Os SEGREDOS descobertos eram muito PIORES que os assassinatos | Hinterkaifeck
Um dos casos mais assustadores e inexplicáveis da história… o massacre de Hinterkaifeck. Em 1922, uma família inteira foi brutalmente assassinada em uma fazenda isolada na Alemanha. Mas o mais perturbador não foi apenas o crime — e sim o que aconteceu depois. Pegadas na neve que não voltavam. Sons estranhos no sótão dias antes. E evidências de que alguém permaneceu na casa após os assassinatos. Neste vídeo, você vai conhecer todos os detalhes do caso de Hinterkaifeck murders, um dos mistérios mais sombrios e não resolvidos.
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- O Massacre de HinterkaifeckA família Gruber · A fazenda e suas entradas · Eventos pré-massacre · A descoberta dos corpos · Autópsia e brutalidade do crime · Investigação policial inicial · Segredos e abusos na família Gruber · O desaparecimento do dinheiro de Vitória
- Teorias e Suspeitos do CasoTeoria do serial killer Paul Miller · Teoria dos irmãos Anton e Adolf Gump · Teoria de Carl Gabriel · Teoria de Lawrence Slittenbauer · Teoria de Andreas Gruber como assassino · Reabertura do caso em 2007
- O Legado do Caso HinterkaifeckDemolição da fazenda · Destruição de evidências · Mistério insolúvel
Seis pessoas mortas, mais de cem suspeitos e nenhum culpado até hoje. Mas o que vai te deixar perturbado com esse caso não é o número de vítimas. É o que aconteceu depois dos assassinatos e o que foi descoberto pela polícia.
E o mais bizarro é que mais de 100 anos depois, esse caso permanece um mistério sombrio até os dias de hoje. Coloque seus fones de ouvido, pegue sua bebida, porque hoje nós temos mais um caso sinistro.
Ritterkaifeck era uma pequena fazenda no interior da Bavária, no sul da Alemanha. Uma fazenda cercada de bosques, no meio do mato, longe das cidades e longe das pessoas. O tipo de lugar que, quando você vê uma foto, você acha bonito. Mas, quando você sabe o que acontecia dentro daquelas paredes, a beleza vai embora.
A fazenda pertencia à família Gruber, mas para entender essa história do começo, a gente precisa voltar um pouquinho no tempo. Em 1860, uma mulher chamada Casília adquiriu a propriedade. Ela foi a primeira dona da fazenda. Não muito tempo depois disso, o marido dela faleceu por causas naturais, e ela acabou se casando com um dos funcionários da própria fazenda, um homem chamado Andreas Gruber.
E a partir desse momento, o sobrenome Gruber passou a marcar essa história de um jeito que você não vai esquecer. Em 1880, Andreas e Casília tiveram uma filha chamada Vitória. Vitória cresceu naquela fazenda, rodeada de bosques e de um silêncio que mais tarde se tornaria abominável.
Antes da Primeira Guerra Mundial, Vitória conheceu e se casou com um homem chamado Carl Gabriel. E os dois tiveram uma filha. Essa filha foi batizada de Casilha, em homenagem à avó. E como nesse caso temos duas pessoas com o mesmo nome, eu vou chamar a avó de Senhora Casilha e a neta de Casilha Neta, pra não confundirmos as pessoas, beleza?
Bom, entre 1914 e 1918, a Primeira Guerra Mundial estava acontecendo, e Carl Gabriel foi convocado para servir. E, de acordo com os registros da época, ele acabou não voltando da guerra. Mas vamos voltar nesse ponto mais tarde, porque tem uma teoria muito importante envolvendo essa parte da história.
Depois da guerra, em 1920, Vitória deu à luz a um menino chamado Joseph. E aqui começa um dos pontos centrais de toda essa história. Ninguém sabia quem era o pai de Joseph. E eu digo ninguém no sentido de que ninguém admitia saber. Porque os rumores que corriam na cidade eram bem perturbadores.
Mas antes de chegarmos nisso, vamos entender como era a estrutura da fazenda, porque isso vai ser importante quando a gente chegar na parte da investigação. A fazenda de Hinterkaife, que era praticamente uma construção integrada, no térreo você tinha a casa principal, com os quartos, a sala, a cozinha, enfim.
Essa casa era ligada diretamente ao estábulo, onde ficavam os animais. E o estábulo era ligado ao celeiro. E o celeiro era ligado à garagem. E separado, mas conectado por fora, tinha a casa de máquinas, onde ficava o motor principal que mecanizava tudo o que era possível na fazenda.
Na parte de cima, você tinha o sótão, e esse sótão tinha acesso por uma escada que ficava entre a entrada da casa principal e a saída do estábulo. Ou seja, para subir para o sótão, você precisava ou entrar pela casa, ou fazer um caminho mais longo pela garagem, passando por todo o celeiro e pelo estábulo.
Só que o que a polícia descobriu mais tarde é que havia uma terceira entrada para o sótão, uma entrada secreta, uma corda que ia do sótão até o térreo, numa abertura mais escondida, que permitia entrar e sair sem passar pelos lugares principais da propriedade.
E a pergunta que ficou sem resposta até hoje é A família sabia dessa entrada? Agora, guarda tudo isso, porque essas informações vão fazer muito sentido lá na frente. Em 1922, a família Gruber era composta por seis pessoas.
Andrés Gruber, de 63 anos, a senhora Casília, a avó, de 72 anos, Vitória, a filha deles, de 35 anos, Casília Neta, de 7 anos e Joseph, o bebê, filho da Vitória, de apenas 2 anos.
E a partir de 31 de março daquele ano, mais uma pessoa se juntou à casa. Maria Balgartner, de 44 anos, que chegou para trabalhar como empregada doméstica. Era o primeiro dia dela na fazenda. Mas antes de chegar no massacre em si, eu preciso te contar o que estava acontecendo nas semanas que antecederam o massacre. Porque as coisas já estavam estranhas havia um tempo.
A família, principalmente o Andres, tinha começado a perceber coisas fora do normal ao redor da propriedade. Pessoas desconhecidas aparecendo nas proximidades da fazenda, não só passando como fazendeiros e viajantes normalmente faziam. Essas pessoas paravam e ficavam observando.
Andres dizia que essas pessoas ficavam tempo demais olhando de longe para a fazenda. No dia 30 de março de 1922, Andres viu algo que o deixou ainda mais alarmado. Ele viu pegadas que saíam da floresta e iam direto até a casa de máquinas. E eram pegadas só de ida. Não tinha nenhum rastro de que a pessoa tinha saído.
Ele foi verificar, vasculhou a casa de máquinas, entrou no celeiro, mas não achou absolutamente ninguém. Nenhum sinal de pessoa ou algum animal que pudesse ter feito aquilo. Não achou nada. Na noite do dia 30, tanto Andreas quanto Vitória foram até a cidade de Gartin. E foi nessa viagem que Vitória mencionou que, nas noites anteriores, ela tinha escutado barulhos no sótão.
como se houvesse algo se mexendo lá em cima. Quando eles voltaram para casa, o Andres foi verificar o sótão. E, de novo, nada. Estava vazio. E tem outro detalhe. Durante a ida de Vitória e Andres para a cidade, eles encontraram um jornal de Munique no caminho, perto da propriedade.
O Andres perguntou ao carteiro se ele havia deixado cair aquele jornal. Mas o carteiro disse que não, que ninguém na região assinava o jornal de Munique. Ou seja, aquele jornal não deveria estar ali. Só que Andres não foi à polícia relatar nada disso. E ele tinha um motivo muito específico.
Um motivo que eu vou te contar em breve, porque ele é uma peça fundamental para entender quem essa família realmente era. Dia 1º de abril de 1922, uma sexta-feira. Casilha Neta não apareceu na escola.
Mas isso não era uma novidade, porque a menina ficava doente com bastante frequência e faltava bastante. Então ninguém achou estranho naquele momento. Nesse mesmo dia, dois homens foram entregar café na fazenda. A família Gruber recebia encomendas todas as quartas e sextas-feiras. E era parte da rotina.
Os homens chegaram, bateram na porta, chamaram pelos nomes e nada, silêncio total. Eles olharam pelas janelas, mas não viram ninguém e foram embora. Uma testemunha disse que, passando pela estrada próxima da fazenda naquela noite, viu fumaça saindo de uma das chaminés e sentiu um cheiro muito forte de trapos velhos sendo queimados.
Intrigado, ele começou a se aproximar da fazenda. Só que quando ele chegou mais perto, um homem apareceu no escuro, carregando uma lanterna muito forte. Esse homem mirou a luz diretamente nos olhos dessa testemunha. Essa pessoa se sentiu intimidada, quase cega pela luz da lanterna. Então abaixou a cabeça e foi embora com medo. E, convenhamos que qualquer um ficaria, né?
Dia 3 de abril era um domingo, dia de missa na igreja local, e a família Gruber não compareceu. Isso foi o que realmente começou a preocupar as pessoas, porque Vitória era extremamente devota.
Ela fazia parte do coral da igreja. Ela não faltava por nada. E quando alguém da família precisava faltar, por algum motivo, sempre avisavam. Sempre mandavam recado. Mas, estranhamente, naquela semana, não houve nenhum aviso, nenhum recado, nada.
Dia 4 de abril, segunda-feira. Casilha Neta novamente falta à aula. Naquele mesmo dia, um homem chamado Albert Hoffner, que era reparador de máquinas de uma cidade próxima, chegou à fazenda às nove da manhã.
Ele tinha combinado com Andreas de consertar o motor. Ele bateu na porta e nada. Chamou pelos nomes, olhou pelas janelas, não havia ninguém na casa. Exceto o cachorro da família, que estava amarrado próximo à porta da entrada principal da casa. E um detalhe importante é que os Gruber sempre deixavam o cachorro amarrado naquele exato lugar quando toda a família saía.
Era a rotina deles. O cachorro preso naquele lugar sinalizava que não havia ninguém em casa. Albert Hoffner esperou, ficou ali por horas, mas ninguém chegou. Então ele decidiu começar o trabalho por conta própria. Ele arrombou a fechadura da casa de máquinas, consertou o motor e lá pelas 14h30 ele foi embora e parou na fazenda vizinha mais próxima de um homem chamado Lawrence Slittenbauer.
Albert pediu para que o Lorenz avisasse Andres de que ele tinha feito reparo no motor. O Lorenz achou a situação muito estranha, então ele mandou dois filhos até a fazenda dos Grubers para checar se havia alguém. Eles foram, mas voltaram sem notícias. Disseram que não havia ninguém, mas que os animais estavam visivelmente estressados e agitados, incomodados com alguma coisa, porém bem alimentados.
Se não tinha ninguém em casa por dias, quem estava alimentando os animais? Esse detalhe vai ser muito importante. Lawrence decidiu que precisava ir pessoalmente verificar o que estava acontecendo. Então ele chamou dois vizinhos, o Jacob Segal e Michael Poe. E os três foram juntos de carroça até a fazenda dos Grubers.
Os filhos do Lawrence foram junto, mas ele os mandou ficar dentro da carroça e não sair por nada. Ao chegarem na propriedade, os três homens encontraram a porta da garagem aberta. Entraram e tentaram acessar o celeiro, que tinha conexão com o resto da casa.
Mas a porta do celeiro estava bloqueada por dentro, com um pedaço de madeira. Os três tiveram que unir forças para derrubar aquela porta. E quando conseguiram, o Lawrence entrou sozinho no celeiro, enquanto os outros dois ficaram no pátio. O celeiro estava escuro, tinha feno espalhado pelo chão.
Lawrence começou a andar, verificar e olhar ao redor. E então ele sentiu algo no seu pé. E quando ele olhou para baixo, viu uma mão humana. Lawrence começou a remover o feno rapidamente e encontrou o corpo de Vitória.
Logo atrás, o corpo de Andreas. Ele continuou removendo o feno e encontrou também os corpos da senhora Casilha e de Casilha Neta. Quatro corpos empilhados, uns sobre os outros, cobertos de feno. Os outros dois homens foram verificar o quintal enquanto Lawrence passou pelo estábulo. Chegou até a sala de jantar e abriu a porta principal da casa. Em seu depoimento...
Lawrence mencionou que a chave da porta principal estava na fechadura, sendo que dias antes, o Andrés tinha dito a ele que havia perdido aquela chave e não encontrava por nada. Dentro da casa, eles encontraram mais dois corpos. Joseph, o bebê de dois anos, estava no berço no quarto de Vitória. E Maria Balgartner, a empregada.
Ela estava deitada de bruços no chão do próprio quarto, lembrando que era o primeiro dia de trabalho dela na fazenda. Seis corpos, seis vítimas e nenhuma delas havia sido enterrada ou escondida. O médico legista Johann Batiste Almiller chegou na fazenda para realizar as autópsias. Ele improvisou uma mesa no próprio celeiro e começou o trabalho.
E o que ele encontrou foi um nível de brutalidade que, mesmo décadas depois, é difícil de descrever com frieza. Andreas Gruber levou um único golpe de enxada no rosto. Um único golpe fatal, forte o suficiente para esmagar completamente a maçã do rosto e perfurar uma artéria. Ele morreu ali mesmo, na hora, por perda de sangue. Casilha, a avó, foi estrangulada primeiro.
E depois recebeu sete golpes de inchada na cabeça e no rosto. Vitória, de 35 anos, também foi estrangulada. E então levou nove golpes de inchada na cabeça. Ela ficou completamente irreconhecível. E esse detalhe da Vitória ter recebido um número maior de golpes vai ser muito relevante quando a gente falar sobre os suspeitos.
Maria Balgartner, a empregada, foi espancada várias vezes com a enxada. E Joseph, o bebê, levou um único golpe no crânio e morreu instantaneamente. E a casilha neta, de sete anos, levou um golpe de enxada que esmagou o crânio e teve o pescoço cortado. Mas ela não morreu imediatamente. A menina agonizou por quatro horas.
E nessas quatro horas, o assassino tentou estuprá-la. A autópsia indicou que a tentativa não foi consumada, mas havia evidência de que tentaram. Segundo o legista, a casilha neta ficou com tanto medo em seus momentos finais, que mesmo com o pescoço cortado e o rosto desfigurado, ela arrancou tufos do próprio cabelo.
provavelmente enquanto o assassino tentava violentá-la. Depois de terminar as autópsias, o médico legista fez algo inimaginável. Mas precisamos lembrar que esse massacre aconteceu em 1922. Os tempos eram outros, então, enfim.
O legista removeu as cabeças das seis vítimas e as mandou para uma clarividente, esperando que ela pudesse se comunicar com os espíritos da família Gruber e ajudar a resolver o caso. Óbvio que isso não deu resultado nenhum. E quando a polícia percebeu que essa abordagem não ia funcionar, eles colocaram as cabeças em formol e mantiveram preservadas por muitos anos, com a intenção de tê-las disponíveis para quando o culpado fosse a julgamento.
Só que esse julgamento nunca aconteceu. Quando a polícia chegou no dia 4 de abril, a fazenda já estava uma completa bagunça. Os filhos do Lorenzo, que foram de carroça até a cidade mais próxima para buscar o prefeito, contaram para todo mundo o que tinham visto. A notícia do crime se espalhou absurdamente rápido.
Em poucos dias, pessoas de cidades vizinhas estavam pegando o trem para ir até a Hinterkaifeck, na fazenda da família Gruber, para simplesmente matar a curiosidade. E essas pessoas mexeram em tudo que não deveriam. Moveram objetos, tocaram nos corpos, contaminaram toda a cena do crime.
Boatos foram espalhados, do tipo Ah, eu vi um homem correndo pela cidade gritando que tinha matado a família Gruber e depois sumiu na floresta. Eram coisas inventadas, mas que só atrapalharam a investigação. A polícia mandou todo mundo embora, mas a cena já estava comprometida. Mas eles mantiveram o Lauren para coletar o depoimento dele.
O investigador principal do caso era George Heingruber, que veio de Munique especialmente para liderar a investigação. Ao longo do processo, mais de 100 pessoas foram entrevistadas. E apesar de todo esse esforço, o caso permaneceu sem solução.
Durante a investigação, a polícia encontrou algumas coisas importantes dentro da fazenda. No celeiro, havia uma área que parecia uma cama improvisada feita de palha. Junto, havia restos de comida e fezes humanas. E o que isso significa é bem óbvio. Alguém estava vivendo ali, dormindo e comendo ao lado dos corpos.
E não só isso, os animais da fazenda estavam bem alimentados. Ou seja, após o massacre, alguém manteve a rotina da fazenda. Alimentou o gado, cuidou dos bichos, acendeu a lareira, como se tentasse não levantar suspeitas de que havia algo de errado na propriedade. Lembram da entrada secreta para o Soto que eu mencionei anteriormente, lá no início do vídeo?
Bom, a polícia descobriu essa entrada no dia 6 de abril. Uma corda que ia do sótão até o térreo por uma abertura mais escondida. Uma porta secreta que pouquíssimas pessoas saberiam que existia. Eles também testaram se era possível escutar gritos do celeiro estando na sala de estar. E não dava. Eles gritaram alto e não foi possível ouvir nada estando na sala de jantar.
A teoria que a polícia levantou é que o assassino atraiu as vítimas para dentro do celeiro uma por uma. E como os gritos não eram audíveis na casa principal, ninguém conseguiu pedir socorro. Outra coisa curiosa que eles encontraram. Alguém havia arrancado a última folha do calendário da parede, deixando o mês parado no dia 1º de abril.
E também um jornal novo estava exatamente no lugar onde Andrias sempre colocava os jornais quando eles chegavam. Tudo indicava que alguém que conheceu os hábitos dessa família muito bem havia cometido o crime. Uma última coisa relevante da investigação.
A polícia registrou a falta de comida no estoque como evidência. Só que o Lawrence, depois que os corpos foram encontrados, começou a distribuir comida aos curiosos que estavam na fazenda. E até a própria polícia aceitou e comeu essa comida. Então, a comida que também era uma evidência importante, foi completamente comprometida.
Quando a polícia começou a entrevistar as pessoas da cidade, as coisas que vieram à tona foram além do massacre em si. Vieram à tona décadas de segredos, crimes e horrores que aconteciam dentro daquela fazenda. A princípio, as pessoas falavam coisas mais superficiais, que a família era fechada, antipática e reservada, que não eram de sorrisos, que não se misturavam muito com os vizinhos.
Mas quem conhecia a família de verdade começou a contar coisas bem mais pesadas. A senhora Casilha e Andrias tiveram mais filhos além de Vitória. E o que acontecia com esses filhos quando eles faziam algo errado, quando eram malcriados, era absurdo.
Eles eram trancados por dias, sem comida e com água suja, em um cômodo escuro. Infelizmente, esses filhos não sobreviveram, morreram desnutridos. A Vitória foi a única que sobreviveu a essas maldades. E quem contou isso para algumas pessoas da cidade foi o Carl Gabriel, ex-marido da Vitória, antes de ir para a guerra. Mas isso nem é o pior.
O Andres estuprava a Vitória desde que ela tinha 16 anos, uma relação totalmente incestuosa. Em 1915, ele chegou a ser preso por isso, mas ficou pouquíssimo tempo atrás das grades. E esse é um dos motivos pelo qual o Andres nunca contou as situações estranhas que estavam acontecendo na fazenda para a polícia.
Ele havia brigado com os policiais na época em que foi preso e disse que nunca mais ia recorrer à polícia para nada. Uma mulher chamada Kresnes Meyer trabalhou como empregada e morou na fazenda durante um ano antes do massacre. Ela disse que precisou sair porque o ambiente era insuportável. Ela não aguentou o que via, os abusos, as agressões, mas o que mais a perturbava era escutar algo se mexendo no sótão de noite.
e frequentemente alguém mexendo na maçaneta do seu quarto, tentando entrar. A Vitória chegou a contar para o Lawrence, o vizinho, sobre os abusos do pai. Ela disse que ele havia tentado abusar dela antes dos 16, mas não tinha conseguido. E ela desconfiava fortemente que o pai dela era o pai de Joseph.
Muitas pessoas da cidade sabiam e repudiavam a família Gruber por isso. Tem mais coisas que aconteceram antes do massacre que são muito relevantes. Duas semanas antes do crime, alguém depositou 700 marcos no cofre da igreja local.
E a única pessoa naquela congregação com condições financeiras de fazer isso era Vitória. Quando o padre foi falar com ela, ela confirmou e disse que havia fechado todas as suas contas bancárias, sacado tudo e guardado o dinheiro em casa. Depois do massacre, 100 mil marcos sumiram do cofre pessoal de Vitória.
Mas as joias caras e os ouros que estavam na casa não sumiram. Só o dinheiro dela. Por conta disso, a polícia descartou a teoria de roubo. Porque, se fosse um ladrão, ele teria levado tudo. Não faria sentido deixar peças de ouro e joias e pegar só o dinheiro.
E tem mais. Uma amiga de infância de Casilha Neta, já adulta, revelou em entrevistas anos depois que, na manhã do dia 30 de março, que foi o último dia que ela foi para a escola, Casilha Neta chegou na escola exausta, com medo, completamente abalada. Na noite anterior, ela havia fugido para a floresta por causa de uma briga violenta entre Andres e Vitória.
Ela ficou na floresta a noite toda e só foi encontrada de manhã. Agora vamos falar das teorias e dos suspeitos. Porque ao longo de mais de um século, muitos foram apontados como suspeitos do crime. E cada teoria tem seus pontos fortes e suas falhas.
A primeira teoria. Tem um livro chamado O Homem do Trem, que levanta a teoria de que o massacre de Hinterkaifeck foi obra de um serial killer americano chamado Paul Miller. Ele teria fugido dos Estados Unidos por volta de 1912 e cruzado o Atlântico. Só que essa teoria tem falhas muito grandes.
Primeiro, o assassino de Hinterkaifeck ficou na fazenda durante dias, alimentou os animais, manteve a rotina da fazenda. Paul Miller era do tipo que matava e fugia o mais rápido possível antes da polícia chegar. Não tinha nenhum crime documentado dele em que ele tivesse ficado no local por dias.
Segundo, é que o assassino de Hinterkaifeck conhecia a rotina da família. Sabia onde o cachorro ficava, sabia onde Andres guardava os jornais, sabia como entrar e sair sem ser visto. Um homem estranho de fora não teria esse nível de conhecimento.
Terceiro é que o cachorro da família era de guarda e ele não atacou o invasor, o que significa que o invasor era alguém familiar, alguém que o cachorro conhecia. Então essa teoria do serial killer foi descartada. A segunda teoria. Em 1940, uma mulher entrou no confessionário de uma igreja e deixou um bilhete dizendo que os irmãos dela haviam matado a família Gruber.
Os irmãos em questão eram Anton e Adolf Gump. Havia rumores de que Adolf tinha um caso com Vitória e que já tinha matado três pessoas antes. Ele foi investigado em 1922, mas já havia morrido quando o caso voltou a ser investigado em 1951.
Anton foi detido para a investigação, mas foi solto por falta de provas. Essa teoria nunca foi totalmente descartada, mas também nunca teve evidências sólidas o suficiente para acusá-los. A terceira teoria. Carl Gabriel, o marido de Vitória e pai de casilha neta, foi convocado para a Primeira Guerra Mundial e declarado morto. Só que tem um detalhe. Não havia evidências concretas da morte dele.
Naquele período, era relativamente comum os registros de óbito virem errados. Soldados que estavam em estado grave eram dados como mortos e depois reapareciam. E como a comunicação era muito lenta, às vezes a pessoa simplesmente pegava um trem e aparecia em casa de surpresa, porque uma carta demorava muito mais para chegar.
Alguns soldados da Primeira Guerra afirmaram tê-lo visto mais tarde, vestido com roupas russas, servindo ao exército russo. A teoria seria que Karl sobreviveu à guerra, descobriu o que Andres havia feito com Vitória, soube que Joseph possivelmente era filho do Andres e voltou com raiva para se vingar. Mas essa teoria é bem problemática por dois motivos.
Um é que nunca provaram que o Cal realmente estava vivo. E dois, por que ele tentaria estuprar a própria filha? Até mesmo porque haviam rumores de que Cal planejava se divorciar da Vitória. Então essa teoria de vingança não faz muito sentido. Quarta teoria, o Lawrence, o vizinho. Ele foi o primeiro a entrar no celeiro e encontrou os corpos.
Lawrence era próximo da família, conhecia bem a rotina deles. Sabia onde ficavam as coisas, como a casa funcionava, os hábitos do Andreas. Ele foi o primeiro a chegar na cena do crime e o primeiro a mexer nas coisas. E há quem diga que ele trouxe os outros dois homens apenas para ter um álibi, para que houvesse testemunhas de que ele havia chegado e encontrado os corpos.
E a história entre Lawrence e os Grubers é muito mais complicada. Lawrence era viúvo. A esposa dele havia morrido de câncer em 1918. E aí começa o vínculo com Victoria. Segundo o próprio Lawrence, Victoria teria dado em cima dele antes disso, quando ele ainda era casado. Mas ele recusou. Só que tempos depois da morte da esposa, os dois começaram um relacionamento.
Vitória passou a falar em casamento e Lawrence começou a considerar. Mas então, Vitória pareceu grávida e Lawrence não tinha certeza se Joseph era seu filho ou do Andreas. Ele recusou assumir a criança nessas condições. E foi ele quem denunciou o Andreas à polícia por incesto. Isso gerou um conflito enorme entre as famílias. Vitória pediu pensão alimentícia a ele e a briga durou meses.
E a relação entre as duas famílias ficou abalada. Depois de um tempo, Lawrence reconsiderou, chegou a pedir formalmente a mão de Vitória ao Andreas. Mas ele impôs uma condição, de que o Andreas nunca mais poderia tocar nela. E a resposta de Andreas foi debochar de Lawrence.
E óbvio que isso o deixou furioso. E no dia 26 de março de 1922, poucos dias antes do massacre, a filha mais nova de Lawrence morreu de coqueluche. Muitos acreditam que isso foi a gota d'água para ele.
E tem mais um detalhe que torna o Lawrence o suspeito perfeito do massacre. Alguns anos depois do crime, num pub, uma conversa surgiu sobre as pegadas misteriosas que iam até a casa de máquinas e não tinha pegadas de volta.
E Lawrence respondeu algo como, porque eu andei de ré, você vai até lá e volta de ré pra floresta pra confundir o inimigo. As pessoas que estavam com ele olharam assustadas, mas ele se corrigiu na mesma hora falando tipo, ah, eu falei como se eu fosse o assassino, né? Não que eu tenha feito isso.
Só que Lawrence também sabia de muitos detalhes específicos sobre o caso, detalhes que nem a polícia havia divulgado publicamente, como os possíveis buracos que haviam começado a ser cavados no celeiro, como se alguém estivesse tentando enterrar os corpos antes de desistir.
Sem falar que ele tinha dinheiro, tinha influência. Muita gente acredita que ele comprou o silêncio de várias pessoas. Mas a polícia acabou descartando o Lawrence como suspeito principal por duas razões. A primeira é que ele havia sido afetado por gás mostarda durante a guerra, o que deixou seus pulmões comprometidos e sua saúde fragilizada.
A teoria era de que ele não teria condições físicas para cometer aquele massacre com aquele nível de brutalidade. E a segunda razão é que, após o massacre, ele perdeu toda a influência e o poder econômico que tinha. Muitas pessoas acreditavam que ele era culpado e pararam de fazer negócios com ele. Então, temos a quinta teoria, que é a mais coerente e perturbadora de todas.
A teoria é de que o assassino foi o próprio Andreas Gruber. Sim, ele estava entre os mortos. O corpo dele foi encontrado no celeiro junto com os outros. Mas, de acordo com essa teoria, Andreas não foi a primeira vítima, e sim a última.
Nas semanas antes do crime, Vitória estava sacando todo o dinheiro das suas contas bancárias. Ela fechou as contas, tirou tudo e guardou em casa. Porque, segundo essa teoria, ela estava planejando fugir. Ela queria ir morar com Lawrence depois que ele a pediu em casamento. Ela queria uma vida longe de Andreas, longe da fazenda, longe daquele inferno.
E talvez Lawrence, depois da morte da filha mais nova por Coqueluche, tenha pressionado Vitória para que isso acontecesse logo, para que eles se casassem o quanto antes. Mas Andres descobriu o plano e não aceitou.
Na noite de 29 de março, dentro do celeiro, Andres confrontou Vitória. Eles tiveram uma briga violenta. A mesma que Casilha Neta viu e que a fez fugir correndo para a floresta. Então, de acordo com essa teoria, o Andres e a Vitória brigaram novamente na noite do dia 30. E foi nessa briga que o Andres matou a Vitória.
E a casilha neta, ao presenciar toda aquela briga que estava bem violenta, fugiu para a floresta com medo. E só retornou para casa no dia seguinte. Depois que a Vitória demorou a voltar para dentro de casa, a senhora casilha foi ver o que estava acontecendo. Então ela entrou no celeiro e encontrou Vitória morta. E o Andrés a matou também.
Na manhã seguinte, Casilha Neta voltou da floresta. E quando a menina entrou no celeiro, foi morta pelo avô e suposto pai. Essa teoria explicaria por que Vitória levou mais golpes do que todos os outros. Porque ela era o alvo principal. Era ela que o Andreas não queria perder.
Depois disso, Andres ficou na fazenda, manteve a rotina, alimentou os animais, prendeu o cachorro no lugar certo, guardou o jornal no lugar onde sempre guardava, arrancou a última folha do calendário e quando a empregada chegou no dia 31, ele a matou também porque ela seria uma testemunha. E Joseph, de dois anos, morreu porque Andres não tinha certeza se ele era seu filho ou de Lawrence.
Isso explicaria o cachorro não ter atacado, porque Andres era o dono dele. Isso explicaria como ele sabia de cada detalhe da rotina da casa. E também explicaria a entrada secreta pelo sótão, que ele provavelmente conhecia. E isso também explicaria a tentativa de estupro à casilha neta. Um homem que abusou da própria filha por décadas, que deixou filhos morrerem de fome, que espancou mulheres.
Não seria estranho se ele tentasse violentar a própria neta enquanto ela ainda estava viva agonizando. A questão então é, quem matou Andrias? Segundo essa teoria, foi o Lawrence. No dia 31 de março, Lawrence foi até a fazenda para falar com Vitória. E encontrou aquela cena dentro do celeiro.
Furioso, ele pegou a enxada e matou o Andreas. Depois disso, ele cobriu todos os corpos com feno. Pegou as armas do crime, a enxada e o canivete, e as escondeu no sótão, e saiu pela entrada secreta. E no dia 4 de abril, ele voltou à fazenda para descobrir os corpos com testemunhas ao lado para ter um álibi.
Isso explicaria por que Lauren sabia dos buracos no celeiro, por que ele sabia das pegadas e da entrada pela floresta, por que ele tinha informações que não deveriam ser públicas. E também explicaria por que a polícia nunca conseguiu fechar o caso contra ele.
Porque se essa teoria estiver certa, Lawrence matou um homem que havia acabado de assassinar cinco pessoas, incluindo duas crianças. Um homem que abusou de mulheres a vida inteira, que deixou filhos morrerem em cativeiro. Em 2007, o caso foi reaberto.
E uma investigação utilizando técnicas mais modernas foi feita, com o objetivo de verificar se seria possível solucionar o crime com a tecnologia atual. Os investigadores concluíram que, devido ao longo tempo transcorrido, a perda de evidências físicas e a precariedade das investigações originais de 1922 tornou impossível solucionar definitivamente o crime.
A análise sugeriu que o crime foi cometido por um único homem, permitindo que os investigadores descartassem algumas teorias que envolviam vários cúmplices. Apesar de não ser possível uma condenação, eles identificaram um principal suspeito, que já era considerado suspeito na época dos crimes.
Mas esse suspeito principal não teve a identidade revelada publicamente por respeito aos seus descendentes. Esse caso nunca foi resolvido oficialmente. Mais de 100 anos depois, nenhuma condenação, nenhum nome confirmado. A fazenda foi demolida em 1923, quando os parentes que assumiram a propriedade não queriam manter aquele lugar.
Foi durante a demolição que encontraram escondidas a enxada usada no crime, coberta de sangue e cabelos humanos. E junto com ela, no sótão, um canivete pequeno. Os documentos do caso, incluindo as cabeças preservadas, foram destruídos no bombardeio de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Junto com eles, qualquer chance de análise mais moderna das evidências.
O que sobrou foi o mistério e as histórias das pessoas que morreram brutalmente naquela fazenda em março de 1922. O massacre de Hinterkaifeck permanece até hoje como um dos casos mais perturbadores da história criminal alemã. Não só pela brutalidade, mas pelo que ele revela sobre os terrores que podem acontecer dentro de uma família.
Muito obrigada por apoiar o Criminal e Sobrenatural e até o próximo Caso Sinistro.
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
Magalu
Promoção de volta ao tamanho gigante do Brasil