Melanoma de Coroide
👁️ O novo episódio do Dr. Retina Podcast traz um tema crucial na oftalmologia moderna: o melanoma de coroide, o tumor maligno intraocular mais comum em adultos.O Prof. Dr. Rodrigo Jorge, chefe do Departamento de Oftalmologia do HC-FMRP/USP, explica os avanços diagnósticos e terapêuticos no manejo do melanoma ocular e comenta os resultados de um estudo inédito conduzido por sua equipe.💬 Destaques do episódio:O que é o melanoma de coroide e como ele se desenvolvePrincipais fatores de risco, sintomas e diagnósticos diferenciaisO papel da OCT, ultrassonografia e angiografia no diagnósticoBraquiterapia para o tratamento: método que utiliza radiação local para destruir o tumor preservando o globo ocularTratamento combinado com quimioterapia intra-arterial com melphalan, que reduz o volume tumoral e aumenta a taxa de preservação ocular📖 Segundo o estudo “Melphalan intra-arterial chemotherapy for choroidal melanoma chemoreduction”, publicado no International Journal of Retina and Vitreous, o tratamento combinado reduz o tamanho do tumor, evita a perda do globo ocular e inativa o câncer.🧪 Autores: Rodrigo Jorge, Igor Coelho, Gustavo Viani, Amanda Alexia R. Vieira, Fernando Chahud, Daniel G. Abud e Zelia M. Correa.👁️ Para quem é este conteúdo:👩⚕️ Médicos e residentes que buscam atualização em oncologia ocular.📚 Estudantes de Medicina interessados em retina, tumores oculares e terapias conservadoras.👨👩👧 Pacientes e familiares que desejam entender as opções de tratamento e preservação da visão em casos de melanoma ocular.🚨 ImportanteO Dr. Retina Podcast tem caráter educacional e informativo.⚠️ Não substitui a consulta médica. Sempre procure seu oftalmologista para avaliação individualizada.🎙️ Apresentação👨⚕️ Dr. Rodrigo Jorge – Retina & Tumores Oculares | @drrodrigojorge📰 Rose Talomone – Jornalista e narradora | @rosemeiretalamone📚 Evelyn Bandeca – Produção e conteúdo | @evelyn.bandeca🎧 Produção técnica: @danielestudiohc🔔 Inscreva-se, curta e compartilhe este episódio para ampliar o acesso a informações confiáveis sobre melanoma ocular, braquiterapia e tratamentos inovadores que preservam a visão e salvam vidas.#DrRetinaPodcast #Oftalmologia #SaudeOcular #MelanomaDeCoroide #TumoresOculares #OncologiaOcular #Braquiterapia #RetinaUSP #HCFRMPUSP #EducacaoMedica #PodcastMedico #PodcastSaude #SaudePublica #Prevencao #Retina #Visao #DrRodrigoJorge #EvelynBandeca #RoseTalomone #OftalmoUSPRibeirao #MedicinaBaseadaEmEvidencias #Melphalan #QuimioterapiaIntraArterial #Cegueira #DiagnosticoPrecoce #RetinaResearch
- Melanoma de Coroide· SaudeO que é o melanoma de coroide·Células melanócitos·Tumor maligno intraocular
- Diagnóstico do Melanoma de CoroideSintomas·Embaçamento visual·Descolamento de retina·Mapeamento de retina·Exame de fundo de olho com pupila dilatada
- Tratamento com BraquiterapiaBraquiterapia·Placa radioativa·Preservação do globo ocular·Preservação da visão
- Tratamento QuimioterapiaQuimioterapia intra-arterial·Artéria oftálmica·Redução do tumor·Tratamento combinado
Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Doutor Retina, o podcast que aproxima o mundo da oftalmologia de todos nós, porque entender sobre saúde dos olhos é enxergar melhor a própria vida. Hoje o assunto é sério, mas cheio de esperança: o melanoma de coroide, o tipo mais comum de câncer dentro do olho em adultos. Apesar de raro, ele exige diagnóstico precoce e tratamento especializado. E é aí que entra uma técnica moderna e precisa chamada braquiterapia, capaz de destruir o tumor e, em muitos casos, preservar o olho e a visão do paciente.
Quem nos ajuda a compreender tudo isso é o Dr. Rodrigo Jorge, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, referência em retina. Ele vai explicar como identificar o melanoma, quais são os avanços no tratamento e o que a ciência tem revelado sobre essa condição. Prepare-se para um episódio que mostra como o olhar da medicina e o da pesquisa pode transformar o destino de quem enfrenta o câncer ocular. Professor, muito bem-vindo aqui de volta, né, o nosso bate-papo.
O que exatamente o melanoma de coroide, o que é exatamente o melanoma de coroide e Por que ele é considerado um tumor raro, mas tão relevante na oftalmologia?
Bom, para explicar sobre o que é o melanoma de coroide, eu vou usar esse modelo de globo ocular, essa maquete. O olho, ele tem algumas capas, tá? A capa mais interna é a retina, e entre a retina e o branco do olho Nós temos uma camada aqui no fundo de olho que é chamada coroide. A coroide tem células chamadas melanócitos. Infelizmente, em alguns pacientes, esses melanócitos começam a se dividir de forma desorganizada e desenfreada, levando ao surgimento do melanoma de coroide. Portanto, o melanoma de coroide é um tumor que surge no fundo de olho.
Professor, e quais são os sinais e sintomas que podem indicar a presença desse tipo de tumor no olho?
Bom, o principal sintoma é o embaçamento visual, e o embaçamento visual no melanoma, ele decorre do descolamento de retina que ele provoca. Então, como eu mostrei, a coroide ela fica sob a retina, e quando você tem um tumor com várias células se produzindo de forma desenfreada, ela produz líquido, inflamação, e a retina tem um descolamento, ela desprega. Infelizmente, esse líquido, esse descolamento, é o primeiro sintoma, é o mais comum E o que faz mais o paciente procurar o médico.
E um dado interessante é que 30% dos pacientes são diagnosticados sem sintoma nenhum. Eles são diagnosticados às vezes numa consulta de rotina. Ele vai fazer uma avaliação oftalmológica e é surpreendido com a notícia que ele tem um tumor no fundo de olho.
E como é feito esse diagnóstico? Através de exames? Como que é isso?
Isso é uma pergunta muito importante. Para se fazer o diagnóstico do melanoma de coroide, na grande maioria das vezes, você precisa de fazer um mapeamento de retina, você precisa de dilatar a pupila. Então, se você quer ter uma consulta completa, uma consulta oftalmológica completa, e que possa fazer o diagnóstico precoce, dentre outras doenças, do melanoma de coróide, você precisa de fazer um exame de fundo de olho com a pupila dilatada.
Só assim você vai fazer um diagnóstico mais precoce dessa condição nosológica, dessa doença.
Então, fazer exames oftalmológicos Sempre precisa dilatar?
O exame oftalmológico, ele pode ser dividido às vezes pelo profissional. Por exemplo, às vezes o paciente ele vai sozinho e ele não tem acompanhante e ele tá dirigindo. Então o profissional pode falar: olha, nós vamos fazer um exame só do grau do óculos, por exemplo, sem dilatar a pupila, mas você vai voltar com acompanhante ou você vai voltar para fazer um exame com a pupila dilatada. Então é muito importante que quando o paciente ele procura o especialista, o especialista em algum momento ele tem que verificar o fundo de olho.
Não precisa ser no mesmo, na mesma consulta, a depender das condições, mas assim, tem que ser algo que seja, vamos dizer assim, próximo da avaliação por exemplo, do óculos.
Ok, professor, dá para explicar de forma simples como funciona a braquiterapia e por que ela é hoje uma das principais opções no tratamento para esse tipo de câncer?
Não, com certeza. Vou voltar aqui ao nosso— não, primeiro eu vou pedir para que ele projete a imagem do melanoma de coroide para a gente entender o que que é o melanoma, ver um tumor aqui. Bom, então vou mostrar para vocês. Aqui nós temos o nervo óptico e aqui a gente tem um aspecto da retina normal. Notem que aqui a gente tem uma tumoração amarronzada, um tom de marrom mais escuro com marrom mais claro. Esse é o aspecto do melanoma de coroide, tá?
Pode passar o próximo, por favor. Então aqui outra figura, essa figura ela tem, abrange uma parte maior do fundo do olho para a gente ter uma ideia. E essa figura eu faço questão de mostrar pelo seguinte: quando você não dilata a pupila, você consegue ver o nervo óptico e às vezes um pedacinho dessa região mais escura que é a mácula. Então você não vê o tumor que tá mais na periferia da retina. Por isso que é extremamente importante você fazer o exame com a pupila dilatada.
Essa paciente, por exemplo, ela passou por algumas consultas oftalmológicas e não foi diagnosticado o câncer, né? E às vezes essa pintinha aqui ela é pequena, às vezes é uma lesão que não é maligna no começo, chamada névos, e depois ela se transforma numa lesão maligna chamada melanoma. Então sempre fazer o exame com a pupila dilatada para poder fazer o diagnóstico precoce do melanoma. Bom, como fazer o tratamento, que é a braquiterapia?
Vou voltar aqui para o nosso modelinho. A braquiterapia consiste na colocação de uma placa radioativa por fora do olho, na região correspondente ao tumor. Então vou tirar aqui a parte de cima, vou mostrar para vocês. Naquele caso, o tumor estaria aqui por dentro. Então como eu faria? Eu coloco uma placa de radioterapia aqui por fora, a radiação atravessa a parede ocular e queima o tumor aqui. Por dentro. É só um lado da placa emite radiação.
Então a gente coloca, obviamente, a placa com o lado que emite radiação voltado para o branco do olho, a esclera. A radiação atravessa a parede ocular e queima o tumor dentro do olho.
Professor, e dá para preservar o globo ocular e a visão?
Sim, obviamente Se a gente tem um tumor que surge, por exemplo, do lado do nervo óptico, infelizmente a radiação vai machucar tanto o tumor como o nervo óptico. Esses pacientes tendem a ficar com uma visão um pouco mais baixa. Agora, se o tumor tá, como naquele caso, longe do nervo óptico e longe da região principal do centro da retina, que é a mácula, esses pacientes eles podem preservar boa visão, o globo ocular e a vida. Então é importante comentar que às vezes nós não conseguimos preservar a boa visão, mas nós preservamos o globo ocular.
Ele não precisa de retirar o globo ocular. Agora, se o diagnóstico não for feito de forma precoce, infelizmente ele perde o globo ocular. E por fim, essa doença pode sair do olho. Esse tumor pode dar uma sementinha que geralmente vai para o fígado, e aí é o que nós chamamos de metástase. E infelizmente, nesses casos, tá, a sobrevida, a chance de sobrevida é mais reservada.
Então o diagnóstico precoce é fundamental.
Com certeza, o diagnóstico precoce é fundamental. Hoje, pelo Sistema Único de Saúde, nós oferecemos, né, tratamento gratuito para todo o Brasil, né. Obviamente, nós temos um sistema de referenciamento via CROSS, que é o sistema de referenciamento do Estado de São Paulo, Mas é por meio de guias de tratamento de fora de domicílio também é possível se realizar o tratamento para o melanoma de coroide no Hospital das Clínicas.
Ok, professor, a incidência desse tipo de câncer é grande? Ele é raro, né? Mas quanto, qual é a incidência dele?
É isso aí, na população brasileira, isso é muito boa pergunta, né? A gente tem em média, né, um caso de, de 6 casos de melanoma por milhão de habitantes, tá? Varia de 4 a 10, a gente põe uma média de 6 casos por milhão de habitantes. Então, se você pegar, é por ano, então se você pegar uma região, uma cidade que tem 1 milhão de habitantes, normalmente ele vai ter 6 casos naquele ano. Se você pegar uma região maior, é só você fazer a conta.
Então não é uma doença, vamos dizer assim, extremamente prevalente, tá? Mas pelo fato de termos poucos centros que tratam melanoma, nós, por exemplo, aqui no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto realizamos tratamento de braquiterapia semanalmente, todas as semanas do ano.
Até porque o HC atende toda a região e, dependendo da doença, o Brasil todo.
Exatamente. O HC drena uma região de 4 a 6 milhões de habitantes. Então, 6 casos por milhão só aqui da região, nós vamos ter em torno de 36 casos por ano.
Bastante uma doença né, como essa, professor. E mesmo sendo essa incidência baixa, a ciência avança, né? Baixa entre aspas, para quem tem é que sabe qual é o horror, né, de pensar nisso. Agora, olhando para o futuro, o que que a pesquisa e a inovação tem trazido de novas possibilidades no tratamento do melanoma de coróide?
Bom, nós temos uma pesquisa, né, do nosso grupo em que nós associamos uma quimioterapia bem refinada, em que o quimioterápico ele é colocado— vamos voltar aqui para o nosso modelo— o quimioterápico ele é colocado direto na artéria oftálmica que nutre o globo ocular. Então só o globo recebe o quimioterápico e ele vai encolher o tumor. Então a gente encolhe o tumor com a quimioterapia. Esse quimioterápico é colocado por um cateter especial só na artéria oftálmica, ele encolhe, e depois que ele encolhe a gente coloca a placa.
Isso tem melhorado muito o nosso índice de sucesso. E também, mais recentemente, né, nos últimos anos, nós temos drogas que controlam a doença metastática, o melanoma uveal que espalha, que sai do olho.
Quando vocês fazem essa quimioterapia, a chance de preservar o globo é maior então?
É, normalmente para os tumores que são diagnosticados pequenos, dentro de 5 milímetros de espessura que a gente fala, a gente tem uma chance de 90% de preservar o globo ocular, né? Infelizmente, para os pacientes que chegam com tumores mais avançados, mais espessos, tumores próximos ao nervo óptico, esses, nesses casos, né, a chance de preservação do globo ocular é pior, né? Por isso que a gente É aquele, aquele velho, aquela velha necessidade importantíssima, né, que a gente não cansa de repetir, de fazer o diagnóstico precoce, pegar uma lesão pequena e ter sucesso terapêutico.
Professor, e quais são as orientações para o paciente que tem esse diagnóstico, né? Qual que é a orientação para ele? O que que o senhor sugere para ele? Não se desesperar, né? Mas o que que o senhor sugere para ele fazer e para o profissional que tá começando a carreira? Porque os mais antigos já devem saber o que fazer e se depara com um paciente com esse diagnóstico.
Bom, eu acho que o paciente que tá com esse problema, ele deve procurar um serviço oftalmológico, né, de preferência um especialista em retina, E para cada região, para cada estado, existe um centro correspondente para realizar esse tipo de tratamento, né?
Não é feito em qualquer local.
Esse, acho que a grande limitação é o material radioativo, é muito, muito controlado no Brasil. E você, para montar um centro para tratamento com braquiterapia, você precisa de ter uma equipe multidisciplinar. E aqui eu queria, né, agradecer a toda a equipe, aproveitar para falar que nós temos a equipe da física médica, nós temos os radioterapeutas, nós temos o Dr. Daniel Abud, que é o chefe da radiointervenção, que coloca o quimioterápico para gente direto na oftalmológica.
Eu tenho uma equipe maravilhosa, Doutora Gabriela Carvalho, que é a chefe da onco-retina, que também faz um trabalho muito bom. Então toda essa equipe que você precisa ter de vários especialistas, ela não é fácil de você montar. Então tem que, você precisa de estar num centro geralmente de medicina terciária Você precisa de ter pessoas que estejam afeitas à guarda do material radioativo, né? E você precisa de ter especialistas que tenham treinamento para fazer essa terapia.
Então nós hoje nós estamos tentando disseminar, espalhar especialistas pelo Brasil, né? Nós já formamos especialistas para o Norte, para o Nordeste, estamos formando especialistas para o Centro-Oeste e também, né, pretendemos formar especialistas para o Sul, onde a incidência do melanoma de coróide também é bastante significativa.
Ok, professor. E assim a gente encerra mais um episódio do Doutor Retina, com olhar atento sobre o melanoma de coróide, uma doença rara, mas que mostra como a medicina evoluiu para oferecer tratamentos cada vez mais precisos e humanos. A bracterapia é um exemplo disso, tecnologia a serviço da vida e da visão, permitindo tratar o câncer ocular sem perder o foco na preservação do olho e da qualidade de vida do paciente. Agradeço ao Dr.
Rodrigo pelas explicações e por compartilhar todo o seu conhecimento e experiência. E a você aí que nos acompanhou até aqui, por fazer parte dessa comunidade que acredita na importância de enxergar a saúde com informação e clareza. Siga o Doutor Retina nas plataformas de áudio e nas redes sociais para não perder os próximos episódios. Até a próxima e lembre-se: cuidar dos olhos é também uma forma de cuidar de si.
Evelyn Bandeca
Produção e conteúdo