Inflação de Alimentos no Brasil #15
Fome Zero Podcast - Inflação de Alimentos no Brasil
#15
Neste episódio, recebemos o professor José Giacomo Baccarin, livre-docente da Unesp (Campus Jaboticabal) e pesquisador das dinâmicas da internacionalização da agricultura e dos preços dos alimentos.
Com uma vasta trajetória na análise de políticas agrícolas, Baccarin nos conduz por um raio-X detalhado sobre as causas e os impactos da inflação de alimentos na mesa da população brasileira.
Ao longo da conversa comandada por Gustavo Torres, o professor explica de forma didática o conceito de inflação de alimentos e evidencia por que o encarecimento da cesta básica afeta desproporcionalmente as famílias de menor renda. Em uma resenha histórica que contrapõe o cenário mundial de 1960 a 2000 ao período atual, o debate aprofunda as razões pelas quais, mesmo sendo um dos maiores exportadores agrícolas e de carnes do mundo, o Brasil enfrenta internamente preços elevados de comida. A pauta aborda como o choque de demanda asiático, as cotações internacionais e as dinâmicas de uso da terra afetam não só as commodities, mas também os cultivos voltados ao mercado interno, como o feijão e o leite.
O episódio analisa ainda os determinantes das variações de preço entre a alimentação no domicílio e fora dele, os impactos geopolíticos recentes na cadeia de insumos e combustíveis, e a grave distorção em que alimentos in natura e de alto valor nutricional sofrem altas acumuladas superiores às dos produtos ultraprocessados. Por fim, o pesquisador aponta caminhos urgentes de políticas públicas para o estímulo às olerícolas e ao abastecimento das cidades.
Prepare-se para compreender as contradições do modelo agroalimentar brasileiro e descubra por que garantir comida de qualidade a preços acessíveis é um passo crucial para a soberania e segurança alimentar no país.
Preço de Alimentos no Brasil no Triênio 2023-2025, Sob Controle e em Nível Elevado: https://ifz.org.br/preco-de-alimentos-no-brasil-no-trienio-2023-2025-sob-controle-e-em-nivel-elevado/
IPCA de Junho de 2026: Preços de Alimentos em Baixa, Inflação ao Consumidor sob Controle no Brasil: https://ifz.org.br/ipca-de-junho-de-2026-precos-de-alimentos-em-baixa-inflacao-ao-consumidor-sob-controle-no-brasil/
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Produção e Apresentação: Gustavo Torres
Realização: Instituto Fome Zero e Bixcoito Digital
Gustavo Torres
José Giacomo Baccarin
- Inflação de Alimentos no Brasil· EconomiaConceito de inflação de alimentos·Impacto em famílias de baixa renda·Histórico da inflação de alimentos (1960-2000 vs. 2000-presente)·Causas da inflação de alimentos no século XXI·Brasil como exportador agrícola e preços internos
- Geopolítica e Inflação de Alimentos· EconomiaGuerra no Estreito de Ormuz e impacto nos preços·Pressão sobre preços de petróleo e fertilizantes·Dependência brasileira de fertilizantes importados·Impacto da guerra no Irã nos preços de alimentos (Março/Abril 2026)
- Impacto Produção Agrícola Brasil Mercado Internacional· EconomiaAumento da participação brasileira no mercado agrícola mundial·Transmissão de preços internacionais para o mercado interno·Competição por terra e investimentos entre culturas·Efeito da exportação de soja na produção de feijão·Influência dos preços internacionais de carne no mercado interno
- Politicas Publicas Abastecimento Urbano· SociedadeNecessidade de política específica para olerícolas·Estímulo à produção de frutas, verduras e legumes·Importância do feijão e leite na cesta básica·Desafio de garantir alimentos nutritivos a preços acessíveis
- Variação de Preços Alimentos In Natura vs Ultraprocessados· EconomiaAumento de preços de alimentos in natura desde 2007·Menor aumento de preços de alimentos ultraprocessados·Desestímulo ao consumo de alimentos nutritivos·Inversão na lógica de preços (2023-2025)
Divulgada agora há pouco, a inflação em março subiu 0,88%. Transportes, alimentação e bebidas tiveram as maiores altas. O aumento atinge a cesta básica, que está mais cara em todas as capitais brasileiras e também no Distrito Federal.
Quem vai sempre ao supermercado já notou que os preços de alguns alimentos estão mais caros. Ah, o arroz, feijão, ovo, né, óleo, manteiga, essas coisas básicas estão aumentando muito também.
Todo dia tem um aumento de tudo.
Um levantamento feito pelo GES e a Companhia Nacional de Abastecimento, a CONAB, mostra que o feijão preto e o carioca apresentaram a maior variação pelo país. O feijão carioca aumentou 21% em Belém, o feijão preto subiu 7% em Florianópolis. Puxada por esse e outros alimentos, a cesta básica em março também ficou mais cara em todas as capitais do país. E no Distrito Federal.
Essa notícia que você acabou de ouvir é sobre a alta nos preços dos transportes e dos alimentos puxando a inflação do mês de março desse ano. Notícia veiculada pelo jornalismo da TV Cultura no dia 10 de abril de 2026. Além de variações sazonais que já acontecem com diversos alimentos que produzimos no Brasil, Esse ano, para ajudar um pouco na alta dos preços, estamos tendo uma guerra em um dos lugares mais estratégicos para o transporte de combustível e de insumos para a produção agropecuária de todo o mundo.
Esse fenômeno se reflete nos mercados. A guerra no Estreito de Ormuz influencia diretamente o preço do leite, do feijão, do arroz e até das frutas produzidas aqui. Mas o fenômeno da inflação de alimentos esconde outros mecanismos. Como é possível um país que produz cada vez mais carne ter um efeito de a carne ficar cada vez mais cara? Como essa inflação de alimentos afeta de forma diferente as classes sociais no Brasil? E como a variação de preço de certos alimentos em Natura é sempre maior do que a variação de preço de alimentos ultraprocessados?
Bom, fica comigo aqui que depois da vinheta a gente vai conversar sobre isso. Olá, ouvintes do Instituto Fome Zero, tudo bem com vocês? Meu nome é Gustavo Torres e você está ouvindo mais um episódio do Fome Zero Podcast. No episódio de hoje falaremos sobre um fenômeno que afeta a vida de todas as pessoas e é determinante para garantir a segurança alimentar e nutricional de toda a população: a inflação de alimentos. Para isso, hoje recebo o professor José Giacomo Bacarim.
José Bacarim é professor livre-docente da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, a UNESP, campus de Jabuticabal. Uma das suas linhas de pesquisa é sobre a internacionalização da agricultura e os preços de alimentos no Brasil. Professor Bacarim também é autor de um artigo que está disponível no site do Instituto Fome Zero, mas você pode encontrar aqui na descrição do episódio também, que analisa o fenômeno da inflação no século 21 no Brasil.
Bom, professor Bacarim, muito obrigado por aceitar o nosso convite para vir conversar com a gente sobre o assunto. E antes da gente falar sobre inflação de alimentos, eu vou fazer uma pergunta mais simples: o que é Inflação é um processo de aumento de preços ao longo do tempo de uma cesta de consumo.
Não é um preço sozinho, é um conjunto de preços ao consumidor ou da economia como um todo. No nosso caso, a principal preocupação é comparar os preços dos alimentos com o conjunto de outros preços ao consumidor da economia. E a gente tem aí, define inflação de alimentos. Que seria o encarecimento relativo dos alimentos, ou seja, os preços dos alimentos subirem mais do que o restante dos preços ao consumidor por um período relativamente longo de tempo, sem pegar as flutuações típicas nos preços de alimentos.
Maravilha, professor! Agora a gente vai falar sobre uma questão que é muito importante, né? Gostaríamos da explicação do senhor de por que a inflação de alimentos afeta mais a população mais pobre do que a população de maior renda.
Os mais pobres gastam proporcionalmente maior parcela da sua renda com alimentação e compram uma cesta menor de alimentos. O rico gasta 10% da sua renda com alimentos e compra muita coisa. Então, se o alimento fica mais caro, Mesmo que ele gaste 10,5% da sua renda com alimentação, ele não vai cortar alimentos. Se cortar, também tá sobrando. No mais pobre, ele gasta 30%, 40%, às vezes 50% da sua renda com alimentação, comprando poucas coisas.
Então, se o alimento fica 10% mais caro, ele vai passar a gastar de 40%, 44%. Esses 4% a mais ele não tem. Então ele vai ter que cortar outras despesas: saúde, transporte, etc., ou cortar na própria carne, na própria alimentação.
E agora, entrando um pouco na metodologia do artigo do senhor, gostaria que o senhor diferenciasse o fenômeno da inflação de alimentos de 1960 até 2000 e como ele se difere, e os motivos para isso, de 2000 até os dias de hoje.
De 1960 a 2000, a gente usa 60 porque tem informações da FAO, começou em 60. Mas o que a gente observa nesse período? Que houve na alimentação no mundo uma queda de preço real. Os alimentos ficaram mais baratos em relação a outros produtos consumidos entre 1960 e 2000, o que é uma grande notícia. Isso significa que os mais pobres tiveram mais acesso à alimentação. Então, sozinha, essa é uma grande notícia. E por que isso? Porque nós tivemos aumentos de produtividade muito grande na agricultura, um pacote tecnológico que aumentou muito a produção agrícola, e nós tivemos alguns países importantes no mercado mundial, especialmente Estados Unidos e União Europeia, adotando políticas de protecionismo à produção agrícola.
Vou dar o exemplo da União Europeia. União Europeia, no final da década de 50, ainda estava destruída pela Segunda Guerra Mundial e era uma grande importadora de alimentos e ela criou uma política para se tornar autossuficiente em alimentos e conseguiu num prazo de 30, 40, 30 anos, e de forma que ela atendeu o seu mercado interno e passou a ser exportadora. Então são duas questões aí que a gente tem que levar em conta na década de 60: o aumento da produtividade agrícola, produção agrícola cresceu bem mais do que o aumento da terra agrícola, e bem mais do que o crescimento da população.
E nós tivemos um sistema de protecionismo agrícola em dois grandes produtores que ajudaram a elevar a produção. Bom, veio o ano 2000, veio esse século. Qual a novidade? Parou de crescer a produção agrícola? Não parou, ela continua crescendo, crescendo além da população mundial. O problema não está aí, embora haja questões em alguns anos, e pode aumentar isso, e problemas na produção decorrente diante dos problemas climáticos que estão aumentando.
Mas por enquanto não é isso. Que que nós tivemos de novidade grande nesse século? No meu entendimento, nós tivemos um grande crescimento do consumo de alimentos, e é uma boa notícia essa, né? População aumentando o consumo de alimentos na região mais populosa do mundo, na Ásia. Tem 60% da população na Ásia, e lá a renda cresceu muito. A China cresceu em média 10% ao ano por 30 anos, e era uma população muito pobre. E à medida que foram aumentando, foi aumentando a renda desta população da China e de outros países asiáticos, da Índia, do Vietnã, Indonésia, todos os países asiáticos, a demanda por alimentos aumentou muito no mundo.
Eles produzem muito alimento, a maior produção de alimentos do mundo é da Ásia, mas diante do aumento da população na China e de outros países asiáticos, da Índia, do Vietnã, Indonésia, todos os países asiáticos, a demanda por alimentos aumentou muito no mundo. Eles produzem muito alimento, a maior produção de alimentos do mundo é da Ásia, mas diante do aumento da população, a área que eles têm relativamente à população que eles têm não é tão grande.
Eles passaram a importar muitos alimentos de outros países, inclusive do Brasil. O Brasil se deu bem nesse aspecto, aumentou muito a exportação. Então houve uma pressão muito grande de demanda nesse século que a produção não conseguiu responder. Ela cresceu, mas não cresceu o suficiente para atender o crescimento da demanda. Então, desde 2000, nós temos os dados da FAO, indicam que os preços dos alimentos estão mais altos. Às vezes eles caem por uns 5, 6 anos, mas nunca voltando ao patamar de 2000.
Então nós estamos vivendo uma inflação de alimentos no mundo. No Brasil, isso demorou um pouco para chegar. Chegou a partir de 2007, nas minhas contas. Por quê? Porque nós tivemos uma compensação inicial, deu uma segurada nessa pressão externa, que foi a grande valorização cambial brasileira. Que nós tivemos entre o começo do século, mas na verdade 2002 e 2011. Essa valorização cambial por um tempo segurou essa pressão interna dos preços dos alimentos, mas depois de 2007 ela ficou evidente também no Brasil.
Bom, professor, agora a gente vai falar um pouco de uma questão que talvez não entre na cabeça de muita gente, que é: o Brasil é um grande produtor de alimentos no mundo, um dos maiores produtores, por exemplo, de carne, um dos maiores produtores de café, laranja, mas esse alimento ele tem ficado cada vez mais caro no Brasil também, né? Então eu gostaria de perguntar para o senhor, né, o porquê que quanto mais a gente produz determinado tipo de alimento e mais ele entra no mercado internacional, por que ele fica mais caro, que é o contrário do que muita gente pensaria. De maior a produção, mais barato ele ficaria.
Bom, o Brasil, ele já tinha sido um grande exportador agrícola até 1930. Depois teve uma fase grande de 60 anos de perda de importância da exportação agrícola pela substituição de importação. E nós aumentamos também a exportação de produtos processados e começamos a— retomamos a exportação de produtos de origem agrícola com mais vigor a partir de 1990, onde nós iniciamos uma nova abertura comercial da agricultura e do agronegócio brasileiro.
E isso porque a gente tem custos de produção relativamente baixos, competitividade internacional, conseguimos aumentar a nossa participação no mercado internacional. O problema é que o nosso aumento maior, o problema do consumidor brasileiro, é que o nosso aumento maior de participação no mercado internacional ocorreu no momento que os preços estavam subindo. Então não foram os preços que fizeram o Brasil aumentar sua participação, foi a competitividade da agricultura brasileira.
Mas como isso aconteceu no momento de preço subindo e sem controles públicos à exportação, pelo menos ao valor da exportação, os preços internacionais são transmitidos para dentro. Vamos pegar um produto que a gente importa. Nós somos um grande exportador, mas tem produtos que a gente importa. O trigo, a gente tem uma dependência 50% do consumo de trigo brasileiro é garantido pela importação. Então aumenta lá fora, vai ficar mais caro para importar o trigo, vai ficar mais caro pão, macarrão, a bolacha, todos os derivados de trigo que têm uma grande participação no nosso consumo.
Nos produtos de exportação, o raciocínio é um pouquinho mais complicado, mas dá para entender também. Se alguém, um frigorífico, vende aqui, vamos pegar o caso das carnes, 1 por 1.000, se o preço lá para fora vai para 1.100, e vou imaginar só para facilitar que o câmbio seja 1 por 1, ele ganha $1.000 lá fora, recebe R$1.000 aqui. Se o preço lá fora vai para 1.100, não tem na lógica dele por que manter o preço aqui dentro de 1.000.
Ele vai reajustar o preço aqui dentro no valor do produto exportado. Ele fala, mas o Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo, como é que aumenta a carne? É, tem o maior rebanho bovino do mundo, é verdade, né? Somos o maior exportador de carne do mundo, também é verdade. E é por isso que a variação no preço lá fora acaba impactando a variação no preço aqui dentro, né? Nós participávamos com 2,3% das exportações mundiais agrícolas em 1990.
Hoje a nossa participação, Gustavo, tá próxima a 10%. Nós quadruplicamos a nossa participação, estamos virando o maior exportador agrícola, né? Superando a União Europeia, superando os Estados Unidos. Ou seja, nós conquistamos um espaço no mercado internacional muito grande e tudo que acontece no mercado internacional acaba sendo mais facilmente transmitido para o mercado interno. Não é falta de produção de maneira geral, com algumas exceções.
É uma produção grande exportadora, mas ditada com os preços ditados pelo mercado internacional. Então sobra produto no Brasil e os preços ficam altos.
E outra coisa que também é contraintuitiva, né, professor, é que aumentando as exportações desses gêneros alimentícios, a gente consegue afetar o preço de outros gêneros que são só do mercado interno, né? Como, por exemplo, a exportação de soja vai afetar a produção de feijão aqui dentro, ou a exportação de carne vai afetar o preço do ovo também vendido aqui dentro. Como é que funciona isso?
Então a gente poderia pensar: produto de exportação é afetado pelo preço internacional, produtos de mercado interno sem importação ou exportação expressiva, como é o caso do feijão e até certo ponto do arroz, esses não seriam afetados. Mas é um erro esse raciocínio. Por quê? Porque eles competem pelos investimentos dos agricultores e pela terra. Então há uma dotação de terra no Brasil, uma capacidade de crescer, de ampliar essa terra ocupando área de pastagem, mas há uma disputa entre as diversas lavouras e o capital do agricultor também.
Você citou a soja e o feijão, vamos trabalhar com esses dois produtos. Se a soja é um produto que a gente exporta muito, consumo da soja brasileira é o mercado internacional, se ela aumenta de preço no mercado internacional, O que que o pessoal vai tender a fazer? Aumentar mais a área plantada com soja, colocar mais dinheiro no plantio da soja. Fazendo isso, vai diminuir o espaço de outras culturas e pode sobrar para o coitado do feijão.
Então os preços dos produtos que não têm um mercado internacional importante, que a gente chama não comercializáveis— comercializáveis são aqueles que têm mercado internacional importante— o preço dos não comercializáveis acabam sendo afetados também pela disputa de terra e investimento dos agricultores, quando os preços dos comercializáveis estão crescendo. Nós hoje exportamos cerca de 30% do que produzimos de carne bovina, algo parecido também na carne suína e parecido na carne de frango.
Então nós temos nosso consumo das 3 principais carnes nossas é muito marcado, muito influenciado pelos preços no exterior. Então, subindo os preços lá no exterior, os preços internacionais tendem a aumentar também os preços internos. Então, na lógica dos empresários, não faz sentido vender lá fora por 100 e aqui dentro por 80, ao menos que haja uma intervenção pública. Então ele vende aqui dentro por 100 também. E o problema entre carne e ovo é que o ovo é um substituto da carne, não um substituto perfeito, mas se a carne fica mais cara, algumas camadas dos consumidores, eles vão se socorrer em outras fontes de proteína, como ovo de galinha.
E nesse caso, a procura por ovo também aumenta para substituir a carne. E não há como responder imediatamente ao aumento da procura, da demanda, pela maior produção de galinha. Você tem um plantel de galinhas que tem que ser aumentado ao longo do tempo. Galinha dá um ovo por dia no máximo, né? É isso biologicamente falando. Não tem como exigir que ela dê mais ovo por dia. Então você vai ter uma pressão da demanda sobre uma oferta que no curto prazo é determinada, não tem como crescer, não tem ovo de galinha estocado também.
Então você acaba aumentando em decorrência o preço do ovo de galinha também. Então nada está isento internamente de você ter um efeito forte do preço internacional sobre o preço nacional. O que eu acho é que nós descuidamos muito desse efeito. E nós poderíamos ter políticas mais ativas de estimular a produção de alguns produtos sem exportação e que encareceram relativamente mais do que outros nesse período a partir de 2007.
Professor, e agora voltando um pouco para metodologia do artigo do senhor, o senhor divide os subperíodos depois do ano 2000 em um período de 2000 a 2007, um período de 2007 a 2019, o período da pandemia que obviamente a gente já imagine que tem uma variação de preços diferente nos alimentos, e um período posterior, esse de 2023 até 2025. Eu gostaria de saber como esses períodos analisados pelo senhor se diferem em relação à inflação de alimentos e também a inflação de alimentos em relação à inflação geral.
Bom, até 2019, 2007 a 2019, A inflação de alimentos já estava acontecendo. Preços dos alimentos subiram mais do que os outros 8 conjuntos de preços que o IBGE mede. Então ele mede alimentação e bebidas, mede transporte, saúde, educação, habitação, vestuário, comunicação. São 9 grupos. Então alimentação e bebidas subiu mais do que os outros 8 grupos. Então nós tivemos uma inflação de alimentos durante a pandemia. Isso se acirrou, né?
É interessante até porque na pandemia o que aconteceu? Caiu o crescimento econômico, houve aumento da desocupação, do desemprego e a renda caiu. Então era esperado que as pessoas consumissem menos alimentos e podia o preço ficar mais barato, mas não foi isso que aconteceu. Os preços, até porque tivemos problemas nas cadeias de valores, locais que o comércio foi atrapalhado, comércio internacional, os preços dos alimentos subiram ainda mais durante a pandemia.
No Brasil isso fica evidente, o alimento ficou ainda mais caro. Vou dar um exemplo que todos nós lembramos, né, é o óleo de soja. Óleo de soja dobrou de preço durante a pandemia, aumentou 100% durante a pandemia. Então nós tivemos um acirramento da inflação de alimentos nos últimos 3 anos, já fim dos 2023, 24 e 26. Nós tivemos uma suavização Os alimentos ficaram relativamente mais baratos que o conjunto de preço ao consumidor no Brasil, com exceção de 2024.
Mas veja, é uma suavização que não recuperou o que tinha lá em 2007, nem em 2019. Então ainda os alimentos, embora nos últimos 3 anos tenham aumentado de preço relativamente menos, eles estão caros no Brasil.
E agora vamos falar um pouco das diferenças entre as variações de preço na alimentação no domicílio, ou seja, aquilo que a gente vai comprar no supermercado, e na alimentação fora do domicílio, né? Então, por que que a variação da alimentação no domicílio ficou maior do que a variação da alimentação fora do domicílio? No período da pandemia e por que isso ocorreu de maneira diferente nos outros dois períodos analisados, de 2007 a 2019, de 2023 a 2025.
No período todo é muito próximo o aumento de preço do alimento no domicílio e fora do domicílio. Eles têm determinantes diferentes. O que a gente compra no supermercado é muito influenciado pelos preços agrícolas e pelos preços das indústrias transformadoras, da indústria alimentícia. São as principais influências. E eu diria que o aumento de preços esteve muito ligado ao aumento do preço da agricultura. Foram os preços agrícolas que aumentaram, nem tanto os preços dos produtos da indústria alimentícia, que impactou no supermercado.
No caso da alimentação fora de domicílio, nós temos outros componentes. Preços de restaurantes, bares, lanchonetes são influenciados também pelos preços dos serviços urbanos. Então, preços de aluguéis, os preços do salário humano, e também sofre uma forte influência da renda, da variação de renda. O que a gente compra no supermercado é o necessário, não tem como não comprar, que tem que comer, né? Do restaurante, em parte, em parte, o que a gente compra é meio lazer.
Uma parte é necessária, nas cidades grandes tem que comer fora de casa mesmo, mas uma parte é lazer. Então, se a renda aumenta, a procura por alimentação fora do domicílio tende a crescer relativamente mais do que alimentação no domicílio, e vice-versa. Se a renda cai, vamos cortar restaurante, vamos cortar bar, vamos cortar lanchonete, vamos comer só em casa. As famílias fazem isso. Bom, o que aconteceu na pandemia? Na pandemia tivemos restrições necessárias, foram importantíssimas, ao deslocamento das pessoas.
Então diminuiu muito a frequência a bares, restaurantes, lanchonetes. As pessoas deixaram de consumir aí e ao mesmo tempo substituíram até onde puderam esse consumo pelo consumo no supermercado. Não caíram as vendas dos supermercados durante a pandemia, até aumentou, mas caiu muito as vendas de bares, lanchonetes, restaurantes, que tiveram que segurar seus custos, não conseguiram repassar aumento de custos aos consumidores. Então, durante a pandemia, nós tivemos alimentação fora do domicílio tendo uma elevação de preço bem abaixo da alimentação no domicílio.
De lá para cá não tem se verificado mais isso, né? 2023, 2024 e 2025, alimentação fora domicílio tem aumentado um pouco mais do que alimentação no domicílio.
E analisando a variação de preços no domicílio, né, a gente vê uma diferença nessas variações no período entre 2007 e 2019, antes da pandemia, E nesse período depois da pandemia, considerado entre 2023 e 2025. Então, em relação a frutas, legumes, verduras e claramente também para a gente muito importante o nosso arroz e feijão, como foi a diferença na variação dos preços nesses dois diferentes períodos analisados?
O que a gente tem verificado dentro da alimentação no domicílio, que o IBGE considera que ela é composta por 16 itens: carnes, que entra carne bovina e suína, frango e ovos, bebidas e infusões, aí o café tá escondido aí no meio, né, massas, farinhas, leguminosas, cereais. Então tem vários itens, pescado, vários itens, são 16 itens. O que a gente observa é que 4 itens cresceram muito de preço desde 2007 até agora. O maior foi a carne, item carne, que é basicamente 85% é carne bovina.
Então essa é a campeã, viu? E carnes é o item que a gente mais gasta dinheiro entre os 16 itens. Então teve uma pressão muito forte. Eu atribuo isso à entrada do Brasil no mercado internacional. O Brasil não era um grande exportador de carne bovina, já era um grande exportador de carne de frango, mas não de carne bovina. A partir do momento que vira um grande exportador de carne bovina, preços internos aumentam consideravelmente.
Agora, os outros 3 itens são os itens in natura, são os tubérculos, raízes, legumes, frutas e hortaliças de maneira geral. Estes 3 itens aumentaram muito de preço a partir de 2007 e são itens que a gente consome sem transformação. Então a gente compra cebola, tomate, laranja, raiz da mandioca, às vezes compra farinha também, né? A batata, a maçã, compramos sem transformação. Então esses itens subiram muito de preço. Produtos in natura cresceram mais do que os produtos com maior processamento.
E tem um outro componente esses itens. O mercado internacional não é grande. Tomate, por exemplo, é um produto muito perecível. Cebola tem mercado internacional, a gente importa bastante cebola, mas o tomate não dá para você processar. A laranja a gente exporta, mas na forma do suco. A laranja em si é pouco exportada. Então são produtos perecíveis e depende do abastecimento do mercado interno. Então nós tivemos um grande aumento de preço ao consumidor desse tipo de produto E na minha avaliação, isso está associado ao fato de nós não termos uma política direcionada para chamadas olerícolas.
Olerícola é fruta, verdura, legume. Então nós não tivemos uma política para isso. Vejo isso como uma grande falha da política agrícola brasileira. Nós somos, temos muita competitividade internacional, mas nas olerícolas nós deixamos a desejar. Nossa produção não tem se mostrado suficiente e a população cada vez mais nas cidades, demandando o consumo desses produtos, e eles ficaram muito caros. Eu incluiria o feijão nessa parada, as hortaliças e o feijão.
A oferta desses produtos ao longo do tempo no Brasil tem sido deficiente, não tem sido estimulado de maneira suficiente, e é uma pena porque esses produtos têm um valor nutricional alto, não é? Então a gente troca o consumo desse tipo de produto por produto processado, que não subiram tanto de preço. Se você pegar os produtos mais processados, até porque a indústria consegue amortizar em parte os impactos do aumento do preço agrícola, eles não subiram tanto.
Então nós tivemos, via preço, um desestímulo ao consumo de produtos com maior valor nutricional e um estímulo ao consumo de produtos com menor valor nutricional, que são os produtos processados.
E falando em graus de processamento, no artigo o senhor traz que durante todo esse período analisado, de 2000 até os dias de hoje, até 2023, o preço dos alimentos in natura subiu muito mais, né, em relação ao preço dos alimentos ultraprocessados. Porém, há um fato curioso, que nesse último período analisado, de 23 a 25, a inflação dos alimentos ultraprocessados foi maior do que a dos outros produtos. Primeiro, gostaria que o senhor explicasse a questão dos alimentos processados terem essa inflação menor, né, registrada no período todo, todo?
E por que que neste período em específico, de 2023 a 2025, a gente teve essa inversão na lógica?
É o seguinte, no período todo, produto ultraprocessado ficou mais barato do que produto não processado. Os produtos ultraprocessados são comercializados por grandes empresas, oligopólios, e quando os preços estão menos aquecidos ou até em queda, como é o período 2023 a 2025, é as empresas da indústria alimentícia consegue segurar os preços. Então os seus preços não caem. E os preços agrícolas e dos produtos sem processamento, dos alimentos sem processamento, caem, acompanham a cotação do preço agrícola.
E quando tá subindo o preço da agricultura, a indústria alimentícia não precisa subir na mesma proporção o preço do seu produto. Vamos dar um exemplo do café. Então o café sobe 100% no seu preço, o café torrado não precisa subir 100% para amortizar isso. Qual que é o peso do grão de café no custo do café torrado? Talvez seja 50%. Custos são outros componentes da estrutura de custo da indústria de café torrado e moído, não é? Então ela absorve isso sem perder lucro.
Aumenta 100% o preço de uma matéria-prima que representa 50% do seu custo, ela não precisa aumentar o preço do café torrado em 100% para manter o lucro. Então ela consegue segurar isso sem ter prejuízo. No momento de queda como ela é um oligopólio, ela consegue preservar seus preços. Então, quando cai preço agrícola, cai preço mais fortemente de produto não processado e não de produto processado. Tá bem de acordo com a teoria econômica isso que a gente tem verificado no Brasil.
Então, até agora a gente falou de inflação, falou das diferenças da inflação de 1960 a 2000, e nesses diferentes períodos, né, subdivididos entre 2000 e 2025. E agora a gente vai falar um pouco sobre o ano de 2026, né. A gente primeiro tem que ressaltar que é sempre importante fazer essas análises de ano a ano devido principalmente à sazonalidade de alguns tipos de produto. Mas vamos analisar agora esse fenômeno, né, do fechamento do Estreito de Ormuz, da guerra e de como isso afeta os alimentos.
Então, professor, como é que foi a inflação, esses números que a gente tem da inflação divulgados pelo IBGE, de janeiro até o mês de junho, esses 6 primeiros meses? E para quem quiser, o professor também tem uma análise desses 6 primeiros meses que foi publicado no dia 14 de julho e tá lá no site do Instituto Fome Zero para mais informações.
Esse período é um período muito conturbado por questões internacionais, especialmente o conflito em torno do Estreito de Ormuz, em que passam uma grande quantidade do petróleo consumido no mundo e fertilizantes. Então nós tivemos pressões sobre o preço do petróleo e dos seus derivados, e temos uma pressão sobre os preços agrícolas. Então isso afetou o Brasil. O Brasil vinha em 2025, preço dos alimentos não pressionar a inflação mais. 2023 foi assim, 2024 não, 2025 foi assim, alimentos mais barato que o restante. 2026 começou assim, e num período que normalmente alimento pressiona inflação, porque janeiro, fevereiro não tem tomate, tomate não se produz nessa época, algumas oleagícolas não se produzem.
Então há uma pressão sazonal todo ano, no final do ano e no começo do ano seguinte nas oleícolas. Período chuvoso, a queda na produção de oleícola. E nós começamos esse ano muito bem. Aí veio março, refletiu a tentativa dos Estados Unidos e Israel destruírem o Irã. É isso que eles fizeram, no meu modo de entender, ou pelo menos trocar o governo do Irã. Não conseguiram isso e trouxe problema para todo mundo. Isso foi no final de fevereiro, isso já refletiu no mês de março.
Então nós tivemos uma subida intensa de preços de alimentos em março e abril, mas depois isso suavizou. Então o que a gente verificou em maio e junho, que a pressão vinda dos alimentos caiu bastante. E aí junta duas coisas: uma, que é isso acontece todo ano, temos mais tomate, mais alface, mais batata, esses preços caem mesmo, né? Cai bastante. A variação desse tipo de produto é 30% de alta, 30% de queda. Eles não são tão importantes no consumo, mas como a variação de preço é muito grande, Isso acaba refletindo no índice, né?
É uma inflação de alimentos, é uma média ponderada de variação de preço, ponderada pela importância do produto nos gastos do consumidor. Então nós tivemos em maio, junho, uma redução decorrente disso. Todo ano o preço diminui e talvez aquele apavoro, e acontece isso na economia quando há alguma ameaça, há reajuste de preço não porque o custo aumentou mas prevendo que as coisas vão ficar mais difíceis. Então aquele apavoro inicial de março e abril tenha diminuído.
Então nós tivemos um primeiro semestre não tão complicado, mas ainda não igual foi o primeiro semestre de 2025. A guerra continua, continua. Agora talvez amenize. Nós estamos com problemas no abastecimento no Brasil de fertilizantes. Isso é um erro que nós cometemos, a nação brasileira. Nós dependemos de 85 a 90% da importação de fertilizantes, produzimos muito pouco dos fertilizantes que consumimos internamente. Então nós podemos ter pressões de custos no segundo semestre, quando começa o planejamento, o preparo, melhor dizendo, para o plantio de milho, soja, arroz, uma parte feijão.
Então nós podemos ter ainda uma pressão nesse segundo semestre decorrente do preço de fertilizantes. No preço dos combustíveis, que impactam muito o custo de produção agrícola, e também o transporte dos produtos agrícolas, eu acho que o Brasil conseguiu adotar políticas de segurar, até porque nós temos autossuficiência no petróleo, não temos autossuficiência no diesel, conseguimos segurar essa variação no preço externo, não transmitimos totalmente para o mercado interno.
Então, acho que a gente conseguiu passar não impune, de maneira nenhuma, mas termos menos afetados por uma situação externa desfavorável em termos de custo de produção. Então, a minha expectativa é que nesse segundo semestre, não acontecendo nenhuma outra, ou aumentar os conflitos internacionais, não acontecendo isso, a gente consegue em 2026 reproduzir uma trajetória de menor pressão dos preços dos alimentos sobre a inflação ao consumidor no Brasil.
Mas insisto, ainda alimento tá caro no Brasil. Desde 2023 a gente tá conseguindo reduzir a sua pressão, Mas o que aconteceu até 2022 foi um aumento considerável dos alimentos para o brasileiro, e que é uma grande contradição nacional, no meu modo de entender. Como um país que quer se colocar como primeiro exportador mundial de alimentos tem alimento caro para sua população? Essa contradição precisa ser enfrentada e ela não é necessária.
Nós podemos continuar sendo um grande exportador e termos preços mais acessíveis no Brasil.
Bom, professor, e agora encaminhando aqui para o final da entrevista, eu gostaria de saber quais são as suas expectativas para esse resto de ano, né, segundo semestre, e qual política o senhor acha que a gente deveria implementar no Brasil, que a gente não está olhando muito, vamos dizer assim, e que seria importantíssimo para aumentar a qualidade nutricional da população, principalmente relacionado ao crescimento desta dentro das cidades?
Nós temos duas pressões aí bem evidentes nesse ano, fora as oleícolas que estão se comportando mais. Eu acho que se mantém a pressão do leite e a pressão do feijão. Arroz não, arroz não estão pressionando tanto esse ano. Tenta comportar. E carne também, os últimos 2 meses indicaram uma suavização. Vamos ver se mantém, mas eu ficaria de olho na carne bovina, especialmente pela sua importância no consumo nosso. A gente gasta muito dinheiro comprando carne bovina.
Mas o feijão, a gente teve problemas, tá tendo problemas, e o leite também, por razões diferentes. Feijão não tem mercado internacional, mercado internacional do feijão é único povo no mundo que come, comia, né, que nós estamos perdendo esse hábito, esse bom hábito alimentar, comia diariamente feijão é o Brasil. Então não tem muito aonde se socorrer quando falta feijão no Brasil. Então nós tivemos frustrações nas safras de feijão esse ano.
Como feijão é produzido várias safras, pode ser que isso diminua, pode ser que a safra de inverno de feijão seja muito robusta no Brasil. Safra que tá acontecendo agora feijão irrigado, e daí amenize. Então deveríamos olhar mais, com mais cuidado, com mais detalhes, a oferta interna de feijão. No caso do leite, como é no caso do café, né, e outros produtos, os preços são muito balizados pelo mercado internacional. E aí nós estamos verificando um aumento.
O ano passado foi de queda, esse ano de recuperação dos preços do leite, que é um bom indicador. Ele tem que tomar um pouco de cuidado porque o preço do produto agrícola significa renda para agricultores, e tem pequenos agricultores. Então, se o preço cai muito também, a gente inviabiliza a produção de pequenos agricultores, no caso do leite. Então, esse ano é um ano de recuperação dos preços aos agricultores que tá chegando no mercado consumidor.
E isso não é tão simples de— nada é muito simples, mas isso é mais complicado porque não depende só das condições internas. Nós somos, nós importamos leite, então não é uma dependência tão grande quanto o trigo, mas 5%, às vezes 10% do nosso consumo é de leite importado. Então muito influenciado pelo preço internacional. Então a interferência do governo nesse aspecto pode reduzir tarifa de importação, mas isso já tá reduzido, não tem muito o que fazer.
Dependemos muito mais das flutuações do preço internacional nesse caso. Mas eu ficaria muito de olho do no feijão e no leite. Agora, sem contar surpresas, mas eu não acho que venha muita surpresa por aí, não. Que a gente observa que não estamos conseguindo, apesar de todo o nosso saber agronômico, toda a nossa tecnologia desenvolvida, não estamos conseguindo abastecer as cidades adequadamente com as oleirícolas. Precisamos ter uma política específica para as oleirícolas, de estímulo à produção das oleirícolas, de estrutural de assistência técnica para termos mais tomate, cebola, batata, alface, repolho, frutas, laranja, banana disponíveis na mesa do brasileiro, e que a gente conseguisse ao longo do tempo indicar uma trajetória de decréscimo do preço desses produtos.
A gente não conseguiu, na minha avaliação, do que os dados, na interpretação dos dados que eu trabalho mostram, não conseguimos essa história. Então é importante a gente trabalhar com as variações ao longo dos meses de um determinado ano, mas também pensar numa perspectiva de longo prazo. É o sucesso da agricultura brasileira, é evidente, em mercados, mercado internacional, sucesso econômico. Mas tem poréns. Um dos poréns é esse, que nós não conseguimos produzir barato comida de boa qualidade nutricional, frutos com pouco processamento consumidos in natura. E eu insisto em as orelhículas e o feijão nessa cesta.
E hoje a gente fica por aqui. Primeiramente, gostaríamos muito de agradecer o professor Bacarim pela entrevista esclarecedora que mostra que nem toda inflação é igual. A inflação, como vimos no episódio de hoje, é um fenômeno complexo que demanda análise. E se você estiver interessado em mais dados, aqui na descrição do episódio estão os links dos dois artigos que foram citados aqui no episódio. Um que analisa o fenômeno da inflação nesse século 21 e o outro que faz a leitura dos dados que nós temos até agora no ano de 2026.
E se você ainda não segue o Fome Zero Podcast aqui no seu agregador de podcast favorito, a gente ia pedir por favor de seguir e, se possível, dar 5 estrelas. Isso é muito importante para o nosso crescimento aqui na rede. Se puder, também comenta lá o que que você achou do episódio. E não esquece que a gente tá cheio de conteúdo sobre esse grande campo da segurança alimentar e nutricional no Brasil e no mundo. O Fome Zero Podcast é uma produção do Instituto Fome Zero e do Biscoito Digital.
A produção é minha, Gustavo Torres. O áudio utilizado no começo do episódio é do jornalismo da TV Cultura, notícia do Jornal da Tarde publicada em 10 de abril de 2026. A gente agradece o professor José Bacarim pela entrevista e agradecemos você pela companhia nesse esse episódio. Muito obrigado e até o próximo!