devaneios e desabafos #2
Transcrição Automática:
Hoje é sexta-feira. Sexta passada eu publiquei aqui a variante do catálogo de desabafos. E eu gostei particularmente do resultado. Eu não fiz nada, na verdade, eu só abri o microfone e comecei a falar. Depois eu usei um programinha de pós-edição, só para tirar uns barulhos que ficaram, porque essa foi um aprendizado da semana passada.
Que eu só comecei a gravar, como eu falei, né, eu pluguei o microfone e gravei lá no Substack, direto na página e depois quando eu fui ouvir tinha uns estalos no meio da gravação, aí eu falei, ah, não vou jogar isso aqui fora, né.
Daí eu consegui passar nessa edição e tirar os negocinhos, aí ficou com alguns probleminhas. Mas hoje eu acho que eu estou um pouco mais esperto, uma semana depois um homem um pouco mais inteligente e pude voltar aqui agora gravando no gravador do próprio computador antes de colocar
no Substack e acredito que isso vai ser suficiente para resolver qualquer problema. Mas voltando ao episódio em si, é uma gravação despretensiosa, não tem um grande trabalho de edição, e isso me anima a vir aqui só para falar. Eu gosto de escrever, como vocês sabem,
o Substack vem da ideia de escrever, mas tanto quanto escrever eu gosto de escrever. Eu gosto de falar também, porque às vezes é falando que algumas ideias surgem, né? Ou pelo menos que você tem um princípio de aprofundamento nos textos, né? Ou nas ideias e tudo mais.
Veio agora a notificação do WhatsApp no computador, isso me distraiu por um segundo, mas já foi. Enquanto isso eu mutei, provavelmente vocês vão ouvir o barulho do clique aí também. Então, falar também é legal, porque o texto tem um comprometimento mais de esclarecimento, né? Não que realmente tenha,
você pode escrever um texto só e ir colocando uma palavra depois da outra, né? E ver como as ideias se formam e tudo mais. Mas, na média, você tem um carinho um pouco maior de expressar uma ideia de forma mais clara, né? Então falar é muito importante, além de ler, é claro, ler também é muito importante.
E daí, para hoje, não tenho ideias muito mais aprofundadas para discutir. Mas daí eu queria falar de outros dois tópicos ou três, dependendo da divisão. Eu vou começar pelo que está na minha cabeça imediatamente. Essa semana eu publiquei um texto e o nome dele é Que Fazer. E esse texto,
ele explica um pouco essa ideia que eu estou falando mais aqui no começo a respeito de você deixar rolar para a ideia aprofundar. Eu comecei a escrever ele sem saber o que eu queria escrever, mas tava chovendo e eu queria fazer alguma coisa em cima disso,
da ideia de eu estar em casa e observando a chuva e com o tempo pra observar a chuva. E daí eu fui enfileirando as ideias e fui colocando as palavras, aí eu pensei num objeto ali que seria o mistério do texto, que eu iria trabalhar em cima dele e tal.
Claro que eu falando assim parece que teve um grande trabalho de planejamento e tudo mais, mas não, foi só eu fui colocando palavras e aí o que foi parecendo interessante para mim eu fui colocando. E daí sobre essa ideia da chuva eu fiquei pensando no momento atual meu também, sobre o próprio episódio da sexta-feira passada,
sobre essa coisa de buscar sentido que a gente está fazendo. E a ideia de estar confortável no mesmo lugar, e saiu esse texto Que Fazer, que eu uso esse elemento de um ponto de luz, um ponto branco no meio do quintal que me chama a atenção, mas eu não vou até ele porque está chovendo.
E daí eu queria fazer algumas considerações sobre isso, que é... No final eu gostei do resultado, né? Como eu falei, ele nasceu meio do nada. Mas o que é mais interessante pra mim é que essa ideia do ponto branco no quintal, no meio do verde, vem por causa da gatinha, né?
Da luz que a gente tá cuidando dela essa semana, que ela tá com umas feridinhas na orelha, um gatinho branco pequeno. Até ela tava brincando, né, que ela com aquele colar de proteção fica parecendo uma luminária, então o gato-luz se tornou gato-luminária. Mas é porque é muito comum ela tá no quintal e é fácil de ver ela,
porque ela é branquinha, né, então você vê no meio do quintal bem... Daí eu pensei nessa imagem, ela nem tava no quintal nem nada, mas eu pensei nessa imagem. E daí a partir dessa ideia do gato luz, eu pensei da luz no quintal e tal. Então assim, essa associação de ideias é uma coisa interessante pra escrever, né?
Porque você pensa numa coisa e do nada já é uma outra, assim. E as ideias saem mais ou menos daí, né? Esse texto, o que fazer, ele vem numa linha mais de como eu escrevia antes no Medium e em outras plataformas, ou quando eu escrevo só pra mim.
Que é essa coisa de ter um fundo mais caótico, assim, menos claro, né? Não é uma coisa tão explicativa, não é um texto tão desenvolvido assim pro outro, assim. Ele parte mais de mim e pra mim, assim. E eu ainda acho que eu fiz um trabalho ok nesse sentido de conseguir ser uma coisa...
Que outras pessoas conseguem relacionar com outros temas e tudo mais. Então eu acho que funcionou assim. Mas eu acabei falando dessa ideia do texto. Porque é justamente essa ideia de vir falar aqui e começar a divagar sobre ideias que às vezes se tornam coisas que podem ser uma boa produção depois, sabe?
Você pode associar com uma outra coisa e acabar criando alguma coisa a partir disso. E o outro tópico que eu ia falar é que Que eu já falei, aliás, eu também queria complementar a ideia da leitura, né? Ler também me traz muitos elementos, né?
Sempre me traz alguma coisa ou outra, assim, que me dá vontade de escrever sobre. Essa semana, ontem, inclusive, eu terminei de ler O Santo de Casa, né? Do Stefano, Stefano Volpe, eu acho que é assim o nome dele. Nunca me lembro exatamente como pronuncia o nome. Desculpe se eu estiver falando errado aí aos fãs.
E eu gostei do livro, né? Eu acho que ele tem um jeito muito... Uma voz muito pessoal de como escrever, a estilística de usar a pontuação a favor dele ou não usar a pontuação a favor dele, não usar letras maiúsculas às vezes, intercalar o pensamento do narrador com o pensamento do personagem, a fala e entrar no personagem,
são vários personagens de uma família, e sair e voltar. Então acho que ele faz de uma forma muito objetiva e crua, que dá uma atmosfera para o livro muito interessante, especificamente no que diz respeito à crueza do ambiente. Mas aí eu estou falando do livro justamente por conta que... Acho que uma passagem específica,
na verdade mais de uma, acho que tiveram duas, mas agora só consigo lembrar de uma, me trouxeram ideias para texto, que em algum momento do livro ele está falando sobre a figura opressora do pai dele dentro de casa, o livro vai girar em torno disso, aliás,
do velório do pai e tudo que ele fez ou deixou de fazer e como ele se figura para a mãe e para os três filhos, né? E daí em uma passagem ele tá falando sobre a questão das cadeiras na mesa de jantar, né?
Que o irmão mais velho se senta na cadeira lá pra comer e depois ele dá um pulo de susto porque ele sentou na cadeira do pai, né? Claro que aí você pode fazer uma ideia de discussão da ideia do filho mais velho, o homem, tomar o lugar do pai, né? Se ver no lugar do pai.
Mas o que me chamou a atenção não foi isso, mas essa ideia da hierarquia das cadeiras, né? Que, claro, a gente vê essa coisa da hierarquia das cadeiras nas empresas muito claramente, né? Normalmente, quanto mais alto o cargo, mais legalzinha a cadeira e tal. Mas dentro de casa eu lembro que eu mesmo tinha um pouco essa questão.
Especialmente na casa da frente, na casa da minha avó, quando a gente morava tudo junto ali. Que meu pai sempre sentava na mesma cadeira. Então pra mim aquela cadeira era meio proibida. Ela era uma coisa meio tipo, não, ali eu não posso sentar. E essa cadeira especificamente não me pertence.
Ainda que sentar nas outras cadeiras não fosse um pouco mais confortável. Claro, eu tinha a minha, que aquela ali é o lugar onde eu sentaria sempre. Mas tinha as outras cadeiras ali que se por acaso eu viesse a sentar não seria um grande problema, com exceção essa do meu pai, né?
Depois que a gente veio morar aqui na parte dos fundos da casa, essa dinâmica continuou um pouco. Tinha uma cadeira que era especificamente a do meu pai, que coincidentemente é a de frente pra TV, né? E coincidentemente, aqui eu tô sendo irônico, né?
Mas depois que meus pais divorciaram e meu pai saiu de casa, se esvaziou essa simbologia, sabe? E daí lendo esse texto eu fiquei pensando nisso, como essa ideia tinha se dissolvido sem que eu percebesse. Como agora era possível eu sentar em qualquer uma das cadeiras, como não fazia diferença nenhuma as cadeiras, como nunca fez diferença alguma, sabe?
E isso eu acho que é uma coisa muito comum nos lares, pelo menos brasileiros, né? Não sei, no mundo afora, de ter essa coisa, dessa cadeira ser de alguém, né? Se bem que eu acho que é assim também, né? Porque a gente tá pelo menos acostumado a ver em séries,
em filmes, esse padrão da família sempre se reunindo, jantando. E sempre estando nas mesmas posições, né? E aqui abre uma margem de possibilidade de discussão sobre essa coisa da alternância dos papéis, dos papéis muito fixos dentro de uma família e como isso é complexo de um ponto de vista psicológico, né? É uma figuração, né?
É uma coisa objetiva, prática, mas que tem muito significado, né? Que é tipo você fazendo as pessoas sempre sentarem no mesmo lugar, você condiciona elas àquele papel, né? E você até impede que elas entrem No ponto de vista do outro, né? Dentro da própria família. Mas enfim, não sou psicólogo, não tenho competência pra discutir esses termos.
Mas eu fiquei pensando muito nessa ideia, né? Dessa dissolução de hierarquias dentro de casa depois que meu pai saiu. Então assim, um livro bem interessante, vale a pena a leitura. É um livro um pouco pesado, sim. Mas ele é muito fácil de ler. Então valeu a pena. Eu não vou me aprofundar mais nessas questões de leitura,
mas era isso que eu queria dizer afinal, que falar, ler, associar é sempre um campo muito fértil para produzir. E daí o outro aspecto que eu queria falar é que aqui perto de casa, eu moro em Suzano e eu moro já perto de Itacoa e está tendo as obras ali da Alça do Rodoanel. E agora há pouco,
Quando eu comecei a gravar, inclusive, eu tava ouvindo um barulho que tem me incomodado já tem um tempo. Eu consegui gravar com o celular esse barulho, mas eu não sei se esse microfone que eu tô gravando agora conseguiu pegar. Mas assim, eu conversei até com a minha mãe sobre isso porque é um barulho
que afeta aparentemente a todo mundo, mas aquelas coisas que entram no seu cotidiano e você finge que não tá, né? E o barulho assim, é como se tivesse, como se fosse uma batida de estaca, só que uma estaca de metal, então ela ressoa, né? Eu vou tentar inserir o áudio,
tô com um pouco de preguiça, mas eu vou tentar inserir o áudio pra vocês ouvirem. E agora há pouco, né, quando eu comecei a gravar eu tava fazendo esse barulho. E esse barulho, ele é muito invasor, assim, ele não é alto a ponto de incomodar assim, tipo, ah, não vou dormir porque tá tendo esse barulho, né?
Tipo, não é um pancadão, um carro de funk estralando. Mas ele tem esse som que é contínuo, que assim, ele bate, né, como se fosse uma batida de um martelo numa estrutura de ferro mesmo, assim. Tem esse barulho da batida, mas ele ressoa, ressoa o metálico, sabe, no ar, assim. E isso dá uma má impressão terrível, tipo...
Porque, pelo menos eu, né, deve ter outras referências melhores, mas quando eu escuto eu penso na música do Avenged, do Hail to the King, né, que eles usam esse barulho, assim, meio de forja, né, que é o barulho da batida, assim, no metal quente, né. E esse barulho, ele tem uma coisa meio satânica, meio infernal, assim, sabe?
Como se fosse um portal, um portal do inferno abrindo, assim, na puta que o pariu, sabe? Um negócio, tá muito longe o som, assim, longe e relativo, né? Mas o som parece longe, só que ele transmite essa impressão, assim, tenebrosa, né? E o som é uma coisa que invade muito a nossa vida,
assim, e tem alguns sons que mais, outros que menos, né? Não sei se o microfone tá pegando, mas aqui perto de casa tem muitos pássaros também, então é um som que também tá sempre aqui, mas esse é um som agradável, né? Te traz uma ideia de... De um lugar bom, de um lugar tranquilo, né?
Você ouvir os pássaros cantar e tal. É harmônico. Agora, esses barulhos de construção, de maquinário, né? Eles são muito incômodos. Enfim, quem mora mais na cidade de São Paulo sabe melhor do que ninguém o problema do som, né? Enfim, esse barulho da construção, ele se tornou tão esquisito pra mim...
E especialmente por isso que eu fui falar com a minha mãe sobre ele, porque em algum momento eu comecei a achar que eu tava alucinando, que esse barulho não existia, era alguma coisa na minha cabeça, porque era todo dia no mesmo horário, não era um horário assim comum de trabalho,
era horário da noite, era sete da noite, oito da noite. E eu comecei a achar que eu tava ficando louco, que eu tava ouvindo alguma coisa assim, mística, né, tava ouvindo uma coisa, sei lá, como eu falei, do inferno assim, me chamando, né. E o negócio foi ficando tão louco que um dia eu sonhei com o barulho,
tipo assim, o barulho invadiu o meu sonho, sabe. Eu falei, mano, não é possível. Eu conversei com a minha mãe e ela falou, não, eu tô ouvindo também, direto. Eu falei, ufa, ainda bem, não estou maluco ainda, né? Mas, enfim, o que eu queria falar justamente é sobre essa dinâmica do som, né?
E tem muitos desses sons que fazem parte do nosso dia a dia, que a gente escuta, mas a gente acaba ignorando, a gente acaba pensando que é uma coisa mínima, que não faz diferença. Mas que elas tiram a nossa paz, assim, tiram a nossa saúde, né? Aqui onde eu moro é um lugar muito quieto,
o ônibus passa na rua de casa, mas daqui do meu quarto não dá pra ouvir. E também não é com uma frequência tão grande assim, a rua é relativamente calma. Então claro que quando tem um barulho assim muito fora da média a gente costuma estranhar, né? Mas, de qualquer forma, eu fico imaginando viver com ruído constante, né?
Claro que tem a ideia dos ruídos brancos, né? Que fazem bem e tal, mas tem esses ruídos da cidade. Agora, por exemplo, tá passando um caminhão, um carro lá longe, assim, fazendo muito barulho, um caminhão. E isso pra mim já é muito, assim, já incomoda, né? Enfim,
eu queria só fazer uma pequena reflexão sobre essa ideia dos sons que permeiam a nossa vida e a gente não consegue perceber a dimensão de quanto isso nos afeta, né? E é isso. Já temos 15 minutos. Agradeço mais uma vez a todos que ouviram. E quem sabe semana que vem a gente se encontre de novo.
Valeu a todos por ouvir. E é isso. Mandem sugestões também se vocês quiserem algum assunto. Estou aqui para falar sobre tudo que eu não sei. E eu não sei de muita coisa mesmo. Mas é legal falar de qualquer jeito porque às vezes faz a gente pensar. Então é isso. Beijos, beijos. Boa semana.
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