Episódios de Axé das Plantas - Cura do Corpo e da Alma

T3 - Episódio 3 - Juazeiro

25 de setembro de 202650min
0:00 / 50:06

O juá ou juazeiro é uma espécie nativa e não endêmica do Brasil e se espalha do Piauí até o norte de Minas Gerais. Cientificamente é chamada de Sarcomphalus joazeiro, antes como Ziziphus  joazeiro.Na caatinga, especialmente as pessoas mais velhas, se orgulham de mascar um pouco das folhas do juazeiro para tratar incômodos, inflamações ou mesmo garantir a higiene. Do ponto de vista da farmacologia, já se identifica enorme potencial da planta na atividade antimicrobiana.Estudos mostram eficácia por alto teor de saponinas, que compostos tensoativos que conferem propriedades detergentes de baixa abrasividade, ideais para uso em cremes dentais e produtos de higiene oral. Os metabólitos secundários da planta são capazes de matar microrganismos patogênicos e exercem efeitos anti-inflamatórios, o que os torna muito eficazes na prevenção e no combate à gengivite e sapinho.

Participantes neste episódio9
V

Victor Jorge de Silva

HostProfessor associado do Departamento de Bioquímica e Biofísica do Instituto de Ciências da Saúde da UFBA e coordenador do projeto de pesquisa Neurofarmacologia de Terreiro
W

Wagner Rocha

HostDoutor em Estudos Étnicos e Africanos pela UFBA e pesquisador do campo da antropologia, cultura e patrimônio alimentar afro-brasileiro
A

Adriano Trucatupã

EntrevistadoCoordenador regional da região norte da Caatinga e da margem do São Francisco
M

Mametu Alzeny Tomaz

EntrevistadoSacerdotisa e advogada, pesquisadora e atuante na Sociedade Brasileira de Ecologia Humana
M

Marcos Dantas

EntrevistadoConselheiro ambiental, professor e administrador
M

Maria Eliane Menezes

EntrevistadoArtesã da Associação de Mulheres Quilombolas da Serra das Viúvas
M

Maristela Mazotti

EntrevistadoProfessora mestre e doutoranda em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe
M

Marlene de Araújo

EntrevistadoArtesã da Associação de Mulheres Quilombolas da Serra das Viúvas
M

Milton

EntrevistadoJornalista
Assuntos5
  • O juazeiro como remédio ancestral para o AVC e outras doençastratamento do cacique Milton com juazeiro·conhecimento tradicional do pajé Gilvã·uso do juazeiro para banhos e inflamações·tradição familiar no uso da planta
  • Propriedades medicinais e farmacológicas do juazeiroatividade antimicrobiana da planta·alto teor de saponinas para higiene bucal·efeitos anti-inflamatórios·compostos contra bactérias e fungos
  • A luta dos povos indígenas pelo acesso à água e direitos do rioorganização dos povos indígenas·perfuração de poços e adutoras·Rio São Francisco como sujeito de direitos·enfrentamento no campo do direito
  • A importância cultural e simbólica do juazeiro para os povos do semiáridosímbolo de esperança na seca·abrigo e local de encontro·referência na música de Luiz Gonzaga·conexão com a terra natal
  • O Rio São Francisco e suas tensões socioambientaisdegradação das nascentes e desmatamento·assoreamento e perda de biodiversidade·uso excessivo da água e má gestão·poluição e agrotóxicos
Transcrição79 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Depois do remédio dele, da rezadeira, hoje tô aqui. Não tô 100% que nem eu era antes, mas que ele sempre deixa um negocinho. Às vezes ele sempre dando uma limada e deixa com um defeitinho. Às vezes não fala bem, mas eu falo. Às vezes tem tira que trava. Aí vai ver se é isso.

?Voz B

Cacique Milton, liderança Pancararé da aldeia da Baixa do Chico, no Raze da Catarina, sofreu um AVC e foi tratado pela medicina do pajé Gilvã, que teve no juazeiro um importante remédio, junto com outras plantas cujo mistério próprio dos saberes indígenas não nos permitiu saber.

?Voz A

Graças a ele e os remédios dele, que diz que é remédio doido, Foi do juazeiro e outras coisas. Ele disse, ele disse. E o juazeiro é uma das que tem essa aqui, gosto dele pro gadiço também. Tem outra parte também, gosto muito dele pro gadiço. Juazeiro é bom pra tudo, pra mim é fundamental. Ele serve pra lavar roupa, serve pra escovar os dentes, a fruta serve pros animal, a folha serve pros animal, serve de lenha pra a gente acender o fogo.

?Voz B

Cacique Milton tranquiliza suas preocupações debaixo do juazeiro, uma árvore que chama ventos e acalma. O juá cobre o chão, pequeno fruto de sabor intenso e curativo para os males da boca.

?Voz C

Quando decidimos dedicar esta temporada do Axé das Plantas ao bioma Caatinga, fizemos uma lista de opções para orientar nossas conversas. Nosso colega Lucas Oliveira, da equipe de assessoria científica, sugeriu o nome do juazeiro em homenagem à terra natal da sua família. Mas diante daquela imensa lista de plantas, o juazeiro acabou ficando no banco de reservas. Grande parte de nós da equipe não reconhecíamos a relevância do juazeiro para os povos do semiárido brasileiro.

Tanto pela sua dimensão simbólica e cultural quanto para os seus usos medicinais no cotidiano. Juazeiro é símbolo de esperança. Por mais duro que seja a seca, o verde de suas folhas não desaparece.

?Voz B

Juazeiro é abrigo, local de descanso e encontro, também recanto para a fé. Na letra de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, O homem conversa com o juazeiro e abre o coração perguntando: diz, juazeiro, onde anda meu amor? É sobre essa árvore amiga do povo do sertão que vamos conversar no episódio de hoje. Eu gosto de conversar.

?Voz C

Eu também, tá bom.

?Voz D

Nas matas perdidas eu me criei.

?Voz E

Nas matas perdidas eu me criei.

?Voz C

Você já sabe, está ouvindo o podcast Acer das Plantas, cura do corpo e da alma, uma produção da Universidade Federal da Bahia em parceria com o podcast Viagem Gastronômica com Doutor Dendê, com o apoio do Instituto Serrapilheira desde a primeira temporada. Chegamos ao terceiro ano e dessa vez exploramos plantas do bioma Caatinga. Eu sou o Doutor Victor Jorge de Silva, professor associado do Departamento de Bioquímica e Biofísica do Instituto de Ciências da Saúde da UFBA e coordenador do projeto de pesquisa Neurofarmacologia de Terreiro, que busca em plantas usadas por comunidades tradicionais de religiões de matriz africana a cura para o AVC e outras doenças que afetam o sistema nervoso central.

?Voz B

E eu sou o Dr. Wagner Rocha, doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela UFBA, e pesquisador do campo da antropologia, cultura e patrimônio alimentar afro-brasileiro. Sou também conhecido como Doutor Dendê. Além de compreender as potencialidades e usos medicinais do juazeiro, neste episódio vamos também passear pelas margens do Rio São Francisco, compreendendo a relevância dessa bacia para a Caatinga brasileira e a vida dos povos do sertão.

?Voz C

Nas primeiras entrevistas que fizemos, perguntamos às fontes se elas sentiam falta de alguma planta muito usada em seu território que não estavam presentes entre aquelas da nossa lista. E desde a primeira conversa veio o juazeiro. E aí, logo no começo da conversa com o cacique Milton, surgiu aquela história de que ele foi tratado a partir de preparos da casca do juazeiro dentro da aldeia por pajé Jovã. Ele advertiu que apenas o curandeiro Pancararé poderia falar sobre como utilizou a planta para tratar do seu padecimento com AVC, aquela doença que é mais conhecida como derrame, mal do vento ou acidente vascular cerebral. Então foi isso que a gente fez.

?Voz F

Ele serve para o AVC, que nem ele falou, serve para banho também, para o AVC, serve para você banhar a cabeça, né, serve para quentura. Serve para inflamação, serve para escovar os dentes, né?

?Voz B

Quando vamos entrevistar pessoas de comunidades tradicionais, como um pajé, é importante partir da compreensão de que talvez nossa pergunta objetiva terá uma resposta com voltas, com lacunas, interrupções, digressões, que é um modo de responder que revela uma riqueza de pensamento mas também que escapa. Enquanto entrevistadores, precisamos respeitar os mistérios de uma cultura, reconhecer que nem tudo será disponibilizado de informação ou traduzido para o nosso entendimento. E é aí que reside uma grande beleza.

?Voz C

Tenho aprendido muito nessas conversas ao perceber que as falas nos trazem pistas, mas não o conteúdo por completo. E como pesquisadores, devemos buscar aprofundar e investigar a partir de múltiplas fontes.

?Voz F

O remédio é inimigo da doença, então ele vai bater, né, e a doença vai cair fora porque são inimigos, ele não pode, entendeu? E muito obrigado.

?Voz C

No caso do João, travou AVC. Quando chegou o caso do seu Milton, O senhor já tinha esse conhecimento, o conhecimento chegou para essa cura. O senhor já tinha experienciado casos anteriores ou tinha visto seu pai curar alguém com o joá da paralisia?

?Voz F

Com certeza, com certeza. Isso já vem tradição, já vem de avô, vó, pai. Minha mãe caía, eu mesmo fazia. Digo, oxe, vou fazer, eu vi pai fazer, vou fazer. Mãe, quem foi que fez? Fui eu, mãe. Ela bebia ali, oxe, pouquinho, levantava.

?Voz B

Embora a aldeia receba visitas periódicas da equipe de saúde indígena, o pajé prefere seguir com seus cuidados baseados nas plantas da Caatinga e o conhecimento ancestral que herdou. O próprio cacique demonstrou a confiança na medicina dos encantados e tem, nos momentos em que se senta debaixo do juazeiro, sua melhor terapia. Os mais velhos seguem assim, mas também com o entendimento de que a medicina ocidentalizada precisa atender aquela população e é uma aliada, atuando de maneira complementar para a saúde e o bem viver da comunidade.

Como é que o cacique falou com a gente que tem uma médica indígena que vem aqui na comunidade uma vez por semana, né? Eu queria saber como é a sua relação com essa médica indígena.

?Voz F

Não, é, a relação é muito boa, né? É educada, né? Atende a gente muito bem. Não, o problema daqui, eu venho na médica porque Eu tenho um problema que eu não resolvo, né? Eu tenho problema de artrose nos ossos, tem a coluna, né? Eu sempre peço o raio-X para ver como é que tá, né?

?Voz B

Antes de visitarmos a aldeia Pancararé, tivemos um encontro com a professora mestre Maristela Mazotti. Dune Hills e doutoranda em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe. A pesquisadora colaborou com a Xé das Plantas intermediando nossas visitas com as comunidades tradicionais e também partilhou conosco algumas reflexões importantes que compõem a investigação de seu doutorado, que envolve perspectivas metodológicas em etnofarmacologia.

?Voz G

Então, a parte dentro da farmacologia, eu gosto muito da observação, de não interferir, de não chegar interferindo, e sim de chegar aprendendo, né? Porque em todo cantinho desse rincão do nosso país a gente aprende alguma coisa. E é excelente vocês começarem com bioma Caatinga, como você falou, Professor Vitor, porque é um bioma exclusivo brasileiro, é nosso. E é uma riqueza, é uma imensidão de riqueza, porque eu fazendo esse estudo etnodirigido com a comunidade Pancararé, é uma riqueza a farmacopeia viva dessa comunidade, a gente aprende muito.

Então, Maristela é essa, é aquela pessoa que está fazendo o doutorado dela e que está sempre buscando aprender, seja na parte científica, cultural, como na pessoal também, porque eu acho que a gente está aí enquanto ser humano para para aprender e deixar nosso legado e tentar deixar o melhor, né?

?Voz B

Sua fala demonstra a dimensão ética importante que envolve escuta, respeito, abertura para o divergente e também para aprendizado que se dá no encontro com o outro. Ela já tinha nos informado desse caso do tratamento do AVC do cacique Milton com preparos a partir da casca do juazeiro, porque esse caso compõe um levantamento pesquisadora está realizando em seu doutorado, que envolve estudo etnofarmacológico junto à comunidade.

?Voz G

Mas é isso, a gente vai estar lá com o seu Milton amanhã, embaixo do pé de joá deles, que eles também têm um carinho grande por esse pé em termos de higienização bucal, né, muito utilizado e validado inclusive, né. Cientificamente para essas questões. E também para o que ele me falou, o mal do vento, né, que ele citou. O mal do vento é aquela doença que na nossa descrição de CID, né, relacionada a acidente vascular cerebral, né, derrame no popular, AVC no científico, né, no Código de Identificação de Doenças.

E aí ele traz o Juazeiro nessa perspectiva. Ele disse, ele teve E ele cuidou e tratou utilizando o chá do juazeiro. Na verdade, o macerado, que também foi outra técnica específica da comunidade que eu consegui levantar, o que seria o sereno, Seu Milton. Ele disse, o sereno é a gente coletar e deixar ali ela descansando a noite toda, porque ali a gente faz essa extração utilizando o álcool. Ao mesmo tempo que extrai, o álcool evapora e a gente fica com o extrato só com os princípios e com o extrato que a gente pode utilizar de forma oral.

Então, assim, uma riqueza de informações. Até essa do sereno foi um novo método de preparo que está lá no estudo etnofarmacológico da comunidade Aldeia Baixa do Chico, dos Pancararés.

?Voz B

A Aldeia Pancararé, na Baixa do Chico, está inserida no Razo da Catarina, vasta região desertificada que abrange 6 municípios baianos. A região ficou famosa por servir de abrigo para Lampião e os cangaceiros no começo do século 20. Mas é um território historicamente habitado pelos Pancararé. Nós terminamos a visita fazendo uma foto debaixo do juazeiro. Essa árvore é amiga do cacique Milton e do pajé Juvan. Depois que você terminar de escutar esse episódio, dá uma olhadinha no perfil @achadasplantas no Instagram para conferir essa e outras imagens dessa excursão pela Caatinga.

Então, agora que já temos uns bons causos sobre o juazeiro, tá na hora de conhecer mais o que a literatura reflete sobre essa planta. O juá ou juazeiro é uma espécie nativa e não endêmica do Brasil e se espalha do Piauí até o norte de Minas Gerais. Vai ser chamado de joá, juazeiro, juá, juá-bravo, juá-de-boi, juá-espinho, juá-fruta, juá-mirim, laranjeira-de-vaqueiro e, por fim, loquiá, nome dado pelos indígenas carijós. É importante esclarecer a diferença entre planta nativa e endêmica.

A nativa é aquela que brota naturalmente em uma região ou ecossistema específico. Já a planta endêmica é um tipo de planta nativa, mas exclusiva de uma localização restrita ou uma região mais ampla.

?Voz C

Cientificamente é chamada de Sarcophagus joazeiro, antes como Ziziphus joazeiro, e a planta pode alcançar até 12 metros de altura. Seu tronco é curto, podendo ser mais simples ou ramificado, revestido por uma casca lisa cinza escura, quase castanha. Suas folhas são verdes, de um verde forte, lustroso, e já suas flores são amarelas esverdeadas, pequenininhas, e se abrem justamente nos períodos de seca. E aí que atrai mais vidas, vespas e abelhas para polinizar.

E não podemos esquecer do fruto, o juá. Esse fruto é bastante pequeno, arredondado e amarelo castanho, muito doce. que delícia!

?Voz H

Também plantado em 2021. Já deu fruto, né? Inclusive os alunos já fizeram experimentos aqui. Ele é utilizado muito para questão da higiene bucal, né?

?Voz C

Sim.

?Voz B

Tínhamos acabado de chegar em Paulo Afonso, cidade que foi nossa base, e nossa primeira parada foi no Centro Universitário do Rio São Francisco. Unirios. Já na saída da visita, encontramos com o conselheiro ambiental, professor e administrador Marcos Dantas, dedicado ao georreferenciamento, recursos hídricos e à pauta socioambiental. Foi ele que você ouviu agora. O professor fez questão de nos apresentar o pomar construído coletivamente e nos levar até o juazeiro, que já chamava atenção por seu tamanho e por dar frutos.

?Voz H

Ali vai ser o pomar, aí vamos fazer ali uma espécie de reserva da Caatinga. Esse é o nosso compromisso. Ali é o tamarindo, dá um suco espetacular.

?Voz B

E o doce de tamarindo eu amo também.

?Voz H

Não sei se tá aberto o portão, mas E a catingueira tá bem florida ali, ó. Não sei se a gente consegue chegar lá porque o portão tá fechado.

?Voz C

Eita, tá linda!

?Voz H

Ali é um projeto chamado Reviver, é um projeto de idosos, né, que a gente trabalha aqui com 200 idosos. A universidade tem essa parceria e eles plantaram para homenagear o primeiro tesoureiro da associação que faleceu. Então eles batizaram ela como Catião, né, porque o nome do idoso é Gavião, né, e a árvore é Catingueira, então batizado.

?Voz C

Conhecemos logo uma bela diversidade da Caatinga no centro universitário e confirmamos sobre o uso mais comum da folha do juá: a escovação dos dentes. Todos os nossos entrevistados na região falaram sobre esse uso. E assim como para a higiene bucal como um todo, sabe? E você lembra que houve uma edição do creme dental Sorriso sabor joá? Mas na Caatinga, especialmente as pessoas mais velhas, se orgulham de mascar um pouco das folhas do juazeiro para tratar incômodos, inflamações, ou mesmo garantir a higiene.

E do ponto de vista da farmacologia, já se identifica enorme potencial da planta na atividade antimicrobiana. Estudos mostram eficácia por alto teor de saponinas, que são compostos tensoativos que conferem propriedades detergentes ideais para o uso em cremes dentais e produtos de higiene oral. Os metabólitos secundários da planta são capazes de matar microrganismos patogênicos e exercem efeitos anti-inflamatórios. O que os torna muito eficazes na prevenção e no combate à gengivite e ao sapinho.

?Voz I

E aqui tem o juazeiro. Agora, só que o juazeiro, a gente aqui só pega o juazeiro, corta só o juazeiro para colocar ele no fogo na época do São João. Pra deixar ele guardado, os pedaços, que é pra quando vem uma tempestade, uma tempestade, muito vento, muita coisa. A gente pega aqueles pau que já queimou um pouco na fogueira de São João, aí coloca lá fora pra parar a tempestade. Aí de repente para a tempestade, porque vem o vento muito forte, a gente joga lá.

Ô meu Deus, chega, Senhor de São João, deixa eu botar aqui fora. Aí coloca lá, aquele pau que a gente queimou uma parte. Aí é para isso, a gente usa aqui para isso.

?Voz J

Mas também tem, ele é medicinal, ele é anti-inflamatório. Pode usar a folhinha, né, a gente pode pegar a folhinha lá no pé e dá uma mordidinha, mastigada aí, ó, nos dentes, né. Pode escovar os dentes que esbranquece. Tanto a folha como a rapa. Você pode rapar ali, ó, pegar uma faca, tirar a casca verde, aí vai na branca, né, dá uma rapada naquela branca, uma rapada fininha, e ali põe na escova, que não tem melhor para os dentes.

Tanto desinflama a gengiva como esbranquece. E também, se você tá com desenteria também, O chá dessa erva aí também serve para, né?

?Voz B

Então o chá do juazeiro também é com as folhas?

?Voz J

Chá com as folhas.

?Voz B

Vocês acabaram de ouvir um trechinho da minha conversa com as artesãs da Associação de Mulheres Quilombolas da Serra das Viúvas. Marlene é a primeira que fala do juazeiro ter o poder de conter os ventos, uma informação que é muito interessante quando pensamos no relato anterior sobre o mal do vento, nome popular para o AVC que acometeu o cacique Milton. Já a segunda voz é de Dona Maria Eliane, que confirma o uso da folha do juazeiro e a raspagem de sua casca para higiene bucal.

Diante de duas comunidades tradicionais e distintas, uma comunidade quilombola em Alagoas e uma comunidade indígena na Bahia, temos percepções que se conectam por defender o conhecimento que vem da natureza. Mas essa defesa também diz respeito ao modo de vida e de saber lidar com as ervas, seus preparos, seus efeitos e a própria inteligência intuitiva que pauta essas escolhas. E essas mesmas comunidades reconhecem a importância de ter o suporte da medicina ocidental, com todo o seu aparato e avanços capazes de curar problemas das mais diversas ordens.

?Voz C

Essa fala de Dona Marlene, que sugere raspar o juazeiro, e que também apareceu no relato de Padre Gilvã, quando falou sobre extraí-la e guardar com água para saborizar, expressam algo que a literatura científica explica sobre o juazeiro. Suas cascas guardam uma química muito rica. Estudos mostram que a casca do juazeiro produz diferentes tipos de saponinas, substâncias naturais que ajudam na proteção das plantas, incluindo algumas inéditas identificadas e batizadas em homenagem à própria árvore, como a juazeirogenina e os juazeirozídeos.

Na casca já foram identificados flavonoides, taninos, xantonas e alcaloides. As pesquisas também identificaram ácidos como o betalínico e o ursólico, conhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

?Voz K

Ah, pois!

?Voz B

Esses dados mostram que o juazeiro carrega uma farmácia natural complexa que a ciência está começando a desvendar. Ainda em Água Branca, Alagoas, visitamos o terreiro de Catendê, liderado por Mametu Alzeny Tomaz, sacerdotisa e advogada, pesquisadora e atuante na Sociedade Brasileira de Ecologia Humana. Doutoranda em Direito, a mãe de santo une as práticas religiosas ao cotidiano de defesa dos povos tradicionais da Bacia do São Francisco.

E quando perguntada sobre o juazeiro, ela trouxe dimensões imateriais muito relevantes para compreender a relação dos povos da Caatinga com esta planta. Vamos ouvi-la?

?Voz E

Lá quando eu era criança, juazeiro era tido como uma planta sagrada que a gente tinha que ter muito cuidado quando chegasse nela, porque era ali onde a gente encontrava as almas e via as almas, né? Então a gente foi criado com a ideia de que cuidado com juazeiro, viu? Porque no juazeiro onde se tem os encantados, então tem que chegar com muito respeito, sair com muito respeito. E a gente foi criado nisso, a gente não entendia naquele tempo, né?

Hoje eu entendo como uma filha de de que o juazeiro de fato é uma planta sagrada, pouco utilizado na ritualística, mas é um lugar onde guarda segredos dos pretos velhos, segredo dos pajés das senzalas, que é onde faziam seus feitiços para curar, mas também para guardar aquilo que era de preciosidade das memórias mais antigas. Então juazeiro tem essa potência.

?Voz C

Quando Mameto Auzeni explica que ela é filha de Catendê, ela se refere ao inquice, que podemos compreender como a entidade das tradições banto associada às matas, às folhas e às plantas medicinais. Mameto é uma líder religiosa filha deste inquice. Que orienta o trabalho do terreiro de Catendê, localizado num dos pontos mais altos da Serra de Água Branca. Da dimensão e material do juazeiro, Mamê Tauzeni partilha o que sabe das funções medicinais desta planta.

?Voz E

E o juazeiro também é utilizado também como para uso medicinal, desde o fruto para utilizar para os dentes, como também como anti-inflamatório. Então o pessoal utiliza quase sempre para tudo. A gente utiliza ela como uma planta divina, precisa ter esse respeito, porque foi assim que eu aprendi e a respeitar os pés de juazeiro, que guarda os segredos das almas dos nossos antepassados, para a gente manter os juazeiros vivos, porque eles sustentam as plantas da Caatinga como um alimento, como uma conexão.

Então é importante dizer isso, que várias dessas plantas é o que sustenta a Caatinga como um bioma. Porque é uma planta que se conecta e empresta sua energia para todas as outras. Então o juazeiro, ela também possui essa potência como uma planta da Caatinga.

?Voz C

Pelo levantamento feito por nossa equipe de assessoria científica, é incontestável que o juazeiro é uma árvore muito resistente. Ele tem a capacidade de produzir substâncias com forte ação contra microrganismos. Em laboratório, compostos retirados da casca do caule conseguiram impedir o crescimento de bactérias e fungos, alguns até com desempenho melhor do que medicamentos amplamente conhecidos, como foi identificado nas investigações da Universidade Regional do Cariri e da Universidade Federal de Sergipe.

Outros estudos encontraram no juazeiro uma boa atividade antioxidante, ou seja, capacidade de proteger as células contra danos.

?Voz B

Vitor, explica pra gente o que é uma atividade antioxidante que tem aparecido tanto na fala dos pesquisadores entrevistados nessa temporada.

?Voz C

Wagner, vou tentar resumir aqui. Nosso organismo produz naturalmente moléculas que podem ser muito reativas, Estas, ao reagirem com componentes das nossas células, como a membrana que as envolve, pode gerar danos irreparáveis e resultar em morte celular. O problema acontece quando essas moléculas se acumulam mais do que o organismo consegue controlar. Os antioxidantes ajudam a manter esse equilíbrio, neutralizando parte dessas moléculas reativas.

?Voz B

entendi, Victor. É como uma balança, né? De um lado temos moléculas que podem causar danos, do outro temos os compostos antioxidantes que podem vir de plantas, que ajuda a manter tudo sob controle.

?Voz C

Essas pesquisas produziram extratos obtidos da casca do juazeiro, que mais tarde foram testados em animais. E nessas experimentações apareceram efeitos ansiolíticos em peixes-zebra adultos, que demonstraram potencial para ajudar a reduzir a ansiedade, atuando em sistemas neuroquímicos ligados ao equilíbrio emocional. No conjunto, o juazeiro revela uma química rica e promissora. E mais uma vez reconhecemos o compromisso das universidades nordestinas em encampar pesquisas para melhor conhecer a flora da Caatinga.

Como você está acompanhando, nós fomos a campo saber do juazeiro, essa árvore fundamental para Caatinga. Mas não há como ir ao sertão nordestino e não falar do Rio São Francisco.

?Voz B

Guimarães Rosa dizia que o Rio São Francisco é o pai das veredas. João Cabral de Melo Neto, em verso, Diz que o Rio São Francisco corre para o mar como quem busca um destino. Rio que tem nome de santo, santo querido protetor dos animais. Rio transposto, disputado, eletrificado. Rio que irriga tantas fazendas, mas nem sempre alcança os territórios que mais sentem sede. As carrancas protegem as embarcações que nele navegam. O Rio São Francisco é rio ó pará para as tradições religiosas afro-indígenas.

É um rio que tem alma, tem história, tem agência. É natureza, mas é também um tanto de cultura, de história, de política. O Rio São Francisco corre integralmente dentro do território brasileiro e percorre 5 estados ao longo de mais de 12,8 mil quilômetros. Nasce na Serra da Canastra, em Minas, na Mata Atlântica, e quando sobe para a Bahia, cruza Pernambuco, Alagoas, Sergipe, percorre a Caatinga. Mais adentro no país, bate no Cerrado de Goiás e do Distrito Federal.

Mas como cantou Luiz Gonzaga, o Rio São Francisco percorre o interior do Brasil porque ele segue à procura do caminho do mar, o seu destino.

?Voz C

Quando visitamos a aldeia Trucatupã, situada no município de Paulo Afonso, às margens do Rio São Francisco, conversamos com Adriano Trucatupã, uma das lideranças do povo. Vamos conhecer um pouco dele.

?Voz D

Eu sou Adriano da aldeia Trucatupã, sou coordenador regional da região norte, da parte de Caatinga e da margem do São Francisco, né? Tomo conta de 4 municípios, aldeias diferentes, né? Que tem a Cariri Xocó, tem a Trucatupã, tem Glória, Pancararé, Cantaruré, Xucurucariri e Pancararu também, perto da Quixaba. Em Rodelas temos Cambiuar, temos Pancararé também lá, e temos Tuxá e o povo Aticum lá. E temos Macururé agora, uma aldeia nova que apareceu lá, que se chama Aticum da Baixa da Jurema.

?Voz C

Essa breve apresentação de Adriano já demonstra que ele não vem só, não está só de modo algum. Seu trabalho envolve conectar os vários povos indígenas da Bacia do São Francisco, povos que estão próximos ao rio, mas também povos que estão distantes dele. Infelizmente, a água não chega às suas terras.

?Voz B

Adriana e sua mãe, a cacica Neide, fizeram questão de nos levar até aquele que era um ponto de passagem do Rio São Francisco nas áreas da aldeia. Caminhamos mata adentro e aquilo que devia ser uma margem de rio mostrou-se um declive para uma região em que a água já não é tão presente. Essa situação que acomete os Trucá Tupã expressa algumas das questões mais estruturais que afetam o Rio São Francisco. A degradação das nascentes e o desmatamento, que tem como uma das principais consequências o assoreamento, ou seja, o rio ficar mais raso.

Isso gera a perda da biodiversidade e a redução da qualidade hídrica, e disso tudo o rio adoece. Mas sabe o que é pior? Ele adoece sem poder se recuperar, porque ao mesmo tempo, para as áreas mais estruturadas, ao uso excessivo da água e má gestão dos recursos hídricos. E nem precisamos falar da poluição, do lançamento de agrotóxicos em áreas próximas ao rio, entre outros problemas graves.

?Voz C

Apesar desse cenário agravado de adoecimento do rio e disputas econômicas e políticas, Adriano também sinalizou que a organização dos povos indígenas e a sua atuação direta debatendo junto aos poderes públicos vem produzindo alguns efeitos importantes para garantia do acesso à água por parte dessa população.

?Voz D

Tinha aldeias aí que a gente chegava, não tinha água, era carro-pipa ainda, né? Hoje nós, na região que eu trabalho, tem, foi Furado 8 poços em comunidades indígenas. E a região que é mais do lado da Bacia do São Francisco, nós conseguimos levar adutoras, né? Adutoras foram 9 adutoras das comunidades.

?Voz C

Adriano nos permitiu compreender algumas das tensões que afetam as populações que vivem na Caatinga, especialmente as comunidades tradicionais que têm no bem viver com a natureza seu principal modo de existir, o que contrasta com tantos projetos de lógicas desenvolvimentistas que mais exaurem a natureza.

?Voz D

A gente, a gente estamos incluídos nesse projeto que estão criando aí, sujeito de direito da Bacia do São Francisco, né, que é muito importante fazer essa mudança porque sujeito de direito, ele tá dizendo que os ribeirinhos indígenas, todo mundo do Nordeste tem o direito, né? Hoje mesmo, se você for tomar um banho numa chácara dessa, você não tem permissão, o rio tá fechado, entendeu? A gente mesmo sofremos nessa questão de espaço de botar nossa bomba em dormida.

?Voz E

2010.

?Voz D

Nós não tinha espaço de chegar e colocar um pequeno de 3 metros para chegar e botar nossa bomba para nós ter água aqui. E por isso que nós estamos entrando nesse discurso de sujeito de direito do São Francisco, né, porque é muito importante não só para nós indígenas, mas também para os outros também, e que o governo enxergue de fazer uma limpeza no rio também, que hoje o rio tá poluído. Para quem não sabe, nós temos o nosso lago aqui, que se você— nós não bebe dessa água, e é no São Francisco.

Se você pegar ela, nós temos tratamento aqui da SERB, aqui dentro da aldeia, que é para vir do rio pra cá, pra aldeia, pra fazer o tratamento. Nem o material que tem aí não faz o tratamento dela hoje. A água é podre, podre, e nós não tem como consumir ela. É mais pra plantio. A gente que luta somos desse jeito, e quem não luta, como é que fica, né?

?Voz B

E foi Adriano a primeira fonte a falar em rio São Francisco sujeito de direitos e expressar em seu entendimento que a natureza responde aos ataques que recebe, mas que também pede defesa. Pede alteração de uma perspectiva herdada do colonialismo e podemos reconhecer que agravada pelo neoliberalismo, que considera a natureza como recurso a ser explorado até a sua exaustão. É um debate intenso, cotidiano e muito dolorido porque expõe um impasse civilizatório.

Será mais fácil prever o fim do planeta que refrear as explorações e o modelo de consumo.

?Voz E

A natureza sempre foi vista como uma coisa, né, como um valor, um valor mensurável, onde só extraem, só tiram e não dão para aquilo que ela é capaz de repor. Então pensar o rio, a água como sujeito de direito é uma discussão que não é minha, no mundo inteiro já se discute isso, na América Latina sobretudo há uma forte discussão. Nós já temos constituições latino-americanas que discutem, né, a natureza como sujeito de direito, porque para os povos originários é assim que a natureza é um ente e sem ela a gente não vive.

Nós somos apenas uma espécie, né, que precisa dos ecossistemas para viver, tá? Então, como uma espécie humana, nós temos obrigação de ser guardião dessa natureza, e como guardião Pensar a natureza como um sujeito de direito, como um ente que assim como a gente tem direito, a gente é capaz de buscar mecanismos e estruturas que nos possibilite pensar. O campo do direito pode ser uma dessas estratégias. Ela não resolve, mas ela é uma dessas estratégias que a gente pode utilizar para pensar a natureza como sujeito de direito.

?Voz C

E essa discussão do Rio São Francisco como sujeito de direitos integra diferentes grupos e povos tradicionais que vivem na região. Mameta Uzeni se dedica atualmente em seu doutorado em direito a fazer essa elaboração a partir de uma perspectiva jurídica, além de filosófica.

?Voz B

Não custa nada lembrar que a Constituição Brasileira de 1988, também chamada de Constituição Cidadã, diz em seu artigo 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

?Voz E

Então eu tô discutindo o Rio São Francisco a partir da cosmologia dos povos e comunidades tradicionais, de como a gente enxerga esse inquice como uma mãe, como um ser que precisa ser protegido, de dizer, olha, tem tem personalidade e personalidade jurídica. Então esse é um enfrentamento que nós estamos fazendo no campo do direito, né? Então não basta só a gente pensar ou fazer, né, como povo de terreiro, fazer a nossa ritualística ou a nossa, as nossas militâncias em torno da religiosidade, da nossa espiritualidade, do que a gente pode chamar, mas a gente enfrentar, fazer um enfrentamento também no campo dessas estruturas acadêmicas para discutir de que todas as coisas possuem direitos intrínsecos e, portanto, o Rio, o Pará, o Rio São Francisco, a jurema e várias outras plantas possuem personalidade própria, direitos próprios dos quais a gente como ser humano tem a obrigação de ser guardião.

?Voz C

Essa é uma perspectiva muito contemporânea, está na ordem do dia do campo do direito, mais especificamente dos direitos socioambientais. Rios, florestas, ecossistemas não existem apenas para nos servir, Eles existem para além de nós e apesar de nós. São entes, como a fala de Mameta Ouseni evidencia. Isso convoca aparato legal próprio para defesa de seus direitos e preservação. Como bem disse Wagner, o modelo de desenvolvimento mais convencional, considerado até mais tecnológico e que frequentemente olha com desdém e superioridade para as comunidades tradicionais, que são consideradas atrasadas por esta perspectiva.

Só que são essas comunidades que preservam águas e bioma, convivem com a natureza e conseguem ouvir seus chamados. Ouvem bem um franco pedido de responsabilidade e renovação.

?Voz B

E então retornamos ao Juazeiro. Na verdade, minha gente, nesse episódio estamos sob sua sombra amiga, Juazeiro ladeia o São Francisco e cada um ao seu modo compõe a paisagem da Caatinga. Mas também árvore e rio são entes vivos que protegem memórias tanto quanto pedem proteção. Para não perder o hábito, antes de encerrar um episódio, queria falar uns versos do livro Cordel do Rio Chico, do jornalista e poeta Jorge Fernando dos Santos.

Houve muitos pescadores de anzol, tarrafa e rede. O Chico morreu de sede, hoje lamentam horrores. Água que era tão pura passou a exalar odores. Muitos peixes lá se foram: surubim, curimatã, pirá, piau, matrichã. Nesse rio já não moram. Adeus, mandi-amarelo! De saudade todos choram. O barqueiro desistiu de fazer a travessia. Corredeira que havia, nunca mais ninguém viu. Cachoeira já não queda, agonia o tamboril. Velho Chico se cansou de tanto ser explorado, de tanto ser maltratado. Do leito se retirou. Suas águas não secaram, ele apenas se mudou.

?Voz C

Ah, já com saudade da sombra do juazeiro e da beleza do Rio São Francisco, nós vamos fechando o nosso terceiro episódio desta temporada. Já fique sabendo que o próximo programa vai revelar um pouco mais sobre as aldeias indígenas que visitamos e vai permitir conhecer mais sobre os povos originários da Caatinga, povos que por séculos convivem com o semiárido e ensinaram para os que vieram depois como existir num bioma tão belo quanto desafiador.

?Voz B

Eu tô doido para partilharmos as conversas que tivemos. E para não perder esse episódio, lembre-se de favoritar nosso podcast em seu tocador. Ah, se gostou do nosso conteúdo, fortaleça nossa audiência dando 5 estrelas e compartilhe esse episódio com quem pode se interessar por esses assuntos.

?Voz C

A Cheia das Plantas: Cura do Corpo e da Alma é uma produção da Universidade Federal da Bahia em parceria com o podcast Viagem Gastronômica com o Doutor Dendê. E o apoio do Instituto Serra Pileira.

?Voz K

Queremos deixar um agradecimento especial a todas as pessoas que ajudaram a dar vida a esse podcast. Nossas entrevistadas e entrevistados: Otávio Freire, professora Maristela Mazotti e professor Marcos Dantas, do Unirios. Cacique Anede e Adriano Trucá, da Aldeia Trucá Tupã. Cacique Milton e pajé Gilvã, da Aldeia Mameta Ozeni, Macota Maná Caiaci e Gustavo Noia, do terreiro de Catendê de Domirocho Odum. Cacique Daniel, pajé Wellison e Dona Neide, da aldeia Catokim.

Marlene de Araújo e Maria Eliane Menezes, da Associação de Mulheres Artesãs Quilombolas da Serra das Viúvas. Professor Alisson Macário, da UFRN. Professora Silvia Costa, da UFBA. Professor Draulo Araújo, do Instituto do Cérebro, UFRN. Professora Márcia Vanuza, da UFPE. Eliene Alves e Rejane Carneiro, da COPS Licuri do Sertão. Pamela Queiroz, do podcast Caatingueira. E Luana Pires, da UFAL.

?Voz C

Na apresentação, Wagner Rocha e eu. Víctor Georgini Silva. Na direção, Silvana Moura. No roteiro, Mônica Santana. Na edição, Daniele Freire. Na produção e assessoria de imprensa, Jean Cardoso.

?Voz K

Nosso social media editor de vídeo é Romeran Ribeiro. Os mobilizadores das redes sociais são Aimée Alves e João Antônio Lima. No design, a identidade visual, Davi Barreto. Na captação de áudio externo, Léo Conceição. Na captação de áudio em estúdio, André Tê. A trilha sonora é de André Saputi e Rafael Calunga. Estavam conosco no Baixo São Francisco os seguintes parceiros e parceiras: produtor local Romildo Alves, mídias sociais Suzana Lima e Lucas Rique, Pesquisa: Professora Maristela Mazotti. Motoristas: Givanildo Oliveira, Carlos Antônio da Silva e José Araújo.

?Voz C

Na assessoria nas áreas de História e Ciências Humanas: Itam Cruz. Na assessoria científica em Biológicas e Saúde: Clarice Schittini, Deise Villas Boas, Leinize Guedes, Lucas Oliveira, Márcia Silva, Rafael Short, Ravena do Nascimento, Suzana Braga, Igor Jessé e eu, Victor Georgeni Silva. Nesta temporada contamos com assessoria de estudantes da Universidade Federal da Bahia: Raimê Alves, Caroline Nascimento, Cíntia Cristina, João Antônio Lima e Thiago Santos. Agradecemos também a nossa estilista Daniela Amaral da Inaê.

?Voz K

Nosso agradecimento também aumentou até o RuPress e ao nosso podcast parceiro Viagem Gastronômica com Doutor Dendê. Os episódios foram gravados no Estúdio T. Financiamento Instituto Serra Pilheira.

?Voz B

A gente se entrelaça e permanece em troca. Até mais ver, até mais ouvir nosso próximo episódio. Até a próxima!

?Voz C

Até a próxima, minha gente!

Anunciantes1

Instituto Serrapilheira

external
T3 - Episódio 3 - Juazeiro | Castnews Index — Castnews Index