Episódio 65 - O abuso deixa marcas profundas
O abuso narcisista não termina quando a relação acaba. As consequências podem permanecer por muito tempo, afetando a autoestima, a confiança, a percepção da realidade e até a saúde física. Neste episódio, você vai entender por que essas marcas são tão profundas e, principalmente, como é possível iniciar um processo de recuperação baseado em conhecimento, validação e reconstrução de si.
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- Narcisismo parental· SociedadeImpacto na autoestima·Perda da autoconfiança·Reações físicas
- Trauma e Comportamento· SaudeCompreensão e nomeação do abuso·Estudo sobre narcisismo·Terapia com profissional·Reconstrução de limites·Ir além da identidade de sobrevivente·Liberação de energia para vida plena
O abuso deixa marcas profundas, e reconhecer isso é o primeiro passo para você não minimizar o que você viveu, seja um trauma na família, né, ou foi construído em alguma relação afetiva ou profissional. O impacto é real e é o mesmo, ele vai afetar a tua autoestima, mesmo porque o primeiro lugar que esse povo se instala Porque uma pessoa com uma autoestima muito boa dá trabalho para eles. Eles precisam quebrar a tua autoestima para que você se torne submisso, para que você se torne dependente.
A percepção de si vai embora, a capacidade de confiar em si e nos outros, até o modo como o seu corpo reage ao mundo. Mas a cura, obviamente, graças a Deus, é possível, né? O trauma é um ponto de partida e não de chegada. No início da recuperação é natural, né, e necessário que o trauma ocupe o centro. Compreender o que aconteceu, nomear, dar nome a esse abuso, estudar narcisismo, fazer terapia com profissional sempre que estuda e trabalha com isso, reconstruir seus limites, aprender a se proteger, tudo isso faz parte de uma fase essencial e inicial.
Sem não tem base segura para continuar. Mas isso significa que ir além, precisamos ir além da identidade que o trauma deixou, né? Então a gente precisa perceber quando a vida começa a se organizar em torno do que aconteceu, ou em torno da necessidade constante de se defender do que aconteceu, e não mais em torno de quem se é e de como se deseja viver. É uma distinção sutil, mas ela é profunda. Muitas pessoas que passaram por esse abuso chegam a um ponto em que se definem acima de tudo como sobreviventes.
Ok, isso realmente tem valor. Reconhecer a própria resiliência é muito importante, mas há um momento em que essa identidade pode se tornar uma prisão. Quando tudo é filtrado por essa lente do trauma. Os relacionamentos, as intenções do outro, as próprias reações. A pessoa continua de certa forma organizada em torno de um abusador que não tá mais presente, ele já foi, já acabou, mas ele ainda ocupa um lugar no centro. Ele ainda, você ainda dá importância para ele, você ainda ressuscita ele nessa casa, nessa relação.
Então a vigilância continua, o corpo continua em alerta, a vida segue sendo uma resposta ao passado. Não é uma fraqueza, é o funcionamento natural de um sistema nervoso que aprendeu a sobreviver. Mas é possível ir além disso. Em um estágio mais profundo dessa recuperação, algo começa a mudar. A pessoa deixa de ser alguém ferido pelo narcisismo e passa a ser alguém que passou por isso, aprendeu com isso, Mas é muito mais que isso.
A energia antes que era investida em vigilância, sobrevivência e defesa começa a se libertar. E essa energia vai para outro lugar, para vínculos seguros, para alegria, para propósito, para criatividade, para espiritualidade, que é de extrema importância, para o simples prazer de viver sem estar constantemente esperando o próximo golpe. Então, o sinal mais profundo de cura não é a ausência da dor nem o esquecimento do que aconteceu, porque a gente tem memória.
É quando a vida deixa de ser reação do passado e volta a ser expressão autêntica de você mesmo. Quando você acorda pensando no que quer construir e não no que precisa evitar. Quando confia em si o suficiente para ouvir seus próprios desejos. Quando a presença do outro não ativa automaticamente mais o seu modo de alerta. Quando você reconhece não como uma vítima mais, nem como sobrevivente, mas como simplesmente como você. Essa superação, ela não é privilégio de poucos, não depende de ter tido uma infância perfeita, nem de nunca ter sido ferido fundamente.
Fundamentalmente é ótimo. Acabei de inventar essa palavra. Ela está disponível para qualquer pessoa que esteja disposta a atravessar o processo com paciência, com apoio, com rede de apoio. Não se esqueça disso. Com a coragem de acreditar que existe vida plena. Sim senhor, sim senhora, depois do trauma. E é por isso que eu trabalho com isso. Porque eu sei o que acontece depois. No fim do arco-íris tem aquele potinho de moedinha de ouro, lembra?
Ele existe, é real. Existe vida muito boa. Aliás, o que eu ouço de todo mundo, de qualquer paciente meu, é: tudo que estava atravancado durante a relação de abuso, seja ela qual for, se solta completamente e se realiza plenamente quando você sai do abuso. Então imagina a vida que você tá perdendo enquanto você tá aí chafurdado na lama. Esse lugar não é mais seu, ele não te pertence mais. Saiba que dá para sair. Tem um processo, tem um processo como tudo na vida, mas que eu te digo que você sai e vai ser muito feliz. Ah, isso sai!