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Episódio 66 - O que acontece no seu cérebro durante a relação de abuso?

07 de agosto de 20269min
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O que acontece no cérebro durante uma relação abusiva?
Durante uma relação abusiva, o cérebro entra em estado constante de alerta. O estresse prolongado altera o funcionamento de áreas responsáveis pelas emoções, memória e tomada de decisões, tornando mais difícil enxergar a realidade e romper o vínculo. Neste episódio, você vai entender como o abuso afeta o cérebro e por que a recuperação exige muito mais do que apenas "ter força de vontade".
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Assuntos3
  • Sinais de Abuso· SociedadeAmígdala hiperativada·Hipocampo danificado·Córtex pré-frontal desligado·Cortisol e adrenalina·Gaslighting
  • Trauma e Comportamento· SaudeCiclos de tensão, explosão e lua de mel·Picos de dopamina e ocitocina·Síndrome de abstinência
  • Neuroplasticidade e ApegoNeuroplasticidade·Contato zero·Documentação de abusos·Busca por ajuda profissional
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
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As pessoas costumam achar que vai ser muito ruim quando terminar com eles, né? Que eu termino, meu Deus, ó Senhor! Então, o problema é que normalmente o ruim de tudo mesmo acontece durante, não depois. Até em relação ao seu organismo, ao seu cérebro, o problema é durante. Porque o abuso, ele não é só uma questão que vai mexer com o seu emocional, ele é biológico. Então tem muita gente que julga as vítimas, né, dizendo que, né, porque perguntando, né, mas por que que não saiu disso antes?

Não foi simplesmente embora, né? Porque pouca gente, quase ninguém entende, é que abuso psicológico constante altera fisicamente a estrutura e a química do seu cérebro. O trauma, ele sequestra a sua biologia e coloca em um modo de sobrevivência extremo. Então não é uma falta de vontade, é uma resposta neurológica ao perigo que você tá vivendo. Então vamos pensar na amígdala. Amígdala não da garganta, amígdala a gente também tem no cérebro, é como se fosse o tamanho de uma castanha, de uma noz.

E é ela, aliás, que aparece, não aparece, né, nas ressonâncias funcionais para psicopata, né. Então nós temos uma amígdala bonitinha, eles têm como aparece no exame como se fosse uma uva passa. Pessoas que estão em alerta constante dentro de uma relação de abuso Tem uma amígdala inflamada, né, porque ela é, ela é a central de detecção de ameaça, tá, do seu cérebro. Então, num relacionamento abusivo onde você passa por grito, humilhação, manipulação o tempo inteiro, como eu falei, ela fica hiperativada.

Então o cérebro entende que você está sob ataque 24 horas por dia. E o que que acontece? O corpo, ele é inundado por cortisol, por adrenalina, que vai te causar uma ansiedade que vai virar crônica, insônia, taquicardia e exaustão física, porque o organismo não aguenta isso. O alarme, ele não desliga. Aí a gente tem um trocinho que chama hipocampo, que ele é, ele é o arquivo de memórias. Tá bom? No caso da vítima de abuso, esse arquivo tá danificado.

Ele é responsável por processar as memórias e todo aprendizado que você tem. O excesso prolongado do cortisol, que é o hormônio do estresse, que é tóxico para essa região, fazendo com que o hipocampo literalmente encolhe. Então é por isso que as vítimas de abuso frequentemente têm brancos, esquecem detalhes das agressões, ou sentem uma profunda confusão mental. O efeito do gaslight em relação ao cérebro também é um absurdo. Então, quando você vê o abusador negando a realidade— não, mas isso nunca aconteceu, você que entendeu errado, está ficando maluca— ele se aproveita exatamente dessa falha de memória causada pelo estresse no hipocampo para fazer o gaslight.

Então a vítima, com o cérebro já muito sobrecarregado, começa a duvidar da própria sanidade e percepção e torna mais dependente da versão do outro, né? A versão do outro passa a ser a realidade, porque ela percebe que ela não pode acreditar nela, afinal ela tá com problema. Outro lugarzinho no seu cérebro que se chama córtex pré-frontal, aqui na frente, tá? É o centro de decisões. No caso de quem é vítima, tá desligado, viu? Não tá ligado.

É a área do cérebro que é responsável pelo seu pensamento lógico, planejamento futuro, tomada de decisões. Quando você tá sob estresse extremo, né, em relação ao trauma, o cérebro desliga para sobreviver. Você entendeu? Então planejar uma fuga ou organizar finanças, decidir se vai terminar a relação ou não, é paralisante, porque aquela área tá tão sobrecarregada que ela desliga. Então você não consegue pensar. O vínculo traumático nas relações de abuso Elas operam em ciclos: tensão, explosão.

Aí lembra a lua de mel? Tensão, explosão, lua de mel. Então essa montanha-russa, ela vai criar picos e quedas drásticas de dopamina e ocitocina. Então o cérebro, ele se vicia nesse, nessa gangorra, nessa química caótica. Então o abusador se torna a fonte de terror E a única fonte de alívio, entendeu o problema? É, então quando eu falo que a síndrome de abstinência ela é real, ela é real, porque devido ao vício criado por vínculo com essa pessoa, tentar sair dessa relação gera sintomas reais semelhantes ao que eu sempre falo do dependente químico que tá tentando parar de usar droga.

No seu caso, a droga tem nome e sobrenome. A dor física, o desespero, a fissura para voltar não é amor, são reações biológicas de um cérebro que tá completamente desregulado buscando uma dose de dopamina, né? Então as pessoas constantemente falam, né? Ah, eu amo essa pessoa, eu amo essa pessoa, é amor, eu gosto muito dele. Não é nada disso. Eu sempre falo, não, não é nada disso. É outro nome que a gente dá para isso, né? É abstinência, né?

Não é amor. O amor acabou faz muito tempo. A boa notícia é que o cérebro possui uma coisinha maravilhosa que se chama neuroplasticidade, que é a capacidade de se curar, criar novas conexões, as sinapses, que são lindas de se ver, e voltar ao normal. Mas isso só acontece quando o corpo entende que tá seguro realmente. Então, por exemplo, se você consegue, pode fazer o contato zero, maravilhoso, porque não é só uma medida de segurança física, é o detox necessário para que a química do seu cérebro fique ok, se estabilize, né?

Então, se você se identificou, então vamos lá. Quebre o silêncio, fale com alguém de confiança. O segredo protege o abusador, silêncio não. Tem que abrir a boca. Documente tudo, anote os abusos para combater essa confusão mental. Eu tenho uma, tive uma paciente que ela disse para mim o seguinte: que durante que ela tava casada, e foi um ano só de casamento, graças a Deus, ela anotava tudo que acontecia dia a dia. Tudo, tudo, tudo, tudo.

E foi exatamente anotar tudo que fez com que ela entendesse que aquilo era real, não era coisa da cabeça dela. E foi isso que fez ela terminar essa relação. E documente caso também precise de provas para advogado. Se precisar de gravações, fotos, mantenha tudo guardado. Planeje tudo em silêncio. Não anuncia que vai sair, gente. Reúna os documentos para tua segurança, tá? Busca ajuda, um advogado. Eu sempre falo para quem tem que encontrar um advogado, e tem muito hoje em dia que entenda de abuso, para entender também o que você tá falando.

Terapia, psiquiatra, se for o caso, que também precisa entender. Profissionais que vão ser a sua rede de apoio e que vão dar documentos para o advogado poder ajudar também no processo. Né? Então, gente, a coisa é muito pior do que você imagina. É por isso que eu falo, as pessoas, elas vão para terapia, elas abandonam do nada, sabe? Mal começam, terminam. Elas banalizam, sabe, o cérebro, que elas não têm noção do quanto tá ferrado.

Então é por isso que eu sempre falo, gente, o negócio é sério. Você precisa realmente se cuidar e se tratar. Sabe? Então, por favor, faça terapia, né? Faça, busque ajuda, se trate para poder sair disso, porque você vai sair, mas infelizmente sozinha é muito mais difícil.

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