Eles Arrombaram a Porta e Descobriram Algo Pior que a Morte | Mansão LaLaurie
Delphine LaLaurie: O Monstro da Mansão LaLaurie em Nova Orleans. A Mansão LaLaurie no Bairro Francês de Nova Orleans, é famosa por ser o lugar mais assombrado da cidade. Neste vídeo, exploramos a vida e os crimes de Marie Delphine Macarty, a Madame LaLaurie. Vamos analisar como uma mulher rica e influente escapou da justiça após cometer atrocidades indescritíveis no sótão de sua mansão.
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- Mansão LaLaurie e Delphine LaLaurieA vida e crimes de Marie Delphine Macarty · A história da mansão e suas atrocidades · O contexto social e a escravidão em Nova Orleans · A Revolução Haitiana e o medo dos proprietários de escravos · O incêndio da mansão e a descoberta dos horrores
- As atrocidades descobertas no sótãoPessoas acorrentadas às paredes · Olhos costurados e membros quebrados · Homem com corpo cirurgicamente alterado · Implorando pela morte
- Crime da escravidãoA descoberta pela manhã do incêndio · O testemunho sobre outras pessoas presas
- Impunidade e CondenacoesFuga em carruagem após o incêndio · Nunca levada à justiça
- A história da Mansão LaLaurie e seus fantasmasA casa assombrada no Bairro Francês · A dualidade da mansão: riqueza e dor · Relatos de assombrações e eventos estranhos
- Reconhecimento de crime contra humanidade - escravidãoQueda de Leah do telhado e a reação de Delphine · Acusação de crueldade ilegal contra os LaLaurie · A punição de vender os escravizados · Delphine comprando os escravizados de volta
- Aparência de normalidade e fofocas sobre a Mansão LaLaurieFestas luxuosas e fama de anfitriã gentil · Mortes de escravizados na propriedade · Investigação inicial do advogado
- Contexto social e familiarOrigem rica e influente de Delphine · A sociedade de Nova Orleans baseada em privilégio e escravidão · O medo da revolta de escravizados
- Casamentos e heranças de Delphine LaLaurieCasamentos anteriores e morte dos maridos · Casamento com Dr. Leonard Louis Nicolas Lalaurie · Construção da mansão com riqueza herdada
10 de abril de 1834, bombeiros arrombam a porta de uma mansão em chamas em Nova Orleans. Lá dentro, encontram uma mulher escravizada acorrentada a um fogão. Ela estava ali há meses e diz que há outras pessoas lá em cima, num quarto trancado. Então, eles vão até lá.
E o que eles encontram lá em cima é tão horrível que o jornal do dia seguinte descreveria como o espetáculo mais terrível que já tiveram o azar de presenciar. Pessoas acorrentadas às paredes.
olhos costurados, membros deliberadamente quebrados e recolocados em formas antinaturais. Um homem cujo corpo foi cirurgicamente alterado contra sua vontade. A maioria deles ainda viva, alguns implorando pela morte. E a mulher responsável?
Bom, ela saiu pela porta da frente naquela noite, entrou em sua carruagem, desapareceu e nunca foi levada à justiça pelos seus crimes. E a casa? Essa aguarda até hoje a alma daqueles que ali padeceram. Bem-vindos ao Criminal e Sobrenatural. Eu sou a Kim Siqueira. Verifique se você está seguindo o podcast para receber notificação de novos episódios.
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Agora, coloque seus fones de ouvido ou aumente o volume da sua TV, pegue sua bebida, porque hoje nós temos mais um caso sinistro. Nova Orleans é conhecida pelo jazz, pela comida e pelos festivais.
Mas, se você conhece um pouco dessa cidade, sabe que ela também carrega algo a mais. Um passado sombrio e assustador. Há uma mansão na Rua Royal, no bairro francês. De três andares, janelas venezianas elegantes, com uma linda sacada que circunda a casa.
O tipo de casa que dá vontade de parar para tirar uma foto. Mas os moradores locais atravessam a rua para evitá-la. Os guias turísticos desafiam seus clientes a passar por baixo da marquise, enquanto eles próprios permanecem longe.
Porque esse edifício sempre teve duas faces. Na superfície, riqueza, glamour, festas luxuosas, a nata da sociedade de Nova Orleans, regada a champanhe e luz de velas. E por baixo de tudo isso, algo que ainda não desapareceu completamente. Essa é a história da mansão Lalaurie, e da mulher que a transformou em uma casa de dor e sofrimento.
Para entender o que aconteceu naquela casa, é preciso começar pela mulher que a construiu. Mary Delphine McCarty nasceu em 19 de março de 1787, em Nova Orleans. Ela era uma de cinco filhos, nascida em uma família branca rica e influente.
Sua família estava no topo da hierarquia social. Seu tio era governador. Seu primo era prefeito de Nova Orleans. Era uma família que sabia exatamente qual era o seu lugar no mundo. E esse lugar era construído sobre privilégio e poder.
Delfine cresceu cercada por uma visão de mundo muito específica. A ideia de que a sociedade tinha apenas duas camadas e que isso não era apenas normal, mas natural. A Nova Orleans, do início do século XIX, foi construída sobre essa ideia. A escravidão não era apenas um fato do cotidiano, era o motor que impulsionava tudo.
A riqueza, as festas, as belas mansões, as intermináveis visitas sociais, tudo isso funcionava com base no sofrimento humano que a lei, a igreja e a comunidade tratavam como invisível. E havia algo mais acontecendo naquela época. Em 1791, pessoas escravizadas no Haiti iniciaram uma revolução e venceram.
o que ficou conhecido como a Revolução Haitiana. Para as famílias brancas proprietárias de escravizados em todo o sul, isso provocou ondas de medo real e pessoal. E se isso acontecesse aqui? E se seus próprios escravizados se revoltassem? O próprio tio de Delfine havia sido morto por pessoas escravizadas em 1771. Esse medo estava presente na família. E a resposta a esse medo não foi a bondade. E...
Os donos de escravizados se tornaram mais cruéis e controladores. As punições se tornaram mais severas. Óbvio que nada disso justifica o que Delfini fez. Nada justifica. Mas isso mostra o lado do mundo que a criou. Um mundo onde as pessoas que ela torturaria não eram consideradas humanas pela lei, por seus vizinhos ou por qualquer pessoa ao seu redor com poder para impedi-la.
Delfine casou-se duas vezes antes de se tornar a pessoa de quem estamos falando hoje. Ambos os maridos morreram, deixando-a com cinco filhos e uma quantia considerável de dinheiro. Então, em 1825, ela se casou novamente com um médico francês chamado Dr. Leonard Louis Nicolas Lalaurie. E daí que vem o sobrenome.
Juntos, eles tiveram uma filha em 1831, e com a riqueza da família e mais duas heranças, Delfine encomendou uma magnífica mansão de dois andares no número 1140 da Rua Royal, com dependências para escravizados anexas. O Dr. LaLaurie, segundo a maioria dos relatos, teve participação mínima na construção dessa mansão. Essa era a casa de Delfine, o orgulho dela.
A título de curiosidade, a Lalaurie e a Marie Lavoe, que eu já fiz vídeo aqui no canal, eu vou deixar aí no card, ambas moravam no mesmo bairro e no mesmo período, mas não existem registros históricos que comprovem qualquer interação entre elas.
apesar de cada uma ser poderosa e influente em seus respectivos círculos sociais. No início da década de 1830, a Mansão La Laurie era o lugar mais badalado de Nova Orleans. Delfine dava festas luxuosas. Ela era descrita como charmosa, elegante, a anfitriã perfeita. Tinha até fama de ser gentil com seus trabalhadores escravizados.
E as pessoas acreditavam nisso. Iam à sua casa, comiam sua comida, dançavam em seu salão de baile e não viam nada de errado. Mas as fofocas sempre circulam, mesmo em meio à alta sociedade. Entre 1830 e 1834, 12 pessoas escravizadas foram mortas na propriedade La Lauri. E nenhuma delas teve a causa de morte oficialmente registrada.
Entre os mortos estava uma mulher chamada Bonnie, que trabalhava como cozinheira e zeladora, e seus quatro filhos pequenos, a Juliette, Florence, Julius e Leontine, sendo que Leontine tinha apenas dois anos de idade quando faleceu.
Mesmo em uma cidade onde a vida de pessoas escravizadas era considerada legalmente menos importante, 12 mortos em 4 anos em um mesmo endereço não passaram completamente despercebidos. Um advogado foi enviado à mansão para relembrar o Slalari de suas obrigações legais como proprietários de escravos. Ele visitou a propriedade, caminhou por lá e não viu nada fora do comum.
E simplesmente foi embora. Não apresentou nenhum relatório. Ou Delfine era extraordinariamente cuidadosa, ou as pessoas que tinham o poder de impedi-la. Simplesmente não queriam investigar muito a fundo. Afinal, eram só escravizados, né? Mas uma pessoa estava prestando mais atenção.
Uma vizinha testemunhou algo que não conseguia explicar. Ela viu uma menina escravizada cair do telhado da mansão Lalaurie, e do alto, olhando para baixo, estava Delfine, com um chicote na mão. Alguns relatos dizem que a menina tinha 12 anos, outros 8.
Acredita-se que seu nome era Leah. Infelizmente, a Leah não sobreviveu e foi enterrada nos fundos da propriedade. E ninguém foi responsabilizado por isso. Mais tarde, a escritora inglesa Harriet Martineau visitou Nova Orleans em 1836 e coletou relatos de pessoas que conheceram Slalari pessoalmente.
Ela registrou que os escravizados de Delfine pareciam visivelmente mais abatidos e miseráveis do que os de outros senhores de escravos que ela havia encontrado. E esse é um detalhe importante, porque o parâmetro de comparação que ela usava já era algo que hoje reconheceríamos como horrível, e os escravizados de Delfine se destacavam ainda mais.
A morte de Leah acabou desencadeando uma investigação formal, e um tribunal considerou os Lalauri culpados de crueldade ilegal, de acordo com o Código Civil da Louisiana de 1825. E a punição? Bom, não houve prisão e muito menos acusações criminais. O juiz determinou que os Lalauri vendessem nove de seus escravizados. Ou seja, vendam esses escravizados aí e assunto encerrado.
Mas Delfine, obviamente, não aceitaria perder seus brinquedos tão facilmente. Ela deu dinheiro a um de seus parentes e pediu para que comprasse aquelas nove pessoas e devolvesse cada uma delas.
Ela usou a própria brecha da lei para enviar aquelas nove pessoas de volta ao pesadelo da qual pensavam ter escapado. No fatídico dia 10 de abril de 1834, a mansão Lalauri estava em chamas.
Essa casa, que era o centro da alta sociedade da cidade, estava se transformando em um inferno flamejante. Os bombeiros chegaram rapidamente, mas os donos da casa, a família Lalaurie, se recusaram a deixá-los entrar. Simplesmente ficaram parados, sem entregar as chaves aos bombeiros. Consegue imaginar a cena? A sua mansão está pegando fogo e você está mais preocupado em manter as portas trancadas do que em salvar sua propriedade?
Isso dizia tudo. Eles estavam escondendo alguma coisa. Quando os bombeiros e a polícia invadiram a mansão em chamas, a primeira coisa que encontraram foi uma mulher escravizada acorrentada pelo tornozelo ao fogão da cozinha. Ela estava lá havia meses e confessou que havia iniciado um incêndio, que essa era sua única opção.
que preferia queimar a passar mais um dia naquela situação. Ela também contou sobre os outros escravizados que estavam presos no sótão, em um quarto que permanecia trancado. Ela disse que as pessoas que eram levadas para o último andar nunca mais voltavam.
Ela atiou fogo porque preferia morrer queimada a ser levada para o sótão. Os homens subiram e o que encontraram naquela sala foi descrito em registros históricos, documentos judiciais e reportagens de jornais.
E eu quero ser muito cautelosa aqui porque há limites para o que eu vou descrever. Mas eu quero que vocês entendam toda a gravidade do que estava lá dentro. Naquele sótão quente, escuro e imundo, havia uma dúzia de pessoas acorrentadas e algemadas paredes. E o que fizeram com seus corpos não foi raiva, não foi perda de controle.
Foi premeditado, foi cirúrgico. Havia uma mulher suspensa pelo pescoço, içada apenas o suficiente para que seus pés mal tocassem o chão. Ela não estava morta, estava pendurada viva, em cima de uma poça de sangue. Havia pessoas cujos olhos haviam sido arrancados ou costurados. Uma mulher havia sido mantida em uma pequena gaiola de cachorro.
Seus membros haviam sido quebrados e reimplantados de modo que ela jamais pudesse se mover normalmente. Os registros históricos a descrevem como tendo a aparência de um caranguejo. E a situação piora ainda mais.
Outra mulher teve a pele cortada em forma de espiral em várias partes do corpo. Ela também teve membros decepcionados. Havia um homem que foi forçado a passar por uma cirurgia doentia para mudar seus órgãos genitais contra sua vontade.
Não eram ferimentos de espancamento, eram operações realizadas com instrumentos e sem nenhum tipo de anestesia. Algumas pessoas estavam acorrentadas de maneiras que não faziam o menor sentido.
Seus braços eram puxados e esticados com tanta força pelas correntes pesadas que suas articulações e músculos estavam se deslocando. Era a tortura física da pior espécie. E no canto da sala, o cadáver esquelético de um homem com a boca costurada.
Ele morreu lentamente de fome, enquanto festas luxuosas aconteciam no andar de baixo. A crueldade naquela sala não tinha limites. A maioria dessas pessoas ainda estava viva quando os bombeiros entraram. Alguns imploraram aos socorristas que os deixassem morrer, que os libertassem daquilo em que ainda estavam presos.
O jornal New Orleans Bee noticiou na manhã seguinte que essas pessoas haviam sido mantidas vivas apenas para prolongar seu sofrimento e fazê-las experimentar toda a crueldade mais refinada que podia infligir.
Crueldade refinada. Esse foi o termo usado pelo jornal. Essa não era uma pessoa que perdeu o controle, era alguém que planejava, alguém que mantinha registros mentais do que havia sido feito e do que fazer em seguida. E essa pessoa tinha um marido médico com conhecimento na área da saúde que estava naquela casa, naquelas festas, dormindo sob aquele teto.
E que muito provavelmente participava dessas crueldades. Quando um juiz chegou na cena do crime e confrontou o Dr. Lalauri, ele simplesmente respondeu que as pessoas deveriam ficar em casa, em vez de se intrometerem na vida alheia. Ele estava lá, era médico, e é tão culpado quanto o Delfine. A notícia do que foi encontrado naquele quarto trancado se espalhou por Nova Orleans.
Na manhã de 11 de abril, uma multidão furiosa se reuniu em frente à mansão e a destruíram. O edifício, que escondeu tanta maldade por trás de suas belas paredes, havia desaparecido. Mas os de La Lauri também já haviam partido.
Seu último trabalhador escravizado, um cocheiro chamado Bastien, recebeu ordens para ajudá-los a escapar. Testemunhas dizem que Delfine entrou na carruagem de forma tranquila e calma, como se acreditasse não ter feito nada de errado. Eles fugiram para Nova York enquanto o incêndio ainda acontecia. Em seguida, pegaram um barco para Paris. Quando Bastien retornou sozinho com a carruagem, a multidão o aguardava.
Algumas fontes dizem que a multidão enfurecida tirou a vida dos cavalos, o que não faz o menor sentido matar os animais que não tinham nada a ver. Porém, estamos falando de uma sociedade que achava normal maltratar pessoas escravizadas. Então, não me espanta que isso tenha realmente acontecido.
Dois dos sobreviventes morreram em decorrência dos ferimentos nos dias seguintes ao incêndio. Os outros foram transferidos para uma prisão local para protegê-los. Mais de 4 mil pessoas foram até lá para vê-los, não para encará-los com crueldade, mas para confirmar a crueldade que estava acontecendo naquela casa, no centro de uma das cidades mais importantes do país, por anos, sem que ninguém soubesse.
Quanto ao que foi descoberto posteriormente, durante as escavações, os investigadores encontraram os restos mortais de, pelo menos, duas pessoas ali sepultadas. Uma delas acredita-se ser a Lia, a menina que caiu do telhado, talvez com oito anos de idade, cujo único erro foi tocar nos cabelos da patroa enquanto espenteava.
Após o incêndio, a mansão foi destruída pela multidão furiosa, como eu disse anteriormente. O que foi construído no local depois de 1838 e o que existe hoje foi erguido sobre o mesmo terreno. Um terceiro andar foi adicionado. Tudo parecia diferente, claro, limpo e novo.
Mas não se pode reconstruir o lugar como se fosse uma tela em branco, não depois do que aconteceu ali. O edifício funcionou como uma escola para meninas afro-americanas no final do século XIX, o que é muito controverso.
E as professoras começaram a notar coisas estranhas. As meninas chegavam com hematomas recentes nos braços, marcas que não estavam lá no dia anterior. As professoras perguntavam quem tinha feito aquilo, e todas as meninas davam a mesma resposta, foi aquela senhora, apontando para uma mulher que ninguém mais conseguia ver.
Todas as meninas diziam a mesma coisa. Foi aquela senhora. Em 1894, depois que a casa foi convertida em apartamentos, um inquilino foi encontrado morto em um dos quartos. A polícia suspeitou inicialmente de roubo, mas nada havia sido levado. Um amigo da vítima contou aos investigadores que, durante as semanas que antecederam sua morte, o homem estava se deteriorando.
Ele falava sobre espíritos em seu quarto. Depois sobre um demônio que o queria morto. Esse homem parou de comer, parou de dormir. Andava pelos corredores à noite, procurando em cada canto por algo que acreditava estar vindo atrás dele.
Ele emagreceu, ficou pálido e com os olhos fundos. E então um dia ele estava morto, naquele quarto, e não havia nenhuma explicação para aquilo. A casa passou por vários proprietários. Foi uma hospedagem, propriedade privada e por um curto...
período, a mansão pertenceu ao ator Nicolas Cage. Durante todo esse tempo, uma coisa permaneceu constante, a altíssima rotatividade de funcionários. Os empregados simplesmente abandonavam o trabalho, sem muita explicação.
Simplesmente, iam embora. Em 2019, uma mulher conseguiu um emprego como governanta nessa mansão. Ela era recém-chegada a Nova Orleans e não conhecia bem a cidade. Se conhecesse, talvez tivesse pensado duas vezes antes de aceitar o emprego. Ela começou a trabalhar, indo de cômodo em cômodo, percorrendo os andares um por um. E em algum momento, ela sentiu um cheiro.
A princípio, pensou que viesse de fora, das ruas ou do rio próximo. Então, fechou as janelas. Mas o cheiro ficou mais forte. Era adocicado e podre, como se fosse carne estragada. Ela comentou com seu gerente e ele disse para ela apenas ignorar.
Então o cheiro mudou, ficou mais forte, de algo queimando. Ela seguiu o cheiro tentando encontrar a origem, mas toda vez que se aproximava, ele desaparecia, como tivesse se movido. Então ela começou a ouvir gritos, curtos, agudos e repentinos.
Ela olhava pela janela todas as vezes e via as pessoas seguindo com suas rotinas normalmente. Ninguém estava correndo, ninguém reagindo, nada. Até que uma noite ela ouviu uma voz de uma mulher gritando, volte aqui, e o som de passos pesados no andar de cima. Ela correu para a escada e olhou para cima.
Não tinha nada lá. Ninguém. Mas bem no canto do olho, ela viu algo cair da janela, seguido de um som de correntes pesadas se arrastando. Ela seguiu o barulho pelo corredor, virou uma esquina e no final do corredor havia uma figura alta, uma silhueta contra a luz.
Ela chamou, mas a figura não disse nada. Só levantou um braço e no seu pulso havia uma corrente, balançando lentamente no ar. A mulher apavorada deixou os produtos de limpeza e saiu do prédio para nunca mais voltar. Quando contou aos amigos o que havia acontecido, eles não ficaram chocados. Porque conheciam Nova Orleans e eles conheciam aquela casa.
Simplesmente disseram, claro, você estava na mansão Lalaurie. Delfine Lalaurie fugiu para Paris. Acredita-se que ela tenha morrido lá em 1849, aos 62 anos. O doutor Lalaurie morreu em Havana. Quanto ao enterro de Delfine, alguns registros dizem que ela foi sepultada no cemitério de Saint-Louis, em Nova Orleans.
Outros dizem que seu corpo foi exumado após o enterro e o rastro se perde a partir daí. Algumas pessoas acreditam que seus filhos a levaram secretamente de volta para a cidade e a enterraram em uma cova sem identificação, que nunca foi encontrada.
A pergunta que não quer calar é, Delfine foi a única responsável? O advogado que visitou a mansão e não viu nada porque não queria ver. Os tribunais que a consideraram culpada e permitiram que ela comprasse os escravizados de volta. Os convidados que frequentavam as festas sem fazer perguntas. O marido e médico que estava naquela casa e disse a um juiz que aquilo não era da sua conta.
O sistema que classificou as pessoas daquela casa como objetos em vez de pessoas. Todos tiveram sua parcela de culpa. Eu espero de verdade que aquele incêndio tenha libertado as pessoas que sofreram naquela casa.
Que, quando elas morreram, finalmente encontraram algum tipo de paz, mesmo que nunca tenham obtido justiça de verdade em vida. Mas, se seus espíritos ainda permanecem dentro daquelas paredes, talvez tenham todo o direito de ficar. E merecem ser lembrados. Porque você pode construir novas paredes, mas um lugar se lembra.
Ele sempre se lembra da verdade, mesmo quando as pessoas se esforçam ao máximo para esquecê-la. E se você passar pela Rua Royal número 1140 e algo dentro de você disser para atravessar para o outro lado, então atravesse. A mansão hoje é uma residência particular e não é aberta a visitações.
Mas, e se te convidassem para passar uma noite dentro daquelas paredes? Você aceitaria? Comenta aí pra mim. Verifique se já está seguindo o podcast e se avaliou o programa com cinco estrelas. Considere se tornar um apoiador por cinco ou dez reais por mês para ter acesso a casos exclusivos e ter seu nome citado aqui nos episódios do Criminal e Sobrenatural.
Meus agradecimentos a Arissa Beatriz, Ana Raíssa, Gardene Araújo, Bruna Assis e Wagner Melo, nossos apoiadores pelo Apoia-se. Muito obrigada por assistir e até o próximo Caso Sinistro.