Episódios de Era Uma Vez Um Podcast

Izanagi e o Deus do Vento

17 de junho de 202615min
0:00 / 15:18

Nessa emocionante história da mitologia japonesa, conheça Izanagi, um deus criador que enfrenta o reino das sombras para tentar trazer sua amada de volta. Em uma jornada cheia de mistério, coragem, vento e escuridão, ele descobre que algumas perdas mudam a vida para sempre, mas também podem dar origem a novos começos. Ouça e viaje pelo universo fascinante dos deuses japoneses!

Ensinamentos para as crianças: coragem, superação, ciclo da vida, escolhas e esperança.Faixa etária recomendada: a partir de 7 anos

Adaptada e narrada por: Carol Camanho

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Beijos e até a próxima história!

Participantes neste episódio3
S

Speaker B

HostJornalista
C

Carol Camanho

NarradorNarradora
S

Speaker D

Convidado
Assuntos5
  • Morte e RessurreiçãoBloqueio da entrada do Yomi · Amaterasu · Tsukuyomi · Suzano · Vontade de continuar
  • Yomi no TsugaiIzanami · Reino das sombras · Perda e superação · Fujin · Vento do leste
  • Análise de Maul Shadow LordAlimento do Yomi · Promessa quebrada · Criaturas das sombras · Ornamentos de Izanagi
  • História de SeveroMitologia japonesa · Izanagi · Deus do vento
  • Vira Casacas Podcast e ApoioReino Mágico do Era Uma Vez · Histórias exclusivas · Patreon
Transcrição28 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
CCCarol Camanho

Olá!

?Voz B

Seja bem-vindo ao Era Uma Vez, um podcast.

CCCarol Camanho

E hoje vou contar pra você uma história da mitologia japonesa chamada Izanagi, o deus do vento.

?Voz B

A história é meio tensa, mas passa uma mensagem muito linda.

CCCarol Camanho

Ela foi adaptada e narrada por mim. Carol Camanho.

?Voz B

Mas antes da história começar, olha que mensagem mais linda que recebi da Maria Antônia e das irmãs Eduarda e Helena, que fazem parte do reino mágico do Era Uma Vez um Podcast.

?Voz C

Olá, meu nome é Maria Antônia, eu tenho 7 anos e minha história preferida é o Espelho do Quarto 13, Bob e o Cão Maravilha. Olá, meu nome é Eduarda, eu tenho 8 anos e a minha história preferida é Bob e o Cão Maravilha. Olá, meu nome é Helena, eu tenho 5 anos, a minha história favorita é "Sete Sonhos".

?Voz B

Ai, eu amei! A Maria Antônia, Eduarda e a Helena fazem parte do Reino Mágico do Era Uma Vez um Podcast, um lugar cheio de histórias especiais e muita imaginação. O link tá na descrição dessa história se você quiser descobrir esse mundo encantado. Aliás, uma das histórias preferidas da Maria Antônia é exclusiva do reino. Bem, agora comece a imaginar.

CCCarol Camanho

Era uma vez, no começo de tudo, quando o mundo ainda era jovem e o céu e a terra mal haviam se separado, havia um deus chamado Izanagi. Izanagi era um dos grandes criadores do mundo.

?Voz D

Mundo.

CCCarol Camanho

Junto com sua amada esposa Izanami, ele tinha feito as ilhas do Japão surgirem do oceano, chamado os ventos para soprar, convidado o sol e a lua para brilhar e enchido a terra de rios, montanhas e florestas. Juntos, eles tinham dado vida a dezenas de deuses, cada um responsável por uma parte do mundo. Mas um dia, uma tristeza enorme caiu sobre Izanagi. Izanami havia morrido. Ela partira para o Yomi, o reino das sombras, o lugar para onde os mortos vão e de onde ninguém jamais volta.

Izanagi ficou sentado à beira de um rio por muitos e muitos dias, olhando para o reflexo da própria face na água. Seu coração estava partido. O vento soprava ao redor dele e as folhas das árvores caíam devagar, como se o mundo todo soubesse da sua dor. Não posso deixá-la lá, disse ele por fim, levantando os olhos para o horizonte. Vou buscar Izanami. Vou trazê-la de volta. Os outros deuses ouviram e se entreolharam com preocupação.

"Ezanagi!" disse Fujin, o deus do vento, surgindo diante dele numa rajada de ar frio.

?Voz D

"Nenhum deus ou mortal jamais voltou do Yomi. É o reino do esquecimento e da escuridão.

CCCarol Camanho

Não vá!" Fujin era um deus imenso, com cabelos que se espalhavam como nuvens e olhos cor de tempestade. Ele carregava nas costas um grande saco de couro de onde saíam os ventos de todos os cantos do mundo: do norte gelado, do sul quente, do leste suave, do oeste tempestuoso. Quando ele abria o saco, o mundo inteiro sentia.— Eu ouço o que você diz, Fujin— respondeu Izanagi com voz firme— mas ouço também meu coração, e ele diz que preciso tentar. Fujin balançou a cabeça, preocupado.—

?Voz D

Então leve isso—

CCCarol Camanho

disse ele, abrindo uma pontinha do saco. Um sopro gentil de vento saiu e envolveu Izanagi como um abraço.

?Voz D

É o vento do leste. Ele vai guiar seu caminho mesmo na escuridão mais profunda. E quando você precisar de força, inspire fundo. Estarei com você.

CCCarol Camanho

Izanagi agradeceu e partiu. A entrada para Yomi ficava numa montanha distante, coberta de névoa, onde as pedras cinzentas e os pássaros nunca cantavam. Izanagi caminhou por dias e dias, atravessou florestas sem luz, escalou rochas escorregadias e cruzou rios de água escura. Mas ele não parou. O vento do leste soprava suavemente às suas costas, empurrando-o adiante. Quando chegou à entrada do reino dos mortos, uma escuridão densa e pesada tomou conta de tudo.

Era diferente da noite comum. Era uma escuridão que parecia ter peso, que grudava nos olhos e nos pensamentos. Izanami chamou ele e sua voz ecoou por entre as pedras como um trovão distante. "Isanami, estou aqui!" Por um longo momento não houve resposta. Só o silêncio fundo do Yomi. Então, lá no fundo da escuridão, uma luz fraquíssima apareceu. E com ela, uma voz.

?Voz B

"Isanagi!" Era ela!

CCCarol Camanho

Isanami! O coração de Isanagi deu um salto enorme dentro do peito.

?Voz D

"Sim, sou eu!

CCCarol Camanho

Vim te buscar!" disse ele dando passos em direção à luz. "Você pode voltar comigo. Voltar para o mundo de cima, para a luz, para o vento e para o sol." Houve uma pausa longa. A luz tremeluziu. "Isanagi!" disse Izanami, e a voz dela soou diferente, mais grave. Mais distante. Você não deveria ter vindo aqui. Não me importa, respondeu ele. Você me importa. Vamos embora juntos. Não é tão simples, disse ela com tristeza. Eu já comi o alimento do Yomi, já faço parte deste lugar.

Para sair daqui precisaria pedir permissão aos deuses das sombras. "Espere por mim." Mas Izanagi— a voz dela ficou muito séria— "Não acenda sua tocha. Não me olhe. Prometa isso." Izanagi respirou fundo. O vento do leste soprou suave ao seu redor. "Eu prometo," disse ele, e esperou na escuridão. Passou muito tempo. Izanagi ficou parado. Os olhos abertos no escuro, ouvindo apenas o silêncio e o bater do próprio coração. Ele pensou nas ilhas que havia criado com Izanami.

Pensou nos filhos deles, os deuses do sol, da lua, dos mares. Pensou no riso dela, que soava como água correndo sobre pedras. Mas a espera era longa, muito longa, e a escuridão pesada demais. Izanagi, sem perceber, começou a sentir um medo que nunca havia sentido antes, um medo frio que subia devagar pelos pés, pelas pernas, até o peito. Izanami, chamou ele baixinho. Nenhuma resposta. Izanami chamou de novo, um pouco mais alto.

Nada. O medo cresceu. Cresceu tanto que Izanagi fez o que não deveria fazer. Ele acendeu a tocha. A chama iluminou o Iomi e o que ele viu o fez recuar de horror. Izanami estava lá, mas não era mais a Izanami que ele conhecia. Seu corpo havia se transformado, tomado pela escuridão do reino dos mortos. Era uma imagem assustadora, impossível de reconhecer como aquela que ele amava. E então Izanami o viu olhando. Um silêncio gelado tomou conta do ar.

E depois um grito, um grito de raiva, dor e vergonha que fez as pedras tremerem. "Você prometeu, Izanagi!" gritou ela. "Você me desonrou!" "Agora vai sofrer as consequências!" E com isso, as criaturas das sombras do Iomi começaram a correr atrás de Izanagi. Izanagi correu, correu como nunca havia corrido antes. As criaturas vinham atrás. Eram 8, depois 16, depois centenas. Urrus e passos pesados ecoando pelas cavernas do Iomi.

"Fuujin!" gritou Izanagi enquanto corria, respirando fundo como o deus do vento havia dito. "Preciso de você!" E então o vento do leste, aquele sopro gentil que Fuujin lhe havia dado, explodiu ao redor de Izanagi. O ar girou, girou, girou e virou uma tempestade que empurrou as criaturas para trás, derrubou as mais próximas e abriu um caminho pela escuridão. Izanagi correu pelo caminho de vento com os pés mal tocando o chão. Mas as criaturas das sombras se levantaram e voltaram a correr.

Izanagi arrancou os ornamentos do cabelo e os jogou para trás. Onde caíam, brotavam trepadeiras e frutas que distraíam as criaturas por alguns instantes. Mas elas continuavam. Então ele jogou o pente do cabelo Onde caiu, brotou um matagal espesso, cheio de bambu, que criou uma barreira entre ele e as sombras. Izanagi correu ainda mais rápido. Finalmente, a luz do mundo de cima apareceu lá na frente, uma claridade dourada, distante mas real.

Com um último esforço, Izanagi se lançou para fora do Iomi, rolou pelo chão, E com toda a força que tinha, empurrou uma pedra enorme, uma pedra tão grande quanto uma montanha, para bloquear a entrada do reino dos mortos. As criaturas bateram na pedra, que não se moveu. E do outro lado, a voz de Izanami ecoou, mais distante agora, separada pelo peso da rocha e pelo fim de um mundo. "Isanagi, se você fizer isso, eu levarei 1000 pessoas deste mundo por dia." Isanagi respirou fundo. Sua voz saiu firme, apesar das lágrimas que escorriam pelo seu rosto.

?Voz D

"Então eu farei nascer 1500." Silêncio.

CCCarol Camanho

E o vento soprou. Isanagi caminhou até a beira de um rio de água limpa e clara e ali se purificou. Lavou o corpo, lavou a dor, lavou o peso do Iomi que havia grudado nele. E enquanto ele se lavava, das gotas d'água que escorriam de seu rosto nasceram novos deuses. Da gota do olho esquerdo nasceu Amaterasu, a deusa do sol. Da gota do olho direito nasceu Tsukuyomi, a deusa da lua. E do sopro do nariz nasceu Suzano, o deus das tempestades.

O mundo havia ganhado luz e o ciclo da vida e da morte, do nascer e do partir, havia sido confirmado para sempre. Fujin, o deus do vento, apareceu ao lado de Izanagi enquanto ele descansava à beira do rio. "Você voltou!" disse Fujin com um sorriso discreto. "Voltei", disse Izanagi, "mas não trouxe o que fui buscar." "Não", concordou Fujin, "mas trouxe algo que o Yomi não conseguiu tirar de você." "O quê?", perguntou Izanagi, olhando para o deus do vento.

Fujin abriu levemente o saco de couro e um sopro suave e morno passou pelo rosto de Izanagi, cheirando a terra molhada e flores e mar. "Há vontade de continuar", disse Fujin. E o vento soprou por cima do mundo, carregando com ele os nomes de todos que já existiram e todos que ainda estão por vir. Fim. E aí, gostou dessa história mitológica?

?Voz B

Eu adorei! E lembre-se que todo dia às 7:17 tem história nova aqui no Era Uma Vez um Podcast. Então já sabe, né? Aperte o botão de seguir no Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music ou no seu aplicativo de podcast favorito para não perder nadinha. E sabia que quem entra para o reino mágico do Era Uma Vez um Podcast tem acesso a um montão de coisas incríveis? Tem histórias exclusivas, versões mais calmas e relaxantes perfeitas para a hora de dormir, meditações que fortalecem a inteligência emocional, Acesso antecipado aos episódios, missões mágicas mensais para estimular a criatividade, a coordenação motora e o raciocínio, e até a chance de ouvir a voz do seu filho por aqui, igual a da Maria Antônia e das irmãs Eduarda e Helena.

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CCCarol Camanho

E o melhor! Além de tudo isso, você ainda ajuda o podcast a continuar encantando crianças e adultos por muitos e muitos anos!

?Voz B

Para entrar para o reino, é só clicar no link que está na descrição dessa história. E se quiser saber mais, corre lá no site!

CCCarol Camanho

Eramavesopodcast.com.br/reino.

?Voz B

Te vejo por lá! Beijos e até a próxima história! Tchau, tchau!