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Se você nunca leu Augusto Cury...

27 de agosto de 20266min
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Se nunca abriu um livro de Augusto Cury, não se preocupe, não está perdendo nada. Ele escreve páginas e mais páginas recheadas de obviedades genéricas, em roupagem intelectual, e é visto como grande autor, mas é apenas produto de um bom marketing. Li integralmente dois de seus livros – de gêneros diferentes, mas iguais na canseira –, e posso te aconselhar: na moral, escolha outros títulos para ler. Ou melhor, escolha outro escritor.

Em resumo, Augusto Cury é um mercador da educação socioemocional, um amontoado de palavras vazias, um escritor superestimado e, como tal, completamente dispensável.


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Participantes neste episódio1
J

Jarbas Júnior

HostTeólogo
Assuntos5
  • A crítica à obra de Augusto Cury como produto de marketing e obviedadesAugusto Cury·Marketing literário·Obviedades genéricas
  • A antropologia herética de Augusto Cury e a negação do pecado originalJean-Jacques Rousseau·Pelagianismo·Pecado original·Graça de Deus
  • A falta de reconhecimento acadêmico de Augusto Cury e a crítica às suas teoriasMarketing·Educação socioemocional·Validação clínica·Revisão por pares
  • A decepção com os livros de Augusto Cury e o desperdício de tempo na leituraO Código da Inteligência·O Vendedor de Sonhos·Repetitividade na escrita
  • A apropriação de elementos da fé cristã por Augusto Cury e suas heresiasFé cristã·Alegoria psicologizada·Heresias antigas
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JJJarbas Júnior

Artigo: Se você nunca leu Augusto Cury. Subtítulo: O vendedor de obviedades. Escrito e narrado por Jarba Júnior. Publicado na newsletter Eu Filósofo no dia 27 de agosto de 2026. Se nunca abriu um livro de Augusto Cury, não se preocupe, não está perdendo nada. Ele escreve páginas e mais páginas recheadas de obviedades genéricas em roupagem intelectual e é visto como grande autor, mas é apenas produto de um bom marketing. Li integralmente dois de seus livros, de diferentes gêneros, mas iguais na canseira.

E posso te aconselhar: na moral, escolha outros títulos para ler, ou melhor, escolha outro escritor. Dois livros que desperdiçaram meu tempo. O primeiro contato que tive foi com O Código da Inteligência, que para mim se tornou a literalização do ditado popular: o que importa é a intenção. Afinal, a única coisa que gostei nesse livro foi ter sido um presente bem-intencionado de um querido amigo. Só consegui terminar a leitura na força da consideração à amizade.

Cury não escreve bem, é repetitivo e, por isso, cansativo. E olha que o livro nem é grande. Ainda pior foi sua outra obra que li, mais conhecida que a anterior. O Vendedor de Sonhos. Embora tenha se aventurado em outro gênero literário, o resultado é essencialmente mais do mesmo. Parece que seus livros existem apenas para fazer dinheiro, impulsionados por muita propaganda. Em O Vendedor de Sonhos, Kuri se apropria de elementos da fé cristã, criando uma espécie de alegoria psicologizada dos Evangelhos.

A impressão que tive é que o autor busca conferir aceitabilidade alcança a obra, dada a popularidade do cristianismo. Contudo, ele não é lá um cristão ortodoxo, chegando a veicular heresias antigas. A antropologia herética de Cury. Jean-Jacques Rousseau dizia que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Cury vai além, abraçando o pelagianismo ao afirmar que o ser humano nasce neutro e a sociedade o torna bom ou mal. Entretanto, as Escrituras ensinam que, desde a queda, nascemos em pecado, herdando a corrupção de nossos primeiros pais, Adão e Eva.

Assim, somente através da graça de Deus, e não da sociedade, o homem pode ser salvo de sua miséria moral. Ao negar isso, Cury reduz o ser humano, condicionando-o a um mero produto do meio no qual convive. Mas, ainda que a influência social tenha profundo impacto formativo nas pessoas, não é absolutamente determinante de quem se tornarão. Se fosse, crianças criadas em lares estáveis e amorosos jamais se tornariam criminosas, e filhos de traficantes necessariamente seguiriam os passos dos pais.

Porém, a realidade mostra que não é sempre assim. Sua antropologia demonstra uma enorme falha lógica: se a sociedade corrompe ou enaltece o homem, quem primeiro a tornou boa ou ou má. Ora, a sociedade é uma abstração que existe a partir da concretude dos indivíduos que a compõem. Logo, sua qualidade deriva dos seus integrantes e não o contrário. Se o homem nasce neutro, a consequência lógica é que a sociedade seria amoral, ou seja, sem qualquer moralidade.

Se nasce bom, como dizia Rousseau, então a sociedade seria necessariamente boa. Porém, conforme a fé cristã, nascemos pecadores e, por isso, toda a sociedade que formamos será imperfeita e má. Em suma, o cristianismo reconhece o papel do ambiente na formação humana, mas não o vê como a causa do mal em nossa natureza. Martinho Lutero dizia: O reconhecimento do pecado é o começo da salvação. É ao tomar consciência de nossa miséria moral, presente desde o ventre de nossas mães, que podemos encontrar no Evangelho de Jesus Cristo a redenção.

O pecado ofende a perfeição de Deus, cuja justiça exige punição, pois ele não tem o culpado por inocente. O juízo é a morte, mas Cristo o recebeu no lugar dos que nele creem, pagando sua dívida de sangue e concedendo vida eterna. Nessa esperança, aguardamos o retorno do Salvador, que fará novas todas as coisas e libertará a humanidade do mal, gerando uma sociedade ideal de gente redimida. Um escritor dispensável. Ora, quem disse que porcaria não vende, não é?

Seria possível escrever uma enciclopédia inteira sobre livros ruins que se tornaram best-sellers. Tratando-se de Brasil, não faz muito tempo que a maioria se dividia entre Lula e Bolsonaro, demonstrando que popularidade não é atestado de qualidade. Curry é um coach pioneiro que se lançou antes disso virar moda. Com linguagem antropocêntrica, aduladora e repleta de obviedades, aproveitou-se de aspectos da religião mais popular do Ocidente para encher os bolsos de dinheiro usando discursos genéricos de autoajuda.

Só convence quem é carente de afagos emocionais. Seu sucesso comercial não se traduziu em reconhecimento acadêmico. À margem dos currículos universitários, Suas teorias são rejeitadas pelas comunidades científicas de psicologia e neurociência por carecerem de validação clínica e revisão por pares. Até seu doutorado é questionável, concedido por uma universidade sem prestígio acadêmico, algumas vezes contestada no Brasil. Em resumo, Augusto Cury é um mercador da educação socioemocional, um amontoado de palavras vazias, um escritor superestimado e, como tal, completamente dispensável.

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