Quem está por trás de um dos maiores eventos do Rio? Luiz Oscar Niemeyer na Agenda Carioca
Na Agenda Carioca, com Antonia Leite Barbosa, um encontro que abre os bastidores de um dos maiores eventos que movimentam o Rio e projetam a cidade no cenário internacional.
O empresário Luiz Oscar Niemeyer, sócio da Bonus Track, é o convidado do episódio para falar sobre "Todo Mundo no Rio", que trará Shakira como principal atração.
Ao longo da conversa, ele explica como nasce um evento dessa magnitude: das articulações com artistas e equipes internacionais até à execução de uma operação que envolve milhares de pessoas. Também compartilha aprendizados acumulados em grandes produções no Brasil, com nomes como Madonna e Lady Gaga.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
- Todo Mundo no Rio e ShakiraTodo Mundo no Rio · Shakira · Fortalecimento do turismo no Rio · Internacionalização da imagem do Rio
- Desafios da infraestrutura para shows no RioCarência de espaço para shows · Maracanã · Engenhão · Praça da Apoteose · Allianz Parque · Calendário de eventos
- Impacto econômico e projeção de imagem do RioImpacto econômico · Projeção de imagem positiva do Rio · Notícias ruins sobre o Rio · Beleza e carisma do Rio
- Gestão de grandes eventos e segurança no RioKnow-how de gestão de grandes públicos · Segurança em grandes eventos · Reconhecimento facial · Barreiras de controle · Som e luz como segurança
- Regulamentação e competitividade do mercado de shows no RioTeto da taxa de conveniência de ingresso · Lei de incentivo fiscal · Tolerância da vizinhança e lei do silêncio
- Primavera Sound no BrasilPrimavera Sound · Autódromo de Interlagos · Produção de festivais · Mercado de equipamentos e técnicos
- Legado familiarLuiz Guilherme Niemeyer · Luísa Niemeyer · Empresas familiares · Marketing e finanças
- Livro 'Memórias do Rock'Memórias do Rock · Antônio Carlos Miguel · Pandemia · Leandro Leonardo · Hospital do Câncer de Barretos
- Teatro Prio e legado de Oscar Niemeyer
Essa semana eu estou de volta com o Luiz Oscar Niemeyer, que aliás não foi embora, a gente só dividiu o programa em dois, porque estava bom demais, eu não consegui encerrar essa entrevista no tempo regulamentar. E hoje a gente vai continuar falando, já falamos muito sobre Paul McCartney, sobre o início da trajetória dele, agora eu quero ouvir ele falar do que está acontecendo hoje, dos projetos que ele tem aqui para frente.
como o Todo Mundo no Rio, que é um sucesso consagrado. Esse mês você é o Talk of the Town. E eu posso imaginar que trazer a Shakira tenha também todo um cunho de América Latina muito importante para fortalecer o turismo no Rio, para colocar ainda... Eu acho que é um projeto estratégico de internacionalização da imagem do Rio.
Esse projeto, quando pensamos nele, pensamos em três pontos fundamentais, três pilares para a cidade que justifica esse projeto.
Primeiro lugar, evidentemente, é você poder levar entretenimento de altíssima qualidade para as pessoas de graça, pessoas que não teriam acesso a isso e que vão ter acesso a um entretenimento de graça. Segundo, é o impacto econômico que isso traz para a cidade do Rio de Janeiro, para a cidade e para o estado do Rio.
Vamos falar um pouco dos números. A quantidade de pessoas que vêm ao Rio e o que isso movimenta. Gera facilidade hoteleira, movimentação no comércio, restaurantes, enfim. Toda essa cadeia de comércio e serviços da cidade. São mais de 50 segmentos impactados.
E terceiro lugar é a projeção de uma imagem positiva do Rio de Janeiro para fora do Brasil. O Brasil e o Rio têm sido portadores de notícias ruins, quer dizer, sempre o que propaga mais é a notícia ruim, a notícia boa, eu sempre falo que uma notícia ruim vale por dez boas, então você precisa de dez notícias boas para pagar uma notícia ruim, infelizmente a realidade da vida é essa.
E esse projeto, e eu sou um apaixonado pelo Rio, e fico muito pé da vida quando alguém fala mal do Rio, quando vejo notícias ruins do Rio, quando as pessoas criticam o Rio, e esse projeto tem isso também, quer dizer, é uma oportunidade que a gente está dando para a cidade, e isso está acontecendo, de você poder projetar para o mundo inteiro uma cidade maravilhosa do Rio, porque o Rio, além do seu povo, que é um povo...
democrático, e eu acho que a praia mostra muito isso, você vai na praia o rico, o pobre, mais ou menos todo mundo se mistura, todo mundo igual hospitaleiro todo mundo igual e a beleza a beleza da cidade Copacabana, o carisma que Copacabana, que a cidade tem então a gente projeta isso para o mundo inteiro e isso tem tido uma repercussão espetacular o meu filho Luiz Guilherme estava na essa história essa história
acho que na Alemanha, algum país desse da Europa ano passado, e ele conta, fala, pô, pai, peguei um táxi, e aí disse que era do Rio, o cara falou, Lady Gaga, Lady Gaga em Rio. Então, realmente, é uma... Olha vocês aí, eu não tirei essa foto, com a cerejinha do bolo, que é o logo da empresa.
Então, o projeto Todo Mundo no Rio, a ideia de fazer em Copacabana, são esses três pilares que eu acredito que são realmente importantes. Mas me fala um pouco dos números. Na lei de gálias, a prefeitura divulgou isso. No último, foram mais de 600 milhões de impactos só na cidade do Rio, 96% da capacidade de hoteler ocupada. E mídia espontânea. Milhões e milhões de dólares de mídia espontânea no mundo inteiro.
não só no lançamento, na cobertura, além de, evidentemente, ter uma transmissão aberta na TV Globo para o Brasil inteiro. Então, os números são impressionantes e é isso que faz esse projeto ter se tornado grandioso, como ele ficou em apenas duas edições. Porque, apesar de quando a gente ter feito a Madonna, ela ainda não ter essa marca, todo mundo no Rio, mas ela faz parte. Quer dizer, isso tudo é uma coisa só.
E você vê, em praticamente duas edições, é óbvio que fizemos o Paul McCartney, o Hornstone, de 20 anos atrás, fizemos o Steve Wonder em 2012, mas realmente esses dois últimos espetáculos foram que deram essa projeção, até porque naquela época, em 2006 e até mesmo 2012, a gente não...
Não tinha esse impacto de Instagram, de rede social. Hoje todo mundo repercute. Então, a repercussão é infinitamente maior do que era 10, 15 anos atrás. E para o que tem de bom e o que tem de ruim. Você não acha que o fato da Madonna, que foi o primeiro dessa nova fase, ter ocorrido sem nenhuma intercorrência fez com que mais gente se animasse a ir encarar uma multidão? Porque a gente está falando aí de um milhão e meio de pessoas.
É, porque na realidade... Não é um programa que todo mundo topa, mas sabendo que dá tudo certo...
Com certeza, na realidade, tudo aqui no Rio dá certo. Vamos ser justos também com a cidade, porque aquilo que eu tinha falado ali no primeiro bloco da entrevista, o Rio desenvolveu esse know-how de gestão de grandes públicos, de grandes eventos.
Então, nós fizemos o Rolling Stones em 2006 e também não teve nada, não teve nenhuma intercorrência, não aconteceu nada. Fizemos o Steve Wonder em 2012, foi a mesma coisa. E ao longo dos anos o Rio tem feito o Réveillon, todo ano tem um Réveillon espetacular na Praia de Copacabana e você não ouve falar de ocorrência, de coisas graves e tal.
Mas muito pelo know-how, porque a tentativa existe. Não, tudo bem. Eu sei que no Réveillon eles passam detector de metal nas areias para tentar ver se tem uma faca enterrada. No nosso shows também. Isso é evidentemente o que eu falei, mas a cidade desenvolveu esse know-how. Eu acho interessante dar exemplos de coisas da detecção de facial. A minha maquiadora... Hoje a gente tem o acesso a pré-fet e são colocadas câmeras de reconhecimento facial.
é feito varredura na areia na véspera do show para desenterrar. E ano passado desenterraram não sei quantas facas e não sei o quê que as pessoas colocam lá. Tem barreiras de controle. Tem barreiras de controle, exatamente. As ruas, as perpendiculares, são todas monitoradas. Minha maquiadora no show da Lady Gaga não quis, não. Falou muito difícil chegar, porque a minha mala foi toda revistada de maquiagem. Então, é tudo assim.
Então, é muito bem feito, e esse trabalho é um trabalho da prefeitura e do governo, da Polícia Militar, um trabalho muito bem feito, muito profissional, e a gente, evidentemente, faz também de uma forma super profissional toda...
toda a parte artística, porque eu sempre falei isso nas minhas entrevistas e tal, quando fala-se de segurança em grandes eventos, eu falo, você ter um bom som, uma boa luz, uma boa produção é um elemento fundamental de segurança, porque imagina você estar fazendo um show e aí pifa o som no meio do negócio. A chance de dar uma confusão é enorme, porque as pessoas ficam revoltadas, as pessoas começam a ficar revoltadas e tal. Então, é...
Tem um exemplo trágico, inclusive, não sei se é na Netflix, em um desses canais do Steam, que foi a segunda edição do Festival de Woodstock que fizeram, fizeram uma em 1969, que foi aquele troço, e tentaram reeditar o Festival de Woodstock, sei lá, 10 anos atrás. E foi uma loucura, porque começou a dar problema em tudo e o povo destruiu tudo, começou a derrubar as torres. Quer dizer, vandalizaram. Vandalizaram o negócio.
Então é muito importante essa conjunção, essas coisas se complementam. Uma coisa que vocês aprenderam com o primeiro show foi colocar mais som projetado para os prédios, não só para... Você não teve uma amplificação da distribuição de som? Porque a prédio Copacabana, se você olhar, você tem a faixa de areia.
e você tem a faixa de asfalto, onde tem as duas vias, duas pistas, tem o calçadão, tem uma pista, tem um calçadão central, tem outra pista e tem mais um calçadão. Então é uma outra área quase igual à faixa de areia. Então a gente sonoriza tudo, exatamente para você, a gente faz esse direcionamento em direção aos prédios, exatamente para pegar todo...
o perímetro ali de público. Agora, a pergunta aqui que não quer calar, com todos esses números comprovando o retorno, como estratégico para a economia, por que é tão difícil o setor de entretenimento ser encarado como política pública pelos governos?
Olha, eu acho que começa... Essa é a luta que você tem para buscar patrocínio de parteiros. Eu acho que não. Eu acho que já é encarado. Hoje você tem instrumentos de incentivo fiscal muito bons, como a Lei Rouanet, como aqui no Estado você tem a Lei de ICM. Apesar de que nós não usamos isso, mas várias outras empresas usam, se utilizam disso, nós não utilizamos disso.
Não nos utilizamos disso, utilizamos sim a Lei Rouanet para fazer teatro, que é uma outra história, mas existem vários instrumentos de política pública que incentivam e financiam até a produção de grandes espetáculos, porque nós somos uma cadeia produtiva enorme.
Quer dizer, a economia criativa hoje tem uma importância não só no Rio de Janeiro, mas no Brasil, muito grande. A gente tem uma parcela considerável no PIB, entendeu? É porque é uma atividade ainda que não tem muita, como eu diria, muita organização entre si. Quer dizer, as empresas ainda estão se organizando. Você hoje tem aqui no Rio Apresenta, que é uma associação.
empresas cariocas, você tem a Brap no Brasil que também tenta juntar o futuro, mas ainda os dados ainda são muito pulverizados, então ainda não se tem uma quantificação precisa do quanto que isso beneficia, impacta a economia. Essa calculadora de ROI, do retorno desse investimento. Mas a verdade é que sim, existem sim.
Eu acho que o próprio Todo Mundo Rio é claramente um projeto que mostra a cultura como política de Estado. Eu me lembro que teve muita repercussão, até negativa na imprensa na primeira edição, de que tinha dinheiro público sendo usado. Isso na segunda edição já não aconteceu, porque as pessoas perceberam que aquele valor era pífio perto do retorno.
que o evento como esse trazia para a cidade, e esse orçamento também não cobria nem parcialmente os custos. Eu acho que, na realidade, o que a cidade fez e o Estado fizeram nada mais foi do que um investimento que deu um retorno espetacular.
Então, um retorno não só econômico, mas um retorno de você, como eu falei antes, você oferecer para a população alguma coisa de alta qualidade, entretenimento de alta qualidade, de uma forma gratuita, que isso é uma coisa importante na vida das pessoas.
Não é só... é importante você poder ter acesso a isso. Hoje em dia, você viveu um jogo de futebol. Antigamente, você ia num jogo de futebol, o Maracanã cabia muito mais gente, você tinha aquela geral, era uma coisa do povo. Hoje em dia, o Maracanã custa, sei lá, 150 reais o ingresso.
Você vai lá, tudo bem, é super legal, eu vou sempre que eu posso, porque eu adoro futebol. Mas não é mais assim, o povo não tem tanto acesso. O próprio carnaval, carnaval de rua sim, mas o carnaval na praça lá no Sambódromo é um evento caro. Então a gente está fazendo um negócio espetacular, que é você poder pegar o que é de melhor, de mais sofisticado em termos de tecnologia, de produção.
e oferecer para o povo você tocou aí numa paixão sua também que é o futebol, você como um tricolor doente você fica mais nervoso numa final do Fluminense ou num show que vai começar? eu fico... você lá em Nova York agora, no Mundial boa pergunta
Com os amigos do teu filho. Isso foi lá em Nova York. Vamos lá ver o Fluminense e o Chelsea. O Fluminense perdeu, mas foi super legal. É, eu fico muito nervoso com o futebol. Confesso. Fico nervoso. Agora só para voltar. Comendo as unhas. No show eu não fico comendo as unhas, não. Já fiquei. Hoje em dia eu não fico, não. Porque o show está no seu controle, né? O show está mais no controle.
Agora, você também criou esse conceito da passarela, que faz com que o Hotel Copacabana Palace, que é o QG desses shows, se conecte para o que o arte... Teve um episódio complicado, acho que foi o Lenny Kravitz que não conseguiu chegar no palco, teve uma dificuldade de chegar no palco, porque não existia passarela. E você deu essa solução no Rolling Stones, não foi? Na realidade, o primeiro show na praia...
não foi o do John Stones. O primeiro show que foi feito na praia foi do Lenny Crafts, que não fui eu que fiz, foi o pessoal de Brasília que fez. E eu fui nesse show. Enfim, da maneira como ele foi feito, eu me lembro, isso ficou marcado, quem estava lá se lembra bem, o Lenny Crafts atrasou duas horas para começar o show. E o motivo dele ter atrasado é porque ele não conseguia chegar no palco.
Ele não conseguia chegar no palco, ele estava hospedado no Copacabana Palace, teve que ir fantasizado de PM dentro de um carro da polícia para chegar no palco. Isso me foi relatado por acaso essa semana que eu fui almoçar lá com o pessoal do Copacabana Palace, eles me contaram que foi assim que ele conseguiu ter acesso ao palco. Se misturar e passar. Isso eu soube agora, semana passada. Mas na realidade, como aconteceu isso e a gente falou, vamos fazer os stones na praia,
A gente teve essa sacada de dizer, cara, vamos fazer a passarela, porque senão não tem, é inviável. Como é que você... É inviável, não teria como fazer isso. E o Lennon Krebs, a história foi essa. Ele teve que chegar de... E esse modelo da passarela funcionou super bem. E foi replicado. Foi replicado todo ano, essa coisa toda. Porque virou uma coisa assim, hoje é um default, é uma coisa que não tem como fazer aquilo sem ter a passarela.
E você acha que esse modelo pode ser replicado em outros pontos da praia ou só funciona no Copacabana Palace? Tem uma ideia de deslocar? Ele pode ser replicado. Na realidade, existem outros pontos da praia que acontecem em eventos, não é só ali. Alguns shows menores, em Ipanema mesmo, outro dia a gente foi lá em um evento menor. Em Copacabana também você tem outros pontos.
A gente optou em fazer ali, em frente ao Copacabana Palace, pela facilidade também que o hotel oferece, pela proximidade.
Você está entre duas estações de metrô, tem uma coisa logística também. Tem essa coisa logística que você tem a Estação Siqueira Campos e a Cardeal Arco Verde, você tem aquele acesso que as pessoas vêm de Botafogo, atravessam o túnel, porque tudo é fechado e podem vir andando. Então você tem ali, logisticamente, falando naquela localização ali, uma coisa para grandes coisas. Apesar de que, você vê, o Réveillon são feitos três, quatro palcos na praia, e a praia fica lotada e funciona igual, entendeu?
Então é possível, a gente está optando em fazer por ali, porque nos parece um lugar bastante adequado. Queria falar sobre uma vaca fria, que é por que tantas torneias internacionais passam por São Paulo e não vêm ao Rio de Janeiro. Você acha que a infraestrutura é uma questão de bilheteria e patrocínio? O que a gente precisa fazer? O que precisa acontecer para o Rio de Janeiro voltar a ser mais competitivo nesse circuito?
É, eu acho que... Inclusive você vai fazer Primavera Sound ano que vem em São Paulo. Existem algumas coisas que são importantes. Primeiro assim...
Primeiro, devo dizer que eu fico muito mais... Fazer o Rio muito mais legal. Depender só de você... Depender só de mim, fazemos só no Rio. Mas evidentemente que São Paulo é o estado economicamente mais importante do país. Então, obviamente que ali você tem uma população maior, você tem uma demanda maior. Primeiro ponto é esse. Segundo ponto...
É que o Rio hoje tem uma carência de espaço para fazer. O Rio hoje, você para fazer um show no Maracanã, antigamente você conseguia. Para fazer um show no Maracanã é muito difícil, porque o Maracanã hoje é do Flamengo e do Fluminense. Então o futebol cresceu muito. Então eles jogam ali, sei lá, praticamente duas vezes por semana. E você para fazer um show no Maracanã, você tem que... Você ocupa o estádio ali pelo menos por dez dias, entre o período de montagem e desmontagem, além dos...
da coisa do gramado, que sempre, enfim, há esse tipo de preocupação cada vez maior com a coisa do gramado. Então, o Maracanã, hoje, você consegue fazer show assim. Eu fiz o último do Paul McCartney lá em dezembro de 23, porque em dezembro já tinha acabado a temporada, né? Então, o futebol acaba ali, mais ou menos, na primeira semana de dezembro.
Se você consegue encaixar uma turnê ali, você faz. Então praticamente não acontece. Mas e o engenhão? Qual é o desafio do engenhão? A Praça da Apoteose, onde eu já fiz muito show também, hoje em dia também já há algum tempo ela teve um problema lá com o corpo de bombeiro, alguma coisa e tal. E o carnaval também ocupa ela durante um período muito grande de montagem e desmontagem do carnaval. Então você também tem uma limitação ali.
O Engenho não, o Engenho é um lugar que mais, digamos assim, disponível, é mais fácil você fazer lá, porque é um campo, inclusive, com gramado sintético, então você não machuca, enfim, não tem esse risco de dizer, ah, o gramado não, não tem esse risco. O Engenho tem um recuo atrás do gol, que você consegue montar o palco sem entrar no campo. Nós fizemos, por exemplo, o show do Roger Waters lá, e a gente fez um show no dia, no dia 5 teve jogo.
A gente desmontou tudo que estava no gramado. Mas não tem um estádio, foi em São Paulo ou em Brasília, que te convidaram para dar uma consultoria, para justamente que o estádio fosse construído com essas premissas de que tem que ter um recuo. Deixa eu chegar lá. Então, aqui no Rio, hoje realmente você tem o Engenhão, que é um lugar que o Botafogo, digamos assim, está mais aberto a negociar essas coisas, receber, apesar de que não é fácil também.
O engenheiro não é, geograficamente falando, não é de muito fácil acesso, principalmente dia de semana, porque o trânsito no Rio também precisa se locomover durante a semana. Então, tem essa questão. Qual é o outro ponto que você falou? A farmácia, você tem uma farmácia? Não, farmácia tudo bem. Mas falta uma arena de pequeno, médio e forte.
Eu acho que falta um estádio, entendeu? Eu acho que, por exemplo, em São Paulo, tem um estádio chamado Allianz Parque, que é esse que você mencionou, que a gente trabalhou lá atrás, quando estava sendo concebido, a gente fez ali uma consultoria e tal, para dizer, pô, faz assim, faz assim. O Allianz Parque é o estádio do Palmeiras, é um estádio para 50 mil pessoas.
e que tem shows toda hora. O Palmeiras também era mais sintético, e o Palmeiras, inclusive, hoje tem um outro estádio, que é o estádio Barueri, que eles usam como plano B quando vai ter show lá. Então você tem... E é um estádio super bem localizado, o metrô para na porta, enfim, ele é muito conveniente, um estádio moderno, que foi construído na época da Copa do Mundo. Nós inauguramos esse estádio em 2014 com o Paul.
Então, muita coisa hoje vai para o Allianz Parque, que é um estádio...
que cabe até 50 mil, mas ele pode ser modulado conforme coisa. Você tem o Morumbi, que é um outro estádio, cabe 70 mil pessoas. Em São Paulo você ainda tem o estádio do Pacaembu, que acaba de ser reaberto. Então você tem uma opção maior de local. E aqui no Rio é isso. Eu agora, inclusive, vou fazer um show aqui em outubro que eu não vou fazer no Rio. Vou fazer provavelmente, estou fechando no Brasil, porque eu não tenho onde fazer no Rio.
É isso. Canecão está chegando. Eu não tenho onde fazer isso. Canecão vai ser menor, né? Canecão vai ser menor, mas eu estou falando de show de estádio, de grandes espetáculos. Então, realmente tem essa dificuldade. Mas então, para ser um pré-requisito para o show de futebol caminharem juntos, tem que ter esse recuo atrás do gol. Isso é fundamental. Não é que tem que ter esse recuo. Não necessariamente, mas tem que ter calendário.
E, por exemplo, esse ano é um ano ainda mais complicado porque tem a Copa do Mundo. Então isso vai enxugar o calendário do futebol, como você viu, o campeonato brasileiro já começou. E o futebol cresceu muito, esse é um fato também. O futebol cresceu muito, o interesse pelo futebol. O futebol é um fenômeno mundial que não para de crescer.
e as receitas cada vez aumentam mais, e isso tudo vai ganhando importância. Então, eu acho que é um pouco isso. Eu acho que o Rio hoje carece de um estádio, de um local para que a gente possa fazer shows para 40, 50 mil pessoas de uma forma mais recorrente. O que São Paulo existe tem e o Rio não tem.
Tem uma outra questão regulatória que eu queria que você me confirmasse esse impacto ou não no setor, que é um teto da taxa de conveniência de ingresso que na época a deputada Clarissa Garotinho, a mãe, governadora Rosinha, sancionou, que limita o Rio de Janeiro a uma taxa de conveniência de ingresso de 10%, o que não acontece em São Paulo. Isso acaba desorganizando o modelo de venda e tornando o mercado show do Rio de Janeiro menos competitivo?
Isso, sem dúvida, torna-se um pouco menos atrativo, porque essa é uma lei que só existe no Rio de Janeiro, o Brasil inteiro trabalha com taxas que são negociadas caso a caso, conforme a conveniência de cada um, conforme a cada situação, e o Rio de Janeiro tem uma limitação.
Então, eu acho que é um somatório de coisas, entendeu? Eu acho que isso é uma coisa que realmente, se amanhã você faz uma conta, pô, fazer um show em São Paulo, fazer um show no Rio, você bota no papel e fala, bom, aqui em São Paulo a gente tem uma margem maior. Aqui no Rio, além disso, tem um estádio espetacular aqui em São Paulo para receber. Aqui no Rio...
mais poder aquisitivo da população. O Rio você não tem. Acho que a coisa sendo boa, as pessoas vão. Isso não é... Acho que não é por aí. Mas eu acho que é mais isso mesmo. Você tem que...
O acesso ao espaço, essa coisa toda, tem que ser uma coisa facilitada para as pessoas. Então é por isso que eu estou falando. Os estádios de São Paulo, o estádio do Pacaembu, o estádio do Allianz Parque, o estádio do Palmeiras, você pega um metrô e sai na porta.
Entendeu? Então, assim, isso facilita muito. Você acha que tem uma tolerância maior da vizinhança? Quer dizer, o Pacaembu, por exemplo, é um exemplo de um estádio que ficou proibido de ter shows durante muitos anos e agora voltou. Aqui você faz um Doce Maravilha no Jockey e você tem Ministério Público no seu pé, mesmo acabando pontualmente às 10 da noite, tendo horários rigorosos, controle de decibéis.
Você acha que também dá mais dor de cabeça fazer show no Rio? Eu acho que isso daí é uma coisa que acontece em tudo que é lugar. É natural que as associações dos moradores, a pessoa que mora ali, também queira ter um pouco de...
de paz, o que há é uma certa intolerância, porque tudo tem um limite. Então, a gente faz shows no Jockey, por exemplo, aqui no Rio, e a gente entrou lá em um acordo com o Ministério Público, onde a gente mandou técnicos do Ministério Público na casa das pessoas para fazer a medição do volume. E passou em todos os lugares.
o volume foi o volume dentro dos patamares permitidos por lei. E a gente ainda tem esse protocolo de terminar os shows pontualmente às 10 horas da noite, para respeitar a lei do silêncio. Quem foi a artista que você tirou do palco? Você teve que fazer esse papel dificílimo de tirar? Foi a Lana Del Rey.
Queria continuar tocando. Exatamente, a gente teve que cortar, pedir ela para cantar mais uma ou duas músicas, porque a gente tinha que acabar a gente da exata. É sempre você que faz esse papel de filho. Infelizmente, nessas horas. Então, assim, tem um protocolo que a gente obedece perfeitamente. Exatamente, esse protocolo, enfim.
Em São Paulo existe também, mas acho que no Island são 11 horas da noite. Enfim, é uma coisa mais definida, mais assim... Mais pactuada, talvez. Então, assim, acho que... Enfim. Falando em São Paulo, só para a gente já falar muito de São Paulo, eu queria só que você contasse um pouquinho do Primavera Sound, que esse projeto...
O Espanhol que vai para Interlagos, não vai nem para o estádio. Está animado? Fala da característica desse festival. Convido os cariocas para já se organizarem para Talaquando. Esse festival é um festival que acontece há muitos anos em Barcelona. Chama-se Primavera Sound. É um festival que reúne artistas.
novos artistas e artistas já num ponto de carreira já estourando essa coisa toda. Ele já teve duas edições em São Paulo, na realidade, teve uma edição em 2023, se não estou enganado, não, uma em 2022 e uma em 2023, e em 2024 e 2025 não teve edição, eles cancelaram por alguma razão.
e nos procuraram e nos ofereceram. É uma marca muito consolidada, um festival que tem um nicho de público bem jovem, bem definido. E eles nos procuraram no início do ano passado, propondo, nos oferecendo essa possibilidade de fazer essa produção, e a gente optou em fazer, vamos fazer. Já ocorria em São Paulo esse festival.
e nós vamos fazer lá no Autódromo de Interlagos. Agora, festival não é um trabalho multiplicado, a enésima potência, porque você está falando com quantos artistas você traz para um festival? Ah, vão ser uns 40, eu acho. É muito ego para administrar?
É, mas hoje, eu vou te falar, eu quando comecei nesse negócio em 1985, no primeiro Rock in Rio, ninguém nunca tinha feito isso no Brasil, muito pouco, muito pouco. Se você olhar o que aconteceu no Brasil em termos de música internacional, de festivais antes de 1985, muito pouco. E naquela ocasião, a gente trouxe...
equipamento de som, a gente trazia equipamento de som, a gente trazia equipamento de luz, a gente trazia... O mercado não oferecia nada aqui. A gente trazia os técnicos, a gente trazia... Você tinha que trazer até luz de fora? Tudo, tudo, absolutamente tudo. Importava tudo, fazia importação temporária, fazia o show e levava de volta. E foi assim até 1994, 1995, quando a gente ainda fazia o Hollywood Rock.
Só que na década de 90, ao longo desse período, as empresas brasileiras começaram a investir nesse negócio. Então hoje você tem empresas brasileiras que têm um parque de equipamento e manutenção e uma atualização tecnológica de ponta em São Paulo, principalmente em São Paulo, Rio também.
Você tem pessoas técnicas que, ao longo desses períodos, desses anos, aprenderam, se aperfeiçoaram, fizeram escola e que não devem nada a técnicos internacionais. Então, ficou muito mais fácil de fazer as coisas no Brasil. Mas não são tantas assim. Não fica um pouco refém de preço também? Tem mercado nacional, mas também não tem uma profusão.
Não, não tem uma profusão, mas você tem, antes você tinha que trazer equipamento de fora, agora não, agora você não tem que trazer equipamento de fora. Então você, obviamente, você também não tem tantos produtores assim que fazem grandes espetáculos. Então é uma relação ganha-ganha, entendeu? Uma relação de negócio, obviamente, mas que, enfim, é boa, muito boa.
Agora me fala um pouco do laço familiar. Seu filho Luiz Guilherme é seu braço direito há muito tempo. A Luísa, sua filha, entrou para o time ano passado. Em que momento você percebeu que eles estavam prontos e vão assumir esse negócio, esse legado daqui para frente? Olha, eles... Eu sei que você não vai parar tão cedo, mas...
O Luiz Guilherme começou a trabalhar comigo, ele tinha acho que 18 anos de idade, uma coisa assim. Eu me lembro que a primeira produção que ele participou foi do Steve Wonder em 2012 na praia, então já tem bastante tempo. Ele sempre mostrou um interesse muito grande por música, ele sempre foi um apaixonado por isso.
E foi uma coisa natural, que aconteceu naturalmente. Ele, quando ficou nessa idade, logo que entrou para a faculdade, ele já disse, pai, quero trabalhar com você, quero trabalhar com você. E ele veio e ele realmente, hoje é o meu braço direito, como você falou, uma contribuição enorme em tudo que eu faço.
Principalmente a gente aprende também, porque você ensina, você também aprende. Porque os mais jovens têm um olhar diferente do nosso, têm uma visão diferente do nosso, e a gente aprende com os mais novos. Então eu aprendo muito com ele também. E a minha filha, a Luísa, ela veio trabalhar, ela trabalhava na...
A Luísa é uma pessoa super preparada nessa área de economista, viajou o mundo inteiro, trabalhou fora do Brasil, essa coisa toda. E ela estava trabalhando na Amazon já há alguns anos, e teve dois filhos, e a Amazon queria que ela fosse para São Paulo, e ela disse que não posso para São Paulo, porque tem dois filhos pequenos, como é que vai ser? Eu falei, não, então você vem trabalhar para mim, vem cuidar das minhas coisas. E ela realmente tem sido...
Mas o mais interessante é que cada um tem um talento especial. Luísa na área financeira, gestão, e ele no marketing, na comunicação. A marca Todo Mundo do Rio foi uma criação dele. É, um é super criativo e ela é uma pessoa mais, digamos assim, mais de negócio mesmo, mais de números e de estratégia. Enfim, cada um, eles se complementam, eu diria. E o grande beneficiado com isso sou eu que trabalho menos.
há controvérsias a gente está chegando ao final da entrevista eu queria falar do seu livro um pouquinho antes da gente terminar, Memórias do Rock a venda nas principais livrarias, se já tiver esgotado não sei, tem um audiobook narrado por você, com essa voz charmosa tem um audiobook, é verdade, eu gravei o audiobook agora esse livro você fez durante a pandemia foi então tem uma atualização de 5 anos de
Esse livro eu fiz com o... Ele está pedindo uma segunda edição. Eu fiz com o Antônio Carlos Miguel, que foi quem me ajudou a botar as ideias no papel. E o Antônio Carlos Miguel é um jornalista muito importante na área musical, sabe tudo de música, um craque.
E foi durante a pandemia, quando eu tive tempo para poder organizar as ideias. O Luiz Guilherme, meu filho, também me ajudou. A Luiz e me ajudaram. Eles foram fazendo pesquisa, ajudando a buscar as coisas, as histórias e tal. E foi lançado em 1922. De lá para cá, eu fiz muita coisa. Aliás, eu vou pedir para passar um carrossel aqui com as imagens de artes. Você trouxe essas imagens para o livro de Sud com Aerosmith, com o Tyler lá. Como é o primeiro nome dele? Steve Tyler. Steve Tyler.
Steve Wonder. Isso é em 2012 com Steve Wonder. Gilberto Gil. Gilberto Gil. Nossos tons. Adriana Calcanhota, essa foto foi recente. Foi agora no Doce Maravilha. Isso é Steve Tyler no Hollywood Rock, muitos anos atrás.
Aí essa foto eu escolhi para você falar um pouquinho. Eu sei que não tem nem tempo de a gente contar da sua passagem pela BMG durante dez anos como presidente da gravadora. Mas essa dupla aí que você coveu tão de perto... Essa foto é muito legal. É o Leonardo Leger, a Luiz Leger, que foi diretor da Globo há muitos anos, e o Leandro. Você sabe que é uma história bacana, por um lado, e triste também, porque...
Eu contratei o Leandro Leonardo, assim, sei lá, que ano foi isso, gente, já nem me lembro que ano foi, não me lembro. Você ficou na BMG na década de 90, né? Foi na BMG, não sei se foi na década de 90, se já foi no início dos anos 2000, acho que foi ainda na década de 90. Enfim, eu sei que eu contratei o...
O Leandro Leonardo. Eles eram da Warner e tal, e não estavam felizes lá e tal, então eu fiz esse contrato com eles e gravamos o primeiro disco. E eles entregaram o disco em março. Eles entregaram o disco... Não, o disco estava praticamente pronto, pronto o disco estava pronto, entregaram o disco e a nossa previsão era lançar em junho o disco.
Maio, junho, tinha todo o trabalho de marketing e tal. E, belo dia, final de março, se não estou enganado, eu recebo uma ligação do empresário dele dizendo, Zascar, deixa eu te falar uma coisa. O Leandro foi pescar semana passada, retrasado, começou a sentir uma dor nas costas horrível, uma dor horrível e tal.
E voltou para São Paulo, foi fazer uns exames, e ele está com um tumor enorme no pulmão, que era aqui no meio, acho assim. E nós vamos fazer uma coletiva de imprensa amanhã para dizer isso, e ele está indo para a Boston, para se tratar lá e tal. Falei, como é que é? Bom, resumo da história. Ele foi uma tragédia, e ele faleceu, foi um pouco depois disso, ele faleceu dois meses depois.
Você como presidente não destinou uma parte do lucro da gravadora para... Quando nós... Quando acabou que ele faleceu, ele faleceu e o disco estava pronto para ser lançado, e a gente acabou lançando, sei lá, uma semana, dez dias depois, quinze dias depois.
e aí a gente fez uma conversão com o Leonardo, ele concordou, selecionamos três hospitais que tratavam de câncer, e um deles, eu não me lembro quais foram, eu me lembro de um, que é o Hospital do Câncer de Barretos.
Henrique Prata, de quem eu me tornei amigo, e que, enfim, sujeito espetacular, é o maior hospital de câncer do Brasil, da América Latina, que só atende pelo SUS. Então, assim, é um hospital feito... É um IEC só que do câncer lá. É um hospital feito para atender pobre, pessoas que não têm condição, e várias pessoas do Brasil inteiro vão para lá. É um negócio impressionante, enorme.
Tem vários pavilhões e os artistas fazem shows e doam dinheiro. Então tem o pavilhão Leandro Leonardo, enfim, tem vários pavilhões lá. E a gente, na época, doou um pedaço da renda do disco para o Hospital do Câncer de Barretos. É uma história triste, mas enfim.
E aí o Leonardo seguiu o solo e está aí até hoje. Foi uma carreira de sucesso total, absoluto. Queria só que você contasse do Teatro Prio, antes de a gente encerrar, que também foi uma iniciativa com o Luiz Guilherme, antes de você montar a Bonus Track, e que está até aí, o estresse de sucesso. A gente teve agora Rosa Maria Murtinho, com a Neta em cartaz. Fala um pouco da operação do teatro.
O Teatro Prio, na realidade, ele já tem... Esse projeto do Prio começou em 2000 e...
15, 16, eu acho, se não estou enganado, já tem praticamente 10 anos. Na ocasião, foi o Luiz Guilherme que liderou esse processo, junto com dois sócios, três sócios. Evidentemente que eu ajudei no que pude nessa negociação com o Joque. Pegaram um teatro, que era um teatro que estava praticamente abandonado, existia lá um convênio com a prefeitura.
e era um teatro, que era o Teatro Jóque, que só tinha peças infantis e tal, e esse convênio com a prefeitura tinha se encerrado, e a gente, então, percebeu isso, e falou, vamos...
fazer uma proposta para o Jó, que é para a gente arrendar esse teatro. E assim foi, a gente conseguiu levantar os recursos na época com a XP, que bancou toda a reforma do teatro, ficou conosco durante seis anos patrocinando o teatro, e já tem dois ou três anos que a gente está com a Prio.
Aliás, é um projeto do saudoso Mário Monteiro. É, o projeto do Mário Monteiro, Mário e Cacá, que foram, na verdade, as pessoas que fizeram o projeto primeiro, o Rock in Rio, em 1985. O Mário Monteiro era diretor de arte da TV Globo por quase 50 anos. É o responsável por todas as cidades cenográficas, por todo esse trabalho espetacular que existe na TV Globo até hoje. Tudo isso é legado do Mário.
E o Mário, a gente ficou muito amigo na época do Rock in Rio, a gente ficou muito próximo, e eu sempre que podia me recorria ao Mário para os meus projetos. E não foi diferente no Teatro Rio, eu recorria a ele, ele fez um projeto, uma reforma espetacular lá.
E o teatro é um sucesso. Uma localização maravilhosa. Com a Rosa Maria Moutinho, já se passaram por lá. Todos os grandes atores do Brasil já passaram por lá. Eu tive a oportunidade de Fernanda Montenegro. Bom, outro acordo que você costurou agora com maestria foi...
Você era presidente da Fundação Oscar Niemeyer e, antes da sua saída, articulou, logo depois, que o acervo fosse levado para o caminho Niemeyer. A prefeitura de Niterói, o prefeito Rodrigo Neves, vai ajudar a construir um pavilhão. Não sei, conta um pouquinho do que isso vai representar, o acesso a esse acervo, o que isso representa para uma geração de arquitetos que vem aí, esse espaço vivo, o que isso vai ser?
vai se tornar nos próximos anos. Na realidade, eu não articulei nada. Você me apresentou ao prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e eu propus a ele. Já existia um trabalho nesse sentido. Naquele jantar, a gente teve uma conversa, depois tivemos outro encontro e a coisa saiu. Na realidade, o Caminho e a Maia, se não estou enganado, são nove ou onze obras do Oscar.
começa com o MAC, que é o Museu de Arte Contemporânea, tem o Teatro Oscar Niemeyer, enfim, vai ter uma catedral enorme que está sendo construída. E dentro desse projeto do Caminho Niemeyer, o Oscar projetou na época um prédio que foi projetado pensando que fosse ali a sede da fundação.
essa obra está pronta, esse prédio está pronto, mas acabou que nunca se conseguiu levar a fundação para lá, por uma razão ou por outra.
E esse era um desejo do Oscar. E eu, você sabe, eu fui presidindo a fundação até ano passado, essa coisa toda, e quando surgiu aquela oportunidade de conversar com o Rodrigo Neves, que eu soube que havia um interesse de Niterói de efetivamente levar a fundação para lá e levar o acervo do Oscar para lá.
Enfim, esse trabalho foi feito, essa articulação foi feita, e ele foi muito ágil nisso, muito receptivo. Vai ser o centro vivo dessa memória. E, na realidade, vai ter ali uma exposição permanente do trabalho do Oscar e o acervo dele vai estar todo lá, as pessoas vão poder visitar. Então, tem projetos que foram executados, projetos que não foram executados, maquetes, documentos, escritos, porque o Oscar...
ele vendia os projetos deles escrevendo. Ele não só desenhava de uma maneira espetacular, mas todos os projetos deles ele defendia escrevendo. Então, vai ter isso tudo, vai estar lá, e vai estar lá para as pessoas terem acesso e vai ter essa exposição permanente que vai ficar lá, que já está sendo elaborada, que vai ser uma coisa espetacular. Então, as obras do Oscar...
Elas hoje, uma das ideias que se existem é de fazer um circuito turístico, porque vem muita gente de fora.
para visitar as obras do Oscar. Muitos estudantes de arquitetura, muita gente no mundo inteiro, porque o Oscar, você vai na Europa, ele se compara ao Picasso, é muito grande. Então, finalmente, acho que o Rio, através de Niterói, vai usar isso e dar continuidade a esse legado do Oscar.
E os esportes radicais? Em 2024, você protagonizou seu próprio espetáculo em Aspen, quebrando suas costelas, fraturando o ombro, perfurando o pulmão. Foi muita confiança, foi má gestão de risco. Eu quero deixar bem claro que eu tinha ido embora. Não tinha supervisão feminina durante o acidente. Eu nunca fui um esportista, nunca fui atleta, mas sempre fui pretencioso nesse sentido.
E é isso, eu adotei alguns anos o esqui como um esporte de lazer, vamos dizer assim, para ir nas férias e tal, e nunca tinha me machucado. E foram muitos anos que eu fui esquiar em vários lugares diferentes e tal, porque não só o esporte em si, o esqui em si, mas toda a atmosfera das estações de esqui e tal, e a gente que trabalha num...
Poder desacelerar um pouco. Exatamente, é uma maneira de você dar uma desligada. Infelizmente, lá em Aspen aconteceu isso, eu estava um pouco rápido e num dia que não estava a visibilidade não era melhor possível, me estuporei todo. E aquele acidente te ensinou alguma coisa sobre risco?
Cara, aquele acidente me ensinou que a gente tem que ter limites em determinados momentos da vida. Mas graças a Deus não foi nada também tão grave assim, foi só quebrei suas costelas e o ombro.
Aliás, você tinha acabado de chegar, ainda se recuperando, foi quando a Madonna deu ok a proposta. Você produziu o show ainda... Com o braço na tipóia. Quando o show aconteceu, eu já não estava com o braço na tipóia, mas o primeiro ali... Entre fisioterapia e... Mas, enfim, isso para mim já está superado e, obviamente, que eu tenho que tomar um pouco mais de cuidado, ser um pouco mais cauteloso nessa área, como eu sou cauteloso dos meus negócios, porque acham que eu sou doido, mas eu não sou doido.
Bom, Lon, Lulu ou Luiz Oscar? Quem te chama de quê e quando? Bom, Lulu é um apelido que eu tenho de infância, de família, que meus amigos mais próximos chamam de Lulu. Durante alguns anos eu fui Lulu. Depois, quando eu comecei a minha vida profissional, obviamente não podia ser Lulu. Então, Luiz Oscar que é o meu nome.
E mais alguns, depois, já trabalhando na minha empresa, no meu escritório, a gente tinha esse hábito de assinar lá os memorandos, as coisas internas, em vez de escrever o nome, botar LOM, botar as iniciais. E aí pegou.
Então, hoje, todo mundo me chama de Lom. Então, é Lom. Então, vou deixar aqui um beijo para o Lom, agradecer por essa conversa maravilhosa. Vou compartilhar com você o que a gente quer. Eu queria dizer para você também, a gente está em breve, o Canecão começa a subir, mas estamos com esse projeto também, que é um projeto que vai ser muito importante. Aliás, é um projeto muito bonito, porque traz de volta em cena um parceiro seu de vida, que é o Kleber Leite, com o filho.
E você com seus filhos e seus sócios, botando de pé, André Toróis ali como CEO, enfim, num projeto que vai ser muito importante também para a cultura e para o resgate dessa memória. Vai ser sim, estamos muito animados. E projeto do seu irmão, João Nehemiah. Projeto do João, exatamente. Vai ser um complexo cultural, na realidade, não vai ser uma casa de show, como era o Canecão. Ele vai ser um complexo cultural, com 20 mil metros quadrados de área construída.
e nós vamos ter ali a casa de show, vamos ter o Museu da Música, vamos ter um... Estamos trazendo um conceito novo para o Rio de Janeiro chamado Microteatro, que são seis pequenas salas de teatro, vai ter sala de exposição, vai ter uma área externa com restaurantes e tal. Então é um projeto grande, que evidentemente, desde que ganhamos a concessão, tomou tempo para ser... Enfim, para estar pronto, porque...
desde a concepção do projeto, a aprovação, tudo isso. E agora, então, a gente... E além disso, ainda está se fazendo um prédio onde vão abrigar 60 salas de aula para a universidade, para o UFRJ e um refeitório, que vai servir 2 mil refeições por dia. Então, essa coisa aí já começou, já lançamos lá a Pedra Fundamental, e agora está sendo feito lá um desvio de uma adutora da Águas do Rio, que passa ali embaixo, para que a gente possa, então...
Então, vou fazer uma provocação. Eu, como moradora de Copacabana, que cresceu em Botafogo, existe a linha 1 do metrô, que sai da Cardear Arco Verde, vai para a estação de Botafogo, e ela passa ali embaixo de vocês, do Rio Sul, do Canecão. Quem sabe o Clube de Regatas Botafogo, o Rio Sul, vocês não se articulam. Se tem uma pessoa capaz de mobilizar, essa é você. Para que o poder público possa... Não sei nem se precisa perfurar. Eu não conheço o detalhe do projeto. Talvez seja só...
emergir com essa situação. Bom, quando a da Gávea ficar pronta, quem sabe seja um próximo pleito. Antônia, a política aqui é você, não sou eu. Então, cabe a você levar essa proposta aí. Alô, alô, governador. Você, como boa política que é, que conhece essa matéria melhor do que eu, pode conduzir esse processo aí. Você é muito bem-vindo. Está fechado. Vamos embora? Valeu.
E para encerrar, vamos dar uma olhada na programação da Agenda Carioca para esse fim de semana. Como o destaque é Shakira, a programação é temática. O Pink Flamingo, em Copacabana, tem festas e apresentações todos os dias até sábado, em homenagem à Shakira, com o tema da latinidade. Hoje à noite, a festa Oculto ocupa o edifício Turing na Praça Mauá, no centro.
Na sexta, a Tracklist Party estreia no Rio com pop, funk e música latina no Fonte Rio, em Botafogo. No mesmo dia, o Wave by Autumn, em Copacabana, tem DJ latino, karaokê e quiz a beira-mar. Também no bairro, a fiesta latina Baila Baila tem programação especial com Esquenta Shakira. After depois do show de sábado e uma festa em homenagem às maiores artistas latinas no domingo.
No Leblon, o Faro Beach Club promove a festa Joy Waka Waka, para quem quer curtir o pós-show. Tem também o Afterloka, no espaço Rampa, em Botafogo, que promete uma imersão total no universo Shakira. E para fechar a programação no domingo, o Pink Brunch, no Joe Joe's, no Cosme Velho, tem apresentações de drag queens inspiradas nos maiores sucessos da diva latina. Eu gosto de chamar de Luiz Oscar, tudo bem? Tudo bem.
Então vamos nos despedir. Peço para você olhar para essa câmera fechada e convidar os cariocas, os latinos, quem puder estar no Rio no dia 2 de maio para o show da Shakira. Com certeza. Dia 2 de maio estamos fazendo esse show para o Rio de Janeiro, para a população do Rio de Janeiro. Não preciso falar que está todo mundo super convidado. Vamos receber. A cidade está pronta para receber todo mundo que vem de fora, que vem da América do Sul, que vem dos Estados Unidos, que vem da Europa, que vem do resto do Brasil.
Pô, todo mundo no Rio, dia 2 de maio, aqui para assistir a Shakira. Obrigada. 2 de maio.
Bonus Track