Episódios de Daqui de Fora | Podcast

De intercambista a executiva global no Canadá | Ep. #19

23 de julho de 20261h1min
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Neste episódio do Daqui de Fora, recebemos Ana para uma conversa sobre carreira internacional, educação global, imigração e reinvenção profissional.

A história da Ana começou com uma experiência de intercâmbio ainda jovem, passou por idas e vindas entre Brasil, Estados Unidos e Canadá, e foi se transformando ao longo do tempo até se tornar uma trajetória sólida na área de educação internacional.

Hoje, morando na região metropolitana de Vancouver, ela atua como executiva em uma empresa global da área de educação. Mas o caminho até aqui não foi linear.

Ana trabalhou com jornalismo, redação de TV, edição de livros, ensino de inglês, atendimento, intercâmbio e diferentes áreas dentro da educação internacional. Cada etapa trouxe uma nova perspectiva sobre carreira, adaptação, idioma, imigração e crescimento profissional fora do Brasil.

Nesta conversa, falamos sobre estudar fora, recomeçar no Canadá, construir uma carreira em outro país, trabalhar em inglês, lidar com inseguranças, superar a síndrome do vira-lata e entender que paciência e resiliência fazem parte do processo.

Uma conversa sobre escolhas, oportunidades, perrengues, coragem e sobre como uma trajetória que não segue linha reta também pode levar exatamente para onde você precisava chegar.

Porque morar fora não é só mudar de país.

É também descobrir novas versões de si mesmo no caminho.

Cada história aqui mostra que a vida no exterior é feita de escolhas, desafios e propósito.

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Participantes neste episódio2
D

Diego Gomes

HostApresentador
A

Ana

ConvidadoProfessora universitária
Assuntos6
  • Carreira solo e colaborações internacionaisExperiência de intercâmbio · Reinventar a carreira · Adaptação profissional · Visão global vs. local
  • Experiencia no CanadaProcesso de imigração · Vistos e residência · Desafios burocráticos · Adaptação cultural
  • Síndrome de TouretteInsegurança profissional · Autoconfiança · Valorização do profissional brasileiro
  • Linguagem e ComunicaçãoImportância do inglês · Comunicação intercultural · Superando barreiras linguísticas
  • Conselhos para imigrantesLidar com imprevistos · Processos de visto · Adaptação a novas realidades
  • Viagens e PerrenguesInfestação de baratas · Problemas com moradia · Serviços domésticos e reparos
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DGDiego Gomes

Tem decisões que parecem só uma mudança de endereço, mas na prática acabam mudando tudo. Morar fora raramente segue o plano original e no meio desse caminho a gente vai se reinventando mais vezes do que a gente pode imaginar. Eu sou o Diego Gomes, um carioca vivendo em Vancouver há quase uma década. E aqui no Daqui de Fora eu converso com brasileiros que transformaram essa jornada em crescimento, carreiras e novas versões de si mesmos.

Agora imagina alguém que já fez de tudo um pouco. Já trabalhou em redações de TV, editora de livros como freelancer, professora de inglês, garçonete, agente de intercâmbio, até chegar a cargos executivos em empresas globais. E no meio disso tudo ainda escreveu 2 livros infantis. Eu já cobrei um por e-mail que ela falou que vai dar. Essa pessoa é a Ana. Hoje ela é VP de Partnership and Digital Language Service, mora na região metropolitana de Vancouver.

Eu ia falar Port Coquitlam, mas ela falou assim, ninguém vai conhecer, né? É minha vizinha, então a gente mora na região metropolitana. E tem mais de 10 anos de experiência fora do Brasil, construindo uma carreira internacional sólida na área de educação. E além disso tudo, ainda encontra tempo para correr, viajar e desbravar esse mundão. Essa é uma conversa sobre carreira internacional, reinvenção profissional, decisões estratégicas ao longo da vida e sobre como construir uma trajetória que não segue um único caminho.

Mas antes eu tenho uma pergunta para te fazer: você já pensou em estudar fora, fazer uma graduação, uma pós-graduação no exterior, mas acabou adiando porque o inglês ainda não estava no nível necessário? Muita gente trava exatamente aí e era até o meu caso. Tá? No caso, quando eu imigrei lá 10 anos atrás. E por isso que o parceiro desse episódio é Oxford International Digital Institute. Criou um programa de PEF de inglês totalmente online.

Você estuda com professores ao vivo durante 6, 12 ou 16 semanas e pode preparar para entrar em centenas de universidades no Canadá, na Inglaterra, Estados Unidos e na Europa sem precisar de teste de proficiência. E o melhor, sem sair de casa. E para quem escuta daqui de fora, tem 25% de desconto usando o código que tá aqui na tela e na descrição do vídeo junto com o link. Se estudar fora tá nos seus planos, esse é o primeiro passo aí, né?

E obviamente eu vou aproveitar para deixar o meu jabá também, né? Então segue aí o Daqui de Fora no YouTube, no Spotify, no Apple Podcast, no Amazon Music. Ative o sininho de notificação para saber quando tem um novo episódio. Compartilha, espalha a palavra. Esse episódio vai ser muito legal, eu tenho certeza disso. E a gente também tá no Instagram e no TikTok. Ana, primeiro, muito, muito obrigado pelo seu tempo. Eu sei o quão difícil é a gente conciliar essas agendas, especialmente na posição que você tá hoje, mas eu não vou dar spoiler. Mas seja bem-vinda daqui de fora, muito obrigado pelo seu tempo.

AAna

Imagina, Diego, eu que agradeço. A gente brinca, né, que é vizinho, mas para se comunicar tem que ter um bom correio, né, com tanta viagem que eu tava fazendo. Mas vamos contar um pouquinho disso daí hoje. Hoje, é um pouco da minha trajetória. É um prazer estar aqui, agradeço muito o convite. É parte também, sem querer dar spoiler, mas parte do que eu faço hoje tem muito a ver com o que eu fiz 25 anos atrás, que foi meu primeiro intercâmbio e que me direcionou, me guiou assim para minha vida e para o que eu faço hoje, né?

Então vai ser um prazer enorme compartilhar essa trajetória aqui daqui de fora. E querendo ou não, né, dá aí uma ideia assim, né, de outras pessoas que queiram seguir caminhos parecidos, né, que tenham esse desejo de morar fora, entender também quais são os perrengues, mas as vantagens também. Então vai ser um prazer aqui eu compartilhar um pouquinho da minha história.

DGDiego Gomes

Ah, legal, legal. Eu já vou começar te levando para 25 anos atrás, quando você falou 20, 25, quando você fez seu primeiro intercâmbio. Quando você saiu do Brasil, eu acho que parte da nossa geração fez esse trajeto assim, né? Eu não tive oportunidade, que eu era muito infantil para fazer isso, mas a minha esposa fez, e depois eu me arrependi profundamente assim. O quão essa primeira experiência de morar fora influenciou na sua decisão de voltar a morar fora anos depois?

AAna

Nossa, 100%, 100%. E assim, primeiramente falando, 25 anos, eu tô aqui entregando metade, né? Porque já faz muito, muito tempo.

DGDiego Gomes

Você fez intercâmbio com 12, né?

AAna

12, exatamente, era um summer camp. Na verdade, eu fiz o high school, né? Agora falando, né, o que foi de fato. Tive oportunidade, eu sempre falei muito isso, com os meus pais, assim, eu tive, sempre falo isso até hoje para eles, agradeço muito assim ter tido essa oportunidade lá atrás, que eles tivessem essa condição assim de poder proporcionar isso para mim, mas que eles também tivessem 25 anos atrás com essa cabeça aberta, né?

Porque é diferente do mundo de hoje, não tinha WhatsApp, não tinha rede social, não tinha a comunicação que a gente tem diária hoje, né? E assim, sou muito, muito grata por essa cabeça aberta que eles sempre tiveram. E eu tive também muita sorte de ter morado com uma família que até hoje é minha família americana. Eu fiz o high school em dezembro, eu tive uma conferência nos Estados Unidos perto de onde eu morei e fui visitá-los.

E assim, o jeito que eles me tratam é exatamente do mesmo jeito que eles me trataram quando eu morei 25 anos atrás lá com eles. Eles falam, esse aqui é o seu quarto, vai ser sempre seu quarto, você vai ser sempre a nossa filha. Então é muito, muito muito bacana. Então isso me inspirou muito e eu, eu, de todas as minhas experiências, essa foi a que mais assim ganhou o meu coração, porque realmente abriu esse caminho para o, até para o que eu faço hoje.

Eu vou contar um pouquinho assim da minha trajetória profissional. Me formei em outra coisa, mas acabei voltando para esse mundo porque eu sou o storytelling, né, de você compartilhar histórias. Eu acho que isso faz toda a diferença, você contar um pouco da sua história, sabe, faz tanta diferença. As pessoas às vezes veem que, ah, não sei se isso é possível, não sei se isso vai dar certo, não sei, não sei, não sei. Vai dar certo, vai, tem caminhos possíveis, entendeu?

Então sou extremamente grata por esse período que eu passei 25 anos atrás, mas que eu carrego no coração até hoje.

DGDiego Gomes

É, eu acho fantástico isso assim. A minha esposa teve a oportunidade também, os meus sogros, eles tinham a cabeça muito aberta, o meu sogro tinha uma visão incrível assim a longo prazo, né? E ela fez e tal. E também foi por aí 20, 25 anos atrás, também foi para os Estados Unidos. Eu tive oportunidade, obviamente a gente acaba saindo um pouco para uma família mais privilegiada, né, que tem a condição de ter essa oportunidade no futuro e tal.

Só que eu acho que eu segui outros caminhos assim, e meus pais eles não me empurraram tanto assim, apesar do meu pai ter sido um cara muito visionário, né? Mas como eu trabalhei, comecei a trabalhar muito cedo, eu comecei a trabalhar no Brasil com 16 anos, né? Eu era um daqueles prodígios de internet na época, antes da bolha estourar. E eu acho que eu fui entrando numa situação de vida que, sabe, quando é engraçado falar isso, porque quando a gente tá mais velho, que a gente tá naquela situação de pagar conta, de correr carreira, etc., É mais difícil de sair, né?

Não com 16 anos, mas acho que eu era tão empolgado com a minha carreira naquele momento lá que eu perdi o bonde assim, sabe? Eu me arrependi muito.

AAna

Mas tá tudo bem também, né, Diego? É, sim, você teve outros caminhos.

DGDiego Gomes

É, mas assim, eu me arrependi muito assim, porque aí entra a outra situação, né? Que quando a gente veio para o Canadá, imigrei de fato, faltava o inglês para mim, né? E não, né? Porque ela já tinha feito intercâmbio, ela tinha outros contatos e tal. Enfim, é o caminho da vida, né? E aí me diz uma coisa, você volta desse intercâmbio totalmente impactada, né, com uma cabeça completamente diferente. E quando é que de fato assim você falou, putz, eu preciso sair, eu quero, eu tenho essa motivação e eu vou seguir meu caminho fora?

Assim, foi uma, nessa segunda vez, foi uma decisão estratégica de carreira ou foi muito mais uma oportunidade de vida assim?

AAna

Essa na verdade foi a quarta vez. Olha isso! Por alguns motivos, né? Eu não voltei quando eu morei lá nos Estados Unidos, no high school, né? Eu até pensei em ficar, fazer faculdade, mas aí iria exigir mais investimento. Faculdade fora você não, né, tem. E meus pais não estavam preparados para isso, né? E eu também acho que não tava com aquela cabeça. Talvez tenha só na empolgação. Voltei e fui fazer faculdade no Brasil, comecei a trabalhar no Brasil, enfim.

Mas tinha sempre uma, uma, uma vozinha assim, sabe, me falando: lá fora, lá fora. E se você conversar com a minha mãe, ela vai confirmar que eu sempre falei isso, sabe. Isso sempre foi, fez parte ali do meu discurso. E aí foi depois de ter me formado, depois de ter entrada no mercado de trabalho no Brasil, que veio a segunda oportunidade, que foi aqui no Canadá, em Vancouver, num programa, né, de estudo e trabalho, numa época que você estudava inglês e trabalhava, né.

Então isso foi, nem me lembro, acho que 16 anos atrás, talvez foi a primeira vez. E aí foi a primeira experiência de trabalho fora, né. Então assim, por ter sido esse programa, foi interessante morar fora e ver sobre uma outra, sobre um outro, com outro ângulo, né? Então não só estudar, não ser só uma estudante de high school, mas também estudar e trabalhar. Mas também não fiquei. Aí foi a hora que eu namorava, hoje o meu marido, né?

Mas na época a gente não era casada. Ele foi, a primeira experiência dele também de morar fora, né? E aí a gente voltou para o Brasil Naquele momento, para mim também não fez muito sentido ficar de vez, para ele também não. Então a gente voltou para o Brasil. Só que de novo aquela vozinha falando, é assim, né, vai, tem experiência, volta. Eu acho que eu sempre quis voltar para ver, deixa eu ver o que que tem aqui no Brasil, deixa eu tentar, né, explorar outras coisas, outras possibilidades.

Aí no meio do caminho também comecei a reavaliar O meu lado profissional, sabe? É isso que eu quero continuar fazendo, não é? Aí veio uma outra oportunidade de novo nos Estados Unidos, pensando em fazer um curso, uma pós-graduação. Acabou também, e não fui preparada financeiramente para fazer essa graduação. Então voltei para o Brasil, e aí eu falei assim, calma, Então vamos agora pensar com calma e vamos agora assim estabelecer um processo mais permanente, né?

Então assim, vamos fazer toda essa pesquisa para ver como que a gente ficaria de forma permanente, né? E aí sim, foi já depois de casada, né, que aí a gente veio de fato para ficar. Isso 11 anos atrás, através de estudos, né? Então fazendo uma pós-graduação, que, né, o cônjuge tem direito, né, na época era mais fácil inclusive, mas hoje ainda tem bastante caminhos assim acessíveis, né. E aí foi quando a gente ficou. Então foi a quarta vez assim que acabei decidindo que aqui é o meu lugar por hora, né, vamos ficar por aqui e estabelecer residência aqui. Então foi essa a trajetória.

DGDiego Gomes

Cara, isso é fantástico, porque na verdade você pôde provar, né, experienciar, voltar, rever, experienciar, pensar, enfim, todo mundo fica nessa dúvida, né? Como é que seria no Brasil, né? E outra coisa, foram momentos muito distintos da sua vida, né?

AAna

De idade até, idade, exatamente.

DGDiego Gomes

Do primeiro para o segundo foram 10 anos quase de diferença, né? Você muda muito em 10 anos, né? Sua vida é completamente diferente. E provavelmente na volta para o Brasil e na volta para os Estados Unidos você deve ter mudado também assim, mas E aí vocês decidiram vir, chegaram no Canadá pela quarta vez, só que dessa vez com um plano mais traçado e tal. Obviamente você já tinha passado por uma série de experiências internacionais e mudanças, culturas diferentes, etc., etc., mas dessa vez provavelmente tinha uma sensação diferente assim, né?

Tipo, cara, essa é uma mudança definitiva, de permanência, exatamente. Eu tô vendo, não definitiva, né? Definitiva é muita coisa, mas é uma mudança de permanência, né? Sem prazo de volta, assim.

AAna

É isso, é.

DGDiego Gomes

E aí, quando você chegou com essa perspectiva, foi completamente diferente das primeiras 3, o que que, qual foi o seu maior desafio inicial, assim? Foi um negócio mais profissional, foi uma adaptação cultural, ou foi tipo assim, opa, Peraí, onde é que eu me encaixo nessa equação de agora eu sou uma imigrante, eu não sou mais uma estudante internacional?

AAna

Isso. Olha, foi— eu não vou dizer que foi tanto cultural, porque a gente decidiu voltar para onde a gente já tinha morado, né? Então assim, já conhecia Vancouver, né? Já conhecia o Canadá, pelo menos essa parte de cá do Canadá. Então já sabia mais ou menos o que esperar, né? Mas a questão profissional é, eu saí de uma, eu tava, tinha uma empresa no Brasil, então eu saí de um processo de desligamento da minha própria empresa para recomeçar.

Você volta, você recomeça, entendeu? Você é uma questão assim, até, né, falando do ponto de vista do imigrante, essa é também tá com a cabeça aberta para entender que assim dependendo do tipo de vinda, né, tem gente que vem expatriado, tem gente que é, né, são outros caminhos, mas para quem vem com o intuito de começar do zero, é importante ter essa percepção de que assim você tá no processo de mudança profissional também, entendeu?

Então é muito importante você tá com aqui, ó, né, aberto também, né, para que você volte alguns passos para que lá na frente você alcance esses outros passos, né, você avance um pouco mais. Então acho que foi E esse foi por aí, né? Eu ainda era estudante, mas era estudante de pós-graduação, então tinha aquela limitação de também trabalhar só meio período, que no Canadá tem essa questão do visto. Então é isso, né? E aí assim, é o que você falou, não era temporário mais, era permanente, né?

Ou com o intuito de ser permanente. Então assim, você sempre tem que estar pensando, se a ideia é ficar aqui, sempre tem que estar pensando no seguinte, tá bom, agora eu tô com esse tipo de visto, qual que é o próximo passo? Quanto tempo de antecedência eu tenho que me organizar para seguir para o próximo passo? Então tem esses pequenos perrengues assim que podem se tornar perrengues um pouco mais conturbados assim, mas é isso, você tem que estar sempre com a cabeça pensando alguns passos à frente, né?

E porque já não é mais temporário, mas mesmo não sendo temporário, você tem que se organizar para que a sua permanência, né, esteja bem traçada e bem definida. É fantástico você falar isso. É fantástico você falar isso.

DGDiego Gomes

É que assim, a gente teve esse caso também assim entre eu e a Pri, que eu chegando há 10 anos atrás, a gente obviamente tinha um plano a seguir e tal, e ela tava estudando. A gente fala que ela perdeu no Paroímpa, né, que ela foi fazer a pós-graduação e eu fui para o mercado.

AAna

Ninguém, eu perdi também no paraíso.

DGDiego Gomes

E aí, e aí, mas eu decidi abrir uma empresa aqui, né? E isso era completamente ao contrário do nosso plano, né, que era buscar um trabalho fixo para conseguir experiência canadense, para aí obviamente seguir o visto. Mas a gente tinha outros planos, né? A gente tinha alguns outros planos, só que durante esse trajeto foi ousado, deu certo.

AAna

Enfim, deu certo, deu, porque eu conheço conheço a empresa, eu sei que tipo foi muito bem-sucedida.

DGDiego Gomes

É, eu recomendo, óbvio, a experiência, mas eu também recomendo que— eu acho que não é para todo mundo, né? A gente durante essa trajetória de 10 anos, a gente viu muita gente não conseguir seguir o plano justamente por não pensar nesse— você tá aqui, mas você tá pensando 2, 3 passos na frente para como eu vou ficar de fato.

AAna

Isso, exatamente.

DGDiego Gomes

É, mas me diz uma coisa, nesse comecinho assim dessa quarta mudança. Teve algum momento que você tava angustiada e falou assim, não, vou voltar de novo para o Brasil, não é isso que eu pensei, e talvez tá levando mais tempo do que eu imaginava para algumas coisas acontecerem?

AAna

É que eu acho que a gente fica tão— como eu tive na primeira, na primeira não, na segunda, né, vinda, experiência no exterior, eu não tive— tive uma experiência boa, mas eu também tive umas complicações assim minhas, assim de não querer ficar, de sentir muita saudade, de o corpo tá aqui mas a cabeça tá no Brasil. Eu acordava já pensando, ah, o que que minhas amigas, minha família, o que que eles estão fazendo no Brasil, sabe? Então isso até trazendo o que você falou da questão da maturidade, isso dessa segunda, dessa segunda vez, né?

Eu acho que eu me preparei para não voltar para aquele lugar, entendeu? Então eu falo assim, cara, já, eu já vivi Foi ruim, foi ruim, porque assim era uma angústia, era choro, era contagem regressiva assim na geladeira, tinha um calendário assim quantos dias faltam para voltar para o Brasil. Que isso, gente, isso não é, não é mais uma experiência positiva, entendeu? Você tá ali, parece que é um martírio, sabe? Parece que é uma prisão.

Então eu acho que eu trabalhei muito minha cabeça falando assim, mas se você quer estar fora abra-se, né, para o que tiver que ser, sabe, todas as coisas que você vai precisar passar, sabe, os perrengues que você vai precisar passar, e seja forte, entendeu? Então acho que tive, tiveram complicações, claro, né, posso, não tem problema nenhum em contar aqui alguns desses perrengues depois, mas eu acho que eu não tive, não cheguei a pensar assim, ah, vou largar tudo, vou voltar para o Brasil, não, por causa dessa primeira experiência aqui, né, que tinha feito que não tinha sido tão positiva e que me preparou para que essa segunda vinda ao Canadá eu já tivesse mais certa, né, do que eu queria.

Então é, mas eu entendo que isso assim tem essas, você questiona, você fala, gente, o que que eu tô fazendo aqui? Meu Deus, sabe, que que, ai gente, mas sério que eu tenho que lidar com isso agora? Que que eu tô fazendo aqui?

DGDiego Gomes

E tem muitas diferenças culturais, né, que você só vai começar a perceber quando você de fato vive assim, né. Até uma coisa que as primeiras experiências, né, exceto a segunda, a primeira vez no Canadá você não trabalhou, né. E assim, a primeira experiência nos Estados Unidos você não trabalhou, aí você veio para o Canadá, você trabalhou. Provavelmente ali naquele trabalho de intercâmbio era meio que um entry-level job, né, aquela coisa toda e tal, que é num nível diferente, né, de quando você vem preparado para você de fato encarar o mercado assim.

E falando nessa sua, nessa sua encarada com o mercado da quarta vez, você veio estudando, trabalha, você perdendo o paruinho para E aí você veio estudando e você tava, você trabalhou part-time assim. Quando é que foi esse momento da virada do part-time que você entendeu que talvez você teria que recomeçar, né, a carreira que você já tinha no Brasil? Provavelmente você precisava se reposicionar de alguma forma profissionalmente. Para poder seguir a sua jornada profissional aqui no Canadá?

AAna

Eu vou amarrar essas duas experiências para responder isso, porque elas estão ligadas mesmo, né? Então, nessa segunda vinda para o Canadá, eu já estava trabalhando na indústria que eu trabalho hoje, que é de educação internacional. Na primeira vinda, eu tava ainda— minha formação é jornalismo, né? Sou jornalista. Então, eu ainda trabalhava como jornalista. E aquela primeira vinda tive um trabalho, né, de que a gente fala entry level, né, tipo foi quando eu fui garçonete, fui hostess de restaurante.

Só que eu tive uma experiência muito bacana lá atrás, lá nessa primeira vinda, né, na CTV, que é uma rede grande de televisão aqui do Canadá. Era unpaid, então não era paga, não era pago, mas poxa, era um um training, né, um estágio muito legal assim, que no currículo pesou muito. Mas olha que coisa, eu não conseguia enxergar o peso daquilo no meu currículo, tamanha era a minha angústia naquele momento, entendeu?

DGDiego Gomes

Ansiedade, né?

AAna

Exato, exatamente. Então, como eu tava trabalhando, não era remunerado, né, aquele estágio, eu precisei ganhar dinheiro fazendo o trabalho, né, de trabalhar em restaurante, enfim. Então essa experiência de que a gente fala, né, de informal, né, vamos falar de trabalhos mais informais, eu tive lá naquela primeira vinda. Nesse meio tempo eu troquei de carreira, acabei entrando nessa área de educação internacional, então quando eu vim para cá da segunda vez, 11 anos atrás, eu já trabalhava nessa indústria.

O meu part-time consegui já dentro dessa indústria, então foi numa escola, era uma escola existente, uma escola de animação, enfim, que eu trabalhei meio período na parte de admissão, de alunos. Então já estava com um pezinho já dentro dessa, dessa indústria. E aí foi acabando no final, isso foi bem no final do meu, do meu curso, eu já tava ali no processo para trocar de visto, para pegar o visto de trabalho, né, que vem na sequência.

E aí eu poderia trabalhar período integral. E aí foi quando eu falei, bom, já que eu já estou nessa indústria, vou dar continuidade, continuar procurando nessa indústria. Mas o que me deu, o que me abriu portas é que como eu já trabalhava com isso, eu já conhecia pessoas, eu já conhecia alguns, tinha alguns contatos, participei de processos seletivos. Então da saída do part-time para o período integral, tive processos seletivos que eu participei para poder entrar, mas aí já estava nessa indústria, entendeu?

Já estava nessa área. E aí foi assim que eu saí do período, no meio período, para o período integral, pensando nisso, né, nessa rede de contatos que eu já tinha por já estar trabalhando nessa indústria.

DGDiego Gomes

É interessante isso, porque olhando para sua trajetória assim, até mesmo quando você fez o trabalho não pago, né, não voluntário, né, mas o estágio não remunerado, dá para ver que mesmo com ansiedade, etc., etc., dá para ver que você tinha algumas decisões ali muito estratégicas ao longo desse caminho, né? E aí você passou por várias funções até chegar a uma posição de executivo, né, fora do país, né, longe de casa. Apesar das suas experiências internacionais, era uma coisa assim que, né, não sei se você tava almejando assim, mas olhando para trás assim Como é que você enxerga essas transições?

Foram coisas que você planejou ou foi meio que o mundo foi te dando oportunidade, a sua carreira foi te dando a oportunidade, você foi navegando e aproveitando cada uma dessas oportunidades até chegar onde você tá?

AAna

Eu acho que foi um pouco de tudo do que você falou, mas eu vou dizer que assim, a pandemia meio que virou a chavinha assim na minha cabeça. E conversando, eu converso muito com o Leandro, né, meu marido, assim, sobre as coisas, sobre as questões de trabalho, sabe, sobre abrir a cabeça, entender um pouco mais dentro da sua indústria o que mais pode ser feito, sabe. Já estava, né, na pandemia, claro, já tava trabalhando com isso, mas eu acho que eu tinha minha cabeça, ficava um pouco limitada ao que eu poderia fazer dentro dessa indústria.

Entendeu? Ou você trabalha é a indústria de educação internacional, né? Então intercâmbios, ou a parte de dentro das escolas recrutando aluno, ou a parte de admissão, de cuidado da papelada. Aí veio a pandemia, né? Então teve uma reviravolta mundial aí, né? E muitas coisas mudaram também dentro dessa indústria, começaram a aparecer mais edtechs, né? Então aquelas empresas de educação e tecnologia, sabe? Então já era uma coisa diferente do que existia antes da pandemia.

E o que mais dentro dessa indústria existe, entendeu? E aí eu comecei a fazer essa, né, pensar dessa forma. E aí foi assim que eu fui encontrando essas posições, né, que saía um pouco do lugar comum que eu, né, eu tinha em mente. E achando esses espaços novos, né? E aí fui trabalhando. Eu falo que hoje eu falo que já vi essa indústria por diversos ângulos, né? Como estudante, como pessoa de recrutamento, como teste de proficiência, como escola de inglês, como universidade.

E aí isso tudo foi me dando bases e foi me dando conhecimento assim, né, da indústria como um todo, enxergá-la de diversos é muito importante assim, porque você acaba entendendo, né? Você se coloca no papel de um estudante, você se coloca no papel de um agente de intercâmbio, você se coloca no papel de uma pessoa de universidade que tá cuidando da papelada assim, né, do aluno. Você se coloca no papel de alguém que vai fazer um teste de proficiência.

Então foi assim que eu acho que eu fui achando esses meus caminhos, né? Claro, a vida foi me proporcionando isso, mas eu também entendi que que tinham mais coisas, né, dentro dessa indústria que eu podia explorar. É sair um pouco, né, daquele lugar comum e achar esses outros espaços. Então foi mais ou menos assim.

DGDiego Gomes

Maravilhoso foi a virada de chave no momento da pandemia, assim, né? Porque tiveram muitas oportunidades, assim, abriu porta para muita gente. E eu adorei a forma com que você olhou isso, assim, sabe? Porque você sabe que Tem gente que chora e tem gente que vende lenço. Eu acho que você vendeu lenço no momento, né? E é isso assim, eu acho que tem duas formas de enxergar, enxergar desse lado, né, da moeda assim. A pandemia obviamente foi muito complicado, foi difícil e tal, mas para mim também foi muito bom, né?

A gente aproveitou um monte de coisa profissionalmente. E até pessoalmente, né, porque já com a pandemia aconteceu e o país fechou, a indústria que você trabalhava meio que mudou tudo. E aí o Canadá foi impactado também, os pontos da imigração baixaram e a gente conseguiu imigrar, não naquele super baixo de pontos, né, mas aí quando logo no iniciozinho da pandemia que os pontos foram caindo aos pouquinhos, era exatamente que a gente precisava para imigrar.

Então assim, a gente também vendeu o lenço no meio da dessa situação, né? E aí, na sua posição atual, você é uma visão global, você exige ter uma visão, né? Porque a gente, quando tá no Brasil, né, na maioria das pessoas, elas têm uma visão muito local, né, uma visão muito, né, ali limitada. A gente vai para fora, começa a trabalhar em mercados diferentes, E a gente começa a ampliar essa visão. Qual é a maior dificuldade sua profissional, se é que você tem, né, ou que você encarou nessa mudança de local para global?

Assim, foi a cultura? Porque você trabalha numa empresa hoje que ela é europeia, global, mas, né, nasceu ali, né, no Reino Unido, etc. Só que ela Ela atende o mundo inteiro assim. Como é que é essa visão em relação a isso?

AAna

Aí eu vou também voltar a essas experiências, esse caminho não linear que eu segui na vida, que eu acho que me deram, me deu essa bagagem de conseguir, não digo bagagem, mas assim, não ter tido um caminho linear, tipo assim, ah, formei da faculdade, vou trabalhar aqui, aí vou fazer uma pós-graduação, vou comprar um apartamento, É isso, tá tudo bem. Tem muitas pessoas que seguem esse caminho, tá tudo certo, entendeu? Mas para o que eu faço hoje, eu sou muito grata pela não linearidade das coisas que aconteceram na minha vida, porque eu consegui me tornar mais flexível, entendeu?

E enxergar as coisas de ângulos diferentes e pensando global também, né? Então sim, moro aqui no Canadá, atendo, né, mais América do Norte, mas trabalho para uma empresa global. E hoje tô num cargo que além da América do Norte eu também preciso pensar global, entendeu? Preciso saber que o que se faz, o que a gente tá fazendo aqui na América do Norte vai impactar quem tá na América do Sul e quem tá na América do Sul que quer estudar, né, na América do Norte, tá conectado de alguma forma, entendeu?

Então respondendo a sua pergunta, eu acho que foi não ter tido esse caminho tão linear, entendeu? Que me deu essa bagagem e esse conhecimento e essa possibilidade de entender que as coisas, até dentro da empresa, né, até converso muito isso com os meus pares. Por mais que eu, de novo, né, tenho uma responsabilidade mais assim regional, assim de América do Norte, eu tô pensando na empresa como um todo, eu tô pensando no impacto que o que eu faço aqui, o que meu time faz aqui, vai ter para a empresa global, entendeu?

Para ter, né, como um todo. Então acho que isso é importante, é você enxergar, é você entender que as coisas estão amarradas, entendeu? Então o que se faz aqui, o que se faz no Brasil, o que se faz na América Latina, tem um certo, pelo menos na minha indústria, né, tem esse impacto. Acho que foi por aí.

DGDiego Gomes

O mundo não tem fronteiras mais, né? Tem lá fronteirazinhas no mapa-múndi que você vê e tal, mas você entende que tá tudo conectado assim, né? E mesmo você sendo, sei lá, empregado numa empresa regional, de fato a gente vê hoje, né, acontece uma guerra no Oriente Médio, acontece uma guerra na Ásia, impacta tudo aqui.

AAna

A gasolina tá cara, exatamente, no Canadá, nos Estados Unidos, no mundo inteiro.

DGDiego Gomes

Então você ter essa visão estratégica assim, eu acho que é importante para você seguir a carreira assim. Que que você A gente tem uma ilusão de que a gente não é bom o suficiente como brasileiro para poder seguir.

AAna

É o síndrome do vira-lata.

DGDiego Gomes

Exatamente, eu ia falar exatamente isso. A gente tem síndrome do vira-lata, né? Tudo que é de fora é mais legal, tudo que é de fora é mais bonito, tudo que é de fora é mais sofisticado. A gente não faz nada direito e tal, e a gente A gente que mora fora muito tempo, a gente sabe que não é bem assim, né? Mas qual é a maior ilusão que nós brasileiros temos em relação a construir uma carreira internacional assim? Se você tivesse que pontuar uma coisa, né?

Porque eu acho que a principal ilusão, no meu ver, é essa síndrome de vira-lata, do tipo, cara, eu não sou bom o suficiente, né? Mas o que que você acha assim que esbarra a gente para seguir adiante e enfrentar essa carreira fora?

AAna

É isso, exatamente isso, sabe? É achar que por a gente ter vindo de um país que a língua não é a língua que você usa aqui, e o inglês tem um, é um ponto muito importante assim, eu acho que é Né, não vou, acho que eu vou chover no molhado aqui falar o quão importante isso é, mas é isso, é achar que, ah, porque eu não fui alfabetizada, tô falando de mim, tá, que isso é o síndrome, eu passei, eu tive síndrome do vira-lata, e eu acho que assim, até abrindo aqui, em alguns momentos na vida ainda a gente ainda tem um negocinho lá atrás assim na cabeça que ainda puxa, sabe, para essa ideia de tipo, ai, não sou bom o suficiente.

Ah, porque eu não nasci num lugar onde o inglês não é primeira língua, eu não vou conseguir ser bem-sucedido, não vou fazer bem uma reunião, não vou ser bem entendida, entendeu? Cara, não é. Eu fico tão feliz quando eu vejo as histórias de sucesso, sabe, das pessoas que, poxa, conquistaram, sabe, saíram do seu, da sua zona de conforto, porque é uma zona de conforto, entendeu? Você Tá falando sua língua. Tô aqui falando com você em português, é a nossa língua, é uma, né, tá fácil aqui para gente.

Mas você se prova, você sai, você vai, você dá as caras, dá cara a tapa, sabe? Você tá lá e você é bem entendido, você sabe que você tem outras skills, né, você tem outras habilidades que te fazem tão bom quanto, né, outras pessoas que estão ali no mercado de trabalho com você. E não é porque, claro, óbvio que você precisa ter um entendimento assim do inglês, né, suficiente para você tá nessas posições, mas não é porque você, não é a sua primeira língua que você não vai ser bem-sucedido, entendeu?

Então eu acho que vou voltar ao inglês aqui, pelo menos no Canadá, claro, para outros lugares a língua local, porque isso é importante, sabe? É importante você pensar nisso, é importante você entender que, poxa, é possível sim. Olha, o fato de você, outro dia eu até tava vendo um algum, foi algum vídeo que alguém me mandou de uma americana falando: você consegue resolver problemas médicos, de banco, de aluguel, de financiamento de carro, de, sabe, essas coisas cotidianas que você tá numa sala de aula de inglês, você não aprende.

Na sala de aula você não vai aprender, né, tipo, a lidar com essas coisas cotidianas. Então você já é, já é um vitorioso só por poder fazer tudo isso numa língua que não é a sua, entendeu?

DGDiego Gomes

Eu concordo totalmente.

AAna

Não é?

DGDiego Gomes

É, eu acho, eu acho assim, isso já saiu mais de algumas vezes aqui dos convidados do podcast, cara, que o idioma é, é um dos aspectos assim fundamentais para imigração, para expatriação, enfim, principalmente pelo fato da adaptação cultural. De você conseguir se juntar e se entender, incorporar na comunidade, na cultura, e obviamente sem falar na vida profissional assim, né? Eu conheço, eu conheci gente aqui que veio, fez curso, né, fez, estudou e tal, e não imergiu de fato no inglês e perdeu o timing de aprender e não seguiu mais a carreira e ficou no entry-level job a vida inteira.

E aí não conseguia evoluir, não conseguia se inteirar na sociedade. E aí volta, né? Eu acho que eu concordo com você assim, né? Mas esse conselho é maravilhoso assim. Olhando um pouquinho para sua jornada, qual foi a habilidade mais importante que você desenvolveu vivendo fora, você acha assim?

AAna

Ô Jesus, habilidade! Eu acho que é você, não sei se isso é uma habilidade ou não, mas eu acho que essa questão da adaptação, você tá aberto mesmo a essa adaptação, sabe? De estar num lugar onde você desconhece, mas que você precisa aprender, ser flexível a isso, sabe? Ter paciência, acho que paciência, talvez paciência seja, não que eu não seja uma pessoa paciente, eu sou uma pessoa paciente, Mas paciência eu acho que é uma virtude mesmo assim nesse processo de imigração.

Você, de novo, né, voltando ao que eu falei lá atrás, você tem que estar dois passos, pensar dois passos para frente, né? E isso requer paciência, né? Você, poxa, eu tô com um visto aqui que vai cobrir um ano e meio ou dois anos, mas agora você já tem que pensar que daqui dois anos você vai precisar de um outro tipo de documento para sua permanência. Mas seja paciente, porque só daqui 2 anos, né? Ok, chegou lá nos 2 anos, você tá com outro tipo de visto, aí vai dar entrada no processo de PR, né, de você se tornar residente.

Você só pode se tornar cidadão depois que você cumprir algumas etapas, entendeu? Então assim, não adianta você acelerar, não adianta, porque não tem o que fazer, entendeu? Então você— e a paciência também para E resiliência também. Acho que paciência e resiliência, porque você encontra alguns obstáculos no caminho que você não pensou previamente, né? Então vou usar até o meu caso assim como exemplo. A gente tava num processo de troca de visto e aconteceu alguma coisa na nossa, que eu não me lembro agora de cabeça, na nossa aplicação, que a gente precisou ir até a fronteira.

Era uma quarta-feira, eu me lembro, uma quarta-feira, 5 da tarde, nem é uma coisa que se faz na fronteira, mas como era emergencial, a gente precisou pegar o carro e até a fronteira para ajustar essa questão aí, que eu não me lembro exatamente o que que era, sem saber se você vai voltar com visto, sem saber se você no dia seguinte você vai estar no seu trabalho, se você vai voltar para sua casa, se vai ser deportado ou não, né?

Então assim, pô, resiliência. Eu contando agora, eu tô rindo, mas assim, o caminho inteiro a gente foi dirigindo numa tensão, sabe? Você chega lá Eu lembro de ter ficado triste até porque a pessoa, o oficial de imigração, era um imigrante também, ele não facilitou para gente. Eu falei, caramba, você passou por isso, como é que você tá tratando a gente dessa forma? E claro, não falei isso, mas assim, pensei isso. É, então acho que, exato, então é a paciência, a resiliência, acho que são essas duas coisas, porque se é o que você quer seja paciente, sabe?

Eu vejo muita gente assim agora, né, os pontos, pontuação para emigrar tá diferente. Então tem muita gente tentando alternativas agora, eu vejo muita gente fazendo francês, né, para poder tentar esse caminho. Então paciência é uma virtude. Então nesse processo assim de imigração é importante tê-la.

DGDiego Gomes

Foi perfeito. Eu acho que eu adicionaria ali um um outro ingrediente, que é olhar para você, né, para o seu caminho, para sua vida, para sua família. Porque às vezes a gente se pega olhando para o caminho do outro, e os caminhos são muito diferentes, né?

AAna

Muito.

DGDiego Gomes

Aquele amigo que pegou a cidadania primeiro, ou aquele que conseguiu a residência antes, ou aquele que conseguiu entrar num trabalho melhor e tal. E aí você vai se frustrando ao longo do caminho, e isso Não é legal, né? Acho que cada um tem seu tempo, cada um tem, né, a sua jornada. E eu acho que esse é o barato da imigração. E eu quero sair um pouquinho dessa parte estratégica, cabeça profissional, e que morar fora tem algumas outras coisas aí envolvidas, né?

Tem aquela história que só quem a gente, só quem vive entende. E às vezes nem nossos parentes sabem o que aconteceu, né? E aí tem um quadro no podcast que é a história do imigrante. É aqui que você vai me contar o perrengue. Você começou a contar o perrengue da documentação na fronteira, mas eu acho que você deve ter mais algum perrengue aí na manga esquerda aí que você pode contar pra gente, uma história engraçada.

AAna

Esse foi o perrengue mais burocrático, vamos dizer assim, né, que envolve documentação. Nossa, gente, mas perrengue, aí tem muitos, tem muitos. Um deles é, a gente teve que sair do nosso apartamento que morava, que a gente morava em downtown, por infestação de barata. De barata.

DGDiego Gomes

Barata?

AAna

Eu nunca vi barata aqui. Você nunca viu? Ela é desse tamanhozinho assim, ó, ela é pequenininha. Aí eu pensava assim, gente, eu não sei o que que é pior, se essa barata pequenininha ou se são aquelas gigantes lá do Brasil, aquelas voadoras. E a todo momento eu falava assim, ela vai entrar no meu cabelo, não vai sair nunca mais.

DGDiego Gomes

E você teve que sair do apartamento por conta dessa barata?

AAna

Tomando banho, a barata tava nas paredes. Isso foi, e a gente já morava naquele apartamento, a gente já tinha, já morava lá 4 anos e meio, e só aconteceu nos últimos meses. Foi um negócio meio rápido, prédio antigo, sabe? Você deve conhecer os prédios ali de downtown mais antigos, né? Aí a gente saiu, conseguiu, e na pandemia ainda por cima, na pandemia, né? Aí a gente conseguiu achar um em Burnaby ainda, região metropolitana, um mês no apartamento de Burnaby.

O dono pediu para vender. Eu falei, meu Deus do céu, tipo assim, a gente tava alugando, né? Então pediu o apartamento para poder colocar para venda. Aí você começa a ficar desesperado, você fala, mas minha mãe e meu pai não moram aqui, com o que que eu vou morar? O que que eu vou fazer? Aí dá uma, nossa, tipo, você tem que respirar fundo, né? E aí por fim acabou que a gente, eles conseguiram vender para alguém que não queria entrar no apartamento imediatamente.

Então a gente conseguiu ficar mais 2 anos lá até estar aqui onde a gente tá hoje, né? Então assim, esse da barata, tipo, não sei se é todo mundo da minha família que sabe, mas eu conto porque existe barata no Canadá.

DGDiego Gomes

Eu nunca vi barata, eu já vi, eu já vi infestação de bedbug. EVA, né, que é aquele tipo um carrapato, pulga, sei lá, que dá, né, que o pessoal que compra coisa usada aqui, né, sofá, colchão e tal, tem risco. Inclusive no prédio que eu morava lá em downtown também, prédio velho, aconteceu. Mas assim, barato eu nunca sabia nem que existia. Assim, eu tenho uma história engraçada de barato também, não tem nada a ver com imigração, tá?

Mas quando eu comecei a namorar com a minha esposa atual, né, 20 anos atrás, Aí enfim, não tinha o hábito de dormir na casa, etc., etc., mas eu fui dormir na casa dela a primeira vez. Acho que teve um churrasco e tal, a gente morava longe no Rio, né? E aí teve um dia à noite, né, todo mundo já meio que dormindo, eu saí para pegar água e o meu sogro tava vendo TV, né? E aí eu fui, peguei a água e tal, ele: Diego, Diego, vem cá, tem um negócio para eu te falar aqui.

Eu Pode falar, Paulo, o que que é? Olha só, é, se você encontrar com alguma barata aqui dentro de casa, você finge que você não olhou para ela não, tá? Você passa direto, porque se alguém aqui em casa escutar o barulho de chinelo tentando matar barata, ninguém vai dormir até você mostrar o corpo. Então assim, ou você mata, ou você mata, ou ninguém dorme nessa casa. Então assim, Só para te avisar, tá bom? Eu falei, tá bom. Então esse foi o ensinamento aí que eu levei para o resto da vida.

AAna

Algum barato?

DGDiego Gomes

Não, não vi, porque minha sogra, minha sogra, ela passa baigom na porta todo dia para barata não passar. Assim, ela tem pavor de barata.

AAna

Olha, e assim, aí complementando esse, é, não barata, gente, mas complementando esse perrengue, é aquilo, a gente tentar entender, tá bom, no Brasil eu sei que eu tenho que fazer, né? Quem acionar ali. A gente tentou acionar o prédio, mas eles estavam nem aí, entendeu? Aí a gente contratou, pô, até entrando, né, nas questões que você aprende sendo imigrante, que você nunca imaginou que você teria que aprender. Entrou em contato com uma empresa para vir.

A própria empresa falou, não adianta nada a gente fazer a dedetização aqui do seu apartamento porque o problema é do prédio, vai acontecer. A gente fez mesmo assim. Você sai do apartamento porque entra aquele produto tóxico. Eu lembro que na pandemia foi para casa de amigos que moravam perto para poder trabalhar. Isso durante a semana, né? Trabalhar de lá, volta 5 horas depois, coloca tudo de volta nos armários para daqui 2 dias acontecer tudo de novo, sabe?

Aí eu falei, ai, gente, meu Deus! Então assim, foi, foi um perrengue, não vou mentir.

DGDiego Gomes

A gente quer aprender tudo aqui, né, quando a gente chega. E aí passar por uma situação dessa, a gente sabe, né, que lá no Brasil você liga 190 9090, né? Olha isso, você lembra de criança, né?

AAna

Você lembra, com certeza, né?

DGDiego Gomes

E é que a gente não faz ideia onde dá ré no Fusca, né, cara? Mas eu acho que isso faz parte dessa vida.

AAna

E outra coisa também, Diego, aqui a gente, você é mais handyman do que a gente aqui, né? Mas assim, aqui quebrou alguma coisa, lá eu sei, eu ligo para o meu avô. Meu avô tem 93 anos, ele ainda é super ativo. Eu liguei para ele, ele iria resolver do jeito dele na hora, entendeu? Seja alguma coisa queimada, sabe? Aqui, cara, você tem que reaprender quem é que eu vou acionar, entendeu? O que que eu vou ligar? Quanto que vai me custar? Porque essas coisas são caras, né?

DGDiego Gomes

Então a gente teve um problema aqui no banheiro que eu tive que chamar o encanador. Ele, quando ele falou assim, ó, você sabe que eu, para eu sair de casa e te ver, é $150, né?

AAna

É isso.

DGDiego Gomes

E aí eu, a partir dali, eu vou vendo o que que vai acontecer.

AAna

Enfim, só para sair de casa.

DGDiego Gomes

E me diz uma coisa assim, ó, a imigração muda muita gente, assim, dessas coisas mais complexas, né, da profissão, de seguir na carreira, até as coisas que aparentemente são mais simples, né, o encanador, a detetização, etc., etc., tirar xerox, né. No início a gente não sabe nem como é que faz. Fica perdido igual cachorro caiu da mudança, né? E agora, se você olhasse, olha para trás assim e te vê hoje, quem é a Ana que saiu do Brasil e quem é a Ana que hoje mora no Canadá?

AAna

Olha, pergunta profunda essa, hein?

DGDiego Gomes

A gente tá aqui para isso.

AAna

Vamos, eu vou. Eu sempre fui uma pessoa, você fala qualquer pessoa da minha família, eles vão confirmar, uma pessoa muito chorosa, chorava por tudo, entendeu? Então tudo bem que isso tem, vem, tem a maturidade, vem com isso também, né? Mas eu acho que você se fortalece, voltando até na questão da resiliência, você cria essa casca, tanto nessa casca de você tá no canal fora, né, enfrentando esses perrengues, que não dá nem tempo de você ser, sabe, de você se tornar tão— porque você cria essa força, sabe.

Então eu comparando comigo mesma 11 anos atrás, eu acho que eu me colocaria nesse espaço aí, sabe, de uma pessoa mais forte, uma pessoa mais segura assim, né, das decisões, e segura das coisas pequenas do dia a dia até, sabe? Ah, tem que enfrentar barato, tem que enfrentar barato, vou chorar por isso? Não, vou ter que resolver, né, gente? Meu avô não tá aqui para me ajudar, o meu pai, minha mãe, entendeu? Então deixa a gente resolver por conta própria.

Então eu acho que são duas coisas, né? Essa força que você cria, e no meu caso também essa independência, sabe? Mesmo de você— a gente veio para o Canadá logo Foi alguns meses depois que a gente casou, agora não me lembro de cabeça, mas assim, então não tinha estado tanto tempo morando juntos no Brasil para enfrentar essas coisas sozinhos, entendeu? Então acabou que aconteceu meio que casado, a gente acabou aprendendo essa autonomia, essa independência já aqui, entendeu?

Cai de cabeça, sabe? E já aprende com as coisas do país, né? Então acho que eu diria que foi isso assim, se eu tiver que colocar essa Ana de hoje e Ana de lá atrás, né, mais forte, mais segura assim, não só das coisas de trabalho profissionais, mas também, né, das coisas do dia a dia, das coisas que você tem que viver porque, né, você escolheu estar aqui. E também assim, Diego, entender que se eu escolhi estar aqui eu abri mão de outras coisas e tá tudo bem.

Eu tenho que estar tudo bem. Se eu não tiver tudo bem, então não é para eu estar aqui, entendeu? Eu abri mão de não estar em todo casamento de todo mundo da minha família. Eu abri mão de não estar lá se acontecer alguma eventual emergência, como já aconteceu. Então eu tá preparada para isso, entendeu? 11 anos atrás, ou naquela primeira experiência que eu tive aqui, eu não tava desse jeito. Aí de novo, né, acabei, o corpo estava aqui, mas a cabeça tava lá.

Então assim, estamos aqui porque escolhemos estar aqui, mas isso veio para todo bônus tem um ônus, mas isso veio com algumas escolhas, e essas escolhas nem sempre são escolhas felizes, né? Tipo assim, a gente aprende a lidar com essas escolhas de você não tá lá no dia a dia. É a Páscoa que passou agora, que tá todo mundo reunido, você não tá lá. É o Natal, que você conseguir voltar, ótimo. Você não conseguir, mas você também tá longe da família.

Essas coisas muito simbólicas, né, de Brasil, sabe? E de família grande. Eu sou de uma família grande. Então esse ajuste, eu hoje eu me sinto muito mais confortável, mais segura e mais tranquila de não estar nesse dia a dia, entendeu? Acho que é isso, se eu puder resumir.

DGDiego Gomes

E tem um outro quadro aqui no podcast que esse eu não mando para vocês não no roteiro, que eu quero surpreender mesmo. Ele é o seguinte: eu sei que você vende curso, né, de inglês, mas enfim, e conselho. Eu não sei se você vende, mas o quadro é Conselho: Se Fosse Bom, Eu Venderia. E aí é o seguinte: Qual é o conselho que você venderia para alguém que tá nos escutando, mora no Brasil ou mora em outro lugar e quer fazer essa mudança internacional assim, mas ainda tá naquela dúvida assim, cara, que que eu conselho, que eu vou pagar por um conselho? Qual é esse conselho que você venderia para essa pessoa?

AAna

Não sei se esse conselho já veio, já que vocês já trouxeram aqui, né, no podcast. Mas trazendo, puxando até com que eu falei anteriormente, é abrir a cabeça, abrir a cabeça e entender que você não tá no Brasil, né? E aí, para profissão, para o lado profissional e para o lado pessoal, para o lado profissional principalmente, porque voltando até o que você falou algumas vezes, muitas pessoas se frustram, frustram porque acham que vão ter exatamente a mesma coisa que tinham no Brasil, e aí chega aqui, não é isso, tem que lavar roupa, né, limpar a casa, e tipo, né, não tem faxinas assim, né, essa coisa que no Brasil a gente tem com mais facilidade.

Mas nem tô falando tanto desse lado, até pelo lado profissional, sabe. Porque eu vejo muita gente se frustrando achando que vai estar numa casa do tamanho da que tinha, no emprego, né, exatamente o que tinha, com as facilidades que se tinha no Brasil, sabe? Se a sua intenção é morar fora, esteja com a cabeça aberta, porque o Brasil é maravilhoso assim. Não tô aqui dizendo que não é para se morar no Brasil, entendeu? O Brasil é maravilhoso.

A gente é meu país, sabe, sempre vai ser meu país. Tem muita saudade das pessoas, sabe, do dia a dia, da cultura, da comida. Mas assim, é uma questão de escolhas, como eu disse anteriormente. Se a sua escolha é morar fora do Brasil, entenda também que lá fora não é o Brasil, aqui fora não é o Brasil. Abra a cabeça para se adaptar ao novo, para se adaptar à realidade que você vai encarar quando você chegar no seu, seja no Canadá, seja em qualquer outro país, entendeu?

É entender que você vai ter que dar alguns passos para trás de repente para você lá na frente conquistar outras coisas. E tá tudo bem, tá tudo bem, mas desde que você esteja com a cabeça aberta, desde que você entenda que não vai ser exatamente igual. Pode ser lá para frente, entendeu? Mas abra a cabeça e seja paciente, porque você pode conquistar isso. Mas vai, mas tem um tempo para isso, tem um ciclo para que isso aconteça, entendeu?

Veja a gente aqui, né? Entramos e chegamos como estudante, aí você troca de visto, aí você estende o visto, aí você vira residente permanente, aí você espera para dar entrada na cidadania, você tira a cidadania se quiser tirar, se não quiser também tá tudo bem, você entendeu? Então é abrir a cabeça e ter paciência, acho que é isso.

DGDiego Gomes

Cara, é fantástico, obrigado pelo conselho, eu compraria esse conselho. Você falou de umas coisas muito legais aí, mas o que que a Ana hoje falaria para Ana de 25 anos atrás, pronta para embarcar no primeiro intercâmbio?

AAna

O que eu falaria? Vai, só vai, porque vai dar bom. Vai, vai, porque você não vai se arrepender. Vai, porque você sempre quis isso. Vão ter, vão ter barreiras, vão ter empecilhos, vão ter perrengues, vão ter coisas no caminho, mas vai compensar, vai compensar. Só vai. Para quem é de São Paulo, Terminal 3 ali de Guarulhos, que é hora de sair os voos internacionais.

DGDiego Gomes

Ali é a rota, ali é o caminho, ali é o caminho.

AAna

Exatamente. Ana, vai lá para o Terminal 3 que você vai ser feliz.

DGDiego Gomes

Mano, obrigado! Eu não tenho nem como agradecer você por essa história. A sua história, ela mostra que construir uma carreira fora, internacional, não é só seguir um caminho perfeito, sabe? É sobre virar, mexer, adaptar, aproveitar oportunidade. E lá, ó, enquanto tava todo mundo chorando, você tava ali vendendo lenço e tava evoluindo e continuando.

AAna

Exatamente.

DGDiego Gomes

E enfim, esse tempo é maravilhoso. Muito obrigado pelo seu tempo.

AAna

Ah, eu que agradeço. Foi um prazer compartilhar um pouquinho aqui da minha história. Espero que fique aí como uma inspiração, assim, outras pessoas que tenham esse desejo não ter medo, assim, sabe? Realmente, se esse é o seu interesse, tá aí, né? Muitas pessoas fizeram esse caminho, sabe? São felizes, são bem-sucedidas. Então acho que isso é possível. Acho que a até voltando à questão do conselho, é entender que é possível, né?

Então é trilhar, sabe, é fazer tudo isso de um jeito que chegue ali aos seus objetivos. E eu fico feliz em aqui compartilhar um pouco da minha trajetória. Agradeço mais uma vez o convite, espero aí que tenha sido bem legal aí para você e para os ouvintes aí.

DGDiego Gomes

Para mim foi maravilhoso, é. E eu daqui de fora sobre isso assim, essa gente compartilhar, escutar histórias e se se divertir batendo papo, relembrando as coisas que são, que a gente passou, que não foram fáceis, né? E a gente falou bastante da adaptação cultural e do idioma, etc., etc. Então tem um lembrete para vocês que estão nos escutando, né, que seu plano é estudar fora, seja uma graduação ou pós-graduação, mas o inglês ainda parece um obstáculo.

Vale conhecer o programa de Pathway Online da Oxford International Digital Institute. Você pode estudar inglês com professores ao se preparar para entrar em centenas de universidades no Canadá, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Europa, sem precisar de teste de proficiência e sem sair de casa. O curso é 100% online e os ouvintes daqui de fora ganham 25% de desconto usando o código que tá aqui na tela, tá na descrição junto com o link.

E é isso, cara, se seu plano de estudar e de morar fora ainda tá aí de pé, você tem esse sonho, esse é o próximo passo, né? E, cara, por fim, né? Morar fora nunca foi só sobre mudar de país, né, Ana? A gente tá aqui falando disso o tempo inteiro, é se redescobrindo caminho, é se modificar, né, crescer profissionalmente e enxergar o mundo de uma forma que eu acho que a gente não enxergaria se a gente tivesse ficado no nosso Brasilzão, que é maravilhoso, né?

Mas tem muita coisa ali que a gente que a gente tem para evoluir, né? E obviamente fazer o jabá daqui, né? Se esse episódio te tocou, se você gostou, né? Cara, que maneiro e tal, cara, sai compartilhando com todo mundo aí, espalha a palavra. Aquele amigo que você sabe que tá querendo migrar, mas não sabe como, tem a Oxor aí, então já manda para ele o link. Manda aí o bate-papo com a Ana, né? Tipo, garçonete, pô, teve uma porrada de coisa. E hoje trabalha com estudante internacional.

AAna

Que trajetória, por favor! Que trajetória!

DGDiego Gomes

E Cara, segue o Daqui de Fora no YouTube, no Spotify, no Amazon Music, no Apple Podcast. Não deixa de seguir no Instagram, no TikTok. Ative o sininho de notificação para saber quando tem um episódio no ar. E o Daqui de Fora volta daqui a 2 semanas. A gente se vê. Tchau, tchau!

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