Episódios de Sem Nenhum Destino

sala vip, atriz na chapada

04 de maio de 202639min
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No episódio de hoje, antes de entrar no voo, vamos sentar e conversar na nossa Sala Vip com uma pessoa muito especial.

Eu convidei a Bia para contar um pouco da sua viagem para a Chapada dos Veadeiros e como essa viagem ajudou sua transformação de mudança de carreira. Ela deixou a TI e se lançou na sua vida artística.

Assuntos3
  • Transformação PessoalViagem para Chapada dos Veadeiros em 2022 · Recuperação de energias e misticismo da Chapada · Viagem com a irmã perto do aniversário · Viagem coletiva só com mulheres e guia Arthur · Decisão de mudança de carreira após a viagem · Burnout e início da terapia · Decisão de começar a fazer teatro · Bia TI antes e Bia Atriz depois da Chapada · Duração da viagem e acomodações · Cachoeira da Santa Bárbara · Parque Nacional da Chapada · Desidratação no cerrado · Superação pessoal, de saúde e física · Momento de gostar de si mesmo após cirurgia · Mudança interna e cirurgia de alma · Mirante da Janela e nascer do sol
  • Imigração e AcolhimentoControle de passaporte · Janela ou corredor · Mala de mão ou despachada · Chegar na hora ou última chamada · Hostel, hotel ou Airbnb · Carimbo mais importante do passaporte
  • Mudança de Carreira: TI para ArtistaDescontentamento com a vida em TI e banco · Burnout e questionamento de propósito de vida · Início do estudo de teatro · Transição para a área artística · Trabalho como produtora de videoclipe · Combinação de hobbies (trilha, acampamento) com profissão · Desejo de ter uma Kombi para viagens e trabalho · Estudo de teatro musical, prosa, novela, cinema e dublagem · Uso de habilidades de TI na produção audiovisual · Importância do apoio familiar e de amigos · Início da escrita criativa e roteirização · Transformação pessoal e profissional após a Chapada · Decisão da irmã de cursar medicina veterinária
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Olha, estamos aqui hoje conversando esse primeiro episódio da Sala VIP com a Bia, minha amiga atriz, mas não é Beatriz, é Bianca. Não, é Bianca. É só Bia atriz, mas ela é Bianca. E a Bia hoje vai conversar aqui com a gente sobre uma viagem, uma experiência que ela viveu. Mas antes disso, Bia, a gente precisa saber se você vai passar no controle de passaporte.

Ai meu Deus. Você está apta a entrar nessa imigração? Na imigração do meu coração. Ai meu Deus. Se eu cantar Sandy Junior eu passo? Passa. É tudo logo. Passa sem perguntas. Mas vamos lá. São cinco perguntinhas. E tem que ser rápido. Não pode ficar tremendo. Não pode ficar nervosa. Ah legal. Você fala isso pra eu não... Ok. A gente percebe, sabe? No controle de imigração. Se a pessoa estiver nervosa. Pode ser que ela esteja querendo entrar no país pra ficar. Pra tomar uma água. É, tomei uma aguinha. Inspira.

Próximo. Janela ou corredor? Janela. Mala de mão ou desfachada? De mão. Você chega na hora ou na última chamada? Na última chamada. Quando eu chego. Hostel, hotel ou Airbnb? Depende. Quando eu viajo sozinha, hostel. Quando eu viajo com alguém, hotel. Airbnb é legal também, se eu quiser cozinhar assim, sabe? Mas acho que... Hotel.

E qual o carimbo mais importante do seu passaporte? Escócia. Bem-vinda, pode entrar.

Oi, eu sou a Lari e esse é o Sem Nenhum Destino, um podcast que é um convite para viajar sem mapas, sem amarras e sem pressa. Onde eu te convido a conversarmos, seja em nossos próprios quartos ou num quarto de hotel, dentro do avião ou de um trem. Só nós, ou às vezes com um convidado. Aqui, cada episódio abre portas para a história de vidas que se entrelaçam com lugares, momentos e emoções que marcam a nossa existência.

A única certeza que temos é que vamos viajar juntos nessa constante viagem que é a vida. Simbora? E pra gente começar esse papo, eu queria te fazer uma pergunta. Qual foi a primeira coisa... Na verdade, qual é a primeira coisa que tu faz sempre que tu chega num novo lugar? Chegou na viagem, e aí? Eu observo as pessoas. As pessoas que estão lá, como elas se comportam.

Não sei, como eu gosto muito de escrever, eu gosto de ver, perceber como as pessoas se comportam naquele lugar. Eu acho que é a primeira coisa. Olhar as pessoas. Nossa, eu adoro. A primeira coisa que eu faço é isso também, porque quando eu desço, geralmente eu pego transporte público. E eu adoro prestar atenção nas pessoas dentro do transporte público.

Porque quem geralmente tá no transporte público é local, né? Ou em praça também, gosta de olhar em praça. Nossa, geralmente, tipo, quando eu vou pra fora, eu gosto muito de olhar. Porque tem alguns lugares que você tem que apertar os botões, né, do ônibus pra poder entrar. E aí eu fico olhando, tipo, como é que essa pessoa faz isso? Como é que pega o ônibus aqui? Será que eu posso simplesmente entrar? Será que eu tenho que pagar? Não sei. Tem que entender o fluxo. Exatamente.

Inclusive, falando nisso, eu passei com uma situação bizarra na Espanha. Tipo, nada a ver, mas enfim, porque tu falou isso e eu me lembrei muito. E aí eu dei sinal, o ônibus parou e eu simplesmente não entrei no ônibus, porque tinha um botão e não sabia onde era o botão. Aí, eu fui embora.

Não, não, porra, custava ele ter aberto a porta, o motorista, ele me viu, olhei pra cara dele assim, tipo, socorro, senhor E ele não fez nada, eu não sabia o que era pra fazer Aí depois veio uma outra pessoa, pegou um outro ônibus, apertou o botão, falei, ah, agora entendi, eu esperei o próximo ônibus Tá vendo? Por isso que é importante observar as pessoas Quase aconteceu isso comigo em Paris, porque tem uma alavanquinha no metrô Aí, tipo, a porta fecha, tem que levantar a alavanquinha e entrar Então, tipo, eu te entendo Meu Deus, a gente tá muito chique em Paris Aí, né? Paris Paris 부드 부드

Mas amiga, eu queria saber hoje Queria entender Tu me contou que tu veio aqui me falar sobre uma viagem Que foi muito especial pra ti Pra Chapada dos Veadeiros Chapada dos Veadeiros E lá na Chapada tu viveu uma experiência E eu queria que tu começasse a contar um pouquinho Por que Chapada? Por que Chapada? Porque eu gosto de ficar Chapada O que você foi fazer lá na Chapada? Fora ficar Chapada na Chapada? Mas tu ficou Chapada na Chapada? Claro, filma, fica Fic 부드 부드 부드 부드

Como não? Chapada dos Veadeiros Eu fui pra Chapada em 2022 Logo depois do mundo voltar ao normal Da pandemia

Tinha passado dois anos, assim como todo mundo, trancada dentro de casa. E eu sempre gostei muito de fazer trilha, acampar e tal. E a Chapada foi um lugar que, cara, me chamou a atenção. Eu queria conhecer aquele lugar. Falam que as energias da Chapada são muito boas porque ela fica em cima de uma pedra de quartzo.

Então, que é um lugar mágico, místico, que tem ovnis e não sei o que. Então eu queria ir lá pra realmente recuperar as energias. Eu tinha passado também por uma cirurgia e eu não tinha feito muita coisa depois disso, sabe? E aí eu queria viver isso. E eu fui com a minha irmã, porque a gente tem um...

um combinado nós duas de sempre viajar perto do nosso aniversário. Só que como a gente tinha vindo da pandemia, e a gente não tinha conseguido viajar no aniversário, surgiu essa oportunidade de ir pra Chapada em abril, que não tem nada a ver com que a gente faz aniversário no final do ano. Mas a gente foi, e eu consegui emendar férias, férias não, consegui emendar, eu acho que um feriado, com algumas folgas que eu tinha.

E aí a gente foi pra Chapada. Eu lembro que a minha irmã ficou alguns dias, eu fiquei um pouco mais. Eu fui fazer essa viagem coletiva, só tinha mulheres. A única pessoa que era homem era o Guia, que tava lá com a gente, que é um amigo meu, o Arthur.

E foi uma viagem bem legal de reconexão comigo mesmo. E eu estava num momento também que eu estava decidindo ainda o que eu ia fazer, porque eu tive burnout no meio da pandemia, e aí eu tinha começado a fazer terapia, e minha psicóloga falou que eu precisava buscar outras coisas para fazer, além de só pensar em números e cálculos e banco e TI. E aí foi depois dessa viagem que eu decidi começar a fazer teatro. Então a viagem para Chapada foi um divisor de águas para mim. Foi um momento de conexão.

Minha com o meu lado artístico, eu acho, porque lá, cara, respira arte, cultura, Brasil.

Existe então a Bia TI antes da Chapada e a Bia Atriz pós Chapada. Existe. A Bia Chapada também existe. E também existe a Bia na Chapada. Existe a Bia na Chapada. Existe. Foram quantos dias lá, Bia? Ah, foram oito. Acho que foram oito dias, se não me engano. Oito dias. Todas com guia, tipo, vocês tinham passeio certinho, tudo que iam fazer lá?

Tinha. A primeira parte da viagem a gente fez com um amigo meu, que ele tem uma companhia de viagem. E aí a gente foi com um coletivo, foi uma coisa bem trip, assim. Aí dividi o quarto, acho que com mais quatro meninas.

4C, é. Não era um rosto, era um hotel de beirinha de estrada e aí eram oito camas. E aí eu lembro que o Arthur dormia com a gente, que é o meu amigo, e ele ronca pra caramba e a gente queria morrer. E a esposa é de Arthur. Nossa senhora, Arthur, você ronca, vá atrás de um tratamento. E a gente não conseguia dormir direito, a gente tinha que acordar super cedo pra fazer trilhas e ele roncando lá.

Mas foi muito legal compartilhar essa viagem com as meninas A gente falava que o poder do quarto rosa ia mudar a gente Mas foi bem legal Mudou, mudou, transformou a gente Fez um p-grade Isso, agora eu sou pobre e atriz Feliz, amiga! Sou feliz, sou feliz Agora eu faço o que eu gosto Nasceu pra ser artista E aí depois...

Essa parte da viagem durava quatro dias, que era o tempo do feriado. Depois a gente deu uma esticada e aí foi só realmente um grupo de amigos. Foi eu, Arthur e mais dois amigos nossos. Que a gente foi fazer outras partes da Chapada, conhecer outras peixoeiras. Ah, vocês fizeram tipo uma extensão da viagem. É. Então a viagem mesmo tinha quatro dias e depois vocês estenderam mais quatro dias.

Foi, tanto que essa outra parte da viagem tinha um outro guia que ia com a gente, porque aí ele levava a gente para lugares mais difíceis de acesso. A Cachoeira da Santa Bárbara, por exemplo, que é uma cachoeira linda, e aí a gente não ia dar para fazer com as pessoas que estavam, porque era mais distante. Mas assim, mesmo os quatro dias a gente fez, por exemplo, o Parque Nacional da Chapada, que é incrível.

Cara, é muito foda lá, tem umas cachoeiras muito legais, tem umas trilhas muito boas, mas tem que tomar muita água, porque a gente tomava acho que 5 litros de água e o xixi saia laranja, porque lá é cerrado, é muito seco. Então dá uma desidratação fodida, mas é legal, muito bom.

Mas, Bia, tu me contou, assim, no off, e aí eu vou trazer aqui no Exposed, que você tinha passado por uma cirurgia. Era um momento novo, assim, da tua vida. Conta como que foi isso, assim, essa mudança de chave, essa viagem que foi um marco, né, na tua vida. Foi. Meu pai faleceu com 30 anos de infarto fulminante. E ele era obeso.

E sempre foi um peso muito grande pra mim isso. Então eu tinha desde pequena, meu pai morreu eu tinha 6 anos. E desde pequena eu faço uma bateria de exames pra saber como é que tá a minha saúde. E eu sempre tive muito medo de morrer com 30 anos, igual meu pai. E na pandemia eu cheguei no ápice do meu peso, eu cheguei a pesar 120 quilos.

E aí eu passei no médico e ele falou que ou eu fazia cirurgia ou eu ia morrer antes do meu pai. Porque eu não conseguia tomar remédio pra emagrecer, me dava taquicardia. A academia não tinha psicológico pra isso, porque quando a gente tá com... A obesidade não é só comer.

é também mental. Você tem que fazer um acompanhamento psicológico e tal. Então eu descontava muito as coisas na comida. Durante a pandemia, com o burnout e depressão, eu descontava tudo na comida. Era coisa de pedir lanches e comer dois lanches, comer o shake com batata e ainda comer mais coisas. Então, minha psicóloga, eu lembro que ela falava que eu comia os meus problemas.

E aí eu fiz a cirurgia, ainda estava na pandemia, foi no final de 2021, e eu lembro que antes da pandemia eu fiz uma trilha que eu não consegui. Eu sempre gostei de fazer trilhas, mas eu não consegui fazer essa trilha direito. Eu passei mal, tive uma crise de pânico, e eu tinha muito medo de não conseguir mais fazer uma coisa que eu gostava muito, que era estar no meio da natureza e cachoeiras, etc.

E a chapada foi a primeira coisa que eu fiz depois da pandemia. E foi a trilha mais longa que eu fiz e eu consegui fazer isso super de boa depois da cirurgia e também não só por causa da cirurgia, mas por causa da disciplina que eu ganhei depois disso, de treino e etc. Então, pra mim foi uma superação. E...

Ah, não sei, foi uma superação pessoal minha, de saúde, de físico. Eu tava num bom momento, assim, sabe? Eu ainda tava um pouco fraca, porque eu não tava conseguindo comer muito ainda, porque a gente come pouquíssimo. Mas foi, pra mim, foi uma superação. Foi um momento de vitória, assim. Eu lembro que teve um dia que a gente parou na estrada pra tirar foto no pôr do sol. Tem até essa foto no meu Instagram.

A gente parou na estrada pra tirar foto no pôr do sol e eu gostei. Sabe quando você olha pra você e você gosta de você? Foi a primeira vez que eu gostei de mim depois que eu fiz a cirurgia. Foi na Chapada dos Vedeiros. E mais do que por fora, tinha uma mudança por dentro, né? Tinha. Eu acho que mais por dentro mesmo. Porque foi quando eu comecei a...

Eu lembro que o Arthur, esse meu amigo que tava comigo na viagem, ele falou assim, nossa, Bianquinha, ele me chamou de Bianquinha, ele falou, nossa, Bianquinha, você tá muito diferente. Porque ele me conheceu antes e me conheceu depois. E ele falou, cara, são duas pessoas totalmente diferentes. Ele falava isso pras pessoas na viagem, que eu tinha mudado o meu espírito. É como se eu tivesse feito uma cirurgia de alma, entendeu? Então, não foi só o físico, foi o meu interno também.

Bi, eu quero muito entender como que foi essa tua mudança de... Mas espera, tá? Eu quero saber como foi essa tua mudança de TI pra área artística. Porque a gente é muito parecida com isso, né? Eu passei por isso também. Mas antes, a gente vai comer um pouquinho aqui no nosso menu de bordo. Ai, meu Deus. Eu tô doida pra moer esse bolo. Pode comer, pode. Aqui é a sala VIP, querida. É free, tudo free.

Atenção, senhores passageiros. Iniciaremos agora o nosso serviço de bordo. Por favor, mantenham-se sentados e com seus cintos afivelados. Mas vamos falar do menu de bordo. Eu vou te fazer o seguinte, esse quadro eu vou te dar duas opções. Você vai escolher uma dessas duas opções e a gente vai degustar ela um pouquinho aqui com uma pergunta que eu vou te fazer, combinado? Tá bom. Eita, medo. Doce surpresa ou salgadinho?

Ai, doce surpresa. Doce surpresa? Então você vai ter que contar aqui pra gente qual foi a melhor viagem que você já fez sem sair de casa. Qual foi a melhor viagem que eu já fiz sem sair de casa? Sem sair de casa. Eu gosto muito de ler.

E eu acho que a melhor viagem que eu fiz foi quando eu li... Tem um... Inclusive me inspirou a ir pra Escócia. Tem uma série que chama Outlander. E tem livros dela e tal. Eu fiquei muito viciada nessa série. Depois eu fui ler os livros e eu viajei pra Escócia e pras Highlands. Nos anos, viajou pra 200 anos atrás. Nossa, muito. E aí eu falei, não, eu preciso conhecer esse lugar.

E aí quando eu tive a oportunidade eu fui e, tipo, eu sabia que eu queria fazer um mochilão pela Europa. Mas eu sabia que nesse mochilão tinha que ter a Escócia, tinha que ter as Highlands. Tipo, podia ter qualquer outra coisa, mas tinha que ter isso. Então, mas a primeira viagem que eu fiz pra esse lugar foi na minha casa, lendo os livros e assistindo as séries da Outlander. Bi, a gente vai ter que marcar outra sala VIP só pra gente falar desse mochilão. Tá bom, beleza. Só pra gente falar desse mochilão na Europa.

Vamos lá, outra. Bagagem de mão ou despacho? Bagagem de mão. O que você sempre leva na sua bagagem de mão que você não usa? Eu sempre levo na bagagem de mão. Sempre leva, mas não usa. O que eu não uso? Putz. O que eu sempre levo na bagagem de mão que eu não uso?

Ah, o RG. Eu sempre levo o meu RG, mas eu sempre mostro o que tá no celular. Eu nunca uso. Mas assim, de coisas... Outras coisas, assim, né? Geralmente eu levo o tablet e eu nunca uso. Eu sempre fico ou lendo livro ou vendo... Nossa, eu faço muito isso também. Entendeu? Tipo, tablet e o RG são duas coisas que eu levo e nunca uso. Eu levo o tablet e nunca uso. Eu só... Tá lá. Ah, vai quê? Não sei se eu não vou precisar, né? Só uma coisa também que eu sempre levo e nunca uso... O pau de selfie.

Você ainda leva isso? Eu sempre levo um pau de selfie. Por quê? Porque é, eu tiro uma foto sozinha, aí tá, ele tem um tripézinho, e eu sempre saio e nunca levo um pau de selfie. Eu chego num lugar, quero tirar uma foto, esqueci o pau de selfie. Por último, última opção aqui no nosso menu. Filé upgrade ou econômico? Ah, filé upgrade, né? Ah, chique, né? Minha amiga é chique.

Uma surpresa. Algo que você ganhou de graça e aconteceu de graça, que você não esperava e foi incrível. Qual você fez? Só pra constar, meu namorado tá atrás da câmera fazendo assim. Eu, é? É, ele que foi incrível. Algo que eu ganhei de graça e foi uma surpresa. Ai, meu Deus. Já ganhou um upgrade, Bia? Não, nunca ganhei um upgrade. Minha mulher viajou tanto, nunca ganhei um upgrade. Não ganhei um upgrade. Eu não tenho cara de quem merece um upgrade, eu fiquei indignada.

Cara, bem de gra... Tá. Eu vou levar pra um outro lado, mas pra mim foi um presente. Semana passada, faz umas duas semanas, eu ganhei um trabalho. Que pra mim foi uma surpresa, foi uma coisa muito legal. Foi meu primeiro trabalho como produtora de um videoclipe. E eu tive que ir pra...

para o interior de São Paulo para gravar em Cachoeira, debaixo d'água, no meio de uma estrada. E foi uma experiência muito legal. Eu ganhei de graça, me chamaram. Ganhou? Foi pagando ainda, Bia? É, eu ganhei. Pagaram para eu ir.

Mas foi muito legal, foi uma experiência muito incrível, assim, de viagem que a gente fez, tinha acampamento, tinha um lago lindo, conhecer pessoas, né, diferentes, tá, ali com a banda, aprender músicas diferentes também.

Mas essa conexão de... Foi a primeira vez que eu tive a conexão de uma coisa que eu gosto, como hobby, que é trilha, acampamento e tal, e a minha profissão nova, que é a parte do audiovisual. Então, quando as duas se misturaram, teve uma hora que eu olhei e falei assim, caralho, eu tô fazendo uma coisa que eu amo com outra coisa que eu amo, e é muito legal, e foi um presente, assim. Principalmente a conexão com as pessoas, estar naquele lugar.

tinha uma menininha, uma bebezinha lá muito fofa, que ela olhava pra fogueira e falava ai, como é que era? tinha fogo e ela ficava falando fumaça, fumaça e subia na mãozinha, tinha que fumar ai meu Deus, eu quero amarrar essa menina pra mim que isso, amiga, direitos ai, eu falei aqui, direitos direitos da criança não, mas ela era muito fofa, até falei pro pai dela falei assim, ó, se você quiser, pode deixar comigo eu cuido, quando ela tiver uns 6 anos eu te devolvo é que eu começo a trabalhar

Não, mas eu era muito fofa, assim. E aí eu tive certeza que eu quero ter uma... Não uma criança. Mas uma Kombi. Porque a gente filmou numa Kombi. Eu fui uma criança e tive certeza que eu quero ter uma Kombi. Não, eu tive certeza que eu quero ter uma Kombi. Porque tinha uma Kombi lá e eu achei a coisa mais fofa do mundo uma Kombi. E aí eu quero uma Kombi meio estilizada, assim, pra fazer umas trips. E também pro teatro ajuda muito, né?

Ter uma Kombi, ter espaço. E é isso, amiga. Amiga, eu te vejo muito ter de uma Kombi. Eu quero uma Kombi. Decorada, assim, com uma cama, tipo um motorhome.

É, não sei se você vai chegar nesse nível. Não, é combo home. Combi home? Eu vi uma... Uma combi home. Uma combi home. Eu vi uma pra vender. Já tava toda decorada. Tinha até banheiro dentro. É, mas aí pro que eu quero não dá. Não, mas eu queria você fazendo. Ah, eu vou fazer a combi? É. Tá querendo me fuder, né? Mas tudo bem. Não, amiga. Não, amiga. Muito sua cara, você decorando tudo a combi. Eu pedi pra uma amiga minha. Eu falei, se quando eu comprar, eu quero que você faça toda a parte de estilização. É, por parte de fora, assim, sabe fazer desenhos e tal.

Acho que ano que vem, ano que vem vem a Kombi da Bia. Mas amiga, aproveitando que você estava falando sobre essa viagem, que foi uma viagem agora, recente, né? Que você fez enquanto produtora nesse lugar de artista. E a gente estava falando justamente sobre isso antes da gente entrar aqui no nosso menu de bordo. E eu queria voltar para esse assunto. Como foi essa mudança? A Bia, que era...

TI ali dentro de banco, trabalhando com tecnologia. E aí fez uma viagem pra Chapada, teve esse momento novo na tua vida. E de repente você volta e agora você é atriz. Eu ainda tô descobrindo. Vou viver da minha arte. Como foi isso? Vou viver da minha arte. Tô descobrindo ainda qual é a minha arte, mas tudo bem. É... Cara, foi...

Foi complicado, algumas pessoas falam que eu sou doida, mas tudo bem. Desde pequena, minha família sempre me incentivou a estudar e ser alguém na vida e fazer alguma coisa que dê dinheiro e depois fazer o que eu gosto. Mas eu não sabia o que era esse, o que eu gosto. Então já pensei em ser psicóloga, já pensei em ser fisioterapeuta e fazer, sei lá, cara, ser até...

Pessoas que são especialistas em museu, sabe? Esqueci o nome agora. Ah, eu esqueci. Mas é isso. Eu adorava museus quando eu era pequena. E aí eu queria ser especialista em museus. Mas assim, eu nunca tinha batido o martelo de esse é meu plano B. Entendeu? Era trabalhar com TI, trabalhar em banco e era isso. Primeiro, que eu odiava banco. Quando eu era mais nova eu falava que eu não ia trabalhar em banco. E aí minha mãe falava, não, você vai trabalhar num banco. E ela tava certa. Trabalhei em cinco bancos diferentes.

Mas eu acho que o burnout, a pandemia, todas essas coisas me fizeram ver que a vida passa muito rápido. E eu comecei a questionar o que eu estava fazendo. Se eu estava fazendo o que eu gosto, se eu estava fazendo o que me faz bem, o que me faz feliz, ou só o que dá dinheiro. E aí eu comecei a fazer teatro.

Durante um tempo eu só estudava teatro mesmo, então além de trabalhar no banco com TI, eu trabalhava, eu fazia teatro, peças de escola mesmo. Só que chegou uma hora que a arte começou a falar mais...

mais alto. E aí eu comecei a querer ir pra esse lado, conversei no trabalho, expliquei pra eles o que eu queria. Demorou um pouquinho, mas eles me mandaram embora. E aí eu consegui juntar um dinheiro pra me manter durante um tempo, enquanto eu vou testando coisas. Então já fiz teatro musical, já fiz teatro de prosa, já fiz...

curso de novela, de cinema, de dublagem, e é isso, ser artista é fazer várias coisas diferentes, algumas eu gosto muito, outras não tanto, mas eu acho que é isso, é você ter um leque de opções, eu posso ser qualquer pessoa em qualquer momento, e eu posso trabalhar com produção, trabalhar como, porque assim, eu já trabalhei como gestora de projetos, de TI.

E a produção não é muito diferente disso. É muito parecido. É muito parecido. Só muda o nicho e o produto final. Mas o trabalho que você tem no meio é bem parecido. Então tem muitas coisas de TI que eu uso ainda. Pro audiovisual e pra arte em si. Então eu não vejo como o tempo jogado fora um desperdício da minha vida. Não, eu acho que eu precisava passar por isso pra poder chegar onde eu tô hoje. Às vezes eu dou uma surtadinha e falo, vou ter que voltar pra TI. Porque não vai dar certo essa vida de artista.

Mas aí depois eu paro, penso e tenho amigos que não me deixam desistir. E isso, estamos aí. Mas não é fácil. Eu não vou ser hipócrita e falar que é maravilhoso. Não, você tem que ter uma base, você tem que ter apoio. E eu tenho, graças a Deus a minha família me apoia hoje em dia. E eles entenderam que isso me faz bem. E a arte me trouxe várias coisas boas. Uma delas a Lari.

E o Marcos. E várias outras coisas. Marcos. Então, assim, eu acho que a minha vida hoje está muito centrada na arte, sabe? E eu não me vejo saindo dela. E esse momento que tu falou, por exemplo, da... Tu teve o burnout, estava no banco e estava estudando as duas coisas, né? Estava trabalhando no banco e estudando teatro.

Onde que entrou a chapada aí no meio do caminho? Foi antes, depois, no meio? Foi no meio. O burnout foi no meio da pandemia. Eu comecei a ter os sintomas mais fortes.

Eu fui erradamente diagnosticada com transtorno bipolar. E aí eu só fui descobrir depois que eu não tinha transtorno bipolar. Eu cheguei até a tomar medicação por conta disso. Mas a chapada dos viadeiros, ela veio através da minha irmã. Se eu não me engano, foi a minha irmã que trouxe essa possibilidade de a gente ir. Quase que a gente não foi.

Mas nos 45 do segundo tempo deu, porque a minha irmã trabalha numa empresa familiar que não ia conseguir fazer a emenda do feriado. Mas deu certo e a gente foi. Mas veio muito da minha irmã. Eu lembro que a maioria das viagens que a gente fazia vinha muito dela. Esse lugar, eu que organizava. A gente vai ter que fazer a sua irmã, Quintana. Ai, a minha irmã é maravilhosa. Inclusive, ela já foi guia de turismo. Eu acho que ela fez umas duas, três viagens como guia. Mas ela parou. Pra esse nosso amigo que tem a empresa. Mas assim...

a gente queria ir pra um lugar tranquilo, pra um lugar de renovação mesmo, de renovar as energias. A minha irmã sempre teve esse negócio de banho de cachoeira, de renovar as energias na água da cachoeira, lavar pedra, fazer banho de lua, umas coisas assim, minha irmã gosta de umas coisas mais hippies. E aí eu fui na dela e que bom que eu fui na dela, porque isso me transformou.

Mas foi em que momento isso na história? Exatamente. Tu tava no banco ainda? Tava. Tanto que eu saí do banco em 2024. Então demorou um pouco ainda. Eu fui pra Chapada em abril de 2022. 22, é. E saí do banco dois anos depois.

Então demorou dois anos ainda. Então quando tu voltou, mas aí tu começou então a estudar teatro depois que voltou da Chapada? Sim, eu comecei a estudar teatro em junho de 2022. Então terminou, eu voltei da Chapada e aí eu já fui começar, porque o ano letivo na escola que eu fiz teatro começava em julho, agosto, acho que agosto. Então quando eu voltei da Chapada eu já comecei a procurar várias escolas, aí achei uma que eu gostei e comecei a estudar. Então eu fui pra Chapada em abril, em agosto eu comecei a fazer teatro.

E aí, um ano depois, eu tava apresentando minha primeira peça na escola de teatro. E tava apaixonada já por isso. E aí também comecei a escrever. Foi na Chapada que eu comecei a escrever. Hoje em dia eu sou roteirista também.

Mas até então eu escrevia histórias, eu criava, sempre foi muito boa em criar histórias, mas criar diálogos, criar uma narrativa pra alguma coisa, alguma coisa que fizesse sentido, eu comecei depois da Chapada. Até então eu escrevia poemas ou contos, e não uma história com começo, meio e fim, entendeu? E aí na Chapada, eu lembro que eu até comprei um caderninho pra ficar escrevendo, eu tenho ainda lá os caderninhos de rabiscos. Mas comprou lá na Chapada? Não, não, eu comprei aqui.

pra viagem da Chapada. E aí eu comecei a escrever lá e continuo escrevendo até hoje. É muito doido como as viagens transformam a gente, né?

Eu tava falando isso e a minha primeira viagem que eu fiz sozinha foi pra Paris. E lá eu comprei um caderninho lá, em Paris. Eu falei, cara, eu preciso começar a escrever. E eu sentei e comecei a escrever em Paris. Muito chique, né? Claro. Ai, eu ia te falar no café em Paris. Eu comecei a escrever em Paris, você começou a escrever na Chapada. O Imercy. Sim, o que isso? Os jiquérrimos. Não, mas é, eu acho que é um negócio muito interessante entender que foi então, você tava lá no banco.

Fez a viagem da Chapada, na viagem da Chapada tu se encontrou escrevendo, fez todos esses questionamentos e voltou dessa viagem decidida a mudar de carreira, né? Eu lembro, porque no banco eu mudei de departamentos algumas vezes. E eu lembro que a da Chapada, a viagem da Chapada, eu tinha acabado de entrar no departamento novo, que foi o último departamento que eu fiquei.

E eu gostava muito da gestão de lá. Era um gestor maravilhoso que lidava com a gente. E era incrível, Gui. Saudades. Eu gostava muito de trabalhar com ele. E depois, um ano depois, mais ou menos, me mudaram de gestão.

Essa mudança de gestão me fez ter certeza que eu queria sair do banco. Então, tipo, eu já tava meio que pensando nisso, mas a cartada final foi me mudarem de gestão pra um outro gestor que eu não tinha tanta afinidade, assim, não gostava, eu continuava fazendo a mesma coisa que antes, mas já não via mais sentido naquilo, entendeu? Ficar presa dentro de uma sala...

fechada o dia inteiro, roupa social e não sei o que, e a gente começou a voltar para o presencial também. E antes da pandemia eu trabalhava viajando.

Então, já era solta, já viajava, já gostava dessa liberdade. Quando acabou a pandemia, eu tive que voltar pro banco, ser presencial, ir lá todo dia, cumprir horário, bater cartão, isso aqui. Começou a ser uma coisa que eu já não via mais sentido, entendeu? Sufocando lá, Therese, né? Sufocando a minha pessoa. E aí, eu fui percebendo aos poucos que...

culminou muito a minha ida para Chapada com o meu nascimento criativo. Acho que depois que eu voltei da Chapada eu comecei a dar mais... Mais...

escuta pro meu lado criativo, sabe? E deixar ele aflorar. Então, tipo, eu sempre gostei muito de arte, de de cenografia, de cenários. Sempre a festa da minha irmã, por exemplo, era eu que organizava as coisas. Mas eu nunca tinha parado pra estudar isso. E hoje eu estudo isso, eu gosto, entendeu? Agora eu vou começar a fazer figurinos também. Mas é isso. Então, tipo, a chapada me ajudou muito a descobrir quem eu sou hoje. Toda viagem que eu faço...

eu meio que determino pra mim que é o fechamento de um ciclo e a abertura de um novo quando eu voltar. Porque querendo ou não, a gente meio que organiza as coisas, né? Deixa as coisas organizadas em casa, ou quando volta, organiza de novo. Então, eu sempre acho que eu vou voltar uma pessoa diferente e que eu vou fazer coisas diferentes. Então, eu já tinha pré-determinado na minha cabeça que essa viagem pra Chapada, quando eu voltasse, coisas iam mudar. Eu só não sabia exatamente o quê. E foi a minha profissão.

Demorou dois anos, mas mudou. Não, mas era um processo, né? O começo de um processo. Inclusive, no primeiro episódio do podcast, eu falo sobre isso, né, Marcos? Como que a gente escolhe um marco, uma viagem, né? Eu celebro muito através de viagens mesmo, então, ou eu celebro algo, ou eu vou para buscar algo novo. Então, isso que tu falou é muito interessante, porque, na real, não tem como você ir para um novo lugar.

conhecer novas pessoas, uma nova cultura, porque mesmo sendo dentro do Brasil, são novas culturas, novas comidas, novas formas de viver, e você voltar à mesma pessoa, né? Existe um termo que eu gosto muito de falar, que é o termo dos rios, que é confluir.

Então um rio vem, vem outro rio, eles confluem e continuam o rio. Então eu acho que tem muito isso. A Larissa, depois que conhece a Bia, ela é outra pessoa, porque parte da Bia tá dentro de mim, né? Então é isso que a gente vai fazendo. Quando a gente viaja também, porque além de confluir com outras pessoas, a gente conflui com culturas, com uma comida que a gente comeu diferente, com algo que a gente viu que a gente não imaginava, que transforma, né? Então, e uma chapada, com certeza, ainda mais chapada.

Com certeza transformou muito a Bia, né? E trouxe também um lugar que eu acho que tem uma mistura também de marco de comemoração, né? O momento em que você comemorou uma vitória de ter conseguido fazer a trilha, de ter se sentido bem com você, né? Com a sua saúde e até pela questão do seu pai também, que tanto mexia contigo. Sim, e também estar com a minha irmã. Porque assim, eu e a minha irmã, nós somos muito próximos. Nós temos uma diferença de idade de sete anos. Mas ela é meu bebê, pra sempre.

E poder... Faz um tempo já que a gente não faz mais essa viagem anual, mas antes a gente fazia todo ano, perto do nosso aniversário, a gente fazia. E foi muito bom passar esse tempo com ela, sabe? Eu gosto muito de viajar com a minha irmã, de trocar ideia com ela, de conversar sobre as coisas. A minha irmã é mais nova, mas ela tem uma cabeça muito boa.

E eu acho que um pouco da minha mudança vem dela, sabe? Vem de observar ela, da coragem que ela tem de fazer as coisas. Porque quando ela voltou da Chapada, ela também mudou. Foi quando ela decidiu fazer a medicina veterinária, que é o que ela gosta. Então a gente meio que começou juntas. Ela fazer a faculdade que ela gosta, que ela quer trilhar, e eu começar a fazer teatro.

Então nós duas tivemos essa transformação depois da Chapada. E eu lembro de um momento muito bonito de nós duas que foi no nascer do sol, chama Mirante da Janela, se eu não me engano, que tem lá na Chapada dos Veadeiros.

Você tem que fazer uma trilha estreitíssima de madrugada e você vê o nascer do sol de uma arquibancada de madeira em cima de um desfiladeiro. Então, se você tropeçar para o lado, você cai. Mas assim, é lindo. Maravilhoso. Como diz o Marcos, é lindo. É...

E assim, eu lembro do sol nascendo meio roxo, assim, nas montanhas, e a cachoeira, assim, de fundo. E a minha irmã tava feliz, sabe? Um sorrisão enorme vendo aquele sol nascendo. E eu tava feliz por ela estar feliz. Então, é muito bom, assim. Tipo, não foi só uma coisa pra mim, sabe? Foi uma coisa pra ela. Foi uma coisa nossa. Então é bom saber que eu tenho esse momento. Eu tenho vários outros momentos que eu compartilho com ela. Mas esse é um dos momentos que eu mais gosto.

Atenção, senhores passageiros. Vamos passar agora por uma zona de turbulência. Permaneçam sentados. Mantenham o cinto de segurança afivelado e aguarde as novas instruções da tripulação. Amiga. Oi. Amiga. O quê? Eu tô com medo. Tá com medo do quê? Da turbulência. Mulher, eu nunca passei por turbulência. Nunca passou por uma turbulência? Não.

Ah, mas tu passou por algum perrengue, né? Já. Então conta, vai. Pode ser de qualquer viagem? Pode ser de qualquer viagem. Tá, deixa eu ver.

Quando eu fiz o mochilão, o último país que eu fui foi a Turquia, que foi a escala que eu fiz. O problema é que, pra você pegar o transfer, o ônibus, do aeroporto pra cidade, você pode pagar com dinheiro, com cartão e tal. E eu fiz isso. Peguei, paguei com dinheiro.

E fui pra cidade. Dormi, etc. Porque eu passei a noite. No outro dia de manhã, fui visitar a mesquita. E aí tinha um ponto de ônibus na praça. Numa praça aleatória. Você pegava o ônibus pra poder ir pro aeroporto. E não tinha guichê. Tipo, você entrava e pagava direto pro motorista. O problema é que o motorista só acertava cartão. E eu não tinha mais dinheiro no cartão de crédito.

E aí, eu perguntei pra ele, você pode aceitar dinheiro? Ele não pode. Aí eu falei, mano, fodeu, porque, tipo, eu não tinha dinheiro, eu não tinha de onde tirar dinheiro no cartão de crédito, não tinha, não dava. Aí eu peguei e fui... Não, mentira, eu não tinha o dinheiro ainda. Eu só perguntei pra ele como é que pagava, ele falou que tinha que ser com cartão. Aí eu peguei, atravessei a rua, fui no caixa eletrônico, saquei 20 liras turcas.

E aí comecei a procurar um guichê pra comprar o negócio, só que não tinha. Tipo, eu olhava no Google Maps, ele falava pra mim que tinha um guichê na praça, só que não tinha, não existia. Aí tinha um cara sentado lá embaixo de uma árvore, eu cheguei pra ele, que ele tava vestido com uniforme como se fosse da rodoviária. Eu cheguei pra ele e perguntei, falei, moço, aonde tem um guichê aqui que eu possa comprar uma passagem? Ele falou, não tem.

Aí eu falei, moço, eu preciso voltar pro aeroporto. Meu avião sai tal hora. E eu tô aqui, tipo, minha mala tava no aeroporto. Porque, tipo, eu fiz escala, mas eu não peguei minha mochila. Eu tinha despachado. Tinha deixado lá. Eu tinha deixado lá. Eu só tava com uma mochilinha pequenininha.

Aí ele falou assim, você tem dinheiro? Eu falei, tem, ele me dá. Aí eu pensei, fudeu, o único dinheiro que eu tenho, ele vai me roubar. Aí eu peguei e entreguei o dinheiro pra ele, ele sumiu no meio da multidão. Sumiu. Aí eu falei, ok, vou virar uma firanga estrangeira, vou ficar aqui, e é isso. Daqui a pouco vem o cara...

volta com o dinheirinho assim na mão, parecia até filme. Ele voltando com o dinheirinho na mão, falou assim, ó, não consegui trocar, mas vem comigo. Me catou pelo braço, me enfiou dentro do ônibus, aí tinha um japonês, o japonês tava passando, assim, pra entrar no ônibus, o cara virou pra ele e falou assim, você pode passar pra ela? Aí o cara falou que podia, aí ele passou, aí ele falou assim, ela tem 20 liras e o valor da passagem era 19.

Aí ele falou assim, pode ficar com o dinheiro todo pra você, não pode? Eu falei, pode, pode. Aí ele pegou e passou pra mim o cartão de crédito e eu consegui entrar no ônibus. Senão eu tava lá até hoje. E chegou? Cheguei, tipo, no limite. Deu tempo. No limite do horário, mas deu tempo de chegar. Ainda deu tempo de eu comprar chocolate. Na The T-Food.

Mas foi esse perrengue, eu quase fiquei lá na Turquia. Quase você não me conhece. Eu estava perdida lá. Mas faz parte, né? O que você aprendeu com esse perrengue? Que eu tenho sempre que andar com dinheiro no cartão de crédito. E tem feito? Não. Como todo bom aprendizado, a gente não volta em prática. Não, não, não. O pior é que agora nem o dinheiro, né? Porque é muito raro você estar com dinheiro de papel.

Eu tô fodida mesmo, mas tá tudo bem. É isso. A gente lava uma louça lá e tá tudo certo. Mas deu certo. Chegou, o cara voltou mesmo com... Voltou, ele voltou. Eu achei que não ia voltar. Eu também, que eu tô contando, eu achei que ele não ia voltar. Eu achei que ele não ia voltar e eu fiquei... Eu juro pra você, eu sentei na praça e fiquei, ok, o que eu faço agora? Eu sento, eu choro, eu ligo pra minha mãe. Porque se eu ligasse pra minha mãe, ela não ia poder fazer nada, né?

Ela só ia ficar mais preocupada, então... Na hora que eu olhei pro lado que o cara tava voltando, eu falei...

E ele me ajudou. E tipo assim, e as pessoas têm muito preconceito, né? Principalmente com o pessoal dessas regiões, religião e etc. E ele me ajudou muito, assim. Se não fosse por ele, eu não estava aqui hoje. Então, existem pessoas boas no mundo.

E até o japonês que tava no... ele era japonês mesmo, tá gente? É... o japonês que tava no ônibus, ele foi super gente boa, me ajudou e... E me colocou pra dentro, passou o cartão sem perguntar nada e aceitou lá as 20 livras. Eu nem sei o que ele fez com aquelas 20 livras sucras, porque claramente ele tava indo embora dali, mas ele aceitou. E é isso. Mas ele te ajudou, ele ganhou. Ele ganhou ter tido você na vida dele. Oh, meu Deus!

Mas aí, se eu soubesse, eu tinha comprado no aeroporto as duas passagens de ida e de volta. Porque aí eu tava com o dinheirinho lá e eu... E já tinha resolvido, né? Mas é isso, vivendo e aprendendo. E às vezes não aprendendo. E às vezes não aprendendo. Continua com o cartão sem limite, mas tudo bem. Atenção, tripulação. Preparar para o pouso.

Amiga, de verdade, muito obrigada pela tua presença aqui hoje. Eu acho que fez uma viagem aqui muito especial. É uma sala VIP mesmo ter você aqui, porque você é VIP. Pô, meu Deus. E acho que foi uma delícia conhecer um pouco mais de ti, dessa viagem, dessa mudança que aconteceu na tua vida.

Eu adoro conversar contigo, vocês sabem, eu acho que a gente tem assim uma cinejante, a gente é quase gêmeas, assim, muitas coisas muito parecidas. E eu me identifico muito com a tua história. E foi uma delícia te ouvir, ouvir um pouco dessa tua história mais a fundo, conhecer como foi esse teu processo lá na Chapada. Eu não conheço a Chapada, sou louca pra ir lá. Então quando eu for lá, vou querer todas as suas dicas, pra entender como foi cada lugar que você visitou.

Quem é que o pessoal quiser te seguir? Qual é a tua rede social? Fala aí. Arroba Bia Saves. Vai ter muita coisa de teatro lá. E eu tenho que postar mais coisas lá. Siga. Pra gente acompanhar essa atriz, essa mulher maravilhosa. Acompanhar suas viagens também, porque você também é uma viajante. E quem sabe a gente não faz uma trip juntas, né?

inclusive a gente tem que fazer um episódio do sala VIP contando da nossa viagem pro Rio porque ela tem um monte de perrengue mas eu acho que essa viagem tem que ser um sala VIP exclusivo 18 mais amiga, obrigada de verdade, foi uma delícia te ter aqui nada, meu amor, vem cá

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