O que a queda de Sam Allberry ensina sobre hamartiologia das atrações homoafetivas? | Suma Semanal
Nesta edição da Suma Semanal, reflitimos sobre o lamentável episódio envolvendo a queda do teólogo Sam Allberry, em razão de um relacionamento homoafetivo, e o que isso revela sobre a hamartiologia da homossexualidade. Também lidamos com a hipocrisia de Yago Martins, que tenta blindar sua perspectiva teológica nesse tema das críticas decorrentes do pecado de Allberry. Analisamos ainda a repercussão da pregação de Helena Raquel no Gideões 2026 e opinamos sobre como Silas Malafaia converte seu púlpito em um verdadeiro palanque eleitoral. E, para encerrar, trazemos a recomendação de um filme capaz de lhe nocautear em lágrimas.
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- Sexualidade e CastidadeHamartiologia de Sam Allberry · Teologia semi-pelagiana · Rosária Butterfield · Josh Olds · Matthew Everhard
- Pregação de Helena Raquel no Gideões 2026Denúncia de violência contra mulheres e crianças · Críticas à pastora Helena Raquel · Interpretação bíblica (Juízes 19) · Dados sociológicos e a igreja · Nancy Pearcey e 'A Guerra Tóxica contra a Masculinidade'
- Nicolas Ferreira e Benedita da SilvaConvidando políticos para o púlpito da Advec · Justificativa bíblica (1 Timóteo 2) · Crítica à transferência de autoridade espiritual para políticos
- A Natureza do Cristianismo e a HipocrisiaYago Martins e a crítica a Sam Allberry · Crítica a teólogos históricos (Cal Barthes, John MacArthur)
- Filme Menina de Ouro e a eutanásiaClint Eastwood · Hilary Swank · Morgan Freeman · Dissonância cognitiva diante da arte · Conflito entre princípios cristãos e a eutanásia
- A busca pela verdade e a dificuldade humanaEncarar a realidade complexa e dolorosa · Evitar eufemismos para manter o conforto
Hum, como um proeminente teólogo anglicano desqualificado do ministério, a ex-apresentadora infantil Xuxa e um filme tragicamente devastador do diretor Clint Eastwood acabam juntos na mesma análise? Nossa, parece até o início de uma piada estranha, né?
Pois é, mas a resposta curta é, é quando alguém decide colocar uma lente de aumento na tensão totalmente desconfortável que existe entre as realidades mais cruas da vida e os eufemismos que, tipo, a gente cria para tentar suavizar tudo. E essa é, no fundo, a espinha dorsal da exploração que a gente vai fazer hoje.
A nossa fonte principal é uma edição da newsletter Suma Semanal. Isso. Foi escrita pelo Jarbas Jr. e publicada em 8 de maio de 2026. E o texto é estruturado quase como recortes de um jornal, sabe? Ele vai por sessões temáticas muito, muito distintas.
Sim, vai de debates teológicos densos sobre a natureza humana, até escândalos nas redes sociais, e deságua numa recomendação de cinema que questiona a própria moralidade de quem está escrevendo. Exatamente. E tem uma regra muito importante para quem está acompanhando a gente. Como a newsletter é dividida nesses temas tão diferentes, a gente não vai tentar forçar conexões artificiais entre eles.
Com certeza. O autor não faz isso, então a gente também não vai fazer. Isso. A gente vai respeitar a separação original do texto, pulando de um assunto para o outro, seguindo só o fluxo da argumentação dele. A gente pode começar pela situação que dominou a primeira parte da newsletter. O autor fala de um fato que, assim, gerou um terremoto em certos círculos evangélicos.
A queda do Sam Albury, né? Isso. Ele era um clérigo, apologista e escritor anglicano muito famoso. Ele foi removido das funções dele na Emanuel Church, Nashville, e acabou renunciando ao cargo na The Gospel Coalition. E o motivo que deram foi um relacionamento inapropriado com outro homem adulto. Pois é. Só que o autor não usa esse evento para fazer fofoca. Ele usa para desconstruir o que ele chama de a harmateologia do Albury.
Ramateologia, palavra difícil, né? O ponto da crítica do autor é que o Albury popularizou uma premissa muito específica. Ele dizia que sentia atração pelo mesmo sexo, mas vivia em celibato. Tá. O problema, segundo o texto, é que o Albury ensinava que a inclinação homoafetiva não é pecado, desde que não seja consumada.
Ele criava uma linha muito nítida entre a tentação interior e a ação, né? E o autor chama isso de teologia semi-pelagiana, que é outro termo denso. É bem denso. Para entender, o pelagianismo original, lá do século V, dizia que a natureza humana não é totalmente corrupta, que a gente consegue escolher o bem sozinho.
Ah, entendi. O semi-pelagiano é tipo a versão diluída disso. Aceita que a natureza humana está doente, mas diz que a gente ainda pode gerenciar a nossa corrupção. Então, quando o autor acusa o Albury disso, ele está dizendo que tratar a atração só como uma tentação é tentar gerenciar algo que na Bíblia deveria ser tratado como maligno desde a raiz. Perfeito. É exatamente esse o ponto.
Vamos tentar desempacotar isso com um exemplo prático. O argumento do autor é que tratar essa inclinação só como tentação é tipo tentar criar um animal selvagem dentro de casa, solto na sala, e achar que ele nunca vai te morder só porque você não deu o comando de ataque.
Nossa, essa analogia é fantástica. E o autor traz um contraste brilhante para isso, usando a Rosária Butterfield. Ela é uma ex-professora universitária que vivia como lésbica antes de se converter. E ela discorda totalmente do Albury, certo? Frontalmente. Para ele, a ideia era conter o desejo. Ele via essa inclinação quase como um cachorrinho domesticável na coleira.
E a Butterfield? A Butterfield vê isso como uma praga de baratas que infestou a casa. Não dá para gerenciar baratas. Você tem que erradicar, destruir, mortificar o problema. Caramba, é uma diferença brutal de perspectiva.
E o autor mostra como essa tentativa de domesticar o animal gera um efeito dominó na teologia. Exato. Ele cita o caso do pastor Josh Olds. Esse pastor começou adotando a base do Oldberry, dizendo que o desejo não é pecado. E usando essa mesma lógica, ele acabou migrando para uma postura totalmente afirmativa sobre o casamento homoafetivo.
É, porque a lógica faz sentido, né? Se o desejo não é um problema para Deus, por que a realização dele num acordo monogâmico seria? E é aí que entra a questão da hipocrisia e dos eufemismos que a gente falou no começo. O autor traz uma crítica do pastor Matthew Everhard sobre aquele termo que usaram, o tal de relacionamento inapropriado.
usa a meia branca com terno. O autor concorda que quando a liderança usa palavras tão polidas para descrever uma falha moral grave, eles estão falhando em falar a verdade. E isso desdobra numa crítica a um pastor brasileiro, o Iago Martins. O autor expõe uma contradição pesada dele. Sim, porque assim que a queda do Alberry vazou, o Iago foi para as redes dizer que era, tipo, moralmente oco usar o erro de um homem para atacar a teologia dele.
Só que o autor mostra que o próprio Iago e outros costumam desqualificar teólogos históricos, como o Cal Barthes e o John MacArthur, justamente usando as falhas morais deles como munição. Exatamente. O Barthes teve problemas com a secretária, o MacArthur enfrentou acusações na igreja sobre como lidava com abusos. A pergunta do autor é por que a falha moral invalida quem eu não gosto, mas não afeta quem eu admiro?
É o famoso duplo padrão. Mas mudando de assunto, de forma bem transparente agora, a gente passa da teologia acadêmica para a sessão nas redes da newsletter. E aqui o clima esquenta num congresso bem popular. Os Gideões 2026. Isso.
A pastora Helena Raquel pregou lá e fez uma denúncia pesadíssima sobre violência contra mulheres e crianças nas igrejas, atacando a cultura do silenciamento. O vídeo viralizou e furou a bolha evangélica. Furou tanto que pessoas como a Janja e a Xuxa elogiaram publicamente a mensagem dela.
O que, claro, fez os conservadores acenderem todos os alertas possíveis, suspeitando de um alinhamento com a esquerda. E o Slater analisa três críticas que fizeram a ela. A primeira foi puramente um ataque à mensageira pelo fato de ser uma pastora mulher.
E o detalhe curioso é que o autor do texto também é contra o pastorado feminino, né? Sim, mas ele defende Helena Raquel nesse caso. Ele cita o Arce Sproul, que diz que toda verdade é de Deus, para afirmar que focar no sexo de quem denuncia um abuso em vez da denúncia é absurdo.
Totalmente absurdo. E a segunda crítica foi sobre a interpretação bíblica dela. Ela usou o texto de Juízos 19. Para quem não lembra, é aquela história horripilante do Levita que entrega a concubina para ser violentada por uma multidão. Um texto terrível. E a crítica que alguns fizeram foi que ela pintou o Levita só como vilão, sem dar nuances para ele.
Nuances para um cara que fez isso? Mas aqui é onde fica muito interessante. A terceira crítica foi do pastor Rodrigo Mossellin, que apontou a falta de dados sociológicos na fala dela. E o autor concorda com ele. Ele diz que ela baseou tudo no saber empírico. Exato.
Mas peraí, o autor concorda com a gravidade do abuso, mas critica a falta de embasamento em dados. Ele está dizendo que a dor empírica não é suficiente para basear um argumento público sem ser sequestrado por ideologias.
É uma tensão bem delicada. Ele não invalida a dor dela. O que ele questiona é a mecânica da narrativa. Quando você usa só a dor empírica no microfone, sem dados mais amplos, influenciadores de fora podem usar isso para dizer que a família cristã ou a igreja são inerentemente opressoras.
Ah, entendi. Fica um vácuo de informação que cada um preenche com a sua agenda. Isso. E para preencher esse vácuo com fatos, o autor cita o livro da Nancy Pearce, A Guerra Tóxica contra a Masculinidade. E o que os dados dela mostram? Mostram algo contraintuitivo para muita gente.
Pesquisas de sociólogos seculares dividiram os homens evangélicos entre os nominais e os praticantes. Os nominais seriam aqueles que só dizem que são cristãos, mas não frequentam. Exato. Esses têm índices de violência doméstica até piores que a média secular. Mas o contraste com os praticantes... Como são os praticantes? É drástico. Os evangélicos praticantes são os maridos mais dedicados e têm as menores taxas de divórcio e violência.
Então o autor conclui que, na prática real, a igreja é um local de proteção, não de opressão inerente. E a sessão termina com a Helena Raquel negando ser feminista e o autor concordando que abusadores dentro da igreja não são ungidos e devem responder tanto criminalmente quanto espiritualmente.
E fazendo aponte para a sessão das curtas do texto, a gente sai dos abusos e entra na tensão política. O alvo agora é o pastor Silas Malafaia. É, o autor não alivia para ninguém. O caso foi que o Malafaia convidou o senador Flávio Bolsonaro, o governador Cláudio Castro e vários deputados para o púlpito da igreja dele, a Advec, para orar por eles.
E quando criticaram ele por politizar o culto, ele usou uma justificativa bíblica, né? Sim, ele citou a primeira carta a Timóteo, capítulo 2, que diz que a gente tem o dever bíblico de orar pelas autoridades.
E como o autor rebate isso? Porque teoricamente faz sentido. Faz, mas o autor diz que a atitude é antiética. Ele aponta que tem uma diferença gigante entre orar pelas autoridades e fazer disso um evento político no púlpito em pleno ano eleitoral. Nossa, o autor realmente não poupa o próprio lado do espectro religioso quando vê a influência política passando por cima do propósito espiritual.
Não poupa mesmo. Ele argumenta que o que acontece ali é quase psicológico. O pastor tem uma autoridade espiritual enorme para os fiéis. Quando ele traz o político para o púlpito sagrado, ele transfere essa hora de autoridade para o candidato. É um endosso implícito. Exato. É uma busca por poder temporal. E o autor faz uma pergunta que desmonta a justificativa do Malafaia. Se é só para cumprir a ordem bíblica de orar pelas autoridades, o pastor faria a mesma coisa?
Dando púlpito para um político de esquerda? Olha, é uma provocação excelente. Expõe bem a fragilidade do argumento. E isso nos leva à última sessão, à pílula cultural do texto. É uma indicação de cinema.
O filme Menina de Ouro, do Clint Eastwood, com a Hilary Swank e o Morgan Freeman. Um filme maravilhoso, aliás. A história do treinador experiente e da boxeadora jovem e super determinada. Só que o autor não foca na parte esportiva de superação. Ele foca no desfecho.
É, o autor diz que o filme deu um soco direto no estômago da alma dele. E o mais fascinante é ver a dissonância cognitiva dele. Porque o filme, da metade para o final, aborda a eutanásia de uma forma muito crua.
E a eutanásia vai totalmente contra os princípios cristãos ortodoxos do autor. Sim, mas a genialidade da arte fez com que ele terminasse o filme em lágrimas, se questionando sobre o que ele próprio faria se estivesse na mesma situação de sofrimento extremo.
E isso demonstra como a arte tem esse poder, né? De nos colocar em posições super desconfortáveis e testar as nossas convicções teóricas na prática da dor humana. É uma jornada muito diversa por essa newsletter. A gente passou da origem do pecado no coração com o Albert, para as tensões sobre abuso na igreja, depois para a politicagem no púlpito e terminou no poder avassalador de um filme trágico.
É, e se a gente olhar de perto, tem um fio condutor invisível em todos esses tópicos que a gente explorou hoje. Qual seria? A verdade nua e crua. Seja quando você precisa chamar um impulso de pecado, ou denunciar abusos do A Quem Doer, ou até encarar a honestidade dolorosa de um filme.
E a reflexão que fica para quem nos ouve é até que ponto a gente prefere os eufemismos para manter o nosso conforto, em vez de encarar a realidade complexa e dolorosa de frente. Fica aí o questionamento para a gente pensar. Continuem sempre questionando, investigando as fontes e buscando um conhecimento mais profundo. Obrigada a todo mundo que acompanhou a nossa exploração de hoje e até a próxima.