DR. ANTONIO FAGNANI - DENTISTA ESPECIALISTA EM SONO - #066
Sabia que existe uma conexão entre odontologia e qualidade do sono? O Dr. Antônio Fagnani é especialista nos dois e vai explicar como a respiração e a anatomia bucal são as chaves para tratar apneia e ronco, além dos distúrbios noturnos que impactam diretamente o coração.Para entender como melhorar a noite de sono, o funcionamento dos aparelhos intraorais e como preparar o quarto ideal para o seu descanso, você tem que conferir com a gente. Bora? 💬✅ Se inscreva no canal: youtube.com/@vocacaopodcast📷 Siga nosso Instagram: instagram.com/vocacaopodcast#vocacaopodcast #aracatuba #sono #ronco #insonia
- Distúrbios Respiratórios do SonoDefinição e sintomas · Impacto cardiovascular · Tratamentos: CPAP e aparelhos intraorais · Prevenção da apneia · Relação com obesidade
- Super Sapiens e Higiene do SonoRegularidade de horários · Importância da ausência de luz · Temperatura e umidade do quarto · Silêncio e ausência de ruídos · Colchão e travesseiro adequados
- Conexão Odontologia e SonoImportância da respiração e anatomia bucal · Tratamento de apneia e ronco · Distúrbios noturnos e saúde cardíaca · Aparelhos intraorais para sono · Preparação do quarto ideal para o descanso
- Lidar com a insóniaDificuldade em iniciar ou manter o sono · Consequências da privação do sono · Não há 'banco de horas' de sono
- Qualidade do SonoNecessidade de sono por idade · Cronotipo (matutino, vespertino, intermediário) · Dormidor curto vs. dormidor longo · Impacto da privação de sono comparado ao álcool
- Divorcio e RelacionamentosRonco como precursor da apneia · Impacto do ronco no parceiro · Dormir em quartos separados
- Impacto da cafeína no sonoMeia-vida da cafeína · Antagonismo com a adenosina · Recomendação de horário de consumo · Difer
Olá pessoal, graças e paz. Obrigado a você que está mais uma vez com a gente aqui no Vocação Podcast. Esse que é o trabalho, o podcast que nós temos trabalhado para trazer conversas importantes, relevantes para você. A gente quer sair daqui com o intuito de que nós ensinamos algo, que nós contribuímos algo.
Aprendemos algo juntos. Aprendemos algo juntos com quem está nos assistindo aqui. Esse é o nosso principal objetivo, tá? E a gente quer agradecer demais a você que está acompanhando a gente aí nas redes sociais, você que segue a gente. Se você está acompanhando a gente pela primeira vez, se inscreva aqui no YouTube, tá? Ativa o sininho, porque ativar o sininho é muito importante. Quando você se inscreve, geralmente esse sininho vem desativado, tá?
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Cara, muito libertadora, hein? Pra mim, então? É, muito libertadora. Fala de sono, cara. Eu acho que vai ser muito importante. Eu tô aqui com o São Paulino Antônio Fagnani, filho. Mas já começa assim, cara. Doutor, brincadeiras à parte, obrigado por ter aceitado fazer esse bate-papo com a gente. É uma honra ter o senhor aqui, tá? No Vocação Podcast.
Guilherme, Hélio, eu que agradeço a oportunidade de estar aqui. Eu acho que é uma grande oportunidade de a gente, como profissional de saúde, cumprir um papel extremamente importante, que é o de educador em saúde também. De compartilhar aquele privilégio que nós tivemos na vida.
de poder estudar, de poder estar em contato com algumas informações que são tão importantes e a gente pode estar compartilhando isso com o maior número de pessoas possível para que isso reverta melhor qualidade de vida e melhores condições de saúde a todos. E o Vocação Codcast fica muito feliz de poder também ser um microfone aberto para vocês profissionais. A conversa nem começou ainda, mas já quero deixar esse microfone à disposição do senhor.
Sempre que precisar, com equipe multidisciplinar, nós estamos à disposição aqui.
Você sabe que, olha, brincadeiras à parte, mas a gente é que nem Jesus. Você levanta a mão, a gente já pega o braço e nós vamos puxando, hein?
Não pode, pode dar uma abertura. Estaremos juntos. Obrigado, doutor. Bom, vamos falar um pouquinho sobre a atuação do senhor, porque o senhor é formado em odontologia. O senhor é um dentista, mas o senhor trabalha com sono. Caramba, parece que não está muito relacionado um dentista com sono, né? Como é que é essa relação? Conta pra nós.
É diferente, né? Mas, na verdade, hoje nós temos catalogados mais de 100 tipos de distúrbios de sono. E é só que, vamos dizer assim, os dois maiores, ou melhor, os três maiores distúrbios do sono que mais afetam a população...
É a apneia obstrutiva do sono, que é uma pequena parada respiratória, ou uma dificuldade respiratória que a gente tem durante o sono. A própria insônia, que é a dificuldade de você entrar no sono ou acordar no meio da noite e ter dificuldade em retomar o sono. E o mais comum que está abrangendo muito, principalmente as novas gerações, que é a tal da privação do sono. O que é essa privação do sono? É você dormir menos do que você precisa. Que aí passa por umas questões culturais e tal.
Então, assim, a apneia obstrutiva do sono, como ela envolve a questão respiratória, e até como eu estava conversando com vocês um pouquinho em off, né? A boca, ela faz parte da via aérea superior, ou seja, ela participa ativamente do nosso processo de respiração.
que vamos dizer, é o nosso principal vetor de vida. A gente pode ficar, ah, mas eu preciso comer. Você fica uma semana sem se alimentar, mas você não fica três minutos sem respirar para você manter a vida. Então, a nossa respiração é o nosso principal vetor de vida. E quando eu tenho problemas respiratórios, fatalmente, de alguma forma, a boca vai estar envolvida.
E ninguém melhor do que o dentista reconhecer isso e ter ferramentas terapêuticas para conseguir contribuir para que o paciente possa ter uma respiração melhor. De dia e principalmente durante o sono também. E a gente sempre faz essa provocação para entender um pouquinho do profissional. Mas assim, quando é que o senhor falou assim, quero cuidar do sono, quero entrar nessa área do sono, qual foi o gatilho para isso começar?
Guilherme, você sabe que na vida a gente às vezes vai passando por situações que marcam muita gente, que despertam a gente por um olhar diferente. Eu sempre tive muita afinidade por fisiologia, por entender. Eu acho que a máquina humana é a coisa mais perfeita do mundo, na minha concepção pelo menos. É muito lindo ver o funcionamento, entender o funcionamento do corpo.
Então, depois que eu me formei, poucos anos depois, eu fui estudar homeopatia, que é uma outra filosofia da medicina também, que valoriza muito essa questão funcional. Depois fui estudar ortopedia funcional dos maxilares, que é um nome estranho, mas é uma especialidade da odontologia que trabalha desde a criança até no adulto. Com o quê? Com normalizar o crescimento das estruturas bucais.
também para caber os dentes na boca, mas não é só por isso. Na ortopedia funcional dos maxilares, nosso principal foco é ver a criança, ver o adolescente, ver o adulto respirando bem, falando bem, mastigando bem, se comunicando bem, porque a própria fala passa pelo dimensionamento da boca.
E você sabe que nesse meio termo todo, eu fui entendendo a importância da respiração, inclusive para a gente dormir. E aí, voltando à questão da história pessoal de vida, né? Na minha adolescência, eu passei por uma situação assim, onde meu pai tinha um problema de ronco e de apneia muito forte. E minha mãe fez com que ele fosse dormir junto comigo e com meu irmão no nosso quarto.
Não tem motivação maior. É, cara. E assim, e o grau de ronco de apneia dele era tão grande que eu e meu irmão ficávamos assustados de ver as paradas respiratórias que ele tinha. A gente ficava preocupado se ele ia voltar a respirar. Então aquilo me marcou muito.
E depois estudando, a gente viu que isso tem um forte impacto na saúde do coração, na saúde cardiovascular. E quando eu estava no segundo ano de faculdade, meu pai faleceu de infarto fulminante na minha frente, com 58 anos apenas, muito novo. Você sabe que hoje existem até trabalhos que falam que paciente que tem apneia do sono grave, não tratada...
você tem uma diminuição do seu tempo de vida de até 40%.
A apneia do sono, até você tinha me perguntado se a apneia mata. Nosso cérebro nunca vai deixar a gente morrer por falta de ar. Sempre a gente vai ter um... Ele vai fazer uma ativação, ele vai fazer uma ativação que você vai ter um micro despertar, você vai voltar a ter um ciclo respiratório. Porém, até que isso aconteça, existe uma ativação de um sistema nervoso simpático que a gente fala que é o que controla as nossas funções vitais, como batimento cardíaco, pressão arterial.
E o nosso coração fica muito acelerado. Eu gosto muito de usar um exemplo que é bem fácil do público entender. Sabe quando você liga o carro, deixa o câmbio no ponto morto e pisa no acelerador?
Exatamente isso. Quando eu estou em apneia, meu corpo está parado, meus músculos estão relaxados, só que meu coração está exatamente igual a esse motorzinho que você fez aí. Você tem um ataque cardíaco e um aumento da pressão arterial muito grande. E no começo ela vai perdurar só durante o período do sono. Só que se você não fizer uma abordagem, você vai começar a acordar com aquela sensação que o coração está aqui no pescoço, porque a pressão arterial vai ficando refratária, que a gente fala, a hipertensão.
e às vezes vai se estendendo pelas primeiras horas da manhã, e até que ela vai se alongar por todo o dia, por todo o seu período de vigília também. Então, assim, e é muito comum um paciente que tem hipertensão arterial sistêmica, tal da pressão alta, que toma às vezes dois, três medicamentos, e aí ela tem uma certa dificuldade de você controlar. Só que quando você controla...
a questão do distúrbio do sono, principalmente a apneia do sono, às vezes o paciente pode até ficar sem o medicamento. Lógico que isso sempre com acompanhamento do cardiologista, viu, gente? Eu, como dentista, consigo atuar terapêuticamente, mas sempre em conjunto com o médico e com outros profissionais também. E mais importante dizer que às vezes a causa...
não vou dizer fundamental, mas uma causa muito importante no processo do problema cardíaco é o fato do cara não estar dormindo direito. Exatamente. E se ele melhorar o sono, ele melhora, inclusive, tem tendência a melhorar o problema cardíaco. Guilherme, hoje, em praticamente todos os simpósios, eventos cardiológicos, só se fala em sono, cara.
Porque é o principal fator de gatilho. Eu estou falando aqui do infarto, que é o que a gente mais conhece. Mas aumento de AVC, que é o acidente vascular cerebral, que é o tal do derrame. Fibrilação atrial, arritmias cardíacas. Quanta gente hoje não está sofrendo de arritmia cardíaca, que é a perda do compasso, do batimento cardíaco normal. Porque tudo isso é alterado pelo sistema nervoso simpático, que sofre a influência da qualidade do sono.
Doutor, mas a apneia do sono tem um tratamento. O tratamento passa para o dentista, tem aquele equipamento... CEPAP. CEPAP. Tudo isso são ferramentas para a apneia do sono? São. E uma coisa que é importante alertar...
Eu sempre gosto de falar que o mais importante do que pensar no tratamento é pensar na prevenção da apneia obstrutiva do sono, que depois a gente vai falar sobre isso. Mas os tratamentos hoje, vamos dizer assim, o CEPAP, que é a pressão contínua positiva, que é um equipamento, ele é tipo um pequeno compressor, tem uma traqueia, que seria uma mangueira, acoplada numa máscara, que pode ser só no nariz, ou nariz e boca, ou só na boca, ou na face.
de acordo com a anatomia, com a necessidade do paciente, que ele vai funcionar como um respirador, ele vai funcionar por você. Ele vai ter o fluxo de ar, que essa pressão do fluxo de ar é muito individual, de acordo com a necessidade do paciente. É considerado o tratamento ouro. Por quê? Porque ele é muito eficiente. O CEPAP, né? É, o CEPAP. Ele tem uma eficácia de mais de 90%. Porém, nós temos um problema, né? Isso estabelecido nos estudos, que é a questão da adesão.
O que é adesão? É o paciente usar o aparelho. Normalmente, após seis meses de uso, mais de 50% dos pacientes ou chega no meio da noite, tira a máscara, ou acaba desistindo, acaba não buscando a terapia adequadamente. Então, ele perde em eficiência, porque ele tem uma eficácia muito alta, mas uma adesão muito baixa. Um outro tratamento que tem ganho muito destaque é o uso de um aparelho introral, que aí entra novamente a questão da odontologia do sono.
que, como a gente estava explicando, nós falamos rapidamente, uma das grandes causas dessa obstrução respiratória é a queda da língua. A nossa língua, ela se posterioriza, né? Ela fica mais para trás. E vamos lembrar que a nossa língua, ela tem o formato de um L deitado, onde a perna maior do L é essa parte que a gente enxerga na boca. Tá.
A perna menor do L, ela é uma posição vertical, ela faz parte da parede anterior da faringe. A faringe é o tubo respiratório, que vem lá do nariz e vai lá até a nossa traquésia e vai para o pulmão.
E aí entra a questão da anatomia, né, Helio, que a gente estava conversando. Se eu tenho uma boca estreita, um queixo para trás, uma mordida profunda, que quando eu mordo, meu dente de baixo se esconde atrás do dente de cima, vamos imaginar o espaço dentro da boca. Ele fica estreitado, fica encurtado e fica achatado.
O que acontece com a língua? A língua fica exprimida lá dentro. Então, se eu mantenho a boca fechada, a minha língua vai tentar se movimentar, dos lados vai batendo os dentes, para frente vai batendo os dentes, em cima ela vai batendo o osso do céu da boca, embaixo ela está presa, ela está enraizada por dentro do osso da mandíbula.
Então, se eu faço esse movimento de trazer meu queixo um pouquinho para frente, eu avanço a língua também, aumentando o calibre da via aérea. Então, eu consigo corrigir a respiração dessa forma. Então, é uma ação muito parecida com a do CEPAP, porque a pressão do ar do CEPAP tem que ser suficiente para aumentar o calibre da via aérea também.
E o aparelho intraoral faz o mesmo processo. Ele aumenta o calibre da via aérea, só que com reposicionamento mandibular. Não faz o queixo crescer, viu gente? Não faz. No adulto, infelizmente, seria até bom se fizesse, né? Mas mesmo porque é um uso só exclusivamente durante o sono. Acordou, você vai tirar aquele aparelho. É um aparelho ali que você encaixa, dorme... Exato. Existem algumas outras terapias, como a própria fonoaudiologia, tem que ser muito bem indicada. Por quê?
porque essa queda da língua, além da falta de espaço, pode ser por uma perda de tonicidade, ou seja, ela começa a ficar flácida, começa a ficar mole, e tem uma questão que é importante a gente abordar, um fator extremamente importante, principalmente para nós homens, é a questão da obesidade.
Que eu ia perguntar para o senhor, porque eu vejo muita situação de obesidade usando CEPAP. Então, tem uma relação. Tem, mas não é só no homem e não é só paciente acima do peso que tem apneia. Paciente magro também pode ter e a mulher também tem, viu, gente? Depois eu vou explicar por quê. Mas, então, assim, esses tratamentos, tanto o CEPAP, como o Fafono, como o aparelho de avanço mandibular, infelizmente, eles são paliativos.
Eles não são curativos. Ou seja, você não vai usar o aparelho de avanço durante seis meses e ele vai te curar da apneia. Não, você vai usar para o resto da vida. Porque você tirou o aparelho...
o problema volta. Você para de usar o CEPAP, o problema volta. Você para de fazer os exercícios que a Fono te recomendou pra fortalecer a musculatura, a musculatura volta. É a mesma questão. Ah, vou na academia fazer bastante pra ficar com barriga tanquinho. Você faz seis meses, depois fica o resto da vida assim, fazer, o que vai acontecer com a sua barriga? Ela vai voltar a crescer.
É, estamos juntos. Então, assim, na verdade, a apneia, infelizmente, nós temos que falar assim, ela não tem cura. A partir do momento que ela se estabelece, você tem como melhorar, tirar o paciente daquela situação.
Um outro exemplo muito fácil do pessoal entender é igual o óculos. Você não vai usar o óculos durante um tempo X e ele vai curar a sua visão. Ele só te melhora a tua visão enquanto você está com ele. Você tirou o óculos, você está enxergando mal novamente. É um paliativo. Extremamente importante.
A gente tem que pensar o seguinte, gente, como a gente estava falando, apneia, insônia, distúrbio do sono, são problemas graves, trazem problemas sérios para a nossa saúde, como eu falei, questão cardiovascular, problema neurocognitivo, dificuldade de aprendizado, memória, concentração, criatividade, alteração de humor.
E estudos mais recentes, coisa de 5, 7 anos atrás agora, tem mostrado até associação de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e até a própria demência relacionada ao sono. Então a privação do sono é um problema seríssimo. Sério, demais da conta. Até os...
30 anos atrás, a própria medicina só estudava os problemas que aconteciam com o ser humano durante o dia. As doenças focadas nos sintomas durante o dia. Aí, ao longo do tempo, foi vendo que tinha mais alguma coisa. Aí começou a se perceber que o sono tinha uma importância muito grande.
Então, de 30 anos para cá, os exames se aperfeiçoaram, se estabeleceu a polisonografia, que é o exame que a gente faz do sono, que a gente entende como é a qualidade do sono, a estrutura do sono. Nosso sono não é uma linha contínua, a gente passa por algumas fases do sono e essas fases do sono a gente percebe por onde? Pelas ondas cerebrais. Então, depois que nós tivemos a polisonografia, a gente começou a entender melhor como é que isso funcionava.
E por que o sono influencia tanto no coração, no sistema hormonal? Por que ele tanto prejudica como otimiza a fabricação ou equilíbrio de vários hormônios, hormônios digestivos, do hormônio de crescimento, que é tão importante não só na criança, mas para a vida toda, hormônios sexuais, como a própria questão da testosterona, são hormônios que são regulados quando a gente está no sono profundo.
que nós vamos chamar de sono N3 ou sono REM. REM é uma sigla em inglês, que é Rapid Eye Movements. É um período de sono que eu estou totalmente relaxado, mas os únicos músculos que estão funcionando, ativos no nosso corpo, é o coração, obviamente, que ele está em atividade, o diafragma, que é o músculo que regula o nosso fluxo respiratório, e o olho.
Meu olho está fechado, mas a gente percebe que o olho está mexendo muito rapidamente. Então, é bem característico. Esse sono N3 e o sono REM são considerados o sono profundo. Nele ali, durante esse período que esses hormônios são regulados, são sintetizados adequadamente. Só que o que acontece quando eu estou em apneia do sono? Ou quando eu faço uma fragmentação do sono provocada pela insônia, ou até mesmo pela uma privação de sono um tempo mais curto? Eu fico menos tempo.
nesses períodos de sono. Então, o que acontece com esses hormônios? Eles não são reequilibrados adequadamente. Então, essa conversa que eu já ouvi, de que você, ah, compensa o sono, vou dormir muito pouco durante a semana, final de semana eu vou dormir bastante. Não tem nada a ver, então. É, foi bem legal você ter tocado nesse assunto. A gente não tem bancos de horas de sono, tá? No nosso corpo. Aquelas duas horas que você deixou de dormir, perdeu, meu amigo.
Você pode dormir seis horas a mais, depois no dia seguinte ela não recupera. Tanto que existe até um efeito rebote que a gente fala. Quando você passa duas, três noites seguidas dormindo menos que o necessário, você vai ver que na noite seguinte que você for conseguir ter um período de sono melhor, você vai acordar até mais cansado.
Você vai fazer tanto sono REM, que aquilo vai te deixar até mais... O cérebro parece que ainda fica na marcha lenta, que a gente fala. Ele não é reparador. O sono precisa ter regularidade, frequência e regularidade. Por isso que uma das principais recomendações da higiene do sono que a gente fala, o que é a higiene do sono? É a gente cuidar do sono.
O sono não é simplesmente, ah, estou cansado, vou deitar lá, encostar lá e dormir. Não, a gente precisa cuidar do nosso sono, olhar com carinho, com respeito. Eu costumo dizer uma frase que eu acho muito importante. O sono é uma necessidade fisiológica inegociável.
E culturalmente, viu, Guilherme, partindo disso que você estava falando, a gente teve uma fase, há uns 20 anos atrás, que se falava muito que dormir é perda de tempo. Dormir, depois que eu morrer eu durmo. Depois, no fim de semana, eu compenso. Por quê? Porque eu preciso estudar, eu preciso trabalhar, eu preciso comprar um apartamento, eu preciso isso, eu preciso lazer, balada. E vamos sacrificando o sono. Só que as doenças começaram a aparecer.
começaram a piorar, né? E por isso que a medicina começou a olhar com mais carinho e entender realmente que o sono, ele é regulador e preventivo da grande maioria dos problemas de saúde que nós temos. Se não, quase todos. Caramba! Tá? E infelizmente, assim, todos os profissionais de saúde precisam estudar o sono.
Infelizmente, eu falo com um pouco de pesar no coração, porque mesmo na medicina, os profissionais não estudam sono. Para vocês terem uma ideia, a grande maioria das universidades oferece uma hora de aula barra sono na formação do médico durante seis anos.
O que você aprende em uma hora? Praticamente nada. É uma pincelada. Tanto que hoje nós temos a residência em medicina do sono, para os médicos. Na odontologia nós temos a capacitação para o dentista se capacitar nessa área. Não é só fazer aparelhinho. O dentista precisa conhecer a fisiologia, precisa conhecer a patologia para entender o mecanismo.
Precisa saber investigar isso no seu paciente, indicar a melhor terapia. Eu falo, a gente não pode virar um vendedor de aparelho, a gente tem que entender a saúde. Porque, lógico, a gente quer que o paciente venha até nós, mas eu tenho uma obrigação de oferecer para ele ou indicar para ele a melhor terapia para aquele momento, pelo menos para ele.
E o senhor comentou da terapia do aparelho, algo parecido com um aparelho. Mas existe outro, o que mais que o senhor atua aqui? Quais ferramentas o senhor, como um dentista, tem para uma pessoa que está com problema de sono?
Guilherme, na odontologia a gente pode atuar do zero até os cento e tantos anos, tá? Com enfoques diferentes. Vocês tiveram aqui a semana passada, né? Minha esposa, a doutora André, que falou bastante da questão do aleitamento materno, da importância da frenectomia, na estimulação da boa postura de língua e tal. Por quê?
Hoje, a gente entende o seguinte, um dos principais fatores que faz com que a pessoa tenha a pneu obstrutiva do sono, entre eles, entre os cinco principais, estão as alterações crânio-faciais. O que é isso? São deformações ou hipoplasias, uma falta de crescimento das estruturas da face. Terço médio, que pega aqui nariz, vias aéreas, e terço inferior da face, que é a boca.
E quando a gente estuda o crescimento, a gente acha assim, a criança nasceu, beleza, vai crescer geneticamente. Não. A genética tem influência em torno de um terço de responsabilidade pelo bom crescimento. Os outros dois terços são os estímulos funcionais. Minha boca...
As vias aéreas, elas precisam ser estimuladas para crescer adequadamente. O meu queixo crescer, se expandir nos três planos espaciais, né? E o principal estímulo é a amamentação. Olha só, aqui, mais uma vez, a importância da amamentação no processo. E aí você vai me perguntar assim, então, se a gente observar na população, por que tem tanta criança que precisa de aparelho hoje? Porque culturalmente, hoje a mulher fica grávida, qual que é a primeira coisa que ela ganha no chá de bebê? Chupeta. Chupeta e mamadeira.
que são os bicos artificiais, que são exatamente o contrário do estímulo do aleitamento materno. Faz um trabalho exatamente o contrário, onde a arcada vai ficar cada vez mais estreita, o queixo cada vez menor, dificultando ali o crescimento. Bom, então o dentista, primeira coisa, incentivar o aleitamento materno, ponto. A gente sempre fala, todo dentista tinha que ter um consultório amigo do peito, amigo da criança.
Tudo bem que se a criança nos três primeiros anos não passou por essa estimulação adequada. Ela vai chegar ali aos três, quatro anos já com alterações de crescimento. Já com problemas respiratórios provindos da dificuldade respiratória pela falta de espaço para a língua, falta de espaço para os dentinhos e tal. Então, na ortopedia funcional, o dentista já tem como normalizar esse crescimento, através do uso de alguns aparelhos, para devolver esse espaço que a mamadeira robô.
Tá? Beleza. Bom, chegou na adolescência, o adulto jovem, eu ainda estou com problema de respiração por questões de falta de espaço. A gente tem a ortodontia, que acho que todo mundo conhece, que é aquela especialidade que a gente usa os aparelhos para fazer a correção. Só que a gente tem que ter um olhar ampliado. Não é só espaço para os dentes. Até estava comentando com o Helio aqui antes também.
A visão do profissional que entende essa área do sono, que entende essa questão respiratória, é olhar para o paciente com enfoque na respiração.
Então, vamos supor, Guilherme, você chegou até mim e falou, Fagneri, olha, eu estou com meus dentes apinhados, tortinhos, eu queria alinhar, deixar ele bonitinho. Eu posso, se eu fizer um planejamento só focando nisso, eu posso te recomendar a extração de alguns dentes para poder caber os outros. Aí eu alinho, nivelo, deixo o teu sorriso muito bonito. Só que o espaçozinho lá dentro da boca vai ficar diminuído. Não resolva o problema do...
Não, e pior, vou te condenar a ter um problema respiratório para o resto da sua vida.
Só que na ortodontia, a gente tem ferramentas, se eu tiver esse olhar ampliado, antes de pensar em extrair dentes, vamos ampliar esse espaço. Vamos trabalhar o perímetro do osso, que eu vou fazer caber esses dentes e vou promover um espaço melhor funcional para a língua também.
Isso só para complementar, isso na idade ali, até no adulto, nessa correção ortodôntica. E além disso, eu teria essa questão do uso do aparelho de avanço mandibular, quando o problema já não é mais possível fazer essas correções, que é quando o paciente dorme com esse aparelho.
mantendo o queixo em uma posição ligeiramente anterior, trazendo a base da língua. E vamos lembrar que os músculos são tecidos elásticos, né? Se eu puxo a base da língua, ela interage com vários outros músculos. Então, na verdade, toda a parede anterior da faringe, ela se anterioriza.
A Andrea falou do músculo do ossinho e do ióide, é o osso do gogó que a gente fala aqui assim, né? Então eu tenho músculos que vão do ióide para a base da mandíbula, do ióide para a cervical, por isso que altera a posição, a postura da minha cabeça em relação ao meu pescoço, as minhas escápulas que vocês até citaram ali no...
Então, assim, você faz um trabalho neuromuscular de reposicionamento. Só que, como eu falei, infelizmente não é curativo. Você tira o aparelho e tudo volta lá, como era antes. Existe um outro tratamento ainda dentro da odontologia, que é a tal da cirurgia ortognática.
É aquela cirurgia que é nível hospitalar, que você faz cirurgicamente o avanço da mandíbula e da arcada superior também. Essa, ela pode te promover uma cura, que a gente não pode garantir que vai ser para o resto da vida, porque...
Você ainda vai viver muitas décadas e se você tiver, por exemplo, uma obesidade, algum outro problema sistêmico, você pode voltar a ter um risco de ter algum problema de distúrbio de sono também. Mas, em vez daquele problema, ela resolve. Resolve. Você fica sem a necessidade de usar o aparelho de avanço mandibular. Mas, assim, são casos bem indicados, tem que ser muito bem planejado, não serve para todo mundo.
Entendi, mas então olha que interessante, eu posso estar com um problema de sono, porque eu estou com um problema na minha boca. Exatamente. E você sabe, Guilherme, que até insônia, lógico que a insônia, a maior parte dos problemas de insônia são de ordem neurológica, até mesmo psicológica, comportamental, mas existe a insônia associada à apneia. Porque quando o paciente tem uma apneia um pouquinho mais, de um grau mais severo, o que é apneia severa?
Por exemplo, para ser considerada uma apneia, a minha parada respiratória tem que durar pelo menos 10 segundos e tem que fazer com que o nível de oxigenação do meu sangue caia pelo menos 3%. Eu tenho pacientes que têm apneia de 90 segundos, meu amigo. E o cara mergulha na piscina e não consegue ficar 30 segundos lá embaixo da água sem respirar. Só que dormindo ele fica um minuto e meio.
Isso faz com que ele acorde, o teu cérebro faz você ter um despertar para retomar o ciclo da respiração, só que a pessoa acorda assustada, com falta de ar, uma sensação de engasgo, e muitas vezes a pessoa fica com medo de voltar a dormir. E aí começa a ter a insônia, a dificuldade de voltar no sono por conta disso.
Nesses casos, não vai ser remédio para insônia que vai curar o paciente. Você tem que resolver a apneia dele, que aí ele para de ter essas sensações de engasgo, de acordar assustado, que aí você consegue normalizar o fluxo do sono dele.
Então, doutor, voltando só um pouquinho na questão do recuperar o sono, né? O que você estava falando. O sono, ele tem processos, então. Ele tem etapas. Estágios. Estágios. Quatro estágios. Quatro estágios. Quais são esses estágios?
Olha, nós temos o sono N1, que é aquele sono superficial, o sono de entrada, que dura muito pouco, em torno de 5 a 10 minutos. É aquela fase do adormecimento, sabe? Você está assim, se alguém abrir a porta, você acorda, se alguém chamasse pelo seu nome, você responde. Aí depois eu já entro no sono intermediário, que é o sono N2. Isso a gente vai percebendo pela variação das ondas cerebrais, tá? Nessa fase do sono N2...
Você ainda pode, a pessoa consegue te acordar, mas você vai até falar que você não estava dormindo, ou às vezes você tem aquelas sensações de queda, de movimento brusco. É o momento que o meu avô está dormindo e alguém desliga a TV... Ele reclama. Ah, ele está assistindo. Ah, ele está assistindo.
Depois desse, eu tenho o sono N3, que é o sono de ondas lentas, onde as nossas ondas cerebrais ficam bem altas e bem espaçadas. É aquela que você vai acordar a pessoa, você chacoalha ela na cama, ela não acorda. E é interessante que esse sono N3, a gente tem sonhos bem profundos também. Aí depois do N3, eu tenho o sono REM.
que a gente chama de sono paradoxal, porque é o sono onde eu estou mais relaxado, mas eu tenho pequenas variações. Eu tenho sono de ondas lentas, mas combinadas com ondas mais agudas também. É onde eu sonho colorido. Sabe aquele sonho que parece que você viveu aquele sonho? Você acorda e fala, nossa, eu estava lá com aquela pessoa, eu estava vivendo aquela situação. Ou eu estava lutando, chutando parede, chutando a esposa na cama.
Que aí traz outros distúrbios do sono também, né? O distúrbio de casamento, nesse caso também, esse junto à esposa. Cara, você sabe que depois a gente pode falar do divórcio do sono. É uma coisa bem interessante que está acontecendo. É mais uma novidade da vida moderna, né? Então, o sono flutua por esses quatro estágios. E é interessante assim...
Um ciclo de sono, ele dura em média de 90 a 110 minutos. Nesses 90 a 110 minutos, você tem que obrigatoriamente passar por todos esses quatro estágios. E aí é por isso que não tem como recuperar o sono. É. E eu, num período de 6, 7 horas de sono, eu passo por 4, 5 ciclos de sono. Tá?
Então, se eu tenho N3 diminuído, REN diminuído, o que eu vou ter mais? O N2, que é o sono intermediário, que a gente chama de sono superficializado. Fala, Fagnani, mas eu fico, às vezes, no fim de semana, eu durmo 8, 9 horas, eu fico na cama, mas eu acordo com aquela sensação que ainda falta mais 2 horas para eu dormir. Por quê? Você só ficou no sono superficializado. Você pode ficar o dia inteiro dormindo e você vai acordar cansado, porque teu cérebro não passa pela reparação adequada.
E a mesma coisa em relação Para quem está nos assistindo Que está em idade escolar ou está estudando para um concurso Não adianta nada Você se matar de estudar na prova E não dormir Porque vai chegar no dia da prova Você vai pegar aquela questão e falar Nossa, acabei de ler isso aqui e me deu um branco Não lembro Por quê? Porque o teu cérebro não fixou aquele conhecimento E essa fixação da memória Só acontece no N3 e no REM
Vou lembrar um negócio aqui que o pessoal talvez vai lembrar. Vocês assistiram? Vocês têm filho pequeno? Tem um filme infantil que chama Divertidamente. Assistiu. Então não sei se você vai lembrar que lá no filme tem lá na Hayley, que é a personagem principal do estudo, as memórias delas são simbolizadas por bolas coloridas. E como que eles organizam a memória? Vai pegando as bolas coloridas e colocando em determinadas prateleiras. Aquilo ali é a ação do sono N3 fazendo a fixação.
Se não, o que acontece? Vai pro lixão. Que interessante, hein? Eles retrataram, assim, ludicamente, né? De uma forma infantil, num desenho animado, mas foi bem bacana. Quem não assistiu, eu recomendo assistir, porque vale bem a pena. Divertidamente. Acho que saiu até o 2 agora também. Mas eu quero saber essa questão do divórcio do sono. Como é que é essa história aí? Uma novidade aí.
Você sabe que, na verdade, a pineia obstrutiva do sono, a gente chama de síndrome, né? Síndrome da pineia e hipopneia, que é uma obstrução parcial obstrutiva do sono. E ela começa com o quê? Com o ronco. O que é o ronco? O ronco é que começa a faltar espaço para o ar passar aqui.
E aí eu vou pegar um exemplo de uma mangueira de jardim. O que acontece se eu pegar uma mangueira de jardim e espremer ela? A água vai passar com mais pressão, não vai? Aí ela vai passar, mas vai passar com mais pressão. O ar vai passar com mais pressão aqui. Aí ele faz a musculatura vibrar. Tanto aquela parte da campainha, quando a gente abre a boca, a gente vê aquela úvula, aquela campainha pendurada, como a base da língua. Aí a gente começa a roncar.
Só que o sonho de todo ronco é se tornar uma apneia. Porque a apneia é uma doença...
evolutiva, obstrutiva e crônica. Então, daqui a pouco, essa obstrução vai avançando, ela vai se tornando uma apneia. Só que o ronco vai atingindo cada vez um volume maior. E aí você começa a incomodar o parceiro ou a parceira. E você começa a dar prejuízos no sono do parceiro ou da parceira. E o que acontece? Não quero mais dormir com você, para a gente continuar casado.
Vai para o outro quarto ou vai para a sala. É terrível isso. Lembra quando a gente fazia acampamento de jovens? Que às vezes, muito moleque em pouco lugar, a gente tinha que dormir 4 ou 5. Fazia uma observação. O divórcio é a melhor das soluções. Porque o homicídio está mais perto de acontecer. É terrível. Hélio, que ponto importante que você tocou. Existe um trabalho americano.
que mostrou que existem relatos de casos de homicídio por questões do rouco. Eu não duvido. Eu não duvido. Sabe, é uma coisa absurda. Mas o divórcio do sono é isso, né? O casal vai passar a dormir separado, em quartos separados, e é muito mais comum do que a gente imagina, viu?
Segundo algumas previsões, em torno de quase 80% dos casais começam a dormir separadamente. Doutor, qual que é o tempo ideal de sono?
Olha, o tempo ideal de sono é um pouco variável. Na nossa vida, por exemplo, o bebê, o primeiro ano de vida, ele mais dorme do que fica acordado. Então ele tem uma necessidade maior de sono, por quê? Ele fica mais tempo no sono rei, naquele sono profundo. Porque o cérebro da criança está em crescimento e desenvolvimento absurdo. São mais de mil novas sinapses, novas conexões por dia que ele se forma. Então o sono rei é importante. Ele acorda para quê?
para beber água, para mamar, para se alimentar e depois volta. Ele tem vários ciclos de sono, cada 3, 4 horas ele acorda. Conforme a gente vai amadurecendo, entre aspas, na idade pré-escolar, ele já passa a ser um ciclo bifásico, que a gente fala. Você tem um sono noturno.
E uma necessidade de um sono à tardezinha. A criança precisa dormir ali mais uma hora e meia, duas horas. Essa questão da quantidade de horas, por exemplo, no bebê ela vai de 16 a 18 horas. No pré-escolar ela fica lá de 11 a 13 até 14 horas. Quando a criança está na idade escolar, isso já cai para o período de 9 a 11 horas. E começa a virar um sono monofásico, que a gente fala, que vai durar toda a vida adulta da gente. E ele diminui um pouquinho. A média, em torno de 7 a 8 horas.
Sete, oito anos. É, só que tem uma coisa, Guilherme, assim, existe algumas características que a gente chama de cronotipo. O que é o cronotipo e a própria fisiologia do sono da pessoa? Por exemplo, eu posso ser um dormidor curto.
Na verdade, eu sou um dormidor curto. Eu durmo seis horas e acordo pronto para a briga todo dia. Sabe assim, acordo bem, meu cérebro está bem desperto. Tem pessoas que, mesmo na faixa etária, vamos supor, dos 25, 30 anos, que vai ter uma necessidade de oito horas. E está tudo bem. O importante é você reconhecer essa tua necessidade individual e respeitar isso. Dentro das suas atividades, você dá um jeito de encaixar aquelas oito horas. Você precisa dessas oito horas.
Porque, sabe, cara, se você falar, não, eu vou dormir seis horas só porque meus compromissos... Cada duas horas de privação de sono equivale a você ter tomado quatro taças de chope. Então, sério, a tua deficiência cognitiva é como se você tivesse ingerido álcool, por exemplo. Uma noite que você passa acordado, você é como...
O teu ritmo cerebral fica como se você estivesse embriagado. Imagina uma pessoa que vai dirigir. Imagina o cara que deixa de dormir para tomar chope. Puta, sim. Com menos dá mais. Isso, na verdade, a gente usa esse exemplo assim, mas vamos transpor para o motorista profissional.
Infelizmente, motorista de caminhão, de ônibus, é uma profissão que é muito exigida na nossa realidade. Existe um trabalho que saiu da PUC de Campinas agora recentemente, tem motoristas que trabalham 16, 18 horas dirigindo carga pesada.
Sem dormir. Imagina. A gente vai num carro, todo confortável. Você dirige 4, 5 horas e já fica cansado. Imagina você num ônibus, num caminhão, dirigir 16, 18 horas. Bom, mas aí é uma outra conversa. Na fase da melhor idade, vamos dizer assim, né? Hoje, até a melhor idade, eu já subi um pouquinho, né? E eu ainda tô, como é que é? Eu sou o Toad ainda, né? Eu vou entrar na melhor idade depois dos 75. Pra quem tá entrando aí, o senhor tá bem.
Eu já sou sessentão, mas ainda estou um adulto jovem.
Mas depois, na terceira idade, vamos chamar assim, né? A gente volta a ter um sono bifásico. Olha só que interessante. Isso até é hormonal. Nosso ciclo de melatonina, ele se altera um pouquinho, ele diminui um pouco a formação. Então, o idoso, ele começa a dormir um pouco menos, acordar um pouco mais de madrugada. Só que ele volta a ter aquela necessidade de dar uma dormidinha depois do almoço. Que é extremamente saudável. Na verdade, pra todos nós é extremamente saudável. Eu ia perguntar pro senhor, ia a cesta.
Porque muita gente tem o costume latino de dormir a sessão. Tem países, a Espanha, um dos maiores exemplos disso. Aqui no Brasil, a família dela é gaúcha. Quando eu comecei a namorar, comecei a frequentá-la, eu estranhava um pouco. Porque dá meio-dia, tudo fecha, cara. Comércio, vai para casa, almoça, só volta 1h30 ou 2h. Respeitar aquele horário. É lógico que é assim.
No adulto, o ideal seria que você fizesse um soninho, mas que não ultrapassasse 20 a 30 minutos depois do almoço. Por quê? Para não prejudicar a entrada do período de sono noturno. Senão você vai ter dificuldade para dormir. Sabe aquelas vezes no sábado ou no domingo que você dá aquela dormidinha depois do almoço, depois você fala, nossa, eu fico acordado até de madrugada depois.
Porque, na verdade, o nosso sono tem vários mecanismos que gerenciam a chegada do sono. Um deles é a formação da adenosina. A adenosina é como se fosse um neurohormônio. É como se fossem moléculas que vão deixar a gente cansado. Que vai mostrar para o teu cérebro que você está cansado. Quando você dorme, você baixa o nível da adenosina. Ou o que é pior, quando você se enche de cafeína. Café, Coca-Cola, chocolatado, chá preto, energético.
tudo que tem cafeína, você altera o nível da adenosina. Aí você começa a ter dificuldade para entrar no sono. Então, assim, esse cochilo é extremamente saudável. Se todo mundo dentro da rotina pudesse fazer aqueles 15, 20 minutos ali... É um cochilo curto, né? É um cochilo curto. Você vai ver como você potencializa o seu rendimento no período da tarde. E é muito saudável isso.
Mas o idoso tem essa necessidade, às vezes até de um período maior, até de uma hora, uma hora e meia. Então seria legal conseguir respeitar isso. Então é difícil a gente falar assim, olha, qual o horário ideal? Tem que avaliar o indivíduo.
E mesmo no nosso desenvolvimento, na adolescência, a gente muda um pouquinho, tanto a necessidade de horas como o período de sono. Porque além disso tudo, eu tenho os cronotipos, que eu posso ser matutino, que é aquele cara que acorda cedo e dorme cedo. Eu posso ser o vespertino, que é aquele cara que quer acordar às 10 horas da manhã.
mas só consegue dormir depois da meia-noite. E tem o intermediário, que é aquele que se adapta a vários ciclos. Isso existe uma questão muito importante em relação aos horários das escolas. Alguns países, alguns estados americanos tentam adequar esse horário escolar porque a criança vespertina sofre muito quando estuda de manhã. Isso eu tenho um exemplo na família, que eu tenho um filho que é matutino.
Meu filho Pedro, ele acorda cedo e dorme com as galinhas, como a gente fala, né? Já a minha filha dorme tarde e se deixar, ela vai acordar quase na hora do almoço. Eu e a Gabriela. A Gabriela acorda às 5 horas da manhã feliz da vida, dando bom dia pro sol. Eu acordo às 10 mal-humorado.
Bom dia por quê, né? Bom dia por quê. Ainda bem que são irmãos, que se fossem um marido e mulher, é um divórcio. Aí é o divórcio. Doutor, e pra descobrir qual que é a carga ideal de sono da pessoa, como que faz? Porque tem aquela história, tipo assim, ah, dorme sem despertador. A hora que você acordar, você vê o tanto que você dormiu, esse é o sono que você precisa. Isso. Na verdade... ...de 10.
É a questão da observação, na verdade. Se você, por exemplo, num período de férias, que você vai ter essa liberdade, tente ir dormir na hora que você sente o sono, que o sono chega, que a gente deveria fazer isso, não ficar segurando ele, e acorda sem despertador. E faz o que a gente chama de diário do sono. Pega um papel e vai anotando que hora que você dormiu, que hora que você acordou, se você acordou de madrugada ou não, e vai observando o seu dia a dia.
O grande regulador do nosso sono é o nosso período de vigília. Como que você está durante o dia? Você está cansado? Está sonolento? Está com perda de memória? Está tendo picos de alteração de humor? Se irrita por qualquer coisa? Então, isso é o maior... Aí você vai anotando e você vai fazer uma média daquilo.
Aí você vai perceber que o dia que você dormir uma hora menos, só não precisa ser muito não, uma hora menos, aquilo você vai sentir que afeta a sua rotina. Por isso que eu estava falando, uma das grandes questões da higiene do sono é a gente regular nossos horários de dormir e acordar.
Mesmo aos finais de semana e feriados, você procurar respeitar. Nosso corpo gosta de regra, ele gosta de ser respeitado. Até a gente estava falando da questão do bicho homem, a gente é o bicho que a gente obedece a um ritmo circadiano, que são os eventos que acontecem de dia e de noite.
Só que na vida moderna a gente está atropelando isso, né? A gente está entrando muito no período noturno, né? Ficando muito exposto à luz. Isso está bagunçando a formação dos hormônios que ajudam a gente a entrar no sono. É que melhora a qualidade do nosso sono. Por isso que a gente está tendo tanta dificuldade de dormir. E hoje a gente tem cada vez mais o trabalho noturno.
profissões, eu mesmo trabalho com criatividade, pra mim o melhor período é o da noite, porque é mais tranquilo, é mais silencioso. Mas tem diferença um sono de 8 horas durante o dia e um sono de 8 horas durante a noite? Tem, bastante.
Essa questão do trabalhador de turno, inclusive, pegando um gancho disso que você falou, tá? Mas, por exemplo, enfermeiros, médicos, né, que às vezes trabalham de noite. Segurança pública. Segurança, todas as profissões que alteram esse período, né? Jamais o sono diurno vai ter a mesma qualidade do sono noturno, por conta disso aqui, ó, de luz.
[trecho inaudível]
E meu cérebro, se ele acha que é de dia, ele mantém o nível de cortisol mais alto. E o nível de melatonina mais baixo. Ele força isso.
Então, mesmo que você chegou, vamos supor que você trabalhou até 2, 3 horas da manhã, aí você vai falar, não, mas agora eu vou dormir até as 11 horas da manhã, né? Mas a própria, mesmo que o teu quarto esteja escuro, né? A gente tem um reloginho biológico lá dentro, teu cérebro sabe qual que é. Por isso que a gente sofre muito no jet lag, né? Quando a gente viaja para outro fuso horário e tal.
Então, ele já começa a alterar a produção do cortisol, da melatonina. Estou falando desses dois que são os hormônios mais conhecidos, mas vários outros mecanismos neurológicos começam já a mudar, mesmo que você está ali na cama. Então, você acorda diferente. Você acorda cansado, você acorda com o cérebro com um pouco mais de dificuldade de raciocinar, de fazer... Você fala assim, ah, preciso pegar no tranco, né? Porque o cérebro, eu sinto aquela dificuldade realmente dele reativar de uma forma mais...
mais certinha. Então, não é saudável. E aí você fala, poxa, mas e o trabalhador de turno? Cara, é a nossa pedra no sapato. Infelizmente, o ideal é que isso fosse por períodos curtos, né? Porque fatalmente são pacientes que vão ter um potencial, lógico que tem outros fatores que vão ser importantes ali também, mas vão ser pacientes em potencial.
Sofrer com algumas patologias Cardiovasculares, obesidades Diabetes, né? Então mesmo dormindo a carga ideal Se for um sono fora de horário Lá na frente pode ter problema Isso
Veja bem, pessoal, não é um dia que você fizer isso que vai afetar a tua saúde. Estamos falando de rotina, de hábitos de vida, tá? Ah, poxa, um dia eu fiz uma viagem e tal, né? Não, não vai ser aquele períodozinho curto que vai afetar todo o seu metabolismo. Isso a médio e longo prazo, tá? Então, e aí, ainda nessa...
dos turnos de trabalho, nós temos duas ferramentas, entre aspas. As ferramentas para induzir o sono e as ferramentas para se manter acordado, que quem dorme fora do horário precisa das duas coisas, faz uso das duas coisas. Explica pra gente, doutor. Aí tu até... Não, é que eu não dormi. Não, é que eu não dormi. Não, eu não piscou.
Começando primeiro ali. Melatonina. Ou... A melatonina, eu acho que é um termo que ficou mais famosa hoje em dia, mais comum, justamente por conta da melatonina sintética. Comercial. Comercial, digamos assim. O uso da melatonina comercial. É bom, é recomendado, faz mal. E medicamentos como clonazepam, outros indutores de sono mais pesados. O que está bem, está muito na moda. Faz bem, faz mal, pode usar. Como que é?
É, hoje a gente vive uma situação paradoxal, né? A gente bagunçou tanto o nosso período de sono, que hoje eu preciso de um remédio para dormir e um para acordar. Quando, na verdade, se eu cuidasse melhor do sono, eu não ia precisar de nenhum dos dois. E vamos ser sinceros, né? Toda droga, todo medicamento, ele é uma droga, né? Tanto que onde vende medicamento chama drogaria.
Ele tem o lado A, o efeito A e o efeito B. Então, ele tem o efeito positivo e tem o efeito negativo. Os indutores de sono, vamos começar por aí.
Eles são importantes naqueles casos muito pontuais, só que eles deveriam ser utilizados por pouco tempo, dificilmente por mais de 15, 20 dias, sempre com a supervisão médica, jamais com a automedicação. Por quê? Porque ele altera a produção dos neurormônios.
E isso te causa dependência. Se você usa por 30, 60, 3, 4 meses, como eu conheço pessoas, né? Meu, você começa a ficar... teu cérebro fica dependente disso.
isso vai ser extremamente ruim para você. Então, assim, os indutores de sono, eles têm um grau de importância, mas sempre com acompanhamento médico e sempre de tiro curto. Jamais deveriam ser utilizados por longos períodos. Ah, mas eu tenho... Meu, tem outras terapias para isso também.
Hoje o que ganhou muito destaque nesse mundo terapêutico é a tal da TCC, a Terapia Cognitivo-Comportamental, que são muito aplicadas por psicólogos, os outros terapeutas também, porque na verdade, gente, os problemas de sono, a gente fala assim, a mudança da nossa rotina, ela vem pelas escolhas que a gente vem fazendo ao longo da nossa história, desde lá de criança, e não tem jeito, a natureza cobra.
Tanto cobra aqui no mundo externo, como no meu mundo interno, no meu mundo físico também. Então, dependendo do jeito, do estilo de vida que eu tenho, eu só consigo trabalhar de noite. Depois, se der tempo, eu vou contar a minha historinha pessoal também. Mas...
O que você escolhe, como é que é? Tem um ditado que fala assim, a colheita é opcional. Não, perdão, o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória. Então, dependendo dos hábitos que a gente vai assumindo, alimentares, comportamentais, rotinas de vida, isso vai ter um preço. E aí a gente vai querer se apoiar em medicamento para compensar aquilo que a gente tinha feito.
Então, assim, lógico que eles têm, mas tem pessoas que não conseguem, né? Essa mudança de hábito não é uma coisa que a gente consegue do dia para a noite, né? Às vezes leva um certo tempo. Então, o medicamento, ele tem uma ação importante, sim. Só que ele tem muitos efeitos colaterais. Para você ver essas drogas agora, tipo o Zolpidem, né?
que vieram no começo, né, elas não tinham nem a necessidade de indicação médica, então o pessoal tomava que nem balinha, né, aquilo. Começou a dar muito efeito colateral. Amnésia, pessoal acordar de madrugada, sair dirigindo, fazer compra na internet, né, e outras coisas.
Por quê? Por conta do uso dessa medicação. Por isso que ele passou a ser tarja preta. Mas mesmo assim, com a indicação médica, ele ainda apresenta... Tem muitos pacientes que têm sérios problemas com ele também. A questão da melatonina. A gente que está mais ligado à Associação Brasileira do Sono, realmente a gente vê com maus olhos a liberação da venda da melatonina. Primeiro que melatonina é um hormônio. Ela é um neurohormônio.
Segundo, a função dela não é só indutor do sono. Ela tem várias funções no nosso corpo. Intestinal, na pele, até na formação de outros neurormônios que não sejam da indução do sono. E outra coisa, nada funciona melhor do que a melatonina que o teu corpo produz.
Ela não substitui, então. Não substitui. Outro detalhe. Aqui em Arasatuba, a gente tem o núcleo do sono de Arasatuba, do qual eu sou um dos coordenadores. Eu sempre trago o Dr. José Cipolla Neto, que é um grande mestre dessa área da endocrinologia. Talvez um dos caras, sem medo de errar, que entende mais de ritmo circadiano e de melatonina no mundo, não é nem no Brasil. Caramba!
E ele fala, a dose que o seu organismo absorve é em torno de 0,3 microgramas. Aí você vê lá suplementos de milatânia de 5 miligramas, 10 miligramas. Sabe o que acontece com aquilo? Ele simplesmente é excretado pelo rinho, pelo fígado. É quase um efeito placebo.
Não tem ação quase nenhuma. Mas ele chega... Tem o risco de induzir o corpo a produzir menos pelo excesso presente? Tem. Nosso corpo é assim, cara. Ele produz se ele sentir a falta. Se ele tem circulante, ele não produz. Isso vale, por exemplo... Vamos falar aqui para o mundo masculino, para a testosterona. Eu vou suplementar a minha testosterona, teu organismo vai parar de funcionar, meu amigo. Porque ele está vendo o que tem disponível ali.
Então você tem outros mecanismos de estimular o seu próprio corpo a fazer essa síntese, né? Inclusive da melatonina. Você sabe que uma das coisas que a gente mais recomenda hoje, isso eu já fiz até em casa há muito tempo, hoje não tem jeito, as luzes todas são de LEDs, mas não usa evitar a luz branca. No local de trabalho, no dia a dia, não tem jeito, né? Mas em casa é só luz amarela.
porque ela é menos agressiva. A gente tem sempre que olhar e copiar a natureza. Se você observar, quando o dia está entardecendo, ou quando ele está amanhecendo, existe uma gama de cores no horizonte. Então ele começa a ficar amarelinho, laranja, vermelho, até que ele fique escuro.
Então, o ideal é que a gente vá respeitando esse período também, inclusive na iluminação, tanto na quantidade de luzes acesas como na gama. Ah, mas eu não consigo dormir se não tiver alguma luzinha acesa no meu quarto. Dê preferência para uma luz laranja, bem fraquinha, 2, 3 watts no máximo, né? Porque ela se torna menos agressiva.
Porque se você colocar a luz branca, luz azul, realmente ela vai interferir exatamente nessa questão da neuroestimulação, que regula tanto a formação da melatonina como do cortisol. Cortisol é o hormônio que te mantém ativo, é o hormônio do estresse que a gente fala. Então, tem duas linhas que elas trabalham juntas. Quando o meu corpo aumenta a produção da melatonina, automaticamente ele diminui a do cortisol.
Lá pelas 4, 5 horas da manhã, ele começa a diminuir a melatonina e começa a aumentar a formação do cortisol, que é ativado mais ainda quando você o quê? Acende a luz. Sempre há essa relação. Mais cortisol, menos melatonina. Mais melatonina, menos cortisol.
Só que é importante você ajudar teu corpo a fazer esse equilíbrio. Poxa, eu acordei e estou um pouquinho sonolento. Não use óculos de sol pela manhã. Abra a janela, olha para fora. Não vai olhar para o sol direto, né? Mas deixa a luz do dia entrar na sua vida, sabe? Você vai ver que isso vai estimular teu corpo a produzir mais cortisol. Isso vai melhorar a sua atenção, o seu despertar, né? Isso, fisiologicamente, já é um grande ativador.
Melhor até do que alguns remédios que te mantêm acordado. É um ótimo gancho pra gente entrar num assunto sobre o quarto, o ambiente. Mas vamos só fechar esse ciclo então. A gente falou dos medicamentos, os indutores de sono. Sim. E...
Os recursos de manter a gente acordado, os recursos artificiais da cafeína, dos energéticos, ele vai prejudicar o nosso sono, ele vai manter acordado pela função que a gente tem. Mas na hora do sono, há um efeito colateral ali que pode atrasar o início do sono, alguma coisa assim?
Obrigado pela pergunta, Elis. É muito importante falar, porque isso é muito... Culturalmente, o pessoal abusa bastante da cafeína. A cafeína alimentar, aquela que você tem ali no café, no chá, ela é muito saudável. Porém, assim, como eu citei o Dr. Cipolla, ele mostrou.
Em alguns casos, no mínimo, ela fica por seis horas circulante. E a cafeína, ela é o antagonista da adenosina. Lembra que eu falei da adenosina, que é um componente que induz a gente a ficar cansado e a dormir? A cafeína, ela também diminui o nível da adenosina. Então, o ideal é que a gente faça uso da cafeína até duas, três horas da tarde. A partir desse momento, evite.
café, chocolatado, Coca-Cola, outros refrigerantes de cola, porque se não, aí ela vai prejudicar a tua entrada no período de sono noturno. Porque tem aquela questão da meia-vida longa, da cafeína.
O Cipolla chegou a mostrar que pode ter alguns... Isso tem algumas variações pelo organismo da pessoa, individual. Mas até 12 horas ela pode ficar circulante no nosso corpo. Então, assim, tomar café no período da manhã, até na hora do almoço, vai te ajudar a dar uma ligada. É bem saudável, né? Mas evitar no período noturno, porque realmente isso vai te prejudicar. E qual que é a diferença pro energético? Há uma diferença?
É cafeína. É que o energético, normalmente, ele vem associado com outras coisas, né? Ele vem com aminoácidos, que também ativa o sistema neural da gente também. Então, assim, são neuroestimulantes, né? Então, isso realmente é bem prejudicial. Se você tomar ali... E o pessoal gosta de tomar nos horários de balada, né? À noite e tal. Aí, fatalmente, vai prejudicar bastante.
E aí, agora a gente voltou, vamos retomar a questão do ambiente. Porque tem toda aquela história, como você falou, da higiene do sono, que precisa ter um ambiente adequado, a questão das luzes, temperatura de luz, né? Tomando como exemplo a minha situação. Eu trabalho no meu office, né? Por muito tempo, o meu escritório foi no meu quarto, no mesmo ambiente.
Então, um ambiente que eu devia estar acordado, que devia ter um estímulo para me manter acordado e ativo, é o mesmo ambiente que deveria também estar preparado para o sono. Qual que é o ambiente ideal para você ter um bom sono, para o sono chegar legal e manter? Bom, já vamos começar dizendo, Elick, que realmente ainda bem que você deve ter mudado essa rotina, porque é péssima essa associação, tá? O nosso cérebro, ele... E...
ele associa muito as coisas, o local. Por exemplo, a gente até fala assim, se você está com insônia, se acordou, passou de 20 minutos, não retomou o sono, sai do quarto, vai para a sala, vai fazer uma leitura, faz uma oração, enfim, uma meditação, ouve uma música mais tranquila, até que você sinta sono novamente, aí você volta para o seu quarto.
E na verdade, assim, você tem que associar o seu ambiente de dormir com o sono realmente. Tanto que a gente fala assim, cama, cara, é lugar de dormir e de fazer sexo. Só. Nada de levar comida, de fazer refeição, ficar assistindo televisão. Mexendo o celular. Mexendo o celular. Trabalho.
preocupação, ah, nossa, amanhã eu tenho que fazer tal coisa, tal coisa. Vamos pensar o seguinte, cara, se você tem, todos nós, sempre no dia seguinte a gente tem um monte de coisa para resolver. Mas se eu tiver uma noite bem dormida, eu vou estar muito mais disposto, muito mais preparado para tomar as melhores decisões do que se eu ficar remoendo aquilo que eu não vou resolver naquele período que eu estou na cama.
Vou dormir mal, dormir pouco, vou acordar estressado, meu cérebro não vai estar ativo, eu não vou estar tão bem capacitado para resolver aqueles problemas. Então, pega um celular ou papel, anota as coisas. Olha, amanhã eu tenho que ligar para o Guilherme, tenho que acertar uma conta com o Hélio, tenho que fazer o supermercado, tal, tal, tal. E deixa lá. Pelo menos você sabe que, olha, não vou esquecer, já está tudo anotadinho.
É uma forma de você mostrar para o teu cérebro que você não precisa se preocupar com aquilo.
E o meu quarto eu tenho que prepará-lo no seguinte sentido, de preferência, ausência de luz. Mas como eu falei, se a pessoa não consegue dormir num ambiente totalmente escuro, uma luz laranja, bem fraquinha, o mais fraquinha possível, tá?
O Cipolla também fala, sabe essas luzes vermelhas de stand-by de aparelho eletrônico? Até isso prejudica a nossa qualidade de sono. Celular que fica bipando de mensagem. Mesmo que você está dormindo, o teu cérebro reconhece aquilo. Ele percebe aquilo. E ele fica alternando as ondas cerebrais.
Você não acorda, você está dormindo, mas teu cérebro está assim, está acelerando e desacelerando, acelerando e desacelerando. Olha aí, uma dica do Vocação Podcast para a indústria, vamos substituir a cor vermelha pela cor laranja, né? Exatamente, seria muito bem. Você não estava aí, mas eu estava até comentando com ele, hoje, luz de LED em casa sempre amarela, nunca luz branca. Luz branca a gente usa no local de trabalho.
Exatamente porque a luz branca tem uma informação que é de dia ainda. E você está lá 9, 10 horas da noite com luz branca, exposta à luz branca, você está mandando informação para o seu cérebro. Se você escolher a tonalidade da luz do quarto, melhor que for a luz. Amarela, aquela acho que é 3.000K, alguma coisa assim.
Então, além da questão da ausência de luz, a temperatura também é importante. Lógico que não é todo mundo que vai ter um ar-condicionado, aqui em Arasatuba a gente sofre um calor absurdo, mas o ideal é um clima mais fresquinho, pelo menos um ventilador, uma circulação de ar, uma vasilha de água para umidificar um pouquinho mais o ar, que melhora a nossa respiração, não precisa nem ser o umidificador propriamente dito, uma bacia, uma vasilha com uma boca aberta.
vasilhames de bocas estreitas não funciona muito bem. Eu tenho que ter a evaporação para umidificar o ar. Ele se torna menos agressivo para as nossas vias aéreas também. Silêncio, ausência de ruídos, animais de estimação. É muito gostoso. Eu também adoro meu cachorrinho. Mas evitar, porque ele atrapalha, ele vai latir.
[trecho inaudível]
É verdade. Naturalmente, você já sabe que ali é um local de mais tranquilidade.
E o colchão, doutor? O colchão acho que também é fundamental nesse processo. Muito importante. Também é uma questão individual, Guilherme. Por quê? Tamanho, peso, né? O ideal, você sabe que assim, em relação à apneia obstrutiva do sono principalmente, a pior posição que nós temos para dormir é de barriga para cima. Por quê? A ação da gravidade vai fazer com que minha língua escorregue lá para trás. E nessa questão, às vezes, o colchão dificulta você dormir em outras posições.
Mas é lógico que você tem que ter um colchão que te dê uma sustentação para o seu corpo, ficar o mais horizontal possível, inclusive o travesseiro. Nada de você ficar com o pescoço flexionado, tanto para baixo como para cima.
Vou pegar o exemplo da mangueira de jardim. O que acontece se eu pegar e fizer uma dobra nela de quase 90 graus? Vai passar e menos água, né? Você vai provocar uma obstrução ali. A tua faringe também. Então a tua chance de roncar é maior, a tua chance de ter uma piné também é maior. Então, poxa, o travesseiro tem que permanecer...
Com uma posição erenta, né? Você tem que imaginar o seguinte, a melhor posição que a gente tem para dormir é lateral. Tanto faz lado direito ou lado esquerdo. A gente só recomenda mais do lado direito se você se alimentou, que não deve se alimentar muito perto do horário de dormir, pelo menos umas três horas. Mas vamos supor que às vezes à tarde você almoçou e deu a bater aquele soninho. Evita dormir do lado direito. Por quê? Anatomicamente, meu estômago está mais para a esquerda.
Se eu deitar do lado direito, eu vou ter mais chances de ter refluxo. Então, se eu deitar do lado esquerdo, é só nessa situação. Mas tanto faz, lado direito ou esquerdo. Mas quando você está deitado na posição lateral, a tua cabeça, você vai aumentando a altura do seu travesseiro, que vai depender da largura do seu ombro. E uma forma facinho de você reconhecer isso, pega uma toalha, uma toalha de banho, põe ela uma dobra só e verifica.
Ah, ainda está baixo. Dobra ela de novo, até você chegar na altura ideal. Então, se eu deitar do lado esquerdo,
para você descobrir qual travesseiro que é melhor. Ah, mas tem o travesseiro da NASA, o travesseiro de não sei o quê. Tem um apelo comercial que é muito forte. O ideal é a altura. Não importa muito a marca, o formato dele. Também não importa se ele é duro ou se ele é fofo. Depende. Se essa fofura dele for suficiente para te manter com a cabeça alinhada com a tua coluna cervical, tudo bem. Só que ele vai ter que ser mais alto, né? Para você ter aquele efeito de afundar ele um pouquinho.
E o travesseiro no meio das pernas, doutor? Extremamente importante. Que bom, porque eu não consigo dormir sem o travesseiro no meio das pernas. Eu também não. Você sabe o que acontece? Quando a gente dorme de lado, se a gente não tiver um apoio entre as pernas, a perna que está em cima vai cruzar e você começa a girar o seu tronco. A tua coluna vertebral é virando uma espiral. Você vai acordar ali com dor nas costas, com problema na lombar, problema de quadril.
É sempre importante. Ou o travesseiro, ou aquele rolinho, sabe? Um rolinho, né? E abraçado, pra quem é casadinho de novo, se puder abraçar a esposa, melhor. Se não, um outro travesseiro. Ou uma almofada, ou um travesseiro no meio das pernas, e outra se você é abraçadinho. Então, três travesseiros, abraçado no meio das pernas e da cabeça. Eu lembro que às vezes eu dormi na casa do Guilherme, eu ficava sem travesseiro, porque ele pegava os cinco travesseiros lá pra dormir. Aí eu tinha que pegar um pedaço de madeira, alguma coisa pra apanhar e dormir.
Mas então essa questão, e você sabe só em relação ao colchão, quando o paciente às vezes tem só o ronco primário, que não tem um grau de obstrução, às vezes só de você elevar um pouquinho a cabeceira da cama, da pessoa ficar com a cabeça um pouquinho mais alta, resolve muito. De 7 a 14 graus essa inclinação, já melhora bastante.
Então é melhor um pouquinho inclinado para cima do que para baixo. A cabeça. A cabeça, sim, sim. Não, não, não. Perdão, a cabeceira da cama. A cabeceira. Não é você colocar um travesseiro mais alto. Lembra que se eu aumentar o travesseiro, eu vou flexionar a minha faringe.
É a cabeceira da cama que tem que ficar mais alto. Você não pode elevar muito, senão você começa a escorregar no colchão. Sim, sim. Mas hoje existem até fábricas que fazem o colchão de acordo com o seu peso e tal, vê a densidade mais específica da espuma para você e já faz com uma pequena inclinação. Uma cunha que ele... Que interessante. É outro teste que dá para fazer. Pega uma coberta, bota embaixo do travesseiro ali na região da cabeceira da cama que você vai ver que vai elevar toda a cabeceira.
E o travesseiro continua o mesmo, tá? Não muda. Doutor, ainda sobre o ambiente ali. O grande inimigo é o celular. Sim. O pessoal pega o celular, eu mesmo às vezes pego. Você em 99% dessa nossa geração. Eu ainda faço aquele negócio assim, modo de leitura, brilho no mínimo e tal. O pessoal recomenda assim, se for fazer uma leitura, um livro físico.
Mesmo com a pouca luz. É recomendado? É recomendado. Por conta da emissão da luz que você está tendo. Mesmo aquela night shift. Que é aquela luz. Ele fica com uma luz um pouco mais amarelada. Mas também é um estímulo visual que você está tendo ali. Não é tão saudável. E o celular. Pelo menos uma hora antes de dormir.
Dá uma desligada. O ideal é nem você deixar ele muito perto de você. Porque além dessa questão do sono, tem as ondas eletromagnéticas que afetam o nosso cérebro também. Isso, você vai desligar uma hora, vai ser a hora que sua mãe vai ligar, que ela tá em apuros, que a Adriane Galista vai ligar pra você, vai participar da promoção. É aquela hora que você acha que isso vai acontecer. O cérebro não desliga. Doutor, eu acho que foi...
privilégio ter esse bate-papo com o senhor aqui, a gente aprendeu bastante, foi muito elucidativo, e eu acho que nós vamos ter que ter outras conversas aqui pra gente ir evoluindo. Tá à disposição. Mas quero agradecer esse bate-papo, porque eu acho que foi muito bom, né, Helio? Oxalida. Depois o senhor manda a cobrança da consulta que nós tivemos, porque sua esposa manda pra ele.
Doutor, a gente sempre encerra aqui o Vocação Podcast fazendo uma comparação do que nos trouxe a essa mesa aqui, do porquê que nós iniciamos esse trabalho, um pouquinho do que nos motivou. E a gente teve um insight muito importante quando nós conhecemos aquela história de Martinho Lutério Sapateiro.
quando um sapateiro chega para Lutero e fala assim, Lutero, como é que eu posso servir melhor a Deus? E Lutero, uma pessoa, uma referência teológica da época, Lutero responde de maneira muito simples para o sapateiro, ele fala, olha, faça um bom sapato e venda um preço justo.
Isso nos faz entender que todo trabalho, quando bem desenvolvido, quando vocacionado, ele está fazendo um serviço para Deus. E eu queria estender essa pergunta para o senhor. Como que um dentista, como que um especialista de sono pode servir melhor a Deus?
Olha, você sabe que o que Deus mais quer, o maior desejo de Deus é ver os seus filhos felizes, bem, saudáveis. Eu acho que nós, principalmente, vou chamar aqui um pouquinho para o pessoal da área da saúde.
Temos que ter esse olhar de promover o máximo possível a melhor qualidade de vida, melhores condições de saúde para o nosso paciente. E vamos lembrar que quando Deus criou a vida, eu sei que isso vai muito de uma crença para outra, mas teve o sopro divino, que foi o sopro que gerou a vida.
E esse sopro está muito ligado à respiração. Então, um recado que eu deixo para todos os colegas da área da saúde. Vamos observar a respiração dos nossos pacientes, mesmo que não seja o seu foco principal. E essa respiração é o principal fator que regula a qualidade do nosso sono, que vai gerar a melhor qualidade de vida, a melhor qualidade de saúde.
Eu tenho certeza que, inclusive, eu acho que Deus, nas mais variadas formas de contato, de bênçãos que Ele pode nos promover, Ele nos abençoa bastante quando a gente está num sono profundo.
A própria Bíblia diz que Deus guarda, abençoa quando os seus estão dormidos. Exatamente. Então vamos promover melhores qualidades de sono, melhores qualidades de vida, que tenho certeza que a gente vai estar no caminho que Deus permite que a gente esteja.
Que privilégio esse bate-papo. Como é que o pessoal entra em contato com o senhor, doutor? Deixa as redes sociais aí. Olha. O meu chão lá da Viva Vita. É o mesmo Viva Vita Instituto de Saúde, né? Que eu e a André trabalhamos juntos ali. E tem o meu pessoal que é doutor.antôniofagnanifilho. Tudo junto, tudo minúsculo no Instagram. A gente está ali disponível para...
responder questões e puder ajudar, a gente está sempre à disposição. E também, se você me permitir, tem o Núcleo do Sono de Arasatuba, que é um grupo de profissionais que a gente coordena ali, tem vários médicos, dentistas, fônos, físicos, e eu que gerencio a mídia social do Núcleo do Sono é Núcleo do Sono ATA, ATA Abreviação de Arasatuba.
Tudo junto, tudo minúsculo também. Ali é uma página voltada com conteúdo um pouquinho mais profissional, mas dá para pescar bastante coisa legal ali também. Perfeito. Doutor, muito obrigado pelo bate-papo, que Deus continue abençoando o trabalho de vocês aí, abençoando o sono, né? Que possa ser cada vez mais reparador o nosso sono, né? Acho que esse é o principal objetivo.
A gente quer agradecer a você também que acompanhou a gente até agora aqui no Vocação Podcast. É um grande privilégio ter você aqui conosco e dizer, né? Nós estamos em várias redes sociais. Estamos no Facebook, no YouTube, no TikTok, no Kawaii, no Spotify, no Deezer, no Amazon Music, no Apple for Podcasts.
várias redes sociais, você pode procurar a gente lá, segue a gente, tá? Se inscreva no nosso canal, aqui no YouTube, a hora que você se inscrever, ativa o sininho, porque isso é muito importante, você sempre vai estar recebendo conteúdo novo, e nós estamos produzindo conteúdo praticamente todo dia, né, Eric? Exatamente. Todo dia tem um material novo aí pra você ver, um corte, uma...
um detalhe da entrevista que pode ter passado batida, a gente vai recuperar e soltar ele para você. Então pode acompanhar a gente lá, a gente sempre vai estar trazendo conteúdo novo. E todo sábado, às 15 horas, uma conversa nova, exclusiva aí para você, tá bom? Então segue a gente nas redes sociais.
Tem o nosso telefone WhatsApp, que é também a nossa chave Pix, tá? Então, se você quiser fazer uma doação, se você quiser entrar em contato conosco para expor o seu produto aqui no Vocação Podcast, pode entrar em contato com a gente, tá? DDD 18997379063
repetindo, DDD 18997379063. Entre em contato com a gente, eu tenho certeza que você vai ter uma equipe aí para te atender da melhor forma possível, tá bom? Muito obrigado, pessoal, Deus abençoe e até semana que vem, mais um episódio aqui do Vocação Podcast.