Descolamento de Retina: sinais de alerta que exigem atendimento imediato
O descolamento de retina é uma emergência oftalmológica que pode causar perda visual permanente quando não é tratado a tempo. Neste episódio do Dr Retina Podcast, o Dr. Retina recebe o Prof. Dr. Rodrigo Jorge para explicar o que é o descolamento de retina, quais são os principais sinais de alerta e por que a avaliação rápida com um oftalmologista é decisiva para proteger a visão.Durante a conversa, são abordados sintomas como flashes de luz, aumento súbito de moscas volantes, pontos escuros, sombra no campo visual, sensação de cortina sobre a visão e perda visual repentina. Esses sinais podem indicar alterações importantes na retina e precisam ser reconhecidos com seriedade.O episódio também explica quem tem maior risco de desenvolver descolamento de retina, como pacientes com alta miopia, histórico de trauma ocular, cirurgia ocular prévia, roturas retinianas ou antecedentes familiares. A identificação precoce dos sintomas pode permitir tratamento mais oportuno e reduzir o risco de danos irreversíveis.Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica. Diante de mudança súbita na visão, procure atendimento oftalmológico imediatamente.Inscreva-se no canal para acompanhar novos episódios sobre retina, visão e saúde ocular. Deixe nos comentários qual tema você gostaria de ver nos próximos episódios.
- Descolamento de Retina Pós-traumaRetina como filme da máquina fotográfica·Degeneração da gelatina do olho (vítreo)·Formação de buraco na retina·Líquido entrando debaixo da retina
- Riscos de Saude· SaudeAlta miopia·Trauma ocular·Cirurgia ocular prévia·Roturas retinianas·Antecedentes familiares·Doenças genéticas·Hipertensão arterial sistêmica grave (pré-eclâmpsia/eclâmpsia)·Diabetes (retinopatia diabética)
- Diagnostico Medico· SaudeOftalmoscopia binocular indireta·Importância da dilatação da pupila·Prazo para cirurgia (até 72 horas)·Repouso pós-cirúrgico
- Moscas VolantesMoscas volantes triviais vs. múltiplas·Associação com flashes de luz·Aparência de purpurina ou neve
Luces piscando, pontos escuros que surgem de repente, uma sombra que avança no campo de visão. Esses sinais podem parecer passageiros, mas em alguns casos indicam uma emergência: um descolamento de retina, condição que pode levar à perda da visão se não for tratado a tempo. Neste episódio de hoje, o Doutor Retina traz com o professor Rodrigo Jorge informações sobre o que é o descolamento de retina, quais são os sinais de e como agir rápido pode fazer toda a diferença.
Doutor Rodrigo, bem-vindo mais uma vez aqui, o Doutor Retina. Olá, Évely. Olá, Doutor Rodrigo. O que é exatamente o descolamento de retina?
Bom, para explicar primeiro o que que é a retina, então nós vamos mostrar mais uma vez. A retina é o filme da nossa máquina fotográfica. Tá? É esse tecido que fica aqui atapetando, recobrindo o fundo de olho, tá? Então, como que acontece o descolamento de retina? Eu vou mostrar esse tecido aqui na tela, tá? Então, aqui nós temos um desenho da retina e eu vou pôr aqui uma Opa, deixa eu ver aqui. Uma caneta, um apontador, aliás, vou pôr a caneta.
Então aqui notem que existe um buraco na retina, tá? Como que se forma esse buraco? A gelatina do olho, ela quando nascemos é completamente sólida. E com o passar do tempo, nós já comentamos aqui, a gelatina do olho ela começa a se degenerar no centro da retina, ela começa a se liquefazer. Essa liquefação acontece com a idade também. A gelatina do olho ela é formada por água e colágeno, tá? Então nós temos um colágeno que degenera.
Por quê? Porque degenera a pele, como degenera outros tecidos, e a consistência do vítreo, ela começa a passar de uma consistência extremamente gelatinosa para uma consistência mais líquida. Quando o miolo, o centro da gelatina, fica completamente líquido, a carapaça que fica grudada junto à retina, ela colaba. Quando ela colaba, alguns pontos em que temos maior adesão da gelatina com a retina, eles podem puxar a retina e ter um buraquinho na retina.
Esse buraco é o que tá aparecendo aqui Tá, eu vou ilustrar para vocês com uma pequena folha de papel, porque aí vocês vão entender completamente. Vamos desmistificar o descolamento de retina. Então aqui eu vou desenhar uma retina, tá, aqui é uma retina. Aqui tá o nervo óptico. Então imaginem que ela esteja colada aqui à parede do olho. A retina está colada, a gelatina do olho ela colaba e ela faz um pequeno rasgo. Ela puxou a retina E ela tinha uma adesão muito grande aqui.
Então a gelatina do olho fez isso, ó, puxou a retina e formou um buraco na retina. Num primeiro momento saem células e essas células ficam boiando dentro dessa cavidade aqui, ó. É por isso que você vê os mosquitinhos passeando. E para que haja, e quando acontece esse puxão da retina pela gelatina do olho, quando ela tá puxando, você vê flashes de luz. É como se estivesse batendo o flash de uma máquina fotográfica dentro da cavidade vítrea.
Você vê, tem gente que fala assim, ó, tô vendo flash, tô vendo relâmpago. Quando eu vou deitar, eu fico vendo umas luzinhas. O que que é a luzinha? É a gelatina do olho puxando a retina. Quando rasga a retina, depois do flash vem as moscas. Mais uma vez, células saem debaixo da retina e ficam flutuando aqui. Você começa a enxergar um monte de mosquitinho. Nessa hora, o paciente deve procurar um médico, porque A retina ainda está colada.
Se você fizer solda a laser, tá, não sei se tá dando para vocês verem aí as soldas, tá. Se você fizer uma solda a laser em volta do buraco, mesmo que tenha uma parte aqui que, vamos tirar aqui uma parte da retina que tenha se soltado, essa solda a laser não deixa que o líquido que tá aqui na cavidade vítrea, tá, que nós estamos vendo aqui, ó, esse líquido aqui, que ele entre debaixo da retina e descole a retina. Deu para entender?
Entendeu? Então, primeiro, sequência do descolamento de retina, depois eu vou passar para lá: liquefação vítrea com a idade, liquefação precoce se você opera uma catarata, por exemplo, Liquefação precoce. Você é automilpe, com a liquefação o gel vítreo ele colaba, a gelatina vem e puxa a retina. Às vezes ela puxa e solta sem rasgar, mas quando ela rasga ou quando ela tá puxando, tem um flash. Se rasgou, monte de mosquitinho, tá?
Nessa hora o paciente deve procurar. Quais os sintomas? Flash de luz e um monte de mosquitinho. Procurou a tempo, nós conseguimos fazer o tratamento a laser. Aqui por último, para ficar claro, ó, fez o buraquinho, a gelatina puxou, fez um buraquinho na retina. Por esse buraquinho, por esse buraquinho, vou desenhar aqui, olha. Deixa eu desenhar aqui a caneta, ó. O líquido, ele sai aqui da gelatina e ele entra aqui, ó, ó, pelo buraquinho para debaixo da retina.
Ele entra aqui, ó. Se você não tiver buraquinho na retina, você não tem o descolamento. Quem que faz o buraco? A gelatina que puxa. Você pode ter o puxão e às vezes é só flash, mas não rasgar. Mas se rasgar O líquido entra e ele vai dissecando a retina. Aonde a retina descolou, você começa a enxergar uma mancha. Como começa a retina que rasga é a da periferia da retina, que é mais fina, é onde mais rasga, você começa a ver uma mancha no campo visual periférico.
É como se fosse uma cortina escura, ela vai fechando, fechando, porque ela vai caminhando da periferia, ó, em direção ao centro aqui, ó, que a mácula. Quando ela chega no centro da nossa, do nosso filme fotográfico, que é a mácula, você tem a baixa de visão mais acentuada. E aí que o paciente procura. O ideal é aí que a maioria dos pacientes procura. O ideal é ele procurar na hora que ele começa a ver os flashes e os mosquitinhos.
Porque aí, nesse caso, quando você já tem o descolamento, aqui não dá mais só para fazer laser. Então, nesse caso, infelizmente, é só com cirurgia.
Professor, as mosquinhas volantes, elas são normais? Precisa estar acompanhada do flash para para o paciente correr?
Boa pergunta. O mosquitinho, todo mundo tem um. Eu costumo falar que todo mundo tem um depois dos 40, 50, todo mundo tem um mosquitinho ou outro. O que acontece nesse caso são vários, várias células, então muito pigmento começa a sair debaixo da retina e povoar o campo visual, né? Então É um aumento significativo, muito mosquitinho de uma hora para outra, tá?
E o flash pode ser acompanhado do flash.
Isso, às vezes a pessoa não tem flash, muito flash, tá? Mas é porque ela às vezes ela já tem um buraquinho na retina. Mas classicamente são esses os dois principais sintomas.
Professor, tinha uma pergunta aqui: o que que acontece depois do descolamento? Mas acho que o senhor já respondeu, né? Existe o descolamento por acidentes também?
Sim, você pode, né, um impacto. Vamos pegar aqui o nosso modelinho aqui. Você pode ter, por exemplo, o paciente tomou uma bolada, ele vem, tá jogando tênis, tomou uma bolada, essa gelatina vai para cá e para cá. Nesse movimento de golpe e contragolpe, a gelatina também pode puxar e rasgar a retina, tá? Então um trauma contuso ocular pode levar um descolamento de retina. Você tem um corpo estranho, vem a pessoa, tá trabalhando com um martelo, martelando ferro, entra um corpo estranho, vem e fura a retina, né?
Você também pode ter um descolamento de retina por um corpo estranho que entra em alta velocidade, acidente de trabalho, que é relativamente comum, infelizmente, né? Por quê? Porque o trabalhador não tava usando protetor, a matéria, o óculos de proteção, tá?
Professor, doenças, alguma doença pode levar um descolamento de retina?
Sim, nós temos doenças, por exemplo, alterações genéticas, né, que levam a alterações do colágeno, por exemplo, que predispõe ao descolamento de retina na idade escolar. Por exemplo, tem uma doença de Stiechler, às vezes crianças com 2 anos de idade, 3 anos de idade, elas têm uma degeneração do colágeno, né? E essa degeneração do tecido conjuntivo faz com que elas tenham predisposição a ter uma gelatina mais frágil, uma retina mais frágil, e um buraco na retina, nessa solução de continuidade, ela é de forma mais frequente.
Então existem diversas doenças, né, que podem causar descolamento de retina. Vou abrir um parênteses aqui só para deixar claro. Nós estamos conversando aqui do descolamento de retina regmatogênico, tá? Então a retina descola porque tem um rasgo, um buraquinho na retina. Esse é o mais comum. Você vê os flashes, você vê esses Agora eu vou dar outro exemplo. Paciente tem um tumor no fundo do olho, esse tumor solta líquido, ele tem um descolamento de retina por exsudação, por saída de líquido, por transsudação, perde líquido para debaixo da retina, não tem buraquinho.
Aí o mecanismo é completamente diferente, né? Você pode ter descolamento de retina por uma doença, por exemplo, que fica um descolamento mais na região macular, mas ele pode aumentar um pouquinho por estresse, né? Pacientes grávidas com hipertensão arterial sistêmica grave, o quadro chamado de eclâmpsia ou até pré-eclâmpsia, Eles podem ter descolamento de retina por causa de um aumento muito grande da pressão arterial sistêmica.
Sai sangue dentro dos vasos e acumula debaixo da retina. É um descolamento de retina típico da paciente grávida hipertensa. Então, o descolamento de retina, ele pode ter vários mecanismos, não só o rasgo na retina, Ele pode ser por acúmulo, por aumento da pressão, ele pode acontecer por tração, no caso do diabético, por exemplo. Mas aqui, mais uma vez, nós estamos falando do descolamento de retina, que acontece geralmente depois dos também 50, 60 anos, e tá relacionado a uma formação de um buraquinho na retina quando a gente tem essa degeneração da gelatina do olho.
Professor, o senhor falou que quando pega ali no início, né, começando a descolar, dá para fazer ali, né, a soldinha.
Dá para fazer a solda.
E esse seria o tratamento inicial. E quando descolou, o que que pode ser feito? Bom, cirurgia.
Aí nós temos dois tipos de cirurgia. A gente tem uma cirurgia que é chamada retinopexia, dois básicos, dois tipos básicos, né. A retinopexia convencional, que a gente coloca um silicone em volta do olho, e esse silicone ele vai apertar a parede do olho contra a região que tem um buraquinho, tá? Ou a gente pode entrar por dentro do olho, aspirar o líquido pelo buraquinho, né, tirar o líquido, e depois a gente tem que substituir a gelatina do olho porque a gente aspira essa gelatina.
Aí você pode substituir por gás, basicamente por ar, por um gás especial ou por óleo, óleo de silicone. Tem 3 substitutos da gelatina do olho, são substitutos vítreos.
Depende o quê?
Para isso, pela gravidade do descolamento, se você precisou de fazer grandes cortes na retina Se o paciente, por exemplo, vai para grandes altitudes, ele não pode colocar gás dentro do olho. Você tem um problema de avião, se você põe o gás e o paciente pega um avião, ou ele vai subir uma serra, ele operou em Santos e vai voltar para São Paulo, no caminho ele pode ter uma mudança de pressão externa que pode fazer com que esse gás expanda e leve a glaucoma, por exemplo, aumenta muito a pressão do olho.
Paciente que coloca um determinado tipo de gás, né, que a gente fala que é o C3F8, e tem outro que é o SF6, se você quer o perfluoropropano, que é o C3F8, se você coloca esse gás e o paciente, por exemplo, viaja de avião, ele pode ter uma perda completa da visão por aumento da pressão. Se ele é operado e ele mora na região, ele pode colocar o gás à vontade, tá? Agora, é, alguns lugares não, não, desculpa, o gás ele é reabsorvido.
O gás ele fica durante uns 40 a 60 dias no máximo no olho, às vezes até menos. Tem gás que fica 15 dias, 20 dias, tá? O ar, ele é reabsorvido em às vezes 3, 4 dias de dentro do olho. Então o ar é o mais rápido, depois você tem o gás. O óleo de silicone, esse não sai sozinho, esse você precisa retirar.
Então é só para que ela Mantenha lá, fique grudadinha de novo.
Ele faz com que você tampe. Imagine se você colocar a gaza aqui, ó, você tampa esse buraco e dá tempo do laser, da cicatriz ser formada com a parede do olho, tá? Entendeu? Então você precisa de tampar o buraquinho para que não entre líquido. Se você tiver gaza ali Deixa eu mostrar aqui na folha de papel que vai ficar mais fácil para o público. Olha, você tem aqui, ó, se você tiver líquido, água, ela infiltra. Se você tiver aqui óleo, o óleo não mistura com água.
Então você precisa de alguns dias para que essa cicatriz do laser, que pode ser feita durante a cirurgia, tá, você precisa que ela se é consolite. Então você não pode deixar líquido infiltrando aqui. Então você pode pôr aqui dentro do olho um gás, que ele vai ficar aqui e não vai deixar juntar líquido. Você tira todo o líquido, só que depois o olho passa a produzir o líquido e ele vai ocupando o lugar do gás. Então a bolha do gás ela vai diminuindo, a do óleo não.
A do óleo, ela fica aqui constantemente. Então o óleo é mais certeza de que você vai ter a cicatrização aqui em volta e que não vai infiltrar líquido debaixo da retina. Só que por outro lado, o óleo é mais tóxico para retina do que o gás. E aí você tem que pesar os riscos e os benefícios de cada substituto vítreo. Isso é outro motivo para outro episódio, mas o importante é que fique claro o mecanismo de como acontece o descolamento de retina, os sintomas, e principalmente que as pessoas saibam os sintomas para que elas procurem rapidamente o cuidado.
Professor, e quando vai procurar o profissional, né, que tá com muito dessas mosquinhas, identificar o problema assim antes que ele evolua, como que o profissional identifica? É através de exames? De que tipo de exame?
Esse descolamento de retina, ele é detectado por um exame que é feito geralmente por um especialista em retina chamado oftalmoscopia binocular indireta. Sim, ele põe um capacete na cabeça com uma luzinha, né, e ele consegue examinar através da pupila dilatada toda a retina. E aí ele consegue perceber qual que é o aspecto quando descola a retina. Ela fica elevada, ó. Aqui retina colada, aqui a retina levantada, e ali o buraco. Então aqui tá o nervo óptico do paciente.
Olha aqui o buraco, ó. Vou desenhar o buraco, ó. Bom, então não dá para a gente ver a gelatina do olho, mas a gelatina do olho ela tá puxando um pedaço da retina, rasgou a retina aqui, ó, né? Ela tá puxando para cá, né, e para todos os lados. Ela fez um buraco e entrou o líquido da gelatina do olho, ele entrou aqui para baixo, tá? E aí você tem, ela vai dissecando. Então olha, Você vê claramente, olha, uma diferença de tonalidade aqui, ó, tá?
Esse aqui é o limite, ó, aqui, aqui, aqui e aqui, ó. Então aqui, ó, ela tá, vai mudando de cor, ela vai ficando mais esbranquiçada e a gente consegue identificar. Então aqui, ó, grosseiramente já descolou mais de metade da retina que aparece na foto, né?
Tem um prazo, professor, para procurar?
O mais rápido que puder. O que que é o mais rápido? Olha, a gente sabe, e nós estamos até com uma— eu tô falando descolamento de retina regmatogênico, tá? Então, para o público não confundir, eu não tô falando descolamento de retina diabético nem descolamento de retina relacionado a tumores, tá? Um descolamento de retina retina regmatogênico, esse feito por buraquinhos, a gente tá com uma meta aqui no HC de operar no máximo em 72 horas, tá?
Agora, isso é extremamente variável, é porque a cirurgia não depende só de você detectar o descolamento de retina. Por exemplo, chega um paciente aqui e ele é cardiopata e ele tem uma válvula no coração e ele toma anticoagulante. Então a gente tem que consultar o médico dele para falar o seguinte: olha, se eu fizer uma drenagem, vai sangrar e vai ficar pior. Às vezes ele pode parar o medicamento que ele tá tomando, o anticoagulante.
Então existem condições e características de cada paciente que às vezes nós não conseguimos, né? Ele chega aqui e ele tá com a pressão extremamente alta. Você não pode pôr em risco a vida do paciente porque ele tá com descolamento de retina. Melhor ele infelizmente ficar vivo, né, e demorar um pouquinho mais, mas controlar a pressão, do que ele ir para cirurgia com a pressão com dele ter um AVC, por exemplo, durante anestesia.
Então a regra é a gente tentar operar cada vez mais rápido. Até 72 horas a gente sabe que não tem diferença, né? Esse prazo vem diminuindo. Antigamente era 10 dias, depois passou para uma semana. Nós tentamos, né, E hoje nós temos uma fila de pacientes para descolamento de retina regmatogênico, né, graças a um esforço muito grande de todo, desde infraestrutura estadual até infraestrutura aqui do superintendente, de tudo que é proporcionado para gente.
A gente tem uma fila de no máximo uma semana. Nós montamos serviço em 98, então hoje nós operamos rapidamente e nós estamos expandindo esse serviço para agora para um próximo hospital em Franca. E no objetivo nosso, né, e o objetivo da FAEP, é implantar mais 200 ou 300 na região que vão fazer esse acesso seja cada vez mais rápido. Ribeirão Preto é uma cidade privilegiada porque nós temos uma unidade de emergência que funciona 24 horas e que é porta aberta para descolamento de retina.
Então, nesse sentido, o paciente consegue chegar rápido, né? O descolamento de retina é detectado rapidamente e a gente consegue também essa agilidade.
O primeiro passo é ele ir no posto de saúde.
É, o paciente começou a ver os mosquitinhos, ele começou a ver, né, o que a gente chama de mosca volante, começou a ver raio flash, ele deve procurar o serviço oftalmológico mais próximo dele. Se ele tiver oftalmologista no posto de saúde, ele deve procurar. Se ele não tiver, deve procurar o posto de saúde, que deve agendar um oftalmologista com a maior urgência possível, né? Estando ele dentro da região de Ribeirão Preto, existe a possibilidade de procurar a unidade de emergência, que é um serviço porta aberta para descolamento de retina.
Então, baseado nos sintomas, tem a procura rápida, o exame oftalmológico O oftalmoscópio binocular indireto é um equipamento relativamente barato para se fazer o diagnóstico, né? O treinamento dos nossos residentes hoje em dia, eles saem sabendo diagnosticar o descolamento de retina, todos eles, né, têm formação para isso, de tal forma que o paciente chegando no serviço, né, a gente aguenta. Às vezes nós temos conseguido operar os pacientes dentro da mesma semana, com essas ressalvas, tá?
Tenho ressalva social, infelizmente tem paciente que falta cirurgia, tá? Tem problema de transporte, mas nós estamos conseguindo cada vez mais vagas para resolver esse tipo de problema.
Depois da cirurgia ele tem que fazer repouso?
Com certeza. O paciente ele deve se preparar para ter um repouso aí de pelo menos 15 dias, tá? Ele realmente às vezes ele tem que ficar numa posição, com a cabeça numa posição específica, dependendo da técnica. Quando coloca gás, às vezes eles têm, ele tem que ficar olhando para baixo. E o mais importante, né, ele tem uma certa restrição de exercício físico. Realmente ele pode ficar em casa, às vezes ele pode ficar no computador, né, mas o repouso é fundamental para que a retina ela cole novamente.
Essas cicatrizes que a gente induz durante a cirurgia, que elas façam que a retina fique fixa de novo da parede de onde ela descolou.
É um número muito grande de pessoas que têm descolamento?
Olha, a gente tinha um descolamento para cada 20 mil pessoas, né? E agora, como a gente comentou no episódio de cirurgia de catarata, quanto mais aumenta o número de cirurgias de catarata em pacientes mais jovens, mais descolamento de retina aparece, né? Então nós temos cirurgia de descolamento de retina, a gente opera de segunda, quarta, sexta e sábado atualmente, né? Nós temos cirurgia de descolamento de retina todo dia. Então assim, é a É a doença número 1 em termos de indicação cirúrgica, é o descolamento de retina, né?
E as complicações da retinopatia diabética é outro descolamento, é outro assunto.
Tá ok, professor. Vamos deixar esse assunto então para os nossos próximos episódios. Evelyn, temos perguntas aí do público?
Temos, doutor. Quem tem miopia, e aí, é mais fácil de ter descolamento de retina? Porque o doutor falou mais cedo sobre o formato do olho, que é mais alongado para quem é míope. Como que fica assim? Eu sou míope.
Então, o míope, ele tem a retina mais alongada, o olho mais alongado e a retina mais esticada. Então ela é mais fina. Então o míope, ele tem maior facilidade para quando a gelatina puxa formar esse rasgo. Então imagina que a retina— vamos fazer aqui uma comparação rapidinho. Olha, olha, vamos falar que essa— vamos pegar várias folhas. Ó, essa é a espessura de uma retina normal. Você puxa Ela não rasga. Aí você pega uma retina fininha, entendeu?
Então, não sei se deu para pegar aí, mas a retina mais espessa ela não rasga tão fácil. Uma retina fininha ela rasa mais fácil. E a retina do míope ela é mais fina. Então o míope tem que ter cuidado redobrado. E a gente tá falando de pacientes que têm miopia acima de 4, né? E existem pacientes que têm afinamento e degenerações da periferia da retina que não são míopes. Qual que é a dica? Geralmente esses pacientes têm história na família de descolamento de retina, tá?
Então existem degenerações na periferia da retina, né, no cantinho da retina, tá. Existem degenerações na periferia, não próximo do centro, da periferia, que também favorecem a formação desse rasguinho. Como que a gente faz a detecção dessa, dessas dessas pessoas que têm essas degenerações? Pelo mapeamento de retina. Então, mais uma vez, foi no oftalmologista. Não precisa ser na primeira consulta de óculos, mas você deve cobrar do oftalmologista um exame com a pupila dilatada.
Fala: doutor, minha amiga teve descolamento de retina. E principalmente quem tem na família: meu pai teve descolamento de retina, retina. Minha avó teve descolamento de retina, minha irmã teve. Eu quero saber se eu tenho alguma predisposição. Dá para você fazer um mapeamento de retina? Essa é, esse é o exame a ser realizado para se prevenir e se tratar precocemente degenerações da periferia da retina que predispõe ao descolamento da mesma.
Então, se se você faz uma consulta no oftalmologista, ele não dilatou os seus olhos, possivelmente ele não conseguiu ver a sua retina da maneira correta?
Certeza absoluta que ele não viu. É impossível você prevenir descolamento de retina sem dilatar a pupila. Você tem hoje câmeras muito boas, tá, mas nenhuma câmera, nenhuma câmera retinográfica que tira foto da retina consegue tirar foto de toda a periferia com a pupila fechada. É fundamental o exame com a pupila dilatada.
Muito bem, porque às vezes as pessoas se incomodam um pouco. Ai, vai ter que dilatar? Mas olha quão importante é para o médico realmente poder ver, né, como que tá a situação no nosso fundo de olho.
Exatamente. Às vezes a pessoa tá achando que ela tá levando uma vantagem que ela vai fazer um exame rápido e não vai precisar dilatar. E é aí que você perde uma grande oportunidade de fazer um exame completo e às vezes prevenir um problema sério como descolamento de retina.
É interessante a população saber, porque muitas pessoas às vezes falam: não, eu vou naquele médico e ele sabe, ele é muito bom e tal. Não estamos discutindo se a pessoa é boa ou não, mas é importante entender se realmente o exame tá sendo completo, né, o mais completo que ele possa oferecer. E uma última coisa aqui, doutor, é realmente que eu acho que a gente pode voltar a fixar em relação a essas moscas volantes, porque eu tenho certeza que muitas pessoas agora vão ficar se questionando: eu tô vendo umas coisinhas aqui passeando às vezes, será que é isso?
Quantas moscas eu preciso ver para saber que é mesmo? Eu tô carregando quantas moscas nesse olho?
Então fala só mais uma vez como que é a característica que seria dessas moscas próprias de um descolamento de retina.
Perfeito. Todo mundo sabe os mosquitinhos que eles enxergam usualmente, tá? É esses que você tá acostumado, que são triviais. Eles são muito poucos perto daqueles que você vai perceber caso você esteja começando com descolamento de retina. Então realmente não tem um número mágico, mais de 10, 15, não. Você vê alguns que você tá acostumado, todo mundo tem um ou outro, e de uma hora para outra, às vezes precedidos por relâmpagos ou flashes de luz, você começa a ver múltiplos.
Eu costumo falar que parece aquele, aqueles enfeites de Natal que você tem purpurina dentro de uma, aqueles globos, é cheio de líquido. Quando você chacoalha, fica tudo cheio de pequenos pontos prateados, é como se fosse neve. Você começa a enxergar aquela quantidade de pontos, só que eles são enegrecidos.
Legal.
Isso é, ou é célula de descolamento de retina, ou pode ser também hemácias. E você pode, na hora que rasgou a retina, que você pode ter sangramento. Começou a enxergar um monte de pontinho preto de uma hora para outra, Procure o oftalmologista no dia seguinte ou no mais tardar na semana seguinte.
Tá ok, obrigada. Muito obrigada, Evelyn. Bom, professor, o descolamento de retina é uma urgência que costuma dar sinais, né? Acabamos de ouvir isso, e reconhecer esses sinais pode ser decisivo para preservar a visão. Esse foi mais um episódio do Doutor Retina. Muito obrigada, Doutor Rodrigo. Muito obrigada, Evelyn. Muito obrigado aí a quem nos acompanha. Tem dúvidas? Mande para nós. Estamos nas principais plataformas digitais.
Você acabou de ouvir mais um Doutor Retina. Até o próximo episódio. Não esqueça de mandar dúvidas e nos acompanhe sempre.