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QueIssoAssim 355 – Adeus Jaspion e Tchau Mídia Física

08 de julho de 20261h14min
0:00 / 1:14:31

Em mais um episódio do QueIssoAssim de temática livre, Brunão, Zitos e Andreia (Livros em Cartaz) conversam sobre amenidades da semana. Entre elas, o falecimento do ator e dublê japonês Hikaru Kurosaki que ficou famoso por eternizar o herói Jaspion.

Entre memórias e nostalgia, comentamos também sobre o fim definitivo da mídia física por conta do anúncio da Sony de que não serão mais produzidos discos para os jogos de PS5. E o saudosismo bateu forte e fomos até a época do Atari.

Não esqueça de comentar e compartilhar!

Participantes neste episódio3
A

Andreia D'Oliveira

Host
B

Brunão

Host
B

Baconzitos

Host
Assuntos7
  • Hikaru Kurosaki· EntretenimentoHikaru Kurosaki · Jaspion · Carreira de dublê e instrutor de mergulho · Yuko Azuka
  • Fim da Mídia FísicaSony · PlayStation 5 · Tecnofeudalismo · Renda recorrente
  • Nostalgia e SaudadeColecionismo de quadrinhos · Pirateria digital e física · Ritual de compra e manuseio · Locadoras de filmes · Feiras de mídia física
  • Aventura em CyberpunkCyberdeck · Steampunk · Linux · Raspberry Pi
  • Manutenção de Videogames AntigosAtari · Master System · Mega Drive · Game Boy · Fliperamas
  • Escritura de livros de horrorTenebra.org · Machado de Assis · Gótico envergonhado · Contos de horror
  • Comparacao de AdaptacoesAbsolute Caçador de Marte · DC Comics · Interatividade com o leitor · Novelação de filmes
Transcrição295 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Esse episódio é um oferecimento dos apoiadores do Refil. Seja um apoiador e mande na gente: apoia.se/portalrefil.

?Voz B

E tem o Patreon também!

?Voz A

Pô, velho, vocês viram que o Jaspion morreu, cara?

?Voz B

Puts, é isso, velho.

?Voz A

Puta merda, cara, que tristeza, velho.

?Voz C

A minha mãe fica assim, nossa, mas tá morrendo muita gente.

?Voz A

Aí eu falo, morrendo quem nunca morreu antes.

?Voz C

Aí eu falo isso para ela, então, mãe, tá morrendo quem nunca morreu.

?Voz B

É só boi, mas eu não sabia.

?Voz C

Quantos anos ele tinha?

?Voz B

Morreu aos 64 anos.

?Voz C

Então, nossa, ele fez muito jovem o Jaspion.

?Voz A

Fez, ele fez jovem, ele era garoto. Só que o lance é que ele parou de atuar acho que em 98, 94, uma coisa assim. E aí ele partiu para ser instrutor de mergulho, cara.

?Voz C

Nossa, que diferente!

?Voz A

Pois é. E aí ele era instrutor de mergulho até agora, até recente. E aí não sei se será que morreu afogado.

?Voz B

Não, eu estou olhando aqui. Foi o colega dele da associação de mergulho na cidade de Motobu, na província de Okinawa, que divulgou a notícia na página do Facebook. Como ele, olha só: comunicamos com pesar o falecimento do senhor Kurosaki, da operadora Modern Earth, membro da associação de mergulho da cidade de Motobu. Como o senhor Kurosaki morava sozinho, enviamos esse comunicado para informar as empresas e parceiros do setor.

Desde que o senhor Kurosaki mudou-se para Motobu há anos, ele foi um companheiro com quem compartilhamos momentos de alegria e dificuldade em uma época em que existiam apenas cerca de 6 operadoras de mergulho na região. Descanse em paz.

?Voz A

Ou seja, falou da vida dele de mergulhador e não da vida dele de Jaspion, que é que todo mundo conhece.

?Voz B

A gente conhece, né? Mas lá ele era um super mergulhador.

?Voz A

Ele era um super mergulhador, mergulhava com a fantasia do Jaspion. Imagina. Caralho, se eu tô no Japão, se eu tô no Japão, tô lá em Okinawa, beleza, e aí descubro que o Jaspion é instrutor de mergulho, meu, você não vai fazer umas aulinhas lá? Eu não ia deixar esse cara nunca mais em paz na minha vida, velho.

?Voz B

Ia fazer, ia tirar todas as certificações de mergulho com ele, né?

?Voz A

Nossa Senhora, nossa Senhora!

?Voz B

Olha lá, olha lá, momento, momento Livros em cartaz. Ele foi casado com a atriz Yuko Azuka.

?Voz A

Quem é Yuko Azuka?

?Voz C

Não sei.

?Voz B

Yuko Azuka.

?Voz A

Não, mas quem ela fazia? Só falar isso não adianta, pô.

?Voz B

Yuko Azuka, não é igual falar se ele casou com a Julia Roberts. Yuko Azuka, ela fez Super Eletronic Bioman, o Shodanji Bioman: The Movie, Noble Way of Roses. Como é que escreve? A-S-U-K-A. Ela faleceu em 2011.

?Voz A

Caralho, ela já tinha morrido também?

?Voz B

Eles não tiveram filhos. Casou com ela, ficou viúva e nunca, nunca desviou o voo. É isso aí, amor é amor mesmo.

?Voz A

Deixa eu ver se eu reconheço ela. Ah, é japonês, né? Parece todo mundo.

?Voz B

Você é burro, cara?

?Voz A

Que loucura!

?Voz C

Achei loucura.

?Voz B

Porra, você foi falar japonês, tudo igual.

?Voz A

Não, ela era bonitinha, pô.

?Voz B

Ela era bonita.

?Voz A

Ah, cara, que pena, velho. O Jaspion morreu, velho. Ele já veio no Brasil? Veio no Brasil, não veio?

?Voz C

Brasil, veio.

?Voz B

O cara tossiu.

?Voz A

É, ele veio sim, cara. Quando foi a última vez que ele veio?

?Voz B

Não sei não.

?Voz C

Eu me lembro, eu me lembro do Anime Friends assim, que sempre vinha assim. Eu me lembro do primeiro Anime Friends que eu fui, foi em 2000.

?Voz A

2000?

?Voz C

Foi em 2000, no primeiro, né? Eu não sei se ele veio no primeiro, eu acho que não, mas o primeiro Anime Friends foi em 2000 que eu fui, que ela foi na Imbi Morumbi ali da Bresser, ali no Brás. Brás, Bresser, Brás, bexiga lá fundo. Não, Ali na Bresser, na Bresser Moka.

?Voz A

Eu só fui no Anime Friends uma vez, que foi aquela que convidaram o Jascast para ir. Ah, sim, que foi no Campo de Marte.

?Voz C

É, não, mas aí já tava gigante já, né? Não, quando eu fui, eu fui na primeira, no primeiro, não tinha nada quase.

?Voz B

Eu vi a armadura do Jaspion de pertinho na CCXP. Eu vi, eu vi, maravilhosa. Fiquei olhando para ela, porra, não cabe, velho.

?Voz A

Jaspion foi uma parada assim na minha vida que foi um negócio muito relevante.

?Voz C

Eu gostava muito do Changeman, que eram 5 e tal. O Jaspion, então, mas eu assistia porque eu queria assistir, porque era Jaspion primeiro, depois Changeman. Aí depois começaram a vir os outros. Eu gostava do Changeman, gostava do Jiraya. Que eu achava japonês bonito.

?Voz B

Bem claro aqui que ninguém vence o Jiraya.

?Voz C

Então eu—

?Voz B

mas o Jaspion tava logo ali perto.

?Voz A

Pra mim, o Jaspion sempre foi o melhor. Eu sempre— foi o que eu mais gostei. Eu tinha um boneco do Jaspion. Olha só, esse boneco, eu tinha uma memória desse boneco agora viva na minha mente. Parece que tá na minha mão.

?Voz C

That's what she said.

?Voz A

Era um bonequinho que no Brasil eles fizeram um Jaspion da era Glasslit que trouxe. E aí eles trouxeram um que era muito merda, velho, era um bonequinho muito merda. E aí tinha a versão de luxo dele, e a versão de luxo dele era o corpo do Robocop, só que pintado nas cores do Jaspion, entendeu? E a cabeça do outro boneco merda, entendeu?

?Voz C

A gente sofreu demais, a gente, a gente, porra, sofreu muito. Mas era um dos meus bonecos favoritos.

?Voz A

Isso, velho, pô, você tá louco!

?Voz C

O irmão, ele teve de coisa de bonequinho, não sei se eu já falei, se eu já contei isso. Meu irmão, ele teve aquele do Guerras Secretas, Capitão América, e roubaram do meu irmão o bonequinho.

?Voz B

Cambada de filho das putas!

?Voz C

Porque ele vinha, e eu me lembro que ele vinha com aquele, mas por que que eu lembrei dele? Porque foi, acabou se lançando os bonequinhos aqui e os quadrinhos ficaram todos cagados na época porque tiraram personagem para vender os bonecos. Não sei se vocês sabem dessa história. E aí eu lembro, eu lembro nitidamente do meu irmão, que o meu irmão tinha e vinha com gibizinho contando a história e vinha um, acho que era um escudo que ele Era aqueles, fazia aquelas, falava que era 3D, sabe?

Mas não era. Então, e ele tinha, só que aí eu fazia ginástica olímpica na época, roubaram dele lá. Nossa, mas foi um inferno! Tentou, tentou achar, não achou, enfim. Mas eu lembrei o Bruno falando dos bonequinhos porque é isso, a gente sofria demais. Então veio esses bonequinhos, vieram, eles queriam enfiar a goela abaixo. Até os quadrinhos sofreram na época da Guerras Secretas da Marvel.

?Voz A

É, o boneco da Guerras Secretas, eu me lembro que eu tinha o Capitão América, né? E eu me lembro que eu tinha o Homem-Aranha. Esses dois era o que eu tinha, e eu achava o máximo também porque eram os meus bonecos do Homem-Aranha e do Capitão América.

?Voz C

Mas ele era bem bonitinho, era glaslite também.

?Voz A

Era glaslite, trouxe esses bonecos.

?Voz C

Por isso que eu lembrei. Era Glasslitch ou era— não, acho que era Glasslitch mesmo.

?Voz A

Ou era Growl?

?Voz C

É, então eu tô aqui, ou era Growl, não lembro agora, hein?

?Voz A

Também não lembro.

?Voz C

Agora me deu essa dúvida. E teve todo esse problema, tem páginas e páginas de quadrinho refeito aqui com personagem que não tinha, personagem apagado. A gente teve uma outra guerra secreta aqui no Brasil.

?Voz A

Esse papo é muito doido, né, cara?

?Voz C

É muito maluco, é.

?Voz A

Porque como tinha diferença de tempo de publicação, eles quiseram publicar o Guerra Secreta antes da hora de publicar aqui, porque tava um fenômeno de venda e tinha que vender os bonecos e não sei o quê. Então vamos acelerar essa porra. E aí eles fizeram uma edição mega doida. Então tipo, tem personagem da série que era para ser, sei lá, Homem de Ferro, e nego botou outra pessoa, velho.

?Voz C

É, também acho que a Kitty Pryde também.

?Voz A

Isso, ó, vou recomendar, tem um podcast bom sobre isso que é um do Cidão lá, como é que chama?

?Voz C

Ah, o Confins do Universo.

?Voz A

Confins do Universo, o Confins do Universo do Guerra Secreta é muito bom, escutem. Ele fala, conta toda essa história direitinho.

?Voz C

Vou dar uma, vou ouvir.

?Voz A

Mas essa época dos tokusatsus aí que estouraram no Brasil, eu me lembro direitinho de ser muito fã do Jota. Eu me lembro, olha só, tem uma memória que marcou uma que marcou. Eu era tão vidrado no Jaspion, e aí tipo tinha pouca coisa que saía do Jaspion em banda e tal.

?Voz B

Porque até 1988 o Brasil tava numa ditadura. 88 saiu a nova Constituição, na verdade 85, né? Mas tudo bem, 88 saiu a Constituição, né? Então as leis ainda eram as da ditadura. Então ainda tinha muito protecionismo, era muita coisa fechada. O que chegava, muita coisa que chegava aqui era que vinha na mala do cara da Sato Company, velho, entendeu? Isso não tinha o vou importar o boneco do Jaspion, não. Alguém tinha que fazer um contrabando para trazer um negócio para cá, para depois produzir no Brasil, porque era assim que as coisas surgiam no Brasil.

Então computadora da Itautec. Por isso que aqui no Brasil o Sega Genesis é o Master System, Mega Drive, Mega Drive, isso, Mega Drive. É o da Tectoy, era o Master System.

?Voz C

Por quê?

?Voz B

Porque era as empresas que traziam as coisas para cá, entre aspas nacionalizavam, né, faziam lá na zona franca de Manaus e vendia para tudo quanto é lado. A Gradiente era gigante no Brasil por causa disso, porque trazia as coisas do Japão, trazia as coisas da Europa, tudo para cá, e montava e vendia para o resto do mundo. A única, o resquício que a gente tem disso hoje em hoje em dia são as montadoras de veículos que importam uns pedaços do carro inteiro e monta aqui no Brasil e fala que é fabricado no Brasil.

?Voz A

Então, uma coisa que eu me lembro, que assim, lembro como se fosse hoje, uma viagem que a gente fez. E aí, no caminho, na estrada, a gente parou num lugar para comer alguma coisa. E aí vendia-se revistas, né? As pessoas ainda liam revistas. E aí tinha uma revista assim, formato tão grande, tipo formato da Manchete, sacou? Lembra que a revista Manchete ela era maiorzona? Então aquele formato, acho que é A3, né? Era no formato A3 assim, bem grande.

E era uma revista de quadrinhos do Jaspion, só que o quadrinho, o quadrinho era fotonovela. Eles pegaram o episódio e recortaram como se fosse a novelinha, fizeram o quadrinho com a com a novela.

?Voz C

Tem uma coisa também que a gente hoje não leva muito em consideração, que naquela época tinha lançamento setorizado. Então, por exemplo, tinha coisa que lançava primeiro nas praças de São Paulo e Rio de Janeiro, verdade, depois ia para o resto. Então, se desse, tivesse uma boa tiragem nessas duas praças, aí ia para o resto do Brasil.

?Voz B

Né?

?Voz C

Então tinha, por exemplo, tinha muita gente que na Bahia que não tinha, que não lia, além do delay de vir para cá, né, sei lá, uns 5 anos de delay do que a gente lia com que tava publicando nos Estados Unidos, aqui dentro também tinha, porque até publicar e até ir para o outro estado também tinha isso. Então eu não sei se todo mundo sabe disso, mas era setorizado. E essas coisas, muita coisa que eu li aqui, eu tenho certeza que acabou não indo para outros, para outras praças, né?

Muita coisa. Vocês estavam falando dos bonequinhos e dessas coisas. Eu senti muito isso. Eu sempre gostei muito de anime e eu senti muito isso porque depois que a Manchete morreu passava assim, era um aqui, outro. Então a USBT passava 2, mas não tinha assim um lugar que passasse vários e tal. E aí nessa época eu já ia para Liberdade, para aqui para o bairro da Liberdade aqui em São Paulo. Então ali tinha um negócio que a gente chamava que eram os fansubs, que era o quê?

Os caras pegavam, traziam, então tinha muito japonês lá, né? Até hoje tem. É, muitos deles iam, viajavam para o Japão, traziam os VHS dos desenhos japoneses para o Brasil. Os fãs legendavam esses animes, e aí você ia lá e comprava a preço de custo só para você ter aquele desenho ali. Então, por exemplo, Trigun, Cowboy Bebop, que mais? É sério, eu experienciei lá. Nossa, muita coisa eu assisti desse jeito, indo lá na Liberdade comprando os VHS e trazendo para casa.

É a pirataria hoje em dia, é o tal do— é, então, e eu acho muito engraçado porque o pessoal, ah, porque a internet trouxe a pirataria. Eu falei, amigo, é sério mesmo que você vai falar isso na minha cara? Pelo amor de Deus, na minha cara você vai falar isso? Hoje em dia tá mais fácil, porque tem o Crunchyroll lá que o pessoal assina e tal. Hoje em dia em todo lugar tem, na Netflix, tem na Prime, tem não sei aonde. Então hoje em dia tá bem mais fácil.

E o pessoal ainda fala que, ah não, mas não tem tal, não tem. Dá seus pulos, meu amigo.

?Voz A

Vou contar uma parada, vou contar uma parada que lembrei agora. Falou de pirataria, o meu pai fazia parte de uma assinatura de um Clube de pirateiro, velho.

?Voz C

Mas do quê?

?Voz A

Joguinho de computador, de joguinho de TK-3000, as BBS. Não, eles mandavam para casa os disquete do joguinho, sacou? É, mandava, chegava lá em casa, cara. Porra, tudo pirata, velho. Olha só, pirata, cara, entendeu? Isso nos dias, cara, eu devia ter o quê? Sei lá, 6 anos. Tem 40 anos, cara.

?Voz C

Caramba! Então pirataria sempre teve, tipo, sempre teve. Pois é, eu tenho CD que na época não era CD, era o vinil, mas que virou CD pirata do acústico MTV do Pearl Jam, que nunca existiu, mas que fizeram um acústico lá, gravaram num barco som que parece que o Ed Vedder tá cantando dentro de um copo.

?Voz B

E eu tenho isso aqui, e um doido gravou.

?Voz C

Exato.

?Voz B

E na época, entendeu?

?Voz C

Aí falar, mas você pegou isso pela internet? Não, meu amigo, eu comprei isso na loja, tipo Camelô. É, não, não foi no Camelô não, foi na loja, nas lojas especializadas.

?Voz B

Tinha umas lojas que vendia esses bootleg. Ó, isso aqui não tem no Brasil, eu consegui trazer, e não sei o quê.

?Voz C

Que, cara, a própria loja faz isso aqui no Brasil. Aqui no Brasil existe um negócio aqui em São Paulo chamado Galeria do Rock.

?Voz A

Sim, sim, Galeria do Rock.

?Voz C

Que isso, tá doido!

?Voz B

É ponto de visita mandatário toda vez que você vai em São Paulo.

?Voz A

Estive aí recentemente, a última vez que eu fui, eu fui.

?Voz B

Última vez que eu fui em São Paulo ainda comprei umas coisas para o Dante.

?Voz C

Hamburgueria lá é maravilhosa. Não sei se você chegou a comer lanche lá, mas a hamburgueria lá é boa.

?Voz B

Cerveja na choperia, é na mesma, na mesma, na mesma.

?Voz C

É que eu, no meu caso, como eu não bebo, né, eu acabo—

?Voz B

eu fui tomar uns chopão lá, a pessoa ficou me olhando, vai tomar terceiro?

?Voz C

Falei, vou.

?Voz A

Te chamava, te chamava.

?Voz C

Como eu disse, a gente era muito maltratado assim. No sentido, ser nerd nos anos 80 era difícil, era muito difícil, era difícil. E no meu caso, ser nerd e mulher era pior. Nossa, com certeza era muito pior, entende? Então assim, porque você, o pessoal olhar para tua cara e falar assim, mas você gosta disso, né? Então enquanto o povo tava, sei lá, É, eu gostava também, mas enquanto o pessoal tava assistindo Barrados no Baile, eu tava assistindo outras coisas também, né?

Não era só aquilo. Então era difícil também, né? Tem uma dificuldade a mais aí. E se você vai nesses lugares também, pessoal: nossa, mas você gosta? Você assiste? Ainda tem essa. E tipo, é, eu ia lá.

?Voz B

A galera que hoje em dia acha que 720p é ruim É, pois é, não sabe o que que a gente tá falando. O negócio que é SD e ainda a cópia meio coisadinha, que tipo dá umas chacoalhadas de vez em quando no vídeo.

?Voz C

É isso, porque tinha que caber o maior número de episódios possível dentro da fita. Então você deixa, gravava lá em SSD, era SSD, eu não me lembro, mas assim, era LP. Eu acho que é, eu sei que assim, a gente, eu gravava, eles gravavam na pior qualidade que tinha, que era onde cabia mais.

?Voz B

E aí é o LP, era isso, SLP. Muito obrigada, super long play.

?Voz C

Nossa, cara, olha, mas fiz muito isso, viu?

?Voz B

Muito taxa de compressão lá em cima.

?Voz C

Só que antigamente tinha essa Ficou a pirataria. Eu acho que tem isso também. Naquele período tinha essa coisa do, era essa coisa do proibido, mas era essa coisa do só você tem, sabe? Do tipo, tinha essa coisa meio exclusivo, né? Exclusivo.

?Voz B

Vamos lá na casa da Andréia, que Andréia tem essa versão do não sei o quê lá, porque, e ela não empresta.

?Voz C

Não, tem que assistir lá, viu? Tinha um negócio assim, né? Aí um disco, um vinil que, nossa, trouxe de sei lá, trouxe da Inglaterra e não tem outro lugar, e foi 3. Era umas coisas muito malucas assim naquela época, tinha umas coisas assim, né?

?Voz B

Porque tinha as paradas que só quem conseguia sair do Brasil para pegar, porque não tinha aquele esquema, era tudo fechado, né? Não tinha como ter acesso. Acesso, cara. Não tinha como importar, não tinha empresa. Ah, eu vou ali na— que nem eu fazia, né? Ia na loja do grande amigo que eu tenho, Alexandre, que tinha Central City aqui em Brasília. Eu ia lá e falava assim, cara, traz para mim os livros de Dungeons Dragons em inglês, porque essa dublagem da Devir é muito ruim.

E aí o cara falava, beleza, me paga aí. Eu falo, não, paga metade que tá. Falei, não, pago inteiro, eu só venho aqui buscar quando chegar tiver pronto, você me manda mensagem, eu venho aqui. E era isso, cara. Sei, 2 meses depois chegava as paradas. Então naquela época não tinha, porque não se importava.

?Voz A

É, mas é engraçado que a gente tá falando desse negócio de mídia física, né, porque na época era isso. E a Sony acabou de anunciar de que a partir do ano que vem os jogos de PlayStation É, não vai ser, não será, não serão mais em mídia física, preconceitos.

?Voz B

Tecnofeudalismo, tecnofeudalismo, esse é o nome da parada.

?Voz C

É isso aí.

?Voz B

O que, o que que as empresas começaram a fazer, e que tudo a culpa de todo mundo, essa porra toda é Adobe, mas Netflix tá investido nisso também porque ela também foi das pioneiras. Eles começaram a fazer, você não vai lá e aluga um filme, você não vai lá e compra um software, Eles querem que você pague a mensalidade, é para ter renda recorrente, né? Então eu vou botar o GTA a R$600 para quê? Para você ir lá pagar o Rockstar, assinatura Rockstar, não sei o que lá, que vai ser R$50 por mês.

Você falar, pô, R$50 por mês cabe no meu orçamento. Mas R$50 por mês no final de um ano é o quê? R$600, sacou?

?Voz C

Quem trabalha com tecnologia e oferece serviço ganha-se com renda recorrente. É, hoje em dia é isso, o mercado virou para isso. Tanto é assim que a Netflix você não consegue, por exemplo, a Disney, a Disney que eu acho que eu não sei, eu sei que tem todas as que eu consigo pagar um ano, eu pago um ano, eu vou lá, pago um ano. A Netflix eu não consigo fazer isso porque eles querem a porcaria da renda recorrente, eles querem que o dinheirinho entre todo mês.

?Voz B

É porque também é o seguinte, antigamente você conseguia, sei lá, comprar o Photoshop, beleza? Você comprava o Photoshop, instalava na sua máquina e você ficava trabalhando no Photoshop até não querer mais. Ah, saiu o Photoshop novo, foda-se, esse aqui me atende 100%, não preciso.

?Voz A

É isso.

?Voz B

E aí o que que eles começaram a fazer para forçar você a pagar $1.600, né, que no caso do Photoshop, né, de comprar o pacote inteiro É para você forçar você a comprar o próximo. O que acontecia? A próxima versão fazia um arquivo que a versão anterior não conseguia abrir.

?Voz C

É isso.

?Voz B

A Microsoft já tava fazendo isso com o Word, né? Com Word, o Office, o Excel, tudo lá já começou com isso. E aí você tinha que comprar o novo, comprar o novo. Aí eles começaram, eles olharam para esse serviço da Netflix, né? Falou, olha, é interessante Ao invés de eu cobrar $2 pelo aluguel do filme, eu tô cobrando $20 pelo mês, assiste o que você quiser. Que para muita empresa é igual vender plano de academia para funcionário de TI.

Você não precisa da academia, o cara paga o plano de academia, não vai, e você fica com dinheiro. Essa virada aí é que é a merda, porque Você compra, sei lá, o GTA que vai sair, por qualquer motivo a Sony briga com a Rockstar, exato, e tira o jogo do catálogo, você não pode mais jogar o jogo.

?Voz C

Então, mas você não viu o que que o Kindle fez? Vocês viram o que que a Amazon fez com o Kindle?

?Voz A

Então atualizou, aí só atualizou até agora. Você tem um Kindle velho, você se lascou.

?Voz C

Não, e você não pode mais fazer download pro computador.

?Voz B

Você não pode ter mais os seus livros no computador, você não pode baixar os seus livros. E o pior, eles fizeram pior, eles fizeram pior, eles apagaram livros da biblioteca da galera.

?Voz C

Isso, 1994, por exemplo, que eu tinha, eles apagaram. E aí eu comprei, tipo, e aí como é que você faz? Com quem que você fala?

?Voz B

Eu mandei um email gigantesco para eles há um tempo atrás, porque eu já tinha o Kindle no Brasil, eu mudei para Inglaterra, comprei mais livros lá, voltei para o Brasil, sumiu, sumiu uma pancada de livro mesmo. Cara, cadê os meus livros? Ah, mas é porque como você tá no Brasil e tal, não sei o quê, eu comprei esses livros. Ah, mas a gente não tem o direito autoral de te dar acesso a esse livro Aí no Brasil eu falei, beleza, mas eu comprei na Inglaterra, morava na Inglaterra, você pode me dar? Ah, mas não tem como fazer. Falei, então me manda uma cópia física do livro.

?Voz A

Então me devolve o dinheiro.

?Voz B

Não, devolve o dinheiro não, me manda a cópia física do livro.

?Voz A

Mandaram?

?Voz B

Ah, mas não, porque não sei o quê. Eu falei, não, vocês estão cobrando já o mesmo preço do livro impresso do que o livro do Kindle, às vezes até mais caro do Kindle, então me manda a cópia do livro impresso.

?Voz C

É isso, para mim era uma maluquice até que um amigo meu da área mesmo me explicou. Eu falava, porque eu falava assim, então, mas o caro não é o papel, não é a logística, não é? Ele falou assim, então, Andrés, tem que entender que um livro ele tem todo um trabalho anterior. Então assim, isso também é embutido no preço, não é só o papel, né? Que a gente tem essa noção, né, que como vai cortar o papel e a tinta vai ficar mais caráter.

Ele falou, o papel, no final das contas, é o que menos, é o que menos vale. Porque além do serviço de revisão, o serviço do tradutor, o serviço de diagramação, ele falou, todas essas coisas são colocadas também no valor do preço do livro. Aí eu falei, ah, tá. Porque para mim eu ficava muito brava porque eu olhava e falava Às vezes, como você disse, às vezes tinham livros que eram mais caros o livro digital do que o livro físico. Eu falava, mas que porra é essa?

?Voz B

Assim, a gente, eu até entendo que ao custo de impressão não é, ó meu Deus, maior pedaço, mas a gente tem que levar em consideração também que dentro da tiragem, né, aquele salário do tradutor ele é diluído em tantas mil cópias. Né? Então não é, ó, meu Deus, 600 conto do salário do cara em todos os livros. Não, não é, né? Tem esse diluído.

?Voz C

É, mas é o que eles, é a conta que eles fazem para vender o físico. E aí acho que, porque é meio assim, e aí o que eu achar, mas o que eu achava é que o, porque todo mundo fala, ai, papel é muito caro, papel é muito caro. E eu falei, gente, mas se o papel é muito caro, não tá até papel, né?

?Voz B

Tem a logística também, né? Você pegar, botar esses livros no caminhão, botar esses livros num trem, num avião para mandar, botar eles no armazém, manter ele no armazém climatizado, não pode molhar, não pode pegar fogo, sabe?

?Voz A

Mas a pergunta é: eles te mandaram os livros?

?Voz B

Não, eles não me mandaram os livros, mas eu consegui transferir eles, fazer tipo uma doação, sabe? Quando você transfere a posse deles para outra pessoa. Então eu mandei tudo para um colega meu que mora lá fora ainda, e aí falei para ele, ó, baixa no seu Kindle, puxa para o desktop e manda para mim.

?Voz C

Agora não daria mais para fazer isso.

?Voz B

Agora não dá mais, né? Agora, uma, eu me fodi nessa também. Eu tinha uma época que eu tinha o Palm Pilot. Sim, você lembra? Ele tinha também livros, né? Tinha e-books, meus Bebel Books era no Palm Pilot, tinha uma biblioteca gigantesca, tudo em EPUB. E aí a Palm faliu, né? E aí como é que eu li meus livros agora?

?Voz A

É por isso que eu continuo comprando minhas coisas no físico. Não tenho lugar para botar, não tenho. Se precisar entrar mais coisa aqui, vai ter que sair eu, vai, vai.

?Voz C

Mas é isso, você tá igual eu.

?Voz B

Eu, porém, ponto, contudo, todavia, entretanto, existe existem opções gratuitas para você ler os livros em EPUB, né, gratuito. Você pega e lê tudo, já existe, né, onde você vê no computador e tal, isso aqui. Mas é aquele esquema, né, tipo, levou um tempo para eu conseguir chegar aqui.

?Voz C

Assim, eu tô com o Bruno e vou além, não sei nem se eu deveria falar isso aqui. Fala, Se eu gosto, se eu gosto, se eu gosto muito de algo e esse algo ele tá em algum streaming, eu vou correr para tentar ver se algum caminhão tombou, porque para ter isso comigo assim, eu tenho, eu tenho alguns, alguns, como é que chama, drive externo com isso, porque essa falácia de que, ah, você paga o serviço de streaming, você assiste o que você quiser, como eu disse, é uma falácia, né?

Então teve muita coisa que, por exemplo, a gente precisou assistir para o Livros em Cartaz, que se eu não tivesse em mídia física, a gente não tinha visto.

?Voz A

É a mesma coisa, porque se assim, o próprio Curtindo a Vida Doidado que a gente viu recentemente, eu tenho Eu acho que ele tá no Paramount. Eu acho, porque eu não assino Paramount, mas eu imagino que ele esteja na Paramount porque ele é um filme da Paramount. Então imagino, igual os filmes da Warner estão no HBO, né? Eu imagino que esse filme esteja lá. Porém, eu não ia pagar um Paramount para saber. Por que que eu não ia pagar um Paramount para saber? 1, porque eu não sou trouxa. 2, porque existem alternativas. E 3, porque eu tinha em casa a minha versão em DVD do filme.

?Voz C

É, eu tenho também. Então tem alguns filmes que eu acabei comprando porque eu já assistia muito na TV e eu queria ter. E aí, e é isso que eu acho muito louco assim, né? Porque essa geração ela tem esse negócio de ser tudo na nuvem e tal. É, eu, eu durante algum tempo eu tava estudando, eu não sei se vocês lembram disso, como eu sou rata de biblioteca, eu peguei uma, a gente acabou pegando um pedacinho da era pré-home vídeo. Então a gente não tinha o filme na mão, né?

E às vezes a gente queria ter o filme, às vezes a gente queria rever filme. Mas como é que a gente fazia depois que saía do cinema? Não fazia. Ou assistia em casa na TV, ou depois de muito tempo a gente vem ter o home video. E aí, o que que lá nos Estados Unidos eles faziam? Eles faziam, eles novelizavam. Na verdade, em português ficaria algo como romantizavam, mas aí fica esquisito. Então vou falar novelizavam. Os filmes. Eles transformavam os filmes em romance, né, em livro.

Então, por exemplo, eu tenho aqui o do filme do Superman Volta no Tempo, em algum lugar do passado. Eu tenho esse porque, porque foi um filme que foi um sucesso e as pessoas queriam ter esse filme com elas. E aí eles faziam isso, eles novelizavam e transformavam em livros. E hoje as pessoas meio que abriram mão de ter essas histórias. E eu acho que, eu também acho que é por isso que essas histórias são meio descartáveis hoje, né?

Porque antes a gente ainda tinha esse apego a essas histórias assim, né? Eu, por exemplo, tem muita coisa que eu tenho aqui na minha coleção de DVDs, por exemplo, Além da Imaginação, Eu tenho toda a coleção em DVDs, eu não consigo me desfazer do Além da Imaginação lá de 60, que eu adoro essa série. E assim, não é em todo lugar que passa, e o meu tá com a dublagem original. Então assim, ainda tem isso, mas o que eu percebo é que hoje tá tudo muito descartável assim, né?

A gente não tem esse apego mais. E eu que acho que o físico dá, né? A mídia física, a parte física dá. E tem uma geração aí, acho que a geração Z, que tá voltando para isso, né? Eles estão voltando para essa coisa da mídia física, né?

?Voz B

Uma produtora de videogame, não lembro qual foi o estúdio, acho que é do Assassin's Creed, que falou uma vez que comprar o jogo não significa possuir o jogo.

?Voz A

É, tiraram, isso Muito doido, né, velho?

?Voz B

Tiraram o jogo da Steam, de algum lugar e tal, não sei o quê. A galera reclamando e tal, não sei o quê, que queria jogar single player. Foda-se, não quero jogar online, não quero, preciso do servidor e tal. E aí o pessoal começou a falar assim: comprar não é possuir, copiar não é pirataria.

?Voz A

É isso, né?

?Voz C

Exato, é isso, entendeu?

?Voz B

Aí a gente tem que fazer um parênteses muito gigante aqui, porque no Brasil especificamente, você fazer uma cópia sua para uso pessoal não é crime de pirataria. Se você pegar e distribuir, jogar no torrent para todo mundo, aí tu tomou no cu. Agora você pegar e baixar, pegar e copiar para você, você tá de boa.

?Voz C

Eu confesso que eu tenho ultimamente, eu ando tendo essa, porque eu não sei para onde a gente vai de verdade. Assim, eu não sei, no sentido de, porque são muitos terabytes, eu não sei, eu não sei como que a gente vai dar conta disso, o quanto de água que a gente vai ter que usar para ir, eu não sei, eu não sei. Existem coisas que eu não quero que se percam no tempo simplesmente por conta do suporte, porque é isso no final. A gente, eu brinco muito com a minha mãe, eu falo assim, ah, minha mãe às vezes fala de novelas antigas que queimaram na Excel, na TV Tupi Guarani, lá, enfim.

E aí eu sempre falo para ela, eu falo assim, é, hoje a gente, se a gente tiver um apagão hoje, muita coisa vai se perder.

?Voz B

Assim, tem uma galera que tá lançando um produto, tem vários diferentes, mas é que é como se fosse uma caixa do conhecimento humano, o que você precisa para restaurar a humanidade. É um dispositivo com HD, com tudo mais ali e tal. Até para ser um, algum tipo de desses micro, como é que é o nome, Raspberry Pi, alguma coisa assim, com HD, com não sei o quê, com displayzinho. Porque se acabar o mundo, lá ele tem tipo a Wikipedia inteira, download da Wikipedia inteira.

Então tem coisa, tem dicas de cá como plantar vegetais, legumes, plantar, não sei o quê, como filtrar água, como fazer antisséptico, como fazer um monte de coisa aqui. É um negócio de sobrevivência para o pós-apocalíptico, tipo, acabou o mundo, não tem mais internet, não tem mais servidor, não tem mais nada, como é que você vai se virar? Geração Z safada que nunca saiu de casa para plantar nada, tá?

?Voz C

A gente, o pessoal fica metendo o pau na geração Z, mas Mas é a geração Z que tá fazendo aqueles cyberdeck. As meninas estão pirando no cyberdeck. Você sabe o que que é, Bruno?

?Voz A

Não faço ideia.

?Voz C

É assim, por exemplo, tem uma menina aqui no Brasil que ela tá com um monte de visualização porque ela pegou um laptop da Xuxa e ela tá transformando no laptop normal, e ela vai mostrando como é que ela faz. Do tipo, aqui, ó, você pega aqui, ah, eu vou usar esse. E aí ela faz, ela mostra como que é, como é que usa o ferro de solda, como que ela tá fazendo para mexer com o teclado, a coisa mais física mesmo. E tem um movimento muito grande das meninas lá fora fazendo, tipo, usando aquelas latinhas de, daquelas balinhas como é que chama, alteoides, alteoides, sei lá, fazendo leitor com telinha de tudo meio steampunk, meio tudo meio steampunk.

Tem a galera que vai para o cyberpunk, é tudo nessa estética, mas com essa coisa do tipo para não precisar conectar na internet, para saber como é que funciona esse negócio por dentro, normalmente rodando Linux. Uma versão de Linux, normalmente é Linux. E assim, eu tô vendo e eu tô achando, eu tô amando assim, eu tô, eu acho que eu sigo umas 2 ou 3. As meninas vêm forte nesse sentido aí, isso, porque elas estão assim tão encantadíssimas com isso.

E aí você pode, você põe o laptop numa bolsa e aí você olha, você fala, é uma bolsa, é um laptop. Então, e tudo com, e assim E a ideia delas assim não é, ah, vou comprar um computador, não, é pegar o que você tem em casa já que tá parado, esses lixos de tecnologia, tecnológicos, é o teclado que parou de funcionar, e você refazer essas coisas e ver até onde você pode ir. Assim, super Matrix, assim, super estética 99.

?Voz B

E tem que são assim muito sempre, porque cada um faz do seu jeito, né? Esse que é o mais legal ainda. Então tem uns caras que pegam uma maleta dessas de escritório e põe uma tela de LCD em cima, um tecladinho encaixado aqui, um monte de cooler, um monte de negócio, um lugar para encaixar o celular dele, sabe? E tá aí o Cyberdeck, funciona e tal. E aí você vai olhar assim, cara, mas para que você tá fazendo isso?

?Voz C

Não, porque eu quero e tá tudo bem, porque eu posso, cara.

?Voz B

É porque eu quero, porque eu posso, cara. E são lindos, tão lindos. Eu vi um que um cara fez usando um celular, isso é, tem muito celular, é como tela e processador e tal, não sei o quê, né? E um tecladinho desses que acochambrou o negócio ali, e o tecladinho tem um trackpad E aí ele conseguiu meter uma distribuição de Linux no negócio e não funciona como celular, mas processa, consegue programar, consegue fazer as coisas dele ali. Muito doido, cara, muito doido.

?Voz C

Não, tá muito legal esse movimento aí, eu tô achando muito legal.

?Voz B

Ah, eu acho massa, eu acho massa.

?Voz C

Eu aqui em casa eu tô vendo coisas para montar um homelab. Mesmo assim, de para tirar as coisas de nuvem. Então isso eu tô fazendo aqui, eu e meu irmão, a gente tá nessa empreitada aí.

?Voz B

Antes de eu vender tudo e me mudar para fora, eu tinha uma coleção de Blu-ray gigantesca. Todo filme que eu assistia, que eu gostava, que eu falava, pô, eu quero saber como é que foi o making of, porque naquela época, né, vinha making of, vinha um monte de coisa, né. Hoje em dia Hoje você compra o Blu-ray, vem só um código para você botar no negócio e assistir o filme online, né, o GTA. Então eu sempre comprava porque eu queria ver essas partes estendidas, cenas deletadas, é versão comentada, cinéfilo mesmo, né.

Só que eu separei vários que eu falava esses aqui eu não vou vender e deixei guardado. E aí agora que depois que eu voltei, eu resgatei vários desses, né? Eu tenho tipo, eu tenho versões originais do Guerra nas Estrelas que saiu no DVD. Eu tenho essas coisinhas assim. E uma coisa que eu tenho feito há muito tempo é isso: eu peguei esses Blu-rays, fiz uma cópia deles no disco do meu computador. E aí no computador eu tenho um programinha que ele gera, entre aspas, uma Netflix baseado nos arquivos que eu tenho no meu computador.

Computador. E aí na televisão ele tem um appzinho que rola na televisão da Samsung, que eu acesso o meu servidor do computador e assisto os meus filmes, né?

?Voz C

Perfeito, é isso aí.

?Voz B

Tem um movimento gigantesco disso, né, que é de tipo você conseguir guardar as coisas, né? Que a gente tá falando muito aqui é tipo de você ter acesso às coisas que você quer, é isso, coisas que são suas. É isso, porque você acaba caindo numa, entre aspas, curadoria Né, que a Netflix tira as coisas do catálogo porque ninguém tá vendo.

?Voz C

É a curadoria do algoritmo no final, e não é essa curadoria que eu quero.

?Voz B

Às vezes também é aquela curadoria do tipo: acabou o contrato, não quero renovar. Às vezes é aquela: ah, eu não quero que dê acesso a esse filme, essa série, etc. Não quero que tenha acesso porque vai contra o que eu tenho de crença. Existe isso também, não é gigantesco, mas existe um pouco disso também nos acervos dessas grandes empresas de streaming, né? Tem alguém lá que toma a decisão e fala: não, filme desse cara não quero aqui não.

Você poder pegar, fazer isso. E tem um cara que eu sigo no TikTok, ele fala muito disso, de arquivar, né? Então você, ele fala: cara, pega os seus CDs de jogos do PlayStation 1, que o seu PlayStation 1 deu problema e tal, não sei o quê, você vai, você vai baixar esse programa, você vai fazer, você vai copiar ele com esse programa, você vai rodar esse emulador e você vai conseguir jogar o joguinho que você pagou.

?Voz C

Isso é legal, sacou?

?Voz B

Não é um negócio tipo, ah não, vou copiar e não, você pagou, você comprou, você tá fazendo uma cópia e você vai conseguir jogar no seu computador para você se divertir. Com a parada que você pagou, é seu.

?Voz C

É isso aí. Aí eu sou muito a favor dessa, desse movimento aí.

?Voz B

Eu sou 100% a favor.

?Voz C

Vamos colocar o Bruno nisso aí também.

?Voz B

Vamos, eu vou passar os programinhas tudo para o Bruno.

?Voz A

Não, faz assim, ó, eu topo, eu só não sei preencher, mas eu dou um jeito aqui.

?Voz B

Eu não sei como é que tá hoje porque eu não confesso que eu não tenho jogado muita coisa para o meu Kindle que não seja da loja ali da Amazon, né? Mas eu me lembro que tinha uma época que você tinha um email do Kindle que você mandava os PDFs para ele e você podia ler qualquer coisa no seu Kindle.

?Voz C

É, mas ele não formatava do jeito que era bom, né?

?Voz B

Tem um aplicativo que a gente consegue passar por um—

?Voz C

pelo Calibre. Vamos falar nome e sobrenome aqui. Pelo Calibre.

?Voz B

Joga no, joga no, é porque eu ia falar, porque hoje em dia com um monte de IA você consegue jogar para uma IA, fala formata para mim, aí ela forma.

?Voz C

Nem precisa ir para IA. Por exemplo, eu tenho Calibre aqui no meu computador que eu gosto, eu gosto de, como eu lido com muito, muita tese, muito, muito texto, né? Então o Calibre eu consigo, ele é uma biblioteca. Para quem nunca viu, não sabe o que é o Calibre, ele é uma biblioteca, na verdade, de textos e de textos digitais. Então, no meu caso, eu uso porque eu acabo, para as minhas pesquisas, minhas coisas, eu acabo baixando muito texto, muita tese de mestrado, muita coisa.

E aí eu quero catalogar isso, e o Calibre me ajuda a catalogar essa coisas. E também se você tem algo, por exemplo, eu tenho lá uma tese que eu quero ler no Kindle. Kindle é MOBI, né? Então ele consegue converter e fica muito mais palatável do que você simplesmente jogar o PDF lá, porque o PDF às vezes não fica configurado direito. Não sei nem como é que tá isso, porque depois do Calibre eu nunca mais joguei direto o PDF lá, mas ele, o Kindle lê o PDF.

Mas eu acho que, por exemplo, se as colunas forem muito grandes, ele vai até o final. Era assim antes, não sei como é que tá agora. Mas depois do Calibre, eu vou lá, ponho ele para converter para MOBI, ele converte, eu jogo para o Kindle e tá beleza, entendeu? Hoje tá mais difícil, mas é isso que eu faço.

?Voz A

Eu tenho uma parada com a mídia física de tipo toque, cheiro, né? Eu tenho isso, tipo, não é nem só o livro, é no meu caso a minha coleção maior aqui é gibi, né?

?Voz C

Então assim, mas quadrinho eu não consigo, tá? Quadrinho eu não consigo ler no Kindle. Eu comprei, eu tenho, eu tenho tablet para ler quadrinho e eu compro, leio, e possivelmente eu eu já sei que eu vou comprar na mídia física. Quadrinho é uma coisa que eu parei, eu falei bobagem assim, porque eu vou querer na mídia física.

?Voz B

Eu fiz essa transposição para mídia digital de livros há muito tempo atrás. Eu gosto de poder, ah, eu tô lendo aqui no Kindle, depois eu sei lá, pego o metrô, abro o celular, continuo lendo, depois sei lá, tô no trabalho, eu Consegui uns 10 minutinhos livres aqui, eu abro a tela e continuo de onde é que eu tô.

?Voz C

Bruno, não tem nada, nada, nada, nada no mundo que seja mais prazeroso que você abrir o plastiquinho do quadrinho.

?Voz B

Porém, contudo, todavia, entretanto, eu tenho vários livros versão física Que assim, eu tenho ele versão digital e eu tenho ele versão impressa porque eu quero pegar, eu quero ler. Eu entendo perfeitamente esse esquema do cheiro, do manipular, de fazer orelha, de puxar para cá.

?Voz A

Deixa eu falar uma coisa, acabou, já falou demais. Sabe, além da mídia física, de tipo você comprar e abrir, plastiquinho e barulho, e cheiro e tipo manuseio, né? Além de tudo isso, existe o ritual de ir até o lugar onde eu faço as minhas compras de quadrinho, porque eu não— eu tenho a sorte de ter aqui em Brasília uma loja especializada que eu não vou fazer a propaganda aqui, Mas quem sabe, ele é, não, não vou. Mas enfim, de que eu vou lá, entendeu?

E tipo, aí eu gosto de ir lá garimpar, olhar, entendeu? Tipo, saber quais são os lançamentos da semana.

?Voz B

Aí eu vou, pego, tem isso, cara.

?Voz A

E é uma coisa que eu sinto falta hoje com a questão dos filmes, que era alocadora, alocadora, alocadora. Locadora era a parada que às vezes eu ia só para saber o que que tinha de novidade.

?Voz B

Eu nem alugava, se tinha alguma coisa nova que o cara da locadora recomendava.

?Voz A

Exatamente. Às vezes eu ia, olha só, às vezes eu ia na locadora porque a locadora era do lado da padaria. Então na verdade eu tava indo na padaria comprar pão e ia falar assim, pô, vou passar ali na locadora e ver qual é a da Nem alugar nada, só passava lá para ver.

?Voz B

Aqui sexta-feira tem.

?Voz C

Então você sabe que até 2018, acho, tem uma locadora no Copan.

?Voz A

No Copan, sim.

?Voz C

Isso. Então eu tinha carteirinha lá, então eu ia lá no Copan para alugar filme. Então ali tinha, tem algumas, ainda tem, ela tá funcionando ainda. É que assim, como eu não trabalho mais lá, não tem, né?

?Voz A

Você não tem mais o hábito, né?

?Voz C

Enfim, mas tem algumas resistentes aqui em São Paulo, tem uma em São Miguel, tem algumas que resistem ainda, mas são poucas. Essa do Copan, ela é gigantesca e ela tem DVD, tem VHS, Blu-ray, Gigantesca.

?Voz A

Pois é, bravos guerreiros, né, que vão contra o sistema, né, a galera que vai contra o sistema mesmo. Porque hoje é difícil com os cara desse sobreviver, porque tem que ter um público muito fiel, entendeu?

?Voz C

Aqui ainda tem uns, ainda, por exemplo, a gente tem bastante, tem bastante lugar que ainda vende mídia física. Tem também, eu não sei se é no final de No último, não sei se é o último domingo do mês, se é o primeiro domingo do mês, enfim, se é a cada 2 meses, eu não lembro a periodicidade. Tem uma feira de mídia física na Paulista. Então todos esses caras, eles se reúnem lá para vender mídia física. Então tem de tudo, de vinil, DVD, fita cassete, que é outra viagem.

?Voz B

Da mídia física, né? Você compra o jogo, você joga, e aí quando você fala não quero mais saber desse jogo, você vai lá e vende ele. Você tá perdendo dinheiro, né? Aí você vende ele e você pega esse crédito na loja e compra outra coisa ou troca por outro, né? E você vai fazendo isso. E para muita gente, para muita gente que não tem R$300 para jogar, para comprar um joguinho, velho, R$300 eu já acho demais para um videogame, para um jogo.

Agora os caras estão querendo botar R$600. Não, tá, tá sem pé nem cabeça. Mas para muita gente, R$300 é quase o que tem para semana para se manter, né? Então para muita gente essa mídia física usada que eu vou comprar aqui na feira, é até o original que eu tô comprando, é usado do outro cara, né? Então é o que eu consigo comprar. Então o que era R$300 há 2 anos atrás hoje virou R$50, e aí eu consigo comprar, eu junto um pouquinho aqui e consigo comprar.

Então essa turma aí que se beneficiava ali do produto de segunda mão, de terceira mão, quarta mão, o que que você quer que seja, hoje tá sendo excluída.

?Voz C

Mas é uma forma de elitizar também, né? Talvez você não atrelar o seu nome, mas sua marca. Mas é isso, eu acho que, por exemplo, quando PlayStation entra no Brasil por vias não muito ortodoxas, o PlayStation 2 acho que foi campeão. A gente tá falando de pirataria, sim, campeão de pirataria, né? Eu já fui ao PlayStation já no PlayStation 3, né? Foi o primeiro videogame. Eu tive um Não, não, então, mas eu fazia anos que eu não jogava nada, e aí veio o God of War, né?

?Voz B

E bom, eu já tava fazendo, você foi obrigada a jogar God of War, tadinho.

?Voz C

Mas você não sabe, eu fui mesmo obrigada.

?Voz B

Eu sei, você já contou essa história, me fizeram comprar por causa do God of War para depois contar a história do negócio e ver se tava tava valendo, não tava valendo.

?Voz C

É, e pois é, pois é. E aí foi nessa aí, eu acabei. Mas por exemplo, um Play 5, meu irmão compra, porque meu irmão é um psicopata, né? Meu irmão tem todos os consoles, né? Ele tem uma coleção de console. Meu irmão compra, meu irmão tem o que você falar, ele tem uma estante lá só disso. Mas ele comprou, eu Recusei. Eu falei, meu dinheiro não é para isso não, meu dinheiro não é capim, porque tava muito caro.

?Voz B

Eu comprei os 5, mas ele tava numa promoção boa e eu não tinha nenhum, que eu tinha vendido tudo, né? Aí eu falei, eu vou comprar os 5 porque eu já tenho um Blu-ray, ia ser tudo, sabe? Já ia ali, já ia entrar em resolver vários problemas com uma coisa só. Então eu fui lá e comprei o PS5, e até hoje eu só tenho PS5. E assim, não, eu comprei o da Nintendo, né, o Switch.

?Voz C

Ah, eu ganhei, meu irmão me deu, porque eu gosto muito de console portátil, né? E aí esse daqui para mim ele super me atende assim.

?Voz B

Ah, ele é muito bom, ele é super divertido. Eu acho que ele atende um nicho muito bem, ele fala, ó, não vou botar o super gráfico, que não é isso que você quer. Você quer diversão, você não quer o super gráfico, né? E você quer portabilidade, uma bateria que dura para caralho. Então diminui o gráfico e a bateria vai durar mais. E super atende. Para mim também foi esse esquema, né? Para que viajava, viajava longas horas e tal, precisam de um videogamezinho enquanto tá aí passando horas no avião.

?Voz A

Mas ainda assim, o Game Boy foi o melhor de todos.

?Voz C

Ai, eu adorava!

?Voz B

Não, Game Boy, aquele velhinho, aquele velhinho roxo que você comprava a luz externa porque ele não tinha uma luzinha.

?Voz A

É botãozinho roxo e tela verde, e é isso aí. E cartuchinho fininho assim que você botava. Cara, eu consigo lembrar do claque que fazia.

?Voz C

Eu gostava também. Esse daí eu acho que foi a única coisa do meu irmão assim que eu acabei passando a mão porque eu gostava mais que ele. Ele, ah, os gráficos são ruins, né? Porque era, não era tão legal, mas eu amava, eu amava Game Boy.

?Voz A

Nossa, eu amava também! Nossa, eu joguei tanto, brinquei tanto de Game Boy.

?Voz C

Eu tenho, tive do meu irmão Game Boy e depois eu comprei o PS Vita que Foi a pior coisa que eu fiz na vida. O PS Vita não tem nada para ele, meu tá parado aqui, nem sei o que fazer com ele. Mas o desses, e um, tem uns agora que o pessoal tá, que é de retro game, tipo uns, aí tem R300 e whatever, não vou lembrar, uns chinesinho que tem agora, que tem também que é para emulador, sabe? O povo tá maluco com essas coisas.

?Voz A

Mas tem o cartuchinho que você coloca?

?Voz C

Não tem, não tem.

?Voz B

Pois é, entendeu?

?Voz C

Não tem mais.

?Voz B

Tem um que eles fizeram, eu não sei se foi, não foi com o Raspberry Pi, foi com outro que é o concorrente, que era mais fininho, que você encaixa um chipzinho de memória, um SDzinho, dentro de um plastiquinho impresso em 3D. E aí você encaixa nele, ele faz o cartuchinho entrando atrás, faz claque.

?Voz C

Aí, Bruno, aí tá vendo? Tá vendo?

?Voz B

Tem doido para tudo no mundo, né?

?Voz C

Minha mãe recentemente trocou de celular e o dela é Samsung, né? Aí, meu filho, aí a pessoa pegou, fez o quê? Zerou o bichinho, tacou um retro arco nele lá, e eu tenho um O bichinho, quando eu quero jogar, eu acho que só eu jogava esse jogo, que é aquele do Tiny Toons do Mega Drive. Eu amava aquele jogo. Aí de vez em quando, quando eu tô muito assim, eu vou lá e jogo. Acho que era, acho que foi o que eu mais joguei, porque a gente teve o Mega Drive aqui em casa, porque tinha essa briga, né, Mega Drive, Super Nintendo.

?Voz B

Era Super Nintendo.

?Voz C

E aí a gente brigava, na verdade, assim, o que o pai da gente tinha comprado, né? A gente acabava— e eu, no meu caso, aqui em casa foi o Mega Drive. Então o Sonic era rei aqui. Depois, muito tempo depois que eu fui jogar Mario.

?Voz B

Eu tinha um videogame, ó, na época que era Atari, tá? Tinha o Atari e aí tinha um da Gradiente Deixa eu adaptar. E tinha um da Gradiente, não lembro o nome, que ele era o Famicom, Famicom, nossa, colocado dentro de uma caixa de plástico preta com outro nome da Gradiente e vendido com joystick que era um manchezinho, tá? Então não era parecido com o Famicom. Quando a Gradiente trouxe para cá, eles fizeram esse esquema aí, entendi.

Eu tinha esse videogame, só que ele não tinha nenhum jogo. Jogo, porque ninguém sabia qual era aquilo. E ele não vinha com o Mario, nossa, ele vinha com outro, um outro, um outro jogo. Eu não tô tentando lembrar aqui. E tinha Pitfall, tinha umas coisas assim, sabe, tipo uns joguinhos padrão ali do Atari também. E aí depois de anos que eu fui lembrar dessa parada e fui procurar atrás, eu lembrei, pô, é um Pac-Man com a caixa preta por cima. E, porra, podia estar jogando Mario desde pequeno, mas nunca tive a chance.

?Voz C

O de vocês também, o primeiro foi Atari?

?Voz B

O meu primeiro foi Atari, e depois do Atari eu tive aquele que tinha madeirinha ainda.

?Voz A

É, o meu era aquele da madeirinha. Eu tive o Master, tive o Mega Drive. Depois do Mega Drive eu pulei para o PlayStation.

?Voz C

Ah, tá. Não, como meu irmão sempre gostou muito, né, a gente teve Atari também. Aí, aí meu irmão foi indo assim. Eu, eu, que era muito engraçado, porque como era eu e meu irmão, aí assim o presente era dos dois, né, mas nunca era, porque ele ia deixar eu jogar? Nunca, jamais, né. Então na verdade o presente era só para ele. Eu só fui ter um videogame mesmo quando eu comprei o meu PlayStation 3. Eu falo isso para ele, ele dá risada.

Eu falo, ah não, a gente vai comprar para os dois. Aí quem acabava ganhando era ele no final das contas. Mas eu também, eu fiz essa trajetória aí, só que eu não fui para o PlayStation 1, eu já fui para o 3 direto. Mas eu fiquei muito tempo ali nos 16, mas eu gostava. Abriu aqui perto de casa uma, é tipo pombar assim com coisas dos anos 80. E eles têm um negócio, anos 80, 90, eles têm um negócio que eu joguei muito em fliperama, que foi Daytona USA, sabe?

Eu acho que só eu gosto desse jogo, gente, porque eu joguei tanto aquilo, tanto, tanto, tanto. Eu fui, eu joguei campeonato de Daytona no Shopping D aqui, aqui Aqui em São Paulo. Esse, esse, como eu amava aquele jogo, meu Deus do céu!

?Voz A

Eu também gostava, vou te dizer, não vou dizer mentira não.

?Voz B

Eu encontrei, não era o Phantom System, Phantom System era o clone do NES com a carcaça do Atari. Eu tinha era o Dynavision da Dynavision, esse eu me lembro, que era o NES. Isso eu me lembro, que era o Nintendinho. Ele era o Nintendo Entertainment System, conhecido também como Famicom.

?Voz A

É que a Nintendo, ela licenciou para outras empresas fazerem, copiarem o sistema dela, entendeu? É para outros países.

?Voz B

Isso. Olha a foto dele aqui, velho! Deixa no post, deixa Exatamente esse que eu tinha, Dynavision da Dynacom. A gente jogava, como é que era o nome?

?Voz C

Tinha o Decathlon, nossa, o quebrador de controle.

?Voz B

Então, mas esse Dynavision aqui era o Atari, só que não, esse já era o que ele tinha duas versões. Ele tinha o Dynavision, tinha dois Dynavision. Um deles era com o Atari e o outro era com o Super NES.

?Voz A

Meu Deus, eu fui a São Paulo a última vez e tava tendo aquela exposição do videogame lá no Itaú Cultural, e tinha o cartucho lá do ET. Do— nossa, tinha o cartucho do ET da escavação.

?Voz C

Você jura?

?Voz B

A galera foi lá e buscou.

?Voz A

Juro que os caras escavaram lá aquela história do documentário lá, que teve documentário e tal. Inclusive, eu acho que esse documentário ele está no YouTube, viu? Eu acho que ele tá no YouTube. Se você procurar, você acha. Acho que chama Game Over, um negócio assim. Atari Game Over: A Lenda dos Cartuchos.

?Voz C

Enterrados.

?Voz A

Vou mandar aqui o link para vocês.

?Voz C

Manda, vou assistir depois. Que doido, né, cara? O capitalismo.

?Voz A

É, pois é, melhor enterrar a merda do negócio do que—

?Voz C

Pois é, pois é.

?Voz B

Achei todos os meus PDBs, então todos os livros do William Gibson, que é cyberpunk e tal, não sei o quê, eu li e Feliz num Paulo Pilot.

?Voz C

Ah, então, então essa coisa do livro, para mim, eu tenho principalmente livro teórico assim, eu preciso escrever, eu preciso dialogar com o livro. Então eu vou escrever na borda do livro, eu vou sublinhar. Eu tenho muitos amigos que falam assim, Andréia, você é maluca? Eu falo, gente, eu comprei, é meu, eu faço o que eu quiser. Me deixa, me deixa. Livro de ficção é mais difícil eu fazer isso.

?Voz B

O Bruno já viu meus livros de RPG.

?Voz C

É porque às vezes você quer fazer uma anotação, alguma coisa, quer destacar alguma coisa, né?

?Voz B

Tudo cheio de marcador escrito. Isso aqui é tal, não sei o quê. E é todas as bordas, não é só na borda mais comprida. É, então a borda de cima, a borda lateral, a borda de baixo, tudo com marcadorzinho. Alguém falando, ah, onde é que tá não sei o quê?

?Voz C

Quando a gente tava fazendo Perpétuos, eu tenho um livro que ele era um compilado de todas as obras e tinha uma parte que era só de Sandman. Aquela parte ali, eu vou mandar depois a foto para vocês, é tudo escrito, tudo, tudo, tudo, tudo era rabiscado assim. Se a pessoa olha, fala assim, isso aqui, o que que está fazendo com isso aqui? Mas eu só consigo a coisa teórica para mim, eu tenho que conversar com texto. Então não funciona o livro de ficção, eu não tenho muito disso, vai depender muito do livro.

Se for, por exemplo, um essa de Queiroz, talvez, porque aí ele vai me suscitar outras conversas forças internas. Mas ficção, dificilmente isso acontece. Agora, livro teórico, tipo, eu tava lendo um aqui recente sobre adaptações, intermedialidades e tal, tá todo riscado assim. Eu tô nem aí, tô nem aí.

?Voz B

Comprei alguns livros físicos de RuneQuest e eu comprei todos os livros E aí eu descobri que aí você fez uma bizarrice da IA. Não, eu descobri que você pode usar o notebook LM do Google Gemini. É, só que o bom do notebook LM é que você cerceia o domínio de informações, ele viajar, ele não alucina, né?

?Voz C

Ele não vai alucinar.

?Voz B

Isso. E aí você pode fazer fazer isso com várias coisas. Uma delas são PDFs.

?Voz C

Sim.

?Voz B

E aí eu peguei e falei assim: vem cá, querido, esses aqui são os livros de RPG do RuneQuest. Vamos ser a minha memória expandida.

?Voz C

Eu uso para estudar.

?Voz B

E aí eu pego, jogo tudo, joguei tudo nele. E como é que funciona tal coisa? Ah, tá, não sei o quê. Em qual livro que tá isso? Tá em tal livro, página tal. Abro o livro, leio. É uma outra forma de acessar informação. Porque antigamente o que eu fazia, eu pegava os PDFs e jogava num banco de dados desse tipo, um Microsoft Access da vida, um MySQL rodando local na máquina, e eu jogava tudo lá, fazia um front-endzinho ali assim basicão, e eu ia, magia tal, aí buscava lá para mim, sacou?

Esse esquema, tipo, para facilitar a minha vida, porque dependendo do RPG que você tá fazendo, tem 15 livros para você achar onde é que tá o negócio, né? Então facilita bastante, facilita bastante usar o digital, facilita bastante para isso, né? Para você pesquisar, para você achar onde é que tá o negócio. O Ctrl+F funciona mais rápido do que o dedinho indo página a página, indo no índice procurando. Não, não é nesse, vamos para o outro.

?Voz A

É o que eu acho bacana de assim, para encerrar esse assunto de mídia física e mídia online, né, mídia digital, é aqueles livros ou gibis ou etc. que a mídia física, que ele foi feito para a mídia física. Sim, tipo que ele tem alguma coisa ali que ele não vai conseguir transportar para o digital, que no digital não vai fazer sentido. A experiência É, exatamente. Eu vou citar um aqui que é recente, que eu estava lendo recentemente.

Ele tem uma parada que é incrível, que é o Absolute Caçador de Marte. É, para quem não tá sabendo, a DC tá fazendo mais uma daquelas milhares de reformulações dela, e agora ele entrou num que é o tal dos Sem Limites, né, DC Sem Limites, que aí ele meio que dividiu o universo. E aí tem um novo universo que é Universo Absolute. Aí tem o Batman Absolute, que aquele, né, aquele desenho todo estilizado do Batman, que ele tem um machado e ele tem uma loucura fumada foda.

E aí um dos gibis é o Absolute Caçador de Marte, que o primeiro volume, quando você chega na última página do quadrinho, você para ver o que tá se passando dentro da cabeça do personagem, você tem que botar a página contra a luz.

?Voz C

Nossa, que doido!

?Voz A

É iradíssimo, cara, iradíssimo, entendeu? Então assim, você tá interagindo. Isso, como é que isso funciona no online? Não tem, não faz, não tem, não tem a mesma experiência, entendeu?

?Voz C

Deixa eu te falar que hoje Outro dia eu fui, eu fui a uma livraria, eu acabei comprando 2 livros que na verdade eu não fui para isso, eu fui para comprar o Mulher Maravilha, só que eu só achei o número 1, o número 3, o número 4, e não achei o 2. Eu falei, ah, não vou levar assim com faltando, né? Então eu vou procurar de outro jeito, porque eu fiquei tão empolgada que o Bruno me falou que ele tava lendo, e eu tenho umas questões com a Mulher Maravilha.

E eu falei assim, não, preciso, eu preciso ler para ver. Mas não consegui, menina. Agora tô maluca por causa da Mulher Maravilha. Culpa do Bruno, opa, tudo culpa do Bruno.

?Voz A

Procura ver se tem na Amazon, de repente, né?

?Voz C

É que as últimas vezes que eu comprei livros na Amazon, eu tive experiências muito ruins. Então eu tô evitando, mas se não tiver jeito eu vou fazer por lá mesmo.

?Voz A

É, o Absolute Mulher Maravilha 2 pelo visto tá meio esgotadinho mesmo.

?Voz C

É, então não achei lá, eu só achei o 1, 3 e o 4, o 2 não tinha.

?Voz A

Pois é, e essa semana lançou o 5, só para avisar.

?Voz C

Pois é, aí o que que eu faço? Eu choro. É isso que eu tenho para fazer. E o que eu acabei de comprando foi dois livros. Ah, eu quero indicar, inclusive, posso?

?Voz B

Pode tudo.

?Voz C

Que que acontece, eu vou indicar dois livros que eu ainda não li. Calma, eu li, mas não li. Que esses dois livros aqui, eles são de um projeto chamado Tenebra, é tenebra.org, qualquer, tá aí disponível para todo mundo. Ele Tá grátis. É um catálogo de livros de narrativas brasileiras de horror. E aí lançou o segundo volume, eu não tinha o primeiro e eu acabei comprando os dois. Então o primeiro volume é de 1839 a 1899 e o segundo volume é de 1900 a 1949.

Aí só para vocês entenderem, é uma coleção coletânea de contos, né? E aí só para vocês vocês entenderem quem estão nessas coletâneas. Então, na primeira, a gente tem Frank Quintávora, tem Júlia Lopes de Almeida, tem Machado de Assis, tem Maciel da Costa, tem Olavo Bilac, e tudo Fagundes Varela, Luiz Azevedo, Américo Lobo, e tudo voltado para literatura de horror no Brasil, que é algo algo que as pessoas acham que não existe. E que assim, que eu falo que é o, que o Brasil tem o gótico envergonhado, né?

Porque as pessoas têm muito, porque o horror ele é considerado uma literatura menor, e eles, e as pessoas colocam os nossos autores num pedestal, e aí acaba meio que tirando esse gênero deles, né? E esses caras fizeram esse catálogo, né? Esses caras, né? Os dois professores, o Júlio França e o Oscar Nestares. Bom, quem não quiser comprar o livro que foi feito pela Editora Fósforo, leia lá o tenebra.org, tá lá o catálogo, dá para ler online gratuito.

Muito e tudo mais. Mas o projeto gráfico ficou tão lindo que eu falei, vou, vou, eu acabei comprando e tô indicando. É isso. E o pessoal sabe que eu gosto pouco de literatura gótica, então é isso, tá indicado.

?Voz A

Beleza, é isso aí.

?Voz C

Mas eu fui para comprar Mulher Maravilha, não fui para comprar esse não, é que ele tava lá, acabou vindo de prêmio de consolação no final das contas.

?Voz A

Muito bem, eu vou indicar a Saga dos X-Men. Tô acompanhando a Saga dos X-Men.

?Voz C

Você já tá assistindo? Você já tá assistindo?

?Voz A

Ainda não, botei para assistir o primeiro, aí tava muito maneiro, só que eu tava vendo no celular. Falei, não, não, isso não merece celular. Eu vi, você quer assistir na televisão grandinha aí, deixe para ver no final de semana.

?Voz C

Ah, eu vou assistir no fim de semana também.

?Voz A

É isso.

?Voz B

Eu vou recomendar Neuromancer na Apple TV, que saiu um teaser agora. Eu acabei de colocar aqui no chat para vocês e tá lá no Refil Prime também. E é isso aí, vou reler tudo de novo para assistir o negócio, porque o livro não tem a data ainda não, né? É isso aí, a gente vai lá. Eu tô achando que é tipo janeiro, fevereiro do ano que vem, tá? Se fosse para ser esse ano, já tinha, já tinha mais cacarejado.

?Voz A

Esse é o primeiro teaser, né?

?Voz B

Esse é o primeiro teaser de todos, cara. É as primeiras, primeira frase do livro, basicamente, mais nada.

?Voz A

E o que que é esse videogame aí que ele liga aí?

?Voz B

É a tela do Ashpool. Como é que é o nome? Ashpool é uma corporação, a TCE Ashpool.

?Voz A

Gostei desse videogame aí. É bonito.

?Voz B

É porque esse livro foi escrito um pouco antes de lançarem os PCs, cara.

?Voz A

Eles vão manter o esquema legal.

?Voz B

Hoje em dia ele já tá tipo mais para um— eu não digo, é tipo um Matrix da vida, onde a tecnologia é antiga. É por causa desse livro, por causa desses livros, né? Tipo É uma parada meio futurista, mas foi escrito nos anos 80, velho.

?Voz C

Então, ah, que bom que eles vão manter, né, ali.

?Voz A

Ah, pois é, maravilhoso.

?Voz B

É o novo steampunk, né?

?Voz C

Então, mas eu acho que tudo isso, toda essa subcultura que a gente falou aqui, eu acho que também vai de encontro a isso deles quererem fazer, porque o pessoal tá esperando mesmo. Depois, quem tiver curiosidade do que a gente falou dos cyberdecks e tudo mais, coloca no TikTok lá cyberdeck ou procura. Tem uma comunidade gigantesca assim, e é bem nesse, nessa chave do velho, do antigo, do retrô. É bem, bem por aí.

?Voz A

Excelente.

?Voz C

Pode ir embora, acabou a festinha. Vai para casa, vai para casa.

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