Episódios de Papo com Sabri

#EP28 I O Que Ninguém Te Conta Sobre Arquitetura de Interiores I Papo com Sabri

03 de maio de 20261h1min
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No episódio 28 do Papo com Sabri, recebo a arquiteta Jéssica Prates, que compartilha sua trajetória na arquitetura de interiores com um olhar técnico, sensível e extremamente estratégico sobre o processo de projetar. Jéssica iniciou sua jornada ainda na adolescência, passando por um curso técnico em Edificações antes da faculdade uma base que trouxe consistência para sua atuação e facilitou o domínio das etapas mais técnicas da profissão, no longo da carreira, transitou pela área de projetos para grandes construtoras, mas encontrou seu caminho na arquitetura de interiores, onde atua desde 2015, com foco principalmente em projetos residenciais.

Durante a conversa, falamos sobre:

O início da carreira e as escolhas que moldaram sua trajetória

A importância do projeto executivo na qualidade final da obra

Como traduzir o gosto do cliente em um projeto coerente e sofisticado

O desafio de atuar em um cenário dominado por referências das redes sociais

O papel atual do arquiteto de interiores

Um episódio direto, real e necessário para quem quer entender o que está por trás de um bom📲 Me acompanhe também nas redes:

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Assuntos8
  • Trajetória na ArquiteturaInício da carreira e influências · Curso técnico em Edificações · Faculdade de Arquitetura · Experiência em projetos de condomínios · Transição para Arquitetura de Interiores · Atuação desde 2015 · Projetos residenciais
  • Departamento comercial em escritóriosCobrança por projetos · Processos de trabalho · Terceirização de serviços · Marketing e redes sociais · Gestão de escritório de arquitetura · Consultoria em interiores · Venda de serviços online · Regulamentação profissional
  • Experiências Marcantes na CarreiraPrimeiro projeto familiar · Dificuldades em obras · Aprendizado com erros · Separação de casal durante projeto · Vazamento em obra
  • Papel do Arquiteto de InterioresAtribuições do arquiteto · Planejamento de reforma · Diferença entre projeto e decoração
  • Plataformas digitais e marketingInstagram para arquitetos · TikTok para arquitetos · YouTube para aprendizado · Monetização online · Estratégias de conteúdo
  • Tradução do Gosto do ClienteComo traduzir o gosto do cliente · Projeto coerente e sofisticado · Referências de redes sociais
  • Projeto Executivo e Qualidade da ObraImportância do projeto executivo · Qualidade final da obra · Detalhes técnicos
  • Estilo e Identidade em Design de InterioresEstilo clean e simples · Minimalismo · Atemporalidade em projetos · Psicologia das cores · Tendências de design · Memória afetiva em projetos
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Olá, maravilhosas! Tudo bem com vocês? Gente, é um prazer receber a Jéssica. A gente se conheceu em um evento de iluminação de LED e deu match no grupinho, porque ela estava com outras arquitetas, a gente começou a conversar, a galera gosta de arte, e eu já... Opa! Vem cá!

Vem pro meu mundo. Jéssica, bem-vinda. Obrigada, Sá. Eu quero saber um pouquinho da sua história. Conta tudo pra mim. Bom, sou arquiteta, né? Eu... Não é não, tudo isso. É. Tudo isso. Só tudo isso. Sou arquiteta. E eu comecei a minha carreira, na verdade, na adolescência, que eu, na verdade, eu queria seguir uma outra área totalmente diferente, mas acabei na arquitetura, né? Por influências. Sim.

Só que antes de começar a arquitetura, eu fui para um curso técnico para realmente entender se era realmente aquilo que eu queria, para conhecer um pouco da área. E me reconheci na área de arquitetura, projetos, desenhos, aquela coisa toda. Fiz a faculdade. Para mim, a faculdade foi super tranquila. Eu vejo muitas pessoas falando que a faculdade é uma loucura. Para mim, foi super tranquila. Só que foi a exceção.

E aí, durante a faculdade, eu já trabalhava na área de arquitetura, mas era uma outra área, uma área de projetos de condomínios, um pouquinho diferente. E aí, caí na área de interiores, que é a que eu estou até hoje. Isso já tem, desde que eu me formei, já tem 10 anos. E aí, estamos aí nessa trajetória de arquitetura.

Mulher, cut dela há 10 anos. Eu dou 22 pra ela. 35, amiga. Uau! Me passa esse esteticista. Fala genética, Sabrina, genética. É família. Cara, que linda. E aí você firmou no designer de interiores, se aprofundou e falou, é aqui que eu vou ficar. Exatamente. Na verdade, eu aproveitei uma oportunidade, né? Eu estava em uma outra área e aí...

Acabei saindo dessa área, né? Meio que durante aquela crise, 2015, mais ou menos, né? Foi 14 para 15 quando estourou a tal bolha, né? Isso. Aí, todo mundo mandando embora. E foi embora. E aí, começou as oportunidades na área de interiores, né? Tem sempre alguém reformando, sempre alguém comprando imóveis. E aí, entrei. Só que, assim, entrei crua, né? Não sabia nada. Nunca estagiei na área de interiores. Sabia.

Vivências pessoais, né? De reforma. Mas, de fato, trabalho, experiência, eu não cheguei a ter, né? Entrei assim de cabeça crua. Caramba! Teve uma história, eu entrevistei, acho que foi o terceiro ou quarto podcast, que foi com a Monique. Ela, na faculdade, ela não conseguiu fazer estágio.

E ela entrou com a cara e a coragem em interiores. E hoje ela tem um nome no mercado, assim. A gente quase chorou juntas aqui. Porque ela falou, Sá, eu ia pra obra, eu ficava na obra até o final. Pra pegar todos os detalhes. Você fez a mesma coisa?

Fiz, eu caí de cabeça na obra logo que eu me formei, né? E, assim, foram experiências que moldaram a forma que eu trabalho, com que eu trabalho hoje, mas...

Também foi doído. Quando não é doído... Eu escuto bastante áudio, bastante podcast. E falam-se, acho que é normal. Fala-se quando a gente evolui é na dor, né? É. Não é nunca na viagenzinha ali. Você não vai lembrar tomando um bom espumante. Não. Você vai sempre lembrar daquele momento de transformação que você precisa se reinventar.

Se conectar e aprender. Sempre aprender. E aprender, com certeza. E a nossa área é muito louca. Eu percebo a evolução dos materiais, de atendimento, da questão de internet. A gente precisa sempre estar em movimento. Sempre muito conhecimento, muitas coisas novas para aprender. É uma área...

Muito bacana, mas também muito difícil, né? Transamentalmente, né? Com certeza. Fala pra mim, você consegue em todos os eventos? Não. Não é possível. Não é possível. Teve um evento recente aí, acho que foi no Expo Center Norte, que era de estruturas leves, né? Estil frame, essas coisas. Eu olhei e falei, ou eu faço projeto ou eu vou no evento.

E eu acho que também tem aquela questão de você filtrar com o que você trabalha, né? Então, por exemplo, eu sou mais focada em arquitetura de interiores, em reformas, então, em construções novas, não, ou ampliações também, não. Então, existiu o frame para mim.

É bom conhecer, é sempre bom conhecer de tudo. Mas aí, no momento que você tem uma agenda, tem projetos para desenvolver o teu trabalho, você tem que filtrar, não tem como. E me fala hoje, como que está o momento do seu escritório? Olha, eu ainda estou crescendo, evoluindo na área de interiores, porque, embora tenha aí uns 10 anos de formada e que eu entrei na área, eu só comecei de verdade a trabalhar, a viver de arquitetura de interiores.

Desde 2019. Então, tem aí seis anos que eu estou galgando ali o meu espacinho na arquitetura. Mas já alicerçou. Sim, mas hoje já tenho algo mais firmado, já tenho bons clientes, já sei, né? Eu acho que é me posicionar, saber como cobrar ou como desenvolver o projeto, ter os processos certinho. Acho que tudo isso faz parte do trabalho.

E, mas assim, acho que a arquitetura é uma coisa que a gente sempre está evoluindo, sempre está crescendo. Com certeza. Então, ainda estou nessa caminhada, né? Principalmente, acho que na parte de redes sociais, julgação, essas coisas. Mulher, rede social. Eu até estava brincando na última gravação anterior. Se eu pudesse entregar o marketing, eu entregaria para alguém. Porque dá muito trabalho. Dá mesmo. Cada rede social é um mecanismo. É.

E é uma forma que você tem para monetizar, para interagir, para expandir. Você já conseguiu filtrar todas essas redes? Não. Eu, por enquanto, tento focar no Instagram, mas eu ainda também estou aprendendo a desenvolver e quero muito também terceirizar essa parte de marketing.

Eu gostaria, mas... Porque é assim, ó. Não é uma constância, né? Ai, tá sobrando um tempinho. Eu sei que não é o certo, mas, por enquanto, é o que está rolando. E eu gosto muito de TikTok também. Sério? Acho que a linguagem, né? Mais informal, aquela coisa mais... Mais fácil.

Eu ainda não fiz muitos vídeos para o TikTok, mas é algo que eu quero começar também, que é aquele mais papo informal, que você explica ali, projeto e arquitetura, mas de uma forma não tão preocupada com a estética, não tão preocupada em, ai, está bonitinho, não. Então, eu gosto muito desse formato. Eu estou em todas as redes aqui com o programa, né? E outro dia eu abri uma live.

Aí o cara, tia, eu, tia quem? Tia, eu? É você, eu, sou sua tia. Ai, meu Deus, sempre tem. Aí eu falei, gente, se vocês quiserem mandar dúvidas de arquitetura, designers de interiores, a pessoa queria papiar. Ah, não é?

Aí foi legal, entrou algumas pessoas, né? Eu sou zero de interação ao vivo com essa plataforma. E aí nisso entrou algumas pessoas e a gente começou a conversar das características das arquiteturas das cidades. Entrou Amazonas.

Ceará. Achei muito legal. Bacana. Uma troca bem legal. Pô, muito. Bahia. Aí o pessoal falando, olha, aqui tá assim. Por exemplo, aqui em São Paulo a gente tem uma questão de mão de obra de acabamento. Lá eles estão ricos de mão de obra de acabamento. Pro Nordeste. Aí, do outro lado, as peculiaridades do que a dificuldade de materiais e vestimentos. Eu falei, gente, cada região tem alguma situação. Não tem um equilíbrio. Não.

Não tem. Mas eu achei interessante, porque é uma rede que você vai de cara lavada. Sim. O YouTube é uma rede o qual o pessoal gosta de aprender. Quem vai buscar o YouTube é para aprender, para ter um diferencial. E eu vejo que monetização, a gente está num caminho. Monetização, se fosse besteira, seria mais rápido.

Quanto conteúdos com riqueza, né, demanda mais tempo. Instagram, tô te falando as minhas experiências aqui, tá? O Instagram, ele te gera fãs, te gera os clientes silenciosos, que aí é a longo prazo, não é rápido. Aí você vai falar ali de...

não vai investir tão bruscamente autoinvestimento no Instagram. Porque ele... Você tem que dar uma pitada da sua vida. Ao mesmo tempo, você não tem que mostrar a sua vida. A pessoa não quer saber o que você está comendo. Só se você estiver num restaurante muito legal, uma exceção, alguma coisa. Mas no dia a dia ali, eu já percebi. Não é pra postar tudo.

Não, eu acho que ainda mais nessa área de arquitetura, né? Eu tenho um perfil muito específico, eu acho. Quando é lifestyle, aí até eu gosto de acompanhar algumas pessoas, né? Em lugares que elas vão, ok. Mas em arquitetura, acho que é muito isso. É você mostrar o que você faz, mostrar um pouquinho da sua vida, mostrar um pouquinho de conhecimento. Acho que o Instagram é de tudo um pouco. É uma pitadinha, né? E eu falei...

Caramba. E eu gosto do Instagram. Eu também. Eu adoro o Instagram. Só que assim, esses dias aí eu tô muito ocupada. Não tô conseguindo. Porque às vezes a gente tem que focar nas entregas. E é final de ano, né? Você deve estar numa emoção que só. Nossa, sim. E você já tem pessoas que te auxiliam? Tem braços? Olha, na parte de projetos, por enquanto, sou eu. Eu e eu mesma.

Então, é interessante, sim, porque eu gosto, mas eu não tenho dificuldade em delegar. Mas é uma parte que eu gosto muito de fazer, de desenvolver. É o troféu, né? É o ouro que você entrega. Mas também eu sei que para a gestão isso não é muito bom, né? Centralizar tudo. Mas, por exemplo, obra, eu fazia gerenciamento de obra e hoje já é algo que eu terceirizo, porque realmente não dá para fazer tudo. E eu prefiro focar no projeto.

Então, o máximo de obra que eu faço ali é o acompanhamento, né? Aquela visita mais esporádica. Para ver como que está o andamento. É, se tem alguma dúvida de projeto também. Então, eu fico mais focada nisso. Mas a gestão, a administração, esse ano eu tive que terceirizar, porque realmente não dá. Não, é complicado, porque demanda muito tempo. Ou você está produzindo ou você está fazendo acompanhamento. Exatamente. E me fala, quais são as regiões que você atende?

Eu atendo São Paulo inteira, cidade de São Paulo presencial. Rio de Janeiro eu atendo semipresencial, porque eu tenho família lá, então é algo que é fácil ir e voltar. Então, eu atendo semipresencial e online para qualquer lugar do Brasil.

online é tranquilo? eu já fiz pra Mato Grosso do Sul foi 100% online mas aí teve um escritório de arquitetura que fez o gerenciamento da obra então isso não tem como não

super certo. Aí o projeto, sim, que foi 100% online e aí fui eu que mesmo que fiz. Eu acho muito interessante. Eu tô com alguns orçamentos. É bacana. Eu vou... É...

Fazer o processo de humanização de clínicas de saúde. Ah, legal. Porque como eu trabalhei muito tempo fazendo isso, e aí já tem uma arquiteta que fez o projeto. Aí a dona falou, olha, eu quero que você humanize. Aí eu vou fazer. É legal. Online, 100%. O que eu acho bacana também, quando é para outros estados, é que a gente consegue encontrar braços para nos ajudar. Então, se precisar, encontrar um arquiteto para poder auxiliar.

Você falou na medição ou alguma coisa assim. Precisa ir lá fazer fotos, vídeos. A gente super consegue. Com certeza, com certeza. E me fala uma coisa agora, assim. Eu quero uma experiência. Uma experiência que te marcou na tua carreira.

eu acho que logo quando eu comecei a trabalhar com interiores, o primeiro apartamento que eu fiz, que na verdade foi para um familiar, a gente sempre começa assim. E eu não sabia nada, como eu falei, eu caí ali de paraquedas, surgiu a oportunidade, eu abracei, então vamos, vou fazer o projeto, inclusive fiz a obra.

E me marcou muito, porque assim, era um apartamento de 50 metros pra investimento, nem era algo que ele ia morar. E a obra levou sete meses. Foi, tipo, muito comprida. Eu não sabia, né? Pra mim, era muito assim, começava um serviço, terminava. Começava, outro serviço, terminava. Eu não tinha experiência nenhuma com obra, então demorou muito. E aí, hoje, eu penso e falo, gente, fiz ele perder ali uns meses de investimento, né?

Mas assim, menos mal que era familiar, né? Ah, mas era, não tinha uma cobrança do outro lado. Pensei pelo lado bom. Exatamente. Então, acho que foi uma experiência que me marcou muito, porque foi a primeira completa, sabe? De projeto completo, fazer a obra e entender na pele como que funciona a arquitetura de interiores. Que não é só, ai, 3D bonitinho. É, porque o 3D, sem um bom projeto, não faz nada.

Exatamente. Então, era uma época que eu ainda não sabia fazer um detalhamento muito bom, um executivo muito bom. Nossa, menina, você deve ter apanhado. Muito, muito. Porque, olha, gente, o último evento que eu fiz, eu encontrei a arquiteta que eu estagiei. Eu fiquei quatro anos no escritório dela, a Andrea Gonzaga, lá na Breton, vou falar.

Cara, eu abracei ela, ela me abraçou. Aí ela, ai, sabe? Falei, ai, gente, minha base. O pessoal da Brita tudo. Falei, minha base, viu? Meus projetos são bons, porque eu aprendi com ela. E a bicha, tudo na mão, manteiga. Fazia o detalhe, a gente repassava o protocolo de fazer a linha a linha. Eu sou da época, dessa época aí, a gente fazia o 3D.

No 2D. Ah, a mão. A pedra, tudo. Todos os detalhes de mercenaria. E até hoje eu faço, tá? Calma que eu vou pro BIM. Calma que eu vou pro BIM, que eu ainda não...

Sempre tem um BIM que não faz tudo, né? Sim. Mas eu acho muito bonito fazer tudo à mão. Eu, na faculdade, eu fiz tudo à mão. Todos os desenhos. Mesmo que já estava ali naquela transição, né? De sketch up, autocad. Mas eu preferia sempre fazer à mão. Mas depois que eu entrei mesmo no mercado, é tudo com a ajuda, né? Sim. Dos ferramentas. Não, eu faço... Eu já fiz aprovação com perspectiva à mão.

Eu acho super bonito. É, mas às vezes, por ser internet, ou reunião online, não dá pra você apresentar. Não fica tão legal. Eu apresentei um que aprovou. Tem isso. Tem, mas não é a mesma coisa. Eu tô com você que você tá falando. Mas fica super bonito também até depois pra guardar, né? Ah, fica. Tem vários, tem vários. E me fala, assim. Eu quero que você me conta como você define o seu estilo.

Olha, eu ainda também estou trabalhando nessa questão de identidade, mas eu já sei de coisas que eu não faço. E eu acho que os clientes que vêm também, ainda bem que eles não querem esses estilos de projeto, porque é algo que eu não gosto, acho feio, mas é que não é o meu estilo de projeto.

O que eu percebo muito nos meus projetos é um estilo mais clean, mais simples, sem muitas texturas, sem muito preenchimento de tudo no espaço. Então, eu gosto de paredes vazias, não precisa encher tudo com painéis e muitos quadros. Então, acho que eu sou mais assim. E a maioria dos clientes que vem também.

Eu acho super bonito quando eu vejo aqueles projetos super coloridos, com mix de texturas e padrões e cores. Só que, se eu for sentar e projetar, eu acho que eu não vou nem saber projetar. Nossa cara. Então, eu sou mais assim, mas não minimalista, não chega a ser minimalista, mas algo que... Mais simples, assim, mais... Mas não no sentido de materiais, porque eu gosto de trabalhar materiais, mas não todos no mesmo ambiente, por exemplo.

Não sei, eu identifico clássico. Não, clássico não. Não? Não. Eu fiz um projeto clássico. É? Clássico não. Gosto de linhas retas. Gosto de coisas simples. Nada muito... Atemporal. É, eu acho que é muito mais isso. É, o que dura. Porque quem contrata arquiteto gosta que seja atemporal. Gosto. É a longo prazo. Vamos falar de coisa boa, né?

Porque pintura é legal, cores são legais. Às vezes, se você está com um imóvel alugado, tem que ser pintura. Você quer fazer uma repaginação ali, aí eu acho que entra cores, né? Sim. Eu me preocupo muito com a psicologia das cores. Porque tem muita cor que dá conflito.

É. Mas eu acho que tem muitas pessoas que sabem trabalhar muito bem as cores. Sim. Por exemplo, um bordô com um amarelo, né? Fica harmônico, fica legal no ambiente. Fica legal. Eu gosto de cor, não é que eu não gosto de cor. Ah, eu também, mas eu tô igual... É isso.

Mas uma coisa ali mais pontual, um corredor mais colorido, um sofá. Agora tá se usando bastante listra, voltando, né? Porque, gente, vamos falar de tendência, vai e volta, né? Vai e volta. É igual, o ápice é Milão, né? Eu gosto muito de Milão, ainda não fui. Vamos marcar, né? É, também não fui ainda, precisamos. Milão em 2025 foi o quê?

A continuação é de 2024. Então, 2024 foi o ápice, né? Das mudanças, do terroso, dos formatos orgânicos. Aí, 2025, teve essa continuação. Até eu trouxe a Amanda Sequin, que vai pra lá sempre.

que é uma jornalista que está com a agência dela muito legal e ela trabalhou muitos anos na Vogue aqui. E ela falou, nossa, eu acho que o ano que vem vai ser legal. Então, vamos ver, né? O que vem de novo. É, porque não são todos os anos que lançam tendência. Acho que nem tem como, né? É muita criatividade, né? Exatamente. Cara, para fazer uma cadeira demora 12 meses, imagina para fazer tendência. Exato.

Exatamente. Mudar tom, igual as cores do ano, né? A Souvenir lançou agora, são algumas cores, eu não sei se chegou, acho que um verde claro. E um rosa. É, é uma palheta, né? A Coral lançou azul, que pra mim aquele azul se remete a um azul que eu já conheço, mas enfim.

Eu não me aprofundei porque eu não fui no evento. Mas são cores que remetem às situações do nosso cotidiano, né? O que está se falando muito também é a volta do acolhimento internamente nas casas, né? Aquela questão de casinha de vó. Pegar as referências, né? As coisas dos antepassados. Eu acho isso interessante para dar uma vida, né? Também acho. Acho que é aquela questão da memória afetiva também, né? Que envolve, né?

Acho que memória afetiva faz tudo, cara. Com o cliente e com a gente. Porque às vezes você tem que projetar em torno daquilo, né? Exatamente. Você já teve alguma situação que você teve que projetar em torno de alguma coisa? Que o cliente impôs?

Ah, não que impôs, mas eu tive um casal que cada um gostava de uma coisa. E eu acho que foi um desafio, sim. E ela queria muito o estilo clássico, né? E ele gostava mais do estilo industrial. E era... Caramba, e aí?

É, era o mesmo ambiente. E aí a conversa foi, se eu for seguir, porque a cozinha e a churrasqueira eram muito próximas, né? A gente integrou ali a sacada com a sala, a cozinha, então era um ambiente só, se tornou um ambiente só. E aí a conversa foi, se eu for seguir o clássico na cozinha e for seguir o industrial na churrasqueira, vai parecer um showroom, porque cada um vai querer uma coisa. É verdade. Cada um vai estar com uma linguagem diferente no mesmo ambiente, não vai ficar legal.

Então, ali, através de uma conversa, de um trabalho ali com eles, a gente conseguiu chegar num resultado legal, que foi, obviamente, muito mais clássico, né? Porque as mulheres, geralmente, ganham, né? Mas a gente conseguiu introduzir também o industrial que o marido queria na churrasqueira. Então, mesmo ali com, por exemplo, armários almofadados, então, com mais elementos em preto, por exemplo, para remeter ao industrial. E no final ficou um trabalho super harmônico, super bacana.

Cara, para qualquer um não orquestrar, viu? Tira o chapéu para você. É psicologia, né? Além de arquitetos, a gente também trabalha ali a psicologia. Um sede aqui, por favor, briga de casal. Ai, meu pai amado. Mas, ó, me fala, essa evolução, essa maturidade, já ao longo dos anos, você conseguir orquestrar isso demorou?

Demorou, eu acho que também ainda está em processo, porém, como desde o começo eu estou muito à frente, muito ali junto com os clientes, muito entendendo ali o que eles precisam, eu acho que essa foi uma evolução natural de cada cliente entender o que eles precisam.

o que eles gostam, o que eles querem, e atingir uma maturidade, tanto de projeto, quanto de comunicação mesmo, né? Sim, clareza, né? É, então... Porque no começo a gente... Você falou que foi da família, né? Eu acho que o primeiro projeto que eu fiz foi a minha cabeleireira. E eu não sabia cobrar.

A gente nunca sabe, né? No começo é uma dificuldade. Não, eu não sabia cobrar. Foi logo, eu estava fazendo designer de interiores, foi em 2007 isso. E aí eu falei, olha, finalizou a obra, eu falei, agora você vai me pagar, né? Aí eu falei, um valor, né? Sentei com o meu professor, falei, olha, ele falou, vale isso, né?

Ela não tá caro. Lá no final, né? A gente tinha feito tudo. Aí eu, tá caro? Como assim? Eu acompanhei a obra, fiz o projeto. Aí eu falei, tá bom, não precisa pagar, não.

Não voltei nunca mais. É. Eu já fiz muita coisa de graça também, mas... Não faço mais nada. Não, hoje... Nem pra amigo, nem pra família. Hoje também não, mas... Na carreira não tem como, principalmente no começo, né? A gente precisa apanhar, infelizmente, né? Falta algumas matérias como essa. Tanto na faculdade quanto no curso técnico. Eu acho. Eu acho que isso é um problema, na verdade. É.

Assim, existe hoje muito curso solto na internet, né? De arquiteto. Eu até fiz um curso com uma moça que nem é da área, mas é famosa. Eu parei no meio quando ela falou que a gente tinha que valer pela opinião do marido. Ai, meu olho começou a piscar. Era um curso de gestão? De gestão para arquitetos. Ai, meu Deus. E ela falando que a última palavra era do marido. Eu, o quê?

E pior que foi uma arquiteta que me recomendou. Eu falei, não acredito que eu paguei. Eu fiz isso. Eu quero meu dinheiro de volta. O que tem a ver com a gestão do escritório? Nada a ver. Não é muito louco? O que a internet traz, né? Traz de tudo. Traz de tudo. Aí, né?

trabalhei, CLT, voltei. Falei, eu vou no mercado. Sentei com alguns amigos, fui em escritórios, falei, deixa eu entender como que você cobra. Isso é bacana. Acho que o network também é muito bacana também pra um ajudar o outro nessa questão. Aí eu... não tem métrica. Não tem. Não tem. Não tem métrica. Tá bom. Grau de dificuldade. É o que eu adotei pro meu.

O que eu adotei para o meu foi custos e lucros. Sim. Não, mas aí você está certíssima. Aí eu, Carol Arbex, amiga, guerreira maravilhosa, vai conhecer ela demais. Excel, custos. Todos os custos. Todos os OPEX aí, custo ativo que você tem mensal. Diretos, indiretos? Isso aí. Imposto?

Isso aí. E aí você faz uma... Aí que se cria uma métrica própria. Individual. Pra você ter... Aí daí grau de complexidade. Também. Porque o apartamentinho estúdio de 30 metros tem um grau de dificuldade maior do que o 60. Com certeza.

Ah, mas ele tem que ser mais barato. E o prazo que você vai ficar fazendo o detalhamento dele? Com certeza. Você tem que encaixar muito mais coisas em um ambiente muito menor. Tem que pensar muito mais. Aramado, marcenaria, iluminação. Eu ia falar buraco, abre a coisa, fecha a coisa. Em outras palavras, tá bom? Eu sempre falo bonito, mas eu falei agora. A real. Porque tem que ter um...

uma complexidade ali do tanto que você pensa, do nosso criativo. Sim. Porque o arquiteto, vamos lá, o arquiteto, ele... Orçamento, briefing, contrato, perdão. Projeto. Projeto não é só a concepção e aprovação, né? E aí você tem o 3D, que hoje a galera muitas vezes apresenta já inicialmente.

Ou terceirida também, que gera um custo. Gera um custo, exatamente. E que tem um prazo gigante, dependendo da qualidade do 3D que você entrega. Quantas vezes você faz 3D? Depois vem o caderno, ainda memorial. Ah, vai fazer o gerenciamento ou acompanhamento. Por exemplo, eu venho do gerenciamento de projeto. Eu não faço mais o gerenciamento de obra. Eu orquestro tudo. Aprendi, minha amiga.

que a gente tem que segmentar. Mas tudo isso foi uma evolução individual. Você também teve tudo isso, né? Evolução individual. E eu achei bacana o que você falou, por exemplo. Tem bons arquitetos que oferecem cursos bacanas. Eu já fiz um curso também de gestão de escritório de arquitetura. E eu acho que é interessante isso. Aprender com outros também, né?

Tem que trocar, né? Principalmente quando começa sozinha, você não conhece muito bem a área, não sabe muito bem como se portar ou como você vai estruturar ali o seu negócio, você precisa ter referências, né? Com certeza. Então, eu acho super bacana ter arquitetos que dão cursos, que ensinam, porém também tem que ser filtrados.

Mas na hora que eu vi a mulher falando, ah, não, a palavra é do marido. Eu parei de assistir na hora. Estão num curso de gestão de arquitetura mesmo? Não, porque assim, aí eu sentei com outras arquitetas, e eu falei, deixa eu ver o material, né? Tem curso para você vender consultoria?

Como que você encara a consultoria? Agora eu quero saber a sua opinião. Não, eu gosto. Eu gosto bastante de consultoria, porque, sabe aquela transformação rápida no ambiente? Eu acho super interessante, super bacana. E eu faço consultorias, eu não sou contra. Eu sei que tem alguns arquitetos que preferem focar. Não, se for fazer projeto, só projeto completo, não faço um ambiente só, eu não faço consultoria.

dentro de arquitetura de interiores residencial, eu faço de tudo, né? Um ambiente só, um projeto inteiro e consultoria. Mas você concorda que a consultoria, agora eu quero a sua opinião, tá? A consultoria não deixa de ser um projeto.

Não deixa de ser, mas eu acho que é algo mais... Não é mais fácil, mas... É uma coisa só, você não precisa pensar em... Você não vai mudar, por exemplo, a elétrica. Então, você não precisa ficar pensando no projeto, passar o ponto de luz para cada... Não, existe ali. O que eu posso colocar ali para poder solucionar aquele espaço, aquele ambiente? Do jeito que está. Então, é um processo de facilitação para o cliente. Sim.

Sim, mas também não é algo, ai, é super fácil e também super barato. Também não encaro dessa forma, porque quando você já tem um ambiente também que já está ali pronto, que você não vai poder pensar do zero, remodelar, eu acho que é difícil também, né? Você usar ali o que já existe. Então, também não acho que é, ai, super fácil, super barato.

A minha consultoria é um projeto. É. Que, aliás, deu 10 páginas de projeto, de caderno. De dois ambientes. É, querendo ou não, tem algumas coisas, né? Pintura, você vai mexer. Marcenaria, piso. É um projeto elétrica. Mas eu gostei da sua visão. Um slim, uma coisa rápida. Uma coisa que agregue e o cliente faça rapidamente ele mesmo.

Exatamente. Tem muito público pra isso. Tem. Muito público. Aí agora eu quero saber a sua opinião que eu liguei pro nosso conselho essa semana. Tem uma galera vendendo algumas coisas aí, consultoria online, por ambiente. Algumas marcas. Você tem aquele valor pré-definido. E aí eu falei com o Carl, falei, olha...

Você me perdoa, mas eu não paro de estudar, promovo vocês como apoiadores da minha profissão, vocês me acolhem, vocês vão deixar essa pulverização, pulverização, pode ser a palavra, pulverizar a classe?

É, eu tenho uma opinião assim, eu não concordo com esse tipo de venda, porque eu não acho que uma consultoria, um projeto seja algo tão simples assim. Não é pastel. Não é pastel, e cada caso é um caso, é muito personalizado, não concordo. Porém, eu acho que é a mesma questão de redes sociais e inteligência artificial. O público que vai comprar...

Esse tipo de serviço, se é que a gente pode chamar de serviço, não é o público que vai comprar um projeto com você ou comigo. Que vai comprar uma consultoria com você ou comigo. E, assim, se não existisse esse serviço, que seria ideal, essa pessoa ainda compraria com a gente? Eu acredito que não. Não é o público. Então, eu acho que sim. Eu acho que, na verdade, tem que ver um...

Uma métrica ali, ó. Um mínimo aceitável pra profissão que você pode cobrar nos seus projetos. Isso aqui tem que ser o mínimo. A partir daqui, tem escritórios muito renomados que tem, né? Que tem que cobrar muito mais e ok. Mas tem que ter um mínimo. Então, assim, eu não concordo, mas ao mesmo tempo eu acho que a pessoa que compra essa consultoria, ela não vai comprar com nenhum outro arquiteto. Não é público de arquiteto. É, não. Eu desabafei. Não.

Desabafei no cal. Mas a gente fica triste, né? Não, fico porque... Peraí, quanto que você se dedica? Quanto eu me dedico? Quanto nossos colegas se dedicam? Aí eles... Sabrina, calma, tal. Faz um e-mail providoria. A gente marca uma reunião. Entra como uma denúncia. E aí ele falou... Tem uma questão também. O designer de interiores é coberto pelo CREA.

Então você precisa sentar com creia Eu, tá bom, beleza Vou sentar com creia pra conversar Tem a ABD também Eu não sou associado Tenho meus diplomas Que é uma pastinha desse tamanho Que já deu assim a minha idade

Eu falei, tá bom, eu vou sentar pra ter uma clareza. Porque, poxa, tá pulverizando. Eu fico muito chateada, porque não é só eu como profissional. Eu entendo também, tenho a mesma opinião que você. Níveis e níveis. Tem níveis que vão atender, fechar com você e comigo, e outros níveis não vão. Porque tem pessoas que gostam de comprar os insumos, grudar. Eu acho que isso dá uma clareza, uma decoração. Colocar a mão na massa.

É Dirk, né, que fala agora que é a onda, que tem até canais que o pessoal fica o dia inteiro fazendo as coisas, fazendo lacinho, colocando na parede. Tem, é. É uma...

É um nicho, só que eu acho que eles têm que nos resguardar como profissionais. Eu acho que a questão também, não só de esse cliente que contrata, ele não vai contratar um arquiteto, mas eu acho que passa uma imagem de que todo arquiteto é assim, sei lá, é baratinho, vende coisas prontas, e que não é verdade, né? Não. Então, querendo ou não, sim, desvaloriza também a nossa área, né? Como profissionais. Com certeza. E assim, é...

Foi só um desabafo, porque eu ligo mesmo. Super válido. Eu ligo mesmo. E eu estou até me segurando para não ir lá, daqui a pouco eu estou com as caras aí em algum lugar defendendo a gente. É, porque a gente precisa ser defendido, né? Teve algumas situações aí, eu não sei se você chegou a receber de multa que o CREA...

Eu vi na internet, não recebi, ainda bem. Mas tem vários amigos que pagaram, tinham que recorrer, que é coberto pelo CAL. O CAL já postou uma nota essa semana, já está tudo bem. E me fala, o processo de entender o que o desejo do cliente, você encara no briefing. Sim. E se mudar de opinião?

Ah, é uma boa pergunta. Eu, desde que eu tive as minhas primeiras experiências, né, com a arquitetura, eu entendi que o briefing é o principal do projeto. Mais do que o detalhamento executivo, o briefing, o primeiro ali, o contato que vocês vão conversar, que tem um questionário, que tem uma reunião, isso é o mais importante. Porque é ali que vai direcionar todo o processo, né, todo o projeto. E...

Hoje, eu prezo muito por um bom briefing, de entender realmente o que o cliente precisa. E sim, a maioria das vezes eu consigo acertar muito bem, a gente vai moldando ali o projeto, obviamente, não na primeira reunião, tá tudo lindo, tudo aprovado, mas já consigo entender muito bem o que esse cliente precisa, o que ele quer, o que ele gosta, o que ele não, e a gente tem ali uns pequenos ajustes antes de ir pra obra. Mas eu sempre converso muito com eles assim.

Agora, durante o projeto, o computador, o papel, aceita tudo. Tudo que você quiser colocar aqui, eu posso colocar.

Mas, a partir do momento que você começa a alterar isso na obra, isso gera muitas dificuldades. Custos, retrabalhos, fornecedor que não vai querer refazer um pedacinho pequeno de alguma coisa, que acontece muito. Ah, mas eu não sabia como ia ficar. Essa parte do projeto é a mais importante, é a visual. Você consegue entender como vai ficar.

Cores, revestimentos, texturas, iluminação, é tudo agora. Então, eu tenho clientes que chegam na obra e alteram uma coisa ou outra, mas hoje em dia eu tenho muito menos do que no começo, porque eu não sabia fazer um bom briefing, não sabia conversar. Você foi peneirando e evoluindo. Exatamente.

Então, hoje, mesmo que chega ali na obra e o cliente acaba, vou trocar uma torneira, ou acabamento da bancada, eu achei que esse daqui, eu gosto mais desse acabamento. Mas é uma coisa ou outra, não é assim. O contexto todo é alterado. Porque eu acho que quando...

E eu já sofri muito com isso. Quando o contexto todo alterado, é o briefing que deixou ali. Faltou, sabe? Faltou aquela boa conversa. Aquela clareza inicial. Aquele bom entendimento do cliente. Acho que falta isso. Então, acho que a maior saia justa é o conflito entre maridos. Marido e mulher, né? Uma vez eu estava numa loja, eles começaram a brigar sobre a almofada. A gente queria sair rasgando.

Você já passou por isso? De briga, assim, não. Mas eu já passei, por exemplo, um casal que... Eles iam responder o briefing juntos. Eu sempre mando um questionário antes de fazer a reunião. E aí, ele respondeu e depois ela falou, posso responder outro? Eu, tudo bem. Pode responder. Ela respondeu outro. E aí, depois eu tive que...

Deixa eu te contar, a Pérola que eu lembrei, acho que eu nunca contei aqui, na reunião de briefing, o casal se separou. Meu Deus. Foi.

Ó, é o que eu falo. Pagou o projeto? Ouve. Que bom. Pagou o projeto. Largou ali. Eu falo assim, casais que estão em crise, por favor, não comece a reforma. Acabou ali. Porque o cara falou, não, a gente vai casar, eu comprei essa casa pra isso. Aí a mulher falou, eu não vou casar com você. Meu Deus. Aí começou a rolar. Ele, mas você não vai desenhar o closet? E você ali. E eu no meio.

Servido de psicóloga. Ou de ouvinte. Eu fiquei muda na época. Eu fiquei muda. Isso foi o que? Em 2016. Cara, que saia justa. Lembrei. Eu fiquei... Não, ele nem... Se ele pedisse o dinheiro de volta, eu daria. Eu fiquei sem reação. O que você vai fazer, né? Eu não fiz nada. Fiquei quieta. Falei, quer um café? Mas é...

É complicado, né? Gente, sintonia, né? Inicialmente. Lavar roupa suja no cima. Acho que é meio... Foi. Foi meio complicado. Foi. Foi uma saia justa. E uma pérola? Minha? É, uma pérola. Quero uma pérola.

Ai, não sei se é uma pérola, mas foi... Hoje eu olho e acho que foi uma pérola. Foi uma dificuldade numa obra. O síndico morava embaixo do apartamento. Presente, hein? Presente. Muito. E é daqueles síndicos bem... Legais, legais, maravilhosos. E aí a gente teve uma situação que no começo da demolição esqueceram de fechar o registro.

Era uma das minhas primeiras obras também. Demoliram o banheiro, não fecharam o registro, obviamente, saiu água pra todo lado, vazou no apartamento do síndico. Ele me ligou, doido, falando que ia chamar a polícia. Hoje em dia eu dou risada, né? Na época eu chorei. Falando que ia chamar a polícia, que a obra estava ilegal, que não sei o quê, e tal, tal, tal. E eu não sabia o que fazer, porque era uma das minhas primeiras obras.

Eu realmente não sabia se ele podia chamar a polícia, se ele podia entrar no apartamento.

Se eu ia ser presa, eu podia ser presa, não sei. E aí eu consegui ligar para um outro arquiteto que eu conheci, tinha conhecido recentemente, nem tinha intimidade com ele, mas ele era mais velho, mais experiente, liguei para ele e falei, e agora, o que eu faço? Aí ele, ó, primeira coisa, o síndico mesmo não pode entrar no apartamento porque você não fez nada errado.

Você vai falar com o pessoal da obra para eles fecharem o registro. E aí você vai no apartamento, você dá uma olhada, vê como ficou. Você conversa com o síndico, mas ele aprovou os documentos de reforma? Eu falei, aprovou, eu mandei a RRT, mandei o projeto, ele aprovou. Aí eu falei, então está tudo certo. Aconteceu uma fatalidade, não tem...

Nada além disso Mas eu sei que na época foi Desesperador Então hoje eu vejo como algo Gente, que bizarro Mas foi denso Isso me lembrou O meu apartamento Eu estava em Maringá trabalhando Lá no Paraná Aí veio o zelador A equipe de obra está fazendo Muito barulho E não pode, eu mandei para a obra Menina, eu estava com uma saia, eu rodei E não pode, eu mandei para a obra

Eu falei, sai do meu apartamento agora. Liguei pro empreiteiro, falei, continua. Eu falei, se você fizer isso de novo, eu te processo. Você não pode entrar. Não tem jeito. Não é, eu fiz uma laje na minha pia. Então, eles estavam quebrando pra colocar o aramado lá, a estrutura de ferro. É aramado? Não lembro. É a malha, né? É a malha, obrigada. A malha de aço.

Tô ótima aqui com sinusite, minha cabeça tá ótima. E aí colocou a malha de aço, só que eles estavam encaixando, né? Fazendo a estrutura, chubando, faz barulho. O cara entrou, eu falei, imagina, eu só liguei pra Cid, falei, ó, você quer receber um processo? Porque eu não tô afetando a estrutura, é uma estrutura complementar. É uma laje de pia. E ficou linda depois, eu adorei. Nossa, é. Mas sempre tem uns sufocos, né? Tem, tem sempre uns sufocos.

E fora do trabalho agora? Me fala aí, o que expira? O que você respira aqui fora? Fala, oi, vida! Olha, eu estou no momento que eu estou gostando muito, voltando a gostar muito de artes. Assim, museus. Teve uma época que eu frequentei bastante, mas aí, aquela pausa, né? Só trabalho, só trabalho. Então, eu estou gostando muito de voltar a...

a visitar museus. Então, recentemente foi quando teve a exposição do Monet. Achei linda, maravilhosa. E é bom porque, ao mesmo tempo que a gente está fora do trabalho, que a gente está vendo em outras áreas, mas também são inspirações. Então, eu acho super bacana. Então, museus, arte, natureza, gosto muito de estar em contato com o verde também. Acho que é super bacana. São coisas que inspiram.

Com certeza. Não, a exposição de... Dá uma... É, a exposição de Monet... Eu não sei se você fez isso, mas eu sentei e fiquei. Aí eu falei, só falta um vinho. Fechou. Gente... Eu fiquei olhando, olhando, olhando. Porque a técnica de pintura, se você ficar olhando direto, ela se movimenta. Sim.

Eu peguei o celular e eu fiquei filmando. Perto, longe. E é exatamente essa a sensação. É sensacional. Você olha de perto e fala, gente, que monte de borrão. Aí você vai se distanciando e você começa a ver movimentos. Eu vou te contar uma pérola. Sabe aquelas roupas de militar? Qual que é a referência? Monê. Ah, é? É. Eu não sabia.

Muito louco, né? Muito louco. A arte, ela está em todos os lugares. Exatamente. Essa exposição foi incrível. Eu fiquei encantada. Eu fiquei até emocionada. Eu fui duas vezes. Ele é fora da curva, né?

Eu fui bem no finzinho, tinha muita gente, não deu pra sentar e contemplar, mas eu aproveitei bastante, assim, foi... Ah, eu fico feliz você com a tua arte, adoro. Ah, eu gosto. Eu sou alguém que semeia a arte. Ah, legal. A arte tem que estar dentro da arquitetura, tem que estar em todos os lugares. Tá tudo interligado, né? Tudo interligado. Ah, eu já fiz projetos em torno de artes. Eu adoro, adoro. E minha casa também.

Meu último quadro, quer saber? Fui lá tomar um passe na Lancardé aqui, né? Aí tem o... Do lado do caso tem o Ceara, a Ceara Bendita, que é na Zona Sul. Aí tô lá, tem o... Aquele lugar de venda, né? De bazar. Eu olho um quadro. Aí virei o quadro com o certificado atrás. 1851.

Eu acho que tem muito isso, identificação, né? Com a arte. Tem arte que você olha e fala é isso aqui perfeito pra mim, maravilhoso. Tem algumas que você olha e fala esquisito. Mas é emocional, né? A memória afetiva, o laço. Porque, ao meu ver, a cerejinha do bolo é na hora que você tá finalizando. É essa hora, né? Que entra. Os chaves, né? Eu estou sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre

Tanto que até foi interessante, durante o projeto eu nem costumo colocar assim, ah, vou colocar esse quadro aqui. Porque eu acho que é muito isso. É o final, a identificação da pessoa, o sentimento, o momento que ela está vivendo.

Acho que colocar ali o que eu acho no começo não faz muito sentido. Acho que a arte é muito isso. A pessoa tem que se ligar com a arte. É muito emocional. O momento que ela está fazendo. Porque, às vezes, uma arte que eu olho hoje e falo, gente, maravilhosa, adorei. Em outro momento, não seria a arte que eu compraria. Mas é que amadurece, né? Se torna uma coleção de evolução de gosto. Exatamente. É muito louco, né?

Mas legal, legal, bom saber. Vou te convidar para os próximos eventos. Ai, obrigada. Vocês estão adorando viver assim. Tem. É, tenho. Agora está acontecendo... Eu vou colocar no nosso grupo uma artista que eu apoio, a Bia Ferrer. Ela é bem legal.

Ah, eu já ouvi esse nome. Acho que foi você mesmo que ouvi no sexto. Ela é bem legal. Ela fez... Eu fiz a casa dela. Foi, eu assisti as séries dos Reels que você fez. Eu fiz a casa dela e aí eu expus ela na Bolt, show. Aí agora ela tá numa ocupação no centro.

Do lado daquele... Ai, Casa de Francisca. Ali é maravilhoso. Vou fazer uma saída com guiada. Porque a gente gosta de saber. Eu gosto de saber tudo. Eu pergunto tudo. Eu sou curiosa. Como que você fez essa arte? Conta essa história pra mim. Porque é um laço, né? Uma interação. E a gente aprende também, né? E me fala agora. O que que te motiva pra não sair correndo? Fala, socorro! Não quero mais!

Olha, a nossa área é muito cansativa, ela é muito difícil. E eu tenho certeza que você já deve ter falado com muitos arquitetos que pensam em desistir da área dez vezes por ano. Mas o que me motiva muito é quando tudo está finalizado e aí o cliente está super feliz, mesmo depois de todos os percalços, obra, tudo. Mas no final ele fica super feliz e aí você sabe que você fez parte.

Da casa dele, da história dele, de um momento que foi um investimento muito, muito alto e você estava ali presente, você fez parte daquela história. Eu acho que isso é o que me faz mesmo... Te move. Me move. Mesmo quando eu falo, não, mas essa área é muito difícil, é muito complicada. Aí eu falo, não, mas aquele cliente, eu fiz a casa, ele ficou feliz. Aí toda vez que eu posto, você fala, ai, a minha casa, adoro. Aí você, ai, meu Deus, tem que continuar. É bom, né? É muito bom. Eu tenho uns clientes que bebem e falam...

Olha a adega que você fez. É muito bom falar. E eu fiz. E manda bêbado. Ainda escreve, não posta no Instagram. É muito bom, né, cara? É muito bom. Acho que é isso. Participar da história de outra pessoa positivamente, assim, sabe? E me conta, num mercado tão competitivo, como que você se destaca?

Essa pergunta é bem... Trash. Não, é bem difícil, eu acho, responder. Porque, assim, hoje a gente tem muita referência, a gente tem muitas redes sociais, tudo. Então, eu acho que, assim, os arquitetos que estão muito visíveis, o que diferencia é a comunicação deles nas redes e como eles trazem a identidade deles para as redes. E aí é um começo. Tá.

No meu caso, eu não estou tão presente nas redes sociais, os meus clientes vêm basicamente por indicação, então eu acho que o que me diferencia é o atendimento mesmo. Logo no começo, então, eu tenho um cuidado de perto, de conversar, de entender, de, sabe, aquela coisa. Tem clientes recentemente até que eles já falam, nós já somos amigos. Então, eu acho que é mais o atendimento. E é isso que vai um indicando para o outro, indicando para o outro. Eu, sinceramente, analisando, eu acho que é mais essa questão.

Vou pegar o microfone aqui e vou contar uma pérola que aconteceu comigo ontem. Você já passou algum perrengue de orçamento?

Em qual quesito? Qual orçamento? Internet, alguém te procurar. Olha, eu nunca fiz projeto pra ninguém de redes sociais, mas eu já tive, sim, orçamento de quem veio por redes sociais. Assim, pedido de orçamento, não chegou a desenvolver. Tá bom. Eu, sem a maldade, fiz a primeira reunião online, marquei. O cliente mandou um endereço. Quando eu joguei no Google, era outro endereço. Perigoso.

Aí fui investigar, né, tem meus contatos. Não era aquele lugar. Aí na hora eu retraí. Eu falei, não, peraí. Gente, a gente tem que tomar muito cuidado. Porque às vezes passa no automático, você vai. O Waze te leva para outro lugar e você cai numa emboscada. Sim. Era uma emboscada. E estava acontecendo, né, recentemente. Estava acontecendo bastante com arquitetos. É.

E ontem fui eu. Ontem? Foi. Nossa, menina, recente. Não, então. Fiz a reunião online semana passada. Passei o briefing inicial, que seria o programa, né? Solicito sempre o programa, era um projeto corporativo. Só que me mandou o endereço. Quando eu vi, era um outro endereço. Então. Aí eu mandei, era um outro endereço. Então. É. E aí eu joguei na internet, falei, opa.

Tem algo errado? Aí, pedi mais informações. As informações não se cruzavam. Na hora, eu inviabilizei a visita. Falei, não. É o correto. Né? Aí, falei, tem spray de pimenta em casa? Tem. Falei, mas e se eu não souber me reagir? Não souber ter reação na hora? Eu acho que o que você fez foi super correto. Verificar antes e, opa, se acendeu ali um sinalzinho. Inviabilizei. Inviabilizei na hora. Falei, olha... Abra Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move Move

Não. Tem que tomar cuidado, viu, gente? Porque, infelizmente, tem muita gente ruim no mundo. E, às vezes, a gente tá numa bolha, tá? A gente tá numa bolha, assim. E a gente não enxerga que existem as situações ruins. A maldade. Não, eu fiquei em choque. E usar de esperteza na maldade, né? E questionou. Falou porque eu não fui.

Então, se atentem, criem mecanismo para vocês triarem os clientes. Eu gosto de... Eu peço CNPJ, eu peço RG, CPF. Eu puxo o CNPJ, porque muitas vezes os meus projetos é para corporativo. Eu me sinto mais segura. Com certeza. Mas, cara, você joga, dá um outro endereço. E se eu tivesse jogado direto no celular? E se você tivesse ido sem... Né?

Sem pesquisar, sem nada, ele só vai. Mas tem que pesquisar. Mas tem muita gente que... Muitos arquitetos que, infelizmente, já caíram em golpes. E era... Era exatamente isso. Chega lá e pedir dinheiro, fazer pix e não sei o quê. Primeiro, se for me pegar, tá fudido. Eu não ando com pix. Já fala aqui. Não ando com pix.

E não tem para quem pedir pix, tá? Já deixa claro. Tá nas redes sociais aqui. Vamos lá. E o que você acha agora, mudando de assunto? O que as pessoas ainda não compreendem o que é o trabalho de um arquiteto? Para quem não conhece. Para quem não conhece. O meu público, o meu maior público é de pessoas que nunca contrataram arquiteto. Então, assim, eu sou a primeira arquiteta. Na vida deles. Eu estou sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre

Então, eu vejo muito isso na prática, que eles sabem que o arquiteto faz alguma coisa ali de, ah, vai decorar o apartamento, mas eles não sabem todas as atribuições, até onde a gente vai, até onde a gente entrega. Então, já teve cliente que falou assim, ah, mas você, como é que você faz o projeto? Você entrega alguma coisa que eu possa seguir?

Sim, aí tem que explicar. Tem todo um processo, definir o projeto, ter o projeto executivo, ter a obra. A obra pode ter as visitas ou não. Então, eu vejo muito isso que a maioria das pessoas não sabem exatamente o que o arquiteto faz e como ele faz. Sabe que viu ali nas redes sociais, ah, esse apartamento foi projetado arquiteto X.

Mas não sabe como é esse trabalho, sabe? Até onde a gente vai, até o que a gente pode oferecer. Então, eu tenho muito essa questão, assim, de explicar também muito bem para os clientes e... Dar uma aula, né? Dar uma aula. Mas a maioria deles só entendem mesmo depois que está tudo finalizado, falando, nossa, se eu não tivesse contratado... O que seria de mim? Eu não sabia que tinha tantas coisinhas para definir, para entender. Nossa!

E me fala, se você pudesse mudar algo no mercado, no nosso mercado, o que você mudaria? É aquilo que a gente conversou um pouquinho antes, que é estudantes, a gente sai muito cru da faculdade, tanto em questão de mercado, em questão de gestão, e a nossa área, ela tem um problema que assim...

A gente entra num problema muito macro, né? Piso salarial, as empresas que não contratam como arquiteto, não pagam como arquiteto. E aí, muitas pessoas que vão para o mercado, elas acabam tendo que empreender, porque não vai ter vaga suprir para todo mundo. Quem começa a empreender, começa a trabalhar, também não consegue pagar um salário de um arquiteto. E aí, vai criando ali um ciclo, né? Sim.

Então, muita gente que vai para o mercado para empreender sem ter conhecimento. Então, é ruim para o mercado de arquitetura e é ruim para quem está começando também, que está sempre quebrando a cabeça, sempre... Aconteceu comigo, aprendendo ali com os erros. Com todos nós, porque na hora que você fala vou empreender é diferente. Você tem que se dar a injeção de ânimo todos os dias.

Exatamente. Então, eu acho que isso é algo que é estrutural, eu acho que não é algo muito simples de ser mudado, mas no mercado de arquitetura eu acho que é isso. Como muitas pessoas são empurradas a empreender, e é uma área que é possível empreender, né? Então, a gente tem muita gente sem muitos conhecimentos e sem um mercado que possa preparar também essas pessoas antes. Então, como você falou, né?

Um emprego, um estágio, antes de definir, olha, eu realmente nasci para empreender, eu quero montar o meu negócio. Não, a maioria vai porque é o que tem, não tem vaga, não tem...

Eu nasci para a Cerdeira, mas nasci na família errada. Brincadeira. Também. Só para descontrair. Mas eu não reclamo, não. Eu amo. É muito louco. Eu sempre falo, a arquitetura é por amor. Sim. Quando a gente faz a faculdade... Quantos projetos gigantescos na faculdade você fez? São vários. Um por semestre.

Pô, eu fiz um museu. Eu não tive oportunidade de executar oficialmente o museu, mas eu faria um museu. Então, assim, é oportunidade de mercado, né? Exatamente, mercado. Outro dia me ligaram e falaram assim, ah, dá para você fazer uma igreja.

Mas é claro! Bacana. Legal, né? Aí você já pega as referências lá. Pensar numa coisa mais diferente, umas formas. Opa! Mas é isso. Acho que o que nos move são esses projetos diferentes, interiores, que eu também estou bem inserida. E projetos que a gente tem que quebrar a cabeça. Nossa, eu adoro.

Cada projeto é uma coisa completamente diferente. E a gente acaba aprendendo bastante também. Eu gostaria muito de mudar as fachadas dos prédios novos. Aí, outro dia, eu no meu Instagram particular, que é fechado, eu falei, olha, parece um presídio. Aí, todo mundo, comprei! Aí, eu.

Esquece, deixa eu apagar. Minhas pérolas. Ah, gente, mas parece que elas caixinha tudo igual. Parece. Em frente ao meu escritório tem um prédio que eles ainda estão finalizando a construção. E aí eu falava para o meu marido, gente, essa parte são as costas do prédio, né? Tipo, a parte de trás. A parte técnica. Aí eu fui pesquisar e não era. Era fachada. Tinha várias...

Pra frente, pro lado, pra trás, mas parecia muito área técnica. Eu falei, gente, não é possível. Eu não sei. Eu não sei como que a pessoa permite, sabe? Deveria ter uma lei estética proibindo. É. Seria bom. Em Dublin tem. Em Dublin tem. A Renata Vida, a primeira que eu entrevistei, que falou. Vai pra aprovação da prefeitura antes. Aprovação de fachada. Não, mas é interessante mesmo. É, pra seguir uma linear. Se não, parece a festa do caqui, só cali, só cali. Não dá. É verdade.

Mas desculpa as brincadeiras, tá? E outra, gosto não se comenta, se lamenta, né? E, para encerrar, a gente está chegando ao final, defina a sua trajetória.

Olha, é uma trajetória de conhecimento, aprendizado e persistência. Eu vou pegar muito o que você falou, que arquitetura é por amor. Porque os que atingem o ápice do, ah, estou rico ganhando dinheiro, fazendo e acontecendo e tendo nome escrito em alguns lugares, são poucos. E o que a gente faz muito é isso, é por amor. Então, a persistência de saber que você está participando de algo maior, que te motiva.

Então, acho que essas duas palavras, conhecimento, que é sempre aprender, sempre adquirir mais aprendizado, e a persistência, numa área que é muito linda, mas é muito difícil também.

Literalmente por amor. E deixo uma mensagem para eles. A minha mensagem, assim, para os clientes, que o trabalho do arquiteto, ele vai muito além de deixar bonito. Ele é um trabalho para planejar.

o que você pretende fazer, né? Não seja construir um imóvel ou comprar um imóvel, alterar. Então, é super importante a participação de um profissional aí durante o seu planejamento de reforma. E para os arquitetos que estão começando a carreira agora, isso é persistência, é aprendizado.

buscar formas de entender a área e de começar de um jeito que seja menos frustrante, né? Que seja uma experiência muito boa, assim, de saber não só sobre arquitetura, como projetar, mas também como empreender, gestão, buscar sempre conhecimento. É isso. Adorei. Vamos dar um beijo pra galera? Beijo, gente. Beijo. Arrasou, ei! Obrigada.