Fotografia de Rua, Arte e Educação Visual | Papo com Sabri #29
🎙️ EPISÓDIO 29 – 2ª TEMPORADA | Papo com Sabri
No episódio 29 da segunda temporada do Papo com Sabri,
recebo o fotógrafo e educador André de Oliveira para uma conversa profunda sobre fotografia, imagem, educação visual e o impacto das narrativas no mundo contemporâneo.
Com uma trajetória construída entre o fotojornalismo, a fotografia autoral e a docência, André compartilha sua visão sobre o papel da fotografia nos tempos atuais, discutindo desde a produção excessiva de imagens nas redes sociais até a importância do olhar crítico e da construção de identidade visual no trabalho de um fotógrafo.
Falamos sobre:
📸 fotografia autoral
📸 fotografia de rua
📸 educação visual
📸 processos criativos
📸 fotografia mobile
📸 construção de narrativa
📸 impacto das redes sociais na fotografia
📸 arte, cotidiano e memória visual
André também relembra experiências como docente em fotografia no Senac, oficinas culturais em instituições como Sesc e MAM, além de refletir sobre como a imagem pode contribuir para a educação e para a formação das próximas gerações.
Se você trabalha com fotografia, arquitetura, arte, comunicação, design ou criação de conteúdo, este episódio traz reflexões essenciais sobre sensibilidade, repertório visual e construção de linguagem no universo da imagem.
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👩💻 Host
@sabrifidelis
@papocomsabri
🎙️ Convidado
@andre.oliveira160891
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- FotografiaDesafios com a nova geração · Educação para alunos com deficiência · A importância do entusiasmo
- Fotografia e identidadeConstrução de identidade visual · Processo criativo · Caligrafia visual
- Processo CriativoPerícia técnica vs. visão · A importância da repetição · O papel do acaso
- Câmera digital vs analógicaProcesso contemplativo · Perda da visão do autor · Tempo de reflexão
- Fotos em Redes SociaisProdução excessiva de imagens · Fluxo de informação · Impacto na percepção visual
- Artes VisuaisFotografia como registro · Apropriação da imagem · Ressignificação do olhar
- Gratidão e Bem-EstarValorizar as pessoas · Construção coletiva
- Fotografar como ato de conexãoCombate à anestesia estética · Respeito ao próximo · Conexão com o território
Olá, maravilhosos! Tudo bem com vocês? Gente, o conheci no lançamento deste livro aqui, ó. As Crônicas de uma São Paulo Possível, tá? Do curador Renato Negrão.
Aqui tem muitos fotógrafos, assim, já bombados no Brasil, artistas visuais, tem um pouco de tudo. E no lançamento desse livro, teve um cara que me emocionou só de abrir a boca. E foi exatamente o convidado que está aqui hoje. O André. Prazer, André. Eu fico honrada em recebê-lo. Quando você começa a falar de fotografia, você se aprofunda, mas é tão natural que o meu olho brilhou.
E eu falei, eu quero esse cara no podcast. André, conta um pouquinho da sua história pra gente.
Bom, primeiramente eu queria agradecer muito a oportunidade e o espaço aqui, Sabrina, obrigado mesmo, para mim é uma honra, uma alegria muito grande estar aqui hoje, e bom, falando brevemente um pouquinho sobre meu percurso, meu nome é André de Oliveira, eu sou fotógrafo, sou professor de fotografia, eu atuo na área já tem 14 anos, como docente eu tenho aí mais ou menos uns 12 anos de percurso.
Eu começo a fotografar de uma maneira pouco típica, entre o pessoal da fotografia da minha geração, os alunos do curso técnico da turma em que eu estive, todos eles já tinham tido algum contato prévio com fotografia. O pai ou a mãe já fotografavam, um tio, um amigo, um primo.
alguns já trabalhavam com fotografia e eu era a única pessoa que realmente estava começando ali do zero que era bem crua mesmo assim em quase todos os sentidos eu comecei a desenvolver um pouco do meu trabalho a partir de uma aula de fotografia que eu tive com o professor o professor Leonardo Della Santa inclusive se ele estiver assistindo quero mandar um beijo pra ele um abraço e agradecê-lo porque foi uma pessoa muito importante assim
E que me mostrou um pouco ali do caminho, né? Que eu iria traçar até os dias de hoje. Traço até os dias de hoje, né? Graças ao trabalho dele. E nessa aula de composição, eu lembro que ele foi na biblioteca lá da Cipião, né? Onde eu estudei, do Senac. E ele trouxe uma série de livros, assim, de fotografia. Mas muitos mesmo. Ele deu um trabalhão, assim. O pessoal da biblioteca depois foi organizado. Ele trouxe bastante coisa. Foi um carrinho cheio.
E ele espalhou esses livros assim em cima de uma mesa, ele deu uma atividade, falou assim, vocês têm uns 40 minutos assim para dar uma olhada por cima, e eu queria que vocês pegassem o livro assim, abrissem, trouxessem uma foto, e falassem por que essa foto chamou a atenção de vocês. E aí eu comecei a olhar assim, vi alguns fotógrafos que eu já tinha ouvido falar assim meio de nome, eu não tinha muito conhecimento, eu estava começando ali também na fotografia.
Mas tinha um livro, assim, que estava enfiado debaixo de alguns outros, assim, eu puxei. E era o livro do Cartier-Bresson, né? Um fotógrafo francês que sempre foi uma das minhas maiores referências. E aí, quando eu abri, assim, né? A página do livro, tinha uma dupla de fotos, que é uma foto bem conhecida do Bresson, que é um cara pulando uma poça de água, assim, numa estação de trem. E uma outra foto que é uma escada, assim, né? Em caracol e uma bicicleta. Um cara de bicicleta passando.
Eu lembro que aquilo mexeu tanto comigo, aquilo me despertou uma coisa que eu não sei te explicar. Eu falei, puta, eu quero fazer isso aqui. Eu não sei como vai ser, mas eu quero fazer isso aqui.
E aí, a partir daquilo, eu fiquei muito mobilizado, muito motivado a fotografar na rua. Aí eu comecei a pegar minha câmera, eu tinha já uma relação muito próxima com essa coisa de andar pela rua sem destino. Isso aí começou, acho que desde a infância. Eu morei a minha vida toda numa cidade aqui da Grande São Paulo chamada Caeiras. Os meus pais mudaram para lá quando a cidade era bem pequenininha mesmo, não tinha nada.
O meu pai trabalhava bem longe de casa, então eu ficava o dia inteiro com a minha mãe e tudo que a gente ia fazer a gente ia andar a pé. A gente andava bastante ali. Então acho que foi dali que eu já comecei a ter esse gosto por andar a pé. E aí na adolescência, quando eu tinha uns 12, 13 anos, que foi quando eu comecei a pegar ônibus e andar, eu também comecei a criar gosto por isso, de pegar, às vezes sair e ficar andando sozinho.
Ver a cidade, ver as coisas, isso foi uma coisa que sempre teve presente na minha vida.
Mas aí quando eu comecei a estudar fotografia, eu acabei trazendo esse gosto por perambular pela cidade e comecei a meio que, através da fotografia, colecionar algumas coisas que eu enxergava. Muito inspirado no trabalho do Cartier Bresson.
E, né, pouco tempo depois eu tive contato com o trabalho do meu grande mestre amigo, né, também uma outra pessoa que ia marcar a minha vida pro resto da vida, que é o Carlos Moreira. Foi um outro professor, o professor Dayan, também se estiver assistindo, quero deixar um abraço pra ele, que falou do trabalho do Carlos pra mim. Ele falou, pô, cara, é um trabalho que tem muito a ver com o trabalho do Bresson, né, um fotógrafo aqui de São Paulo, fotografou São Paulo durante muitos anos.
E, na época, a internet era bem diferente do que é hoje. A gente está falando de 2010, 2011. A gente não tinha tanto contato. A internet não era tão dinâmica quanto é nos dias de hoje. Era a época do Cybershot já, não era?
É, não, ali a gente já tinha, né, o digital já tinha celular com câmeras, apareceu celulares com câmeras boas, assim, mas ainda não tinha essa integração toda com rede social, né. Eu até brinco com o pessoal mais novo, né, às vezes eu dou aula para uma molecada aí que nasceu em 2005, é muito louco, né.
Você vê que tem gente que nasceu em 2005, 2004. E eu falo para eles, cara, eu lembro que a gente tinha que sentar em casa, no computador, separar uma hora, uma hora e meia, sentar para abrir Facebook, abrir e-mail, entender ou responder mensagem. Você, quando via, por exemplo, um post de alguém, era um texto, você parava para ler aquilo, você tinha que parar um tempo para formular uma resposta, para escrever, as coisas eram muito mais lentas. Então, eu não tinha esse contato tão próximo.
E aí eu lembro que eu descobri um site do Carlos na época, assim, na internet, e tinha uma galeria lá com as fotos dele de São Paulo, muito da década de 60, 70, né, que é o período mais bressoniano dele, onde ele estava muito mergulhado nessa busca, né, e depois da década de 80 para frente, quando ele tem um episódio na vida dele ali que faz ele mudar, né, passar a fotografar em cor, ele também continua fotografando em São Paulo, fotografa muito a cidade de Santos também.
E aquele trabalho mexeu muito comigo, né? Aquela coisa de você ver as nossas ruas, né? Você vê o centro da cidade, você vê a Barra Funda, a Lapa, esses lugares fotografados com aquela linguagem. Aquilo me fascinou muito. E eu lembro que na época também, né? Ainda não existia o WhatsApp, essas coisas. Tinha um campo lá no site que era um campo de contato. Aí eu escrevi um e-mail para o Carlos da maneira mais pretenciosa que você pode imaginar. Poxa, eu gostei muito do seu trabalho, né? Parabéns e tal.
E aí o Carlos falou assim, cara, eu vou dar uma aula sobre Bresson semana que vem, você quer vir assistir? E eu falei, pô, quero. E aí aquela aula mexeu muito comigo, né? Ele falou sobre várias coisas que expandiram muito os horizontes, assim, foi onde eu entendi, né? Eu compreendi o que eu queria, pelo menos dentro do âmbito mais autoral, mais pessoal, com a fotografia.
E aí continuei produzindo. Nesse meio tempo, eu também tentei construir um meio de sobrevivência através da fotografia. Afinal de contas, a gente precisa se manter de alguma forma. Antes de eu entrar...
no curso técnico, né, de buscar, trabalhar com fotografia, eu tinha trabalhado no jornal da cidade onde eu morava, o Primeira Impressão. Quem me abriu as portas também foi uma outra pessoa muito querida, que é o Ronaldo, o Ronaldo Calheiros. Um outro beijo também se estiver assistindo.
E lá eu tive um primeiro contato meio de leve com fotografia. Eu entrei lá como assistente de artes gráficas. Então eu fazia muito diagramação, montava peças gráficas de anúncio, coisas do tipo.
E uma das funções também era tratar foto, né? Trabalhar com tratamento de imagens. E eu fazia, assim, bem de maneira bem intuitiva, né? Nunca tinha feito curso de nada. Fui aprendendo conforme as demandas do trabalho aparecendo.
E um dia, né, eu tava meio naquela fase dos 17, 18 anos, né, que você tem que escolher o que você vai fazer pro resto da sua vida, mesmo sem saber o que você quer da sua vida. E eu tava muito angustiado com aquilo, né. Os meus pais tinham uma preocupação muito legítima, né, eu entendo hoje melhor do que na época, que eles estavam muito preocupados com o fato de eu ter uma vida digna, né, de eu ter um trabalho, de eu ter uma profissão.
E eles falavam, filho, você precisa estudar, precisa fazer uma faculdade. Só que eu não sabia o que eu queria fazer.
E aí eu estava numa fase muito angustiada com isso. Um dia meu chefe, o Ronaldo, chegou, né? Ele viu que eu estava assim e falou, vem cá, vamos conversar. Por que você está meio para baixo? Aí meu boro coxou esses dias. Aí eu falei, pô, estou com isso na cabeça, tal, não sei o que eu faço. Aí ele falou, mas assim, no que você tem feito aqui no jornal, nada te chamou atenção? Eu falei, pô, eu gostei muito de diagramação, acho que eu vou fazer um curso disso, né?
Aí ele olhou assim para mim e falou assim, não, você tem que fazer um curso de fotografia.
Você tem tudo a ver com fotografia, você tem o perfil e tal, você tinha que fazer. Eu falei, mas sim fotografia. Ele falou, pô cara, eu acho que você tem que fazer um curso de fotografia. Enfim, passou um tempo, eu fiquei mais um tempo ainda no jornal, saí, fui fazer outras coisas, mas fiquei com aquilo na cabeça. Eu, durante um tempo, trabalhei com um amigo meu que tinha um caminhão, fazia entrega de produtos alimentícios, eu era ajudante dele.
Era um trabalho braçal, eu conseguia ajudar o sustento em casa, mas eu sempre gostei de estudar e eu ficava com aquilo na cabeça, eu precisava ter alguma coisa, ter um caminho, fazer de alguma forma um jeito de eu conseguir ter uma carreira, ter um trabalho.
E eu fiquei matutando muito no que eu poderia fazer e me veio aquela conversa na cabeça, um curso de fotografia. Aí eu peguei, fiz a minha inscrição no curso técnico lá do Senac, na Lapa Cipião, e foi onde eu comecei. Então eu tinha uma vontade muito grande de trabalhar na área do jornalismo.
A minha intenção desde o começo sempre foi essa. E aí eu fiquei correndo atrás de produzir um portfólio, de tentar conhecer pessoas que pudessem me ajudar. Eu trabalhei na agência de um dos professores lá do Senac, que era a Foto Arena, o professor Caetano Barreira. Foi um excelente professor também, muito importante para mim.
E eu trabalhei um tempo lá. Eu tentei desenvolver um trabalho dentro dessa linguagem durante um bom tempo. Eu fiquei uns dois, três anos nessa área. Eu peguei muito daquela época das manifestações de 2013, 2014. Eu cobri bastante essa parte de política.
Mas eu, sei lá, comecei a perceber que existe uma diferença entre a gente gostar muito de uma coisa e a gente ser bom em uma coisa. E ali eu percebi que dentro daquele nicho do fotojornalismo era uma coisa que eu gostava muito, gostava muito daquela dinâmica.
mas o meu trabalho não estava acontecendo, não estava rolando ali naquele lugar. E aí é onde a gente às vezes precisa ter aquele... É meio difícil a gente admitir e procurar outros caminhos. A gente tem aquela ideia de que tem que continuar assistindo. E é verdade, a gente não pode desistir das coisas. Mas às vezes a gente precisa procurar outros caminhos. E aí nessa mesma época, começo de 2013...
Eu já estava fazendo, já tinha concluído o curso técnico, e aí eu comecei o bacharelado em fotografia, eu estava começando o curso, mas eu estava um pouco frustrado com a fotografia, principalmente por essa parte profissional, o mercado editorial tinha mudado bastante, eu ainda estava pedalando um pouco dentro da fotografia e tendo algumas dificuldades para entender aquela linguagem, aquela dinâmica.
E aí uma amiga minha, que tinha feito o curso técnico, a Renata, ela trabalhava numa escola de fotografia full frame, e ela comentou comigo, falou assim, cara, vai rolar uma seleção para professores, por que você não vem fazer? Eu lembro que eu brinquei com ela, falei assim, pô Renata, eu não dei certo no negócio, eu vou ensinar o que para os outros?
E aí ela falou, não, cara, vem, pô, eu lembro de você no curso, você sempre falava de referência e tal, pô, cara, vem, pelo menos tenta fazer, eu falei, não vou pagar para participar, né? Ela, não, não vamos. Aí eu peguei e fui. Cheguei lá, eu lembro que tinha vários candidatos ali já mais experientes, até fiquei meio intimidado assim.
Mas as fases da dinâmica foram passando e eu acabei sendo aprovado lá. E eu lembro o primeiro dia que eu entrei em sala de aula como professor foi no dia 5 de maio de 2013. Desde lá são 11 anos. Já está indo para 12. 2025, né? 2012 são 12 anos, é muito tempo.
Boa, né? Gente, o André falando, eu só estou escutando. Porque tem pessoas que a gente só absorve. A gente tem que absorver conhecimento. E André, eu gosto da forma como você lida a sua visão. Eu quero que você fale para eles aí, assim, em relação à fotografia. A gente fez um roteiro, mas vão surgir outras perguntas, tá bom?
Nos dias de hoje, como você encara a fotografia? Eu acho que a gente vive num momento de grandes transformações no mundo. A tecnologia, a internet, agora a rede social, a inteligência artificial, ela vem...
trazendo muitas facilidades, ela vem trazendo possibilidades inúmeras de realização de tarefas, de interação com o mundo, enfim, de abertura de novas perspectivas em relação ao que a gente tem na nossa realidade.
Mas o que acontece? Essas mudanças, elas trazem coisas muito positivas, mas elas também requerem, de alguma forma, uma preparação para isso. Elas precisam ter uma estrutura ali que vai fazer com que isso se sustente e que isso, de alguma forma, tenha um impacto positivo na vida das pessoas.
Como estava comentando agora há pouco, eu sou de uma geração, enquanto fotógrafo, que a gente não tinha essa integração constante com redes sociais, a gente não vivia permanentemente conectado. Os celulares não tinham aplicativos de Facebook, Instagram, essas coisas foram surgir depois. Então, eu ainda sou de uma geração muito do texto. O próprio Facebook não tinha essa coisa da timeline tão frenética quanto é o Instagram.
Você tinha uns posts com muito texto, né? Quando eu comecei a estudar pela internet, lá pelos idos de 2009, 2010, que a internet era muito diferente do que é hoje, você conseguia achar livros, você conseguia achar texto. Você não tinha vídeos, né? Tutoriais, essas coisas. Era a Barca, né? Barca que fala? A Barça. Barça, eu tinha Barça. É um clássico. Não, passava de pai pra filho. É. Aí depois era a coletora em CD. Sim, sim. Nossa, quem tinha aquilo era o Uau. Pois é.
nossa época de bibliotecas eu fiz muito trabalho de escola na biblioteca, então era uma outra relação, a coisa a linguagem textual era muito presente e com a inserção das redes sociais na nossa vida a gente teve um primeiro passo disso assim mais acho que
uma coisa mais forte, mais presente em 2012, 2013, quando a gente tem aquela série de manifestações, que a gente vê uma série de órgãos independentes, de iniciativas independentes, começam a cobrir as manifestações, começam a usar as redes como uma ferramenta de comunicação. A gente começa a ter essa integração muito... Ela começa a ser um processo muito presente na vida das pessoas. O que acontece?
A rede social, como ela trabalha com um fluxo de informações muito grande e no intervalo de tempo muito curto, o texto às vezes não dá conta de transmitir isso tudo, porque o texto é uma forma contemplativa, você tem que sentar, ler, enfim, é uma forma que leva mais tempo. A imagem tem uma coisa da síntese, ela consegue pegar ali uma história, uma narrativa.
E ela consegue sintetizar isso através dos elementos visuais e dos símbolos. E o que acontece? A gente não teve um processo de alfabetização visual. A gente não teve um processo de educação nesse sentido. Então, hoje, a fotografia é a principal linguagem não verbal da nossa época.
É a principal linguagem que não é textual, que não é verbal, oral, do nosso tempo. E como a gente estava comentando agora, ela não tem mais só esse papel do desenvolvimento do lúdico, do criativo ou puramente informativo. A fotografia sempre teve uma relação muito forte com essa questão do informar.
com esse aspecto da comunicação. Mas hoje em dia, eu comentando com um amigo uma vez, ele me trouxe uma analogia que eu achei perfeita. Eu, nos anos 2000, anos 90, tinha uma coisa de que você tinha que fazer um curso de inglês e um curso de informática, porque senão você não conseguia se inserir em nada no mundo.
E eu acho que hoje em dia, se você não estudar a imagem, seja através da fotografia, do vídeo, enfim, de qualquer forma, qualquer linguagem, você corre o risco de ter o mesmo isolamento, assim, cultural, que uma pessoa nos anos 90, anos 2000 tinha quando não estudava inglês ou não tinha nenhuma familiaridade com informática. Com certeza. Em relação aos trabalhos autorais?
Então, eu acho que a gente teve uma mudança muito significativa também quando o digital começou a se tornar a linguagem dominante, a plataforma dominante dentro da forma de fazer fotografia. O filme tinha uma coisa de restrição por conta do aspecto técnico.
Ela tinha uma coisa do domínio técnico e criava uma delimitação. Então, a pessoa que tinha domínio do fazer, de como fotografar, como revelar um filme, como copiar uma imagem, ela conseguia, de alguma forma, se colocar ali dentro desse nicho da fotografia. E hoje, os desafios são outros. Por quê? O digital trouxe uma faceta de massificação da fotografia.
quando o digital aparece ele corta uma parte considerável do custo, que é o fato de você não ter que comprar filme mais, você não ter que mandar revelar que era caro, e você levar um tempão para ver as fotos e geralmente
as fotos que você fazia ficavam ali na esfera do privado, né? Você tinha ali os álbuns de família, era só alguém da família muito próximo que tinha acesso àquilo, né? E em situações muito específicas. Quando o digital surge, ele corta essa segunda parte, né? Você consegue ver a imagem na tela, atrás da câmera, no momento que você faz, e você consegue ver isso no computador, né?
Isso também acaba se misturando com o fato da internet ter encurtado esses processos de compartilhamento de informação. Então, a partir do momento em que a fotografia passa a interagir, passa a existir nesse ambiente virtual, ela também acaba entrando nesse hall aí.
elementos que são muito facilmente compartilháveis, esse encurtamento desses processos também acaba atingindo a fotografia. Então, o que aconteceu? O que decorreu disso? Você tem ali também a inserção das câmeras fotográficas nos celulares, isso fez com que muito mais gente fotografasse, e com as redes sociais a gente tem também um fluxo.
muito grande de imagens todo dia sendo produzidas, né? E a gente consome muita imagem todos os dias. Com certeza. E o que acontece? Hoje em dia, o desafio que a gente tem dentro da fotografia, no âmbito profissional, principalmente no âmbito profissional, não é mais você ser capaz de operar uma ferramenta. Você ser capaz de operar uma câmera no modo manual não te faz fotógrafo.
essa visão é uma visão do século XX como era por exemplo um cara que aprendia no Senai a operar um torno mecânico, o cara ficava a vida inteira fazendo isso porque ele era um técnico naquilo. Então, mas eu tenho uma percepção que eu tenho uma história, eu fui criada minha mãe era fotógrafa ela tinha aquelas Kodaks maravilhosas nossa, eu lembro que quando eu quebrei uma pequena, minha mãe ficou louca
Você acabou com a minha lente. Que eu adorava desmontar e montar as coisas. Papai engenheiro, então eu acho que eu ordei isso dele. E assim, eu percebo que hoje é muito rápido, né? O pessoal pega, eu vejo o pessoal fotografando. Aqui mesmo no estúdio, os meninos pegam a máquina, fotografam.
Eu observo o tratar da máquina de um profissional e de um semi-profissional. O profissional, ele olha, pá, foi. O semi, ou aprendiz, ou curioso, ele pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá. Gente, a máquina tem um tempo de vida.
E tem a questão do seu olhar, né? Ficou no automático, foi se atualizando e ficou-se no automático. Mas dá pra diferenciar, quem tem um bom olhar diferencia. Então, é que isso, né? Essa coisa que você tá comentando, né? Das pessoas pegarem e fazerem, fazerem, fazerem, fazerem, fazerem, muitas vezes sem reflexão, sem entender o que estão fazendo, ela deriva muito desse processo, né?
dessa hiperconexão, desse tempo de conexão constante que a gente tem com as redes. Essa estrutura toda que a gente tem, ela tem uma característica de acelerar os processos, de encurtamento de processos, de hiperaceleração do tempo. Então, isso acaba se espraindo para todas as outras coisas. Mas a qualidade cai.
Sim, porque quando a gente está produzindo alguma coisa, seja escrevendo um texto, escrevendo um bilhete, uma mensagem no WhatsApp para alguém, se a gente escreve correndo enquanto a gente está andando pela rua, com medo de ser assaltado, querendo pegar o ônibus, aquela mensagem vai sair ali com erro de ortografia, às vezes com parágrafo meio sem pé nem cabeça.
quando a gente senta para escrever e está respirando, em uma frequência civilizada, a gente consegue elaborar muito mais. Então é a mesma coisa. E aí entra o que você estava me perguntando. Quando você...
começa a desenvolver o seu trabalho dentro da fotografia, você começa a estudar fotografia, tem dois braços ali que você precisa ter em vista que vão precisar ser desenvolvidos. Primeiro, você precisa ter perícia técnica, você precisa ser capaz de operar o seu aparelho, seja ele qual for. Porque se você não tem...
capacidade técnica para realizar uma imagem, você pode ter a imagem mais incrível do mundo na sua cabeça, mas você não consegue traduzir isso para a fotografia. Então você tem que dominar a sua ferramenta, você tem que ser capaz de fazer com que ela traduza o que está na sua cabeça. Só que aí vem a outra parte, você só ser capaz de operar um aparelho faz com que você fique muito limitado ao que o aparelho é capaz de oferecer.
tem um autor chamado Willem Flusser, tem um livro chamado A Filosofia da Caixa Preta, que fala bastante sobre isso. Já vou anotar aqui, gente. É um livro muito legal, para quem gosta de fotografia e para quem não é do universo da fotografia, acho que vale super a pena ler.
Ele fala muito disso, né? Então, assim, a gente fica muito limitado em função do que o aparelho é capaz de oferecer. Agora, para a gente ser capaz de criar a fotografia, a imagem tem que estar na nossa cabeça primeiro. A imagem começa na nossa cabeça. A câmera é só um intermediário, é uma ferramenta que materializa o que está aqui, o que está na tua cabeça. Então, o desenvolvimento de um trabalho autoral, ele vai fazer primeiro com que você...
Cria o hábito de fotografar, né? Porque a gente... Quando vai fazer qualquer coisa, né? A gente não entende que, muitas das vezes, em função também muito desse ritmo acelerado dos dias de hoje, que a gente precisa dar repetição para conseguir aprender as coisas. A gente não faz uma coisa uma vez só e aprende. Sim. A gente precisa fazer várias e várias e várias vezes. Tem que praticar.
né, você vai fazendo porque todo conhecimento que você absorve ele passa por dois estágios, primeiro ele passa pela área mais racional do teu cérebro, então você vai meio que pular amarelinha, né, você vai juntar a lé com o cré, então pô, o cara vai fotografar aqui, ele vai pensar no ISO que ele vai usar, depois a velocidade do obturador e o diafragma, ele vai fazer isso juntando sílabas mesmo
Só que depois de um tempo de tanto fotografar, de tanto experimentar, esse conhecimento fica intuitivo. Você pensa sem pensar. Você executa aquela operação sem precisar pensar aquilo racionalmente, sem precisar juntar essas coisas, porque elas já estão na sua cabeça. É como se fosse dirigir ou projetar na minha profissão. Exatamente. Perfeito. Exatamente. A analogia perfeita é essa mesmo.
Então, assim, você vai fazer com que você avance para esse outro estágio e você estando nesse outro estágio, você permite, você tem mais facilidade para dar vazão a essa imagem que está na sua cabeça. E a importância do conhecimento do não digital, do analógico? Então, entra um pouco nisso, na questão do processo.
O digital tem uma coisa incrível. Primeiro que assim, o fato de você conseguir ver a foto ali, ver a imagem depois na tela da câmera ou mesmo na tela do computador, ela ajuda muito você ter esse contato direto.
que você, às vezes, não tinha com o filme, né? O filme, você levava mais tempo, né? Para poder ver a imagem depois. E, né? Você tinha que, necessariamente, ter um objeto físico. Ou uma cópia, um contato, ou coisa do tipo. Sim. Então, o digital, ele permite que você tenha esse contato direto, né? Com o que você produziu ali, mais instantâneo. E isso, num processo de aprendizado, pode ser muito útil.
Agora, qual é o grande problema disso? Quando você está, por exemplo, fotografando, você está com a câmera na rua, ou você está, às vezes, no estúdio fotografando, que seja uma pessoa, um objeto, a sua cabeça funciona de uma forma. Você está preocupado em ajustar a exposição, ajustar o foco, se você está na rua, você está preocupado em não ser assaltado, você está preocupado se vai chover, você está preocupado com o ônibus que você tem que pegar.
Se você está no estúdio, você está preocupado com a luz, com a modelo. Às vezes a modelo está vendo que a pessoa está cansada, o objeto você vê que está arriscado e não podia estar arriscado. A sua cabeça está preocupada com várias outras coisas. Quando você começa a olhar para a foto ali na tela da câmera, você deixa de ser autor do seu trabalho e passa a ser espectador do seu trabalho. E o espectador é muito injusto. A tendência de você achar tudo muito incrível ou muito ruim é muito grande.
e assim, tem muitas situações eu mesmo passei muito por isso de ter certeza que eu fiz uma imagem que era um golaço olhando na tela da câmera e quando você olha no computador e fala, putz, não né e as vezes uma imagem que você faz de uma maneira muito despretensiosa quando você olha depois de um dia, dois na tela do computador, você fala, puxa, nossa, isso aqui é muito legal
Então, esse espaço de tempo, essa leitura contemplativa que você faz do seu trabalho, ela ajuda você a entender melhor o que você faz, a você ler melhor. E o digital, ele encurta muito esse processo. E as pessoas tendem, por conta dessa facilidade de fazer muitas fotos, elas procuram a foto no momento que elas colocam a câmera no olho.
E é aquilo que a gente estava conversando. A imagem está na sua cabeça. A câmera é um botão de confirma. Eu costumo dizer que tem a questão da visão tridimensional. Agora existe 7D, 10D. Você está por dentro melhor que eu. Outro dia eu fui numa visita que era 7D. Eu falei, gente, eu parei no 4D.
e eu tenho por prática de estudar arquitetura, designer fotografia e o fotógrafo também tem é então você tá falando a gente tá aqui, você já fechou vários ângulos desse estúdio, por exemplo, não fechou? sim, a gente fica olhando todo o tempo você não para, né? a gente fica todo o tempo olhando
A percepção, né? Ela se desenvolve e a partir disso ela passa a fazer parte da sua vida, né? Todo o tempo. Eu quero. Agora, gente, para tudo. Eu tô aqui só ouvindo, admirando, babando, limpa a barba. Miguel, compartilha o trabalho do André pra todo mundo ver. Gente, eu vou pedir autógrafo, porque eu sou da... Eu até deixei marcado aqui.
O final ali. Não. É a pasta final? A pasta final. A pasta final. Essa é a pasta final. É a final do início. Então, 10, 11.
Conte-me tudo, não me esconda nada. Então, e aí, para amarrar com isso que a gente estava falando, então, o analógico, seja o processo de produção de imagens analógicos, o processo de apreciação de imagens através de livros, de exposição, primeiro ele exercita essa coisa mais contemplativa, de você observar as coisas com mais calma no outro tempo.
E também essa coisa do processo analógico, seja apreciação ou produção, ela faz com que você trabalhe num tempo menos acelerado. Ela faz com que você trabalhe num tempo um pouco mais respirável, um pouco mais contemplativo.
E esse tempo contemplativo, ele leva você a pensar antes de fazer e não pensar enquanto está fazendo. O digital, ele leva muito a gente a tentar pensar enquanto a gente está fazendo as coisas. E essa coisa de você antever, de você...
Prever as coisas vem muito desse processo contemplativo, de você parar em frente a alguma coisa e olhar, parar em frente, se debruçar no texto e ler o texto. Essas coisas são importantes. Então, esses meios trazem um tempo diferente.
E uma forma de apreciação não só das imagens, mas também do mundo, né? Que eu acho muito mais humano, muito mais próximo daquilo que a gente precisa. O digital, ele é interessante, mas ele trabalha num tempo, acho que sobre o humano, na minha opinião. E, enfim. Isso é profundo, porque você está falando e eu estou aqui viajando. A gente está aqui num ponto, numa perspectiva, que é uma esquina.
Ao mesmo tempo, ter uma figura de um caminho, mas ele está seguindo um outro caminho. Essa avaliação é muito individual, né? Sim. Às vezes você estava buscando uma outra sensibilidade, mas foi o que me passou.
Mas a beleza da coisa é isso daí, né? Eu sempre falo para todo mundo, lá no curso técnico, às vezes eu dou algumas aulas de orientação de projeto, né? A gente tem o que a gente chama de projeto integrado, que é basicamente o desenvolvimento de um trabalho, né? E eu sempre falo para todo mundo que, assim, a gente não tem que...
sofrer muito com essa coisa da autoria, né? É uma coisa muito cara pra gente, o meu trabalho, né? O que eu quero dizer, como eu quero que seja visto. Eu acho importante a gente ter uma preocupação com isso, né? A gente querer entender como o nosso trabalho vai ser visto, pensar a narrativa, pensar as imagens como elemento narrativo. Mas a gente tem que entender que a imagem só existe a partir do momento que outra pessoa vê.
Se eu faço uma foto como essa e eu guardo ela no meu HD e ninguém vê, ela não existe. E ela vai passar a ter vida a partir do momento em que outra pessoa se apropria dessa imagem. Ela vai ver, ela vai ter ali uma interpretação, ela vai ter uma relação com aquilo.
Que é o que humaniza a coisa, né? Que ressoa. Existem alguns fotógrafos, né? Alguns autores, não só fotógrafos, mas pintores, músicos, né? Enfim, que às vezes tem uma capacidade tão grande de tradução, de sentimentos, de pensamentos, que ela consegue fazer ressoar na outra pessoa aquilo que ele estava pensando, aquilo que ele estava sentindo. Sabe um que me toca muito? Pierre Verger. O Verger é maravilhoso. Verger é um... Uma das primeiras coisas que eu fiz quando eu fui para a Bahia foi para o instituto dele.
Então é um pouco isso. E aí você estava comentando na pergunta também do trabalho autoral. Então o trabalho autoral para mim é fundamental porque ele vai desenvolver essa percepção e ele também faz com que a gente busque o desenvolvimento de uma coisa que meu grande mestre amigo Carlos Moreira falava, que é o desenvolvimento da nossa caligrafia visual.
A gente chama de identidade e tudo, mas eu acho caligrafia, visual, um termo muito bonito. Fotografia, a palavra fotografia, vem de duas palavras do grego. Fos, que significa luz, e grafos, que significa escrita. Uma coisa é você ter uma tipografia. Antes tinha a máquina de escrever, a gente tem o teclado com fontes diferentes.
mas elas são padronizadas, né? Se você pegar a mesma fonte e digitar em computadores diferentes, ela vai ser a mesma coisa. Agora, a caligrafia não tem uma coisa do jeito como você segura a caneta, do jeito como você pressiona ela no papel, né? É um desenho que parte de você. E na fotografia também existe, né? Uma caligrafia visual, uma impressão digital do fotógrafo.
E o trabalho comercial, ele pode estimular isso na gente? Pode, mas a gente tem que lembrar que o trabalho comercial, ele atende uma demanda, né? Essas demandas, às vezes, elas passam por tendências, passam por algumas expectativas, né? Que geralmente determinadas linguagens têm, determinadas demandas. Agora, quando você aponta a câmera, sem que alguém te mande apontar a câmera pra algum lugar, quando você escolhe isso, né? Você entra nessa...
nesse processo de autodescobrimento, de se conhecer, de conhecer aquilo que você fotografa, de conhecer o mundo e desenvolver uma percepção sobre ele de alguma forma. Então, eu acho que a importância do trabalho autoral para um fotógrafo é esse autoconhecimento, ele se conhecer, quem ele é como fotógrafo, quem a pessoa é como fotógrafo, o que ela tem para contribuir, o que as imagens dela tem para falar sobre o mundo, sobre a própria pessoa.
E isso também é o que faz com que você tenha espaço no mercado de trabalho hoje. É aquilo que a gente estava comentando, né? Operar um aparelho, uma câmera digital, seja ela qual for, seja uma profissional, um celular, ou qualquer uma que seja, não faz de você fotógrafo, né? O que você é capaz de falar através da fotografia te faz fotógrafo.
e aí você só desenvolve essa gramática muito pessoal, essa carigrafia visual, através de um trabalho que é seu, de algo que você quer falar a respeito. Então eu acho que para quem quer trabalhar com fotografia, quem estuda fotografia mesmo de maneira diletante, de maneira amadora...
eu acho que é o caminho mais incrível que você tem para poder se relacionar com isso. Porque o encanto pelo próprio aparelho, pela técnica, ele é legal você descobrir as técnicas. Eu, quando descobri o que era a profundidade de campo, você conseguia desfocar o fundo por causa do diafragma, da distância. Eu achei aquilo o máximo, o obturador. Você trabalha com velocidade alta, deixa o movimento borrado, congela. Eu acho que é incrível. Mas é uma coisa ali que, depois de um tempo, aquilo passa.
Agora, quando você está buscando algo que é seu, essa velhinha nessa chama interior, ela fica acesa de maneira permanente. Então, eu acho que, fechando essas perguntas que você me fez, eu acho que a importância está muito relacionada a isso. É sensibilidade, né? Isso. Gente, eu não quero nem perguntar. Não, pode ser monólogo. Não tem problema, não. Imagina. Não, tá...
Tem pessoas que elas agregam naturalmente. Você é uma pessoa que agrega só o fato de você começar a falar...
Eu tenho muita conexão com a arte. Eu nasci no meio. Sempre respirei. E, assim, hoje, poder estar mais ativa, próxima, trabalhando... Eu não tenho palavras para mensurar a minha felicidade. Até me emociona um pouquinho. De estar trabalhando com o projeto de ruptura, de estar aqui com o podcast.
A gente estava conversando antes de começar a gravação.
Como é difícil ter conteúdo relevante com conteúdos parrudos na internet. Hoje é tudo muito volátil, raso, rápido, que você falou. A cobrança de estar com o celular ali, com a preocupação de ser roubado. E ter aquela questão, acho que nas redes sociais hoje, criar conteúdos relevantes.
Sim. Lá atrás, há uns três anos atrás, eu tinha um bruto de um currículo, tá? Eu falei, tá, como que eu vou... Como que eu vou me sobressair na internet? E aí que eu criei esse canal aqui. Pra quê? Pra fazer algo colaborativo, que traga pra eles.
Com certeza, do mesmo jeito que tá me emocionando, tá emocionando as pessoas que estão assistindo. Tá passando... Cada pessoa que foi registrada nesses seus cliques, elas estão passando por algum momento. É uma seta direcionando por um caminho, no momento de chuva.
Será que ela está preocupada porque ela saiu do médico? Então, assim, é uma avaliação, é bom fazer isso. Às vezes a gente está num automático de vida que a gente para de analisar todo o entorno, ainda após pandemia, né? Que as pessoas, eu achei que as pessoas vão ficar mais calorosas, elas ficaram mais individuais. Não sei se você, como professor, tem essa percepção.
Foi um período que eu acho que do qual ninguém se recuperou ainda, na minha opinião. A gente ainda está vivendo um rescaldo muito prolongado disso. É, e assim, eu percebo que a individualidade, a falta de empatia, o trabalho, empatia eu tenho no meu organismo, mas as pessoas têm muita gente que não tem. Fala-se, mas não exerce a preocupação.
É, mas sabe o que acontece? Eu até falo muito disso dentro do trabalho, assim, da educação, né? Essas ferramentas que a gente tem, né? No caso da fotografia, quem trabalha com música, com audiovisual, enfim, elas são ferramentas muito poderosas, né? Elas são conhecimentos que ela tem justamente nessa capacidade de criar essa ressignificação. A gente, as pessoas, né?
não posso dizer que não tem totalmente culpa, porque a gente sempre tem responsabilidade sobre tudo que a gente faz, mas eu acho que as pessoas, de alguma forma, elas também são sujeitas a toda uma estrutura que também faz a gente interagir com o mundo dessa forma. Tem um livro de um filósofo chamado Nicolas Bourriot, chama Formas de Vida, a Arte Moderna e a Invenção de Si. Esse livro é incrível.
E no começo ele fala muito sobre a grande reforma de Paris, lá quando o Baron Haussmann derrubou a cidade inteira, que eram casas, eram cortiços, com ruas muito estreitas. A cidade de Paris era uma cidade cheia de ruas muito estreitas, muitos becos. E as comunas resistiam ali ao imperador naquelas ruas, criavam umas barricadas com barris de vinho.
E aí o que o Napoleão III fez? Contratou o Baron Hausmann para mandar demolir a cidade e construir os boulevards, né? E aí as avenidas eram largas, então ninguém conseguia tampar, todos os prédios lá têm mais ou menos a mesma altura, né? Então se alguém sobe num prédio consegue ver a cidade inteira.
E o que acontece? Muito da vida da cidade começou a acontecer no centro de Paris, ali no século XIX. E o que eles fizeram? Todas as fachadas dos prédios eram iguais, as ruas eram muito parecidas. Isso acabou criando de uma forma também uma destruição dessa relação estética com a vida. A gente fala de estética dos sentidos, da visão, da audição, para facilitar essa coisa do fluxo de trabalho, do caminho para a fábrica. Então...
É um processo que a gente vem herdando dos nossos avós, dos nossos pais, de levar essa vida sem esse contato estético. O professor Ronaldo Enter, né, ele fala muito sobre o conceito de anestesia, né, que é você estar, de alguma forma, não disponível para esse contato estético, né. Quando você toma anestesia, por exemplo, no céu da boca para fazer um canal, ele fica dormente, né. A sua visão pode ficar dormente, a sua audição pode ficar dormente, né.
Então, eu acho que quem trabalha na área da fotografia, do audiovisual, da música, no ensino, principalmente, a gente tem uma tarefa geracional que é estimular as pessoas a terem esse contato estético com a vida. Olhar para as coisas, ouvir as coisas, sentir as coisas. E a fotografia, no caso, a fotografia de ruas, a fotografia urbana, para mim, ela tem muito disso.
Como ela trata muito, eu fotografo sempre muito próximo da minha casa, nos lugares, tem a ver com a gente olhar para o nosso território, para o nosso lugar, a gente ter uma segunda vista para a coisa, olhar de uma maneira um pouco mais demorada, como diria o Robert Frank.
Então, eu acho que a gente tem quem tem essa... quem está dentro dessas linguagens, dentro desse tipo de trabalho, tem essa função geracional, né? Que é despertar novamente esse interesse, né? Essa vontade de conhecer o mundo, de ver o mundo, de sentir o mundo, sabe? Então, mas o automático. Acho que você falou tudo. A questão de estar anestesiado devido à rotina.
bater meta, pagar as contas hoje a inflação está muito alta a gente sabe, a economia no mundo está péssima então a gente paga, o valor da nossa moeda não é a mesma coisa quando se iniciou lá atrás quando um real era um real hoje é uma fração então a gente começa a ficar no automático acho que é a Cabresto que fala que você só olha pra frente você não olha pro lado sim
Acho que as pessoas têm que começar a exercer essa prática que você está falando, de olhar mais de uma vez, parar, por exemplo, essas fachadas. Tem um movimento aqui, tem um respeito com o vizinho, tem um respeito com o gosto. Ao mesmo tempo, tem uma briga, tem uma briga social.
Tá gritando. Tem uma briga com código de obra. Falando tecnicamente. Tem uma briga em questão de patologias estruturais. Que tipo, Deus tá guardando. Ao mesmo tempo é cultural. Sim. São famílias, é uma história.
É, então, mas é nesse sentido que, como a gente estava comentando, a educação, principalmente na área das artes visuais, ela tem essa importância. A gente vem de uma herança, de uma tradição, em que a cultura, essas outras linguagens, elas sempre foram muito utilizadas para manutenção de poder, para criação de relevos sociais.
Então, o que acontece? Eu acho que hoje, nos dias de hoje, a função de qualquer pessoa que escolha trabalhar com imagem ou com qualquer outra linguagem dentro do que a gente chama de arte, tem, eu acho, um pouco dessa função de reumanizar o mundo, reumanizar as coisas. E é um processo difícil, porque essas...
Essa outra forma de vida, essa coisa automatizada também, as redes também trazem muito essa lógica do algoritmo de fazer a gente respirar o nosso próprio hálito mental 24 horas por dia. A gente tem muito pouco contato com pessoas que pensam diferente da gente.
E a gente traz isso de maneira involuntária para a nossa vida. A gente não quer ser contrariado, a gente não quer lidar com situações adversas, com quem pensa diferente, com quem entende as coisas de uma forma diferente. E isso faz com que a gente fique muito preso, muito limitado. Mas o trabalho, eu acredito que o trabalho de qualquer expressão pessoal, qualquer expressão pessoal,
subjetiva, ela tem eu acho que um dos papéis, uma das missões geracionais, assim, dos compromissos geracionais que a gente tem é isso, é tentar criar meios pra que a gente consiga reumanizar um pouco o mundo e a relação com o mundo. É, é. Eu só tô acordando aqui, eu dei uma gaguejada. Miguel, mostra pra gente a galeria que o ilustre André dá aula, quero ver.
Porque a orquestra, a gente dá aula e assim, hoje, na geração de hoje tem a questão do... da atenção. Se você perder a atenção daquele aluno, ferrou, né? É, a gente tem... É, até que tá meio misturado aí, mas a gente vai conversando.
Bom, eu acho que ensinar é uma das coisas mais incríveis que existe. Quando eu comecei a dar aula, eu tinha vontade de dar aula desde que eu comecei a estudar fotografia, mas eu não imaginei que eu ia começar a dar aula logo no começo da trajetória, de todo o percurso. E eu ainda estava muito envolvido.
com aquela coisa do fotojornalismo, tinha aquela ambição de, de repente, um dia trabalhar num veículo de grande expressão, coisa do tipo. Então eu não imaginei que isso pudesse acontecer a curto prazo. Só que acabou acontecendo. E o que acontece? Quando eu comecei a dar aula, ao mesmo tempo, eu acabei abdicando da coisa de trabalhar com fotografia.
por várias questões, primeiro que eu entendi que a minha relação com fotografia era uma relação pessoal, era uma relação de expressão minha mesmo, uma relação subjetiva, espiritual, eu não tinha muita...
facilidade de lidar com a demanda do mercado da fotografia. Então aquela pressão de ter que produzir, ter que entregar um trabalho, aquilo para mim era uma coisa que não cabia, não funcionava. Com a ideia de eu tenho que fazer uma foto de tal coisa que eu preciso entregar. Isso não funciona. Como se fosse um produto.
Na faculdade eu tive um grande embate com isso, porque eu vinha do técnico, que era um curso super prático, super hands-on, toda hora fazendo, produzindo, e eu fui para um curso que a gente lia muito, escrevia muito, era um curso que tinha uma cara um pouco mais teórica, e foi muito importante para mim, foi essencial. Mas existia essa ideia de você produzir um trabalho, por exemplo, atrelado a um conceito.
a invisibilidade, então o trabalho tinha que contemplar de alguma forma a invisibilidade, muitas pessoas faziam isso de uma forma pré-concebida, ou seja, a pessoa já imaginava como ia fotografar, como seriam as imagens, enfim, e para mim a fotografia de rua, ela lida muito com o acaso, com você ser surpreendido pelas coisas também, você está andando pela rua.
e às vezes você tromba com alguma cena ali que te chama a atenção e você faz a foto muitas vezes que eu saí pra fotografar e voltei sem nada assim como tem vezes que eu fui tava saindo atrasado pra ir trabalhar e encontrava uma imagem e fotografava aquela imagem do menino atravessando a rua a primeira foi assim eu tava atrasado pra ir trabalhar mas eu via aquela cena e atravessei a rua pra fazer a foto então tem muito essa coisa do imponderável do cotidiano
E essa coisa de você pré-conceber tudo, para mim, era uma coisa muito... Então, foi ali onde eu comecei a entender que não era para mim essa coisa de eu ter que trabalhar sob encomenda. A fotografia tinha uma ligação muito mais do meu cotidiano das minhas coisas.
E o que acontece? Dar aula é um processo de conexão com as pessoas. É uma forma de você se conectar com outros seres humanos, de você criar esse ponto de contato mais humanizado. Hoje em dia, você está nessa condição de docente, de professor, você está à frente de uma sala de aula, não tem a ver com você ser capaz de compartilhar informação com as pessoas. Porque hoje qualquer um pode pegar o celular e acessar qualquer informação que quiser.
A da aula tem muito mais a ver com o entusiasmo, com aquela chama interior que você tem, que você consegue abanar dentro do outro, que você consegue alimentar dentro do outro. Então o próprio Carlos falava que a história da fotografia que ele contava no curso dele era uma história dele.
ele fala, se fosse um professor mais sério talvez fizesse um recorte diferente mas ele fala, mas a minha é verdadeira a minha história é verdadeira também porque tem a minha verdade e é a mesma coisa, quando eu estou falando sobre fotografia, quando eu estou produzindo fotografia eu estou falando sobre mim o tempo todo
mas não de uma maneira egocêntrica, de um lugar histriônico. Não, é achar esse ponto de humanidade em que eu possa ressoar no outro. Então, o processo de autoconhecimento contínuo, de você, às vezes, olhar...
e falar, poxa, eu falo a coisa de uma determinada forma, mas isso não tocou a pessoa, como é que eu posso fazer para que isso chegue? Então, é um trabalho constante de você tentar transformar esse processo, de transmitir uma informação, um conhecimento, compartilhar um conhecimento numa experiência.
em algo que vai marcar a pessoa e que a pessoa vai levar para a vida dela. Tá, a minha atenção se tem 100%. Agora me conta dos alunos, como é que é essa nova geração? Ah, é um desafio diferente. Eles vêm realmente com uma carga muito grande de muitos estímulos, né? Eles estão como... A gente estava comentando, a gente...
Passou por um processo de não estar 100% conectados, né? E, aos poucos, a gente se, de alguma forma, emergindo nesse processo, né? De ficar diuturnamente conectados. Eles já nascem nesse processo, né?
Eles já nascem com essa variável dentro da vida. Muitas das pessoas, dos jovens para os quais a gente dá aula lá, já nasceram com o computador em casa, já nasceram com a internet, fazendo parte das vidas dos pais, dos irmãos mais velhos, enfim. Então, o que acontece? Eles têm uma relação diferente com o tempo, uma relação diferente com o mundo, e é uma bobeira a gente brigar com isso.
A gente tem que fazer o papel como educador, eu acho que não de ser leniente com determinadas coisas, porque eu também não concordo com essa proposta, com essa visão de mundo, de que a gente tem que aceitar tudo porque é assim mesmo, porque as coisas são assim, porque o mundo mudou e é desse jeito. Eu acho que tem muita coisa boa desse novo mundo em que a gente vive, mas também tem muita coisa que a gente precisa rever.
mas a gente precisa apresentar essas coisas de uma forma que a gente não agrida, que a gente não cria atrito com essas pessoas, que a gente entre ali para conseguir construir somar junto com aquelas pessoas e é um processo de você entender o que aquela pessoa tem como objetivo, o que mobiliza ela estar ali naquele lugar o que faz ela ter vontade de sair da casa dela para estar ali e às vezes Sabrina tem pessoas que às vezes precisam ter um contato com alguma coisa diferente do que elas estão vivendo und und und und
Às vezes você olha para aquela pessoa agitada, que fala, que às vezes acha que sabe de tudo, não sei o quê. Aí você mostra uma coisa, um trabalho, que aquilo mexe com a pessoa e fala, puta. Esse ponto, ele às vezes demora um pouquinho mais para chegar com uma geração mais nova, porque eles levam mais tempo para entrar nesse estado contemplativo, mas ele chega uma hora. E aí a gente, como educador...
tem ali, acho que a responsabilidade de encontrar meios diferentes para fazer com que isso chegue nas pessoas. Não é uma tarefa fácil, é difícil. Não, é um dom. Mas é uma coisa que eu estava comentando, inclusive, com um aluno esses dias. Tem um livro do Rainer Maria Rio que chama Cartas a um Jovem Poeta.
É uma aula sobre processo criativo. E aí ele tem um trecho do livro que ele fala, que se você escreve um poema e ele fica 10 anos guardado numa gaveta, depois você abre aquela gaveta e você lê aquele poema, ele ainda mexe com você porque aquele poema tem uma verdade.
e o que mobiliza a gente como educador é a nossa verdade, a gente acredita piamente, eu acredito piamente que a educação tem a capacidade de mobilizar, de mudar as coisas, então é essa verdade que contagia outra pessoa, você está ali todo dia, toda hora, está falando, está falando, a pessoa em algum momento se sente tocada por aquilo, é um processo longo, é um processo que envolve a gente como professor,
Estar no mesmo nível do aluno, não querer ter a prepotência de querer que a pessoa esteja no lugar, que ela queira que a pessoa esteja no lugar, que ela ainda está construindo o caminho para chegar. A gente tentar chegar, estar na mesma altura das pessoas. Então é um pouco isso, né? Eu amo dar aula, eu não me vejo fazendo outra coisa, não quero fazer outra coisa da vida. Para mim é a grande... Aprendo muito todos os dias com meus alunos, não só com fotografia, mas a vida assim mesmo.
aprendo muito e acabam sendo parte da minha família de uma maneira indireta. Com certeza, é um vínculo. Quando você marca a vida de uma pessoa ensinando...
Com certeza você já falou algumas pessoas aí que marcaram a sua vida. Eu também tenho alguns. Inclusive eu trouxe eles aqui. É muito bom. E assim, eu ouvi, né, de pessoas que me conhecem há 20 anos, que me deram aula, falaram, não, eu sabia que você ia estar aqui. É muito bom. É muito legal isso. Ai, a foto que você... Gente, essa foto, ela passou aqui na tela.
Há pouco eu tava no evento de barco e olha só, aqui é um mar pra mim. Iam lavar rápido. Esse livro, ele tá muito rico. Ele tá muito incrível. Essas fotos, essa daqui é incrível. Eu tô assim... Me fala uma coisa, por que que não tem a foto do artista no livro? Isso é conceitual?
foto do artista? É, eu gosto de ver o artista. Não sei, acho que é uma questão, mas eu também, assim, né, uma das coisas que eu acho que me fez querer estar na fotografia é a ideia de você estar atrás da câmera, não tanto na frente. Ah, é, mas eu gosto de promover.
Eu gosto de promover o artista. Eu gosto. Eu acho que ele tem que ser visto. Eu fui na estreia da Bienal agora, recentemente. E eu fiquei muito incomodada com a questão que não tinha o nome dos artistas. Ah, ainda não fui lá. Nossa, que chato isso, né? Muito. Então eu vou fazer o seguinte, eu vou passar o livro pra você. E aí você dá uma olhada antes pra você já não chegar e ficar... Tchau.
O que eu fiz? Eu peguei o livro, comprei o livro, né? E agora eu vou com o livro.
É bom. É uma guiada. É um guia. É um guia, porque assim, é uma mistura. São muitos artistas, são várias visões e são espaços que eles... É uma curadoria que tem que se conversar, né? Então há um processo de transição, de oxigenação, de mudança de obra. E o fato de não ter o nome do artista, aquilo... Eu fiquei assim. Falei, gente, como assim? É ruim, né? Eu também acho. Trata de me autografar o livro.
Mas eu marquei por causa do Fusquinha, tá? Com todo respeito. Tá vendo?
Gente, eu ganhei o livro, né? Aí a Bia Ferrer autografou, que ela tá no livro também. A André também tá autografando. Esse livro tá ficando muito rico. Ele é meu, tá? Não vem, não. Mel, a gente fez tantas perguntas aqui, eu não cheguei nem à vigésima. Eu parei no meio e fiquei. Acho que esse podcast aqui, ele poderia ter umas três horas.
Tá muito rico. Mas a gente tá chegando ao fim, André. Já? Já, é muito rápido. É muito rápido. Eu quero que, de coração, você fale pra eles uma mensagem que te toque. Eu aprendi nesse tempo aí de caminhada dentro da fotografia.
graças a pessoas incríveis que eu tive no meu caminho. Algumas delas passaram aqui na tela, né? Eu tenho que citar nominalmente, porque a minha mãe fala que a gente tem uma virtude que é a mais bonita que existe e tem um dos efeitos que é o mais feio que existe, né? A virtude mais bonita que existe é gratidão.
E o defeito mais rico que a gente pode ter é a ingratidão, né? Quando a gente não é grato às pessoas. A gente não ser ingrato às pessoas não faz com que a gente seja grato, né? A gente tem muito pouco costume de agradecer os outros pelo que eles fazem pela gente, né? Então, é assim, eu...
nesse tempo aí, né, dentro da fotografia, ele foi uma construção feita a várias mãos. Primeiro, a minha família, né, a minha mãe, que foi sempre a minha maior incentivadora. O meu pai também me incentivou, mas o meu pai tinha uma preocupação muito grande com essa coisa de eu conseguir ter uma vida digna, né, e hoje eu, mais adulto, entendo muito o lado dele. Ele tinha uma preocupação muito grande da gente conseguir se manter, a gente conseguir ter uma vida digna.
Mas a minha mãe embarcava mais nas minhas viagens, até hoje é uma pessoa mais próxima desse lado e ao qual eu devo muito tudo, não só a educação como fotógrafo, mas também como ser humano. Tem a minha sobrinha Alice, que é a estrela da minha vida, que me incentivou, me inspirou a tocar um projeto que eu toco no Cieja Perus.
de ensino de fotografia para alunos com deficiência. A gente tem, tocando esse projeto já tem três anos. Tem até uma das fotos ali, a foto que eu tô com o pessoal, a gente tá assim, né? Fazendo o gesto em libras de fotografar, né? Então, eu fiz, eu comecei a tocar esse projeto porque a minha sobrinha é uma criança PCD e o ingresso nela da escola fez com que ela desenvolvesse muito o cognitivo dela.
ver aquilo me mobilizou a querer fazer alguma coisa para retribuir isso eu tive professores incríveis, tive o professor Leonardo Marquinhos o professor Dayan enfim, não quero ser injusto, mas assim teve pessoas que marcaram muito, até trouxe aí fotos de três grandes mestres um deles foi o professor Vladimir, que também é um grande incentivador do meu trabalho uma das grandes referências que eu tenho o professor Sérgio Ferreira aqui também
é uma pessoa maravilhosa, assim, generosa que foi muito presente na minha vida e o meu grande mestre, né, o Carlos Moreira que foi mestre de todos os meus mestres, tive oportunidade de ser aluno e amigo dele e ele me ensinou muita coisa, né mostrou muito sobre a minha fotografia me mostrou o caminho da minha religião da minha fé
Como bom filho de Xangô, que eu sou e ele também era, a gente é meio cabeça dura, meio difícil, mas duas cabeçaduras juntos se entendiam de alguma forma. Então, o que eu tenho para trazer de comentário, uma mensagem...
é, primeiro, assim, a gente não consegue viver no mundo, a gente tem uma música do Dom Salvador, que a gente não consegue viver a vida sem amor, né? A gente consegue viver a vida sem sonho. Então, a gente tem que sonhar, a gente tem que imaginar, enxergar para além do que os nossos olhos enxergam, né? A gente estava falando sobre o lance da anestesia, e não estar anestesiado é isso também, a gente ser capaz de enxergar além dos nossos sentidos.
a gente tem que sonhar e a gente tem que acreditar naquilo que a gente sonha. O trabalho que a gente vem fazendo com o ensino, fotografia, isso foi um sonho de alguém que começou a trilhar isso há 14 anos atrás. Hoje em dia, o pouco que eu construí veio porque eu acredito nisso até hoje. Eu não deixei de acreditar, mesmo passando por muita coisa.
mas isso não foi uma obra só minha eu tive muitas mãos muitas pessoas que me acolheram que me ajudaram, que me ampararam que estiveram do meu lado a todo tempo então se eu tenho uma mensagem para passar
valorizem essas pessoas, valorizem o seu próprio trabalho acreditem na sua verdade tenham uma verdade pra si e segue em frente quando você tem uma verdade dentro de você, o Carlos falava muito isso, você se manta daquela energia como se você pegasse um pedaço de prego um pedaço de ferro, estregasse no ímã, tal, tal, tal, tal, estrega quando você solta, ele naturalmente se atrai pra aquilo ali und und und und
porque é aquela energia ali que te move. Então acredite na sua verdade, acredita no seu processo, mas de verdade, não dentro desse contexto todo clichê que a gente tem hoje em dia, da sua cultura da autoestima, essa cultura de um monte de coisa meio que da autoimagem. Não, é uma verdade, é a coisa de você acreditar realmente numa verdade.
e seguir em frente. O caminho dentro do meio cultural, da arte, do ensino, é um caminho muito difícil, é um caminho cheio de desafios, mas o que ele traz para a gente de construção, de desenvolvimento, de aprendizado, principalmente, compensa tudo. Então, acho que é isso.
vou complementar, fala os seus projetos por favor atualmente eu sou docente no SENAC Lapa Cipião, atuo no curso técnico e nos cursos livres de fotografia também eventualmente ministro alguns cursos em espaços culturais como o SESC principalmente eu tenho atuado em espaços culturais assim
eventualmente também ministro aulas particulares. Eu continuo produzindo meu trabalho de fotografia de rua, fotografo quase sempre que possível. É isso, sempre que quando aparece, participo de uma exposição. Agora eu sou um dos educadores de um projeto incrível, que é o projeto Beco Visceral, tocado pela Marcela Novaes. É um projeto maravilhoso.
A Marcela é uma moradora da comunidade de Paraisópolis e ela criou uma galeria fotográfica dentro da casa que era dos pais dela, com o intuito de promover os artistas locais e também trazer as pessoas ali da região para conhecerem fotografia, conhecerem o próprio território. Então eu recebi um convite para mim, que foi uma das maiores honras que eu tenho na minha vida, de integrar agora o time da Beco Visceral como representante, como educador.
Tem esse projeto que eu toco no CIEJA, que é o projeto que a gente chama de Olhares Diversos, que é esse projeto com alunos que têm deficiências intelectuais, cognitivas de graus e naturezas diferentes. Tem alguns alunos surdos também no grupo.
E a gente busca trazer essa coisa da alfabetização visual, da fotografia, para que eles possam se relacionar com o espaço, os lugares, enfim. E é isso. Então, aí. Tudo isso, gente. Eu acho que o podcast que eu mais fiquei quieto, que eu fiquei quieta, foi o primeiro e com você. Gente, vamos mandar um beijo para eles. Obrigada, André, por tudo. Obrigado, pessoal. Um abraço. Beijo, beijo.