Episódios de ESA FM

#07 | Episódio 7 (com Leonardo Andreotti)

24 de abril de 202636min
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No episódio de hoje, conversamos com alguém cuja relação com o Direito começa no idealismo juvenil, atravessa escolhas difíceis, encontra propósito no esporte e se transforma em uma das carreiras mais reconhecidas na nossa Escola.

Nosso entrevistador Caique Souza recebe o advogado, professor e coordenador Leonardo Andreotti, referência no Direito Desportivo e nome profundamente ligado à ESA desde 2013.

Participantes neste episódio2
C

Caique Souza

Host
L

Leonardo Andreotti

ConvidadoAdvogado
Assuntos4
  • Carreira de Leonardo AndreottiTrajetória na ESA · Nomeação como árbitro
  • Relação com o DireitoEscolhas difíceis na carreira · Direito Desportivo · Importância do associativismo
  • Desafios da AdvocaciaDificuldades enfrentadas · Evolução pessoal e profissional
  • Impacto do Esporte no DireitoEsporte como transformação social
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No episódio de hoje, conversamos com alguém cuja relação com o direito começa no idealismo juvenil. Atravessa escolhas difíceis, encontra propósito no esporte e se transforma em uma das carreiras mais reconhecidas da nossa escola. Nosso entrevistador, Kaique Sá Pérez de Souza, recebe o advogado, professor e coordenador Leonardo Endereotti. Referência no direito esportivo e nome profundamente ligado à ESA desde 2013. Mas antes de mergulhar nessa história...

Sintonizei nessa estação para te fazer uma pergunta. Você já imaginou entender o direito a partir do cinema? É isso mesmo. Chegou a nova temporada do Cine Direito, o programa original da ESOBSP que conecta grandes obras do cinema aos temas mais relevantes do universo jurídico. Agora apresentado por mim, Hugo José Rodrigues e direção de Kaique Souza, a nova fase mergulha em um dos campos mais sensíveis do direito, o direito da família.

Em episódios que provocam reflexão, o programa analisa filmes marcantes como Central do Brasil, Que Horas Ela Volta, Ainda Estou Aqui e muitos outros, trazendo debates sobre afeto, vínculos familiares, responsabilidade e os desafios das relações contemporâneas. Com convidados especiais, cada conversa aproxima o direito da vida real, de forma sensível, profunda e necessária. The Play reflita e veja o direito por uma nova perspectiva.

Acesse o YouTube da ESO ABCP e assista a nova temporada completa. Não se esqueça da Pipoquinha, hein? Te vejo lá!

Meu nome é Leonardo Andreotti Paulo de Oliveira, muito conhecido como Leonardo Andreotti só. Sou advogado, evidentemente, atualmente coordeno a pós-graduação em direito desportivo desta casa, da Escola Superior de Advocacia de São Paulo. Aliás, atualmente, mas desde 2013. Depois, certamente, nós falaremos um pouco sobre isso.

mas sou um advogado apaixonado pela profissão, apaixonado por aquilo que eu escolhi fazer, que foi buscar a justiça e, evidentemente, aprimorar o nosso conhecimento, a nossa evolução como pessoa, como profissional. Então, eu, de forma bem genérica, evidentemente, me apresento assim. Leonardo Andréotti, advogado, advogado apaixonado pela profissão.

Então, essa temporada, a gente resumiu ela em cinco episódios, né? E aí, eu entrevistei já quatro pessoas e todo mundo fala isso sobre a advocacia. E essa temporada, em específico, a gente colocou um colaborador.

aqui da ESA, pra falar do outro ponto de vista, né? E também que é muito apaixonada, né? Pelo que faz e tal. E eu sempre comento, né? Que é muito diferente quando a gente trabalha com o que a gente ama. Parece que a vida, ela é não é tão sofrida, né? A gente faz uma coisa muito diferente, né? Eu sou muito apaixonado pelo que eu faço e tal. Tanto trabalhar com audiovisual, quanto fazer filme, escutar metragem, por aí vai.

E é tão legal quando você conversa com alguém que também tem essa paixão, esse fervor pela área que atua. E aí, para complementar, o que te devolve direito? Primeiro, obrigado e parabéns pela sua escolha e pela paixão também pela sua profissão. Eu não sei se eu estou equivocado, mas eu acho que foi Confúcio que dizia ou disse que trabalhe com aquilo que você ama porque assim você não precisará trabalhar para o resto da vida.

É uma frase impactante, não sei exatamente se a origem está correta, se essa fonte está correta, mas ela de fato simboliza muito uma felicidade profissional. Quando a pessoa é feliz com o que faz, tudo fica mais leve. É claro que o boleto chega, o trabalho existe e o trabalho é árduo, o esforço existe, a necessidade de aprimoramento existe.

então não é que é uma eterna férias mas é um trabalho prazeroso que sempre vale a pena e eu fui fazer essa introdução e acabei esquecendo a própria pergunta o que te levou ao direito?

Já tinha essa vocação, foi acaso... Perfeito. Eu, desde o primeiro momento, claro que a gente passa, principalmente nessa idade, por um grande desafio, que é a escolha daquilo que nós faremos para o resto da vida. É uma questão bastante...

inclusive pesada em termos de responsabilidade pessoal, profissional, uma escolha difícil de se fazer. Acredito, inclusive, que a gente nem está preparado para adotar esse pensamento, essa escolha.

Mas eu tive a grande felicidade de sempre, desde o início, desde o primeiro momento, me apaixonar pelo direito. Talvez por uma visão romântica do direito, ou talvez por um próprio perfil pessoal, eu sempre acreditei na justiça. Então, como todo jovem, como todo adolescente que vai evoluindo, a justiça para mim sempre foi a coisa mais bonita. Pode parecer utópico, pode parecer romântico, mas foi o que me levou.

a escolher o direito como curso, para que eu pudesse eventualmente exercer a profissão, nesse caso como advogado. Então eu diria, para ser objetivo nessa resposta, que o que me levou ao direito foi a justiça. Os caminhos foram sendo traçados de modo a me colocar em determinadas áreas do direito. Mas a justiça é o pilar dessa atuação profissional, eu diria. Quem você era quando você tomou essa decisão?

Ah, era um jovem, um jovem estudante, um jovem estudante que aspirava muitas coisas na vida. Não tinha todos os elementos para entender a complexidade de todo esse mundo. Às vezes parece que é muito cedo para a gente escolher uma área que a gente vai trabalhar para o resto da vida. É óbvio que depois a gente percebe que pode mudar, pode, né? Um jovem de 17, 18 anos é muito cedo para você saber o que você quer fazer, né?

Exato, exatamente. É muito complicado porque quando a gente tem 17 anos, a gente pensa que tem pouco tempo e que tudo tem que ser imediato. Aquela decisão é a única decisão a ser tomada na vida. E quanto mais o tempo passa, mais experiência nós vamos adquirindo.

E vamos entender, e entendendo, né, que a vida, ela, isso é muito filosófico, né, mas ela é curta e ao mesmo tempo muito longa. A gente não precisa ter pressa pra tomar as decisões, mas isso a gente adquire com o tempo. Quando a gente tá com 17 anos, a gente tem medo, a gente tem receios, a gente, nós somos humanos, né, e todo humano tem essas percepções, entusiasmo, medo, ansiedade.

E é super normal. Eu tive a grande felicidade, posso dizer assim, talvez por ignorância mesmo, talvez por falta de elementos, de não pensar muito nisso e ouvir o direito. Então eu nunca tive muita dúvida sobre essa área. Então, nesse ponto de vista, acho que eu fui muito feliz de ir.

de não ter passado por essas vicissitudes, por essas dificuldades naturais do ser humano dessa idade. Qual foi a primeira vez que você se viu como advogado? A primeira vez que eu me vi como advogado, eu acho que foi uma questão pessoal, inclusive. A minha primeira causa judicial, vou dizer assim, como patrono, como advogado,

Foi uma causa em que eu advoguei em causa própria. Uma questão envolvendo documentos, envolvendo origem familiar. E eu atuei para mim mesmo, não só para mim mesmo, mas para toda a família. E foi uma causa muito bacana, que teve, além da parte profissional, além do desafio profissional.

um resultado que trouxe uma satisfação pessoal e familiar para toda a família. Então foi um... Eu diria que ali eu me vi como advogado e orgulhoso daquilo que eu pude construir. Era o início, só o início de uma caminhada, mas foi um início que me marcou muito.

Tanto que você me pergunta e já veio isso na minha cabeça, né? Então, posso dizer que essa foi uma passagem interessante, importante, essa vida profissional, como advogado. Ganhei, ganhei. Qual foi a primeira vez que você duvidou dessa escolha?

Não me recordo de algum momento em que talvez eu tenha duvidado dessa escolha. Não me recordo. Certamente pode ter havido algum momento. A gente passa por altos e baixos.

Isso é natural da nossa vida. A gente tem momentos de alegria, de satisfação e de êxtase. Tem momentos de ansiedades, tristezas, apreensões. E eu acho que em algum momento como esse, a gente acaba se questionando mesmo. Acho que é natural do ser humano. Mas é uma pergunta difícil de ser respondida. Talvez no meio da nossa entrevista, se eu me lembrar de um fato, eu vou te trazer. Mas agora, assim, de bate o pronto.

Eu não consigo me lembrar de um momento em que eu duvidei dessa escolha que fiz para a minha vida. Eu acho que isso é muito natural. E acho que volta ali no começo do que a gente estava falando. Quando você gosta, é uma coisa que é muito difícil de explicar. Porque, por exemplo, eu vou me colocar no exemplo de exatamente... Eu sempre quis trabalhar com cinema. E aí eu me formei em programação, não tinha nada a ver.

pelo dinheiro. E lá naquela época eu me arrependi. Hoje em dia pode acontecer o que for, eu nunca abro mão, sabe? Tipo, eu faço o que eu gosto, um dia é mais estressante, outro menos, mas de resto...

Faz parte da nossa vida, né? O que talvez, e aí eu não tenho dúvida, quer dizer, não tenho dúvida de que tive dúvida, eu tenho bastante filosófico, não só sobre o direito em si, sobre a profissão advogada, mas dentro da área do direito e dentro do contexto profissional, certamente já tive dúvidas sobre a área de atuação.

Eu, quando me formei, durante os estudos, durante a faculdade, nos últimos anos, você escolhe basicamente, o sistema te impõe a escolha, e eu escolhi o direito do trabalho como foco de atuação ali no final dos estudos universitários. A prova da UAB, na época, me recordo de ter escolhido efetivamente o direito do trabalho, primeiro estágio de direito do trabalho.

Mas sempre tive, desde o início da faculdade, uma paixão, talvez seja natural, inclusive, de todo estudante de direito, pelo direito penal. Tanto que fui monitor de uma turma de direito penal na universidade, na faculdade de direito.

Então, teve momentos que a dúvida veio em termos de atuação profissional. Tendi muito para o direito penal, diante da beleza, da teoria do direito penal, mas acabei não a escolhendo. Então, fui para a área do direito do trabalho.

para a área do direito desportivo, para os contratos em geral. Então, posso dizer que alguma dúvida acerca da área de atuação, eu certamente tive. Mas da atuação em si, como advogado, na área do direito, não me recordo de ter dúvidas nesse sentido. Mas eu acho que é natural. A área do direito vai ter um leque de possibilidades muito grandes, que às vezes todo mundo, principalmente o que está começando, quer abraçar todos, quer saber um pouco de tudo e tal.

E o que mais te impressionou na área do direito? Acho que a área do direito impressiona muito pelo leque de possibilidades. São muitas as possibilidades de atuação profissional, o direito é muito amplo. Aliás, a gente começa sempre com aquela...

percepção muito comum, muito popular, no sentido de que, ainda que você não vá exercer a profissão como advogado, como um operador, um construtor desse direito, o direito é sempre útil para o cidadão. Então, seria muito importante, muito bom.

que todos os cidadãos conhecessem, ao menos minimamente, o direito. Então, o direito tem essa essência social. O cidadão precisa do direito. Então, eu diria que isso é muito interessante e isso me impacta.

E, portanto, traduz a importância dessa área, a importância do direito na vida em sociedade. Mas o meu foco aqui, em termos de o que impacta demais, é o amplo leque de atuação. No direito se pode fazer muita coisa.

principalmente nos dias de hoje, com muita informação, com inteligência artificial, com inovações. Eu acho que o direito é tão amplo que a gente ainda não se deu conta da possibilidade criativa que nós podemos ter de achar novos caminhos, de achar novas situações. Isso é infinito. Então, isso me impacta bastante.

E agora, com essa nova revolução industrial, a teoria, a inteligência artificial, a gente vai começar a ter essa perspectiva completamente diferente do que a gente já via antes. Então, tem muita coisa para... Sim, uma mudança total de paradigmas, uma mudança total.

de tudo aquilo que a gente estava acostumado a fazer, a pensar, a refletir. É preciso adaptação. Chegou o momento de adaptar-se a essa nova e grande realidade. Teve alguém que, uma pessoa que foi muito importante, mudou sua trajetória no meio jurídico?

É interessante a sua pergunta. Muitas pessoas foram, de fato, muito importantes nessa caminhada, nessa trajetória. Seria até difícil citar uma ou outra pessoa. Eu vou focar...

numa pessoa que não é do meio jurídico, que é meu avô. Meu avô sempre esteve ligado à atividade esportiva, ao esporte em geral. Uma pessoa incrível, uma pessoa que não chegou a ter uma formação concluída.

Mas, diante do seu talento, do dom que foi recebido, com muita graça, ele chegou muito longe em termos de esforço, em termos de dedicação, em termos de conquistas. Então, ele sempre esteve ligado ao esporte. E isso me trouxe, sem dúvida nenhuma,

uma base para que eu pudesse também transformar isso em atuação profissional. O esporte, além de uma grande indústria, indústria no sentido de um grande sistema organizado, com tantas possibilidades, com impactos econômicos evidentes, mas também com impactos sociais.

sempre foi um vetor de transformação social. O esporte é uma ferramenta de transformação social. O esporte é muito bonito, o fenômeno esportivo é muito bonito. E eu posso te dizer, sem dúvida nenhuma, que muitas pessoas me ajudaram na construção desse caminho profissional, mas o grande pilar...

Aquilo que talvez tenha moldado um pouco o foco da minha área de atuação em termos de sistema foi o meu avô, José Andreotti, que é evidentemente uma pessoa que eu amo muito, é um grande ídolo, sempre o tive como ídolo.

Até hoje tenho um carinho muito grande em trocar ideias com ele, em trocar informações e ouvir as boas histórias, aprender muito com ele. E ele certamente, talvez sem saber inclusive, me ajudou nessa trajetória tão bonita do direito, envolvendo aspectos econômicos, aspectos sociais.

mas sempre dentro de uma atividade esportiva, ou com foco na atividade esportiva. Sim, e até onde eu sei isso, você já tem uma carreira brilhante, muito bem consolidada, e eu queria saber o que te move hoje como advogado.

obrigado pelo elogio por esse reconhecimento que quem recebe acha que é imerecido, né? Mas é um reconhecimento que me deixa muito orgulhoso e eu te agradeço por isso. O que me move é o que sempre me moveu, né? Eu sou uma pessoa...

Eu não conheço muito signos, mas acabo reputando muita coisa ao signo, eu não sei, mas eu sou uma pessoa muito obstinada, com um senso de responsabilidade muito grande, então tudo que eu faço...

Eu tento fazer da melhor forma possível, com muita dedicação, com muito esmero. Então, o que me move é fazer as coisas certas, fazer as coisas de forma adequada, me esforçar sempre mais, porque a gente nunca está pronto. Ou, na verdade, a gente sempre acha que não está pronto, mas está. Mas sempre há espaço para aprimoramento, para evolução pessoal, profissional, acadêmica.

Então, eu diria que o que mais me move é essa vontade interna de sempre melhorar. Eu acho que esse é um ponto importante. Não vou trazer um fato que me move a seguir, senão aquilo que me faz querer ser uma pessoa melhor. Eu acho que é a evolução. A evolução como pessoa é um mote importante para que a gente possa seguir sempre. Porque não é uma caminhada fácil.

É uma caminhada desafiadora. Mas com as pessoas certas ao lado, com o pensamento correto, justo, a gente sempre vai seguir avante, adiante e chegar aonde a gente quer chegar. E aí eu gostaria de saber que momento.

a ESA cruzou o seu família. Olha, a ESA, eu sou suspeito pra falar da ESA, da UAB em geral, principalmente da ESA, porque a ESA tá na minha vida praticamente desde quando, um pouco depois da minha formação como bacharel em Direito. E foi um fato interessante, eu me recordo que quando me formei, logo me matriculei num curso de pós-graduação em Direito Contratual à época.

E me veio a oportunidade de fazer um mestrado fora do país, um mestrado na Espanha. Como todo jovem impetuoso e que não vê as dificuldades, eu simplesmente falei, eu acho que eu quero isso. Apliquei para esse mestrado, fui aceito. Quando eu fui aceito, falei, e agora, o que eu faço? Simplesmente fui, abracei essa grande oportunidade.

E como são as coisas, né? Na época, eu, na Espanha, cursando o mestrado, em uma determinada situação, veio o diretor do mestrado, era um mestrado exclusivamente espanhol, acho que eram dois estrangeiros só na turma de mestrado, eu como brasileiro e uma, hoje, grande amiga mexicana.

E chega o diretor do mestrado e o coordenador e um dos professores me chamam ali. Eu falei, nossa, tem algum problema, né? Como é que me chamaram? E ele falou, você conhece o doutor Lanfredi? Luiz Geraldo Santana Lanfredi. Eu falei, claro que eu conheço. Ele não me conhece, mas eu conheço. É um jurista fantástico. E ele, à época, era o coordenador da pós-graduação em Direito Esportivo da ESA, São Paulo.

E eles me falaram, olha, você quer conhecê-lo? Eu falei, claro que eu quero. Então nós tivemos a oportunidade de almoçar, isso foi em Barcelona. Ele estava lá, eu acho que estava concluindo o doutorado dele, inclusive.

E no almoço ele vira para mim e fala, olha, é muito prazer te conhecer, você tem um artigo pronto? Eu acho que eu nem tinha escrito um artigo ainda na vida, estava muito cru. E eu falei, olha, não tenho pronto, mas se você me der um prazo, eu posso escrever. E ele deu um prazo curto e eu escrevi porque eu vi que aquilo era a oportunidade.

E, de fato, consegui escrever, consegui mandar tempo e foi publicado numa obra coordenada por ele e por outros professores, ligados aqui à Escola Superior de Advocacia. Na época, o próprio professor Rubens Aprobato Machado.

Foi o primeiro artigo, na verdade não era um artigo, era um capítulo de um livro, o primeiro que eu publiquei na vida. Foi maravilhoso, extremamente importante, interessante. Isso foi em 2010, se eu não estiver equivocado. E a partir disso...

começa a evoluir um grau de confiança do professor coordenador Lanfred, um juiz de direito, hoje desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, que finalmente me convida a dar uma aula na pós-graduação em Direito Esportivo da ESA. Foi praticamente a minha primeira aula, a primeira aula que eu dei.

imagina a minha ansiedade imagina o grande desafio que eu tinha pela frente e principalmente porque eu não podia na minha cabeça decepcionar eu tinha a confiança depositada em mim e essa confiança precisava ser como é que se pode dizer correspondida eu dei a aula, os alunos gostaram muito, essa aula reverberou gerou outros convites é isso

Num determinado momento, eu já me colocava ali à disposição do professor Lanfred para ajudá-lo na coordenação. E ao longo do tempo, isso foi acontecendo. O professor Lanfred, que hoje é um grande amigo, me chamou para coordenar um dos módulos da pós-graduação.

E a partir daí a história foi evoluindo. A história foi evoluindo, então posso dizer que desde 2013 eu coordeno, no início com a coordenação acadêmica, ele com a coordenação executiva, eu coordeno a pós-graduação da Escola Superior de Advocacia de São Paulo. Isso me deu muito conhecimento.

porque a gente precisa se atualizar. Isso me deu muitos amigos, ex-alunos fantásticos, que hoje são grandes profissionais e grandes amigos. Isso me deu um respeito institucional extremamente importante, extremamente relevante.

Isso fez com que, dentro do mundo da ESA, eu fosse nomeado coordenador do núcleo Campinas da Escola Superior de Advocacia de São Paulo. Não é que eu saí, mas para além da coordenação do curso de pós-graduação em si.

eu fui colocado numa função administrativa, institucional, como coordenador da ESA em Campinas, onde eu resido, onde eu tenho a minha inscrição na UAB. Fiquei dois mandatos como coordenador da ESA em Campinas, depois assumi uma coordenação de um núcleo temático aqui na Escola Superior de Advocacia em São Paulo, portanto, na nossa regional, na nossa estadual.

Então eu posso dizer que o meu caminho na ESA começa lá atrás, em 2010, indiretamente, com um artigo publicado, um capítulo, depois com aulas como professor, em 2013 iniciando como coordenador. Então já se vão...

praticamente 16 anos total, mas como coordenador, na coordenação, pelo menos 13 anos de história na Escola Superior de Advocacia de São Paulo. Isso me dá uma honra e um orgulho tremendo. É algo que realmente eu sei.

que é muito especial. Sei que carrego e vou carregar sempre comigo como uma grande conquista pessoal, acadêmica, profissional, e eu só tenho a agradecer por todos os diretores que passaram pela ESA, por todos os professores, ex-alunos, e principalmente pelo professor Lanfredi, que foi quem me deu a oportunidade em primeiro lugar. Então eu sou muito grato, muito honrado, muito feliz com essa minha vida institucional na ESA de São Paulo.

Comparando com quem você era no início, com quem você é agora, qual foi a maior transformação? A transformação sempre é o amadurecimento, né? O caminho evolutivo natural é que a gente se transforma numa pessoa mais madura, numa pessoa melhor.

numa pessoa com muito mais elementos à disposição para fazer aquilo que a gente sempre quis fazer. Então, acho que a experiência traz também essa, vou dizer entre aspas, uma facilidade maior na condução dessas atividades. Mas a grande palavra em termos de transformação...

Sem dúvida nenhuma, é um grande amadurecimento. É um amadurecimento que é acadêmico, profissional, mas certamente, em primeiro lugar, um amadurecimento pessoal. Eu sou o Eric Chico Nelly Gomes, e este é um convite para você conhecer o Entre Linhas e Leis, um programa que parte de uma equitação simples.

O direito que praticamos todos os dias é suficiente para explicar a realidade que enfrentamos nos tribunais, nos escritórios e nas instituições? Ao longo dos episódios, eu dialogo com grandes obras da literatura mundial para pensar temas centrais da advocacia.

Responsabilidade, prova, memória, poder, desigualdade e violência. Não como abstrações, mas como experiências concretas que atravessam a prática jurídica. A literatura nos permite enxergar aquilo que muitas vezes escapa ao processo. Narrativas fragmentadas, traumas que não se traduzem em linguagem jurídica, decisões que parecem técnicas, mas carregam escolhas políticas profundas.

Com uma perspectiva crítica, o programa mostra que o direito não é neutro nem está pronto. Ele é construído historicamente, disputado socialmente e constantemente tensionado na prática da advocacia. Se você atua no direito e quer ampliar seu repertório para além dos manuais, fica o convite. O Entre Linhas e Leis é um espaço de reflexão acessível, mas rigorosa, sobre o papel do direito no mundo contemporâneo.

O que você diria para quem está começando agora uma jornada? Olha, para quem está iniciando, primeiro não ter pressa, né? Não precisa ter pressa. Tem muita água para rolar. O campo de atuação é muito amplo. A gente precisa conhecer muito essa amplitude.

para poder tomar a melhor decisão, são grandes oportunidades. Mas diante de tudo isso, se eu pudesse dizer a alguém que estivesse começando, eu diria que as dificuldades vão existir e elas vão chegar. O mundo é desafiador, a sociedade é desafiadora, aliás, cada vez mais.

mas a gente precisa perseverar. A gente precisa primeiro confiar na gente mesmo. A gente confia na gente mesmo e a gente persevera. A gente vai superando os obstáculos, superando os desafios e sempre em mente a ideia de que nós...

Estamos prontos, não precisamos chegar a um determinado ponto para começarmos. Eu acho que isso é um grande diferencial. Mas, apesar de estarmos prontos para muitas situações, nós podemos sempre melhorar.

acho que isso casa muito com o momento de vida que eu estou. Concluí recentemente um doutorado em Direito do Trabalho na Universidade de Roma, na Sapienza, e que foi uma... Eu diria que o fechamento de um ciclo...

Mas claro, não como ponto de chegada, mas muito como ponto de partida. Hoje a gente ainda fala em ponto de partida, porque o conhecimento, os estudos, a atuação, não tem fim. A gente está em constante transformação, a gente está em constante evolução.

Então eu pego este fato pessoal, este gancho, para dizer que muita coisa ainda nos espera. A gente não precisa ter ansiedade, a gente precisa trabalhar, a gente precisa fazer a nossa parte, porque as oportunidades vão acontecer. Eu, recentemente, isso foi em 2023...

Tive talvez uma das maiores honras da vida, que foi a minha nomeação como árbitro brasileiro da corte arbitral do esporte na Suíça. Hoje somos cinco brasileiros, são cinco brasileiros árbitros da corte arbitral do esporte, uma corte criada em 1984.

pelo Comitê Olímpico Internacional, uma corte que posso dizer é a jurisdição esportiva global, responsável, competente para a solução de controvérsias esportivas, sejam elas laborais, trabalhistas, contratuais em geral, disciplinares, éticas, de forma definitiva no mundo todo e dentro de todo o sistema. Então, muitas vezes...

Questões oriundas da Copa do Mundo de futebol, por exemplo, dos próprios Jogos Olímpicos, de tantas outras competições, contratos milionários de atletas, transferências de atletas, controvérsias que surgem entre atletas, clubes, atletas empresários, os agentes FIFA, enfim, é o tribunal por natureza competente, com jurisdição, portanto...

para a resolução desses tipos de controvérsia. Então, é uma questão extremamente relevante, é daquelas situações que quando você consegue chegar, você fala, nossa, que honra, que orgulho pessoal. Então, eu pego esses dois fatos, que são os mais recentes. A nomeação ao Tribunal Arbitral do Esporte.

de Lausanne, na Suíça, e o doutorado em Direito do Trabalho pela Universidade de Roma, na La Sapienza, para dizer, aquele que está começando...

Calma, tem muita água pra rolar, tem muito chão. Faça a sua parte, persevere, os desafios virão, precisam ser superados. E ponto. A gente precisa trabalhar. Deixa o universo ajudar também. E o universo ajuda quem trabalha, quem busca. Se você pudesse definir a sua vida na advocacia em uma palavra, qual seria e por quê?

Mas a advocacia é praticamente um modo de vida, porque quando você escolhe a advocacia, você escolhe defender, você escolhe falar por alguém, você escolhe falar no lugar daquela pessoa que não pode falar.

aquele que não tem voz. Acho que Fábio Maris de Oliveira tem uma frase muito interessante, muito importante, que impacta muito nesse sentido. Que o advogado, ele fala por aquele que não tem voz. E a advocacia é isso. A advocacia ela, eu diria que me foge agora a palavra, mas é um modo de vida. É um modo de vida. É uma escolha. É uma escolha muito nobre.

porque tem gente que precisa, a sociedade precisa. Não à toa o advogado exerce uma função extremamente relevante, indispensável à administração da justiça, e que basicamente ela é uma atividade de relevante interesse público. Tanto que é talvez a única profissão mencionada na Constituição da República Federativa do Brasil.

A Constituição Federal só traz uma profissão, além daquelas de Estado, que é a advocacia. Então, eu diria que a advocacia é um modo de vida, é uma escolha, mas basicamente é um sistema.

Então, se você me pede uma palavra para descrever essa minha atuação e essa minha vinculação com a advocacia, eu diria que, para além da escolha em si, eu diria que ela está muito ligada ao que nós podemos fazer dentro dessa classe. E aí eu estou falando de associativismo.

Estou te falando de interação institucional, de participação. E eu tenho essa grande honra também, essa grande alegria de sempre ter participado da UAB. Não só no âmbito da ESA, que aí a história a gente já contou, mas em comissões. Já fui presidente de comissão da Subsessão de Campinas da UAB por dois mandatos. Já, evidentemente, membro de comissões no âmbito da seccional paulista.

da OAB, já tive a oportunidade de ser secretário-geral adjunto de uma comissão no âmbito do Conselho Federal da OAB. Então, esse associativismo move, porque nós precisamos ter pessoas que reconheçam a importância da classe, da advocacia, da OAB. O que a OAB, o que a advocacia pode fazer?

por todos os advogados e por todas as advogadas. Porque pensar dessa forma, e aí é uma opinião minha, é pensar que o associativismo fortalece a advocacia, que por sua vez defende aquele que precisa ser defendido. Então é um grande ciclo, por isso que eu disse, é difícil responder uma palavra, mas eu diria que a advocacia é um modo de viver, é uma escolha.

Mas muito importante que nós tenhamos em mente a importância do associativismo, da participação, da interação institucional, porque a advocacia é muito importante para a sociedade. A história de Leonardo Anderotti nos lembra que o direito é caminho, vocação e escolha, mas também é construção, oportunidade e amadurecimento. Que a justiça pode nascer de um ideal romântico e se tornar projeto de vida.

e que quando alguém encontra sua voz, passa a falar pelas vozes que não são ouvidas. Obrigado por sintonizar com a gente. Até a próxima frequência. ESFL. A estação das histórias que importam.