variáveis cruciais, aplicam-se essas variáveis.

E no que diz já a respeito à gestão futebolística, desde o aspecto da contratação até ao plano tático, o que se viu foi uma uniformidade e uma eficácia inórias. Vais discordar de mim em alguma coisa ou não? É que eu disse isso tudo, eu concordo inteira com isso. E tu para dizer, agora vais me dar tempo também para explicar, não é? Eu sei que tu gostas de ter descontos, com abundância, e que eles são comuns aqui nos Açores, não é? Sobretudo aqui nos Açores, portanto agora vais-me dar um descontozinho.

Também não vamos gastar muita fita magnética com a gravação, depois não. E vamos deixar cair os últimos temas. Pronto, deixamos cair. Depois há os outros campeonatos. Há o campeonato que nós gostávamos de ter, todos. Nós gostávamos de ter um campeonato em muitos aspectos completamente diferente.

e para isso teriam que deixar de acontecer certas coisas. Mas temos que fazer o luto pelas coisas que não vão acontecer, porque não vamos deixar de ter artes pressionados por todos os clubes, não vamos deixar de ter declarações dos dirigentes na comunicação social.

Não vamos deixar de ter jogadores que têm atitudes das quais nós não gostamos. Mas também há uma curiosidade, é que se tivéssemos esse campeonato, das duas uma, ou tínhamos uma Premier League, eu gostava muito de ter uma Premier League até certo ponto, ou então tínhamos um campeonato que dizíamos que era artificial. Pior, três jornais fechavam, vários programas de televisão acabavam.

E deixávamos de ter tudo um sistema que sobrevive às custas disso. Sistema esse que diz o Joel foi tomado a partir ali, sei lá, janeiro, fevereiro, pelo André Vilas Boas. Bem, se o André Vilas Boas fez comunicação pública de forma mais hostil, fez.

Dizer que o Porto domina a comunicação é que é para rir. Não, eu não disse isso. Não, foi exatamente... Só disseste o quê? Eu disse que o Porto tem uma estratégia que não teve qualquer influência na sua vitória no campeonato, mas está convencido que teve. E, portanto, vai repetir isto. Isto agora temos todos os anos queixas dos árbitros, todos os dias... Mas é uma estratégia comunicacional, de poder. É deplorável, é deplorável, mas não tem coisa...

Mas eu já vou a deplorável. Vais me dar mais uns descontos, desculpa. Mas vê lá se despachas.

Eu sou campeão, pá. Eu sou campeão. Até nos esconde. E até porque em relação ao Benfica, e eu vou atalhar, em relação ao Benfica, o Benfica não tem nada a ver com isto. O Benfica, o Benfica é close. E a grande questão, de fundo, é essa. É que há um certo excepcionalismo português. O Benfica vai ser sempre grande. Maior que o Benfica, só o ACP. Já sabemos, é o maior clube português.

E é essa luta. E depois há uma outra luta, que é a luta que também há aqui nos Açores pelos recursos, que é entre o Porto e o Sporting. E aqui é que chega ao ponto. O Frederico Varandas convenceu-se, convenceu-se, que o seu partido, que para o efeito é o partido de São Miguel, tinha acedido aos recursos.

E aliás, tanto ele como a entorrajo dele e todos os portinguistas estavam muito contentes, porque o Porto tinha morrido. E como o Porto morreu, o segundo lugar, pelo menos, era sempre deles.

O Porto não morreu, o segundo lugar está em risco. O ACP nem sequer foi ao campeonato, imagina, podiam ficar em quarto. Então começa o outro campeonato que começa sempre, que é o campeonato das avenidas novas da superioridade moral.

Todos, portanto, eu não vou fazer como o Joel, não vou cair nesta coisa de ler uma lista de todas as coisas que o Vilas Boas disse. E ele disse. Até porque é mais... Mas eu podia dizer todas as coisas, e tem aqui uma lista de todas as vezes que o bully, porque ele também é bully, Varandas também vai falar dos árbitros, vai falar dos outros, dos outros clubes.

questão final eles acabam todos empatados no campeonato da moralidade e a grande questão é efetivamente essa nós não podemos ter para a Miro League nem podemos ter um campeonato artificial em que ninguém se chateia porque ninguém é melhor do que o outro nesse aspecto então preferias um soundbite mais soundbite? Pedro, resta para um benficista aquela coisa de ser a única equipa que ainda não perdeu

Da equipe da Europa. Com grande tristeza. Em para 200 vezes. A malta refere-se àqueles anos, à segunda metade dos anos 90, início do século XXI, como o Vietnã. E eu sinto que estamos agora no Afeganistão. Mas não é o americano, é o soviético. Aliás, o Sporting e o Benfica estão a passar nos treitormos. Estão a tentar passar. Está difícil.

estamos muito mal. E há aqui um paralelismo com os Estados Unidos, no sentido em que os Estados Unidos, apesar de tudo, têm-se aguentado. Há aquele maluco, mas tem estrutura, tem os americanos, são um povo fenomenal e tal, têm-se aguentado. Não poderia ser ter-se aguentado. Mas aquilo pode chegar um dia que quebra. E o Benfica é a mesma coisa. O Benfica tem-se aguentado à tona, ganhou uns campeonatos ali, mas não vai ser fácil. Agora, o Benfica não é igual.

Começou a ser igual com o Luís de Cofier, era aquele tipo que o João disse o nome. Ainda bem que ele disse que era o Luís de Cofier, porque eu não conheço estes gajos. Gosto do Benfica, mas não das direções que têm passado por lá. Que são direções que, de facto, levaram um estilo de fazer presidência, ou de ser dirigente, que não era o estilo do Benfica. Muito diferente, por exemplo, ao grande João Valeas Vez. Sim, começou no Vietnã, começou com o Damasio.

O Vietnã começou com o Oro Damásio, mas tu antes tinhas presidente. Nós temos um presidente que lutou na Royal Air Force contra os nazis. E o Sporting teve o Jorge Gonçalo. Coitados. O Benfica, a primeira taça...

E depois fala-se do regime, não estas coisas do regime, de quem é que é beneficiado, são todos beneficiados, mais ou menos o Benfica foi campeão na primeira edição da Taça dos Campeões Europeus e o regime convidou o Sporting para ir representar o Portugal a essa taça. Portanto, há aqui um clube que é diferente, que sempre foi um clube realmente compassivo, começou por um propósito.

Começou por um propósito compassivo, com malta da Casa Pia, e manteve esse lastro positivo até, diria, António Damasio, que acabou com isso. E infelizmente nunca mais saímos a ser para a torta. Manoel Damasio, António Damasio, não, esse é bom. Foi um lapso damasiano. Mas o que temos agora é isto, é o Afeganistão Soviético.

E enquanto estivermos com o Rui Costa, que era quem? Que era o Brejneve que estava lá? Ou era o Crucet? Talvez. Mas quando é que vocês vão ter mais sócios que o ACP? Isso é que eu gostaria. Não sei, isso não interessa. Já devemos ter mais. Enquanto tivermos tipos como o Rui Costa na direcção e o clube... O Benfica...

está a ser gerido como se Portugal fosse um país como a Alemanha ou como a Espanha, que são países grandes, com muita gente e conseguem com muito dinheiro comprar grandes jogadores. O Benfica foi grande quando percebeu a dimensão do país e percebeu que a dimensão do clube podia ultrapassar a dimensão do país, como de facto ultrapassa, mas com uma estratégia bem delineada.

A estratégia que tem é empresarial e uma empresa em Portugal nunca vai ser uma grande empresa europeia. Muito bem, vamos aos minutos. Joel, qual é o teu minuto?

Olha, eu pensava que não íamos aos minutos, já tinha desligado aqui o meu minuto, que eu não avisei, não é? Pois desculpa. Eu sou a favor das sanções de Israel, a Israel, no festival da Eurovisão, no futebol e sejam de favor. É preciso dizer, Israel não é Netanyahu, mas neste momento é e precisa de correção. Pelo contrário.

vai a caminho impunemente da ideia de grande Israel, da união do sul do Líbano à Cisjordânia, à faixa de Gaza e ao próprio território de Israel. Está a atrocidar os seus cidadãos, que têm passaporte israelita.

E isto deixa de lhe merecer o epíteto de a única democracia do Médio Oriente. Não é possível uma democracia, não é tecnicamente possível uma democracia estar a fazer o que Israel está a fazer. Sou a favor das sanções. Francisco, tem um minuto.

Olha, o meu minuto bastam 20 segundos. Eu tenho assistido a algumas inscrições dos novos receios, dos novos nomeados por Trump para a administração americana e é confrangedor.

ver como as pessoas que foram nomeadas nas inscrições no Congresso são incapazes de dizer que Joe Biden foi eleito pelo povo americano e que Trump não pode ser presidente de mais um mandato. Nem reconhecem a Constituição. É confrangedor, é perturbador. Isto também demonstra como é que os ditadores se rodeiam.

Tchau.

O meu minuto é sobre a coerência na política. Depois do 25 de abril, glorioso, temos que fingir sempre que gostamos muito do PC e como não conseguimos dizer mais nada sobre o Partido Positivo, dizemos que são coerentes. Álvaro Pugnal era um homem coerente. Os nazis também eram coerentes. Aliás, já sabe-se o que é que eles faziam aqui. Era coerente. Mandavam-nos para campos de concentração. Aliás, os comunistas também mandavam-nos para gulags.

Portanto, a coerência. Eu lembro-me de um cronista conservador que eu gostava, que é o tal João Neto. Aquela vez ele escreveu várias crónicas que eu gostava, eu continuo a gostar de o ler, mas com menos entusiasmo. Mas ele um dia escreveu uma crónica sobre aquelas pessoas que assumiam que o ser diferente em si já era uma qualidade. E ele, não trouxe a crónica, mas se encontraste, elas me enviaram.

onde ele explicava de forma muito clara e concisa e quase brilhante, como de facto ser diferente é uma coisa que muita gente assume como se isso em si fosse um valor e não é. Ora, há coerência na política também não.

A coerência, por ser incoerente na política, às vezes é uma coisa positiva, é saber ler a sociedade em que se insere, é saber ler a comunidade em que estamos e alterar as nossas posições segundo a comunidade e os problemas que temos à nossa volta. Acho que a grande vantagem da democracia é poder ser incoerente. Claro, apontemos os exemplos de incoerência extrema, de quem diz uma coisa de manhã e outra à tarde, tudo bem. Mas a incoerência em si é que é um valor e não a coerência política.

Muito bem, muito obrigado aos três. Termina aqui o novo normal. Boa noite.