Rita Souto | Please, Take off Your Shoes
No episódio desta semana, recebemos Rita Souto, Diretora de Formação, do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal.
- Gestão de TalentosDificuldade em captar jovens · Desenvolvimento de competências · Transmissão de saber entre gerações · Comunicação e desmistificação de estigmas · Ligação ao artesanato e tecnologia de ponta
- Infraestrutura tecnológica e centrosParceria estratégica com empresas · Assistência técnica, investigação e formação · Catalisador de conexões e ecossistema · Desenvolvimento de competências futuras · Projeto 'Os Chapados' e semente da profissão
- Tecnologia e Inovação em ServiçosTransformação dos postos de trabalho · Desmistificação da substituição homem-máquina · Integração de métodos e tecnologia · Empresas na vanguarda da formação · Learning factories e modelo dual alemão
- Carreira ProfissionalEstimular carreiras profissionais · Progressão na carreira e valor acrescentado · Programas de acompanhamento e mentoring · Mensagens importantes a difundir · Tecnologia inovadora na formação (RV, RA)
- ESG SustentabilidadeComprar bom e comprar pouco · Durabilidade de materiais nobres · Reaproveitamento e tratamento de sapatos
- Sapatos de Trump para aliadosComparação com o 'Schumacher' alemão · Mestre sapate
Bem-vindos a mais um episódio do podcast Please Take Off Your Shoes, um espaço de partilha e de conversa onde procuramos debater o presente e projetar o futuro. O meu nome é Cláudia Pinto e a minha convidada de hoje é diretora de formação do Centro Tecnológico de Calçado. Bem-vinda, Rita. Olá. Obrigada por aceitares este convite. É um prazer. Começamos esta rúbrica bem calçadas, mas também com um par de sapatos que é especial para ti. Sim, senhora. Que história é que estes sapatos contam?
Eu vi estas botas numa sapataria lá perto da minha casa e achei-as um pouco caras. E comentei isto lá em casa dos meus pais e a minha mãe disse Ah não, vais comprar, porque é importante comprar bom.
E então deu-me o dinheiro e eu fui à loja comprar. Mas cheguei lá e já não havia o meu tamanho. Então o senhor disse, ah, não há problema que eu mando vir. E mandou vir no dia da Black Friday. E portanto, ou seja, ficou bastante mais barato. Depois o senhor lhe disse, olha, ainda sobrou os dinheiros. Não, não, fica lá com o dinheiro para ti. Ou seja, comecei logo a ganhar desde o momento que as comprei. E com elas já fiz muita coisa. Já andei por muitos sítios, já caminhei muito.
Já caminhei pela areia, pela neve, pelo asfalto, já tenho muitos quilómetros, muitas histórias de sítios, viagens. E, por isso, assim, são de couro. Elas são de couro por dentro e por fora. Portanto, podes usá-las no inverno, no verão, na primavera, o ano todo. Tens que as pôr cá fora.
cuidar delas. Mas, e engraxá-las de vez em quando. Eu acho que isto é verdadeira sustentabilidade, não é? Há mais de 10 anos as subotas existem e ainda continuam a usar. Por acaso, não trouxe hoje, mas ainda as continuam a usar mais assim ao fim de semana. Não, não vou trabalhar com elas, não, ainda vou ter um processo disciplinar.
mas estou em bom estado. Sim, mas assim o couro está impecável, está mesmo lá está, é couro, é um material nobre, sustentável a sola está um bocadinho mais degradada, mas ela se não funciona
Mas há muito esta ideia, é muito curiosa a expressão dos teus pais, da tua mãe, do comprar bom e do comprar com qualidade, e isso também se refletir no facto de ser um sapato em couro. Acreditas então que esta é a verdadeira sustentabilidade? Claramente, comprar pouco, mas comprar bom. Nos sapatos é difícil comprar pouco, não é? Porque há sempre um par mais bonito que o outro, e depois que vai melhor com uma roupa que a outra, é difícil uma pessoa conter-se.
Mas comprar bom, sempre bom. E eu acho que não me lembra de ter alguma vez deitado um par de sapatos fora, ou dado. Acho que tenho guardado todos. E também é sempre esta possibilidade de reaproveitar e de os tratar, não é?
E depois também tenho uma viajante aos meus armários, muito assídua. De vez em quando as coisas desaparecem. Rita, tu trabalhas há muitos anos na indústria de calçado. Nós falamos muitas vezes quando se fala em indústria, no facto de não sabermos atrair talento, não estarmos a saber atrair esse talento. Tu concordas com isto?
Concordo, é um facto, isso é um facto. Aliás, a dificuldade em captar jovens, em desenvolver competências, em ter alguém para que as gerações mais velhas possam também transmitir o seu saber, isso é um facto. Às vezes pergunto-me como é que isso é possível? Se o calçado é um setor tão incrível e apaixonante e os materiais que utiliza, deveria ser quase uma experiência sensorial trabalhar no calçado.
porque os materiais, é o cheiro, é o toque, é um sator incrível. Como é que não atrai os jovens? Penso que poderá ser um problema de comunicação, talvez. Não é que não se comunique, mas se calhar pode não se...
fazer a comunicação mais correta, no sentido de destruir alguns preconceitos, alguns estigmas que o próprio setor ao longo dos anos foi ganhando, e não só também para os jovens, mas também para as suas famílias, ou seja, será se calhar este o momento ideal para adotar uma comunicação mais incisiva, mais direcionada àquilo que a indústria é hoje.
Por exemplo, na Alemanha, há o Schumacher. O Schumacher é alguém muito conceituado, alguém importante. E nós aqui não temos essa percepção. Esta ligação ao artesanato. Esta ligação, se calhar, muito embora seja a base da nossa indústria, acompanhada com tecnologia de ponta, claramente.
mas se calhar temos alguma resistência em percepcionar isso, e a passar isso para os jovens e para as suas famílias, que eu acho que é muito importante, porque talvez o estigma que o calçado poderá ter hoje, cada vez menos, mas ainda poderá ter, vem também do passado, não é? É uma indústria.
Mas importa aproximar as famílias também, antes de aproximar os jovens? Acho que é um trabalho em conjunto. Isso tem que ser feito desde a escola, ou seja, desde mesmo as idades mais jovens. Não só antes pensávamos que esse trabalho deveria ser feito na altura.
em que os jovens tomam decisões, portanto, ali no ano, se vão para o ensino profissional, se seguem, mas se calhar cada vez mais cedo. E o Centro Tecnológico tem feito esse trabalho, cada vez mais cedo, cada vez fazemos mais atividades com as escolas, com a pré-escola também, que é para pôr de semente. E como todas as plantas põem-se uma semente, tem que se regar e demorar aqui algum tempo.
Mas acreditas que chegando a esta fase da infância, as crianças podem perceber que trabalhar na indústria de calçado pode ser uma profissão no futuro? Isso é importante também estimular as carreiras profissionais na própria indústria.
Os jovens têm que sentir que quando vão para a indústria não ficam só agarrados a uma operação, um posto, um cargo, podem evoluir muito mais, podem depois até estudar mais e o seu valor acrescentado também para as empresas ser cada vez maior. Esta questão da progressão na carreira é uma coisa muito importante que acho que se deveria, se calhar, olhar com outros olhos e estimular isso.
a par de muitas outras coisas, não é? Por exemplo, estou-me agora a lembrar, programas de acompanhamento e mentoring, quando um jovem vai para uma empresa ter ali alguém que depois possa... Um mentor, não é? Um mentor que possa ajudar para que operação, para que posto ele é melhor e ajudá-lo a evoluir e o próprio mentor também.
poder transmitir os seus conhecimentos e as suas competências, ou seja, haver ali uma ligação mentor-mentorado, como ajudar também os mentores a desenvolver-se, a dominar algumas ferramentas, alguns instrumentos para ajudar os jovens, a criar aqui alguma ligação. Há pouco falavas em mensagens. Que mensagens é que achas que são importantes difundir junto dos jovens?
Primeiro, o calçado é um produto incrível e Portugal faz do melhor que há. E levar o produto a uma categoria superior e trabalhar isso cada vez mais. Depois, a questão do processo e da tecnologia. Temos as empresas mais modernas do mundo.
utilizamos tecnologia que ponta, inclusivamente. Portanto, é importante que os jovens e as suas famílias, lá está, entendam isso. O setor não é mais aquilo que já foi no passado, muito bem, mas as coisas evoluíram e está completamente a par da indústria que utiliza a tecnologia mais inovadora.
É um sítio espetacular para se trabalhar, porque temos aqui toda uma carreira que se pode fazer, pessoas que nos acolhem bem, empresários do melhor que há, destinaram o setor...
como ele é hoje, portanto, fizeram um trabalho incrível, uma formação profissional muito e cada vez mais adaptada, utilizando, inclusive, tecnologia inovadora na própria formação, a realidade virtual, a realidade aumentada, como sabes, é o new...
da formação, portanto já não se utilizam aqueles manuais aborrecidos e programas grandes e longos e amassadores. A própria formação profissional também tem mudado. As empresas cada vez mais fazem formação internamente, ou seja, preocupam-se com o upskilling dos seus colaboradores.
É um novo mundo a descobrir, na realidade. Esta tecnologia de que falas também veio transformar os próprios postos de trabalho. Eu acho que existe muito esta ideia de que a inovação vai retirar postos de trabalho, mas o que estamos a falar são de postos de trabalho cada vez mais qualificados. Sim, sim, claro. Imposta também desmistificar esta ideia e fazer este género de comunicação.
Sim, claramente. Isso já se tem feito há alguns anos, lembro-me, desde a introdução dos sistemas de corte automático do Jato Daigo, que já se pensava na altura que poderiam retirar a mão de obra, isso nunca aconteceu. E bem pelo contrário, valorizou a própria mão de obra, ou seja, houve um acompanhamento em termos de formação.
e adaptação dos métodos de trabalho. Ou seja, na realidade, não há uma substituição do homem pela máquina, há, de facto, uma substituição de métodos. E uma integração dos dois. E uma integração dos dois. E, de facto, quem estiver preparado faz as coisas muito melhor, de uma forma muito mais produtiva, com muito mais qualidade e flexibilidade.
Há pouco falavas sobre as mudanças que existem na própria formação. Como é que as próprias empresas se podem posicionar neste campo? O que é que elas podem fazer? Por onde é que devem começar? As empresas poderão ter um papel muito importante em termos de estar à frente da formação. A formação começar nas empresas e acabar nas empresas. Não só serem receptoras de formação e encaixarem-se naquilo que existe.
mas também definir aquilo que se quer fazer. Por exemplo, a nossa experiência no Centro Tecnológico de Calçado, a nossa forma de funcionar está muito formatada para trabalhar nas empresas, com as empresas, como sai lá tudo. É um trabalho de campo. E em termos de formação também, ou seja, o que é que elas precisam, o que é que faz sentido, em termos de evolução, nomeadamente evolução tecnológica.
Quais são as competências que são importantes de desenvolver e trabalhar isso com os profissionais, com os empresários. Portanto, terem um papel muito mais na vanguarda de todo o processo. Liderar o processo. Exatamente. Liderar o processo, fazer parcerias certas com os centros de formação, com os centros tecnológicos.
com centros de investigação, que possam também responder a essas necessidades. Não basta só diagnosticar e ter ali um plano, mas é importante depois executá-lo, implementá-lo da melhor forma, ter as parcerias certas, lá está, com os formadores melhores, para que se consiga realmente...
O objetivo é dar ao menos as competências certas para aquilo que as pessoas estão a fazer e para aquilo que podem vir a fazer também no futuro. Eu costumo dizer, no Centro Tecnológico de Calçado, muito embora estejamos formatados para estar a trabalhar com as empresas e começar tudo com elas, temos a capacidade de nos distanciarmos um pouco.
e percebermos como é que o setor também vai evoluir com certeza e o que é que vai ser necessário desenvolver para estar sempre à frente. Lá está, é preciso sair da ilha para ver a ilha. Sim. Leste livro. Vou ser amado, sim.
E esse é o nosso papel também, perceber por onde é que nós estamos a ir, o papel mobilizador. E aí temos a sorte de conseguirmos estar um pouco também distanciados, sair um pouco da rotina para ajudar as empresas, para acrescentar valor. Nós podemos estar a falar hoje de uma profissão que não existe hoje, aos dias de hoje, mas que pode existir daqui a 5 ou 6 anos. Claramente, até menos, é essa a capacidade.
que nós também temos que ter e temos, porque também fazemos investigação, porque também damos apoio técnico, conhecemos a tecnologia, sabemos para onde é que a inovação está a ir mais ou menos, porque existem sempre surpresas positivas, naturalmente.
e prever quais serão as competências que as empresas vão precisar. E ajudar a valorizar essas competências. Ou seja, mais uma vez, falaste naquela questão da comunicação. É comunicar o que a indústria é hoje, em termos de tecnologia, em termos de sustentabilidade, mas também valorizar as profissões. É o Schumacher que é tão prestigiado na Alemanha.
E não chegamos aí, não é? Quer dizer, o filmmaker é que ainda não tem aquela valorização como profissão que tem noutros sitios. Em Portugal estaríamos a falar de um artesão, por exemplo, chamar-lhe artesão? Não é alguém que sabe tudo sobre o que é.
Um mestre sapateiro. Um mestre sapateiro quase. Sim, mas que também opera com a tecnologia. Porque às vezes quando nós falamos em manualidade, artesanato é muito artesanato. Ou seja, é muito mais ferramentas e equipamentos, sistemas muito pouco integrados ou não integrados. A indústria hoje não é assim, não é?
A indústria são sistemas integrados, controláveis, onde também estão integradas pessoas e o produto é todo um conjunto da tecnologia e da própria manualidade. E sabes que há produtos, especialmente na gama alta...
premium e luxo, que o que vende é manualidade. Não é interessante se foi feito por robôs ou sistemas muito desenvolvidos. Depois o cliente vai perguntar quantas horas de trabalho manual é que este par de sapatos teve? Sim, porque de repente é tudo feito por robôs e o verdadeiro luxo está na mão humana. Está na manualidade, exatamente.
Voltando à formação, o que é que tu achas que falha na formação que atualmente existe? Em termos de quantidade, não falha. De certeza existe imensa formação de quase tudo, de vários formatos. Agora, ela tem que ser muito mais dirigida, tem que ser muito mais adaptada.
e adaptável também em cada momento e ajustável. Basicamente é isso, e cada vez temos mais programas, inclusive financiamentos, ou seja, existem imensas oportunidades para as empresas assisterem à formação. Ela tem que ser de facto ajustável desde o primeiro momento, lá está, tem que ser definida nas empresas, com as empresas.
com os empresários, com os profissionais e com as pessoas que também vão receber essa formação e tem que ser adaptada às necessidades daquele momento e de um futuro próximo que se vislumbra, entretanto, e tem que ser adaptável a cada momento. Penso que será isso que falha às vezes um pouco. Alguma flexibilidade, programas um pouco longos demais. Hoje em dia...
Somos muito imediatistas, não é? Quer dizer, as coisas têm que ser resolvidas agora e porque... Formar uma pessoa num curto espaço de tempo. Exatamente. Isso é possível. Com a tecnologia correta, com os métodos corretos, se nós identificarmos exatamente o que é que tem que ser, as competências exatas que têm que ser desenvolvidas, o ponto de partida do colaborador ou do operador e aonde quer chegar...
conseguimos catalisar o desenvolvimento das competências. A formação também não é propriamente a solução para todos os problemas. E cada vez mais a tecnologia tem que estar já adaptada, e os processos e os métodos.
têm que estar desenhados a quem os vai utilizar, a quem vai operar, por exemplo, nomeadamente a tecnologia. As coisas já têm que estar adaptadas. Não podemos esperar que seja a formação que vai solucionar o problema. Vai ajudar. Vai catalisar cada vez mais, e cada vez mais, os métodos formativos que vamos utilizando, as ferramentas.
como já disse, realidade virtual, realidade aumentada, inteligência artificial, tudo, cada vez mais são catalisadores, facilitadores da formação. E valoriza-se cada vez mais o trabalho interior de cada pessoa. E é por isso que a formação tem que estar dirigida, personalizada, customizada.
A cada pessoa. Ou a empresa. É assim? Não, a empresa claramente, e inclusive ao ponto da pessoa. Portanto, deverá ser personalizada inclusive. Isso é possível fazer. Temos vindo a trabalhar em metodologias a esse nível e penso que será esse o futuro da formação, cooperação e dar o protagonismo devido às empresas neste processo. Achas que falta dar esse protagonismo às empresas? Acho que falta.
Existem algumas empresas que começam a ter as suas academias, o que é excelente, porque depois cada empresa, cada tecnologia, cada produto, cada processo, tem os seus, não diria segredos, não gosto de falar nisso, quem fala em cooperação e particularidades.
E as empresas são as primeiras a chegar à tecnologia, são as primeiras a chegar aos meios. E é uma questão também de utilização ou de maximização dos recursos. Se eles têm a tecnologia lá, se eles têm as pessoas lá, se têm pessoas até inclusive mais velhas, ou seja, esta questão da intergeracionalidade, são recursos que têm que ser utilizados.
Rita, tu representas Portugal em muitos projetos europeus. Daquilo que observas internacionalmente, há alguma boa prática que tenhas trazido para Portugal ou que tenhas tentado implementar? Esta questão das learning factories, não é? Já deu para ver que sou aficionada. Acho que sim, acho que isto é uma boa prática. Já temos vindo a ver muitas empresas noutros países, noutras geografias que utilizam esta prática. Isto também acaba por vir de uma...
Enfim, já viste, provavelmente, falar do modelo dual alemão, que provavelmente até pode não se encaixar completamente no nosso país, na nossa indústria, mas há ali algumas práticas que se podem tirar. Mas estamos a falar de aprendizagem, desculpa. Na aprendizagem, depois de trabalho, exatamente. Ou seja, o modelo dual usa muito o comprometimento total da empresa para com o processo formativo.
mas também as alianças com os centros de formação e com os centros tecnológicos, os centros de investigação, ou seja, no fundo acaba por ser todo um trabalho em rede em que o foco é muito, formação muito prática, formação dentro da empresa.
Lá está, uma carreira que começa a desenhar-se desde o momento em que o jovem, neste caso, entra na empresa para a formação, muitas vezes nem se quer e ainda está empregado. Penso que será uma boa prática, muito embora não se possa pegar nela e aplicar, mas retirar ali algum substrato, sim. Isso poderá ser uma referência e de facto é.
Agora, o que eu penso que é importante é, no fundo, ouvir, é cooperar, é contar as nossas histórias, é ouvir as histórias também deles e tentar adaptar àquilo que nós temos. Nós estamos a falar muito, até agora, de formação que é realizada ou pensada à medida da empresa e das pessoas de cada empresa. Para um jovem que sai, por exemplo, de um secundário e que quer entrar na universidade, e que quer entrar na universidade, que quer entrar na universidade,
e que quer trabalhar na indústria de calçado, este caminho é um caminho simples ou faltam opções para este jovem? Não, existem muitas opções. Existe a opção do ensino profissional, por exemplo.
em que, inclusive o catálogo nacional de qualificações, ou seja, as profissões e as qualificações, têm vindo a ser revistas, e estão cada vez mais em linha com o que a indústria é hoje e o que poderá vir a ser no futuro próximo. Existe também um ensino regular, que o leva até ao 12º ano, por exemplo, e escolher uma área.
de estudo, e para a universidade poder inclusivamente recuar e fazer um curso de Estespação Tecnológica, ou seja, existem muitas opções, não só num sentido, pode-se ir para a frente, pode-se ir para trás. Mas este público-alvo é também importante reter, portanto é algo que também está nos vossos planos, enquanto centro tecnológico. Sim, claramente, sim, sim.
Até porque na indústria do calçado os processos são cada vez mais evoluídos, o nível de qualificação está a aumentar, tem-se vindo a fazer um esforço notável em termos de qualificação, em termos do upskilling das próprias pessoas que estão...
a trabalhar neste momento, e o reskilling também, outras pessoas que vêm de outros setores, inclusive, claramente, existe lugar para todos, costumo dizer, é como uma equipa de rabe, existe para os mais altos, para os mais baixos, para os mais gordos, existe para toda a gente um lugar desse que as pessoas realmente tenham talento e gostem do setor. Muitas vezes, o gostar não é imediato, portanto, há uma coisa que...
Por exemplo, comigo funcionou que quando vim trabalhar para o setor de calçado, não vim para o setor de calçado. Fui para uma empresa, que era uma empresa de referência, e isso é que me atraiu propriamente. E depois era uma empresa de calçado, e portanto aí eu caí na malha, na teia, e quis ficar, porque realmente é um setor incrível. Que conselho é que darias a uma empresa?
que quer apostar na formação? Por onde é que essa empresa deve começar? Contactar os parceiros certos, claramente. O CEDES Tecnológico. Pode ser o CEDES Tecnológico ao Sá. Existem outros parceiros. Aliás, uma coisa que nós somos, lá está, somos também um parceiro e somos catalisadores de conexões. Trabalhamos com todos, trabalhamos com universidades, com centros de formação, com centros de investigação.
com empresas que desenvolvem tecnologia. Nós trabalhamos com todos. E aquilo que não sabemos fazer diretamente, sabemos quem faz bem. E funcionamos lá está como... Um ecossistema, não é? Um ecossistema, exatamente. Um cluster.
Pronto, eu acho que devem contactar um de nós e estaremos lá para os ouvir. Curiosamente, colando um bocadinho nessa tua resposta, a minha próxima pergunta era exatamente qual é que é o papel, ou como é que vês o papel do centro tecnológico junto da indústria.
O Centro Clássico Calçado é um pilar fundamental no desenvolvimento da indústria. Tem mostrado isso durante estes anos, décadas. É um parceiro estratégico de vários níveis, não é? Desde a parte da assistência técnica, desde a investigação, desde a formação, a consultadoria. Trabalhamos em várias frentes, sempre com o objetivo de tornar as empresas mais competitivas.
É um parceiro e um catalisador de conexões com outros players.
Olhando um bocadinho também, há pouco falavas sobre a questão da infância e mesmo quase do infantário. Como é que olhas para o roteiro do conhecimento, para o projeto? É pôr a semente e regá-la com amor, com carinho. Como se fazem os chapados? Os chapados.
Nas camadas mais jovens. É um excelente projeto. Merece todo o nosso apoio. Rita, se pudesses deixar estes sapatos à porta do futuro, que legado é que gostavas que eles deixassem?
Caminho feito. Acho que fiz muito caminho com elas. Mesmo quando estava sentada. Acho que sim. Porque também caminhamos com imaginação, não é? Sim. Tem muitos quilômetros, tem muitas histórias. E continuam impecáveis, já viste. O couro é incrível, não é? É mesmo sensável. Para produzir safados. Olha, se pudesse, tinha exposto na nave.
Agora foi ao lado oculto da lua, eles iam fazer uma viagem mais à altura delas. Obrigada, Rita. Obrigada por nos acompanhar em mais um episódio do podcast. Please take all your shoes. Até à próxima.