Episódios de Covil da Nathy

Eu acho que o MEU avô é um SERIAL KILLER - parte final

02 de maio de 20262h13min
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Participantes neste episódio2
N

Nath

HostYoutuber
L

Léo

ConvidadoJornalista
Assuntos5
  • Caverna MisteriosaRituais da Casa da Garra · Terras da Noite · Sacrifícios humanos
  • Experimentos e SacrifíciosExperimentos com humanos · Culto e sacrifício
  • A relação entre Jason e o Vovô TrinityLaços familiares · Amizade e confiança
  • A Casa da GarraCulto e crenças · Ascendentes
  • Cenários de ConflitoConflito com cultos · Caça a monstros
Transcrição354 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Voltamos finalmente com o último capítulo do vovô mais amado desse canal, né? O vovô Trinity, o vovô psicopata. Que eu descobri que ele se chama Patrick e não Rob. Mas quero dizer pra vocês que ele tem cara de Rob. E pra mim ele sempre será Rob ou vovô Trinity.

Mas enfim, quero dizer pra você que se você chegou nesse vídeo de paraquedas, não se preocupe. No comentário fixado estará o link do primeiro capítulo. E se você não assistiu o capítulo 2, que é na visão do ocultista, sinto em me informar, mas pra assistir esse vídeo e entender todo o contexto de algumas coisas aqui, você precisa assistir o capítulo 2, porque daí tudo vai se encaixar perfeitamente. Então, abaixo do capítulo 1...

deixarei ali também o link do episódio 2, que é na visão do cultista. Acho que o cultista se chama Jimmy, se eu não tô enganada. Faz um tempo aí já que eu publiquei o vídeo, eu não me lembro direito do nome dele, mas eu acho que é Jimmy, viu? Enfim, também quero dizer pra vocês que hoje teremos uma participação especial.

Bom, antes do vídeo começar, não esquece do like, se inscreve no canal, ativa o sininho e compartilha esse vídeo com aquele seu amigo que adora ouvir histórias de terror. Considere também se tornar membro do canal, pois assim você apoia o meu trabalho e apoia o canal. E galeras que me acompanham no Spotify, saiba que tem como se tornar membro também. Basta pesquisar com o vídeo da Nath Apoia-se clicando para fazer parte, você vai ser redirecionado para a página do Apoia-se fazendo tudo o que eles pedem. Você vai ter acesso aos episódios exclusivos que inclusive...

Já tem. Não se esqueça de passar na lojinha do canal, lá tem vários produtos e clicando e comprando através do meu link, você apoia demais o canal também. Bom, eu acho que vocês já sabem, peguem os seus cafés, seus crochês, seus tricôs, suas águas, suas faxinas, suas louças, suas comidas, suas marmitas, seus pets. Oi, eu sou a Nath e vamos logo para o vídeo de hoje. Dr. Barrow?

Levantei os olhos sorrindo para a mulher robusta de meia idade que caminhava em minha direção, com a mão já estendida mesmo quando ainda estava a uns seis metros de distância. Levantei-me, dei um passo à frente e apertei sua mão. Senhora Sellers, presumo. Ela assentiu rapidamente e continuei. Obrigado novamente por me receber.

É um prazer, doutora. Por aqui, por favor. Ela me conduziu por uma mesa de enfermaria até um consultório interno apertado, repleto de duas cadeiras de visitantes e uma pilha de papel em todas as superfícies. Por favor, desculpa a bagunça. Ah, de jeito nenhum. Bagunça só significa que você está trabalhando muito.

Ela sorriu ao sentar. Como conversamos por telefone, embora eu entenda que você não tenha tempo para se tornar um médico de referência regular para o Chad Grove, agradeço a sua disposição em entrar na nossa lista de especialistas a encaminhamento aos nossos clientes. Eles certamente serão beneficiados por sua experiência. Como a piscadela cúmplice, ela acrescentou. E isso lhe dá acesso aos prontuários médicos dele sem qualquer preocupação.

Dei uma risadinha. Sim, eu fico muito feliz em ajudar no que puder. Minha pesquisa exigirá uma vasta quantidade de dados para identificar quaisquer anomalias estatisticamente significativas. Como mencionei, meu foco principal é o cruzamento de dados de pacientes com doenças cardíacas e aquelas com Alzheimer e outras formas de demência. Portanto, qualquer fonte de informação que eu possa utilizar é imensamente útil, como você pode imaginar. Agradeço novamente pelo acesso.

Ela sorriu radiante. Obrigado por nos considerarem. E você disse que mencionaria a mim e a instituição quando o seu artigo sobre o estudo fosse publicado? Sim, certamente. Mas aviso que essa será uma pesquisa de longo prazo, então vai levar um certo tempo até que estejamos prontos para publicar em revistas médicas. Bom, todos aguardaremos ansiosamente suas descobertas. Por onde você quer começar? Olhei para o teto como se estivesse ponderando minhas opções.

Bom, minhas duas principais fontes de informação são normalmente os próprios prontuários médicos e algumas entrevistas com a equipe para entender melhor quaisquer comportamentos ou sinais clínicos específicos que eles tenham observado e que possam ser úteis, pelo menos como relato pessoal. Meu neto Jason vai me ajudar nessa empreitada, então se ele puder entrar em contato com a sua equipe para que possamos obter cópias dos prontuários, eu posso começar a conversar com alguns de vocês assim que tiverem disponibilidade.

Parece ótimo, doutor. Com quem o senhor gostaria de falar primeiro? A enfermeira-chefe está disponível? Angela Walker era o ideal perfeito do que uma enfermeira deveria ser. Durante a Segunda Guerra, minha mãe colecionava cartazes de propaganda e outras lembranças sempre que podia. Eu era bebê na época, mas quando fiquei um pouco mais velho, lembro-me de ter passado por uma fase em que era fascinado pela guerra e passava horas no nosso sótão.

repleto de um tesouro de cartazes, fotos e recortes de jornal colecionados pela minha mãe, vasculhando em busca de relíquias do passado. Um dos cartazes que vi era a ilustração de uma enfermeira debruçada sobre a cama de um soldado ferido. Seu rosto irradiava um brilho e era emoldurado por cabelos louros como ouro fiado. Eu olhava para o soldado cuja cabeça enfaixada e expressão sombria estavam voltadas para o observador e seu sorriso gentil parecia ser guralho de que ele estava em boas mãos.

Walker podia ter posado para aquela foto. E no meu primeiro encontro com ela, sua voz aveludada e seu jeito gentil apenas reforçaram o abismo entre o que eu estava vendo e o que eu estava sentindo. Meu estômago se revirou em protesto antes mesmo dela chegar à porta do escritório. E enquanto eu saía com Walker para a primeira parte da sua entrevista, eu já estava pensando em quanto tempo eu estava disposto a arriscar antes de a matarmos.

Caramba, ela é muito gata. Revirei os olhos para Jason. Estávamos almoçando em um restaurante próximo antes de voltarmos à tarde para que eu terminasse de conversar com o Walker e os outros funcionários, enquanto Jason colocava o restante dos prontuários médicos no carro. Ele havia passado a maior parte da manhã procurando locações enquanto eu estava no asilo Shed Grove, e quando ele entrou para me buscar, eu o apresentei ao Walker e Sellers.

Eu estava mais interessado nas reações dele a eles do que nas reações deles a ele. E fiquei decepcionado ao não ver nenhum indício de qualquer tipo de mudança ou reação automática à presença de um forasteiro. Em vez disso, tudo o que vi foi ele reagindo à presença de uma mulher bonita. É, ela é sim. Mas ela também é um monstro, não esquece disso. Ele franziu a testa.

— Tem certeza que é ela? Não pode ser a outra? A que parece a senhora de uma babá quase perfeita? Sorri para ele com desdém e balancei a cabeça negativamente. — Eu tenho certeza, mas e você? Sentiu ou percebeu algo estranho perto dela? Seu semblante franzido agora era mais genuíno.

— Não. Desculpa, mas não. Talvez eu desenvolva essa capacidade com um tempo, mas por enquanto eu não consigo senti-los como você. Talvez a semente tenha alterado a forma como o sangue funciona em mim, ou talvez o sangue que bebi fosse simplesmente... sei lá, diferente. Ele parou de falar quando a garçonete veio reabastecer nossas bebidas, continuando quando ela já estava fora do alcance da nossa voz.

Do que o do Sal, que... Ai, eu não sei. Assenti com a cabeça. Talvez sim. Sua força e capacidade de cura são definitivamente muito maiores do que os benefícios que eu obtive com a semente. Mas também não sabemos como as coisas podem mudar com o tempo. É por isso que você precisa ter cuidado e não depender demais dessas habilidades que não compreendemos.

Jason suspirou enquanto olhava pela janela. Eu sei, eu sei. Eu vou jogar pelo seguro. Viu uma expressão de preocupação passar rapidamente pelo seu rosto e ele se virou para mim. Você acha mesmo que a semente sumiu?

Eu não sei, Jason. E eu não sei o que isso significa, se é que significa. Assim que saí do hospital, há um mês, fiz uma série de exames no Jason para determinar quaisquer alterações mensuráveis em seu corpo e tentar localizar a semente do forasteiro que ele havia engolido. A maioria dos resultados foi... normal.

Com exceção dos valores altos para a densidade óssea e níveis muito baixos de ferro no sangue, embora não houvesse sinais de anemia ou qualquer outro problema de saúde. Mas o que mais me preocupava era a minha incapacidade de localizar a própria semente. Eu havia feito varreduras repetidamente, estudando-as pessoalmente e as enviando para especialistas em quem confiava, mas não havia nenhum vestígio visível de semente em qualquer lugar do corpo de Jason. Portanto, uma de várias coisas era verdadeira.

Primeiro, a semente poderia simplesmente ter saído do seu corpo, o que parecia improvável, dado as constantes mudanças físicas, embora a possibilidade de que todas fossem causadas apenas pelo consumo de sangue não pudesse ser totalmente descartada.

Segundo, a semente poderia estar em algum lugar do seu corpo com densidade ou composição semelhantes à da própria semente, e simplesmente estar se camuflando. Isso também era possível, mas as chances de estar em um local que a escondesse pareciam muito baixas, a menos que a própria semente tivesse algum grau de inteligência e capacidade de se mover pelo corpo, que por si só já tinha suas próprias implicações aterrorizantes.

Terceiro, poderíamos simplesmente ainda estar ignorando-a, o que eu achava ser a resposta mais provável até dois dias atrás. Quarto, ela poderia ser absorvida pelo seu corpo e agora ser uma parte permanente dele. Eu sabia que Jason gostava de ser forte e resistente e também percebia que ele estava preocupado com o que estava acontecendo ou poderia acontecer com ele. Mas ele não queria que eu me preocupasse, então tentava evitar o assunto na maior parte do tempo.

Isso incluía resistir a mais testes. Eu continuava dizendo a ele que precisávamos estar de olho em todas essas mudanças e, dado o quão perigosa era a semente, precisávamos encontrá-la o mais rápido possível para removê-la ou, pelo menos, saber se estava em um local onde fosse improvável que fosse atingida ou danificada. O que o levaria para longe, para onde quer que vivesse as versões monstruosas dos forasteiros.

Sentada no restaurante e vendo a preocupação em seu rosto, hesitei novamente em contar-lhe sobre a ligação que recebera da Church Diagnostic dois dias antes. Eu não gostava de esconder as coisas dele, mas também não queria sobrecarregá-lo com incertezas. Tudo que eu sabia era que eles haviam encontrado alguns resultados estranhos que estavam sendo reanalisados antes de poderem dar mais informações.

O novo teste de DNA e a análise final deveriam ser concluídos nas próximas semanas, e decidi que era melhor não distraí-la enquanto estávamos nessa busca, então, em vez disso, mudei de assunto. Então você encontrou algum lugar bom para levá-la quando chegar a hora? A ideia é que você acha que a doença cardíaca está afetando o oxigênio que chega ao cérebro?

Eu estava de volta com o Walker, dessa vez em seu consultório. Meu estômago já estava roncando baixinho e tentei parecer satisfeito enquanto sorria para ela. É, basicamente, como você deve saber, estudos anteriores mostraram que a hipóxia crônica, como a que vemos em doenças cardíacas, pode levar a níveis significantemente mais baixos de acetilocina.

e danos às células cerebrais. Meu objetivo é verificar qual correlação pode ser encontrada entre doenças cardíacas e demência em lares de idosos e centros de convivência para idosos com a esperança de descartar outros fatores, como medicamentos e outros tratamentos, como possíveis fatores contribuentes. Walker ergueu a sobrancelha. Então você acha que algo que estamos fazendo para tentar ajudá-los pode, na verdade, estar piorando as coisas? Dei de ombros levemente.

Eu duvido, mas temos que considerar todas as possibilidades ou pelo menos tentar descartá-las. Bom, o que precisar, doutor. Tenha acesso total e eu o ajudarei no que for possível.

Assenti com a cabeça e me levantei. Agradeço. Tenho certeza de que precisarei contar com você novamente quando necessário. Eu achei deveras interessante que o Jason não tem os mesmos poderes, por assim dizer, do Rob, que não é Rob, né, que na verdade se chama Patrick, mas vocês entenderam, do vovô Trinity. Vou chamar ele de vovô Trinity no capítulo de hoje, tá? E isso faz sentido e corrobora com o que o Jimmy falou ali no capítulo 2.

Que cada acendido, não sei nem se essa palavra existe, mas se não existir, ela tá existindo a partir de agora aqui no canal, porque sim. Ou forasteiro, se você assim preferir. Tem suas particularidades, né? Tem seus poderes e tudo mais. Então faz sentido que o Jason seja, de fato, diferente do Vovô Trinity. Bom, mas continuando, o Vovô Trinity disse que nos dias seguintes, ele se familiarizou com a rotina de trabalho da equipe e os seus horários de trabalho também, né? Porque ele não era besta nem nada.

Só que aí, uma coisa aconteceu. Mas eu vou deixar o Léo contar pra vocês o que aconteceu. Então, fiquem um pouquinho com ele aí. Inicialmente, eu havia sinalizado o Sherry Grove como um possível local de investigação, pois havia sido alvo de três investigações nos últimos dois anos.

Duas delas foram conduzidas por agentes de certificação do conselho, com base em estranhas alegações de abusos de idosos por parte de pacientes, enquanto a terceira foi uma investigação criminal. Nesse caso, um homem de 83 anos...

que nunca havia demonstrado qualquer sinal de violência ou demência, atacou repetidamente dois outros pacientes e uma enfermeira com uma faca de manteiga antes de ser contido. Um dos pacientes morreu e a enfermeira perdeu um olho.

Coisas desse tipo provavelmente poderiam acontecer num hospital ou lar de idosos, mas obviamente eram raras. E quando examinei os números do Sherry Grove mais de perto, vi que eles tinham uma taxa de mortalidade duas vezes maior do que a de outros lares de idosos da região. E isso era corroborado pelos próprios pontuários médicos.

que também mostravam uma taxa de demência de quase 90%, em comparação com a faixa normal de 50% a 67% na maioria dos lares de idosos. E esses aumentos repentinos nas mortes e nos casos de demência só começaram depois que o Elker começou a trabalhar lá. No terceiro dia, eu percorri lentamente o asilo, escondendo discretamente pequenas câmeras remotas em alguns quartos. Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele

e eu só consegui levar uma dúzia delas, mas isso já foi o suficiente para cobrir aproximadamente um quarto dos quartos. Concentrei-me nos pacientes que estavam relativamente saudáveis e que não apresentavam sinais de demência ou que apresentavam sinais leves, pelo menos ainda não.

Não mencionei as câmeras a ninguém do asilo, mas caso fossem notadas, eu me desculparia timidamente por ter esquecido de mencionar que faziam parte da coleta de dados comportamentais para o estudo. De qualquer forma, esperava que não precisasse dela nos quartos por muito tempo. As câmeras tinham sido ideia do Jason, e foi uma boa ideia.

Não seria possível blindá-las adequadamente se fôssemos monitorá-las remotamente? Então elas parariam de funcionar se a Welker se mexesse perto delas devido ao pulso eletromagnético? Mas elas ainda poderiam nos fornecer informações valiosas antes de serem destruídas?

Conseguimos nos instalar na rua e observá-las depois de sairmos do asilo. Passei boa parte da tarde fazendo entrevistas falsas com a equipe de enfermagem e cuidadores. E estava bastante ansioso para ir embora e começar o trabalho de verdade. Embora eu não acreditasse que a Welker suspeitasse de nada, também não achava que ela estivesse fazendo o que quer que estivesse fazendo durante o horário de pico.

Na verdade, ela trabalhava três noites por semana, do meio-dia à meia-noite. E a minha esperança era de que conseguíssemos descobrir exatamente o que ela era e o que estava fazendo em uma dessas noites. Aquela noite foi uma das noites dela. E enquanto Jason e eu estávamos sentados no carro...

Ambos com tablets alternando entre as diferentes câmeras, um pensamento me ocorreu. Essa é a nossa primeira operação de vigilância. Ele ergueu o olhar com um sorriso. O quê? Bem, eu já fiz esse tipo de coisa tantas vezes antes, mas sempre sozinho. É muito chato e acho que um cara sozinho num carro nem conta como vigilância.

principalmente se ele não for um policial. É só um cara esquisito querendo perseguir ou, no meu caso, matar alguém. Mas com nós dois aqui, é mais divertido. É como se fôssemos detetives num filme. Talvez amanhã à noite devêssemos comprar donuts e... Eu parei de falar quando vi que o Jason estava olhando para o tablet com uma expressão séria. O que é? É a Elker. Ela entrou na sala da câmera 8. Beverly Sutcliffe. Música

É um pouco difícil ter certeza com essa visão noturna ruim, mas eu acho que ela se transformou em algum tipo de aranha. Abri a câmera do meu tablet e vi um corpo grande e escuro rastejando sobre a Beverly Sutcliffe, que estava dormindo. Na imagem monocromática e desbotada da visão noturna da câmera, era difícil distinguir qualquer detalhe da forma.

mas a coisa parecia ter 10 ou 12 pernas longas e grossas, todas conectadas a um dos vários conjuntos de articulações ao longo de um corpo longo e segmentado. Enquanto observávamos...

A cabeça da coisa, que parecia pequena e oblonga como um ovo, desceu até a cabeça da mulher. Era impossível dizer pelo vídeo o que estava fazendo, mas em poucos instantes a mulher começou a se contorcer violentamente enquanto dormia. Temos que ir agora, temos que impedir isso. Olhei para cima quando Jason abriu a porta e segurei seu braço. Jason, não.

Não é assim que fazemos as coisas. Temos que tirá-la do asilo. E temos que fazer isso mais tarde. Depois de termos ficado fora desse lugar por algum tempo, pelo menos alguns dias, ele se virou e me encarou com raiva.

Isso é uma grande besteira. Vamos deixar ela continuar machucando as pessoas por mais uma ou duas semanas só para não sermos suspeitos? A sentir com a cabeça, meu olhar e minha voz firmes. Sim, porque esse é o nosso trabalho. Não nos expomos, não corremos riscos desnecessários e não deixamos que a emoção nos leve a cometer erros.

Isso é maior do que apenas uma pessoa que poderíamos ajudar? Ou mesmo apenas um forasteiro? Não temos o luxo de sermos heróis? Temos coisas muito mais importantes a fazer? A expressão do Jason suavizou um pouco. É, eu sei, eu entendo o que você está dizendo e concordo com você quando eu analiso a coisa logicamente. Mas eu não me sinto eu mesmo o tempo todo agora. Ele viu minha expressão e balançou a cabeça.

Não quero dizer que estou sendo dominado, ou como você descreveu, que começou a sentir antes de remover a semente. Não é isso, mas eu percebo que fico com raiva muito mais rápido quando eu vejo algo assim. Ele gesticulou para o tablet onde a criatura estava se levantando de cima da mulher.

Não sinto medo, eu só quero encontrá-lo e destruí-lo. Dei um tapinha no braço dele. Mas bom, eu te entendo, de verdade, entendo mesmo. É difícil ficar sentado esperando quando alguém está sendo machucado. Pode ser que as mudanças pelas quais você passou tenham afetado suas emoções. Mas a sua mente e suas vontades são suas maiores ferramentas. E com elas você pode controlar os seus impulsos.

Você precisa fazer isso se quiser realizar esse tipo de trabalho. Ele assentiu. Eu sei, eu consigo. E se... Ele parou e olhou para a câmera enquanto a criatura desaparecia e a Welker reaparecia.

Ei, eu tenho uma pergunta. Como diabos as câmeras ainda estão funcionando e as luzes ainda estão acesas naquele lugar? Eu ri. Ótimo, você percebeu. É algo que eu suspeito dela desde o começo. Como já conversamos antes, embora não seja impossível, seria muito difícil para ela se transformar fora do asilo e entrar como um monstro. Mas se ela se transforma nos quartos, como acabamos de ver, ela deveria estar causando um apagão.

em um raio de pelo menos 15 a 20 metros, se não até mais. Certo, mas então o que isso significa? Significa que ela ou não emite o pulso eletromagnético típico, ou ela aprendeu a controlá-lo para trabalhar nesse ambiente. Sempre disse que esses forasteiros são adequados para as tarefas que desempenham, e esse pode ser mais um exemplo disso. Talvez de alguma forma ela consiga atenuar o pulso eletromagnético.

Não sei, se estivéssemos mais perto de Eiji, poderíamos transportá-la para lá para estudo, mas eu não quero dirigir 5 horas com uma mulher inconsciente que pode se transformar numa aranha gigante se errarmos a dose do coquetel. Ele deu um leve sorriso. Justo, justo, tudo bem. Soltando um suspiro, voltou a olhar para o tablet. Pelo menos a mulher não está mais se debatendo. Espero que ela fique bem. Eu senti um orgulho imenso pela compaixão dele e a senti.

É, eu também. Todos ficarão melhor quando terminarmos com esse. Bom, vamos pra casa e amanhã a gente começa a estudar a Welker longe daqui. Continuei correndo com os pulmões em chamas. Sentia muito mais o peso da idade agora, principalmente na minha resistência. Mas eu precisava continuar. Se não alcançasse o Jason logo, ela poderia escapar ou machucá-lo.

e a culpa seria minha. Já haviam passado mais de duas semanas desde que notamos a mudança em seu comportamento, e depois então percebemos que ela tinha uma rotina bastante regular. Ela passava a maior parte do tempo no trabalho ou com amigos, mas sempre dedicava algumas horas à corrida vários dias por semana, sempre de madrugada e geralmente depois de trabalhar no turno da noite anterior. O caminho que ela percorria pelo parque era sempre o mesmo.

e havia vários pontos onde poderíamos emboscá-la ao longo da rota com mínima possibilidade de alguém perceber, especialmente tão cedo pela manhã. O plano era que o Jason apareceria na frente dela em um desses lugares, e eu a pegaria por trás com uma seringa cheia da mistura. Plantaríamos a semente ali mesmo e sumiríamos antes que alguém percebesse. A princípio, parecia que tudo ia correr às mil maravilhas.

o Jason saiu caminhando bloqueando o caminho dela, mas com uma expressão amigável, como se fosse fazer uma pergunta ou talvez tentar puxar conversa com a bela desconhecida que passava correndo. Eu estava agachado atrás de um conjunto de abortos descuidados ali perto, e assim que eu vi que ele tinha a atenção dela, comecei a me levantar para fazer a minha jogada.

e então meus joelhos estalaram. Bom, foi um erro de cálculo tolo da minha parte. Eu havia tentado permanecer muito atento às mudanças do meu corpo desde a remoção da semente, e no geral, minha perda de força e resistência, embora considerável, não tinha sido tão ruim quanto eu temia. Eu estava mantendo uma condição física equivalente a de um homem de 60 e poucos anos em pleno vigor e ótima forma.

Mas isso não significava que eu estava perfeito. Eu ainda sentia mais dores do que estava acostumado. Como descobri naquela manhã, às vezes o meu joelho estalava se eu ficasse muito tempo agachado. A Welker se virou com os olhos arregalados ao me ver se aproximando. Em vez de se transformar ou nos atacar, ela correu. O Jason quase conseguiu alcançá-la quando ela passou por ele, mas ela era rápida.

Ele me olhou por um instante e saiu correndo atrás dela com uma expressão sombria. Gritei para ele parar, mas ele me ignorou, desaparecendo de vista na próxima esquina. O medo me invadiu o peito. Imagens dela se virando para ele e se transformando naquele horror aracnídeo inundando minha mente enquanto eu os perseguia. Ao virar a esquina, vi Jason bem à frente, mas ela já havia desaparecido na curva seguinte.

Considerei gritar novamente, mas precisava economizar ar. Em vez disso, continuei avançando e tentei diminuir a distância. Meio quilômetro depois, pensei que os tinha perdido de vista. Parei e olhei em volta. Um arrepio de pavor subindo pelas minhas mãos e pés, enquanto procurava qualquer sinal onde eles estivessem ido. E por vários segundos terríveis, não havia nada. Então, eu ouvi algo, um som estranho e abafado.

Correndo em direção ao som, logo percebi que vinha de um banheiro público no meio do parque. Segui o som até o banheiro feminino com bastante medo do que encontraria. Era o Jason coberto de sangue negro, golpeando repetidamente com seu bastão de ferro, a massa fumegante e definhando daquela criatura monstruosa. Estava claramente morta há muito tempo.

E a cada golpe estrondoso, ele causava menos dano aos restos do forasteiro e mais ao piso de azulejos embaixo, lançando estilhaços sujos contra as paredes enquanto continuava a golpear. Eu estava prestes a chamá-lo quando, aparentemente, ele atingiu o próprio núcleo da criatura.

pois de repente a maior parte dela havia desaparecido, restando apenas os fluidos e pedaços de carne arrancada. Ele olhou para mim e sua terrível expressão de raiva desapareceu depois de um instante. Hum, entendi. Esfreguei a boca e a senti com a cabeça. Sim, você fez. Eu diria que sim. Você está magoado? Jason balançou a cabeça. Não, eu estou bem. E eu sei que foi burrice minha correr atrás dela.

Mas eu não consegui evitar. Ela tentou fugir, mas quando viu que eu estava me aproximando, se escondeu nesse banheiro. Trocou de roupa lá dentro e ficou esperando perto do teto para me atacar quando eu entrasse. Ele passou a mão pelos cabelos e olhou para o sangue na palma da mão com nojo.

Eu imaginei que ela tentaria algo assim, então eu tava preparado. Mas ela ainda foi muito rápida e tentou me morder, mas eu enfiei o cacetete na garganta dela. E no fim tudo deu certo. Ele parou de falar com um olhar envergonhado. Tentei controlar a raiva na minha voz, mas falhei. No fim deu tudo certo, exceto pela parte em que você quase nos matou. E isso depois de eu já ter cometido um erro que nos colocou nessa situação. Fiz uma careta. Eu entendo que nós dois estamos nos adaptando.

E além da adaptação física, você ainda está aprendendo a lidar com tudo isso. Eu não ignoro, mas você precisa melhorar. Nós dois precisamos. Ele franziu a testa e gesticulou em direção ao quarto. Quer dizer, eu me saí bem, né?

Dei um passo à frente olhando para ele de cima. Não, você teve sorte. Sim, você é muito forte e resistente, como um super-herói, não é? Inclinei-me para perto do seu rosto. E se o pulso eletromagnético não fosse a única coisa que ela pudesse desligar?

E se o seu novo poder, que você obteve de algo relacionado a eles, caso tenha se esquecido, não fosse realmente seu para controlar? E se eles pudessem usá-lo contra você, ou tirá-lo de você se lhes conviesse? Mesmo sobre o rubor em seu rosto, pude ver que ele empalideceu visivelmente com minhas palavras.

Ah, agora você entendeu. Agora você vê. Isso não é um jogo. E não temos vantagens contra eles a menos que as criemos nós mesmos. Coloquei a mão em seu ombro. Olha, eu sei que isso é difícil e que você vai cometer erros. Mas eu não vou deixar você se machucar se eu puder evitar. Apenas tente aprender com isso e ouça o que eu digo, certo? Ele assentiu com a cabeça. Desculpe, você tem razão. Eu vou me esforçar pra melhorar.

Apertei o ombro dele. Nós dois vamos. Agora pegue um papel toalha e vamos fazer isso parecer menos com o matadouro. Estávamos de volta em casa almoçando tarde quando recebi uma ligação. Ao ver que era Daniel Church, pedi licença e fui para a sala de estar. Daniel, como você está? Sua voz parecia leve na superfície, mas eu conseguia sentir a tensão por baixo.

Eu estou bem, Patrick. Eu recebi os resultados finais daquele DNA que você me enviou. De onde você disse que veio? Dei uma risadinha que não senti. Não, o que você descobriu? Ele pigarreou. Bem, eu realmente não sei. Nunca vi nada parecido. É idêntico ao DNA de um humano até certo ponto. Mas tem cromossomos extras. Muitos deles. Meu coração batia forte nos meus ouvidos quando fiz a próxima pergunta. Muitos deles.

Certo, de quantos pares de cromossomos estamos falando no total? Houve uma pausa. Bem, pelo que podemos perceber, eles não estão em pares tradicionais. Estão em grupos de 3 com exceção do cromossomo sexual que forma um par normal. Mas ao todo estamos falando de 68 cromossomos. Já verificamos e reverificamos e eu não sei como isso é possível.

Ok, obrigada Daniel, eu entrarei em contato. Voltei para a cozinha e Jason olhou para cima com uma expressão preocupada.

Está tudo bem? Inclinando-me para a frente, eu agarrei com tanta força a cadeira em que eu estava que ela acabou rangendo. Bom, não sei, mas precisamos conversar. O que me chamou bastante atenção é a forma como essas criaturas se escondem. Se passando por uma enfermeira de idosas enquanto se alimenta deles e faz aquilo meio que parecer uma demência. É muito louco ver a diferença do nosso protagonista conversando com o Jason. Basicamente o Jason agindo por impulso.

como se quisesse salvar todo mundo, enquanto o nosso protagonista está ali centrado porque ele sabe que ele tem algo muito maior para fazer. Bom, foi um prazer enorme apresentar essa história para vocês. Muito obrigado pelo convite, Nath. Eu sou o Leonardo do canal Viróscopo. Lá no meu canal eu conto histórias reais, então se você tem interesse pelo tema, dá uma passada lá, que se você gostou da minha narração aqui, você certamente vai gostar dos meus vídeos lá.

Bom, eu vejo vocês novamente em outra oportunidade e a próxima história se chama Morte e Ressurreição e eu vou deixar a Nath contar pra vocês.

Ai, droga, você não devia ser bom nisso? Meu avô arqueou uma sobrancelha enquanto tirava a agulha do meu braço. Primeiro, não seja medroso. Não doeu nada. Segundo, as enfermeiras costumam ser melhores com agulhas do que os médicos. Ele deu um sorriso sinistro. Eu sou melhor em te abrir. Mas pensando bem, você se curaria antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Ele tentou parecer abatido antes de me dar um sorriso. Levantei-me da cadeira do laboratório e limpei meu braço com a gasa.

É, bom doeu mesmo. Pense em quão ruim você precisa ser em aplicar agulhas para que algo realmente me machuque. Ele me lançou um olhar duvidoso.

Hum, enfim, essa é a última vez pra estabelecer uma base de referência. Depois disso a gente pode passar pra exames de sangue mensais, a menos que algo surja. Ele estava tentando manter o bom humor, mas eu sabia que estava preocupado e fazer esses exames de sangue só o fazia remoer o assunto ainda mais. Quando conversamos sobre as mudanças pelas quais eu havia passado desde que engolia a semente, as mudanças que meu código genético havia sofrido, eu praticamente sabia.

Pelo que ele não dizia, que era irreversível e que eu nem era mais realmente humano.

O que quero dizer é que eu não sei se verificar o meu sangue em busca de alterações fará muita diferença. Mesmo assim, percebo que isso ajuda a abordar a questão cientificamente. Manter o controle das coisas, categorizá-las e analisá-las lhe dá algo tangível com o que trabalhar. Então, mesmo que não faça diferença, eu vou tolerar. E além disso, se alguém consegue tornar o impossível possível, tenho certeza que é ele.

Fomos até os aposentos da Batcaverna sob a Jäger Solutions e eu estava ansioso para finalmente vasculhar seus arquivos de casos. Ele havia comentado sobre dar outra olhada em um dos seus casos flutuantes, como ele os chama. Normalmente, um caso flutuante, aliás, ele adorou o apelido que eu dei a eles.

É aquele em que ele usa alguma informação ou pista de algo que está acontecendo, mas não o suficiente para ter certeza se vale a pena investigar ou se está relacionado com esses seres de fora. Ele literalmente tem pastas no notebook dele com os dizeres. Desconhecido, mundano sem relação com o sobrenatural, sobrenatural sem relação com o sobrenatural e relacionado a forasteiros.

Quando abrimos as pastas, na tela grande, fui direto para a pasta sobrenatural sem relação com sobrenatural. Ouvi um gruído curto atrás dele e quando me virei para olhá-lo, ele estava revirando os olhos. Vai direto nessa, hein? Dei de ombros.

Por que não? É legal. E não vejo porque não podemos trabalhar em coisas que não sejam de fora. Você provavelmente fazia muito disso antigamente. Eu comecei a percorrer os arquivos antes de parar e olhar pra ele novamente. Caramba, você já matou um pé grande? Quantos pés grandes você já matou? Ele bufou. Nenhum. Pelo que sei, eles não existem.

Mas como você pode ver, existem muitas coisas que existem. E a maioria delas é perigosa e pode guardar rancor. Então você me perdoará se eu achar que devemos concentrar nossos esforços em um mal sobrenatural generalizado de cada vez, em vez de tentar criar uma treta com todos os monstros do mundo.

Ele fez aspas com os dedos em criar uma treta. Então foi difícil ouvir a última parte por causa da minha risada. Primeiro é começar uma treta, não criar uma treta. Criar uma treta soa como se você estivesse cagando. Continuei enquanto ele me encarava com raiva. Segundo? Beleza. Eu não tenho um segundo a dizer além do que você tem um ponto de vista válido. Mesmo assim, isso é muito maneiro. Fechei a caixa de diálogo e fui até a pasta desconhecida.

Então, o que é isso? Ele se inclinou para frente. Essas são as que eu ainda não consegui determinar em qual categoria se encaixam. Podem estar relacionadas a forasteiros, não tem nada a ver com isso, ou está em algum lugar entre os dois. Ele apontou para a tela. Clica nessa aí.

Cliquei e abri uma subpasta que continha um e-mail e um vídeo. O e-mail dizia que as imagens anexadas foram gravadas em um laboratório secreto que funcionava como um hotel. Quando reproduzi o vídeo, percebi que se tratava de uma filmagem feita por um drone devido ao ângulo e movimento da câmera. Não havia som, mas isso não era realmente necessário.

O drone pairava sobre o gramado e a área da piscina do que parecia ser um hotel muito bom, e embora fosse impossível dizer exatamente onde estava, eu conseguia ver algumas árvores à distância quando o drone inclinava para um lado e para o outro. Mas a minha atenção estava voltada principalmente para as pessoas se mascarando na grama. O vídeo começou depois que a violência já estava em curso, mas pelo que pude perceber, cinco pessoas estavam ativamente tentando umas contra as outras.

Não em grupos, mas uma verdadeira batalha campal, e não de forma tática ou estratégica.

Elas se esfaqueavam, mordiam e arranhavam como animais. Um dos homens tinha uma arma, mas devia estar sem balas, porque ele usava a coronha como um pequeno porrete. Depois, por pouco mais de dez minutos, todos estavam mortos, exceto a última. Era uma mulher pequena, com um rabo de cavalo ensanguentado e um ferimento de faca nas costas, que provavelmente a mataria em menos de uma hora. Alheia a dor, ela correu e meio mancou para fora do campo de visão da câmera, parecendo mais interessada em encontrar outra vítima do que em busca de ajuda.

Quando o vídeo terminou, eu olhei pro meu avô e disse O que que foi isso? Seus lábios formaram uma linha fina.

Isso aí é uma abominação. Alguém está usando a ciência, ou pelo menos o método científico, para aprimorar um método de causar assassinatos em massa sob comando. Pelo que eu vi, o processo ainda é bem caro para ser realizado em larga escala, e não é nem de longe tão eficaz fora de um ambiente artificial e controlado como esse. Parte da razão pela qual algumas pessoas dessa organização usam cenários irrealistas não é apenas para obter dados adicionais, mas porque isso vende bem para os seus superiores. Superiores que não toleram bem o fracasso.

Ele recostou o cifrãozinho da testa. Então eles manipulam os testes, mantêm sobre os vetores de infecção usados. Tudo isso para fazer com que esse tipo de horror pareça mais fácil de se espalhar e controlar. Eu senti a minha raiva crescer. E quem faria isso? Podemos impedi-los. O vovô assentiu.

Sim, e com o tempo também, mas ainda não sei ao certo quem está por trás disso. Suspeito que possa ser a casa da garra, pois sei que é uma organização maior do que as pequenas células com as quais normalmente lidamos. E alguns detalhes coincidem com outras coisas que ouvi. Ele esfregou a boca e suspirou. Mas você precisa entender. Os contatos que fiz ao longo dos anos me fornecem informações quando podem.

Mas não é como pesquisar algo no Google. Muitas vezes as informações são limitadas e obtidas com grande risco pessoal por pessoas que estão apenas tentando fazer a coisa certa. Isso é tudo que eu tenho sobre isso agora, então até sabermos mais, não temos como prosseguir. Mas há outro caso sobre o qual que podemos ter informações suficientes para trabalhar. Clica nessa pasta. Tentando reprimir meu forte desejo de caçar o pessoal do hotel e machucá-los, fiz o que ele pediu. Era um único arquivo .jpg de um flare de festa.

Dizia que haveria uma rave de dois dias no deserto em pouco mais de uma semana no deserto de Nevada. Na parte inferior, havia coordenadas de GPS e a frase. Traga sua diversão se quiser. Água com MDMDA e outras coisas podem estar disponíveis.

Você vai ter que me perdoar, mas eu nunca fui de balada, nem quando eu era mais novo. Que droga é essa de água com MD, MDA? É, giz? Ele deu um tapinha no meu braço e riu. Que bom ouvir isso. Eu também não sabia, mas depois de pesquisar um pouco, aparentemente vão ter coisas ilícitas como metileno de oxometafetamina, ou MDMA, se você preferir. E giz também.

Mole e bala, com certeza sim. E sim, eu me sinto mais burro por saber disso agora, tá? Ele apontou pro panfleto. Mas o interessante é que eu sei que a festa começa seis dias antes. E vai ter um forasteiro lá. Então por que isso mostra da aterrada? Meu avô balançou a cabeça. Esse panfleto, pelo que me disseram, foi afixado em apenas alguns lugares num raio de 320 quilômetros do local da rave.

E a data não é um erro. Essas pessoas não estão sendo convidadas como convidadas. Acho que estão apenas sendo convidadas como comida. E aí, como é que eu tô? Tivemos que parar e comprar algumas roupas de rave que eu achava que combinaria melhor do que as que eu tinha quando chegamos em Nevada. Meu cabelo estava cheio de gel e eu me senti um completo otário. Então eu torci pra estar me encaixando em um dos arquétipos menos desejáveis, porém aceitáveis, do universo da rave.

Tá com cara de otário? Meu avô me olhava com desdém por cima do tablet. Ele ainda estava bravo porque o meu plano fazia sentido e me colocava em perigo enquanto o deixava no carro. Quando eu apontei que um senhor incrivelmente bem conservado entraria em uma rave patrocinada pela Outsider, provavelmente levantaria suspeitas. Ele não contestou. Mas eu podia sentir a sua frustração e preocupação.

Tentei tranquilizá-lo, mas levaria muito tempo até que ele confiasse em mim sozinho. E eu entendia isso. Por enquanto, eu estava apenas animado para a minha primeira missão quase solo para mostrar a ele que eu dava conta do recado. Eu sorri.

Bom, eu acho que vai ter que servir. Olhei pela janela do quarto do hotel em que estávamos e vi que estava escurecendo. É melhor a gente ir. Eu adoro muito o dinamismo aqui da nossa dupla, mas o plano era o seguinte. Eles iam em carros separados e o vovô Trinity ficaria estacionado a alguns quilômetros de distância enquanto Jason se metia a besta de entrar ali no local da suposta rave.

E quando ele chegou, era um local normal, gente, realmente parecia uma rave, só que o Jason comenta que ele suspeitava que o prédio ali ou era um armazém isolado ou um hangar de aviões, mas que agora estava repleto de luzes de Natal e tochas tique. Mas para dentro do local, o Jason também comenta para a gente que a fila era composta de duplas.

E ele não tinha certeza se aquilo era coincidência ou se era algo proposital. Ainda não dava pra saber. Mas quando chegou a vez dele, uma mulher com uma camiseta de banda disse Cadê o seu par? De forma assim, muito gentil, muito educada, sabe? E aí ele falou Ah, eu não tenho par não, senhora. E aí ela falou assim, beleza, entra, mas espera na parede à esquerda ali. E aí de repente, o Jason foi tomado por uma sensação de calafrios.

Fui emparelhado com um rapaz baixinho chamado Pedro, que ficava puxando conversa fiada nervosamente enquanto esperávamos o seja lá o que fosse começar. Pedro parecia ser um cara legal, mas estava muito animado para conhecer o que ele chamava de O Ascendente. Presumi que fosse o forasteiro e isso significava que, quase certamente, se tratava de algum tipo de encontro da Casa da Garra. É difícil fazer perguntas sobre algo que você já deveria saber, então minhas informações com Pedro ficaram limitadas nos poucos minutos que passamos juntos.

Aparentemente, todos nós fomos escolhidos para essa honra. Ele descreveu como uma nova forma de ascender, embora não parecesse ter muita certeza do que isso significava ou mesmo se era verdade. Mas o que lhe faltava em informações concretas, sobrava entusiasmo e quando o jovem subiu no palco, ele se emocionou de verdade.

Ele não estava sozinho. Ao nosso redor, vi pessoas enlouquecendo, gritando, comemorando e chorando quando uma garota que parecia ter uns 13 anos apareceu e acenou. Eu também comemorei, mas estava meio distraído. Olhando ao redor da multidão, vi que a maioria das pessoas estava vestida normalmente.

Droga. O Pedro estava usando calças e uma camiseta polo e eu me vesti como um idiota à toa. Mantenham a calma e fiquem bem. O caminho para a nova ascensão começa aqui. A garota segurava um pequeno microfone sem fio e sua voz era suave, porém autoritária, ecoando pelo prédio através de alto-falantes instalados nas paredes. A multidão parou imediatamente olhando para ela com atenção absurda.

Eu esperava mais discursos e rituais, mas em vez disso, a garota desapareceu de repente, substituída por uma vespa gigante de aparência maligna.

As luzes elétricas se apagaram imediatamente, é claro, mas agora eu via que também havia tochas estrategicamente posicionadas dentro do prédio. Estava mais escuro, mas eu ainda conseguia enxergar muito bem. E eu a chamo de vespa porque era o que mais se assemelhava a uma, embora tivesse oito asas e um abdômen verde acinzentado tão distendido e deformado que parecia mais um cruzamento entre uma vespa e um tumor do que qualquer outra coisa.

As pessoas começaram a gritar novamente, mas não de terror. Elas estavam felizes. Animadas, quando o abdômen estendido se abriu, revelando algo que parecia um pepino do mar espinhoso sob efeito de metafetamina, elas vibraram ainda mais.

Droga, essas pessoas são malucas. A vespa, com o abdômen encolhido, se fechando e revelando um longo ferrão, pegou a sua parceira e voou sobre a multidão, pousando em um casal. Deixou cair um pepino nos braços de um homem que gritava de dor enquanto pousava na cabeça de sua parceira, uma mulher que também gritava. Era difícil ver tudo daquela distância e entre as pessoas, mas eu vi o suficiente. Vi o homem engolir o pepino inteiro e desabar no chão.

Vi a vespa picar a mulher na testa com um pequeno jato de sangue saindo da ferida. Então, o pepino estava saindo da boca do homem e a vespa o carregava para o próximo casal. No momento, eu estava tentando calcular quanto tempo eu iria arriscar ficar ali antes de fugir. De jeito nenhum eu deixaria nenhuma daquelas coisas me tocar. Mas eu não tinha ideia de qual era o objetivo de tudo aquilo.

Eles já estavam no quarto par e era sempre a mesma coisa. Então eu vi o homem do primeiro casal se levantar. Ele estava cambaleante, mas isso não o impediu muito. Ele tirou uma faca do bolso e começou a golpear sua parceira, que havia sido picada por uma vespa no peito.

Ela caiu rapidamente e sem resistência, e depois de mais alguns golpes, ele parou, rastejou alguns passos pra longe e pareceu adormecer. Foi horrível, mas a princípio, interpretei como um sinal de rebeldia. Talvez o homem tivesse percebido que o que quer que estavam fazendo era extremamente perturbador e estivesse tentando matar a mulher em algum tipo de protesto, ou pra impedi-la de se tornar o que quer que eles estivessem destinados a se tornar?

Mas não, ninguém pareceu surpreso ou preocupado com a violência e enquanto eu observava, os outros casais começaram a fazer a mesma coisa na ordem que foram tocados. Olhei para Pedro que observava atentamente a vespa e o pepino enquanto eles se moviam para o seu décimo segundo par.

Foi mal aí, cara, mas a culpa é toda sua. Me afastei devagar, voltando pra porta sem maiores problemas. Mas lá, fui recebido pela senhora Perjan e dois gigantes que pareciam prontos pra descontar o ressentimento por suas carreiras fracassadas como jogadores de futebol americano. Suspirei por dentro enquanto me aproximava. E aí, pessoal? Isso é ótimo, né? Acabei de perceber que eu esqueci e deixei os faróis acesos. Deixa eu dar uma passadinha rapidinha e já volto?

A senhora Perjian franziu os lábios. Volte para o seu parceiro. Os dois homens me encararam ameaçadoramente para reforçar a sua ordem. Droga. Ótimo, então. Dei um passo à frente acertando a senhora Perjian na cabeça com tanta força que ela deslizou e caiu no chão a três metros de distância, antes de socar o abdômen dos dois homens.

Bom, não exatamente o abdômen, através dele. Com as duas mãos, eu senti algo que sabia ser a coluna vertebral, então os agarrei e torci para dentro, sentindo mais do que ouvindo os estalos quando desabaram no chão. Trinta segundos depois, eu estava no meu carro, atravessando o portão da tela fechada. Dirigi até o local combinado para abandonarmos o carro e o vovô me buscou.

Encharquei o carro com gasolina e incendiei, me sentindo culpado por vandalizar o carro alugado. Mais tarde, percebi que não me sentia mal por ter matado os dois homens, mas disse a mim mesmo que eles deem uma chance de me deixar passar. Ainda me preocupa não estar preocupado, mas eu não vou mencionar isso pra ele ainda. O Dr. Barron já tem muita coisa na cabeça. Assim como eu estraguei a nossa chance de impedi-los. Eu não entendo. Por que eles ainda estão lá?

Eu estava assistindo a um vídeo que meu avô tinha gravado durante a noite e era evidente, mesmo de fora, que a rave ainda estava a todo vapor dois dias depois. Ele deu de ombros e mordeu outra maçã. Sei lá, é difícil dizer. Pode ser que eles não se importem que você saiba e tenha escapado, embora isso pareça improvável, já que você basicamente partiu dois guardas ao meio com as próprias mãos.

Pode ser que eles não consigam parar agora. Claramente o que quer que estejam fazendo é um processo que leva vários dias ou não precisariam de tanto tempo entre o início e a chegada das vítimas. Pode ser que, uma vez que começaram naquele local, seja difícil ou impossível concluir em outro lugar. É muita gente, principalmente no estado em que se encontram para tentar deslocar. Assenti com a cabeça, mas então um pressentimento me ocorreu.

E se eles não estiverem preocupados porque já sabem sobre mim? Talvez eles consigam me sentir e me pegar quando quiserem. Meu avô franziu a testa e pousou a maçã. É, eu já pensei nisso. É possível, mas eu não acho provável. Você não tem uma semente e o suspeito é que você seja o único nessa situação. Então pode ser muito bem que eles nem saibam da sua existência ainda, embora com o tempo eles descubram algo, já que você é tão forte e resistente. Observei-o por um instante.

Você quase disse o único da sua espécie, né? Ele começou a protestar e eu balancei a cabeça negativamente. Tá tudo bem, eu sei que eu não sou mais o mesmo. Eu não sou mais humano. Eu ainda me sinto eu mesma na maior parte do tempo, mas eu consigo perceber a diferença. Mas eu tô lidando com isso e observando as mudanças. Eu quero usar isso pra ajudar as pessoas. Pra ajudar você. Ele se inclinou pra frente e colocou a mão na lateral do meu rosto.

Você é humano, pelo menos nos aspectos que importam. Você é um bom homem e eu tenho orgulho de você. Quanto a essas mudanças, até agora elas salvaram a sua vida e a minha mais de uma vez. Continuaremos tomando cuidado, mas chega de besteira de você não é humano, beleza? Sua voz era suave, mas séria, e como tantas vezes acontecia, me senti melhor e mais esperançoso depois de apenas algumas palavras dele. Recostando-se, pegou a maçã novamente.

Mesmo assim, eu não sei qual é a melhor maneira de lidar com essas coisas. São tantas e eu não gosto da ideia de alguma delas escapar no meio do caos enquanto as matamos. A gente pode incendiar o prédio e atirar nos retardatários que saírem, mas não há garantia que isso funcione. E eu acho que são muitas pra você conseguir matar apauladas, mesmo que sejam vulneráveis a isso. Eu sorri. Na verdade, eu tive uma ideia sobre isso. Você já ouviu falar de bombas de glitter?

Então, o que fizemos foi o seguinte. Primeiro, eliminamos os três guardas que estavam de serviço do lado de fora. Ele os derrubou a mais de 100 metros de distância, de trás de um arbusto no deserto, com seu rifle silenciado, um tiro para cada um. Segundo, encharcamos silenciosamente a parte externa do prédio com 30 galões de gasolina. Terceiro, entrei com a minha sacola de guloseimas e fiz novos amigos.

As coisas pioraram drasticamente nos quatro dias desde a minha última visita. A maioria das pessoas estava nua, havia poças de sangue, fezes e urina por toda parte, e pelo que pude perceber, eles se revezaram para acabar com suas vidas e depois eram trazidas de volta à vida pela vespa que picava seus cadáveres.

Digo isso porque a vespa gigante continuava fazendo sua ronda com o pepino do mar quando cheguei. Havia várias pessoas caídas, mas conforme a vespa as alcançava, elas voltavam à vida. Mas as feridas deles não cicatrizaram de verdade. Em vez disso, a cada ressurreição, novos tentáculos negros de alguma coisa começavam a surgir e se contorcer. Ao julgar pelo estado de muitas dessas pessoas, algumas das quais mal eram reconhecíveis como seres humanos, elas estiveram ocupadas na minha ausência.

E não era só metade delas. Aparentemente, elas estavam se revezando no papel de vítima porque todas estavam perturbadas de alguma forma. Mas mesmo agora, com a minha chegada e todas as minhas coisas, a maioria estava fixada em seus parceiros ou na dupla de forasteiros e eu só consegui chamar a atenção deles quando as bombas de glitter começaram a voar.

As bombas consistiam em duas pequenas caixas com 15 pacotes cada, semelhantes às bombas de prego que ele me ensinou a fazer alguns meses atrás. Na primeira caixa, havia ácido que, segundo o bom doutor, seria eficiente para corroer a carne e ossos. Eu tinha quase certeza de que conseguiria resistir, principalmente se tomasse cuidado com o local onde as jogasse.

Mas elas eram um plano B, a segunda caixa onde eu começaria, as bombas de glitter. Em vez de pregos, estavam cheias de limalha de ferro. Muita limalha. Os potes pesavam uma tonelada, mas isso não era problema pra mim. E com a pequena explosão que cada um tinha no centro, o vovô calculou que cada um cobriria um raio de aproximadamente 12 metros de poeira de ferro.

Funcionou que foi uma beleza. Comecei a arremessar os frascos, primeiro algumas bombas comprimidas pro fundo da sala e depois alternando entre a frente e o fundo pra mantê-las encurraladas. Os gritos e ruídos começaram quase imediatamente e quando os primeiros frascos atingiram os mais próximos de mim, vi como estava funcionando bem. Eles praticamente derreteram entre o ferro e o impacto e eu não conseguia imaginar o ácido funcionando melhor, se é que funcionaria tão bem. O problema era que havia muitos deles.

Quando eu fiquei sem frascos de limalha de ferro, ainda restavam cerca de 15 monstros de pé. Alguns estavam gravemente feridos, mas o resto conseguiu escapar da radiação que atingiu seus companheiros. Considerei mudar para o ácido, mas não tinha certeza do quão bem funcionaria e estava ansioso para testar o meu novo taco. Eu tinha encomendado sob medida algumas semanas antes e ele chegou pouco antes de partirmos para cá.

Tinha um formato semelhante ao de um taco de beisebol, embora fosse um pouco mais grosso no cabo e mais fino na ponta. E em vez de ser cilíndrico por completo, os últimos 20 centímetros afunilavam em uma lâmina, que se eu o virasse do jeito certo, o fazia parecer mais um machado do que um taco.

Também era feito de 80% de ferro com um núcleo de titânio, então pesava 68 quilos, mas tudo bem. Na verdade, era perfeito. Os poucos sobreviventes estavam finalmente saindo do seu estranho ciclo de vida e morte, percebendo o que estava acontecendo, e o primeiro deles veio na minha direção, com um cambaleio instável, tentáculos negros se debatendo em meio a dezenas de feridas por toda a sua carne asquerosa que descia por seu torso e pernas.

Ele soltou um ruído lancinante e eu quis dizer algo inteligente em resposta, mas nada me veio à mente.

E não havia ninguém por perto que apreciaria aquilo. Então eu simplesmente balancei o meu bebê e o monstro explodiu em pedaços. Três minutos depois, eu tinha terminado. Estava olhando em volta pra ver se tinha deixado alguém passar quando vi a vespa, com a barriga agora distendida e com uma aparência cancerosa novamente. Imaginei que o pepino estivesse de volta lá dentro, mas o que mais me preocupou foi que eu conseguia ver uma fina camada de ferro no forasteiro e ele parecia ileso.

Estava pairando a alguma distância, apenas me observando e comecei a procurar casualmente algo que pudesse jogar nela para derrubá-la e assim poder pegá-la. Como se lesse meus pensamentos, ela de repente disparou em direção a uma janela e a atravessou. Xingando, corri de volta para a porta, já gritando para o meu avô tentar pegar o lança-chamas, mas era tarde demais.

Quando finalmente consegui sair, a noite se iluminou com um brilho alaranjado vindo do lança-chamas. Vovô estava parado sobre a coisa em ruína, despejando chamas sobre ela, até que restasse pouco além de cinzas. Ele olhou para cima quando me aproximei e eu a senti.

Boa defesa. Ele assentiu. É, eu não sabia bem pra onde ir depois de atravessar a janela, mas deu o tempo que eu precisava pra borrifá-lo. Aparentemente, ele gosta muito menos de fogo do que ferro. Ele me observou. E você? Você tá bem? Sim, eu tô bem. Dei um sorriso. Eu também pude testar meu taco. Ele é muito irado, sabia? Ele bufou. Um desperdício de dinheiro, se me permite dizer, e chama muita atenção. Mas se você gosta, é o que importa.

Ele lançou um olhar pensativo para o prédio atrás de mim. Está tudo morto lá dentro? Eu deveria dizer que sim, mas vamos deixar queimar para ter certeza. Ah, vamos sim. Mas primeiro, pega pá no porta-malas e recolhe o que sobrou disso para dentro. Meia hora depois, quando nos certificamos de que nada havia sobrevivido à fogueira que acendemos, partimos. Não voltamos para o nosso antigo hotel, mas começamos a nossa viagem de volta para leste sem pressa.

Era a primeira vez que viajávamos juntos de verdade e não era por causa de algum macaço que foi muito bom. Quando finalmente chegamos em casa, eu estava exausto, mas muito feliz com o resultado. Eu ia pra casa, mas estava muito cansado. O vovô disse que tinha alguns assuntos pra resolver e que me ligaria mais tarde, então acabei me jogando no sofá da sala e dormindo. Acordei com o toque de um telefone que eu nem sabia que estava ali.

Era um dos celulares descartáveis dele, mas estava carregado com um adaptador, então imaginei que fosse importante. O número era de um DDD que eu não reconheci. Ao atender o telefone, fiquei sem saber o que dizer. Não tinha como saber quem era ou quem eles poderiam pensar que estava ligando. Alô? Jagger Solutions, como é que eu posso ajudar? Houve uma breve pause e então a voz de uma jovem mulher. Eu preciso falar com o Dr. Barron, por favor. Por favor. É uma emergência.

Aquela voz era profundamente feminina, com uma riqueza que, mesmo ao telefone, dificultava pensar. Percebi que não estava respondendo e tentei me conectar. Ele não está aqui agora. Eu sou o neto dele, Jason. Qual é o problema? Quando ela falou em seguida, percebi que a sua voz não estava apenas chateada, mas profundamente triste.

É melhor a gente conversar pessoalmente. Diz para seu avô que é a garota que ele conheceu em Seattle alguns anos atrás. Na antiga fábrica de pneus. Ele vai se lembrar. E diga a ele que eu estou pronta para contar o que eu sei sobre as terras da noite.

Pra quem já assistiu a parte 2, sabe exatamente quem morreu aí nessa suposta rave. E qual era o propósito dessa rave, né? Por isso que eu falei pra vocês no começo do vídeo que era importante assistir o capítulo 2 pra entender os eventos do capítulo 3. Mas enfim, a moça que ligou se chamava Jane Forrester. E o Jason obviamente falou pro avô dele sobre essa ligação. E eles combinaram um horário pra ela se encontrar ali na Batcaverna, como o Jason gostava de apelidar.

Um tempo se passou, a Jane de fato foi pro local. E o Jason descreve que a Jane era uma mulher muito bonita ali com seus 30 e poucos anos. Bem chamativa mesmo, sabe? Uma diva. O Jason vendo ela pela câmera foi até a parte de fora ali da Batcaverna pra poder receber ela e se apresentar. E dizer que ele era o neto do Dr. Trinity. E aí ela fica meio estranha, ela age de um jeito meio estranho e diz que...

Não entendi o propósito de todo aquele lugar. E daí ela olha pra ele e diz que ele deveria ter mais cuidado. Ela estava mexendo na bolsa e, a princípio, eu pensei que fosse um celular. Mas com uma rapidez impressionante, ela apontou um pequeno revólver pra mim.

O que me faz pensar que isso é um tipo de armadilha? Talvez você tenha chegado até o Dr. Barron e agora esteja usando a reputação dele para atrair pessoas com quem ele tinha ligações? Quem você realmente pensa que é? Levantei as mãos, não por medo real de ser baleado, mas para tentar tranquilizá-la. Esperando que meu sorriso transmitisse confiança, respondi.

O meu nome é Jason Halsey. Meu avô é o Dr. Patrick Barron. Isso não é nenhuma armadilha. A arma não se desviou da posição apontada pro meu peito. O problema é que é exatamente isso que você diria, não é? Você trabalha pros cultistas?

Pisquei surpreso. Eu sabia pela minha breve conversa com ela e pelo que o vovozinho tinha dito que ela estava de alguma forma ligada a tudo, mas ainda assim era estranho ouvir outra pessoa falar da casa da garra. Balançando a cabeça, dei uma risada.

Sério? Não. Eu já matei vários deles, se isso serve de alguma coisa pra você. Ela não sorriu de volta e eu soltei um pequeno suspiro. Olha, eu entendo. Valeu por ter cuidado e tudo mais. Mas vai demorar um pouco pra ele voltar. Não é tão fácil conseguir um caminhão de cimento em cima da hora quanto você imagina. Então ele teve que dirigir um pouco. Eu não quero ficar aqui parado por uma hora e eu não quero que você fique apontando uma arma pra mim por tanto tempo. Então, o que podemos fazer pra você ficar tranquilo até ele chegar?

Ela apareceu ponderar por um instante. Se você estivesse amarrado, se você mesmo se amarrasse, eu não chegaria perto de você. Pensei naquela manhã na cozinha com meu avô, ele amarrado a uma cadeira enquanto tentava se explicar, e eu senti uma onda de compaixão e culpa ao me lembrar disso. Eu poderia fazer isso, mas seria uma espécie de omissão, não é? Fingir que não conseguia me mexer quando poderia facilmente me libertar? Balançando a cabeça, abaixei as mãos.

— Olha, eu poderia me amarrar, mas seria só para te enganar. Eu conseguiria me soltar de qualquer corda que tivéssemos por aqui. Talvez até de qualquer corrente. Eu não estou afim de começar assim, principalmente com você. Ela ergueu a sobrancelha. — O que você... Agindo por um impulso repentino, avancei e arranquei a arma da sua mão. Ela engasgou e recuou, os olhos arregalados de medo.

Hesitei por um segundo para segurar a arma com mais firmeza e serrei os dentes antes de atirar no meu próprio antebraço. O som do disparo ecoou pelos prédios e Jane deu um passo para trás enquanto seus olhos alternavam entre o meu rosto e o meu braço. Respirei fundo algumas vezes enquanto a dor diminuía e levantei o braço para que ela pudesse ver melhor. Porque, meu Deus...

Como você fez isso? A boca dela ficou entreaberta quando o buraco da bala se fechou, não deixando nenhum vestígio de ferimento. Balançando os dedos, eu sorri para ela. Eu me curo muito, muito rápido. Entre outras coisas.

Bom, meu avô diria que isso é um efeito colateral de uma das nossas aventuras anteriores. Eu olhei pra ela seriamente. Meu objetivo ao fazer isso é mostrar que você pode confiar em mim. Eu não tenho nenhuma intenção de machucar você, senão eu já teria feito. E sim, eu sei que mostrar como eu poderia facilmente matá-la pode não parecer a melhor maneira de atestar o meu caráter, mas é o que eu tenho no momento. Ela me surpreendeu ao soltar uma risadinha curta e rouca.

Ele disse que você faria isso. Ergui uma sobrancelha. Quem disse o quê? O Dr. Barrow. Ele me disse pra chegar cedo pra fingir que não confiava em você. E ele me garantiu que você não me machucaria e que esperava que você se machucasse tentando provar que eu não precisava ter medo de você. Pra me convencer que o urso não me comeria porque ele já poderia ter feito isso, como ele disse. Os olhos dela brilharam um pouco enquanto ela se aproximava de mim.

Aconteceu praticamente exatamente como ele disse que aconteceria. Dei um passo para trás com o rosto em chamas. Velho filho da mãe. Eu devia ter desconfiado que ele estava aprontando alguma coisa quando insistiu em ser ele a dirigir o caminhão de cimento de volta.

Bom que se dane, você podia ter me avisado antes de eu tentar alguma coisa contra mim mesmo. Seu rosto ficou sério novamente e ela balançou a cabeça. Não, porque eu queria saber se ele te conhecia tão bem assim e precisava ver se você estava realmente disposto a se submeter a esse tipo de dor só para fazer um estranho se sentir mais à vontade. Ela fez uma pausa arqueando uma sobrancelha.

Ainda dói levar um tiro, né? Eu a encarei com uma expressão de desagrado. Ah, dói pra caramba. Ela sorriu pra mim. Bom, aí tá. Agora eu também te conheço melhor. Podemos entrar agora? Tá quente aqui fora.

Eu a acompanhei até a sala de estar do andar de baixo e senti uma nova onda de nervosismo ao me invadir. Irritado como estava com meu avô naquele momento, eu queria desesperadamente que ele entrasse e nos livrasse daquela conversa constrangedora. Mas Jane não parecia nem um pouco nervosa e enquanto me fazia perguntas sobre a nossa situação ali e sobre a minha história com o vovô, eu me senti relaxando.

Como você não está mais assustada com tudo isso? Eu gesticulei para o meu braço completamente curado e depois para o pequeno complexo em que estávamos. Eu sei que você disse que sabe das coisas. Você sabe sobre um lugar chamado Terras da Noite, certo? Ela assentiu. Certo, eu vou guardar isso para quando estivermos todos juntos, mas resumindo, eu e o meu irmão gêmeo... Ela engoliu em seco enquanto seu rosto se escurecia levemente.

Ou Martin. O nome dele era Martin. Ele tá morto agora. Assassinado. Mas esse não é o ponto que eu tô contando. Então, pode esperar. Eu tinha aberto a boca pra dizer algo sobre o quanto eu sentia muito, mas a fechei novamente. Ela não estava interessada na minha compaixão por uma pessoa que eu nunca tinha conhecido. Eu podia ver em seu rosto que ela queria, talvez precisasse conversar com alguém sobre alguma coisa. Então eu fiquei quieto e ouvi.

Meu irmão e eu, quando éramos jovens, fomos deixados acidentalmente em uma funerária. Algo aconteceu conosco naquela noite. Aquilo nos transformou. Passamos a ver o mundo da forma mais diferente e ocasionalmente sabíamos de algumas coisas sem nenhuma explicação plausível. E embora sempre tivéssemos sido muito próximos, como muitos gêmeos, agora ficávamos juntos quase que exclusivamente. Ao crescermos, tivemos uma vida muito feliz, porém solitária juntos.

O principal motivo do nosso isolamento do mundo foi uma estranha motivação que nos dominou nos meses seguintes, aquela noite em que fomos esquecidos. Um enigma que resolvemos juntos e ao fazê-lo, desvendamos o caminho para um novo mundo mágico conhecido como Terras da Noite. Ao longo dos anos, aprimoramos as nossas técnicas e conquistamos muitos seguidores.

Isso foi útil, não porque desejávamos a companhia, mas porque nos deu acesso a recursos e reconhecimento que nos auxiliaram em nosso trabalho, nossa obsessão. É claro que não fomos os primeiros a descobrir as terras da noite, e havia aqueles que guardavam zelosamente qualquer acesso àquele reino. O principal entre nossos inimigos desconhecidos era a Casa da Garra, um culto com o qual sei que você já teve vários encontros.

As criaturas que você e seu avô caçam, eu sei relativamente pouco sobre elas, mas conheço bem a Casa da Garra. Martin e eu nos dedicamos a aprender sobre eles depois do nosso primeiro encontro, há mais de uma década. Naquela época, tínhamos 19 anos e estávamos começando a formar um pequeno grupo de seguidores em algumas cidades dos Estados Unidos. Viajávamos pelo país realizando periodicamente nossos encontros, praticando nossos rituais e oferecendo a outros vislumbres das terras da noite.

Éramos crianças em muitos aspectos e, surpreendentemente, considerando os círculos sociais em que circulávamos, nunca tínhamos tido muitos problemas com ninguém que conhecíamos. Nunca nos ocorreu que algo como a casa existisse, muito menos que estávamos sendo caçados por eles.

Estávamos em Seattle, havia alguns dias, quando fomos levados para uma fábrica de pneus abandonados nos arredores da cidade. Cobriram nossas cabeças assim que fomos sequestrados e me lembro de ter desejado que as colocassem de volta quando vi para onde nos levaram. Cobriram nossas cabeças assim que fomos sequestrados e me lembro de ter desejado que colocassem de volta quando vi para onde nos levaram. Por mais o horror que eu já tivesse visto, sempre havia um propósito.

Havia uma certa beleza nisso, mas isso... Isso era dor, terror e assassinato. Violência irracional e voraz que simplesmente gostava de sentir o gosto do sangue e o cheiro da podridão. A fábrica já fora repleta de máquinas, e isso era evidente pelas cicatrizes no chão de concreto, onde tudo fora removido e vendido há muito tempo.

O que restava era uma sala gigantesca, com uma enorme cratera negra no meio e um buraco cheio de água escura, que parecia mais densa do que deveria e projetava um brilho oleoso e irredescente sobre a luz das lâmpadas de trabalho instaladas para dissipar a escuridão do centro da sala.

Daquela água, aquela água que eu começava a notar que se agitava e ondulava ocasionalmente como se, por alguma corrente invisível, havia um círculo organizado de cadáveres em decomposição, empilhados em duas ou três camadas que circundava toda a poça.

Percebi com crescente horror que a parede contra a qual eu estava encostada era, na verdade, mais do mesmo. Corpos mais frescos e viscosos na superfície, que lentamente pressionavam e se misturavam aos corpos mais velhos e pastosos embaixo, expelindo uma dúzia de fluxos constantes de decomposição que escorriam de volta para a água ao redor.

Eu não queria me ater aos detalhes, mas suponho que já tenha visto o suficiente na minha vida até aquele momento para que fosse inevitável. Contra a minha vontade, minha mente se dedicou à tarefa de dissecar e categorizar o estado daqueles corpos e o que encontrei foi estranho. As pessoas haviam sido despedaçadas em muitos casos, embora ocasionalmente houvesse um cadáver que parecia imaculado, além de qualquer estágio inevitável de decomposição em que se encontrasse.

Descobrimos mais tarde que eles traziam a criatura principalmente moradores de rua da região, bem como algumas crianças de lugares mais distantes. Acho que ver o rosto de um bebê em meio a toda aquela morte e destruição que me despedaçou naquela noite. Lembro-me de saber que estava morto, mas sentir como se ainda pudesse ouvi-lo chorar.

Então percebi que era Martin quem eu estava ouvindo. Ele soltava um grito alto e estridente, diferente de tudo que eu já tinha ouvido dele. Ele tinha sido colocado no chão e teve o capuz removido depois de mim. E enquanto meus olhos estavam voltados para o círculo de corpos, os dele encontraram a resposta para o que se agitava sob aquelas águas fétidas. Seguiu seu olhar até ver com os meus próprios olhos. E então Martin não foi o único a gritar.

Gente, eu queria muito que contasse em detalhes como que eles fazem pra ir pro outro plano. E eu tô desconfiada nessa altura do campeonato, que a Jane talvez seja uma espécie de forasteiro, mas um forasteiro do bem. Não sei, não dá pra saber. Essa é a grande verdade. Mas enfim, a Jane conta ali pro Jason e consequentemente pra gente que ela e o Martin começaram a jornada deles matando animais, mas não era sempre e era de forma humanizada, mas que ao longo dos anos os dois já viram o interior de corpos humanos várias e várias vezes.

Menciono isso porque a primeira coisa que me veio à mente quando vi aquilo foram intestinos. Espirais e mais espirais de entranhas negras e brilhantes que de alguma forma ganharam vida própria. Talvez fosse isso mesmo, mas não era só isso.

À medida que essas massas aparentemente intermináveis de carne deslizante e contorcida emergiam da água escura no meio do chão, comecei a perceber as irregularidades da coisa. Havia protuberâncias, protuberâncias de tamanho e formatos aproximados de corpos humanos, sendo espremidas ao longo dos corredores internos serpentinos daquela coisa. O contorno distendido de uma pessoa se movendo obscenamente até que um dos inúmeros pontos terminais da criatura vomitasse como uma mordida indesejada de carne.

Sem hesitar, um dos homens que trabalhava para ela se aproximou e arrastou o corpo para longe, e em instantes ele foi adicionado ao topo da parede de cadáveres que nos cercava.

Pior ainda eram as bocas, todas aquelas malditas bocas. Notei em uma pela primeira vez, quando regurgitou o corpo, uma série de dentes recurvados circundava a abertura na extremidade daquele tubo de carne que se contorcia, e percebi, com um arrepio, que bocas semelhantes existiam nas pontas de todos os tentáculos parecidos, bem como em pontos irregulares ao longo da superfície do seu núcleo retorcido e brilhante.

Ocasionalmente, quando uma das protuberâncias do corpo passava perto daquelas bocas menores, um líquido negro que imaginei ser parte do sangue e parte de excremento, junto com toda a visela em que a criatura estava fervendo, jorrava entre aqueles dentes amarelos de lampreia, com um gorgolejo espesso e úmido que fazia meu estômago se contrair.

Eu havia parado de gritar, mas apenas porque estava tão afundada no poço do desespero que sabia que não adiantava nada. Eles iam nos dar de comida para aquela coisa. Não havia chance de escapar. Nenhuma esperança de ajuda. Olhei ao redor e encontrei os olhos de Martin. Ele também havia ficado quieto e eu sabia que ele estava pensando a mesma coisa. Estávamos perdidos.

Como que, para confirmar o que estava por vir, um dos homens que nos mantinham presos aproximou-se e pegou uma mulher de meia-idade que estava ao meu lado e a arrastou até a beira da água. Ela e o outro homem que compunham nosso quarteto de vítimas de sacrifício haviam sido trazidos separadamente e ambos pareciam estar em estado deplorável bem pior do que Martin ou eu.

Ela estava machucada e com a boca coberta por fita adesiva e o homem que estava mais adiante, na curva da parede, estava completamente inconsciente e tinha o que parecia ser um osso da canela exposto na perna direita. A mulher lutou fracamente a princípio, mas assim que os primeiros tentáculos do monstro a encontraram, ela começou a se debater violentamente.

Lembra-me de ver a insanidade se esvaindo em meus olhos como um véu, enquanto a boca farpada se abria e começava a engolí-la por inteiro. O homem que a sacrificara não parou para observar. Ele já estava se movendo para arrastar o homem inconsciente para o outro ponto da margem da água. Ele me encarou ao se levantar depois de depositar o corpo adormecido e então fez algo estranho. Ele piscou para mim.

A minha primeira reação foi uma onda de raiva e medo. Pensei que ele estivesse zumbando de mim. O corpo do homem inconsciente já estava meio consumido e ele estava me avisando que eu seria a próxima. Mas então um dos outros dois servos daquela coisa começou a gritar alguma coisa.

Droga! É o Bill! Isso não é comida! Isso é... Suas palavras foram interrompidas quando o homem que havia piscado pra mim disparou dois tiros em seu peito. Sem hesitar, ele se virou e matou o último dos três, enquanto este escalava a parede de corpos. Só que eu estava começando a perceber que o homem que piscara não fazia parte do grupo deles, e provavelmente uma ou ambas as pessoas que ele acabara de dar àquela criatura eram amigas dos nossos sequestradores.

Eu não estava menos assustada quando ele se aproximou de mim e de Martin, mas minha confusão me distraiu do medo. Então ele se inclinou e falou conosco. Olha, talvez seja melhor fechar os olhos para a próxima parte. Quando os abrir, ou estará quase no fim, ou você precisará correr. Use o ponto mais baixo da parede, o lugar por onde o homem que acabei de matar estava vindo. Entendeu?

Assenti com a cabeça e me lembro até hoje que o que mais me impressionou não foi sua calma. Não que ele não parecesse com medo, pois percebi uma leve apreensão em seus olhos quando a criatura atrás dele começou a se mover com mais violência. Talvez finalmente percebendo o que estava interrompendo seu banquete. Mas ele parecia tão seguro do que estava fazendo, tão seguro que se deu ao trabalho de nos avisar e dar instruções caso algo desse errado.

Quando ele se virou para encarar o monstro, senti meu medo se dissipar. Tentáculos negros com bocas famintas e estaladoras se aproximavam cada vez mais enquanto a criatura erguia seu corpo para fora da água. O homem parecia observá-la com interesse enquanto tirava algo do bolso do casaco.

Um pequeno dispositivo com um botão quadrado verde sob uma tampa de plástico articulado. O homem abriu a tampa e pressionou o botão rapidamente quatro vezes com um polegar. Antes de terminar a quarta pressão, explosões surdas e consecutivas começaram a ecoar de dentro da criatura, fazendo-a primeiro estremecer e depois explodir em pedaços úmidos de carne negra e um líquido fétido.

Ela nunca emitia um som propriamente dito, mas era possível ouvir o chiado de sua carne cozinhando por dentro enquanto se debatia em seus estertores de morte.

mas então pareceu desaparecer numa fração de segundo antes de todas as luzes de trabalho se apagarem. Senti um novo grito se formando em minha garganta quando o brilho esverdeado de um bastão luminoso se acendeu acima de nós. O homem me entregou o bastão e depois deu um segundo para Martin antes de ativar um terceiro para si mesmo. Em seguida, ele deu um passo à frente em nossa direção à beira da água, onde o menino estava deitado ofegante.

O menino tinha talvez 10 anos, e meu primeiro pensamento foi que ele, de alguma forma, estivera dentro do monstro e fora milagrosamente liberto ainda vivo. Mas então ele olhou para o homem agachado sobre ele, e seu rosto estava marcado pelo ódio e medo de uma mente muito mais velha. Na luz verde e macabra do bastão, ele parecia tão perigoso quanto a criatura que havia substituído.

— Você. Eu já ouvi falar de você. Acha que vai nos matar? Está perdendo seu tempo. Nós somos os... As palavras do garoto foram interrompidas quando o homem se levantou e colocou o pé no pescoço dele, virando sua cabeça para o lado. — O que você está fazendo?

Perguntou ele, desesperado. Espera, eu posso lhe contar coisas. Muitas, muitas coisas. O homem sacou um grande canivete suíço e abriu o sacarrolhas enquanto soltava uma risada curta e seca. Sim. É, sim. Eu tenho certeza que você pode. Algumas coisas até podem ser verdade. Ele gesticulou para as pilhas de cadáveres que nos cercavam. Mas eu acho que já sei o suficiente sobre o que você é e o que faz. Seu tempo acabou.

Ele enfiou sacarrolhas na lateral da cabeça do garoto e começou a girá-lo violentamente enquanto a coisa sob o seu pé se debatia como um peixe fisgado. Quase fechei os olhos, mas então senti uma pequena onda de força como um estrondo sônico nos atravessar. O corpo do garoto havia sumido. Desapareceu diante dos nossos olhos, levando consigo o canivete do homem. Ele olhou para mim com os olhos duros, mas não maldosos, e esboçou um sorriso discreto. Você não fechou os olhos, né?

Engoli em seco e a senti fracamente. Eu... eu queria ver. Era verdade. Eu acho que sempre quis ver. O homem a sentiu com a cabeça demonstrando compreensão e estendeu-nos a mão. Mãos grandes e fortes que pareciam engolir as nossas. Enquanto nos guiava por cima do muro obsceno e fora daquele lugar horrível. Quando estávamos lá fora, senti lágrimas brotarem em meus olhos. O homem percebeu e deu um tapinha no meu ombro.

Tá tudo bem, acabou. Aquela coisa nunca mais vai machucar ninguém. Por impulso, dei um passo à frente e o abracei. Aquele homem que, momentos antes, eu tinha certeza que ia nos matar. Ele soltou um gruído surpreso e retribuiu o abraço. Atrás de nós, pude ouvir a risada aliviada de Martin.

E foi assim que eu conheci o seu avô, o doutor Patrick Barrow. Quanto mais histórias eu trago desse escritor, mais fascinado eu fico, sinceramente, sabia? Eu acho que ele tem um universo, assim, riquíssimo. E tem tantos detalhes e cada um tem suas particularidades e sua própria história. Eu acho, tô achando incrível, entendeu? Gostei muito desse escritor de coração.

Mas continuando a história, a Jane fala que o que eles precisam entender é que o que ela sabe sobre as Terras da Noite vem das experiências dela de anos em que ela visitava as Terras da Noite com o ritual da máscara de coração, junto com o Martin, e também de informações que ela tinha de pessoas fascinadas por conhecimentos ocultos. Ou seja, só gente legal da cabeça, tá? A Casa da Garra acredita que a alma é composta de três partes.

A parte que você possui enquanto está vivo nesse mundo, eles chamam de alma terrena. A outra parte, em sua concepção do céu, chamada de alma essencial ou alma pura. E a terceira parte, eles chamam de alma noturna. Essas pessoas que podem se transformar em monstros, essas criaturas que você caça, a casa praticamente as venera. Elas são vistas como seres espiritualmente evoluídos que recuperaram sua alma noturna.

Isso é muito importante para eles, porque a casa acredita que, para ser completo, é preciso evoluir espiritualmente a ponto de ter acesso à sua alma noturna. Uma vez feito isso, você não precisa mais reencarnar e pode morrer definitivamente, indo para uma vida após a morte onde recebe sua alma essencial e se torna completa. Parece uma religião bem simpática, não é?

Só que, segundo a casa, você só consegue sua alma noturna vivenciando violência, morte e grande dor ao longo de uma vida ou várias vidas. Eles veem esses monstros, esses ascendentes, como heróis, que na verdade ajudam as pessoas a superar todas as coisas terríveis que fazem.

E a casa se vê como mártires dispostos a sacrificar tudo para promover a evolução espiritual da raça humana. Obviamente, muita coisa disso é grande bobagem. Mas, como em tantas outras coisas, também há um fundo de verdade. Por exemplo, os monstros claramente existem. E eles têm que vir de algum lugar, né? Esse lugar são as Terras da Noite.

Martin e eu somos... nós éramos especialmente talentosos para ver coisas nas terras da noite através do ritual da máscara do coração. Enquanto a maioria das pessoas só consegue algumas imagens ou vislumbres de alguns segundos daquele outro lugar, nós conseguíamos ver e ouvir como se estivéssemos lá, frequentemente por minutos ou até uma hora de cada vez. Conforme praticávamos, conseguíamos até mesmo controlar para onde a visão nos levava na terra da noite e o que nós víamos.

Entendendo a importância de tudo isso, tomamos notas detalhadas de tudo. Tentamos desenvolver uma noção do que era e onde ficava esse outro mundo. Quando terminarmos de conversar, tenha um pendrive com uma cópia de tudo que eu anotei e eu vou te entregar também, para que você possa tirar suas próprias conclusões com base no que aprendemos.

Mas por agora eu vou dizer o que eu acredito com base em tudo que eu vivenciei e aprendi com fontes em que realmente confio. As terras noturnas não são o outro mundo ou dimensão, pelo menos não como você imagina. Na verdade, é um dos sete reinos primordiais. Entendo que à primeira vista, isso possa parecer uma distinção pequena ou insignificante, mas eu posso garantir que não é. Outro planeta ou dimensão será regido por certas regras, certo? Física, tempo...

O sol se põe no leste e assim por diante. Mesmo uma dimensão muito caótica regida por regras do universo maior do qual faz parte, mesmo que essas regras pareçam inconsistentes ou às vezes inexistentes, os reinos são diferentes. Eles estão fora da realidade normal e as únicas regras que seguem são aquelas definidas pelo próprio reino. Esses lugares podem ser descritos como infinitos ou eternos e, embora mudem frequentemente, eles são sempre.

Bom, eles são sempre. Não sei se é possível que eles não existam. Sei muito menos sobre os outros reinos. Sei que o inferno, que sim, é um lugar real, é um deles. Ouvi falar de outros dois, o reino da poeira e o vazio, mas sei pouco sobre ambos. O que ouvi não é nada bom.

Digo tudo isso para contextualizar o que vou dizer a seguir. As terras da noite são muito reais e muito importantes, mesmo que eu não entenda completamente como. Elas são parte fundamental do funcionamento de tudo, como a luz ou a gravidade, e eu posso afirmar, com base na minha experiência, que é um lugar maravilhoso e aterrorizante também. Mas é um erro encarar as terras da noite como um lugar único e unificado. Um pedaço da terra ou mesmo um planeta inteiro. Não funciona assim. É mais como um cubo de Rubik.

Se você estiver olhando para as terras da noite, pode estar em uma trilha de terra sob um sol verde. Se você puder se mover como eu consigo quando eu estou lá fazendo uma visita guiada, pode percorrer essa trilha por cinco minutos e então perceber que está de repente no meio de uma cidade abandonada. Você pode virar uma esquina, entrar em um beco nessa cidade e se encontrar em um oceano noturno.

Essa é uma das várias razões pelas quais, por mais que eu ame as terras da noite à distância, nunca tive realmente vontade de ir para lá. É muito difícil se orientar, principalmente porque esses intermináveis fragmentos de um bilhão de mundos não permanecem estáticos uns em relação aos outros.

Aquele mesmo beco que te leva para o oceano, bom, da próxima vez vai te levar para um deserto ou uma caverna. Ou pode ser apenas um beco, vai saber. Porque o tamanho desses lugares muda, a forma como o tempo funciona muda. Tenho observado as terras da noite durante a maior parte da minha vida e ainda assim sempre sinto como se eu estivesse olhando para um mecanismo complexo que eu não consigo compreender de verdade. E isso é só a terra em si, tem também os seus habitantes.

As terras da noite, em todas as suas múltiplas formas, estão longe de ser um lugar árido. Pelo contrário, fervilham de vida. Há todo tipo de plantas e animais e alguns lugares possuem vastas cidades habitadas por uma espécie de povo ou outro. Em muitas maneiras, assemelha-se a uma terra de conto de fadas. O problema é que os contos de fadas são repletos de perigos ocultos e monstros mortais.

Eu acho que a Casa da Garra tá certa. Com base em nossas pesquisas e observações, parece que os monstros que vemos aqui vêm da Terra da Noite. Na verdade, eu já ouvi relatos de pessoas que viram a forma humana de um ascendente dormindo nas Terras da Noite enquanto a versão monstruosa da pessoa estava aqui. Talvez eles troquem de lugar, eu não sei. O que eu sei com certeza é que essas não são as únicas coisas, nem mesmo as mais perigosas daquele lugar. Eu vi coisas... Bom...

Eu vi e ouvi muita coisa, eu acho. O suficiente pra saber que tá ligado ao trabalho que você tá fazendo e o suficiente pra saber que depois disso, acabou pra mim. Martin e eu confiamos na pessoa errada. O nome dele era Josh. Ele matou meu irmão, mas parece que matou uma parte de mim também. A melhor parte. E ele fez tudo isso pra chegar na Terra da Noite. Um lugar que ele não entendia de verdade e nem apreciava completamente.

Eu não sei o que aconteceu com ele agora, mas eu consegui encontrá-lo uma vez usando a máscara de coração. Isso foi pouco depois de eu ter te ligado, Jason, e antes de começar a minha viagem pra cá. Eu sabia que era uma má ideia, mas acho que queria encontrá-lo sendo caçado por alguma criatura ou morrendo de fome em algum pico congelado. Eu queria vê-lo sofrer pelo que tinha feito.

O que eu vi talvez tenha sido pior do que qualquer coisa que eu pudesse ter imaginado pra ele. Ele estava sendo arrastado por... Bom, eu não sei como descrever essas coisas. Mas ele estava sendo arrastado pra um enorme prédio vermelho, uma mansão, eu acho. E eu soube imediatamente onde ele estava.

Existem vários seres muito poderosos nas Terras da Noite. Um deles é chamado de Barão. Eu tenho a impressão de que ele, ou ela, ou isso, é relativamente novo. Novo no sentido de séculos em vez de milênios, se você quiser tentar aplicar esses termos a um lugar sem tempo normal. Mas o Barão conquistou o controle de uma parte significativa das Terras da Noite e não é conhecido por ser um governante benevolente.

Quando vi o homem que matou Martin, ele estava sendo arrastado para a casa do barão. E depois disso eu parei de falar ao sentir uma mudança repentina na pressão do ar, seguida pelo surgimento de vários estranhos que pareciam ter vindo do nada no corredor do que o Jason chamava de bate-caverna.

Ele já estava de pé quando os homens entraram pela porta, três deles usando coletes à prova de bala e carregando fuzis automáticos. O quarto era um homem mais velho e corpulento carregando uma garota com aparência exausta nos braços. Isso deveria ter suavizado sua expressão, mas o olhar de raiva mal contido em seu rosto dissipava qualquer ideia de que ele pudesse ter boas intenções. E isso só se confirmou quando ele falou.

Olá, eu sou o Jimmy e estamos aqui para capturá-los em nome da Casa da Garra. Vocês podem vir pacificamente ou resistir. Ele olhou para Jason e para o Dr. Barron antes de seus olhos pousarem em mim. Por favor, resistam. Eu tenho minhas ordens, mas adoraria queimar todos vocês vivos do mesmo jeito que vocês fizeram com a minha filha. Eu adoraria mesmo.

Vocês perceberam que ela mencionou o inferno? Então, eu não sei se eu cheguei a dizer pra vocês, eu acho que não, e se eu disse, eu vou dizer de novo. Mas, o escritor dessa história, do Vovô Trinity, é o mesmo escritor das histórias do Tio Ted e da Cora, e daquele outro vídeo meu lá, que é Eu Tenho Que Observar Uma Mulher Através Da Câmera, tem um título parecido com isso.

Enfim, tudo se passa no mesmo universo, segundo o que ele mesmo escreveu ali nos posts dele. Então, seria legal se tivesse um crossover entre o tio Ted e o vovô Trinity, né? Seria muito legal mesmo. Bom, quem narra o próximo capítulo é o nosso querido vovô. Ouviu-se um som de briga e ele e o Jason começam a se falar pelo alto-falante do cofre, já que o Jason está preso.

Junto com o cultista que agora está transformado. Vocês se lembram disso? Pois é, no capítulo 2, deixa claro que isso acontece. E vocês lembram que o Jason chega a ser capturado, certo? Pois então, dá a entender que o Jason meio que queria isso para que assim o avô fosse atrás dele e eles pudessem descobrir mais coisas. Mas é óbvio que o avô dele era totalmente contra essa ideia.

Mas vamos seguir aqui com a história e ver o que acontece depois. Jason era inteligente. Muito inteligente, na verdade, e sabia que o que estava dizendo era informação valiosa pra mim e também uma forma de testar o guardião do túmulo, ver como ele reagiria. Não tivemos que esperar muito. Um estalo seguido por uma voz que soava como a de um homem que liderava a invasão da casa. Por que você não sai pra que eu possa te conhecer melhor?

Seu tom era leve, mas eu ainda podia sentir a raiva e a violência emanando em cada palavra.

Não, não. Por que você não deixa Jason aqui e aproveita sua liberdade enquanto ainda tem? É uma sorte enorme ter sido liberto assim. Seria um desperdício não aproveitar.

Se eu estivesse certo sobre quem ele havia pego, isso era ruim. Se aquele homem tivesse influência suficiente na casa da garra para liderar um grupo para nos capturar, o guardião do túmulo teria mais alavancagem e acesso a recursos onde quer que ele fosse com Jason. Isso os tornaria mais difíceis de encontrar e mais difíceis de trazer Jason de volta.

Ah, eu acho que eu vou ficar bem. E eu e o seu neto temos um longo histórico. E nunca me perdoaria se não aproveitasse essa chance para colocar as coisas em dia. Mas não se preocupa. Se eu não conseguir o que eu quero dele, eu voltarei por você.

Do que ele estava falando? Como ele conhecia o Jason? Eu sei desde que enterramos Mark Sullivan que todo o episódio incomodou Jason tanto quanto a mim. Tanto pelo que aconteceu com aquele pobre homem quanto pela coisa que estava ninhada nele, esperando, querendo ser libertada para o mundo novamente. Meu neto estava certo em ter medo disso, mas eu também tenho a sensação crescente de que a inquietação de Jason ia além disso. Sua intuição única em relação à criatura que ele certa vez descreveu como uma espécie de memória estranha.

Esperei pra pressionar o assunto, tentando dar a ele o tempo pra resolver ou vir até mim em seus próprios termos. Agora sei que esperei demais. Agora ele tá sendo levado por algo que eu não entendo, muito menos sei como derrotar. Mas não, isso não é totalmente verdade. Eu não sei tudo, mas sei algumas coisas. Eu sei que não é onipotente ou onisciente, pode ser preso e enganado. É capaz de controlar algumas pessoas, mas aparentemente, não aquelas como eu ou Jason que foram tocadas por uma semente Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele Ele

e com alguns limites baseados em distância, percepção, quantidade ou alguma combinação de fatores desconhecidos. Sabemos que parece pular de pessoa para pessoa, e parece haver alguma qualidade que torna algumas pessoas mais adequadas como hospedeiras a longo prazo. Isso se deve, pelo menos em parte, ao fato de que ele queima rapidamente outros corpos que toma,

causando uma putrefação antinatural ao longo do tempo. Isso, muito provável, foi um efeito colateral não intencional e indesejável de estar em um corpo subótimo. Embora a mesma deterioração provavelmente tenha acontecido a uma taxa mais lenta quando em um de seus hospedeiros especiais.

Isso também provavelmente seria indesejável, pois ter que se mover de corpo para corpo aumentava o risco de exposição, ao mesmo tempo em que consumia tempo e energia significativos, pois, periodicamente, tinha que procurar um novo hospedeiro. Tudo isso era baseado em palpites e suposições de que seu comportamento era, pelo menos, um pouco governado por algo semelhante à lógica humana.

Mas isso correspondia às informações que tínhamos sobre o que ele havia feito no passado. E se tudo isso estivesse correto, então eu sabia uma coisa muito importante sobre o guardião do túmulo. Era um parasita. De certa forma, ele correspondia aos comportamentos de um élmito.

embora obviamente tivesse muitas características mais próximas de alguma forma de possessão do que uma tênia. Ainda assim, muito parecido com os monstros com os quais realmente lidamos, ele dependia de assumir um hospedeiro humano. O fato de ser o único e mais formidável não mudava o fato de que ele parecia precisar de um corpo humano para sobreviver, ou pelo menos para não voltar à dormência novamente, o que nos dava uma pequena vantagem.

Você está muito quieto aí dentro. Nenhuma resposta espirituosa ou ameaça severa?

Nem mesmo algum pedido pela vida do seu neto? Você vê, Jason? No final, o seu avô é apenas um velho assustado se escondendo em um buraco. Ninguém vai te salvar. Você é todo meu. Rangindo os dentes, acionei o alto-falante. Não por muito tempo. Aquele corpo é seu? Estará morto em 48 horas. Uma pausa, então. Do que você está falando? Uma ameaça ousada escondida atrás de uma porta de aço?

Saia e me mate, então. Ah, eu já te matei. Eu vou entrar na sua brincadeira. O que você quer dizer? Dessa vez, eu não tentei esconder a satisfação sombria na minha voz.

Dez anos atrás, eu encontrei uma criatura, o que chamamos de Outsiders, que tinha uma forma monstruosa que produzia um tipo de veneno muito potente e único. Foi uma das coisas que me fez finalmente aceitar que existem algumas coisas que a ciência não pode explicar completamente, ou pelo menos estão muito além da minha capacidade de entender. O veneno era insípido e inodoro.

Poderia ser destilado em um líquido ou um gás. E incluindo componentes que não existem na natureza, coisas que podem ser quantificadas, mas não replicadas. Pelo menos não pela maioria dos meios. Eu vi a utilidade e potencial dessa toxina e continuei trabalhando nela depois que a criatura que a havia criado havia desaparecido.

Eu finalmente percebi que combinar a substância de volta com ela mesma, de uma maneira particular, não apenas não consumia a substância, mas produzia mais dela. Eu não tenho uma explicação científica de como esse processo funciona, mas depois de anos trabalhando com ele, eu sei que funciona. E com bastante confiabilidade, aliás. Bom, foi assim que eu mantive o ar que você tá respirando inundado com essa coisa nos últimos meses.

Dessa vez, o silêncio foi longo o suficiente para que eu começasse a me preocupar que ele simplesmente tivesse ido embora com Jason depois de assumir que era tudo uma artimanha barata. Mas então, o estalo voltou, seguido pela voz do homem. Dessa vez, mais profunda e plena, a voz era de alguma forma mais terrível em seu peso sem a leve fachada de inflexão humana. Explica!

Há alguns meses tivemos um visitante que se mostrou não ser o nosso amigo. Eu queria evitar inconvenientes semelhantes no futuro, ou pelo menos garantir que qualquer inimigo nosso não durasse muito tempo depois da visita sem a minha misericórdia. Eu já havia instalado o equipamento necessário anos atrás. Foi uma questão simples transformá-lo em um sistema de reciclagem autossuficiente para misturar o veneno com o ar aqui embaixo.

Eu podia sentir os olhos de Jane cravados em mim, mas ignorei. Eu sabia que ela estava preocupada que eu estivesse dizendo a verdade, que eu era louco e havia envenenado todos, mas ela teria que aguentar um pouco mais. Você tá mentindo. Ah, eu posso garantir que eu não tô. Mas também eu não sou tolo ou suicida. O veneno também pode ser manipulado muito facilmente para produzir uma cura que imuniza a pessoa de quaisquer efeitos e cura a exposição passada se recebida enquanto ainda assintomática.

O monstro de onde veio, na verdade, tinha uma glândula que produzia a cura naturalmente, mas me deu orientação suficiente para que eu pudesse resolver as coisas a partir daí. Nós três? Todos inoculados, embora eu deva pedir desculpas às minhas duas amigas por não lhes dizer que esse antídoto estava em uma das picadas e cutucadas que dei a elas no passado. Mas você? Você e qualquer um dos seus cúmplices que você deixou vivos por aí? Bom, isso aí é uma questão totalmente diferente.

Quando ele falou dessa vez, eu quase podia ouvir o medo na sua voz. Eu não posso ser capaz de controlar o seu neto, mas eu posso dizer por suas reações que ele acredita no que você disse. Então eu também vou, por enquanto. O que esse veneno mágico faz? Eu limpei a garganta.

Eu nunca disse que era mágico, apenas inexplicável. Mas quanto ao que ele faz, por 36 horas você não tem nenhum sintoma. Entre 36 e 38 horas você tem fadiga extrema, calafrio, suor, tontura, fraqueza física, palidez, cólicas abdominais e dores nas articulações. Quase como uma gripe repentina e terrível.

Às 39 horas e 12 minutos, quase até o segundo da primeira exposição, você sofre o que pode ser melhor descrito como morte celular catastrófica simultânea em todos os sistemas do corpo.

Eu me vi sorrindo levemente. Eu sei que você é bom em manter seus hospedeiros vivos, mas eu duvido que você terá muita sorte com isso. Eu me virei para olhar para Jane. Ela parecia horrorizada. A única questão era se era apenas por causa do que eu havia dito ou por causa da implicação que isso levantava. Mas foi Jason quem fez a pergunta que eu temia.

Então, como você sabe de tudo isso? Em quem você experimentou pra descobrir que leva 39 horas? E o que seja pra alguém morrer com esse negócio? Eu suspirei.

Olha, eu não fui muito honesto com você sobre o número de vezes que eu encontrei a casa da Garra. Ao longo dos anos eu procurei por um membro conhecido aqui e ali na esperança de obter informações e ter um banco de testes mais ético para certas teorias. Fica tranquilo, era raro eu fazer isso e eu sempre me certificava de que eles eram de fato um membro perigoso da casa e não apenas alguma alma desorientada nas franjas do culto. Jason disse novamente, seu tom era mais furioso do que antes.

Então isso justifica tudo? Você simplesmente sequestra pessoas e faz experiência com elas? E essa garotinha aqui? Ela também vai morrer? É, ela vai. A menos que aquela coisa lá fora aceite a minha oferta. Eu vou dar um antídoto pra ele e pra garota, se ele sair daqui agora e deixar todos, incluindo a garota e você atrás e ilesos.

Ou ele pode recusar, e em menos de dois dias ele vai ser reduzido a uma pilha de restos liquefeitos. Agora o colveiro, com a voz ainda mais tensa, mas agora carregada de sua antiga malícia alegre, disse — Você é um homem difícil, vovô. Se estiver falando a verdade, claro. — De qualquer forma, obrigado, mas não. — Trinta e oito horas é pouco tempo, mas eu acho que eu consigo dar um jeito. Acionei o interfone novamente, minha mão tremendo de medo e raiva. — Isso não é um blefe, seu desgraçado. Você vai morrer sem a minha ajuda.

A criatura soltou uma risada áspera que fez o interfone estalar com reclamações. Eu duvido, mas o que você deveria se preocupar é mais com o que eu vou fazer com seu neto no tempo que me resta. Houve uma pausa e então...

Garota, nos leve de volta. Chamei novamente pelo interfone, mas foi inútil. Eu sabia que eles tinham ido embora. Fui até a parede ao lado da porta e abri um pequeno painel que me permitiu destrancar o cofre por dentro. Ao contrário do método de trancar por dentro, este precisava ser bem escondido, mas fiz questão de mostrá-lo a Jane enquanto digitava a combinação para abrir a porta. Era uma tentativa de reconquistar um pouco da confiança dela, mas era difícil dizer se conseguiria penetrar a aura de medo e preocupação que envolvia a garota.

senti uma onda de tristeza por ela ela já havia passado por tanto e por minha causa estava passando por mais ainda ela e Jason pareciam estar se tornando bons amigos nas poucas semanas em que estiveram conosco e eu valorizava muito isso por ambos ela era uma boa pessoa e quando eu empurrei a porta e vi que eles tinham ido embora eu ouvi soltar um breve gemido de desespero por Jason e talvez pela garota também

Não tínhamos contado a ela muito sobre o coveiro, mas ela sabia o suficiente para perceber o perigo que eles realmente corriam. Mas quando me virei para olhá-la, ela me encarou com uma determinação feroz que me impressionou. Eu não conseguia esquecer que tudo o que ela havia passado, tudo o que havia feito, a transformaram numa mulher formidável antes mesmo de cruzarmos o seu caminho pela segunda vez. Isso me deu esperança de que eu ainda poderia contar com ela para o que viesse a seguir.

O que vamos fazer? Eu esfreguei os lábios pensativamente. Eu poderia tentar amenizar as coisas, prepará-la aos poucos para as duras realidades do que estava prestes a fazer. Mas se eu fizesse isso, não só seria desonesto, como também aumentaria o risco de ela cederem em um movimento inoportuno ao compreender a magnitude de nossas ações. Não, era melhor ser sincero desde o início e ver se ela teria estômago para isso.

Vamos resgatar o Jason e vamos acabar com o que o está mantendo em cativeiro. Acabar com isso de uma vez. Ela sentiu com a cabeça, mas franziu a testa. Mas como vamos impedi-lo? Ele pode pular de pessoa para pessoa, certo? O que impede que ele simplesmente pule para alguém que não esteja envenenado ou continue pulando até que não consigamos encontrá-lo novamente. Quis desviar o olhar, mas não o fiz. Precisava ver como ela reagiria. Se ela realmente poderia ser útil.

Não vai conseguir saltar para outro corpo se não houver nenhum por perto. Presumo que se cercará de lacaios, membros do culto, guardas, o que for. Enquanto ele interroga o Jason, claro. Mas sejam dez ou dez mil, não importa. Jenny já sabia a resposta, mas perguntou mesmo assim.

Por que não importa? As próximas palavras deveriam ter sido as mais difíceis, mas descobri que eram as mais fáceis. Isso teria envergonhado alguma versão distante de mim mesmo, mas essa constatação não me incomodou. O jovem Petro que foi um homem bom, porém tolo, que não compreendera as duras verdades do mundo.

Isso lhe custará o amor da sua vida e a amargura dessa perda lhe custará a família por tantos anos. Mas nos últimos meses, eu havia compreendido muita coisa. O valor do amor, da família e da esperança. A necessidade de arriscar a perda para alcançar alegria e realização. E a verdadeira importância do trabalho que fazemos. Íamos trazer Jason de volta, sim. Mas também íamos matar o monstro que o levou embora. Ele e qualquer um que tentasse nos impedir.

Porque vamos matá-los. Vamos matar todos eles. Agora faz todo sentido por que eles estavam suando frio, né? É relatado no capítulo 2 que eles estavam suando, que eles estavam sentindo meio mal. Principalmente essa garotinha. Porque eles estavam envenenados. O próximo capítulo é narrado pela perspectiva da Jane.

E ela disse que eles já vieram de duas buscas fracassadas do Jason. Eles invadiram dois prédios. Ela acompanhou o vovô Trinity. E ela disse que, assim, ela achava que ela estava preparada para qualquer coisa. Porque ela já viveu muita coisa. Ela já sofreu muita coisa. Só que aquilo estava sendo demais. Então, assim, vocês lembram que no capítulo 2 termina com alguém envenenando uma empresa chamada Taterchill?

Quem envenenou, obviamente, é o vovô Trinity. Não eram apenas os cadáveres. A maioria não passava de poças secas depois que o veneno faz efeito. Os poucos que morreram por balas ou materiais de escritórios improvisados não se desfizeram mais, afinal, eram apenas corpos. Corpos de estranhos que eram maus. Mais obstáculos do que pessoas, eu dizia a mim mesma. Obstáculos que mereciam que receberam.

Mas enquanto passávamos por aglomerados de cubículos e fileiras de escritórios executivos, eu continuava vendo vestígios de quem aquelas pessoas tinham sido. Fotos de suas famílias, objetos de decoração e diplomas, lancheiras e protetores de tela bonitinhos. Ficava mais fácil se eu pudesse simplesmente dizer que todos faziam parte de um mouse em rosto. Uma corporação servindo como fachada legítima para a Casa da Garra. Um culto que havia ferido tantas pessoas e nos tirado, meu amigo.

Mas será que todos eram puramente maus? Eu não tinha tanta certeza. Para cada membro de culto ou lacaio disposto, não haveria pelo menos um ou dois que trabalhavam numa empresa apenas pelo salário e benefícios? Que não se preocupavam em espalhar dor e morte como meio de ascensão social? Que não veneravam os monstros que estavam entrando em nosso mundo? Não.

Eles se preocupavam com o desempenho escolar dos filhos ou com o nódulo que a esposa encontrou no mês passado. Viviam vidas normais, cheias de alegria e tristeza, muitos sem saber que faziam parte de uma máquina com objetivos muito mais sombrios do que aumentar os lucros e a participação de mercado.

Eu havia mencionado isso a Patrick enquanto nos preparávamos para vir para cá, para o lugar que a Tetarchal chama de Alpha. Ele assentiu, os olhos cansados, mas ainda penetrantes ao encontrar os meus. Eu esperava que ele ficasse bravo ou me desse uma justificativa inloquente que dissipasse meus medos e minha culpa, mas ele não fez nenhuma das duas coisas. Em vez disso, estendeu a mão para dar um tapinha na minha num gesto que poderia ter sido paternal se eu não tivesse visto tudo o que vi nas últimas horas.

— Você tem razão, Jane. Claro que tem razão. Sua voz era calma e controlada enquanto falava. Não o tom frio que ousara ao interrogar os sobreviventes nos dois primeiros prédios, mas ainda assim distante e impenetrável. Era a voz que eu imaginaria que ele usaria se estivesse no meio de uma cirurgia ou dizendo a um paciente alguma verdade dura, porém necessária. A voz que não tentava argumentar ou convencer porque o caminho já estava traçado.

Eu me perguntei, não pela primeira vez, se ele conseguia de alguma forma ler os meus pensamentos e reprimi um pequeno arrepio quando ele me deu um sorriso fino e sem alegria. O que estamos fazendo?

Não tenho ilusões de que seja uma coisa justa. Sim, estamos prejudicando a Câmara e a Tetarch, ou talvez gravemente, por extensão, podemos estar prejudicando aquilo que levou Jason, seja lá onde for. Mas como você apontou, sem dúvida estamos prejudicando pessoas que são, pelo menos em parte, inocentes no processo. Em outras circunstâncias, eu poderia questionar a moralidade do que estamos fazendo. Na verdade, eu já questionei no passado.

Eu sei da ligação com a Taterchel e esses sites corporativos há algum tempo, e uma das razões pelas quais eu nunca agi contra eles é justamente a preocupação do que você está levantando. Outra razão é que um ato tão aberto de agressão e destruição terá consequências para mim. Bom, para nós também.

Este não é um golpe fatal, e eles terão muito mais motivação para nos caçar agora do que tinham quando éramos apenas um incômodo ou até mesmo um bicho papão. Sua expressão endureceu enquanto ele continuava. Mas eles invadiram a minha casa e levaram meu neto. Tentaram nos matar. Então o preço que eu tenho a pagar? Não me parece mais tão alto. E embora eu sinta muita culpa por você estar envolvida nisso agora, para ser honesta, seus recursos e sua equipe tornaram possível que eu colocasse o plano em ação mais rápido e com mais eficácia do que eu conseguiria sozinho.

Eu me importo com você, Jane, e farei o que puder para mantê-la segura, mas há respeito demais para mentir e dizer que gostaria que você não estivesse aqui. Em vez disso, agradeço novamente e acatarei qualquer nível de envolvimento que você desejar. Ele olhou para mim, o rosto mais gentil, mas não mais ameno, e deu de ombros com um pedido de desculpas. Engolindo em seca, eu a senti.

Eu sei. Eu sabia no que eu tava concordando quando te procurei. E eu tô com você o tempo que for preciso pra encontrar o Jason. É só que... Não somos os únicos a pagar pelo preço pelo que estamos fazendo.

Estávamos parados na entrada do que Jason sempre chamava de Batcaverna, provavelmente pela última vez. A última van que transportava os equipamentos do Dr. Barrel e dos dados acumulados para armazenamento remoto havia partido cinco minutos antes. Patrick assentiu com a cabeça. Você conhece águias pesqueiras, Jane? Franzindo a testa, assentiu com a cabeça hesitante. Eu sei que são pássaros, né?

Foi a minha vez de dar de ombros. Desculpa, eu não entendo muito de pássaros. Ele sorriu. São aves interessantes. Aves de rapina. Como águias ou gaviões, embora diferentes em vários aspectos. A maior parte de suas presas são peixes, mas não são aves aquáticas como patos ou garças. Ele estendeu um dedo girando levemente enquanto abaixava o braço.

Não, em vez disso, quando encontram o que procuram, pairam em espiral descendente, aproximando-se cada vez mais da água até conseguirem alcançar o peixe. A mão de Patrick se fechou em um punho.

Mas é sempre um grande risco. Embora consigam nadar até certo ponto, não sobrevivem muito tempo na água. Se ficarem muito molhadas, podem encharcar e se afogar. E suas garras são semelhantes a anzóis. Ótimas para agarrar, mas às vezes difíceis de soltar. E se forem atrás de algo muito pesado ou grande e não conseguirem se libertar, são puxadas para baixo junto e morrem.

Estregando o rosto, ele continuou. A águia pesqueira corre esses rios porque é a única maneira de sobreviver, a única maneira de prover para aqueles que ama e protegê-los de um mundo que, de outra forma, os mataria sem hesitar. Ela cairá repetidas vezes. Caçará em um mundo alienígena que pode facilmente matá-la e fará o possível para voltar a voar. Petr que gesticulou para o armazém ao redor deles.

Sabe, eu dei o nome de Jagger a essa empresa de fachada como uma brincadeira. Vem da palavra alemã pra caçador. Sempre me vi como um médico e cientista em primeiro lugar, embora sempre soubesse que caçar e matar estivesse na carne do que eu...

Do que nós fazemos. Agora não é hora pra curiosidade e teorias, nem pra moralismo e dúvidas. Estamos caindo. Em um espiral descendente, com planos bem elaborados e boas intenções, mas caindo mesmo assim. E podemos morrer no processo. Ou, se não morrermos, pelo menos não voltaremos ilesos ou vitoriosos. Seu maxilar se contraiu levemente.

Mas nossa única chance de sucesso é nos comprometermos totalmente. Mergulharmos o mais fundo que for preciso e não soltarmos até que esteja feito. Não há tempo para hesitações e não há espaço para fraqueza disfarçada de misericórdia. Porque eu não tenho como salvar aqueles que talvez mereçam. E este é o nosso único caminho para nos protegermos e trazer Jason de volta.

Os olhos de Patrick brilharam por um instante e ele soltou um suspiro profundo ao encontrar o meu olhar novamente. Os perigos que enfrentamos e como que estamos fazendo podem nos mudar. Esse é o preço que temos que pagar. O preço que conquistamos. A morte e o horror que trazemos conosco. Bem, esse preço também foi conquistado. Eu senti meu peito palpitar enquanto seus olhos me encaravam fixamente. E eles vão pagar. Até que Jason volte.

Até que parem de ferir e matar em nome de suas crenças insanas. Até que as pessoas e as coisas que perseguiram a minha família, a sua e tantas outras por tanto tempo desapareçam. Custe o que custar. Engolindo em seco, assenti. Entendo. E eu continuo com você, só que... Eu posso ficar de fora da alfa, se não se importar. É que... Tem sido muita coisa.

Patrick estendeu a mão e apertou meu braço levemente, com uma expressão mais amena. Eu sei e eu sinto muito. Só algumas armas de reserva devem ser suficientes, mas se você puder esperar no carro caso alguma coisa aconteça...

Ele franziu a testa levemente. Mesmo com tudo que você nos contou e tudo que aprendi ao longo dos anos, ainda existem partes desse mundo que você conhece melhor do que eu. Ele olhou para Levis que esperava no carro. Além disso, essas são suas pessoas. Eu não as conheço, nem elas a mim. E será muito menos provável que elas desistam ou se voltem contra você se você estiver por perto. Ele apertou meu braço novamente. Isso não foi incômodo, claro. Assenti com a cabeça novamente.

Esperarei aqui até que tudo seja concluído. Levis nos levava por uma estrada secundária até um ponto onde encontraríamos outro carro. Lá, Patrick poderia trocar de roupa e usaríamos um novo veículo para ir a algum lugar onde a garra não pudesse nos rastrear. Ele ficou sentado em silêncio por um tempo enquanto o crepúsculo começava a se dissipar. E embora eu ainda tivesse muitas perguntas sobre o que ele poderia ter encontrado, o deixei em paz por enquanto.

Ele precisava digerir sua culpa e tristeza e eu também. Havia algo quase hipnótico em estar na escuridão e no balanço do carro enquanto seguíamos por uma estrada rural esquecida. De muitas maneiras, eu não sabia por onde o caminho à nossa frente nos levaria. Havia uma mensagem. Dei um pulo com a declaração repentina de Patrick vinda das sombras ao meu lado.

Ah, de Jason ou do coveiro? Eu detestava até mencionar o assunto, mas nós dois sabíamos que provavelmente era o pior dos muitos perigos que Jason devia estar enfrentando. Houve uma pausa e a voz de Patrick estava tensa, carregada de emoção contida enquanto ele continuava.

Jason, eu acho. Com base no que eu encontrei e no que não encontrei. Acho que uma das duas coisas aconteceu. Ou o couveiro levou Jason pra outro lugar, ou eles saíram separadamente. Se Jason tivesse sido morto aqui, provavelmente teríamos encontrado alguma evidência disso, embora eu não possa descartar completamente essa possibilidade. Se Jason tivesse escapado por meios convencionais, ele provavelmente teria que matar a maioria das pessoas naquele prédio, e eu também não vi nenhum sinal disso.

Isso nos leva a meios de transporte menos convencionais, como a garota que trouxe aqueles homens até a nossa porta. Sua voz estava mais firme agora, concentrada em percorrer os corredores do problema em vez dos medos e sentimentos que sempre seguiam de perto. Encontrei o que eu acredito serem os restos mortais da garota em uma cela no porão. E na mesma sala, a mensagem que eu tenho certeza ser de Jason. Eu não consegui mais me conter. O quê? O que foi?

Só uma única palavra escrita com sangue. Ele parecia tão desolado enquanto falava no escuro, e eu não tinha certeza se ele estava realmente prestando atenção às minhas perguntas, mas eu continuei insistindo. O que, Patrick? Pra onde ele foi? O que dizia a mensagem? Dizia. Terras da noite. Eu acho que o Jason tá nas terras da noite. E temos que trazê-lo de volta antes que seja tarde demais.

Eu não sei vocês, mas eu tô achando muito interessante a forma como as histórias estão se cruzando e se entrelaçando aqui, sabe? Mas enfim, quem começa narrando o último capítulo é o nosso Vovô Trinity. E ele começa falando sobre a perda, né? Que a perda supostamente é a ausência de algo e que ela rouba não só a sua paz de espírito, como também a sua felicidade. Já se passaram 34 anos desde que perdi Rebeca. 34 anos desde que senti uma dor e uma desolação tão grandes que tinha certeza de que me quebraria o meio.

34 anos desde que comecei a minha jornada para um mundo que fica abaixo do mundo que eu conhecia. Um mundo perigoso que frequentemente me aterrorizou e quase me matou, mas que também me deu um novo senso de propósito. Salvando outros de coisas como o monstro que levou a minha esposa de mim.

E todo esse tempo, sua perda pairou sobre mim, tentando me derrubar. Dizendo-me que foi a minha culpa que ela morreu e que apesar de todo o meu tempo e trabalho, não daria em nada. Eu, no final, sempre decepcionaria, sempre falharia com aqueles que confiam em mim e que mais amo. Dois anos atrás, eu perdi a minha filha e meu genro. E essa perda me machucou profundamente, mas era de uma qualidade diferente.

Parte disso foi porque eu não os via com tanta frequência, embora eu amasse muito a minha garotinha e tivesse grande respeito e afeição pelo homem com quem ela se casara. Parte disso foi porque eu mudei ao longo dos anos. Eu me motivo separado do mundo e desapegado daqueles que eu amava, dizendo a mim mesmo que era pra sua proteção. Quando, na verdade, era tanto para me proteger do risco da dor que sei que o amor pode trazer.

Eu me concentrei no trabalho e na pesquisa, na caça e na expiação que eu esperava que lutar contra essas criaturas e seus servos traria. E por um tempo, a sua maneira funcionou. Eu estava distraído e impulsionado enquanto viajava pelas águas escuras e insondáveis desse outro mundo.

Eu olhava para os céus noturnos, que eram confortáveis em sua crescente estranheza, enquanto me movia cada vez mais longe do meu passado, da minha família e o homem que eu era. Parecia que eu estava escapando daquela vida e de toda a dor que ela continha para mim. E, embora a minha perda nunca tivesse me deixado, era mais difícil de ouvir quanto mais eu me afastava da costa.

E então eu conheci Jason. Não Jason a criança. Jason de memórias desbotadas e distantes, mas o Jason o homem. Um homem que parecia inteligente e gentil, atencioso e forte. Ele me lembrava tanto a minha filha e minha doce Rebeca, que foi difícil de suportar no início. Todo o tempo que passei me distanciando daquele amor e daquela dor desapareceu em questão de minutos. E na segunda noite, eu estava contando a ele sobre ela.

tentando controlar minhas palavras e falhando ao me encontrar de volta no campo podre onde Salke a havia deixado. Então inventei desculpas e saí, saindo pra caçar buscando refúgio nos hábitos que se tornaram a minha casa. E mais tarde naquela noite, Jason me viu de sua janela. Nos dias, semanas e meses que se seguiram, Jason foi atraído cada vez mais para o meu outro mundo e meu modo de vida. Ele se tornou mais do que um neto pra mim, se tornou meu melhor e único e verdadeiro amigo.

A cadeia de coincidências que levou a tudo isso não passou despercebida pra mim. Se não tivéssemos juntos naquela casa, se eu não tivesse falado de forma estranha e saído abruptamente, se eu não tivesse pegado aquela mulher em particular e é trazido de volta, e se Jason não tivesse escolhido aquele momento particular pra olhar abaixo e me ver descarregando seu corpo, bem, poderíamos ter permanecido como conhecidos familiares passageiros no máximo.

E ainda assim, eu sou um homem cuidadoso, tanto por natureza quanto por necessidade.

Estou longe de ser infalível, mas raramente ajo sem motivo ou reajo sem alguma ideia das probabilidades ramificadas expostas diante de mim. E há momentos em que me pergunto sobre as coincidências que levaram Jason a ser atraído para essa vida. Eu não sabia que a minha caminhonete era barulhenta e que as dobradiças da porta rangiam? Eu não tinha notado o luar enquanto eu estava esperando o forasteiro em sua casa? E eu não estava ciente de que a janela de Jason dava uma visão clara do meu retorno?

Eu não tinha nas profundezas da minha mente sempre errante, visto um caminho que levava Jason a ser uma parte maior da minha vida, desta vida? Esses pensamentos, outrora desconfortáveis e indesejáveis de sua autodúvida, tornaram-se algo diferente ultimamente. Medo de que eu tenha matado meu neto, talvez eu tenha condenado a um destino pior do que a morte se ele ainda estiver com um guardião do túmulo ou preso nas terras noturnas como suspeito.

Um terror crescente e debilitante de que, seja o que for que outros tenham feito a Jason, a culpa final pode ser atribuída a mim. A minha falha em ser forte e deixar a minha perda ser a minha única companheira. Eu te conto tudo isso porque quero que você entenda que eu não te torturei por malícia ou por algum desejo perverso.

Meu amigo, aquela jovem que você vislumbrou quando eu estava fechando a porta, ela também é uma pessoa forte e maravilhosa, uma boa amiga para mim e para Jason. Mas ela não consegue apreciar totalmente o que isso significa para mim ou entender o que eu estou disposto a fazer para consertar as coisas. E ela é muito útil para eu perdê-la devido à piedade equivocada.

Então, por enquanto, nisso eu tô sozinha. Bom, não totalmente sozinha. Eu tenho minha perda e, por mais alguns momentos, eu tenho você. Está quase acabando agora. Eu acredito em você que você não sabe nada sobre as terras noturnas. Notavelmente, acho que a maioria dos forasteiros é estranhamente ignorante sobre certos aspectos de sua natureza, mas há exceções. E eu não posso desperdiçar nenhuma oportunidade.

Dado o que você fez com aquelas famílias, você não merece nenhuma simpatia. Mas ainda não gosto desse tipo de brutalidade. Mas durma agora. Eu vou coletar amostras e então você vai flutuar. Espero que onde quer que você acorde, seja melhor do que aqui.

Olhe pra cima quando o Patrick sai da gaiola, o nome que ele deu a masmorra em nossa nova base de operações. Ele não me deixa entrar lá quando ele tem um deles, e eu sei que é porque ele não quer que eu veja o que está fazendo com eles. Acha que eu não conseguiria suportar. E embora eu ache que ele está errado, estou grata por não ter que testar meus próprios limites. Além disso, eu mesma tenho trabalhado, e depois de meses...

Posso ter realmente encontrado algo. Eu queria interrompê-lo na gaiola, mas eu não ousei. Então, em vez disso, eu fiquei aqui mexendo e relendo o arquivo não criptografado que Jonas acabou de me enviar da extração de dados em Taterchal Alpha. Ele foi sinalizado não apenas pelo que contém, mas porque corrobora um boato que rastreio nas últimas semanas de que um lugar de poder oculto existe. Um lugar que tanto ocultistas quanto membros da casa tentaram encontrar sem sucesso, pelo menos aqueles que retornaram.

Histórias de um lugar de magia e desejos e morte e aberturas para outros mundos. Patrick parece tão cansado enquanto me dá um leve aceno de cabeça. Eu terminei lá dentro, Jane. Ele não sabia de nada. Deixe-me me lavar e nós vamos conseguir. Ele fez uma pausa levantando as sobrancelhas. O quê? O que é? Engolindo em seco, levanto-me tentando evitar que a minha voz treme, não querendo dar a ele muita esperança até que soubéssemos mais. Eu...

Eu encontrei algo. Ele dá um passo à frente, seus olhos se arregalando. O quê? Me diga? Dou de ombras. Pode não ser nada, mas existe um lugar. Eu não tenho certeza exatamente onde, mas comparando com o que eu ouvi do meu povo com os arquivos que deciframos da casa, acho que posso restringir o suficiente para procurá-lo. Mas esse lugar pode ser um caminho para as terras noturnas.

A mão de Petrick tremeu enquanto ele a levava para esfregar a boca com um aceno de cabeça. Eu... eu entendo. Que tipo de lugar é esse? É uma caverna. Chama-se Mistério.

Em que você está pensando? Patrick estava dirigindo e costumava ficar quieto por longos trechos quando estávamos na estrada. Mas esse último período de silêncio foi um recorde até para ele. Ele me lançou um olhar, um leve sorriso cruzando seu rosto enquanto dava de ombros discretamente.

Eu só queria saber qual a probabilidade disso ser mais uma perda de tempo, uma busca inútil. Eu só tenho um pequeno suspiro enquanto a sentia. Eu sei que é frustrante. Os dados que recebemos de Taterchal, mesmo combinados com a sua própria pesquisa e meus contatos, estamos procurando por algo. Minha voz sumiu quando vi seu maxilar se contrair. Diga, estamos procurando algo que talvez nem exista.

Coloquei a mão no braço dele. Não, eu não disse isso. Temo que possa ser verdade, claro, mas eu não acredito de verdade. Sabemos que existem maneiras de entrar nas terras da noite, certo? Jason encontrou um jeito de chegar lá e... Engoli em seco e me forcei a continuar. E Josh encontrou um jeito de passar por Marte.

Ele me olhou nos olhos por um instante. Não precisamos falar sobre isso de novo. Balançando a cabeça, eu continuei. Não, tudo bem. Meu irmão morreu para que aquele monstro pudesse atravessar. É terrível, mas isso também significa que é possível.

E é algo fácil ou comum? Não. A casa passou séculos procurando uma maneira de entrar, e mesmo com seus recursos e acesso a essas coisas que veneram, eles só tinham rumores e teorias, fragmentos de informação que não eram coisas úteis por si só. Patrick assentiu com a cabeça. Você tem razão, claro. Esses últimos meses foram difíceis, mas fizemos progresso. E eu nunca teria chegado tão longe e tão rápido se não fosse por você e sua equipe.

O nosso pessoal podem ser meus fãs, mas cada vez mais te veem como chefe. Eu dei uma risadinha. Principalmente porque tem medo de você, mas mesmo assim... Olhei para ver se ele sorria, mas seu rosto continuava sério, os olhos tristes enquanto estudava a estrada à frente. É que já verificamos cinco rotas que supostamente levavam até aqui, e nenhuma delas deu em nada. Ele fez uma pausa e balançou a cabeça levemente.

Ou pelo menos não pras terras da noite, pra Jason. E cada vez que não encontramos nada, eu sinto que ele tá se afastando mais ainda. Eu olhei pra estrada. Eu sei, mas vamos continuar tentando, certo? E tenho um bom pressentimento sobre essa. Talvez eu esteja enganada, mas acho que as que parecem fáceis demais certamente estão erradas. Certamente estão erradas. Os caminhos verdadeiros são sempre um pouco escondidos, como... com algum mistério no final.

Apontei para a placa que marcava a divisa do condado enquanto passávamos por ela. Além disso, já estamos aqui. Petro que olhou para a placa com ceticismo. Sim, vamos ver o que o condado de Tulset tem a oferecer. Até dois dias atrás, as informações que tínhamos consistiam principalmente em três vertentes distintas. A primeira delas eram os rumores e lendas. Eu havia coletado algumas menções a uma caverna misteriosa na região ao longo dos anos, mas eram poucas.

Nada que, por si só, me levasse a investigá-lo como um fenômeno relacionado a seres extraterrestres, ou algo além de lendas urbanas. É claro que a rede de contatos de Jane, com suas conexões impressionantemente vastas, com tantas fontes de conhecimento oculto e esotérico, conseguiu dar mais credibilidade à ideia de que algo notável estava acontecendo no condado de Tulsa.

Os outros dois fios condutores vieram dos volumes de dados que coletamos da Taterchal. Um deles, que se tornou facilmente acessível assim que a equipe de Jane ultrapassou as criptografias iniciais, consistia em dados coletados que Taterchal havia extraído de bancos de dados nacionais de estatísticas criminais.

Se você soubesse onde procurar, encontraria padrões sutis, porém inconfundíveis. Imperfeições na trama da vida e da morte em diversos lugares do país. Pontos onde havia anomalias para um lado ou para o outro, ou mesmo lacunas onde não deveriam existir. Uma dessas anomalias irradiava do condado de Tusset.

É claro que as variações estatísticas por si só não são tão notáveis. Elas podem ser influenciadas por tantos fatores invisíveis ou desconhecidos que se torna fácil enxergar padrões onde não existem. Ainda assim, foi a forma como esse padrão se manifestou que me chamou a atenção.

Eu havia perguntado a Jane se ela via algo estranho ao olhar para um mapa de 800 quilômetros ao redor do condado de Tusset. Um mapa era codificado por cores com os pontos críticos de desaparecimento não resolvidos e à primeira vista, poderia parecer bastante uniforme em sua falta de uniformidade.

Mais pessoas desapareciam em cidades maiores, é claro, e alguns dos lugares menores apresentavam pouca atividade, incluindo a área ao redor do condado. Observei a sua expressão mudar ligeiramente quando viu algo. Ela realmente era uma jovem inteligente e, além de sua utilidade, havia aprendido a apreciar sua companhia e sua mente perspicaz, bem como sua coragem inabalável.

Embora eu nunca a tivesse convidado para me acompanhar nas poucas caçadas em que participei enquanto procurávamos uma maneira de trazer Jason de volta, ela frequentemente se oferecia e, com o tempo, eu pude perceber que ela se tornaria uma boa caçadora por mérito próprio. — Você consegue ver? — perguntei, já sabendo da resposta. Ela assentiu, apontando para o mapa e traçando com o dedo uma fina linha rosa que desenhava um círculo irregular.

É, é como se... Não há muita coisa perto do lugar onde a caverna misteriosa supostamente fica, mas nos últimos 30 anos, mais ou menos, tenha havido mais desaparecimentos do que o normal por aqui. E não é como se esses outros lugares, concentrados em cidades ou ao longo das rodovias principais, é como um anel, como o condado de Tulcet no centro, e sempre algumas centenas de quilômetros de distância de onde as pessoas estão desaparecendo com mais frequência.

A senti com a cabeça disfarçando um sorriso. E o que isso lhe diz? Jane olhou pra mim de relance e depois voltou a olhar pro mapa com a testa franzida. Alguém tá fazendo isso. Fazendo os números subirem mais do que subiam normalmente. E se essa pessoa está ou fazendo um círculo lento ao redor de toda a região ou...

Ela me encarou novamente. Ou está tentando esconder o que está no centro. Eu havia sorrido para ela naquele momento, mas ao passar pela placa que anunciava a entrada no condado, tentei disfarçar meus pensamentos e emoções. Estava animado com a possibilidade de uma pista viável, mas também nervoso.

Não porque temesse que fosse mais um beco sem saída, mas porque estava cada vez mais convencido de que não era. Eu escondi essa crescente certeza de Jane e não por desconfiança. Eu já havia me conformado com o fato de que estava começando a vê-la menos como uma colega e mais como uma neta substituta. Mas por causa da última pista que eu consegui desvendar na complexa teia de informações de Tattershill apenas uma semana antes.

Era um relato apócrifo de um membro da casa datado de 1893. Segundo ele, havia participado de uma expedição enviada para descobrir possíveis portais para outros reinos, incluindo o lar de seus deuses, a Terra da Noite. Ele acreditava ter encontrado tal lugar, uma caverna mágica que servia como ponto de conexão para muitos outros lugares. Sua exploração do sistema de cavernas, no entanto, foi interrompida pela chegada de uma criatura, um monstro que exigiu algo deles.

um tributo. Foi a palavra usada por ele no relato. Não ficou claro se eles recusaram ou se ofereceram algo insatisfatório, mas, em qualquer caso, a criatura começou a massacrá-los rapidamente. Essa expedição não estava desprovida de recursos ou defesas próprias. Além de armas de fogo e tochas, o líder do grupo era um dos ascendentes mais renomados da casa. Um jovem capaz de se transformar em um ser descrito como algo semelhante a uma grande serpente flamejante.

Quaisquer que fossem suas habilidades, elas não se saíram bem contra a criatura que encontraram naquela caverna, e o ascendente e o autor do relato tentaram escapar pelo mesmo caminho por onde haviam vindo. Quase conseguiram, mas logo na entrada da caverna o pequeno deus da casa foi capturado. E seus ataques finais e desesperados contra o monstro da caverna misteriosa, pouco fizeram para dissuadi-lo de partir a serpente de fogo ao meio, espalhando seu sangue ardente pelas árvores próximas e incendiando-as.

A última sobrevivente do grupo mal conseguiu sair da floresta com vida e não tinha a menor ideia do que poderia ter acontecido com ela depois disso. Teria sido fácil descartar toda a história como os delírios de alguns membros insanos de um culto tentando justificar o seu retorno sozinha, mas isso não me parecia plausível. A casa era insana, mas seus membros não eram necessariamente estúpidos e seu fervor religioso os levar a tratar tudo relacionado aos forasteiros ou às terras da noite como algo sagrado.

Consequentemente, a probabilidade de exageros fantasiosos ou mentiras descaradas era no mínimo reduzida e uma rápida pesquisa na área revelou que, de fato, houve um grande incêndio florestal na época descrita no relato.

Mas embora tudo isso tenha aumentado a minha certeza de que algo notável estava acontecendo na caverna misteriosa, pouco me fez para acalmar minhas preocupações. Se aquilo fosse real, era um lugar de sacrifício e morte controlado por algo que nunca tínhamos encontrado e não compreendíamos. Normalmente, isso seria motivo suficiente para procedermos com calma e cautela. Para moderarmos nossa empolgação com cuidado e planejamento mais dois dias atrás, Jane se deparou com algo novo.

Foi em um fórum online dedicado a pessoas que discutem automutilação e tentativas contra si mesmo. Algumas das postagens eram uma forma distante de aconselhamento para lidar com o luto ou de indicar ajuda às pessoas. Mas outras eram relatos de pessoas descrevendo o que estavam passando ou o quão perto estiveram de tentar contra si mesmas. Uma dessas postagens havia sido escrita por um jovem que disse não conseguir mais conviver consigo mesmo. Não depois de tudo que havia feito.

de todas as pessoas que havia magoado. Através de uma troca de comentários na postagem, foi revelado que seu nome era Tommy Jones, e que ele tinha 24 anos, e que por mais de uma década, ele havia trabalhado com um homem mais velho para ferir pessoas. Quando alguém lhe pedia detalhes sobre onde estava ou o que tinha feito,

Tommy rapidamente se tornava mais taciturno. Era esperto o suficiente para não falar demais para evitar que alguém contatasse as autoridades locais. No entanto, acabou fazendo uma última confissão que foi o que levou os rastreadores de Jane a pegarem a sua correspondência. Tommy garantiu a um comentarista que ele não havia realmente matado ninguém, mas sabia que era uma farsa, uma resposta de merda por causa do que ele havia feito.

Ele os tinha amarrado. Os amarrou e os deixou do lado de fora de um lugar que ele chamava de Caverna Misteriosa. Gente, infelizmente, os posts no Reddit acabam por aqui. Mas eu sei que a história continua nos livros dele. Ele publicou dois livros que são aí do universo dos forasteiros ou outsiders, como ele...

colocou ali no título, né? Eu vou deixar o link desses dois livros na descrição do vídeo. Eu vou dizer pra vocês que por mais que a história no Reddit tenha acabado por aqui, eu gostei muito da experiência, tá? Eu gostei muito desse universo. Eu, como eu disse pra vocês, eu acho o universo dele riquíssimo, entendeu? Tem religião, tem ponto de vista diferente, cada personagem tem a sua própria personalidade, tem a sua história, suas motivações.

A gente vê, assim, que por mais que o Vovô Trinity tenha ali uma gentileza, como todo mundo descreve, né, que ele é uma pessoa gentil, a gente vê, sim, que ele é um típico psicopata de cinema, entendeu? Diferente do Tio Ted, que age simplesmente no improviso, ele é totalmente irresponsável, por assim dizer, ele é aquele tio maneiro, né, aquele tio maneiro cheio de tatuagem e que vai em show de rock, por assim dizer, entendeu?

Mas, enfim, eu estou gostando muito. Eu pretendo trazer outras histórias ali que ele publicou, porque realmente apreciei bastante a escrita dele. E esse foi o vídeo de hoje. Eu espero que vocês tenham gostado. Se você gostou e chegou até aqui, não esquece do like, se inscreve no canal, ativa o sininho e compartilha esse vídeo com aquele seu amigo que adora ouvir histórias de terror. Eu vou ficando por aqui e até a próxima. Fui.