Fala Barato Pergunta: o que acha do novo aumento de combustível?
Alice Rissolo
Aloysio Folgado
Felícia Fidal
Gualdino Palhares
- Averiguação de reajustes de combustíveisImpacto nos consumidores · Responsabilidade das petrolíferas e governo · Alternativas ao combustível fóssil · Adaptação a novas rotinas
- Experiência do PassageiroComparativo Angola vs. Portugal · Uso de burro como transporte · Ciclismo como alternativa de transporte · Investimento em criptomoeda
E a pergunta de hoje é O que acha do novo aumento de combustível?
Felícia Fidal, trabalho na administração de serviço e queria aproveitar para pedir. Calma aos clientes. Eu tenho de ser insultada de tudo, mas eu não ganho nada com os aumentos. Quero insultar, insultem o patrão. É que insultam-me quando sobe e quando descem. Sobe oito cêntimos? Aí, é um chorrilho de nomes. Baixa um cêntimo? Um bem é pior. É sempre isso que acontece. Até porque...
Para subir é aos 8 e 10 cêntimos de uma vez. Para baixar já é um cêntimo. Agora os insultos são iguais. Alguém tem que ver isto. Tenho sido muito maltratada e insultada. Se era para isto, eu ia para a árbitro de futebol e ao menos ouvia. Mas também andava de cutremido sempre a viajar. É diferente, não é?
Gualdino Palhares reformado a Lisnave. Eu em Angola pagava mais por um litro de água do que por cinco litros de gás de óleo. Era um país formidável. Agora aqui é tudo a gamar. Quem enche os bolsos com estes aumentos são as petrolíferas e o governo.
E nós temos de aguentar. Eu já vendi o meu carro, o meu pá para reformas. Não tenho dinheiro para alimentar golosos. Agora vou para todo lado a pé. Quer dizer, vou de andarilho. Tudo na vida é uma questão de hábito. Estou a fazer uma média de quatro horas para ir comprar pão à merceria do indiano do meu bairro. De carro eram três minutos. Mas um pão ficava-me a 15 euros em gás óleo. Não vou alimentar golosos, já disse.
Alice Rissolo, sou cenógrafa e vegana. Eu acho que todos devíamos procurar alternativas ao combustível de fóssil. Eu troquei o meu Renault Twingo pelo Barreto. O Barreto é um burro de uma espécie de extinção e que me leva a todo lado sem gastar combustível.
Para além da palha e da água, embora nas subidas eu tenha pena dele e geralmente desmonto o barreto. Aliás, houve ocasiões em que fui eu a levar o barreto às costas. Temos de ter empatia pelos animais e metermos num lugar deles. É por isso que já duas ou três vezes almocei palha e um balde de água para sentir o que o barreto sente. E não é mau.
Primeiro estranhas, depois entranhas. Entranhas até mais nas gengivas. Tenho que lavar os dentes com escova de arame. Mas tudo bem, faço parte. Saravá e saudinha da boa.
Aloysio Folgado, sou ciclista e gerente do Monte Pio. Eu sou dos comendos, estou a sofrer com estes aumentos, porque eu passei a ir de bicola para o banco, que era algo que já me tinha ocorrido antes. Tenho só uma camisa e um blazer num cabide, lá no banco, para vestir quando, pronto, quando chego ao serviço. Mas da cintura para baixo eu até fico de calções, líquido e tênis, porque não se vê com a secretária. Depois, no fim do expediente, pendura então o fato de ir à camisa e aí
meto a camisola do ciclismo e vou para casa na bisga sem gastar um tostão. Aliás, este dinheiro que eu poupo estou a investi-lo em criptomoeda e se as coisas me correrem bem, em 2054 eu compro o banco e já não preciso trabalhar mais. Acho que estou a pensar bem ou não.