#13 | De Volta Para o Futuro | Das Escolhas ao Inesperado
Existe um tipo muito específico de ansiedade que nasce quando a gente começa a olhar pra própria vida pensando em tudo aquilo que poderia ter sido diferente.
E se eu tivesse feito outra escolha?E se eu tivesse falado o que sentia?E se eu tivesse chegado um pouco antes… ou desistido um pouco depois?
Nesse episódio, eu e a Paulla Soave (@paullasoave_) embarcamos numa viagem por De Volta para o Futuro pra conversar sobre expectativa, arrependimento, amadurecimento e essa vontade quase impossível de controlar o rumo das coisas.
Porque crescer também é perceber que mexer no passado talvez não apague nossos erros… mas pode mudar completamente quem a gente se torna por causa deles.
Então aperta o play… e cuidado pra não criar uma linha do tempo alternativa no caminho.
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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL NA ABERTURA
Anderson "Andee" (@andersonandee)
Paulla Soave (@paullasoave_)
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EMAIL: depoisdatelapodcast@gmail.com
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- Viver o presente e lidar com o futuroExpectativa e arrependimento · Controle do tempo e das coisas · Amadurecimento e autoconhecimento · A importância das escolhas · A influência do passado no presente · A relação com os pais · A busca por um roteiro na vida · A coragem de mudar e se adaptar
- Diversidade e InclusãoA luta pela inclusão de pessoas autistas · A importância do respeito às diferenças · A hipocrisia das campanhas de inclusão · A necessidade de empatia · A questão racial e a comunidade LGBTQIA+
- Impacto da tecnologia na ansiedadeO excesso de informação e tecnologia · A ansiedade gerada pela velocidade das mudanças · A diferença entre gerações e o ócio · A arte digital e a evolução tecnológica · A linha tênue entre o real e o digital · O impacto da inteligência artificial no trabalho
- Viagem no tempo e históriaTempo linear vs. tempo não linear · Impacto das mudanças no futuro · O paradoxo de Dark · A missão suicida de Doze Macacos
- Autossabotagem e PsicologiaO medo da rejeição e de não ser bom o suficiente · A dificuldade em expor o próprio trabalho · A busca por uma carreira consolidada · A importância de se reinventar
- A vida como chamadoA busca pelo meio termo entre planejamento e ação · A importância da flexibilidade diante das mudanças · A coragem de se entregar ao desconhecido · O jeitinho brasileiro de se adaptar
Acabou o filme, maratonou a série ou zerou o jogo? Então cola com a gente, tá começando Depois da Tela com Lincoln Brevillieri. Produção de áudio Vinhetando. E não se esqueça, morador de Rio Vale, fechando o ano de 1985, o baile Encanto Sob o Mar tá chegando. Já garantiu o seu ingresso? E agora, para entrar no clima de romance, Peraí, peraí, que ano ele disse mesmo?
1985? Não, não, não, não, não, não, não era pra ser isso.
Ano errado de novo?
Paula, como é que—
Ah, engraçado, né? Você sempre acha que dessa vez vai conseguir controlar tudo.
Eu só achei que dava pra mudar umas coisinhas aqui e ali.
Todo mundo acha, até perceber que se mexe numa coisa, todo o resto também muda. Tá.
Então só me diz uma coisa, deu certo?
Depende do que você tava esperando. Nem todo plano sai como a gente imagina. Mas relaxa, você ainda pode fazer diferente.
Pois é, brincar com o tempo talvez seja mais complicado do que parece. Mas e você, mudaria algo da sua história se tivesse a chance? Me conta lá no Instagram, no @depoisdatela_podcast. Então deixa eu me apresentar, eu sou o Lincoln e esse é o Depois da Tela. Hoje a gente vai falar sobre escolhas, sobre expectativa e sobre essa vontade meio inquietante de fazer diferente. E para conversa fluir, eu não tô sozinho nessa. Quem tá comigo hoje é a Paula Soave, e se você consome conteúdo de cultura pop na internet, é bem provável que essa voz já more nos seus ouvidos.
Ela é narradora, criadora de conteúdo e a voz por trás das listas do What Mode Brasil. Mas hoje ela assume um outro papel: a minha parceira de viagem nesse DeLorean turbinado. E juntos a gente vai tentar entender tudo que ficou pelo caminho. Bem, Se prepara, porque depois da vinheta a gente vai falar sobre De Volta para o Futuro. E foi numa conversa que eu me deparei com uma verdade meio inaceitável: eu nunca tinha assistido De Volta para o Futuro.
E eu peço desde já desculpas tanto para nossa convidada quanto para quem tá me ouvindo, porque assim, o mais curioso é que eu tinha memórias do filme, mas aí eu me liguei que na verdade as minhas memórias eram do segundo ou do terceiro, era uma mistureba dos dois assim, sabe? E logo depois que a gente decidiu trazer esse filme para o episódio, o meu primeiro pensamento foi assim: nossa, deve ter pelo menos umas duas décadas que eu não vi esse filme.
Até que eu descobri que na verdade faz 36 anos. Mas não se preocupem que eu fiz o meu trabalho de casa, eu dei o play, aí a ficha caiu, né, que de fato eu tava vendo uma coisa inédita. Uma coisa inédita que tem, sei lá, 40 anos, né? Mas para mim é inédito, isso que vale. E então, de uma certa forma, essa foi uma primeira experiência que eu tive com a história. Eu achei muito interessante porque assistir algo tão icônico assim pela primeira vez depois de adulto faz a gente enxergar algumas coisas de um jeito diferente, né?
Mas antes da gente começar as nossas impressões assim, por favor, Paulinha, se apresenta para galera.
Olá, eu sou a Paula Soave, eu sou a narradora do WatchMojo Brasil e eu adoro filmes desde criança. Eu assisti, eu acho que não vou dizer no lançamento porque eu era realmente muito pequena, mas eu assisto De Volta para o Futuro desde criança. É a minha trilogia favorita do mundo.
Mas é muito legal mesmo, né, cara? Tem uma certa magia, né? Eu acho que esses filmes daquela época tem essa magia assim que é muito difícil de replicar. Não adianta.
Tem a magia e no nosso caso a nostalgia, né? Que toda vez que a gente assiste, no meu caso por exemplo, eu lembro das tardes.
É, tem isso, assistindo na sessão da É, eu acho essa palavra muito interessante quando a gente para para pensar, porque nostalgia é quando a gente assiste alguma coisa que é muito querida para gente e tal, ela sempre vem acompanhada por uma lembrança afetiva, né? Nunca é só sobre o filme, mas é aquilo que tava em torno do filme, né?
Isso é muito legal, é a sensação de assistir o filme. Eu acho que até hoje a sensação de parar e assistir o filme do começo até o final ainda, para mim, ainda é a mesma, sabendo o fim da história.
Sim, e é isso que mostra que que é um bom roteiro, né? Eu digo assim, por exemplo, Chaves, eu posso ver 500 vezes, eu vou rir das mesmas piadas o tempo inteiro. As piadas com a vida, exatamente, exatamente. Porque assim, para mim, eu uso até hoje o lema do Seu Madruga, né, que o trabalho não é ruim, o ruim é ter que trabalhar. Mas agora, para a gente seguir o ritual padrão aqui do canal, vale a pena todo mundo tá alinhado. Acho muito difícil alguém não conhecer essa história, né?
Mas como é de praxe, a gente faz aquela sinopseszinha básica para quem tá acompanhando a gente tá na mesma página. O De Volta para o Futuro acompanha o adolescente Marty McFly, que por acidente e um pouquinho de desespero e um tantinho de burrice acaba viajando no tempo, mais especificamente para época que os pais dele eram jovens. E aí as coisas começam a ficar um pouquinho complicadas, porque quando ele começa a interferir no passado, ele bagunça completamente a linha do tempo e ele precisa dar um jeito de consertar tudo antes que as consequências cheguem nele mesmo.
Inclusive o risco de simplesmente deixar de existir. Aí no meio disso tudo, o filme brinca com uma ideia que é quase impossível da gente ignorar, né? E se a gente pudesse voltar no tempo, será que a gente faria alguma coisa diferente? Então já começo perguntando pra você: se você tivesse a chance de voltar no tempo, você mudaria alguma coisa? Ai, eu...
Eu acho que eu faria mais coisas. Não sei se mudar exatamente assim. Eu acho que as coisas acontecem da maneira que ela tem que acontecer. Eu acho que talvez eu aceleraria algum amadurecimento se eu tivesse feito mais ou se tivesse feito diferente naquela época.
Uma coisa que você falou nesse papo e que eu acho muito interessante, que talvez isso daí é super pessoal, obviamente. Acho que o arrependimento de não ter feito alguma coisa pega muito mais do que quando a gente percebe que a gente fez alguma burrada lá atrás. Acho que esse é o pulo do gato. Só que a gente não tem como prever, né? Porque a vida ia levar a gente por um caminho completamente diferente às vezes.
E às vezes você só tá lá na frente, você pensa: nossa, eu podia ter feito isso! Nossa, isso ia fazer uma diferença danada hoje, 20 anos atrás! Mas não tem jeito, a gente não tem como prever, né?
E a nossa mania de olhar para trás esperando essa perfeição, acho que é isso, não vale só para gente. A gente costuma fazer isso com sabe quem? Com os nossos pais também. E aí, antes da gente fechar esse bloco assim, eu queria comentar sobre uma coisa que o filme faz, que pra mim particularmente é um dos pontos mais altos nas minhas anotações aqui. Ele mostra que os pais do Marty eram pessoas muito inseguras. E aí eu queria jogar isso pra você, até pelo seu lugar de mãe, né?
Você acha que perceber isso dos seus pais assim, o quanto hoje, né, a gente sabe que eles podem ter feito os erros que forem, assim, mas eles estavam tentando acertar, né? Aí você acha que isso te ajudou a lidar melhor com a sua criação hoje?
Ai, eu vejo assim, eu entendo hoje como mãe, eu entendo as atitudes que eles tiveram na época que eu era criança, adolescente. Mas eu não sei, questão de segurança, de autoestima, assim. Eu vejo pelo meu filho, meu filho é o meu reflexo. Quando eu era criança, eu era exatamente como ele é. Então as mesmas inseguranças que ele tem, eu tinha. E eu sei que ele vai superar, mas sabe o que ele vai ter que passar para superar, né? Eu vejo mais o para frente do que para trás.
A diferença de idade, assim, meus pais me tiveram, já estavam quase 40 anos. Então é uma diferença muito grande de geração. Então medo de deixar andar sozinha de noite, o mesmo medo que eu tenho com as crianças. Mas eu acho que não sei, eu olho mais para frente assim, eu me vejo no meu filho.
Não deixa de ser, né? Porque eu não sou pai ainda, mas Mas eu imagino que... Tudo bem, talvez seja biológico demais, científico demais falar sobre isso. Mas é literalmente, né, um pedaço da gente que tá ali pelo mundo. Então, saber... A gente que é mais velho, assim, em comparação a eles, obviamente. Tendo essa consciência do mundo que a gente vive e tudo mais. Eu imagino que deve ser um alerta constante, né, na cabeça dos pais, assim.
Uma preocupação, você não dorme. Eu acho que eu não tenho sono pesado. Desde que eu sou mãe, que a criança vira, eu consigo ouvir. Ele começa a passar mal de noite, eu corro para acudir, porque eu sei, tá, alguma coisa tá errada. O jeito que tosse, o jeito que respira. Nunca mais tive uma noite tranquila de sono. Até quando dorme na casa da avó, da tia, não tenho. Como é que ele tá? Mas é sempre um alerta constante, uma preocupação constante.
E é muito legal, eu acho que o filme faz isso de uma forma muito bacana, porque a gente vê o casal inicial, né, e vê que o casamento O casamento não é ali tão bem encaixado. A mãe claramente tá muito arrependida de estar presa naquele casamento. Pelo menos eu tive essa impressão de que ela não queria estar ali. E o pai, por sua vez, é um tremendo de um banana.
Acomodado.
Acomodado, exatamente. Eu acho que ele usa o medo de tudo que ele tem, né, como um comodismo mesmo. Tipo, ele acabou usando isso como uma muleta, eu acho.
E você vê que uma atitude mínima que ele teve— bom, vamos dar spoiler ou não?
Ah, um spoiler de um filme de 40 anos? Acho que tá liberado, né? Eu acho que tá liberado.
Mas aquela atitude mínima que ele teve de bater no cara, uma única ação fez ele mudar toda uma vida, né? O que a gente fala, mudaria o passado? Não mudaria o passado, mas se você tivesse uma atitude um pouquinho diferente, tivesse um reconhecimento diferente, ou tivesse ouvido uma coisa diferente, você seria outra pessoa hoje.
E o mais engraçado é que o filme me deu uma grande surpresa. Eu não esperava de verdade o final que ele teve, porque eu tava acompanhando o filme como se fosse Dark, digamos assim. Uma comparação meio esdrúxula aqui, mas é para entender. É porque assim, nessas histórias de viagem no tempo, como viagem no tempo não é uma coisa que existe, cada obra interpreta de uma forma diferente, né? Tem uns que dizem que o tempo é uma coisa linear, e aí entra Dark, que assim, por mais que você volte no tempo, estava escrito no tempo que você deveria ter passado.
Então tudo meio que vai se encaixando. E aí tem uma outra série que eu amo de paixão, que enfim, super desconhecida, mas que é baseado no filme muito clássico que é Doze Macacos. Eu adoro esse filme e eu adorei a série. Então eles já mostram uma coisa um pouco mais parecida com De Volta para o Futuro, né, que quando você volta no tempo e faz alguma mudança, isso vai ter um impacto lá na frente. Então assim, a missão do Bruce Willis no filme do Doze Macacos é literalmente uma missão suicida, né, porque ele vai para pra evitar que o vírus se espalhe, sabendo que isso vai acabar com a existência dele.
Então, aí quando eu vi o final do filme, que de fato ele mudou alguma coisa e a história da família dele tá diferente, eu fiquei, ué... Na minha cabeça, eu jurava que era assim... Tem vários elementos que eles iam falando, do tipo... O Brown, né, fala pra ele que ele teve a ideia numa noite de um... Sei lá, de uma sexta-feira, que alguma coisa aconteceu. E aí, quando ele viaja no tempo, ele é essa pessoa que deu a ideia para ele. Eu falei, ah, então é igual Dark. Então é igual Dark. Eu assumi.
Dark é fenomenal assim, até você conseguir entender. Quando você se acha no Dark, ele é maravilhoso.
O meu problema com Dark foi identificar os atores.
Eu tenho um problema com o nome também. Começa assim, eu não sei quem é quem.
Eu gastei muito tempo, ainda mais quando é um nome alemão, né? Pelo amor de Deus. E não, quando era assim, alguém tem uma verruga, alguém que é caolho, aí fica fácil de entender. Mas aí às vezes esse cara É o passado de quem? É o filho de quem? Aí é complicado, complicado. Mas uma última, um último comentário que eu tenho para fazer sobre esse assunto aqui é que para quem escuta esse podcast há mais tempo sabe que eu tenho uma mente muito linear.
Eu tenho uma dificuldade muito grande quando eu não faço as coisas de um jeito muito específico que eu determinei na minha cabeça que é o certo.
Isso é maravilhoso, porque a minha é assim, ó, é uma árvore.
Não, não é, não é. Sabe por quê? Eu vou dar um exemplo aqui. Imagina um quebra-cabeça, e aí você descobre no meio do caminho que tá faltando uma peça. Tem muita gente que, ah, dane-se, eu vou continuar fazendo aqui, eventualmente essa peça vai aparecer. Comigo não. Eu vou ficar tão focado nessa peça que tá faltando que eu não vou conseguir fazer mais nada. Eu travo, entendeu? Porque eu vou ficar procurando em todos os lugares que eu já fui, procurando esta bendita desta peça.
E aí o que que eu poderia fazer para adiantar, eu não faço, porque eu tô concentrado numa coisa que não tá no meu controle, entendeu? Esse é o perigo, esse é o perigo.
Eu já sou muito louca que eu não tenho nem a preparação, eu já tô querendo lá o resultado. E eu sou dessas, tão cara de pau que eu vou, eu vou. Se der certo, maravilha. Aí nós vamos aprendendo no caminho.
Exatamente. Mas eu acho que a vida tem que ser um meio termo disso, né?
Tem que ser um meio termo, você tem, né? Não dá para ser tudo, não é?
Não é. E aí uma coisa que eu, sei lá, parei um pouco para pensar também também foi ver que os pais do Marty sendo gente como a gente, e me fez pensar que a maior máquina do tempo que existe é a empatia. Porque a gente tem que entender que eles não tinham essas respostas o tempo todo e que a maneira como a gente cobra acaba influenciando pelo ponto de vista que a gente tem agora, né? Porque hoje a gente tem essa informação, aí não é justo a gente cobrar dos outros uma parada que talvez ele não tenha ainda, né? Uma hora ele vai chegar, mas ainda não. Sempre chega, né?
A gente pensa muito no que a gente mudaria no passado, né? Mas a gente não pensa às vezes o que a gente pode mudar hoje para fazer o futuro diferente. A gente fica indo tanto no piloto automático, vai pegando as memórias, vai pegando os traumas, os paradigmas, vai deixando tudo na cabeça que você não muda hoje para ter um futuro diferente. Aí você chega lá no futuro, pô, devia ter feito melhor no passado.
Mas o seu passado é agora, também é agora, né?
É um negócio muito dark também.
O que você falou agora é uma tremenda verdade. A gente tá vivendo numa época em que a ansiedade é uma coisa muito real e muito palpável. E ansiedade nada mais é do que a gente preso no passado, né, nas possibilidades. E eu sei porque é o meu modus operandi, eu vivo assim aqui também. Pois é, mas é isso, quando a gente tem a consciência de que o nosso passado é um segundo atrás, muda toda a nossa perspectiva, né.
E aquela coisa assim, é que você também trabalha de casa, como eu trabalho de casa, o meu passado é assim: por que que eu não acordei mais cedo hoje? Com tanta coisa que eu tenho para fazer, porque como eu acordei meia hora mais cedo, né? Mas amanhã vamos fazer o quê? Acordar no mesmo horário. Eu já ganhei consciência disso, agora botar em prática, aqueles negócios, 21 dias, preciso de 21 dias fazendo a mesma coisa.
Pausa dramática.
Agora é hora da nossa a nossa pausa dramática, aquele momento que a gente para tudo para falar da cena que mais marcou. E nada mais justo do que deixar a nossa convidada responder essa. Eu queria que você contasse aqui para a gente qual é a cena que mais te marcou e por quê. E vale qualquer coisa, tá? Vale porque ela tecnicamente é muito legal ou porque ela te trouxe uma memória bacana, vale qualquer coisa.
Olha, tem, tem, eu gosto muito da cena que a gente tava até comentando, né, o pequeno ato que muda tudo, que é a cena que o pai coragem e dá um punch, assim, dá um cacete no Biff pra defender a mulher. E aí ela se reapaixona por ele, porque até então ela tava apaixonada por o Tito.
Ai, meu Deus. Taquicardia, taquicardia.
Essa cena eu gosto muito, mas a cena do baile que ele toca, que ele vem com... Ela é muito divertida, assim, mas eu acho que tem uma jogada muito interessante, assim, de... Ele toca uma música que já foi lançada, que pra ele é antiga, mas ainda não foi lançada naquela época. E as pessoas não estavam preparadas pra aquilo. E aí vem o cara no telefone e falou: Olha, ouve aí, não, uma coisa muito legal que a gente tem que gravar, que é o cara que vai gravar a música no futuro.
Mais uma vez que o filme dá uma brincadeirinha, e eu acho que é um Dark da vida.
Fica nesse vai e volta assim. Eu gosto muito disso por essa jogada de ida e volta assim, onde é o passado, onde é o futuro, porque eu acredito, para mim o tempo não é linear. Eu acho que estamos aqui, estamos ali, não sei, vamos saber. Mas eu gosto muito de— não estamos preparados para isso, né? Eu, com a minha leve idade de 44 anos, às vezes eu acho que eu não tô preparada ainda para tanta tecnologia na minha vida. Eu preciso de um computador para fazer uma edição de vídeo.
Eu vejo essas crianças assim fazendo uma edição que eu demoro uma hora fazendo em 10 segundos, 10 minutos no celular. Então eu me senti meio que não estamos representadas para isso. É, me sinto representada ainda toda vez.
Mas eu acho isso uma coisa muito interessante da gente parar para pensar, que de fato é exatamente isso que acontece, né? Às vezes não é o mundo que tá indo muito rápido, é a gente que não está acompanhando o mundo.
E tá tudo bem assim. A gente, você tem 36, né? A gente tem 8 anos, é quase uma geração diferente. Mas assim, eu fico pensando que a gente ainda foi uma geração que pegou a evolução um pouco mais lenta. A gente pegou a internet internet entrando, né? Então a gente tinha ali a conexão discada que você tinha que pegar no domingo, pegar um pulso só. Nossa, a gente não— a gente pegou essa transição assim. Tem crianças, meu filho às vezes me pergunta, mãe, o que que você fazia para se divertir quando você era criança?
Quando você chegava da escola, você fazia o quê? Eu falei, nossa senhora, que tédio que é!
Ah, é sério?
Ficava o quê? Assistindo televisão.
Nossa, eu adorava, eu adorava!
É, e as crianças, ele precisa o tempo todo tá com aquilo. A gente fica, ele não consegue ficar no ócio, né? E o que a gente mais gostava era o quê? Ficar no ócio no meio da rua.
Nossa, é verdade, não fazer nada, não fazer nada. Dava uma pedra pra gente, a gente tava se divertindo.
Então é isso, eu fico pensando até onde isso é bom, né? O excesso de tecnologia, o excesso de informação, a gente querendo sempre estar à frente, né, com a notícia, com o acontecimento, com a novidade. Isso acaba gerando uma ansiedade, que a gente não tá preparado para isso como ser humano, né?
Eu tenho uma visão um pouco mais— eu não sei se a palavra certa é essa, mas por falta de palavra melhor, otimista sobre esse assunto. Porque assim, eu vou dar um exemplo também, eu sou o homem dos exemplos para fazer as comparações. Assim, se a gente for parar para pensar lá na década do século do Renascimento, assim, o que valia era a pintura num quadro. E aí o tempo foi passando e tudo mais, aí chegamos agora na coisa digital.
Vamos botar uns 40 anos atrás, não, menos, até uns 20 anos atrás, pessoas que desenhavam no computador não era arte. Isso não é arte. Só que aí a coisa vai avançando e a gente vai vendo que sim, isso também é arte. E aí agora tem todo um campo da arte que é só para esse tipo de coisa, de pintura digital e tudo mais. E aí eu acho que a gente tá vivendo numa época em que é exatamente isso. A gente tem muita coisa nova surgindo numa velocidade muito rápida, mais rápida do do que qualquer outra fase da nossa história como ser humano.
E a real é que ninguém tá sabendo lidar com isso direito. Ninguém. Porque a gente não precisa nem ir muito longe. Na nossa época, quando a gente era criança, não existia rede social. As crianças de hoje em dia, elas já nasceram numa sociedade em que isso é uma realidade. E digo mais, tem um peso muito importante pra quem ela é como pessoa. A gente encarava a rede social como se fosse, sei lá, tipo uma cópia digital da gente. Eles não fazem essa diferenciação.
Real e digital. Isso para mim é muito doido, isso é muito doido. Então eu acho que é isso, eu acho que é só uma questão da humanidade às vezes encontrar um meio termo para as coisas. Eu não acho que isso vai acontecer enquanto estivermos vivos, sendo bem honesto, mas eu acho que a gente vai chegar lá. Eu espero, eu espero. Segura na minha mão, vamos!
Depois da Tela.
Tem uma coisa em De Volta para o Futuro que fica meio nas entrelinhas, mas que quando você para para pensar pesa bastante. O Marty, ele não tá só lidando com o passado, ele também tá lidando com quem os pais deles eram, com a forma que esperavam que ele vivesse a vida, né? E de certa forma com o que acabou virando a realidade dele depois. Aí isso me faz pensar como muitas vezes a gente cresce meio que dentro de um roteiro, né?
Inclusive eu já falei algo bem parecido com isso em alguns episódios atrás, mais especificamente no episódio da Jane the Virgin. Mas vai ser legal a gente avaliar isso por um outro ponto de vista. Então eu queria saber de você, Você já teve essa sensação de estar seguindo um caminho que parecia já ser, sei lá, meio que esperado de você, mais do que realmente você tenha escolhido ele?
Não, porque eu sou, eu sou, eu sou ovelha negra da família.
Isso é muito bom.
Eu sou aquela assim, eu tenho meu lema de vida, é Zeca Pagodinho. Se eu tiver errada com a citação, me desculpa. Deixa a vida me levar, tipo, vida leva eu. Eu não tenho, eu, Ari, isso é um defeito muito grande, eu acho, que eu não tenho um planejamento de vida.
Você falar para mim assim, como você vê ser a sua pessoa daqui 5 anos?
Não sei, com mais cabelo branco, mais gordo, mais magro, nem isso eu consigo definir. Então eu não sou muito parâmetro para isso, né, do roteiro. Eu, eu sou muito comparada assim, por exemplo, as pessoas que eu considero normais, que as pessoas se formam, elas escolhem uma faculdade, elas seguem isso e tem uma vida estruturada. Então na minha idade os meus amigos já tem vidas estruturadas, já estão, sabe, bem-sucedidos, com tudo em dia.
Eu não tenho isso assim, eu não sou uma pessoa de planejamento, eu não sou uma pessoa organizada. Isso é um defeito tremendo. Então eu não vivo um roteiro, eu vivo assim um...
Ah, mas eu acho que novamente isso também é uma coisa interessante da gente pensar, porque nesse episódio da Jane é muita contradição com a sua realidade. E eu me vejo muito no papel da Jane, eu até comento isso no episódio, porque assim, ela é uma garota que ela trabalha como garçonete num hotel de luxo e tudo mais. Então assim, ela tem a vida dela muito estruturada. Aquilo dali é um bico pra ela conseguir o que ela quer na vida, que é se formar, escrever um livro, ela sonha em ser escritora, futuramente se casar e ter filhos e tudo mais.
E ela é virgem, tem esse detalhe, né, que é o nome da série. E ela já tem um noivo e tudo mais, então tá tudo meio que encaminhado. No primeiro episódio já dá tudo errado, fazem uma inseminação artificial por engano nela e ela fica grávida virgem. E aí aí, mano, é basicamente a vida te ensinando assim: ah, você planejou isso? Poxa, que pena. Poxa, caramba, e se eu colocar um bebê aqui para você, hein?
Mas eu, isso assim, eu não planejei a minha vida, mas a minha vida foi mais ou menos isso assim. Eu não planejava casar e ter filhos, mas eu acho que existem coisas mais fortes do que você, maiores do que você. A gente entra em outras questões, né? Mas eu era, a única coisa que eu era organizada na vida era no meu anticoncepcional. E até ele falhou, sabe? Aí você vai ver na caixinha que nem para processar a fábrica eu poderia, porque ele não é 100% eficaz. Então eu tô naquele 0,01% de que ele pode falhar.
Eu acho, eu acho um jeito interessante de se viver. Confesso que eu ia ficar desesperado.
Meu filho, eu te contei minha história, né? Mas enfim, ela é muito doida, né? O meu marido, ele é descendente de japonês morou a vida toda lá e tinha acabado de voltar para o Japão porque ele precisava renovar o visto de residente e ia ficar um ano fora. Então é assim, não terminamos, mas ele tinha acabado de ir embora, ele foi embora. Eu não sabia que eu tava grávida. Quando eu descobri, falar: e aí, amigo? Assim, por mais que eu tivesse planejado assim, eu não tava no momento bom de profissional nem nada disso, mas eu tinha uma profissão e tava tentando fazer uma carreira naquilo.
E tudo muda de repente. Você pode ter um planejamento, eu tinha um planejamento de vida, mas eu tinha uma ideia do que eu queria. E tudo muda. Eu mudei de país, eu, sabe, fui morar sem conhecer ninguém, fui para o outro lado do mundo. É uma coisa muito doida, né? E eu tive um curto período para decidir isso. Então eu sou daquelas assim, mano, isso aqui pode dar certo, vamos embora, sabe? Eu vou assim, eu penso primeiro, quer?
Quero.
Depois eu penso como é que eu vou fazer. O emprego assim, você aceita o emprego? Aceito, porque eu acho emprego da minha vida, você aceita? Aceito, sabe? Vai fazer?
Não sei ainda não. Aprende no caminho, aprende no caminho. Exatamente. Vai ficando bom, eu confesso que às vezes eu precisava fazer um pouco esse movimento também, porque assim, controle é uma ilusão, ponto. A gente nunca vai ter nada na nossa vida certo, né, que você tem 100% de controle. A única coisa que a gente sabe é que eventualmente a gente vai morrer, e é isso, é só isso. Nem quando, nem como, nem isso a gente sabe, né?
Mas ao mesmo tempo Não ter uma mínima direção me deixa muito doido. Eu tava falando com um amigo meu há um tempo atrás, assim, fazendo essa comparação com um circo, assim. Como é que é aquele trapezista? Eu tenho coragem pra fazer um trapézio, ficar lá me balançando. Metaforicamente falando, porque na vida real não tenho. Porém, sabendo que tem uma rede de segurança ali embaixo. Então, eu encaro a minha vida assim, do tipo: Ah, apareceu uma oportunidade nova que vai me tirar um pouco do meu eixo.
Ah, vamos tentar, não tem problema. Mas eu sei que eu tenho para onde voltar, entendeu? É basicamente assim. Se eu ver que a minha ida para algum lugar pode afetar o que eu tenho hoje, aí eu não vou.
Nossa, eu já sou— nossa, eu sou o oposto. Eu sou assim, isso aconteceu até mais de uma vez na vida, mas eu sou do tipo assim, eu chego numa estagnação que eu falo, eu preciso mudar de vida. E é um mudar de vida extremo, sabe? Eu confesso assim, eu tenho fases da vida de mudar assim. Às vezes ele é muito, às vezes extremo realmente, às vezes eu não posso ser tão extrema de mudar de país toda hora, né, infelizmente. Mas o fato de chegar e fazer 10 tatuagens, 15 tatuagens de uma vez, mesmo que sejam pequenas, porque aquilo marca um ponto de virada na minha vida em algum momento, por algum motivo.
Mesma coisa assim, cortar o cabelo. Meu cabelo agora tá comprido, e isso é raro na minha vida, uma vez por década ele cresce, mas é um fato assim, daqui 2 meses eu preciso mudar e ele vai estar mais curto que o seu. Ó, eu sou dessa, assim, eu preciso de um ponto de virada. Isso aqui marca o fim de um ciclo para começar o fim de uma era.
Eu acho isso muito interessante, de verdade, de verdade. Acho muito legal como a nossa vida é marcada por esses marcos assim, né? E a gente olhar para trás e ter registro desses marcos Mas eu acho muito maneiro, muito maneiro mesmo.
Sabe que uma coisa assim, meus pais tiveram o mesmo trabalho durante a vida toda, minha irmã sempre soube o que ela quis fazer. E eu, quando eu terminei a faculdade, era uma coisa que eu sempre quis fazer, mas eu não me encontrei dentro da faculdade, né? Eu fiz rádio e TV, gostaria muito de ter trabalhado, mas enfim, é aquela coisa de amadurecimento, né? E eu entrei no meu primeiro emprego e eu olhava as pessoas que estavam ali há 10, 15 anos, eu me questionava, eu falei, meu Deus, eu não quero ficar aqui por 20 anos fazendo a mesma coisa todo santo dia, sabe?
Contando os dias para um final de semana, contando os dias para as férias, sabe? Era uma coisa que até hoje, na verdade, se eu faço a mesma coisa muito tempo repetido, começa a me dar um desespero. Eu preciso mudar assim radicalmente, porque não sei, eu não tenho essa vida exatamente. O problema de não ter a vida planejada, sabe? Eu preciso mudar, não sei por quê.
Eu tenho um insight aqui que talvez talvez você não tenha parado para pensar por esse lado. A gente tava falando, a nossa conversa foi sobre esses caminhos que a gente meio que é colocado, porque no caso do Marte especificamente não foi o caminho que ele tava pensando, era o caminho que os pais esperavam que ele cumprisse e tudo mais. Mas aí conversando com você, eu acho que você cumpre um caminho, só que não o que você acha que cumpre.
Por exemplo, você tava pensando sobre o papel que os outros colocam em você, mas você não tá colocando na equação o papel que você mesma colocou para você. E eu acho que é por isso que esses pontos de virada para você deve ser tão importante, porque é isso, do tipo: eu não tô seguindo o papel que eu quero, vou mudar. Não estou seguindo de novo, vou mudar. E aí você fica fazendo essas mudanças assim. Joguei no ventilador. Cadê meu diploma de psicologia? Cadê? Cadê?
É uma frustração de vida, eu vou dizer assim, não ter uma carreira consolidada até hoje, né? Hoje em dia, agora sim, porque na verdade eu estou fazendo o que eu queria fazer quando eu era adolescente, que era ser locutora. Não sou locutora de rádio ainda, mas é o que eu queria seguir, né? Mas eu tive que dar uma volta imensa na vida para eu conseguir ter a coragem e ter a desenvoltura para conseguir fazer o que eu faço hoje. Porque se eu tivesse feito ali com 15, 16 anos, quando, quando fazer, quando poderia começar a fazer, eu não ia levar a sério, eu não ia, sabe, levar adiante.
Eu não tinha segurança suficiente para isso. Então eu acho que nada é por acaso e nada é no tempo que você quer. Na verdade, você precisa de um amadurecimento porque aquilo não vai dar certo naquele momento. Mas agora, os momentos de virada assim, é você. Acho que você decifrou.
Não, que isso, que isso, é para você refletir aí, ó. Depois que esse episódio for ao ar, você escuta de novo e aí fica refletindo.
E vamos refletir novamente. Até lá eu já cortei o cabelo.
Exato, exato. Então assim, uma outra coisa que eu anotei aqui, literalmente anotei aqui, e que me deixou muito pensativo, porque eu pensei pouco, né? Eu sou uma pessoa que pensa pouco, penso muito pouco, né? Foi a relação com o Marty com a música. Olha só que interessante, aí você comentou lá na pausa dramática, e aí eu pensei assim, ó, ele é muito bom no que ele faz, mas ele morre de medo de mostrar aquilo para o mundo, né? Tem aquela cena logo no início do filme que a namoradinha dele fica incentivando ele a mostrar a demo dele pros outros e ele, não, não, claro que não.
O fato é que ele é muito bom no que ele faz, mas ele morre de medo da rejeição. Ele prefere não tentar do que simplesmente, sei lá, a possibilidade de alguém não gostar. E aí eu queria saber, você já se pegou nesse lugar de não colocar algo pra fora, sei lá, com medo de alguma coisa?
Ah, eu tenho muito disso, né? Eu não me exponho mais nas redes sociais por causa disso, né? Eu morro de vergonha assim. Eu acho que eu tô sendo sempre ridícula, porque eu sou ridícula na vida real, mas é a plateia menor. Olha, eu sou muito, não vou dizer perfeccionista assim, mas eu tenho aquele negócio de antes desse momento de virada assim, vamos embora, vamos fazer, porra, tá aqui um emprego, quer? Quero. Antes disso, eu não sei explicar direito assim, se não é o negócio certo, eu não tenho essa coragem, sabe?
Eu fico tentando fazer, não, vou estudar mil vezes a mesma coisa, vou. Quando eu tava em mudança de carreira assim, o que que eu vou fazer, o que que eu não vou, eu parei um bom tempo de trabalhar para cuidar dos meus filhos, né? E quando eu quis voltar a trabalhar, que eu ia voltar a trabalhar de casa, eu tentei um monte de coisa do marketing digital, que foi aquele boom depois da pandemia, e nada assim me, sabe, me cativava o suficiente para eu meter a cara e falar, não, isso aqui vai dar certo.
Tudo ficava assim, não, isso aqui eu não vou conseguir. Eu tenho muito isso de autossabotagem, sabe? Até que chegou a parte da locução, que aí eu fazia de lá, né? Eu fazia do Japão, mas fazia aquela locução comercial. E isso despertou aquele sonho. Então, quer dizer, eu cheguei num ponto ali, falou, é agora ou não é. Eu tava com quase 40, falei, mas vai esperar 50? Pô, já esperou dos 20 até agora, não não fez nada, então agora é a hora, vai embora, entendeu?
Eu tive muito isso assim, mas são pequenas coisas que me levam a isso. De resto, eu tento ser, estudar tudo, tá preparada para começar alguma coisa. E eu sei que se eu tô me preparando demais é porque aquilo não é para ser, aquilo eu não vou levar, não vai para frente. Eu já peguei a manha da minha vida.
É tipo eu com academia, quando eu falo assim, nossa, vou comprar um tênis agora, comprar comprar roupa, não vou.
Comprou a garrafinha, já não vai.
Aí fica real demais, né? Não, mas eu acho muito interessante isso tudo que você falou, é sobre essas voltas que a vida dá, né? E agora é uma dúvida assim pessoal, tá? Nada a ver com podcast. O trabalho no Hot Mode surgiu lá no Japão, quando você ainda tava lá no Japão?
Foi no Japão o ponto de virada, né? Eu comecei a estudar em 2021, e aí você tinha que fazer a prospecção para conversar com as produtoras e e tal. E eu tentava, eu não tava segura, e todo mundo elogiava: não, você leva jeito, né? Vai. Aí eu botei um dia assim, 1º de janeiro de 2022, eu vou começar a trabalhar. Comecei. E aí eu participava de seleções assim para canais, e nenhum que era de filmes e séries me contratava porque achava que minha voz era madura demais.
Então era sempre assim falando de coisas espirituais, contando histórias. Eu fazia muito canal de chamava até beleza feminina, né, falava do estilo de mulheres. Mas eu queria muito falar sobre filmes e séries. Aí eu falei, bom, já peguei a manha de como esse povo trabalha, vou tentar sozinha. E aí eu achei o WatchMojo. Não tinha noção, porque aí vem aquele negócio da veia, né, a idade, que eu não consumia o YouTube. Para mim ele era um, sabe, tá ali só para me atrapalhar.
Então eu não consumia, eu não tinha ideia do tamanho tamanho que era. E eu fui aquele negócio assim, vamos, vamos. Achei lá, eu achei um coisa de emprego que eles estavam oferecendo, entrei em contato, o cara fez uma entrevista. Meu inglês tava precário na época, eu consegui entender bem, mas para falar tava difícil. Mas o cara foi, sabe, falou, não, então beleza, vamos começar. Aí eu falei, vamos começar como? Tá contra, vamos fazer um teste.
Aí me mandou o vídeo de como ele tinha que, como ele queria que fosse o trabalho.
Eu falei, lascou.
O meu computador era tão antigo que não cabia nenhum programa para editar. Eu falei, Falei, nossa, o que que eu vou fazer? Aceitei o emprego, não consigo nem fazer o básico. Mas eu fui me virando, foi, contratei, eu tive um parceiro no começo que ele era daqui do Brasil, né, era um senhor também que tava em virada, que ele tinha acabado de se aposentar e tinha feito um curso de edição de vídeo, que era o sonho da vida dele. E a gente trabalhou um bom tempo juntos até ele, enfim, ele teve que fazer uma mudança de vida lá mudou de Brasília para BH e não conseguiu mais.
Quando ele me deixou, ele foi bem legal, ele me avisou assim com mais de um mês de antecedência. Mas eu não sou uma pessoa preparada, não sou uma pessoa que se organiza. Quando chegou assim na véspera, eu não sabia mais o que fazer porque o meu computador continuava antigo. Aí eu fui indo me adaptando ali, fazendo, sabe, jogando de um programa para o outro para ver como que dava para fazer. Alguns vídeos são também assim não são traduzidos.
Foi esse período de troca até eu conseguir comprar um computador e aí realmente deslanchar. Mas eu, mas foi assim, consegui aquilo que eu tava te falando, eu consegui um emprego, depois eu vou ver como é que eu vou fazer. Graças a Deus deu certo.
Ai, que bom, que bom! Aí tá aí, ó, a voz super conhecida do Watch Mode. E começou logo pequeno, né?
Minha voz é que tá lá mais tempo porque o canal já tava ativo, né? Mas tava abandonado, mas já tiveram outros locutores. Mas eu tô lá mais tempo já, faz quase 4 anos.
Eu não consigo imaginar o Watch Mode sem sua voz, de verdade.
Daqui a pouco eu vou botar minha cara lá.
Mas é isso, é isso. Bota tipo Jequiti, pisca. Silvio Santos já morreu, né? A família Bravanão tá dando um centavo para esse podcast. Vou pedir para o Anderson Vou cortar aqui, ó. Jequiti não, Jequiti não.
Jequiti tá precisando, vai, patrocina.
É, exatamente. Então assim, agora eu quero mudar um pouco o foco da nossa conversa, sair um pouco do Marty. Tudo bem, ele é o protagonista, mas o filme não é só sobre ele. E falar um pouco sobre o George, só que mais especificamente o George do passado. Ele tem uma coisa que me chamou muita atenção, é que ele é uma pessoa extremamente passiva. E não é nem pacífica, é passiva mesmo, né? Parece que tudo que acontece na vida dele é meio que um empurrando os outros. Ele nunca toma iniciativa de nada.
Extremamente inseguro de tudo, né?
Extremamente inseguro. Então ele passa boa parte do filme evitando conflito o tempo todo. Porque em algum momento, e a gente não sabe o porquê, ele assumiu que aquele dali era o lugar dele. Até que com uma certa ajuda, né, do próprio filho, ele resolve agir. E tudo bem. E aí isso me fez pensar numa coisa. Existe algum tipo de situação que te obriga a sair da toca? Daquelas que, tipo assim, isso daqui eu preciso de fato me mover.
Ou você deixa para lá? Tudo bem, vamos viver a vida, eu não quero esse conflito não.
É, eu tento ser o máximo possível não vamos viver o conflito, mas é aquilo que muda. Não, quando eu era mais nova assim foi meio barraqueira, né? E assim, vamos brigar. Mas é a maturidade muda a tua cabeça, não digo nem a maternidade, a maturidade mesmo, né? A idade, trabalhos, experiências de vida, você vai se moldando. Mas se tem alguma coisa que eu brigo mesmo assim, que eu saio da minha zona de conforto e vou, é para defender meus filhos em qualquer situação.
Ainda mais, não sei se a gente comentou, mas os dois são autistas. Então, por mais que tenham campanhas de inclusão ou qualquer coisa que seja, você ainda passa por situações que, né, fogem do teu controle, mas são desagradáveis. E eu não posso deixar isso acontecer com eles, né? Então, seja o que for, alguém olhou torto, eu já tô pronta para dar de volta. É uma coisa que me tira do pacífico, assim, me tira da passividade, é meus filhos. E ainda defender a condição deles, né, o TEA deles.
E eu acho interessante ter esse tipo de porta-voz, assim, porque é uma realidade, na verdade, né? Tipo, e aí tem alguns assuntos que me deixa também um pouco assim, e um deles é injustiça. Nossa, cara, isso é uma coisa que me vai assim do zero para o 100 muito rápido. Eu não sou conhecido exatamente pela minha paciência.
Só, né? Então vamos lá, paciência também, acho que eu não passei na fila, eu faltei nesse dia.
É isso. No seu caso, é o seu filho, né? E aí mexe num outro ponto muito delicado, mexe no ponto de—
eu falei muito, eu falo muito isso às vezes, mas assim, a inclusão na campanha ou no dia lá, ela é muito bonita, sabe? Todo mundo, ai, você vai postar o seu filho? Ai, que coisa linda! Mas pô, eu levei eles no cinema para assistir Mário, né? Os dois são apaixonados pelo Mário. O pequeno, ele não fala, ele tem um grau mais alto de autismo e ele não consegue ficar parado, mas ele prestou atenção no filme. Mas era um filme para criança, não era só o meu filho que estava agitado, crianças falando alto, e tinha alguns adultos na frente que ficavam olhando para trás.
Não quer dizer, você tá num filme de criança, cheio de criança, no dia do lançamento, achando que você vai estar na passividade assistindo o quê, um drama de silêncio? Não, gente, negócio já é cheio de luz assim, sabe? Então eu acho, sei lá, né, é tudo muito, vamos dizer, relativo, né? As pessoas não vão enxergar enquanto não acontece com elas alguma coisa parecida. Então eu acho que a campanha é bonita, mas a inclusão ainda tá longe de ser uma inclusão de verdade.
Isso vale para tudo, né? Eu acho que hoje em dia, na verdade, com as campanhas, essas coisas, os pais têm mais coragem de sair com seus filhos e dane-se o mundo, sabe? Meu filho tem o direito de se divertir, pronto, acabou. O que provavelmente acontecia, os pais escondiam mais essas crianças para não passar desconforto. Hoje em dia, sabe, é a vida é assim, vamos levar. Mas o outro ter um olhar empático com você, isso ainda não existe.
Tem um negócio que eu nem sei se eu vou botar isso no ar, mas eu vou falar mesmo assim, que é assim, tipo, como é que eu posso explicar? Jesus Cristo pregava o amor pelo próximo. Não importa quem é o próximo, é o próximo. A pessoa é negra, é o próximo. A pessoa é gay, é o próximo. E aí a gente fica, em algum momento da nossa história, fica colocando vírgulas, né, no que ele disse, o que é bem simples. Eu sinceramente não acho que a gente vai chegar tão cedo num patamar em que a gente consiga se respeitar.
Porém, você não é obrigado a amar o próximo como ele amou, não tem problema. Mas assim, é a sua obrigação como cidadão, isso independente de realidade, e respeitar o próximo. Exato. E tipo, você não é obrigado a gostar de mim, mas você é obrigado a entender que esse espaço também é meu. Então só de chegar nesse ponto, para mim já é ser uma vitória. Ah, vai encher o do outro, deixa eu fazer minhas coisas aqui.
O respeitar, assim.
É, alguns episódios atrás também foi sobre o filme Pecadores. A gente teve um papo um pouco parecido com esse porque a gente tava num recorte que fala muito sobre questões raciais, né? E aí a minha convidada era uma mulher— era não, é, né? É uma mulher negra e tudo mais, de periferia e tal. E aí isso era uma realidade para ela. E aí eu posso falar pela minha realidade, que eu sou uma pessoa gay, e por mais que hoje em dia isso seja uma coisa muito mais aberta, não é tão aberto quanto as pessoas pensam.
E eu acho que bate nesse ponto que você falou. Na campanha, na televisão, é tudo muito bonitinho. Mas assim, bota um comercial de margarina com duas pessoas lá do mesmo sexo numa família, vira uma repercussão nacional, né? Que fica, mano, sabe? Então é para gringo ver.
Eu acho que você for pensar, melhorou muito em alguns aspectos, mas ainda falta muito. Tem muito chão. Eu acho que tem pessoas, por exemplo, que não ajudam nisso, pessoas do próprio nicho, vamos dizer assim. Por exemplo, tem mães de autistas que realmente não colaboram com esse tipo de coisa, sabe? Que não fazem melhorar a situação, né? Como acontece com pessoas negras, com gays, assim, sabe? Tem, pô, você quer, é um direito, na verdade obrigação do outro é te respeitar, né?
Mas tem gente que não tá, sabe, sei lá em que mundo, que quer causar Atrito a todo custo, né? Tudo muito— ai, gente, eu não sei. Teoricamente é simples, né? É só você se colocar no lugar do outro.
E eu acho que é exatamente esse o ponto mesmo, ter uma via de mão dupla, né? Eu sei que a gente focou muito no primeiro filme nesse papo, mas eu não posso deixar de trazer uma frase muito icônica desta trilogia que o Dr. Brown ele fala lá no final do terceiro filme. E por incrível que pareça, por incrível que pareça, essa é uma cena que eu lembrava e eu jurava que era do primeiro, mas era do terceiro. É: seu futuro ainda não foi escrito, o de ninguém foi.
Seu futuro é o que você faz dele, então faça dele um bom futuro. Para muita gente não é muito bonito isso? Para muita gente isso soa como liberdade, né? Mas para quem gosta de ter as coisas minimamente organizadas, como eu, essa folha em branco dá um pouquinho de medo. Eu digo por mim, me dá muito medo mesmo. A gente já conversou mais ou menos sobre isso. E aí, só para a gente encerrar esse assunto, eu queria meio que saber como é que é para você lidar com esse roteiro que tá sempre aberto.
Porque assim, uma coisa é você viver a sua vida sempre assim, como você já falou que vive. Mas aí eu queria saber qual é a sua sensação com isso. É uma coisa que você gosta?
Eu acho que eu nunca nem parei para pensar. Eu penso assim, ainda bem que meus filhos têm um pai, porque é um pai responsável. E se fosse só por mim, eu acho, tadinhos, meu filho. Eu acho que cria uma, uma, sei lá, né, cria uma maturidade em você, uma responsabilidade diferente. Mas talvez eu não tivesse toda essa maturidade que ele tem para cuidar das crianças. Então eu acho que eu ficaria bem mais perdida se não fosse esse equilíbrio, porque ele é realmente uma pessoa muito organizada.
Ele pensa, não, a gente não pode gastar nisso, tem para pensar naquilo. Eu sou a pessoa da ação, ele é a pessoa do planejamento. Eu gostaria de ser mais. Eu me sinto às vezes meio perdida, meio assim, sabe, não saber o que eu vou fazer daqui 5 anos, um pouco preocupante. Porém, e aí eu vejo até pelo meu marido como a gente vive, ele é muito preocupado com esse negócio assim, ai, será que a IA vai roubar o nosso trabalho? Eu já penso de outro jeito.
Eu falei, por não planejar a vida e por não ter a carreira, sabe, aquela coisa consolidada, e tudo mais, eu vejo que a gente sempre tem que se adaptar. Não interessa o que aconteça. Eu tive que me adaptar a outro país, eu não queria vir embora, eu tive que me adaptar de volta ao Brasil, sabe? Meus filhos nasceram fora, tiveram que se adaptar algumas coisas. Então a gente tem que sempre se adaptar ao novo, independente de como é.
Então eu acho que essa minha, vamos dizer, imprevisibilidade, né, assim, a falta de planejamento me faz ser mais flexível do que uma pessoa muito assim diretos. Uma pessoa muito linear ali tem mais dificuldade em lidar essa chegada de mudanças muito bruscas. Porque eu perdi, quando eu voltei para o Brasil, eu perdi todos os meus trabalhos de locução, porque aí avançou muito rápido. Só que para mim não foi uma coisa assim muito difícil, porque eu já tava vendo outras coisas.
Falei assim, não dá para viver só de locução, né? Porque meu sonho realmente era trabalhar numa rádio. Se eu não vou ter esse trabalho agora, preciso fazer outras coisas. E aí eu fui me adaptando, eu tô sempre estudando uma coisa nova para ver de onde vem uma grana ali.
É coisa do brasileiro, né?
Tá sempre fazendo uma coisa aqui ou ali para ter o que comer amanhã. É a nossa realidade.
Exato, exato. E é engraçado, né? Você saiu do Japão, que é um país mega organizado.
Isso. E aí acho que isso do meu marido é muito isso, né?
Eu imagino que seja.
Ele tem 45, mas ele passou 30 anos lá, maior parte da vida, dois terços da vida dele foi lá. Então ele tem assim, para ele se adaptar aqui também foi difícil. A gente trabalha junto porque, pô, para ele o esquema de trabalho aqui é muito difícil. Então a gente sabe, vai se adaptando. Eu vou me adaptando e ele tem que se adaptar também.
Exatamente, exatamente. A vida é isso, não adianta, não adianta. E nós, como bons brasileiros que somos, temos que mostrar para ele como é que é.
É, tem um joguinho de cintura ali, né?
Precisa ter um jeitinho brasileiro, não tá aí no nome à toa, né? Mas é isso, eu acho muito legal a gente pensar um pouco sobre isso. E novamente, eu definitivamente, esse papo aqui não é para falar que é o jeito certo, hoje eu o jeito errado. Não é isso. Até porque, se a gente for bem lógico no raciocínio, o jeito certo é achar esse meio termo. Eu acho que, se eu não me engano, eu ouvi isso em algum lugar, me perdoe aí, é que eu não vou lembrar da onde, mas falando, comparando a vida como um bambu, porque o bambu é uma coisa rígida, porém muito flexível.
E aí pode vir um vendaval que for que ele não vai cair. E aí a gente, eu acho que o jeito certo da gente encarar a vida é mais ou menos por esse caminho, é a gente ter um pouquinho de mim, de saber assim, eu quero chegar lá, mas ser flexível e corajoso o suficiente para me entregar no escuro quando a oportunidade aparece. Mas eu ainda não ganhei essa batalha.
Não, coragem eu tenho, não tenho planejamento.
Aí, viu só? Então, ó, mais uma vez, hein, me dá a mão aqui, vamos nessa.
Vamos, ó, passar ali, ó, passar o meio termo.
Exatamente, exatamente. E aí a gente pede sempre ajuda.
A gente precisa passar mais tempo junto, hein, amigo?
Olha só, viu? Mas é, eu acho, eu achei que esse papo foi muito legal e é muito bacana a gente parar para pensar que De Volta para o Futuro é um filme que fala basicamente sobre o passado das coisas, né? Fez a gente refletir tanto sobre o futuro das coisas, né? Isso é muito bacana. E agora, para a gente terminar, eu queria que você deixasse seu recadinho para galera, onde eles podem te encontrar, por favor.
Ah, então, então, se vocês ainda não conhecem o canal do Watch Mode, tá lá no YouTube, youtube.com, é o @watchmode, watch de assistir, né? Watch Mode PT. PT, é de português, não vamos limitar somente ao Brasil, mas ele chama WatchMojo Brasil, então enfim, mas é o WatchMojo PT. É o meu Instagram e meu TikTok, é paula_soave_.
Quero que todo mundo vá lá depois, hein?
Eu juro que eu vou postar conteúdos mais frequentes, bem legais.
Exato, exato. É bom que a gente fica cobrando coletivamente os conteúdos dela.
Eu vou colocar minha cara porque as pessoas acham que eu sou o IA, mas eu não sou, e tá lá minha cara para saber que eu não sou IA. Tem uns erros lá, vocês ouvirem direito, tem uns errinhos às vezes nos vídeos.
E é isso, muito obrigado pela sua participação. Eu espero de verdade que você tenha gostado e que volte aqui mais vezes.
Você é só convidado. Então, um beijo, obrigada.
Depois da Tela, porque aqui é sobre o que fica.
E para você que ficou até aqui com a gente, o meu muito obrigado. Hoje a gente falou sobre tempo, expectativa, medo, escolhas. Mas no fundo, eu acho que esse episódio acabou sendo muito mais sobre a nossa relação com o caminho que a gente percorre. Porque é muito fácil olhar para trás e imaginar versões melhores da nossa própria história, a resposta perfeita que a gente não deu, a decisão que poderia ter sido diferente. Mas a verdade é que a vida não funciona como o DeLorean.
A gente não consegue voltar, a gente não consegue testar finais diferentes. E talvez seja justamente isso que torne tudo tão assustador e tão valioso ao mesmo tempo, porque no fim a gente vai vivendo meio no improviso, meio que errando, mudando de ideia, tentando entender quem a gente é enquanto o caminho ainda tá sendo percorrido. Talvez crescer seja muito menos sobre descobrir o plano perfeito e muito mais sobre como aprender a continuar mesmo sem ter certeza nenhuma de onde isso tudo tá levando.
Eu acho bonito que o De Volta para o Futuro continue fazendo tanto sentido justamente por conta desse ponto. Por trás daquela ficção científica, dos paradoxos temporais, das viagens do tempo, existe uma história muito humana sobre medo e expectativa e a possibilidade de fazer diferente daqui para frente. Então eu quero te devolver a mesma pergunta que eu fiz lá no início: se você pudesse voltar, mudaria alguma coisa? E o mais importante, o que você ainda pode fazer diferente a partir de agora?
E claro, se quiser continuar essa conversa comigo, me encontra lá no Instagram, no @depoisdatela podcast. E lembrando que entre um episódio e outro eu também escrevo a newsletter Versão do Diretor. Lá eu compartilho pensamentos, bastidores, reflexões e algumas coisas que continuavam ecoando na minha cabeça mesmo quando o episódio terminou. Então, se você quiser receber, o link tá lá na bio. Então, ó, fica mais um pouquinho porque já já começa o cena pós-crédito.
E se você quiser participar dos próximos episódios, já sabe, é só mandar um email para depoisdatelapodcast@gmail.com que a gente te explica tudo direitinho, combinado? Então a gente se encontra daqui a 15 dias no próximo episódio. Obrigado mais uma vez pela companhia e tchau tchau! Ei, não sai daí!
Ainda tem a cena Fala, Paulinha!
Fala, galera! Vocês estão bem? Eu sou Anselmo Brandi, eu sou de São Paulo, sou locutor da Rádio Metropolitana, do programa Cafeína Leite Show, e um apaixonado por De Volta para o Futuro. E falar do De Volta para o Futuro para mim é uma sensação muito específica, assim, porque é um filme da minha vida, porque eu acho que é uma mistura de aventura, de nostalgia, de esperança. Eu acho que o filme fala muito sobre isso.
Isso, né?
Um filme que sempre me faz pensar em como as pequenas decisões podem mudar completamente o rumo da nossa vida, né? Então o Marty McFly lá, o personagem principal do Michael J. Fox, ele fica o tempo inteiro tentando consertar o futuro, mas no fundo ele também tá descobrindo quem ele é, né? A sua história, a sua essência, seus pais, enfim. E é claro que tem cenas que ficam eternas na minha cabeça, é a do skate, fugindo dos caras pela cidade, e ela se repete, né, em diversos filmes, e uma delas é aquele hoverboard, né, que é skate voador.
Enfim, o DeLorean acelerando, acho que é uma sensação também única em vários momentos. No primeiro momento, que é aquele que tá no estacionamento do shopping, né, acelerar para 88 milhas para poder viajar no tempo. E principalmente acho que a cena final, quando o doutor aparece falando que o futuro ainda não tá escrito. Eu acho, eu acho essa frase é muito poderosa até hoje, né. É porque é isso mesmo, né? Não tá escrito. Então, pra mim, é um filme que atravessa gerações, fala sobre o tempo, mas principalmente sobre escolhas, sobre amizades, né?
Essa amizade entre os dois, sobre o amor, sobre sonhos, enfim. Mesmo depois de anos, continua passando aquela sensação que é assistir sempre, sempre, sempre, sempre uma sensação nova. Valeu, galera! Obrigado, viu? Abraço pra todos vocês aí.
Sinta, relembre, compartilhe. Depois da Tela, porque aqui é sobre o que fica.