Episódios de Duas de Prosa (Podcast)

A língua portuguesa é única graças aos seus falantes

05 de maio de 202618min
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Neste Dia Mundial da Língua Portuguesa, o linguista João Costa diz que ninguém pode ser penalizado por usar a sua língua. No caso do português, são os diferentes sotaques e a diversidade de falantes que a tornam única.

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Participantes neste episódio1
J

João Costa

ConvidadoLinguista
Assuntos6
  • Dia da Língua Portuguesa em ParisImportância da celebração · Políticas de língua · Língua de conhecimento e ciência
  • Problemas de leitura em tempos digitaisQualidade da leitura · Cultura do imediato · Distinção entre factos e opiniões · Combate ao declínio da leitura · Gosto pela leitura
  • Gírias obsoletas da língua portuguesaDiversidade de falantes e sotaques · Língua pluricêntrica · Variação dialetal
  • Norma Culta e Variações LinguísticasErros de português · Adequação do registro ao contexto · Redundância na língua · Arbitrariedade da norma
  • Educação e Leitura como FerramentasDificuldades de crianças · Falta de ambiente estimulante em casa · Perturbações de desenvolvimento da linguagem · Contexto socioeconómico
  • Língua Portuguesa e MulticulturalidadeImersão na aprendizagem de línguas · Contacto com outras línguas · Neologismos e empréstimos
Transcrição50 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Ora, hoje no Duas de Prosa assinalamos este que é o Dia Mundial da Língua Portuguesa, 5 de maio. O português está entre as 10 línguas mais faladas do mundo. São mais de 260 milhões de falantes espalhados por todos os continentes. Estima-se, curiosamente, que em 2050, perto de 400 milhões de pessoas falem português.

É nosso convidado esta tarde no Duas de Prosas. João Costa é linguista, foi ministro da Educação e está connosco esta tarde para nos ajudar a olhar para a nossa língua, a língua portuguesa. Porquê é tão importante assinalarmos este dia? Eu gostava de ouvir já agora a opinião do cidadão, do ex-ministro da Educação e também do linguista. Pode ser?

Muito bem, boa tarde e obrigado pelo convite. Não sei para onde é que começo, que eu tenho alguma dificuldade em separar papéis, mas vou começar como linguista. Como linguista, a celebração da língua é, eu diria, uma chamada de atenção para todos, para o facto de termos de ter políticas de língua que sejam, eu não gosto nada da expressão defender a língua, porque a língua não está sob ataque, mas que sejam...

Não sei se não estará. No dia-a-dia há muitos ataques. Podemos já falar sobre isso, somos ataques à língua. Mas políticas que nos ajudem a ter o português como língua de conhecimento, como língua de ciência, como uma língua em que se pode fazer negócios, como uma língua que é utilizada...

nos espaços públicos de uma forma cuidada, como uma língua a partir da qual se traduz e para a qual se traduz, para podermos ter uma boa promoção da cultura e das artes através da língua portuguesa. Portanto, é para isso que serve esta celebração. Como cidadão, gosto muito de celebrar a língua portuguesa porque é o lugar da diversidade. O português é aquilo que nós chamamos de uma língua pluricêntrica, ou seja, é uma língua que é falada de formas diferentes em muitas partes do mundo.

E não há uma que está certa e as outras erradas. E não deixa de ser português, não é? Não deixa de ser português. Tal como, se não sairmos aqui do retângulo, mais as ilhas, também encontramos a imensa variedade. E isso dá à língua portuguesa um caráter único. Aliás, mesmo aqui no tal retângulo. Exatamente. Basta irmos para o norte.

É preciso fugirmos muito, eu sou setubalense Setúbal só é o Secharruco Com as marcas dos R's e outras E portanto esta diversidade E assim como cidadão em tempos em que parece que a diversidade Não é suficientemente valorizada e não é vista como uma riqueza Eu acho que é muito bonito Nas funções que assumi e que se cruzam muito com as funções de linguista Eu acho que é também um dia em que nós podemos refletir em conjunto Eu acho que é muito bonito

sobre dificuldades que algumas crianças têm na aprendizagem da leitura, no domínio da oralidade, e que são dificuldades que podem vir de muitos lados. Pode ser porque não têm o português como língua materna, pode ser porque não têm um ambiente estimulante em casa, uma casa onde não há livros, uma casa onde não se fala de livros.

Pode ser porque têm perturbações de desenvolvimento da linguagem e precisam de uma intervenção mais cuidada, mais apoiada por terapias da fala. E aquilo que nós sabemos é que há ainda muitas crianças que não estão a aprender a ler e a escrever no tempo devido. E, portanto, este é também um dia que nos deve continuar a mobilizar para pormos mais recursos neste apoio às crianças com mais dificuldades.

E essas crianças são conhecidas? Sabe-se e acompanha-se? Sim, sim. Ou sabe-se que elas estão ali e pouco mais? Não, sabe-se. Os professores fazem um trabalho muito dedicado de apoio. Há instrumentos de monitorização destas dificuldades. Nós tínhamos no passado provas de aflição. Este governo criou estas provas de fluência de leitura. São instrumentos importantes para medir.

Há instrumentos como o Plano Nacional de Leitura, aquilo que se faz nas orientações curriculares para a educação pré-escolar, para a literacia começar a ser trabalhada mais cedo. Agora, há ainda muito por fazer. Ainda ontem vi um estudo que foi apresentado, acho que coordenado pela professora Isabel Letti e pelo professor Luís Catela Nunes, que mostrava as muitas dificuldades que algumas crianças têm na velocidade de leitura.

Portanto, o que é preciso é nunca desistir e perceber que estas crianças existem, que são geralmente dos grupos mais vulneráveis, vê-se um grande peso do contexto socioeconómico nestas aprendizagens e, por isso, fazer todos os esforços convergir para elas. Há pouco falava aí de multiculturalidade. Nós vivemos num tempo em que há muitas crianças de muitas culturas e muitos países diferentes, de muitas línguas diferentes, e isso no dia a dia também traz desafios acrescidos.

Traz desafios, mas eu acho, obviamente, traz desafios porque não falar a língua de escolarização é uma barreira. Aquilo que nós sabemos é que, sobretudo se estivermos a falar dos mais pequeninos, a melhor forma de aprender a língua é a imersão.

Ou seja, põe-se a criança a brincar e a aprender com os outros e em poucos meses estão a falar. Como nós aprendemos muito melhor inglês se formos passar um ano ao Reino Unido ou aos Estados Unidos, a um país de língua inglesa, do que se tivermos fechados numa sala a estudar sozinhos ou numa turma durante 50 minutos.

E, portanto, a imersão funciona. Depois, saindo agora do contexto escolar, há um lado muito bonito nisto, que é que Portugal era um país aborrecidamente monolíngue. E hoje nós estamos em contato com outras línguas. Haverá palavras que estamos a trazer para dentro do português por empréstimos, neologismos.

As nossas palavras também, e é assim que as línguas vivem, é assim que as línguas se transformam, é no contacto. Tal como o português, tal como o conhecemos, é o fruto do contacto entre o latim e línguas que se falavam, e línguas que se falavam na altura em que o Império Romano dominou isto tudo.

Eu vou recorrer aqui a um texto que eu li há muito pouco tempo, de uma aluna do décimo ano da Escola Secundária de Camões, a Clara, que escreveu o seguinte. A língua portuguesa é uma extensão do nosso corpo, une a voz, à história e à cultura. Ajuda-nos a exprimir as nossas vivências, os nossos sentimentos e desejos com milhões de outros seres humanos.

Sim, porque a língua portuguesa não é só portuguesa. Talvez nunca tenha sido. É brasileira, angolana, moçambicana, guineense, de Timor, de Macau, de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe e principalmente de todos e de nenhum património imaterial, mas moldável.

Esta menina é de décimo ano, portanto tem, não sei, 16 anos? Deve ter 15, 16. 15, 16, por aí. Maravilhosa. É maravilhoso, não é? Eu quando li isso pensei, isto é um bom modo para a conversa sobre o dia da língua portuguesa. Mas valeu até a Leela que há de ir aqui.

Há pouco falávamos aqui da língua portuguesa que às vezes é maltratada. Como é que olha ou como é que se sente cada vez que há uma palavra que é mal pronunciada, que é mal escrita, que há uma frase que não está bem dita? Nós temos que caracterizar o que é que é isso dos maus tratos.

São erros, erros de português Pronto, há os erros Eu, por exemplo, detesto ver erros na legendagem Ou nos oráculos Das notícias Mas isso às vezes tem a ver com a rapidez, com o que se escreve Todos os erros podem ser justificados Às vezes não, mas muitas vezes pode ser Mas estamos a falar aí de convenções de escrita Convenções da chamada norma Norma culta da língua Em meios que são Meios de comunicação Sim

ou quando vamos a algum sítio e vemos afixado uma coisa com erro ortográfico, isso são efeitos de más aprendizagem. Nos jornais, muitas vezes, nos menus. Vemos muita coisa. Mas depois há uma área em que, por exemplo, falou dos erros de pronúncia. Às vezes é só a variação dialetal, que a pessoa no Alentejo pronuncia diferente da de Lisboa, ou da de Coimbra, ou da Guarda, ou da Covilhã, ou dos Açores.

Portanto, nós temos de perceber exatamente o que é que estamos a falar quando falamos de maus-tratos. Às vezes é apenas a variação normal. Nós falamos todos, como falantes de português, falamos todos vários portugueses. Nós adotamos registros diferentes, numa conversa mais formal, se estivermos a falar com uma criança, o registro que adotamos, se estivermos a ver um jogo de futebol, que não é uma coisa que eu pratico, ver jogos de futebol, mas há um linguajar próprio de quem está a assistir ao jogo. Portanto, nós...

O que nos caracteriza como falantes competentes e educados é esta capacidade de dominar diferentes registros. Sabermos adequar o registro que utilizamos às diferentes situações em que estamos. O caso extremo. Eu não falo com um bebê como falo com um adulto. Adecuo as palavras, a linguagem, a atuação, etc. E mesmo na oralidade, no dia-a-dia. E na oralidade do dia-a-dia. Numa conversa informal também é um bocadinho diferente de um texto, por exemplo. Claro.

Claro, portanto, é esta adequação do registro ao contexto que faz de nós falantes que são mestres da sua língua, de certa forma. E, por vezes, esta questão do maltrato tem um pouco a ver com querermos impor a qualquer contexto e a qualquer registro aquela que é a norma mais culta da língua. Agora.

De novo, se estou a escrever um texto formal, se estou a fazer uma legendagem, se estou a fazer uma tradução de uma obra literária, se estou a escrever num jornal, aí espera-se o cumprimento da norma culta do português.

O que nem sempre acontece. Sendo que, e este é um debate que acho que ainda não tivemos a sério, ser uma língua pluricêntrica significa que há várias normas também. Pois sim. Por exemplo, vou só introduzir um tema muito difícil e não vou dizer nada sobre ele.

Quando um aluno muito bom, brasileiro, chega a Portugal, com 17 anos, e vai fazer os seus exames do 12º ano, eu acho, e defendo, e tentei, mas estava de saída, não pode ser penalizado por usar a norma culta brasileira a fazer o seu exame de filosofia ou de biologia e geologia.

Só que, como os exames são anónimos, isto depois é uma dificuldade de todo o tamanho. Mas é uma reflexão que eu acho que tem de se ter, porque ninguém pode ser penalizado por usar a sua língua. Seja qual for a variante da língua, seja o português de Angola, de Moçambique, do Brasil, de Timor, etc. Porque é uma língua que tem muitas normas.

Nós temos aqui uma rubrica que é o Na Ponta da Língua, que diariamente tira dúvidas de português. E já tivemos essa questão que é, muitas vezes, aquilo que é correto em português de Portugal, o chamado português europeu, não é depois utilizado ou tem outra forma, outra variante no português do Brasil. E já tivemos esta... Vou contar aqui uma história que me aconteceu para há uns 20 anos.

Ia ali na Vida da República e vem da RTP, ou em bom português. E vinha uma máscara, uma jornalista, me pergunta assim. Diz-te há dois anos ou há dois anos atrás? E eu disse, eu sei que o que quer é que eu diga que há dois anos. Mas a palavra atrás tem um significado. Significa que eu estou a dizer há dois anos, a partir de hoje. Para eu posso dizer, eu não posso dizer.

Em 1990, há dois anos atrás, qualquer coisa. Isso é que é mesmo completamente estranho. Agora, se eu disser assim, há dois anos atrás, eu já sei que é a partir de hoje. Aquilo está-me aqui a fazer uma localização do ponto de referência. A norma culta diz...

que é redundante. E aí a pessoa que estava naquela interação dizia assim, não, não podes dizer há dois anos atrás porque é redundante. E eu disse, mas a língua está cheia de redundância. Já viu? Quando nós dizemos tu vais, tem o tu, que é a segunda pessoa singular, e tem ali o x de vais, que também é a segunda pessoa do singular. Portanto, há alguma arbitrariedade nisto e quando nós começamos, é isto que nós linguistas fazemos, a entrar nos promenores.

podemos ver que a norma é apenas uma convenção e que há coisas que, sendo desvios à norma, têm uma explicação absolutamente natural quando mergulhamos no conhecimento gramatical. Muito bem. E pode não ser um erro. Pois, o que é erro ou não é apenas uma convenção. Exatamente. Estava aqui a pensar que, hoje em dia, sobretudo os miúdos passam muitas horas nos ecrãs, não é? Leitura é coisa que fica apenas para alguns. Como é que olha para isso também? Isso tem e vai continuar a ter... Obrigado.

Sim, nós temos indicadores um bocadinho ambíguos. Houve um estudo com poucos anos da Apel que mostrava que os jovens até estão a ler mais. Mas nós temos de nos preocupar sobre a qualidade da leitura, o que é que se lê, quanto é que se lê, como é que se lê e perceber que, de facto, a leitura está a ser desafiada por este mundo digital. E está a ser desafiada em que dimensão.

ler implica tempo, o tempo da paragem. E isto aplica-se às crianças e aos adultos. Exatamente. Às crianças e aos adultos. Nós estamos a viver uma cultura do imediato. Os últimos ciclos de Pisa mostravam, não só em Portugal, mas em vários países que...

Os jovens, o PISA testa jovens de 15 anos Começam a responder antes de ler tudo Ou seja, não fazem a leitura extensiva Têm muita dificuldade em distinguir factos de opiniões E isto aprende-se A aula de gramática serve para isso Quando eu vejo num texto uma palavra como felizmente Já sei que estou a olhar para um texto de opinião

Ora, neste mundo de radicalização através das redes sociais, de disseminação de informações falsas, é muito perigoso. Porque, repare, menos leitura extensa, menos leitura extensiva, significa o quê? Vou ler só os títulos. E depois, como não tenho instrumentos para distinguir factos de opiniões, vou acreditar, seja o que for, que essas letras gordas dizem.

Portanto, é preciso fazer aqui o que é uma guerra difícil. Há um projeto que eu estou a dirigir, chamado o Futuro da Educação e das Competências de 2040 na OCDE, em que estamos a trabalhar exatamente isto, que é como, e são 30 e tal países, estamos a trabalhar, como contrariar o declínio de leitura.

na era digital, ou seja, tendo em conta tudo o que está a acontecer. Não é simplesmente fazer de conta, não vamos parar o vento com as mãos, não vamos fazer de conta que a tecnologia não existe, etc., mas é qual é o lugar da escola, qual é o lugar do livro em papel, qual é o lugar do gosto pela leitura. Falamos muito poucas vezes do gosto pela leitura. Se eu não gostar de ler, não vou querer ler.

E este gosto começa-se a fomentar muito cedo, mas não pode estar só dependente da família, porque senão vamos continuar a ter clivagens sociais, como este estudo que eu referi mostra, associados à capacidade de leitura. Voltamos ao início da conversa, que é se não houver livros em casa, se não houver hábitos de leitura, dificilmente esses alunos vão ler. Mas sabemos que há muitas casas onde não há livros, e é por isso que instrumentos de política pública, como as bibliotecas escolares, as bibliotecas públicas...

Há programas municipais interessantíssimos de fomento da leitura, ter livros em todo o lado, sermos modelo. Há um estudo, penso que foi feito pelo ISCTE há uns anos, no âmbito do Plano Nacional de Leitura, que mostrava que um dos principais indicadores...

dos jovens que gostavam de ler, tanto ou mais do que ter livros em casa, era falar-se de livros à sua volta. Isto é uma coisa que todos nós, quando falamos com crianças e jovens, podemos fazer, dizer... O professor na sala de aula, o médico no centro de saúde, havia um programa do Plano Nacional de Leitura que era ler mais da saúde, em que os médicos recomendavam aos pais, nas consultas de rotina, leia com os seus filhos.

Portanto, é uma mensagem que tem de ir passando, nós temos de ir criando modelos leitores e estimular para a leitura. Eu não acho obrigatório que toda a gente seja um leitor compulsivo. Há pessoas que gostam mais de cinema, há pessoas que gostam mais de ler, há pessoas que gostam mais de teatro. Exatamente, há pessoas que não gostam tanto assim de ler. Mas não ser leitor é preocupante. Claro. Porque é que nós fomentamos o gosto pela leitura? Sabemos que há...

correlações muito fortes entre a leitura, a liberdade, a independência na cidadania, a maior ou menor vulnerabilidade a este contexto que temos de manipulação, tudo isso, as correlações são todas fortes. Portanto, nós queremos que as pessoas gostem de ler, da mesma maneira que queremos que as pessoas gostem de respirar, porque faz-lhes falta para a sua sobrevivência.

E ler aumenta conhecimentos, ler aumenta o conhecimento da língua, é também por isso que aqui estamos hoje a assinalar-se este dia mundial. A famosa frase de Humberto Eck diz que quem não lê vive uma vida, quem lê, lê cinco mil vidas. Vive, exatamente. João Costa, para terminarmos, deixe-me perguntar-lhe, tem palavras preferidas e palavras que odeia ou nem por isso?

Não, não. Não há assim uma palavra que seja especial. Eu divirto-me com palavras, mas é tudo muito pontual. Não há assim nenhuma preferida, nem nenhuma... Eu na linguística faço sintaxe. E, portanto, às vezes há assim umas construções sintáticas que gosto porque me intrigaram na minha investigação, sobretudo aquelas que estamos menos conscientes. Uma coisa que eu gosto muito de...

brincar com as pessoas, que é a língua é muito boa para falar de tempo, dizer, aquilo estava a dizer há bocado, em 1990, já há dois anos, que tinha começado a guerra, que terminou, não sei quando, e nós deslocamos no tempo. A língua é muito menos capaz de falar de espaço. Se eu lhe pedir para me dizer o que é uma espiral, daqui a bocadinho...

Isto é rádio, não dá para ver Mas quando começar a explicar o que é uma espiral Vai começar a fazer um movimento com os dedos E isto sim fascina-me na língua Os limites da língua O que pode a língua E esta relação entre linguagem e pensamento Que as línguas todas do mundo Mas obviamente também a língua portuguesa Permite

Muito bem. Obrigada por ter vindo à Antena 1, João Costa, linguista, antigo ministro da Educação, também a ajudar-nos a olhar para este Dia Mundial da Língua Portuguesa, que quisemos assinalar também no Duas de Prós. Obrigada, até à próxima.