O Forno de Ferro
Nessa adaptação encantadora de um conto clássico dos Irmãos Grimm, acompanhe uma princesa curiosa que se perde na floresta e encontra um misterioso forno de ferro escondido entre as árvores. Lá dentro, uma voz triste pede ajuda… e uma promessa é feita. Entre medo, coragem e escolhas difíceis, essa história mostra que cumprir a palavra dada pode transformar destinos. Dê o play e descubra o poder de uma promessa verdadeira!
Ensinamentos para as crianças: responsabilidade, coragem, confiança, empatia e importância de cumprir promessas.
Faixa etária recomendada: a partir de 6 anos
Escrita por: Irmãos Grimm
Adaptada e narrada por: Carol Camanho
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Trilha sonora:
"Oppressive Gloom" Kevin MacLeod (incompetech.com)
Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License
http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
- O Forno de FerroPrincesa perdida na floresta · Príncipe amaldiçoado · Promessa de ajuda
- Promessas e CompromissosHesitação e adiamento · Cumprimento da promessa
- A maldição do príncipeBruxa e feitiço · Condição para quebrar o feitiço
- Quebra do feitiçoAto de arranhar o forno · Libertação do príncipe
Olá, seja bem-vindo ao Era Uma Vez, um podcast. E hoje vou contar para você um conto de fadas chamado O Forno de Ferro.
Ela foi escrita pelos Irmãos Grimm e adaptada e narrada por mim, Carol Camanha.
Mas antes da história começar, Olha que mensagem mais linda que recebi da Aurora e do Miguel, que fazem parte do Reino Mágico do Era Uma Vez Um Podcast.
Olá, meu nome é Aurora, tenho 5 anos. Minha história favorita é A Bruxa Babaiada, 101 Dálmatas, Vaso Vazio e A Cabeça da Vaca. Olá, meu nome é Miguel, eu tenho 3 anos e a minha história favorita é O Mistério da Mesa Bampada.
Era uma vez uma princesa que morava num castelo no alto de uma colina. O castelo era bonito, com torres altas e jardins cheios de flores. Mas a princesa não passava muito tempo admirando as torres ou as flores. Ela preferia caminhar todo dia, logo depois do café da manhã. Ela pegava seu casaco, saía pela porta dos fundos e ia explorar os arredores do castelo.
O rei, seu pai, vivia dizendo: Minha filha, um dia você vai se perder nessa floresta.
E a princesa sempre respondia: Pai, eu conheço cada árvore daqui, não vou me perder nunca. Mas numa tarde de outono, quando as folhas estavam começando a ficar alaranjadas, E o vento tinha um frio gostoso. A princesa foi um pouco mais longe do que o normal. Só um pouquinho mais. Só até aquela pedra grande ali. E então mais um pouco. Só até aquele riacho. E então mais um pouco ainda. Só até ver o que tinha além daquela curva. Quando ela finalmente olhou ao redor, as árvores eram diferentes.
Mais altas, mais fechadas, com galhos que se entrelaçavam lá em cima como dedos. A luz do sol chegava em fiapos finos, ou seja, quase não chegava. E os caminhos que ela conhecia de memória tinham simplesmente desaparecido. A princesa parou, respirou fundo, E disse para si mesma: Tudo bem, eu acho o caminho, sempre acho. Mas dessa vez, por mais que ela andasse, o caminho não aparecia. Ela tentou seguir o sol, mas as árvores eram altas demais.
Tentou seguir o riacho, mas ele virava e revirava sem chegar a lugar nenhum. Tentou voltar pelos próprios passos, Mas o chão de folhas secas não guardava marcas. As horas foram passando, o sol foi baixando e a floresta foi ficando cada vez mais escura, mais silenciosa e mais estranha. Foi então que a princesa chegou a uma clareira. Era um lugar diferente do resto da floresta, mais aberto, com um círculo de árvores antigas ao redor.
E grama baixa no centro. E no meio daquela grama, completamente fora de lugar, havia um forno de ferro grande, escuro, com a porta fechada e a superfície coberta de ferrugem cor-de-laranja. Parecia velho como o próprio mundo. A princesa parou na borda da clareira e ficou olhando. Um forno de ferro no meio da floresta, sem casa, sem cozinha, sem nada ao redor. Ela deu um passo em direção a ele, depois outro, e então, sem saber muito bem por quê, falou: Olá.
Olá, respondeu uma voz. A princesa deu um passo para trás tão rápido que quase tropeçou. A voz tinha vindo de dentro do forno. Era uma voz humana, calma, um pouco rouca, como de alguém que não falava há muito tempo. Não tenha medo, disse a voz.
Eu não consigo te machucar. Não consigo nem sair daqui.
A princesa ficou parada, com o coração batendo rápido, mas não fugiu. Quem é você? Perguntou ela com a voz mais firme que conseguiu. Houve uma pausa. Fui um príncipe, disse a voz com uma tristeza que parecia muito antiga, de um reino não muito longe daqui.
Uma bruxa me amaldiçoou há muitos e muitos anos porque eu recusei fazer o que ela queria. Disse que eu ficaria preso aqui dentro deste forno de ferro, no meio desta floresta, até que uma princesa verdadeira viesse, ouvisse minha história e prometesse voltar para me ajudar.
Uma princesa, repetiu ela devagar.
Sim, muitas pessoas passaram por esta clareira ao longo dos anos. Algumas me ouviram, Mas nenhuma voltou.
A voz fez uma pausa.
Você é uma princesa?
A princesa olhou para o próprio vestido, um pouco amarrotado e com uma folha presa na barra depois de horas andando na floresta. Sou sim, disse ela. O silêncio que se seguiu pareceu muito pesado. Então, disse a voz com cuidado, como quem tem medo de esperar demais, Você poderia me ajudar? A princesa ficou quieta por um longo tempo. Ela não sabia quem estava dentro daquele forno, não sabia se a história era verdade, não sabia o que o feitiço realmente precisava, nem o que poderia acontecer quando ele se quebrasse.
Havia muitas coisas que ela não sabia, mas havia uma coisa que ela percebia: que aquela voz carregava um cansaço muito real, o cansaço de quem espera há anos e já quase parou de acreditar. O que você precisa? Perguntou ela. Só que você prometa voltar, disse a voz.
Pode ser amanhã, pode ser depois, pode ser quando você puder. Volte com uma faca e arranhe o ferro da porta 3 vezes.
É tudo que o feitiço precisa para se quebrar. Só isso?
Só isso.
A princesa olhou para o forno, para a ferrugem em cor de laranja, para a porta fechada. Arranhar um forno com uma faca não parecia perigoso, mas uma promessa, uma promessa era outra coisa. Uma promessa tinha peso. Uma promessa precisava ser cumprida. Ela respirou fundo. Está bem, disse ela, eu prometo voltar. No mesmo instante, algo estranho aconteceu. As folhas das árvores ao redor se mexeram todas ao mesmo tempo, sem que houvesse vento.
E de algum lugar que a princesa não conseguia identificar, apareceu um caminho entre as árvores, estreito e com pedrinhas brancas no chão, que ela tinha certeza absoluta de que não estava ali antes. O caminho a levou diretamente para casa. Quando a princesa chegou ao castelo, o rei correu até ela com os olhos cheios de preocupação.
Eu sabia, eu sabia que você iria se perder, disse ele abraçando-a com força.
Eu sei, pai. Disse ela, abraçando-o de volta. Naquela noite, enquanto jantava e ouvia o rei contar como tinha mandado 3 grupos de guardas procurá-la, a princesa pensou no forno de ferro, na voz triste e cansada, e na promessa que tinha feito. Eu vou voltar, ela pensou. Eu prometi. Mas nos dias que se seguiram, a promessa foi ficando mais complicada na cabeça dela. Durante o café da manhã, ela pensava: vou hoje. Mas então chovia e parecia melhor esperar o sol voltar.
Quando o sol voltava, ela pensava: vou amanhã cedo. Mas então havia uma visita no castelo, ou uma aula que ela não podia faltar, ou simplesmente o dia ia passando e de repente já era à noite. E outras vezes Às piores vezes, ela ficava deitada na cama olhando para o teto e pensava: E se for perigoso? E se a história não for verdade? E se eu for lá e algo der errado? Uma semana passou, depois outra. A princesa continuava pensando, continuava adiando, continuava sentindo aquele peso incômodo no peito que aparece quando a gente sabe que tem algo a fazer e não está fazendo.
Até que numa manhã ela acordou, ficou um momento deitada olhando para o teto como de costume, e então se sentou na cama com uma clareza que não tinha tido antes: uma promessa é uma promessa, com medo ou sem medo. Ela se levantou, foi até a cozinha, escolheu a faca mais resistente que encontrou, Colocou o casaco e foi para a floresta. Desta vez, a floresta parecia diferente, menos ameaçadora, como se soubesse que ela estava voltando com intenção cumprida.
O caminho das pedrinhas brancas apareceu quase imediatamente e a princesa o seguiu com passos firmes até chegar à clareira. O forno de ferro estava lá, exatamente como antes, Quieto, escuro e esperando. A princesa se aproximou, ficou parada diante da porta de ferro por um momento, segurando a faca com as duas mãos. O coração batia rápido, mas seus pés não recuaram. Ela encostou a faca no ferro, arranhou uma vez, o forno estremeceu levemente.
Arranhou duas vezes, E um som baixo, como um suspiro longo e profundo, saiu de dentro. Arranhou 3 vezes. Por um momento nada aconteceu. A floresta ficou completamente em silêncio, sem vento, sem pássaros, sem nenhum som. E então a porta se abriu. De dentro veio uma luz dourada, quente, como a luz do fim da tarde que entra pelas janelas e aquece tudo que toca. A luz tomou a clareira inteira, fez as folhas das árvores brilharem como se fossem de ouro.
E dentro da luz havia um jovem. Ele saiu devagar, como quem aprende a andar de novo, parou no meio da clareira e ficou parado por um momento, olhando para as mãos, olhando para o céu e respirando o ar da floresta com os olhos fechados. Como se cada respiração fosse um presente. Então abriu os olhos e olhou para a princesa. Você voltou, disse ele. A voz era a mesma, calma e um pouco rouca, mas agora tinha algo diferente nela: leveza, como se um peso enorme tivesse sido tirado de dentro dela.
Eu prometi Disse a princesa simplesmente. Ele ficou olhando para ela por um momento longo, com uma expressão que misturava gratidão e algo que era quase incredulidade.
Eu fiquei com medo de que você não viesse, admitiu ele baixinho.
Outros prometeram antes de você, ao longo de todos esses anos, e eu esperava E os dias passavam e ninguém voltava. Depois de um tempo, eu quase parei de acreditar que alguém viria. A princesa olhou para o forno de ferro, agora frio e quieto, com a ferrugem cor-de-laranja esfriando ao sol da tarde. E então olhou para ele e disse: Eu também fiquei com medo. Fiquei pensando se era perigoso, se a história era verdade, ou se algo poderia dar errado. Adiei por semanas.
Mas você veio mesmo assim.
Vim. Ela fez uma pausa. Acho que é exatamente quando é difícil que uma promessa importa de verdade. Qualquer um cumpre uma promessa fácil. O príncipe ficou em silêncio por um momento, como se precisasse guardar aquelas palavras em algum lugar dentro dele. Depois sorriu, um sorriso que parecia ter esperado anos para acontecer. Os dois saíram da floresta juntos, pelo caminho das pedrinhas brancas. E desta vez, a princesa não se perdeu nenhuma vez. Fim.
E aí, gostou dessa história?
Eu adorei!
Achei ela tão bonitinha. E lembre-se, todo dia às 7:17 tem história nova no Era Uma Vez um Podcast. Então já sabe, né? Aperte o botão de seguir no Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music ou no seu aplicativo de podcast favorito pra não perder nadinha! E sabia que quem entra pro reino mágico do Era Uma Vez um Podcast tem acesso a um montão de coisas incríveis? Tem histórias exclusivas, versões mais calmas e relaxantes perfeitas pra hora de dormir, meditações que fortalecem a inteligência emocional, acesso antecipado aos episódios, missões mágicas mensais para estimular a criatividade, a coordenação motora e o raciocínio.
E até a chance de ouvir a voz do seu filho por aqui, igual a da Aurora e do Miguel. Imagina que alegria!
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Te vejo por lá.
Beijos e até a próxima história. Tchau, tchau!